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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

PARA PEU. COM AMOR, MAMÃE. 8 ANOS DE UMA VIDA COM MUITA HISTÓRIA PARA CONTAR!





PARA PEU:

Filho, como são as coisas... há 8 anos meu mundo mudou por completo - tá, até aqui, tudo igual ao que toda mãe diz...

Bom, na verdade, mudou há 8 anos e 9 meses, quando eu descobri que estava grávida. Tá, mudou em 4 de fevereiro de 2006, quando fiz o beta HcG e deu: "gonodotrofina corionica plasmática: POSITIVO". Chorei e sorri, tudo ao mesmo tempo. 

Liguei para marido - que nem sabia que eu havia ido fazer o teste... - e precisei pedir que ele parasse de gritar em meu ouvido..."Uhu! Uhu! Uhu!". 

Enviei um SMS para minha mãe: "Vovó, já estou a caminho daqui a 7 meses eu chego, viu? Não sei se sou menino ou menina, mas sei que já sou muito amado ou amada.". O silêncio do não retorno me deixou curiosa, mas, como estava saindo sozinha do laboratório e em estado de choque - é, não sei explicar, mas meio que fiquei boba, né? - não liguei logo de cara. Dei alguns segundos de vantagem e a manteiga - interessante, nós baianos falamos tanto "mantega" que Peu veio me dizer: "Mãe, engraçado, nas embalagens só vejo escrito 'manteIga' e a gente só fala 'mantega'..." é isso mesmo... voltando: - derretida  #minhamãe  nada de dar sinal de vida. Não resisti e liguei: "Mãe, você recebeu minha mensagem?", no que ela responde apenas uns sons de "snif snif" e soluços: "Recebi, sim. (soluço)" e derreteu! 

Dia seguinte, fui encontrar meus pais em Guarajuba, curtir o carnaval por lá e, quando chego, pensei que entrava num buffet infantil: bolas, bolo, doces e salgados! A festa estava pronta para comemorarrrr, tchanran: ele, o inigualável PEDDDRRROOOO HENRRRRRRIQUEEE! Que ainda não era chamado assim, porque eu só tinha 2 meses de gravidez e nem sabia o sexo do bebê, mas já era ele!

Foi muito massa!

Estava previsto para nascer dia 13 de outubro, mas dia 24 de setembro ele encaixou e apenas dia 26 ele nasceu. Um lindo! Aliás, a mesma cara da US 3D que havia feito - impressionante! É a mesma cara até hoje! Lindo demais!

A cada dia, naquele primeiro ano de vida, muitos desafios - e quando falo muitos, ainda é pouco... 

A cada ano, mais encanto. E muita danação, misericórdia!

Entre todas as intempéries, duas características dele sempre se mantiveram: a alegria e a amorosidade - apenas demonstrada para pessoas transparentes... seu detector de "nuvens carregadas à frente" é aguçado. Pedro é muito especial! E ele tem me feito querer ser cada dia uma pessoa melhor - até aí, toda mãe também diz isso, né?... - porque perto dele, pessoas comuns não aguentam e se deparam com sua própria nudez e pequenez, e, para alguns, isso machuca... poucos querem se ver e ele se mexe e em cada mexida, grandes revelações! Ele é a clara expressão da dualidade. Ele é como o Planeta: vive entre os pólos! 

Segundo me disse - com uns 4 para 5 anos -, "veio das estrelas e nasceu de uma estrela cadente, como um ovo de dinossauro, só que em forma de estrela!" e, há um ano, o que motivou a mudar de casa, de extremidade da cidade, de escola e etc, foi ele me dizer: "No planeta que vim não tinha esse sofrimento todo, não! Lá, todo mundo era igual. Ninguém me via como diferente... Todo mundo era feliz!". Hoje, esse diferente continua diferente, querendo ser parecido, mas sem se preocupar em ser diferente, porque já sabe com todo amor que posso passar para ele, que a diferença dele pode ser algo muito bom! Meu - que nem é meu de verdade, porque não somos proprietários dos nossos filhos - pingo de ouro, pingo de gente, é capaz de me fazer rir e chorar diante da sua grandeza e nobreza. Ele, em sua inquietação e energia, libera tudo que seja raiva, tristeza ou medo... de tanto se agitar e ser feliz, ele, simplesmente, não tem tempo a perder guardando rancor - até hoje, só vi rancor por uma pessoa... e espero que passe. Mas, ao explodir de raiva, libera e não guarda. Hoje, aprende que existem outras maneiras de colocar essa raiva para fora. E tudo isso, apenas, porque ele tem ESPAÇO para SER ele mesmo. E esse espaço dele tem aberto espaço para as pessoas ao seu redor, como eu, como o pai e como tanta gente.



Pedro está crescendo e puxando uma leva de gente junto! Só falta dizer: "sigam-me, os bons!".

Hoje, sou uma mãe mais segura do meu papel e feliz em ver que todo meu empenho e dedicação - como toda mãe, né? Só que não... coloco, como algumas poucas mães, em prática o discurso bonitinho! - têm dado certo! Que potencial a gente pode morrer tendo se não colocar para fora, morre com ele dentro e, aquele que diz: "você não tem potencial para ser desenvolvido", diz a si mesmo isso, refletido no outro. Para Pedro eu digo: "Que bom que existe o agora! Que bom que você é capaz de fazer, agora, o que ainda não fez!" e "Você é capaz! Você é capaz de fazer isso e muito mais!". E ele, em seu lindo e puro coração, sabe! Apesar da mente inquieta e do corpo que não para, traz em si uma luz e uma beleza cativantes. Tem paciência com crianças menores e adora conversar com pessoas idosas, de igual para igual, muito engraçado, isso. 

E, hoje, mais um ano dessa parceria, dessa amizade, dessa cumplicidade com esse ser tão especial e que me tirou de muita zona de conforto! Sua chegada me sacudiu e me lembrou de me lembrar quem eu sou, quem eu sempre fui antes de me tornar uma adulta que seguia pelo mesmo caminho que todo mundo, na normose - uma doença que leva todo mundo como uma massa cheia de fermento e pouco amor.

Peu, meu amor, agradeço a Deus por você estar aqui comigo! Agradeço por ver, a cada dia, seu brilho aumentar - e, graças a Deus, a aceleração diminuir... penso que, agora, ele sabe que o tempo passa correndo ou andando...

Peu, cientista!

Deus, dá sabedoria, discernimento e capacidade de realização a esse menino lindo que, ao ver a tia com câncer de mama disse: "Vou ser um grande cientista e achar a cura para essa doença de tia Nice" e, no enterro dela, disse: "Vou fazer uma fórmula que traga ela de volta!". Não que ele crie a fórmula, ou encontre a cura do câncer, mas que tenha sempre ideais e sonhos a seguir e vá, viva! Pedro não tem medo de viver. Nem medo de ser ele mesmo! Isso ele tem me ensinado muito! E seu carinho por mim cresce a cada dia de uma maneira tão linda que nem sei explicar o quanto é bom, porque não há medida de referência.

Pois é, Peu, grata por você ser uma parte de mim tão linda! Grata, por me fazer ver e entender que somente aqui e agora é possível realizar - ou começar! Grata, por me fazer voltar a ser criança e recuperar meus sonhos de verdade, aqueles que dizem quem eu sou e que não vim aqui a passeio, mas para ser feliz!

Grata, por você fazer parte e me fazer, a cada dia, mais feliz!

Grata, porque a gente se constrói a cada dia!

Porque, meu amor é grande demais! E eu te amo, muito, muito muitão!

Que seu mundo se revele ainda mais brilhante e lindo, filho amado!

Com amor,

Mamãe - Pat Lins.

Peu com 3 anos - outro dia...

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

LIÇÃO DIÁRIA: APRENDER - ENSINAR - APRENDER - ENSINAR - APRENDER...


Pois é... a gente aprende muito enquanto ensina. E ensina muito, enquanto aprende!

A vida é movimento, rigidez é morte.

É por essas e outras, que a maternidade me ensinou muito. Enquanto aprendia, também ensinava..., que a vida é um livro aberto e com folhas em branco à vontade. Caso a gente vá e perceba não é ali, temos como voltar e reescrever, sem precisar rasgar, apenas, virar a página e (re)começar.

Com criança a gente relembra que tudo é mais simples do que pensamos... o problema é que pensamos demais e em demasia excessiva - redundância necessária. E acabamos pensando tanto que nos perdemos no pensamento e no mundo imaginário, que passa a ser real.

Pat Lins - mudanças maiores, pensamentos mais profundos... aprendizados mais frequentes com ensinamentos, consequentemente.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

"PRESS START" AND LET'S GO! - VAMOS DETONAR COM O QUE LIMITA E PRENDE!




Tenho gostado muito das produções/animações infantis! Me refiro aos que trazem algo de bom, ainda que através da indústria cinematográfica e com apelo comercial. Porém, mesmo assim, muitos estão trazendo belas mensagens e reflexões para os nossos pequenos sobre virtudes e valores; escolhas e consequências; bem e mal; desafios e superação; verdades e mentiras; ciúmes e admiração; poder e responsabilidade; respeito... entre outros.

Fora que são vídeos muito bem produzidos e de uma beleza estética que completa o quadro e agrada aos olhos. Para mim, tem que ser bonitinho, também.  

Hoje, Pedro locou "Detona Ralph", um dos filmes que ele mais gostou  de assistir, para ver de novo e de novo e de novo. Dentre seus preferidos, do cinema, estão: "Os croods" - foi duas vezes ao cinema ver e já quer locar, assim que sair e "A origem dos guardiões". 

Me encantei com "Detona Ralph". Lindo! Que mensagem belíssima!

Quantos de nós se questiona sobre nossas missões, nossos papéis? Pedro sempre me disse: "mãe, cada um de nós tem uma missão aqui na Terra, sabia? A minha vai ser descobrir um 'inatron' que cure as doenças..." - que seja!

Ralph é um vilão de um game, chamado "Conserta Felix Jr". Ele tem 3 metros de altura, 300 quilos, mãos enormes e pés gigantescos. Sua aparência é rude e grosseira. Cabelos assanhados, pés descalços, roupa suja e rasgada... Foi criado para destruir tudo, enquanto Félix conserta tudo com o seu machadinho dourado. Felix é pequeno, limpinho, branquinho, redondinho, todo bonitinho e bonzinho. É preciso que  Ralph destrua para Felix consertar... senão, o jogo não acontece... Terminado o jogo, quando a loja fecha, cada um dos personagens volta para casa, onde os vilões vivem na terra dos vilões, um lugar feio e sombrio - Ralph mora num lixão, onde são jogados os restos, o que sobra depois das destruições...  - e os "bonzinhos", vivem em lugares belos, casas limpas e com conforto e glamour. 

As reuniões entre os vilões, tipo terapia de grupo, são muito interessantes. Mostra que os vilões não precisam ser "maus", mas que precisam aceitar a missão deles, para que os heróis possam ser heróis, senão, como os heróis serão heróis? Têm como lema: "Sou mau e isso é bom. Nunca serei bom e isso não é mau. Não quero ser ninguém, além de mim!". Um deles, durante uma sessão desse grupo, grita: "Bom, mau... isso tudo são apenas rótulos!". E Ralph coloca o quanto desejaria participar das festas e dos bons eventos, como comer um bolo, receber carinho dos amigos, ser querido e não temido... como Felix. 

Ralph, então, vê a festa de comemoração de aniversário do game, do qual faz parte, e não é convidado. Decide ir até a casa do Félix, para comemorar, junto com os "bonzinhos". Interessante é que apenas Félix gosta dele... os outros personagens "do bem", são como as pessoas "normais" da vida real. Ali, a ficção mostra uma parte da realidade... dizem que realidade e ficção não se encontram, mas, quando a ficção mostra, ainda que de maneira lúdica, essa realidade, ali se faz um caminho de reflexão real. Ralph vive isolado. Só os mocinhos podem ganhar medalhas... os que não estão nesse padrão, são vilões malvados e que não merecem o convívio social com as pessoas "boazinhas". Cria-se um padrão de competição e uma falsa necessidade de se querer conseguir o que não tem para ser quem não é e agradar a quem não vale a pena... 

Voltando às minhas impressões sobre o filme, Ralph é mordido pela picadinha da subestimação. Ao ser subestimado, ele se sente desafiado e vê, ali, uma oportunidade de se "tornar" alguém bom. Ao contrário do Turbo - um herói de um game que fora desativado por obsolência - que alimentou a raiva e a inveja, abandonou seu jogo e se infiltrou num jogo mais modernos, destruindo ambos..., Ralph apenas quer revelar que ele é mais do que todos insistem em ver e fazê-lo ser. Ele quer ser parte do grupo.

Daí, a saga começa! Ele vê a oportunidade de ganhar uma medalha - que apenas os heróis e fortes recebem - e, com isso, morar num apartamento, conforme foi proposto, ironicamente, pelo diretor do jogo. Entra num novo grupo, disfarçado de recruta, em outro jogo - o "Missão de heróis", que combate os "insetrônicos", que são invasores do mal no jogo. Com isso, ele não aparece no próprio jogo. Sem ele, os outros personagens percebem que o jogo não existe. Nada acontece! Felix dispara em sua procura. E o dono do "Fliperama"coloca o adesivo de manutenção, que é a ameaça maior para qualquer jogo - serão desligados, para sempre! Pois a razão de existir do jogo é divertir e entreter as crianças, sem funcionar, são desligados e deixam de existir.

Não posso contar o filme todo, senão, perde a graça. Mas, o desejo de ter a medalha de herói, apenas para provar que apesar de assumir o papel de vilão, ele não é mau, desperta em Ralph um desejo de provar algo a alguém e mordido por essa gana de ter que provar quem é, ele acaba se perdendo e ajuda, ainda que sem querer, a disseminar os "insetrônicos" em outro jogo... Se o vírus se espalhar, o jogo acaba e, com ele, uma bela menininha pode sofrer muito, graves consequências. Assim, diante de todas as aventuras que começam a viver - ele e Vanellope, a menininha que tem parte da sua memória apagada, assim como os personagens do seu game - um processo de busca e (re)descoberta. E as melhores lições e aprendizado brotam. Inclusive, como as crianças julgam o mundo adulto como algo chato e malvado, como se todo adulto que, ainda errando, tenta ensinar e proteger os pequenos, são vilões. É como se, sendo grande, tem que ser chato. Mostra a dor das perdas que carregamos e condicionamos nossas vidas. Meio que um alerta de que devemos aceitar as escolhas, bem como os acontecimentos da vida e viver a vida seguindo em frente e consertando o que tem conserto. O que não tem, refazer!

Só assistindo ao filme para se deixar picar pelo bichinho da reflexão. Uma corrida rumo ao auto conhecimento; um mergulho nos doces da vida sem preconceito - Vanellope aceita Ralph como ele é. Ela mesma, apesar de ser uma fofura e muito sagaz, é diferente e discriminada. Mesmo com seus defeitos, suas qualidades superam suas limitações -; uma viagem entre os mundos de possibilidade que podemos ser até nos encontrarmos de verdade com a nossa essência: quem e como somos!

O dever, a responsabilidade e o senso de justiça e equilíbrio permeiam toda a trama, com doçura, ainda que doces azedinhos, cores, alegrias e conquistas! Governar não é impor ou manipular, é administrar o bem coletivo! 

Cruzar a linha de chegada é entender que não se termina... se começa! Nem tudo que parece ser um bug precisa ser punido, ou banido. Devemos acolher as características de cada um e todos convivermos em harmonia!

Vence e consegue a medalha aquele que merece e entende que ser líder está além de comandar, está em colaborar! É escutar a voz interior que nos comanda e que tenta nos conduzir ao nosso encontro conosco! E os vilões grandes, feios e desajeitados, podem ajudar uma pequena princesa a conseguir recuperar o que lhe fora roubado: sua vida! 

Acima de tudo, Ralph ensina que ninguém precisa vencer sozinho e que, por amor, damos a nossa vida por quem amamos e, naquele momento, não morremos, mas abrimos as portas para que o milagre da vida aconteça e se faça VIDA! O AMOR liberta e cura! Ele é o equilíbrio real e natural para tudo!

Todos somos como somos e podemos ser melhores no que fazemos! Vamos detonar o que nos aprisiona! Vamos destruir o que nos prende! Vamos nos libertar e começar um mundo melhor, com menos competição e mais colaboração! 

Saudações maternais, detonando o preconceito, a mediocridade, a limitação e em busca de cruzar a linha de chegada da eterna partida de recomeçar a cada novo dia,

Pat Lins - press start and let's go!


sábado, 20 de abril de 2013

ESCOLHAS - "EU SÓ FAÇO O QUE EU QUERO!"


Como de costume, preciso falar e repetir que a vida é um eterno aprendizado. Afinal, somos demandas demais para a vida inteira. 

Pois bem, em meu processo de aprendiz como mãe e, ao mesmo tempo, de orientadora/educadora como mãe, na prática diária, entendo o que a máxima: "escute seu filho para depois falar", é verdadeira. Isso não quer dizer: acate o que ele diz, mas saiba qual a demanda dele, através de uma escuta ativa, para exercer bem o papel.

Olha a situação... ai, ai...

Pedro havia "aprontado" algo na escola - garças a Deus, este ano ele está se encontrando e com o apoio necessário retomado, haja vista que exceto ano passado, ele recebeu todo apoio nos anos anteriores... e ele está mais centrado ou centrando-se. Afinal, trata-se de um processo e não de passe de mágica. A professora - essa, sim, um Professora, vocacionada e dedicada, consciente do seu papel - chama meu marido e conta o que houve, na frente de Pedrinho, para que ele entenda que as atitudes dele geram consequências.

Enfim, para não ficar muito extenso, vou pular para a parte onde ele chega em casa e eu sou notificada:

- Pedro, você quer me contar tudo o que aconteceu? Por quê você arremessou o livro, gastou todo o sabão do banheiro, etc, etc, etc?

- Ah, porque eu quis!

- Então, tá! Vamos fazer um novo combinado, pode ser?

- Pode, sim!

- Você pode, então, ir tomando seu banho que eu te encontro no banheiro e vamos conversando.

Deixei-o lá, por alguns minutos. Normalmente, o shampoo, condicionador e sabonete dele ficam ao alcance. Nesse dia, em especial, coloquei no alto e lá deixei. Daí...

- Mãe, você pode, por favor, pegar meu shampoo? Está muito alto e não alcanço sozinho.

- Eu sei, filho! Muitas vezes, a gente não alcança sozinho o que quer e precisa pedir ajuda a alguém mais alto, mais experiente... alguém que saiba mais do que precisamos para poder nos ajudar. O que você QUER, agora, mesmo?

- Que você, POR FAVOR, pegue meu shampoo, porque você é maior e meus bracinhos não alcançam.

- Tem uma coisa... EU NÃO QUERO PEGAR... AGORA NÃO VOU, SÓ QUANDO EU QUISER!

- E eu vou ficar aqui, todo molhado e sujo, é? Você não quer ver seu filhinho limpo e cheiroso, não?

- Quero, sim. Mas, agora eu quero fazer só o que eu quero. E eu quero ficar aqui, parada, olhando para o teto, fazendo nada...

- Mas, mãe, eu não posso sair daqui assim... 

- Eu sei. Eu também sei que posso te ajudar e, agora, está me dando vontade de te ajudar. - entreguei o shampoo.

- Obrigado, mãe!

- Por nada filho! Mas, pronto para nossa conversa, enquanto toma banho?

- Tá, vou te contar...

Contou tudo e deu sua versão, onde o "não sei o que me deu, eu estava enfurecido...", também adentrou a conversa. Apenas escutei. Quando ele se calou, falei:

- Agora, eu vou falar e preciso que escute até o final, bem como fiz com você, pode ser?

- Tá, mãe...

- Filho, você quer fazer apenas o que você quer, não quer? E você sabe que a gente, quando faz algo de ruim, machuca a gente e aos outros, não sabe? Já percebeu que sempre que você faz uma coisa ruim, vem outra ruim? É assim, meu bem... a gente escolhe o que quer para a gente. Eu me esforço e muito para não te bater, porque eu não acredito que resolva. Eu gosto de conversar com você, porque sempre deu certo. Mas, eu preciso que você me diga agora o que você está querendo voltando a fazer bobagens na escola. Outra coisa, nosso novo acordo é o seguinte: vou deixar você fazer TUDO O QUE VOCÊ QUER. Agora, mesmo, eu ia te levar para fazer a ginástica e, não vou fazer o que eu quero, que era terminar um material do trabalho. Tudo bem, eu escolhi fazer a sua rotina, porque você é criança. Como você está agindo feito um bobo e não merecendo que eu faça algo legal por você, vou fazer o que quero e você vai se vestir, descer e ir lá para o meio da rua e faz o que você quiser. Eu te peço que não machuque, nem maltrate ninguém, porque aí, será com você a polícia. A polícia prende pessoas que não respeitam o coletivo, aquilo que é do bem comum, aquilo que é para todo mundo e quem não respeita o espaço do outro. O meu espaço não aceita certas atitudes que você vem tendo... mas, como é VOCÊ QUE QUER, vai viver na rua, sozinho, porque os malucos, coitados, vivem assim, na rua, sozinhos, fazendo a maluquice que querem e ninguém chega perto, com medo. Olha, só, eu vou sair, mais tarde e só volto após as 22horas, aí, você, se quiser voltar para casa e não estivar preso ou num hospital machucado, eu te recebo para você tomar um banho e dormir. No dia seguinte, você não vai à escola, nem a lugar algum que eu se pai pagamos, porque a gente não quer mais pagar nada que você não queira ir e, mais legal, não vamos te pagar mais nada! Porque a gente não quer! Pois, pela manhã, abro a porta, você desce, vai lá para o meio da rua de novo e vai vivendo sua vida, como VOCÊ QUER! Porque eu e seu pai, vamos vivendo a nossa como a gente quer e como a gente consegue, porque nem tudo que a gente quer a gente pode ou deve fazer! ...

Fui interrompida com um:

- Licença, mãe, posso falar?

- Pode sim, por favor!

- Eu já entendi o que você quer dizer. Pode parar de falar. Eu quero ir para a ginástica e fazer o que precisa ser feito e quero ir para a escola amanhã, porque eu quero aprender a ler e escrever. Você pode me levar?

- Claro, filho! Mas, que fique claro: você está ESCOLHENDO FICAR AQUI, COMIGO E COM SEU PAI. E escolher isso quer dizer entender que nós somos um grupo, como sua escola, sua ginástica, seus amigos no play... E isso quer dizer que o que você faz, nos atinge também. E te atinge, também. Se você quer ficar, a gente vai ficar feliz, porque eu te amo muito e acima de tudo o que você faz, eu sei que tem muita coisa boa aí, também que você sabe e quer fazer. Por isso, ficar aqui tem um custo...

- Qual é?

- Respeitar os limites do que pode e deve do que não pode e não deve, e como sempre, sempre te explicarei as razões. Você topa fazer parte desse grupo?

- Sim, mãe! Mas, você vai ter que me ajudar!

- Peu, isso é tudo o que eu mais QUERO!

E, pronto. Ele não virou um santo. Mas, em cada momentos especiais como esses, mesmo que após ele ter aprontado com seu gêniozinho, ele se abre mais e se revela mais sensível ao perceber o que faz. Nem sempre ele tem real noção dos seus atos... O fato dele querer muito algo é tão importante que, entender que não é bacana conseguir algo passando por cima do outro não é o melhor caminho. Como ele tem dado saltos em progresso, como pessoa, acredito que ele se apaziguar na escola será o próximo. Tudo é uma questão de tempo e de tempo bem monitorado com amor e com apoio, porque eu não conseguiria isso sozinha. Como gosto de agradecer, tenho uma equipe maravilhosa de família, marido, amigos, psicóloga dele, minha terapeuta, outras mães na prática e de Deus - como chamo essa força superior e de equilíbrio de forças, esse Ser supremo e criador - acima de tudo!

É a cada dia! É a cada momento em que respiro fundo e digo: "filho, não é fácil segurar a onda, mas por amor a você e como quero o seu bem, precisamos conversar e sério!". E, nesse movimento sincero e verdadeiro, ele entende. Quando eu apenas bradava e ordenava, exigindo dele um comportamento exemplar... só acirrava a sua ira e não o tocava. Precisei aprender ao escutá-lo mais. Ao observá-lo mais. Ao sentí-lo mais e mais. Ao me aproximar de coração e alma, deixando de lado o que a sociedade espera e vendo o que ele tem de bom para contribuir com esse social carente de mudança e revolução. E, nesse ínterim, a gente aprende juntos a como viver nessa mesma sociedade fechada e tacanha, nada acolhedora e super manipuladora, superficial e hipócrita, na demagogia de que "todos somos um"e  ninguém respeita as diferenças... todo mundo julga e condena, em vez de colaborar. Foi esse entrave que vivemos na escola, ano passado, onde ninguém via ou ouvia os apelos das crianças que pediam: "me oriente com amor. Escute o que tenho para falar, porque não sei como me expressar.". 

Não é fácil ser diferente. Mas, isso não é desculpa para incentivar a irresponsabilidade nos atos e não dar limites com amor!

Tenho aprendido muito nessa caminhada com Peu e ele, também.

É isso, ensinar é escutar a demanda e agir em cima dela.

Saudações maternais,

Pat Lins.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

PERFEITOS IMPERFEITOS



E assim, vamos nos ajustando, nos conhecendo, nos reconhecendo, nos reparando... juntos, caminhando, com muito amor, nos amando!

Em cada erro, um provável acerto. Em cada acerto, sinal de crescimento.

Juntos, amadurecendo. Construindo nossa relação.

Foi um grande desafio nos afinarmos, mas estamos aí, nos empenhando e juntos, sempre!

E de repente, ele me diz: "Mãe, sempre que eu estiver assim, triste, como estou agora, você em dá um abraço forte e um beijo, como sempre fez?". "Sim, filho! E se eu não estiver ao seu lado, por qualquer motivo que seja, sinta em seu coração porque é lá que a gente se une!". E eu me derreto, toda.

Com muito amor e nesse processo de ver, acolher, aceitar e agir para transformar, ele me deu as dicas e diretrizes de por onde ir, por onde alcançá-lo em si. E fui, entrei nesse mundo lindo e inovador. Perdi o medo do diferente e especial. Me rendi aos seus encantos, sem perder a autoridade e esta se fez ainda mais natural: ele sabe quem eu sou e o que mais desejo para ele, que ele seja uma pessoa do bem e feliz! Não para agradar ou se enquadrar em um padrão, mas, entendendo que existe um padrão, o qual ele precisa respeitar, mas que se exija respeito a ele, desde que não invada o espaço de ninguém. Esses são os meus valores... Posso estar certa ou errada, mas como não existe uma fórmula certa e nem um certo ou errado 100% certo, a gente vai se ajustando em nossas imperfeições.

A cada dia, um novo aprendizado. Os limites, como me ensinou uma amiga, se fazem na rotina bem estabelecida. O crescimento se faz. Mesmo assim, alto e baixos ainda acontecem... e tem como ser diferente?

Isso é ser mãe, minha gente! Isso é ser gente mãe de gente!

E hoje, como em todos os dias, o dia é nosso: mães, pais, filhos, escola, família, amigos, sociedade, cultura local... O aprendizado é resultado do empenho diário de todos!

Saudações maternais,

Pat Lins.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

DIFERENTES MAS IGUAIS



Crianças diferentes precisam ser reconhecidas como diferentes, não classificadas como diferentes!

Elas não são mais, nem menos, elas são, cada uma, como cada uma é!

Entender isso nos ajuda a parar de querer equiparar todas as crianças. Isso não altera a relevância do limite, de uma rotina prazerosa, porém com tarefas definidas e responsabilidades.

Nós precisamos parar de estigmatizar a tudo e a todos e cada um. Nós, enquanto pais dessa nova geração, ou apenas geração atual, podemos desempenhar um papel edificante na construção dessa nova era que surge, através de bons valores - não me refiro a valores subjetivos, como gostos pessoais... mas a valores, mesmo, aquele lance que todo mundo sabe o que é e nunca coloca em prática, na prática, como respeitar as diferenças, sem anular-se, onde respeito entende-se por saber que as pessoas são como são e não como nós queremos que elas sejam e respeito é algo que não invade o espaço do outro, não manipula, nem ofende ou se ofende. 

Nós, enquanto pais e mães, temos em nossas mãos, parceiros de construção. Toda criança traz o novo, a novidade do inesperado e sem fórmula pronta. Mas, a cada geração, novidades surgem e temos que nos adaptar, aprender. Eles nascem já conhecendo como algo comum o que nos é novidade. Nós, inclusive os educadores, que são nossos colaboradores nessa missão de educação, precisamos estar mais abertos ao novo, ao diferente. Romper paradigmas é desafiador, porém, necessário! Desafio maior é acatar e acolher as diferenças adentrando o mundo de cada um e agindo através do que se tem, para descobrir o que não tem e fomentar. É um trabalho de crescimento e aprendizado juntos. 

Meu filho tem me ensinado muita coisa nova e interessante. Inclusive, que eu não tenho que ficar preocupada por ele ser diferente... essa é a maior qualidade dele. Para quem convive com ele e percebe o progresso, consequência de uma parceria bacana entre nós, família, amigos e terapia, entende o que quer dizer: diferença não é doença. Ser mega inteligente não o impede de ser apenas uma criança. Sabe o que eu não faço? Não o forço a ser adulto antes da hora. Aprendi a permitir que ele seja, sim, uma criança feliz, para crescer um adulto saudável. Isso não me impede de errar, de muitas vezes não saber o que fazer. Mas, a confiança que ele tem em mim, quando alguém pergunta algo e ele fala: "pergunta para minha mãe, que ela sabe muitas coisas. Se ela não souber, ela te ajuda a procurar!" isso é conquista, é mérito da nossa relação franca e firme. 

Pedro tem sido o meu maior desafio e a minha maior fonte de inspiração e motivação para refazer minha vida, refazer meu caminho, refazer minha carreira profissional, acreditar que dá para ir em frente, sim e enxergar mais o que deve ser feito do que os obstáculos e que se realizar é fazer o que dá prazer, não o que arranca o couro e o sangue e o tempo e a vida! E isso, não tem preço! Ele se revela, a cada dia, uma surpresa. Nada convencional. Nada normótico. Apenas um ser em formação, como nós, adultos, pais e mães. 

Para ser mãe dessa criança, também eu tive que resgatar a  minha criança e lembrar do que era ser criança, do que era pensar como criança... do que era não ter noção do tamanho infinito do mundo, mesmo vendo tudo grande, é muito maior! 

O que adoece os adultos é esquecer que foram crianças - felizes ou não - e entender que, hoje, na fase adulta, deveria era se encontrar, não se perder!

Meu filho, muito obrigada por ser igual a todos nós, humanos e falhos! Mas, muito obrigada por ser tão, tão diferente e capaz de nos fazer entender que se erra, mas se pode acertar quando bem orientado!

Hoje, ao ver você, na ginástica, brincando com o professor que te amarrou todo, com aquela corda, de barriga para baixo e preso pelos pés e mãos para ver você escapar em alguns segundos e você, nem piscou, simplesmente, sabia o que fazer e fez, apenas sabia que era para se libertar e se libertou rapida e criativamente, vi que eu não devo ficar presa nas cordas da vida que a gente se enrola. Comecei desatando os nós mais próximos e soltando os braços e a cabeça. Não sou tão rápida como você, porque fui contaminada pela normose - ô palavra que uso e abuso e adoro usar - e tento me curar desse mal que padece a humanidade. Mas, assim que soltar a cintura, os pés se soltarão sozinhos e começarei a caminhar com muito mais gosto por essa vida de meu Deus!

Obrigada, filho! Obrigada pela parceria! Obrigada pela amizade! Obrigada por ser um ser surpreendente! Isso sim, encarar as situações como desafios e superações é que vai salvar a humanidade! Resgatar valores humanos, aprender a lidar com a dor... seguir em frente e deixar passar. Pedro apronta, aprontam com ele, ele lembra mas sem rancor. Ele sabe é ser feliz! Meu desafio é educar sem castrar. Dar o limite, sem podar. Nós nos ajudamos, nos multiplicamos e contamos com uma equipe multi pluri inter disciplinar com muito amor e boa vontade!

O que falta nesse mundo é AMOR! Aliás, o que falta na maioria das pessoas desse mundo é AMOR. É amar! É na união que se faz a força, não na separação! Iguais e diferentes, todos nós somos!

Saudações maternais,

Pat Lins.


terça-feira, 12 de março de 2013

APRENDER: DESPERTAR DE UM DESEJO


Pedro vem nos ensinando - "nos" são todas as pessoas que convivem conosco e ele mesmo - o quanto o fator motivacional "desejo" - no sentido de vontade e não de ilusão ou fantasia - é preponderante a qualquer desavença entre pensamentos e teorizações do óbvio que nós adultos somos capazes de de dedicar nossas vidas pessoais e profissionais.

Já escrevi aqui sobre a saga do ano passado com alguns profissionais deslocados e sem conseguir adentrar na proposta teórica de suas funções num desafio de ordem prática - fica o alerta, aprender é uma coisa, saber fazer o que aprendeu, na prática, num desafio real é outra... e se esse distanciamento for grande, pode prejudicar alguém, principalmente uma criança que, por mais esperta que seja, é inocente pela pouca experiência de vida. 

Pois bem, este ano, Pedro começou com um comportamento melhor ainda. E com muita vontade de estar diante desse mundo maravilhoso de escrita e leitura. Na escola isso repercute, também. A professora já sinalizou esse dado novo. 

O que me chama a atenção é que, chegamos a pedir a transferência dele, no final do ano passado, mas após conversa com a direção, voltamos atrás num processo bacana e aberto de ajustes. Bom, quais ajustes? Essa é a minha pergunta... Tivemos uma reunião na última quarta, dia 6 de março, apenas com a dupla de coordenação e em meia hora o que nada tinha a ser colocado se foi exposto e atos falhos que me levam a questionar: e aí, houve auto-avaliação da instituição? As profissionais envolvidas "no caso" fizeram a reflexão de "estou disposta a me debruçar sobre essas crianças, vê-las como são e ajudá-las no processo do desabrochar?" ou manteve-se a postura arrogante de quem acredita que tem todas as respostas dentro de um título acadêmico e que o comportamento deve ser nivelado? Compreendo perfeitamente que como Pedro estava, sem parar, batendo nos colegas e na professora e etc atrapalhava a ele, bem como aos outros. E o que foi feito? Como agiram? 

Bom, na referida reunião, o primeiro comentário inquietante: "Pedro melhorou bastante. Como foi ele nas férias? (...) Mas, ele ainda não está como a gente quer!...", então, passei pinceladamente sobre as férias - elas têm a capacidade clara - e isso vem de relato de outros pais - em demonstrar que não estão te escutando, salvo quando se fala algo aterrorizante e suspeito... - e respondi: ... Lógico! Ele não iria se tornar um santo de uma hora para outra, nem é esse o nosso objetivo!" iria adiante, mas prometi não me estender... estamos começando o ano e não quero reviver toda a tensão e exaustão do ano passado... iria completar que quem canoniza é o Papa, não eu, nem elas. Bem, de verdade, um santo já nasce santo, independente de quem o afirme ser ou não... Peu, é gente!

Em seguida, me vem outro comentário: "Bom, a professora nos trouxe que ele está totalmente regular dentro da sala e de acordo com o que se espera. Mas, só temos 3 semanas e é muito pouco para avaliar..." - interessantíssimo! Ano passado, qualquer pouco tempo, 1 ou 2 dias eram suficientes para "provar" a culpa de um menino elétrico que é vítima de sua ansiedade excessiva e de uma inteligência acima da média e sua falta de controle sobre esses rompantes. 

O terceiro comentário que me chamou a atenção é de dar risada: "Ele tem melhorado muito mas a coordenação motora fina dele precisa ser bem trabalhada... Ele precisa deixar de fazer o 8 com duas bolinhas e fazer o movimento do S..." ou seja, o que ele consegue fazer não vale, só vale o que ele não consegue: punam-no! Eu, antes de ter uma noção sobre "coach", falava - e falei todo o ano passado - que elas deveriam ver o que ele tem e adentrá-lo por ali até ajudá-lo a desenvolver o que ele "não consegue" - e não o que ele "não tem" como elas colocam - e, hoje, entendo que se trata de uma prática de peak performance, onde pela avaliação e levantamento de situações com desfeches positivos, se ajuda as com desfechos negativos. Será que profissionais tão bem qualificados academicamente estão dispostos a desenrolar isso, mesmo? Ainda que numa escola que prega "não trabalhar a inclusão porque não trabalha a exclusão", na prática isso acontece? Quando ele entrou na escola, afirmaram num discurso convincente e bonitinho, através de uma charge - que não encontro em lugar algum - de várias pessoas diferentes entrando numa máquina e saindo todas iguais, de que ali não se trabalhava daquele jeito, massificando e sim de acordo com as peculiaridades de cada um. Porém - sempre existe um porém como justificativa... - algumas questões poderiam ser levada em conta: 1 - os tempos são outros e as crianças, também; 2 - ninguém está preparado para toda demanda, mas pode se empenhar em tentar lidar com ela, considerando que o que "sabe" não basta...; 3 - a escola fica numa posição central, dentro do bairro onde se localiza e o bairro cresceu ao redor dela, ou seja, o público dela mudou... por uma questão de proximidade e por ser considerada uma escola muito boa, os pais matriculam os filhos lá e cobram atitudes de uma escola tradicional... Isso deixa de ser uma pressão sobre como conduzir e se ajustar à nov realidade? 

Pois bem, o quarto e último comentário também me fez arrepiar: "A rotina dele é muito importante. É importante desenvolver essa rotina...". Tá, pergunto: "Que rotina? Porque ele tem uma rotina muito bem definida e seguida, bem como flexibilizada quando necessário, porque não é exercito..." e como resposta? Silêncio e troca de olhares gritantes entre elas. Não vou entrar nesse jogo bobo. Francamente, duas profissionais pelas quais a direção coloca a mão no fogo agindo assim... O que me deixa tranquila é que a professora deste ano não está abalada emocionalmente como a do ano anterior - que era uma excelente professora, mas com problemas pessoais notórios em seu jeito estressado de falar e acirrado pelo desafio Pedro Henrique - e tem uma postura muito firme. O trabalho que ELA desenvolve o envolve e ele se desenvolve. Isso seria ou não um "algo" a ser verificado, observado de longe e de perto - de nada adianta se observar apenas de longe, é preciso comprovar e esclarecer de perto... senão  compromete a imparcialidade da observação - e refletir mesmo sobre as falhas do ano passado que foram exclusivas da relação dessa parte da equipe com alguns alunos-problema. 

Pois é... quando nos esbarramos nessa questão da posição unilateral da escola em abrir um inquérito de "prove que ele melhorou o comportamento" e quer condenar o pequeno ser em vez de conhecê-lo, dá nisso, na repetição do mesmo problema em um novo contexto: a melhora no comportamento de Pedro é inquestionável, PÚBLICO e notório. Isso é campanha de "veja meu filho" ou alerta do "veja que é possível, unam-se a nós e vamos ajudá-lo em parceria?". Eu vejo como a união, elas ainda enxergam pelo viés do estigma e set criado por elas mesmas: "Isso é coisa de mãe...". E a criança? Está protegida , dentro daquela instituição, por ela mesma, que demostrou grandeza e pediu para continuar na escola, pela professora deste ano e pela equipe de apoio. E protegida de quem? Dessa coordenação que está no meio e sem saber como ajudar, nem admitindo que precisam de ajuda... Na verdade, para elas, cegos somos TODOS nós - eu, o pai, a psi dele, o pessoal da equoterapia que viu o progresso dele e colaboraram muito, a família, os amigos, os vizinhos... e a professora - que não vêem o que elas estão vendo.

Eu, acredito no que estou vendo dele, seja com 8 em forma de um bolinha em cima e outra embaixo ou em forma de S... desde que ele saiba o que é um 8.

E 8 é o símbolo do infinito, né? Que sejam infinitas as possibilidades de aprendizado e ensinamento que ele nos traz. Eu estou ao lado, como parceira firme e mãe zelosa, fazendo o que for preciso para ele se desenvolver e ter autonomia para lidar com os desafios. Eu? Vejo um despertar de novos desejos nele e com isso a vontade de apreender e fazer. Isso deve ou não ser valorizado, incentivado? 

O importante é ter um objetivo e se dedicar a saber como fazê-lo real!

Pat Lins.

domingo, 3 de março de 2013

AVANÇO TECNOLÓGICO - CADA ÉPOCA COM SUA (R)EVOLUÇÃO

Imagem: Adoção da tecnologia no ensino alcança resultados  cada vez melhores -  Informationweek


Assistindo ao Fantástico, deste domingo - 03 de março de 2013 - sobre: "Investir em tecnologia melhora o ensino?", me vi pensando: toda época tem seu avanço tecnológico, desde sempre! Foi na necessidade de se cobrir o corpo, para proteção contra o frio que a roupa foi inventada; seja na invenção da roda, para facilitar o levar algo... enfim, cada época, grupos de precursores - de uns tempos para cá, chamados pela ciência de "gênios" ou, em casos de máquinas e afins: protótipos - acaba nadando contra a correnteza da acomodação e vai além, vendo além do óbvio instalado pela rotina - nada contra a rotina, ela é tão importante quanto rompê-la diante da necessidade da evolução, sendo esta "evolução" mesmo ou não...

Pois é, hoje, usar ou não tecnologia na escola; substituir ou não provas e questionamentos que teorizam o óbvio e gravitam muito mais na limitação dos pensamentos do que na órbita do "vamos saber o que temos hoje e ir além" por jogos que estimulem o raciocínio... o que ensinar? O que é importante aprender? Houve época em que registrar, apenas oralmente e de geração para geração. Quantas culturas se perderam por não haver um registro? O medo, com a revolução da descoberta do papiro, de se perder o controle, o medo de perder o poder. Lógico que nem tudo é para todo mundo, que nem todos têm a capacidade de lidar com a responsabilidade de certos conhecimentos... mas, será que os que detêm esse conhecimento e alimentam esse sigilo também têm essa consciência da responsabilidade ou não passa do medo comprometedor do poder que detêm? 

Bom, vou me ater à matéria super bacana do Fantástico. E volto a lembrar: o que hoje é polêmica, amanhã será a realidade... já não em papiro, mas num ambiente virtual e quase infinito.

Cada época com a sua (r)evolução tecnológica. Um dia, quem sabe, superaremos essa limitação e até o físico transcenderá? Eu acredito que um dia, breve, nos comunicaremos por telepatia... Até lá, abaixo o orgulho, a vaidade, e outros sentimentozinhos impeditivos...

Façamos nosso melhor hoje! Aqui e agora tudo pode mudar! O amanhã é o hoje que inevitavelmente chega! Medo de quê? Vamos tentar o que é válido. Vai me dizer que toda linha de educação, quando fora criada, não teve lá suas especulações e negativismos como barreira? Vygotsky, Piaget e tantos outros, foram aceitos com facilidade? Até hoje ainda encontram resistência. E quem resiste está errado? Quem os segue, está certo? Vai saber! O importante é tentar. Há público para tudo. Para essa geração atual, de crianças que nascem intuitivamente tecnológicas, essa educação formal vai dar conta? Tudo é questionável. Tudo é questionamento. Tem como frear o avanço? Como resistir ao que não depende de atos individuais? E aí, é parar ou seguir? No mínimo experimentar.

E aí, investir em tecnologia melhora o ensino? Melhora o aprendizado? Isoladamente, eu penso que não, mas num contexto preparado, creio que sim. É identificar a necessidade do público alvo... qual a linguagem dessa turminha que está aí?

Ah, educação para mim vai além da escolar e acadêmica... 

Pat Lins.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

MÃE - TEMPO DE SEMPRE COMEÇAR



Mãe erra porque não sabe como acertar... então, tenta e faz o que sabe e consegue.

O imporante é entender que sempre temos tempo para começar e fazer algo novo, de novo!

Sempre podemos melhorar!

Pat Lins.




quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

2013


Mães, em 2013, que estejamos ainda mais firmes no propósito do crescimento pessoal e materno!

Que todos os ajustes sejam identificados e que consigamos dar conta do máximo que pudermos pelo bem da gente e dos nossos!

Nós podemos DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E DEIXAR FILHOS MELHORES NESTE MUNDO! Começando e passando por nós, também!

Brindemos ao milagre da Vida. Brindemos ao presente da maternidade. Vivamos o presente sempre a aprender.

Ser mãe leoa me faz isso, querer ser sempre melhor... não apenas devorar. 

Que as corujas despertem nossa sabedoria e consciência, para que possamos dar o nosso melhor e eduzir dos nossos pequenos o melhor deles, neles.

Não quero meu filho grudado em mim, quero-o livre e inteiro. Hoje, faço o que está ao meu alcance e como posso alcançar. Amanhã, posso fazer melhor, desde que aprenda.

E assim entro 2013, torcendo e aberta para que os ajustes sejam feitos a tempo, porque todos nós somos capazes de melhorar pessoal e profissionalmente.

Qualquer coisa, temos a opção de MUDAR.

Mães na prática, aprendamos com o dia a dia; cresçamos em cada dificuldade; façamos nosso melhor pelo melhor.

Feliz Ano Novo! Feliz Mundo Novo! O Mundo não acabou, ele apenas recomeçou!

Um brinde!

2013, se chegue, porque nós temos que continuar!

Pat Lins.

domingo, 4 de novembro de 2012

SOU MÃE LEOA, MAS NÃO LEOA CEGA...


Cada mãe tem seu traço pessoal... não é a maternidade uma varinha mágica que, nasce o bebê e "pluft" a mãe se torna um ser perfeito e capaz de apenas acertar.

Bom, eu sou bem o tipo mãe LEOA, mas, agrego outros bichos, também que vieram no pacote "Pat Lins" de configuração pessoal, como: águia - capaz de ver lá a frente; coruja - visão holística, capaz de ver, compreender e se virar para vários lados... e podem me chamara de lagartixa, quando grudo nele; de jacaré, quando fico apenas olhando e observando, para bem saber a hora de agir; de centopeia, onde dou conta de ir e fazer várias coisas ao mesmo tempo, como se tivesse cem pernas; borboleta, capaz de fazer um belo espetáculo de show, beleza e surpresas; sou macaca, capaz de esquecer da vida e entrar em seu mundo de fantasia e ilusão. 

Vou errar. Vou acertar. Mas, sempre admito para mim que sou capaz de ponderar e refletir. Aprendizado é isso: não saber; passar a saber; algo fazer. 


O grande problema é quando o filho é um desafio maior do que a capacidade de muitos adultos lidarem com ele. Não cobro, nem exijo que ajam com perfeição, apenas com vontade e empenho. Fico decepcionada - como já deixei claro, sou imperfeita, graças a Deus e decepção é sentimento de quem esperava algo sendo feito - por algo ter sido combinado e não foi posto em prática pela outra parte... mesmo assim, andou. Apenas uma parte falhou e isso é recuperável! Conseguimos: eu, marido, filho, família, amigos, Suely Lobo - uma loba de verdade misturada com uma "tubaroa" ágil e voraz... sorte dele ter uma psi "do bicho!" -, toda a equipe da Equoterapia (ABAE), e até os contra! Muito está sendo feito além das sugestões da escola e muito estamos alcançando - e muito não é TUDO. O que impede alguns de enxergarem esse fato é uma coisa simples - mas, difícil de lidar no ser humano mais rude e limitado - chamada: visão obtusa. Se esperar e fazer apenas de um jeito é dar murro em ponta de faca. Existem situações especiais e que exigem mais esforço - não necessariamente desprendimento de energia, apenas um pouco de boa vontade e permitir que algo seja feito por outros já ajuda - e um tiquinho de nada de flexibilidade. Bom, só que para ter flexibilidade é preciso ter uma dose de boa vontade... ou seja, o que falta e faltou BOA VONTADE. Só que para ser flexível requer segurança, domínio de si e auto controle. Requer, também, uma pequena capacidade de autogestão, onde se avaliar e ver se fez algo ou se pode fazer mais ajuda.

Não vou brigar. Não vou querer mudar o mundo mental de ninguém, mas, vou exigir justiça! Fico passada como as profissionais de uma escola tão bem preparada criam estigmas do nada, pela incrível capacidade de elucubração  em vez de ampliarem. Não entra em minha cabeça a limitação de ver o "ponto ao centro da folha em branco" e fincar o facão no pé de "jequitibáverapenasoquefalta" e passar a vida/ano letivo preso ao que se permitem ver. A resistência e não aceitação da opinião dos pais e dos dados de "cá de fora" de nada serve porque, para eles, pais e mães são cegos e filhos manipuladores vorazes a ponto de os pais serem todos bitolados em "meu filhinho é um santo". Compreendo que muitos pais e mães colaboram com essa causa ao ocuparem o tempo de contato com exigências mil e improdutivas, assim, quando surgem pais dispostos de verdade eles colocaram a barreira protetora anti-pais/mães e pronto, adeus parceria escola/pais. Detalhe: isso sim já é um velho estereótipo, quase um arquétipo. Só falta ser aceita como verdade universal irreversível. Isso me preocupa. Para mim, profissionais da área de educação devem ter vocação, tem que sair do âmago - e do útero - para surtir efeito com a habilitação e qualificação técnica profissional. Em vez disso, haja gente que não sabe-se e/ou conhece-se a ponto de ter bom senso e ver onde se adequa. Isso, sim, é um grande obstáculo.

O problema passa a existir quando esse obstáculo se encontra de frente com um Pedro Henrique... se não houver essa caracteristicazinha pessoal acoplada, integrada, natural, oriunda do DNA do profissional, empaca e vira um embate desgastante. Problema 2: quando o desgaste impera a razão evapora... os transtornos se acumulam e não se dá vazão, se carrega nas tintas a ponto de nada que Pedro, neste caso em específico faça, está a contento e não há abertura mental para receber dados atuais... a imagem recortada é que fica colada na íris e não se vê a paisagem mudando... fora que joga a tal da "culpa" em qualquer um, desde que sua não aceitação se volte, então, bingo!, vamos descontar na criança e nos pais da criança, que é mais fácil, afinal, mães leoas são tidas como descontroladas. Não vendo-se já em descontrole. Mãe leoa é problema quando é cega, quando não é, se prepare, ela sabe agir e cuidado, entra a mutação mãe jacaré e mãe coruja... ah, e outras mães, também, que seriam deselegantes em serem citadas... Mas, como existem mães leoas inteligentes e capazes de desenvolver uma linha de raciocínio focada no BOM desenvolvimento do filho - assim: eu sei e vejo quem meu filho é, inclusive o pedaço dele descrito pela escola, mas, vejo mais... fora que vejo o que ele tem em potencial e as surpresas. Pois sim, o problema 3 começa a aparecer: as reuniões ficam mais tensas, do tipo "por que usam tantas máscaras, essa equipe pedagógica?". 

Você devem perguntar: e por que deixou terminar o ano? Por conta dele. Elas não enxergam que ele gosta de lá e, tirá-lo seria um recomeço desgastante para ele, uma nova adaptação em uma nova escola... E ele tem um apoio tanto da nossa parte quanto da psi dele de como lidar com isso. Concluímos que seria melhor persistir e tentar, do tipo "dar uma chande de ver acontecer". Não aconteceu. Não dentro das limitações e exigências deles, mas, acontece um monte de outras coisas e de outro jeito. Muito tempo foi perdido por manterem a visão no "o que falta" em vez de se permitirem ver "o que tem" e, daí, desenvolver um algo mais mais direcionado. Isso incomoda. Problema 4: falha de clareza na comunicação, falta de transparência no que é comunicado - se já é um desafio e tanto lidar com a falta de clareza, imagina com a falta de transparência...? e, a própria, falha de comunicação efetiva. Problema/Solução Geral: reunião amanhã, com essa equipe e em busca de manter o foco na "solução", que é o meu objetivo geral e específico. Bom, a mãe leoa tem que trocar idéias com a mãe coruja para que o ego humano e o orgulho ferido de ser humano que não suporta ver injustiça com qualquer um, imagina quando esse qualquer um não é qualquer um é o seu filho! Minha intensão, hoje, já é apenas me focar em "o quê fazer por Pedro Henrique" e levar os dados concretos dos reflexos de sua melhora e seu desenvolvimento, além da sua relação com o aprendizado do seu jeito. 


Bom, ser mãe leoa não é o problema... os "problemas" são os seres problemáticos que deveríam se voltar a si e admitirem, bem como suas falhas - sem medo de culpa ou de ter essa falha como um fracasso... não deveríam agir assim... deveríam, sim, reunir forças e se abrirem mesmo, com gás, para fazer o melhor a cada dia! - de que não cumpriram com a parte que lhes cabia. Elas se fecharam no estigma em vez de se abrirem para as reais possibilidades e, como sempre falo, olhar mais para "o que tem" e, a partir daí, sim, ver "o que falta" e como agir. Essa troca era o que chamávamos de parceria, onde a parte mais interessada somos nós - os pais - e nós, sim, fizemos e cumprimos com cada COMBINADO e elas? A parceria, este ano, não foi firmada e muitas "culpas" jorraram e muitos medos emergiram e muito mal entendido tomou espaço e uma bola de neve começou a rolar e o freio daremos nós, amanhã, com todo amor que tenho por meu filho mas, com toda capacidade pessoal de separar "o que é" do "que não é", ao contrário do que elas vêm fazendo e recusando-se a aceitar a melhora no comportamento - penso que esperavam um milagre, que passasse de um menino agitado de uma hora para outra para um menino estático... e o gradativo perde importância, diante da imponência perigosa da bola de neve gigante. Viu, como falo, estigmatizar é um perigo... ainda mais uma mãe. Ainda mais uma mãe na prática como eu, que de perfeita tenho nada, mas de aprendiz da vida e discípula do tempo, tenho muito. É, querer jogar para os pais em vez de assumir que não houve a troca e sim lacunas abertas. Mas, como fizemos mais e além do que COMBINAMOS - como se fala, nós corremos por fora - afinal, para nós a escola é apenas uma parte da rotina do meu filho e não o todo. Uma parte de suma importância mas a sua importância é a que lhe cabe e não excede a nossa. Não se trata de guerra ou medição de forças, se trata de ver claramente que a escola está fechada e fechada num canto complicado e perigoso... como profissional - penso que esquecem que mães leoas também são mães formigas e trabalham, têm suas expertises e suas vivências - isso tudo além do pessoal - e são capazes de observar e levantar hipóteses também... ainda mais uma mãe leoa como eu que tenho experiência em educação, em Comunicação e aprendendo psicologia organizacional... e, ainda assim, reconheço minhas limitações e vejo quais são "eu me sabotando para não ir além" e sei bem quais são: fora do meu perfil, mesmo. Portanto, assim, meu empenho é na melhora de Peu. O problema 5 está aí: elas esqueceram de Peu... elas só se lembram da imagem criada e não atualizada... Outros agregados são o medo em reconhecer que fez pouco caso e preferem carregar e manter a postura de "culpa dos pais" e da "mãe leoa" e com isso, terem suas imagens titulares abaladas.


Gente, é um perigo lidar com profissionais com títulos e mais títulos e pouca capacidade, sem vocação e sem BOA VONTADE. Como me disse uma amiga, "uma coordenação boa é aquela que suja a calça de tinta e se abaixa para ver e ouvir a criança e, dali mesmo, deixa claro quem é quem e os patamares 'hierárquicos' estabelecidos no olhar" - quem me ensinou isso foi você, Natali Costa e você, Thais Ceo - com afeto sincero, apesar de se estabelecer a distância profissional, sem distanciamento. 

Nosso objetivo principal é nosso filho e seu progresso. Não estou preocupada em provar que ele está melhorando aqui e ali para ninguém, não se trata de uma sessão judicial, de um tribunal. O único crime é o do descaso, da falta de proximidade com a franqueza e do "chega junto" que tivemos ano passado, com Aninha e Dora a frente de maneira espetacular. Este ano, está difícil... apenas lá dentro, porque de fora, medidas estão sendo tomadas e parados nós não ficamos. Se fosse uma mãe leoa cega estava de braços cruzados criando um estigma diferente para meu filho em vez de vê-lo, aceitá-lo e agir. Francamente, essa novela, agora, está no final. Para mim foi um aprendizado ímpar, principalmente na questão de como me dirigir e emitir o que penso, em vez de agir como agia, de peito aberto e às claras, agora, estabeleço em mim um foco e um tempo. Não estou interessada em fazer parte desse jogo de empurra, porque eu, leoa ocupada, tenho mais o que fazer com a minha vida e tenho minha mente tranquila e cabeça erguida, fora que tenho toda a razão... não fui eu quem comeu mosca e nada fez... aliás, eu comi, porque ao escolher "persistir", elas deram um tom que, hoje, sinto que foi mais uma insistência, mesmo, no erro evidente... mas, escolhi manter e levar até o fim. 

A semana começa com muito agito e fortes emoções! Começa com reunião em prol de uma melhora e eu luto por essa melhora, sim. Luto porque eu sei que todo mundo é mais do que aparenta e que devemos ter olhos abertos e corações livres para que a mente possa agir com maior precisão. E sorte que tenho esse perfil leoa, senão, ele estaria com sérios problemas e ninguém saberia. Quem primeiro percebeu que meu filho precisava aprender a lidar com seu temperamento e suas emoções fui eu, apenas não tinha condições para custear uma psicoterapia. Ano passado, diante de um caso agravado com a perda do meu bebê - que ele chamava de "meu irmãozinho" - ele ficou mais agressivo e isso sim, fez com que mesmo sem condições, esta fosse feita. Sempre tem um momento para começar. Fui eu quem foi pedir indicação à escola de algum psi parceiro da escola e foram eles que me indicaram a pessoa/profissional certa, chamada Suely Lobo. 

Portanto, mães na prática amigas, essa semana promete fortes emoções! Leoa sabe rugir e defender bem o seu espaço... eu sei me comportar muito bem em reuniões, bem como sou mediadora nata, além de adorar resolver problemas, mas, os delas estão apenas começando quando se depararem consigo... o meu está em fase de solução porque, agora, encontramos mais um ponto, um novo caminho... estamos desenrolando o fio de ariadne - com um pouco de tentativa-e-erro, também, já que seguimos em frente. Na vida só temos o empirismo, até mesmo para se começar uma ciência. E, olha, maternidade deveria ser uma ciência... a ciência das ciências. É uma universidade intermultipluridisciplinar. 

Pois é! Pois é! Pois é... O diferente incomoda... ele está sempre mexendo. Existem diferentes que só incomodam, esse, coitados, não vêem sentido na vida e passam a incomodar o outro por não ter sentimento de vida própria... Vou parar por aqui, senão, o veneno destila e já era... Mas, não esperem por "chumbo grosso", sou inteligente e capaz demais para me permitir perder o foco e limitar minha visão. Vou exercitar o que me proponho, porque é isso que está sendo posto em prova: um processo de crescimento em prol da melhoria!


Eu sou MÃE! Uma mãe entre muitas MÃES NA PRÁTICA. Cego é quele que não vê. E profissional cego e obtuso são os que não conseguem ver por conta da cegueira da má vontade e da arrogância de se colocar acima do que se é e dos outros. Se leoa fosse cega, não era rainha da selva!

E, outra coisa, plageando Quintana: "...Elas passarão... Eu passarinho!". 

Saudações maternais,

Pat Lins.



domingo, 28 de outubro de 2012

"MÃE MÁ! VOCÊ NÃO É MAIS MINHA MÃE!!!!"

A gente se ama!

Hoje, fui tachada de "mãe má" por Peu, apenas pelo de sempre: dizer "não". 

Mas, o mais engraçado foi ele me dizer: "Agora, você não é mais minha mãe" e eu, prontamente, me levantei e disse: "Pois, assim seja, senhor. Vou embora, você fica aí sozinho, sem ninguém para te ensinar que fazer essas bobagens é errado e vai errando por aí, sozinho. Fui. Tchau." e saí andando. 

Não deu outra: veio atrás, arrependido e pedindo perdão. 

Ou seja, mais vale uma mãe "má" que nos ajude a crescer do que uma mãe "boa" - como eles querem - que só diz "sim" por não saber a importância de um não bem dado. Grudou em mim que só. É assim mesmo... Quando eu era criança disse a minha mãe que eu não aguentava mais obedecer, que ia embora... depois de tanto eu bradar ela decidiu agir: abriu a porta de casa e disse: "Vá! Pode ir!". Me colocou no hall, fechou a porta e eu chorei horrores - e ela também... 


Não é fácil educar, mas, "mal educar" é bem pior. 


Têm horas que só atitudes "doidas bem pensadas" de choque de realidade atingem as crianças. 


Tudo é composição, construção, trabalho de base. Quando ele crescer, como me disse uma grande amiga, pode jogar tudo que ensinei no lixo, mas, hoje, é o e como sei educá-lo. Fora o que vou aprendendo empiricamente - tentativa e erro para atingir o acerto, né assim?!


Educação é a longo prazo. 


Peu, Peu, Peu... tu és pedra, como disse Jesus a Pedro, mas, tu és uma pedrona, viu? 


Amo esse menino malino, traquino e que dá um trabalho danado para aceitar certas coisas... 


Vivendo e aprendendo eu, ele e todos nós! E como me disse uma amiga e outra mãe na prática - Cristiane Alves - "Ser pai e mãe é ser educador e arquiteto, mesmo! Não podemos deixar nenhuma aresta para depois...tudo tem que ser on line...". E é verdade! Pois é, em real time e full time! 

Saudações maternais,


Pat Lins.

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