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sábado, 20 de abril de 2013

ESCOLHAS - "EU SÓ FAÇO O QUE EU QUERO!"


Como de costume, preciso falar e repetir que a vida é um eterno aprendizado. Afinal, somos demandas demais para a vida inteira. 

Pois bem, em meu processo de aprendiz como mãe e, ao mesmo tempo, de orientadora/educadora como mãe, na prática diária, entendo o que a máxima: "escute seu filho para depois falar", é verdadeira. Isso não quer dizer: acate o que ele diz, mas saiba qual a demanda dele, através de uma escuta ativa, para exercer bem o papel.

Olha a situação... ai, ai...

Pedro havia "aprontado" algo na escola - garças a Deus, este ano ele está se encontrando e com o apoio necessário retomado, haja vista que exceto ano passado, ele recebeu todo apoio nos anos anteriores... e ele está mais centrado ou centrando-se. Afinal, trata-se de um processo e não de passe de mágica. A professora - essa, sim, um Professora, vocacionada e dedicada, consciente do seu papel - chama meu marido e conta o que houve, na frente de Pedrinho, para que ele entenda que as atitudes dele geram consequências.

Enfim, para não ficar muito extenso, vou pular para a parte onde ele chega em casa e eu sou notificada:

- Pedro, você quer me contar tudo o que aconteceu? Por quê você arremessou o livro, gastou todo o sabão do banheiro, etc, etc, etc?

- Ah, porque eu quis!

- Então, tá! Vamos fazer um novo combinado, pode ser?

- Pode, sim!

- Você pode, então, ir tomando seu banho que eu te encontro no banheiro e vamos conversando.

Deixei-o lá, por alguns minutos. Normalmente, o shampoo, condicionador e sabonete dele ficam ao alcance. Nesse dia, em especial, coloquei no alto e lá deixei. Daí...

- Mãe, você pode, por favor, pegar meu shampoo? Está muito alto e não alcanço sozinho.

- Eu sei, filho! Muitas vezes, a gente não alcança sozinho o que quer e precisa pedir ajuda a alguém mais alto, mais experiente... alguém que saiba mais do que precisamos para poder nos ajudar. O que você QUER, agora, mesmo?

- Que você, POR FAVOR, pegue meu shampoo, porque você é maior e meus bracinhos não alcançam.

- Tem uma coisa... EU NÃO QUERO PEGAR... AGORA NÃO VOU, SÓ QUANDO EU QUISER!

- E eu vou ficar aqui, todo molhado e sujo, é? Você não quer ver seu filhinho limpo e cheiroso, não?

- Quero, sim. Mas, agora eu quero fazer só o que eu quero. E eu quero ficar aqui, parada, olhando para o teto, fazendo nada...

- Mas, mãe, eu não posso sair daqui assim... 

- Eu sei. Eu também sei que posso te ajudar e, agora, está me dando vontade de te ajudar. - entreguei o shampoo.

- Obrigado, mãe!

- Por nada filho! Mas, pronto para nossa conversa, enquanto toma banho?

- Tá, vou te contar...

Contou tudo e deu sua versão, onde o "não sei o que me deu, eu estava enfurecido...", também adentrou a conversa. Apenas escutei. Quando ele se calou, falei:

- Agora, eu vou falar e preciso que escute até o final, bem como fiz com você, pode ser?

- Tá, mãe...

- Filho, você quer fazer apenas o que você quer, não quer? E você sabe que a gente, quando faz algo de ruim, machuca a gente e aos outros, não sabe? Já percebeu que sempre que você faz uma coisa ruim, vem outra ruim? É assim, meu bem... a gente escolhe o que quer para a gente. Eu me esforço e muito para não te bater, porque eu não acredito que resolva. Eu gosto de conversar com você, porque sempre deu certo. Mas, eu preciso que você me diga agora o que você está querendo voltando a fazer bobagens na escola. Outra coisa, nosso novo acordo é o seguinte: vou deixar você fazer TUDO O QUE VOCÊ QUER. Agora, mesmo, eu ia te levar para fazer a ginástica e, não vou fazer o que eu quero, que era terminar um material do trabalho. Tudo bem, eu escolhi fazer a sua rotina, porque você é criança. Como você está agindo feito um bobo e não merecendo que eu faça algo legal por você, vou fazer o que quero e você vai se vestir, descer e ir lá para o meio da rua e faz o que você quiser. Eu te peço que não machuque, nem maltrate ninguém, porque aí, será com você a polícia. A polícia prende pessoas que não respeitam o coletivo, aquilo que é do bem comum, aquilo que é para todo mundo e quem não respeita o espaço do outro. O meu espaço não aceita certas atitudes que você vem tendo... mas, como é VOCÊ QUE QUER, vai viver na rua, sozinho, porque os malucos, coitados, vivem assim, na rua, sozinhos, fazendo a maluquice que querem e ninguém chega perto, com medo. Olha, só, eu vou sair, mais tarde e só volto após as 22horas, aí, você, se quiser voltar para casa e não estivar preso ou num hospital machucado, eu te recebo para você tomar um banho e dormir. No dia seguinte, você não vai à escola, nem a lugar algum que eu se pai pagamos, porque a gente não quer mais pagar nada que você não queira ir e, mais legal, não vamos te pagar mais nada! Porque a gente não quer! Pois, pela manhã, abro a porta, você desce, vai lá para o meio da rua de novo e vai vivendo sua vida, como VOCÊ QUER! Porque eu e seu pai, vamos vivendo a nossa como a gente quer e como a gente consegue, porque nem tudo que a gente quer a gente pode ou deve fazer! ...

Fui interrompida com um:

- Licença, mãe, posso falar?

- Pode sim, por favor!

- Eu já entendi o que você quer dizer. Pode parar de falar. Eu quero ir para a ginástica e fazer o que precisa ser feito e quero ir para a escola amanhã, porque eu quero aprender a ler e escrever. Você pode me levar?

- Claro, filho! Mas, que fique claro: você está ESCOLHENDO FICAR AQUI, COMIGO E COM SEU PAI. E escolher isso quer dizer entender que nós somos um grupo, como sua escola, sua ginástica, seus amigos no play... E isso quer dizer que o que você faz, nos atinge também. E te atinge, também. Se você quer ficar, a gente vai ficar feliz, porque eu te amo muito e acima de tudo o que você faz, eu sei que tem muita coisa boa aí, também que você sabe e quer fazer. Por isso, ficar aqui tem um custo...

- Qual é?

- Respeitar os limites do que pode e deve do que não pode e não deve, e como sempre, sempre te explicarei as razões. Você topa fazer parte desse grupo?

- Sim, mãe! Mas, você vai ter que me ajudar!

- Peu, isso é tudo o que eu mais QUERO!

E, pronto. Ele não virou um santo. Mas, em cada momentos especiais como esses, mesmo que após ele ter aprontado com seu gêniozinho, ele se abre mais e se revela mais sensível ao perceber o que faz. Nem sempre ele tem real noção dos seus atos... O fato dele querer muito algo é tão importante que, entender que não é bacana conseguir algo passando por cima do outro não é o melhor caminho. Como ele tem dado saltos em progresso, como pessoa, acredito que ele se apaziguar na escola será o próximo. Tudo é uma questão de tempo e de tempo bem monitorado com amor e com apoio, porque eu não conseguiria isso sozinha. Como gosto de agradecer, tenho uma equipe maravilhosa de família, marido, amigos, psicóloga dele, minha terapeuta, outras mães na prática e de Deus - como chamo essa força superior e de equilíbrio de forças, esse Ser supremo e criador - acima de tudo!

É a cada dia! É a cada momento em que respiro fundo e digo: "filho, não é fácil segurar a onda, mas por amor a você e como quero o seu bem, precisamos conversar e sério!". E, nesse movimento sincero e verdadeiro, ele entende. Quando eu apenas bradava e ordenava, exigindo dele um comportamento exemplar... só acirrava a sua ira e não o tocava. Precisei aprender ao escutá-lo mais. Ao observá-lo mais. Ao sentí-lo mais e mais. Ao me aproximar de coração e alma, deixando de lado o que a sociedade espera e vendo o que ele tem de bom para contribuir com esse social carente de mudança e revolução. E, nesse ínterim, a gente aprende juntos a como viver nessa mesma sociedade fechada e tacanha, nada acolhedora e super manipuladora, superficial e hipócrita, na demagogia de que "todos somos um"e  ninguém respeita as diferenças... todo mundo julga e condena, em vez de colaborar. Foi esse entrave que vivemos na escola, ano passado, onde ninguém via ou ouvia os apelos das crianças que pediam: "me oriente com amor. Escute o que tenho para falar, porque não sei como me expressar.". 

Não é fácil ser diferente. Mas, isso não é desculpa para incentivar a irresponsabilidade nos atos e não dar limites com amor!

Tenho aprendido muito nessa caminhada com Peu e ele, também.

É isso, ensinar é escutar a demanda e agir em cima dela.

Saudações maternais,

Pat Lins.


domingo, 4 de novembro de 2012

SOU MÃE LEOA, MAS NÃO LEOA CEGA...


Cada mãe tem seu traço pessoal... não é a maternidade uma varinha mágica que, nasce o bebê e "pluft" a mãe se torna um ser perfeito e capaz de apenas acertar.

Bom, eu sou bem o tipo mãe LEOA, mas, agrego outros bichos, também que vieram no pacote "Pat Lins" de configuração pessoal, como: águia - capaz de ver lá a frente; coruja - visão holística, capaz de ver, compreender e se virar para vários lados... e podem me chamara de lagartixa, quando grudo nele; de jacaré, quando fico apenas olhando e observando, para bem saber a hora de agir; de centopeia, onde dou conta de ir e fazer várias coisas ao mesmo tempo, como se tivesse cem pernas; borboleta, capaz de fazer um belo espetáculo de show, beleza e surpresas; sou macaca, capaz de esquecer da vida e entrar em seu mundo de fantasia e ilusão. 

Vou errar. Vou acertar. Mas, sempre admito para mim que sou capaz de ponderar e refletir. Aprendizado é isso: não saber; passar a saber; algo fazer. 


O grande problema é quando o filho é um desafio maior do que a capacidade de muitos adultos lidarem com ele. Não cobro, nem exijo que ajam com perfeição, apenas com vontade e empenho. Fico decepcionada - como já deixei claro, sou imperfeita, graças a Deus e decepção é sentimento de quem esperava algo sendo feito - por algo ter sido combinado e não foi posto em prática pela outra parte... mesmo assim, andou. Apenas uma parte falhou e isso é recuperável! Conseguimos: eu, marido, filho, família, amigos, Suely Lobo - uma loba de verdade misturada com uma "tubaroa" ágil e voraz... sorte dele ter uma psi "do bicho!" -, toda a equipe da Equoterapia (ABAE), e até os contra! Muito está sendo feito além das sugestões da escola e muito estamos alcançando - e muito não é TUDO. O que impede alguns de enxergarem esse fato é uma coisa simples - mas, difícil de lidar no ser humano mais rude e limitado - chamada: visão obtusa. Se esperar e fazer apenas de um jeito é dar murro em ponta de faca. Existem situações especiais e que exigem mais esforço - não necessariamente desprendimento de energia, apenas um pouco de boa vontade e permitir que algo seja feito por outros já ajuda - e um tiquinho de nada de flexibilidade. Bom, só que para ter flexibilidade é preciso ter uma dose de boa vontade... ou seja, o que falta e faltou BOA VONTADE. Só que para ser flexível requer segurança, domínio de si e auto controle. Requer, também, uma pequena capacidade de autogestão, onde se avaliar e ver se fez algo ou se pode fazer mais ajuda.

Não vou brigar. Não vou querer mudar o mundo mental de ninguém, mas, vou exigir justiça! Fico passada como as profissionais de uma escola tão bem preparada criam estigmas do nada, pela incrível capacidade de elucubração  em vez de ampliarem. Não entra em minha cabeça a limitação de ver o "ponto ao centro da folha em branco" e fincar o facão no pé de "jequitibáverapenasoquefalta" e passar a vida/ano letivo preso ao que se permitem ver. A resistência e não aceitação da opinião dos pais e dos dados de "cá de fora" de nada serve porque, para eles, pais e mães são cegos e filhos manipuladores vorazes a ponto de os pais serem todos bitolados em "meu filhinho é um santo". Compreendo que muitos pais e mães colaboram com essa causa ao ocuparem o tempo de contato com exigências mil e improdutivas, assim, quando surgem pais dispostos de verdade eles colocaram a barreira protetora anti-pais/mães e pronto, adeus parceria escola/pais. Detalhe: isso sim já é um velho estereótipo, quase um arquétipo. Só falta ser aceita como verdade universal irreversível. Isso me preocupa. Para mim, profissionais da área de educação devem ter vocação, tem que sair do âmago - e do útero - para surtir efeito com a habilitação e qualificação técnica profissional. Em vez disso, haja gente que não sabe-se e/ou conhece-se a ponto de ter bom senso e ver onde se adequa. Isso, sim, é um grande obstáculo.

O problema passa a existir quando esse obstáculo se encontra de frente com um Pedro Henrique... se não houver essa caracteristicazinha pessoal acoplada, integrada, natural, oriunda do DNA do profissional, empaca e vira um embate desgastante. Problema 2: quando o desgaste impera a razão evapora... os transtornos se acumulam e não se dá vazão, se carrega nas tintas a ponto de nada que Pedro, neste caso em específico faça, está a contento e não há abertura mental para receber dados atuais... a imagem recortada é que fica colada na íris e não se vê a paisagem mudando... fora que joga a tal da "culpa" em qualquer um, desde que sua não aceitação se volte, então, bingo!, vamos descontar na criança e nos pais da criança, que é mais fácil, afinal, mães leoas são tidas como descontroladas. Não vendo-se já em descontrole. Mãe leoa é problema quando é cega, quando não é, se prepare, ela sabe agir e cuidado, entra a mutação mãe jacaré e mãe coruja... ah, e outras mães, também, que seriam deselegantes em serem citadas... Mas, como existem mães leoas inteligentes e capazes de desenvolver uma linha de raciocínio focada no BOM desenvolvimento do filho - assim: eu sei e vejo quem meu filho é, inclusive o pedaço dele descrito pela escola, mas, vejo mais... fora que vejo o que ele tem em potencial e as surpresas. Pois sim, o problema 3 começa a aparecer: as reuniões ficam mais tensas, do tipo "por que usam tantas máscaras, essa equipe pedagógica?". 

Você devem perguntar: e por que deixou terminar o ano? Por conta dele. Elas não enxergam que ele gosta de lá e, tirá-lo seria um recomeço desgastante para ele, uma nova adaptação em uma nova escola... E ele tem um apoio tanto da nossa parte quanto da psi dele de como lidar com isso. Concluímos que seria melhor persistir e tentar, do tipo "dar uma chande de ver acontecer". Não aconteceu. Não dentro das limitações e exigências deles, mas, acontece um monte de outras coisas e de outro jeito. Muito tempo foi perdido por manterem a visão no "o que falta" em vez de se permitirem ver "o que tem" e, daí, desenvolver um algo mais mais direcionado. Isso incomoda. Problema 4: falha de clareza na comunicação, falta de transparência no que é comunicado - se já é um desafio e tanto lidar com a falta de clareza, imagina com a falta de transparência...? e, a própria, falha de comunicação efetiva. Problema/Solução Geral: reunião amanhã, com essa equipe e em busca de manter o foco na "solução", que é o meu objetivo geral e específico. Bom, a mãe leoa tem que trocar idéias com a mãe coruja para que o ego humano e o orgulho ferido de ser humano que não suporta ver injustiça com qualquer um, imagina quando esse qualquer um não é qualquer um é o seu filho! Minha intensão, hoje, já é apenas me focar em "o quê fazer por Pedro Henrique" e levar os dados concretos dos reflexos de sua melhora e seu desenvolvimento, além da sua relação com o aprendizado do seu jeito. 


Bom, ser mãe leoa não é o problema... os "problemas" são os seres problemáticos que deveríam se voltar a si e admitirem, bem como suas falhas - sem medo de culpa ou de ter essa falha como um fracasso... não deveríam agir assim... deveríam, sim, reunir forças e se abrirem mesmo, com gás, para fazer o melhor a cada dia! - de que não cumpriram com a parte que lhes cabia. Elas se fecharam no estigma em vez de se abrirem para as reais possibilidades e, como sempre falo, olhar mais para "o que tem" e, a partir daí, sim, ver "o que falta" e como agir. Essa troca era o que chamávamos de parceria, onde a parte mais interessada somos nós - os pais - e nós, sim, fizemos e cumprimos com cada COMBINADO e elas? A parceria, este ano, não foi firmada e muitas "culpas" jorraram e muitos medos emergiram e muito mal entendido tomou espaço e uma bola de neve começou a rolar e o freio daremos nós, amanhã, com todo amor que tenho por meu filho mas, com toda capacidade pessoal de separar "o que é" do "que não é", ao contrário do que elas vêm fazendo e recusando-se a aceitar a melhora no comportamento - penso que esperavam um milagre, que passasse de um menino agitado de uma hora para outra para um menino estático... e o gradativo perde importância, diante da imponência perigosa da bola de neve gigante. Viu, como falo, estigmatizar é um perigo... ainda mais uma mãe. Ainda mais uma mãe na prática como eu, que de perfeita tenho nada, mas de aprendiz da vida e discípula do tempo, tenho muito. É, querer jogar para os pais em vez de assumir que não houve a troca e sim lacunas abertas. Mas, como fizemos mais e além do que COMBINAMOS - como se fala, nós corremos por fora - afinal, para nós a escola é apenas uma parte da rotina do meu filho e não o todo. Uma parte de suma importância mas a sua importância é a que lhe cabe e não excede a nossa. Não se trata de guerra ou medição de forças, se trata de ver claramente que a escola está fechada e fechada num canto complicado e perigoso... como profissional - penso que esquecem que mães leoas também são mães formigas e trabalham, têm suas expertises e suas vivências - isso tudo além do pessoal - e são capazes de observar e levantar hipóteses também... ainda mais uma mãe leoa como eu que tenho experiência em educação, em Comunicação e aprendendo psicologia organizacional... e, ainda assim, reconheço minhas limitações e vejo quais são "eu me sabotando para não ir além" e sei bem quais são: fora do meu perfil, mesmo. Portanto, assim, meu empenho é na melhora de Peu. O problema 5 está aí: elas esqueceram de Peu... elas só se lembram da imagem criada e não atualizada... Outros agregados são o medo em reconhecer que fez pouco caso e preferem carregar e manter a postura de "culpa dos pais" e da "mãe leoa" e com isso, terem suas imagens titulares abaladas.


Gente, é um perigo lidar com profissionais com títulos e mais títulos e pouca capacidade, sem vocação e sem BOA VONTADE. Como me disse uma amiga, "uma coordenação boa é aquela que suja a calça de tinta e se abaixa para ver e ouvir a criança e, dali mesmo, deixa claro quem é quem e os patamares 'hierárquicos' estabelecidos no olhar" - quem me ensinou isso foi você, Natali Costa e você, Thais Ceo - com afeto sincero, apesar de se estabelecer a distância profissional, sem distanciamento. 

Nosso objetivo principal é nosso filho e seu progresso. Não estou preocupada em provar que ele está melhorando aqui e ali para ninguém, não se trata de uma sessão judicial, de um tribunal. O único crime é o do descaso, da falta de proximidade com a franqueza e do "chega junto" que tivemos ano passado, com Aninha e Dora a frente de maneira espetacular. Este ano, está difícil... apenas lá dentro, porque de fora, medidas estão sendo tomadas e parados nós não ficamos. Se fosse uma mãe leoa cega estava de braços cruzados criando um estigma diferente para meu filho em vez de vê-lo, aceitá-lo e agir. Francamente, essa novela, agora, está no final. Para mim foi um aprendizado ímpar, principalmente na questão de como me dirigir e emitir o que penso, em vez de agir como agia, de peito aberto e às claras, agora, estabeleço em mim um foco e um tempo. Não estou interessada em fazer parte desse jogo de empurra, porque eu, leoa ocupada, tenho mais o que fazer com a minha vida e tenho minha mente tranquila e cabeça erguida, fora que tenho toda a razão... não fui eu quem comeu mosca e nada fez... aliás, eu comi, porque ao escolher "persistir", elas deram um tom que, hoje, sinto que foi mais uma insistência, mesmo, no erro evidente... mas, escolhi manter e levar até o fim. 

A semana começa com muito agito e fortes emoções! Começa com reunião em prol de uma melhora e eu luto por essa melhora, sim. Luto porque eu sei que todo mundo é mais do que aparenta e que devemos ter olhos abertos e corações livres para que a mente possa agir com maior precisão. E sorte que tenho esse perfil leoa, senão, ele estaria com sérios problemas e ninguém saberia. Quem primeiro percebeu que meu filho precisava aprender a lidar com seu temperamento e suas emoções fui eu, apenas não tinha condições para custear uma psicoterapia. Ano passado, diante de um caso agravado com a perda do meu bebê - que ele chamava de "meu irmãozinho" - ele ficou mais agressivo e isso sim, fez com que mesmo sem condições, esta fosse feita. Sempre tem um momento para começar. Fui eu quem foi pedir indicação à escola de algum psi parceiro da escola e foram eles que me indicaram a pessoa/profissional certa, chamada Suely Lobo. 

Portanto, mães na prática amigas, essa semana promete fortes emoções! Leoa sabe rugir e defender bem o seu espaço... eu sei me comportar muito bem em reuniões, bem como sou mediadora nata, além de adorar resolver problemas, mas, os delas estão apenas começando quando se depararem consigo... o meu está em fase de solução porque, agora, encontramos mais um ponto, um novo caminho... estamos desenrolando o fio de ariadne - com um pouco de tentativa-e-erro, também, já que seguimos em frente. Na vida só temos o empirismo, até mesmo para se começar uma ciência. E, olha, maternidade deveria ser uma ciência... a ciência das ciências. É uma universidade intermultipluridisciplinar. 

Pois é! Pois é! Pois é... O diferente incomoda... ele está sempre mexendo. Existem diferentes que só incomodam, esse, coitados, não vêem sentido na vida e passam a incomodar o outro por não ter sentimento de vida própria... Vou parar por aqui, senão, o veneno destila e já era... Mas, não esperem por "chumbo grosso", sou inteligente e capaz demais para me permitir perder o foco e limitar minha visão. Vou exercitar o que me proponho, porque é isso que está sendo posto em prova: um processo de crescimento em prol da melhoria!


Eu sou MÃE! Uma mãe entre muitas MÃES NA PRÁTICA. Cego é quele que não vê. E profissional cego e obtuso são os que não conseguem ver por conta da cegueira da má vontade e da arrogância de se colocar acima do que se é e dos outros. Se leoa fosse cega, não era rainha da selva!

E, outra coisa, plageando Quintana: "...Elas passarão... Eu passarinho!". 

Saudações maternais,

Pat Lins.



terça-feira, 4 de setembro de 2012

QUEM MEU FILHO É (?)

PARA CONSTRUIRMOS UM MUNDO MELHOR, SEJAMOS PESSOAS MELHORES! Pat Lins

Ser mãe é descobrir que, mesmo que a gente acredite conhecer 100% nossa cria, eles nos surpreendem nos faz lembrar: "eu não conheço a mim mesma 100%, vou ter a presunção de acreditar que sei exatamente quem meu filho é?". 

Pois é, o bom exercício é esse, o desafio diário de se redescobrir e de enxergar que nossos pequenos também se redescobrem.

Estou florescendo com Pedrinho e isso me tem sido muito gratificante. Ainda não sei lidar com as pessoas que não sabem lidar com isso, mas, uma coisa de cada vez. 

Pedro tem me mostrado que se eu mantiver o que acredito em coerência, ele sente e agradece pelo apoio. E seu eu investir em acreditar no potencial dele, ele pode ir muito mais e se tornar cada dia mais uma pessoa melhor. 

Para tanto, pondero meus julgamentos e tento ser justa: vejo o que acontece, reflito, observo de novo, avalio, levanto uns diagnosticozinhos, troco uma idéias com pessoas de confiança - leia-se, pessoas ponderadas, que se trabalham, se cuidam como ser humano, se reconhecem falhas e nunca deixam de tentar acertar... - e vou elaborando meus pequenos planos de ações. E, quando mensuro e vejo saldo positivo, constato nosso sucesso! Nossas falhas, não são meros fracassos, são algo novo, de novo, para serem observados e dão início a um novo processo novo de tentativa e erro. 

E assim vamos crescendo, juntos e de mãos dadas! Criança não tem a experiência de vida que temos - em tese... -, mesmo assim, trazem em si uma combinação única de "quem" e "como" são que, aliado ao "que" e "como" somos e agimos, podem se tornar melhor ou pior... Eles, também, nos dizem: "Veja como eu sou. Não julgue. Haja! Me veja, me aceite e me ajude a ser uma pessoa melhor, através de quem e como funciono.". Não adianta querer forçar que ele seja como eu quero que ele seja... Isso é falta de respeito a si e ao outro e não é uma boa base de sustentação moral.

Com todos os problemas que passamos na escola dele, este ano, pude exercer minha experiência profissional, todo expertise que tenho, para observar e identificar que havia um problema real e investigar a melhor solução. Contei e conto com a ajuda profissional e humana de Suely Lôbo, uma psicóloga competente: vocacionada, com conhecimento, habilidade e atitude - isso faz uma grande diferença...-, da minha família, do meu marido, de alguns amigos mais do que especiais - e experientes - e conseguimos, todos, juntos, perceber onde estava "furado", escoando parte do nosso trabalho com Pedrinho... Eis que percebemos que a falha estava: na dupla coordenação pedagógica e psicóloga da escola. Como por milagre, quando a Diretora voltou da licença maternidade, as coisas começaram a andar... Já relatei aqui que Peu não é TDAH, nem DDA... mesmo, assim, ele é diferente. Ele é muito ansioso e requer um pulso firme, muito firme, porém, coerente. É como se ele estivesse aqui para "por em xeque" nossas investidas e nos fazer refletir na prática se nossas ações são coerentes com algum sentido real e mais nobre. Não é tão fácil lidar com o grau de inteligência dele, muito menos, com sua capacidade de pensar rápido e linkar tudo, sempre com um argumento fechado e fechando, muito bem elaborado. Mas, é simples: amor, firmeza e coerência, mantendo-se assim. Ele mede quem cansa primeiro: você ou ele. Quem cansar, perde. Só que nesse jogo dele, sendo ele uma criança, se um adulto perde, a criança também perde... E foi o que aconteceu na escola. Nessa "medida de forças", essa dupla perdeu e cansou e ele, foi vítima dessa perda. Como assim? A psicóloga dele sugeriu, bem como a professora do grupo mais avançado, que se fizessem atividades diferenciadas para ele, dando mais desafios. Era uma certeza? Não. Seria uma tentativa. Melhor do que não fazer nada... e nem fazer qualquer coisa, elas tiveram uma base de referência para pensarem assim: Pedro, como ele é e o que ele demanda. Pois, elas - a dupla nada dinâmica de coordenadora pedagógica e psicóloga da escola - focaram tanto no mau comportamento em sala de aula que nunca pararam para ver quem ele é e o que demandava. Pior, não levaram em consideração às sugestões. Sem pulso e com uma linha de pensamentos restritivas e comprometedoras, elas atrapalharam todo o processo. Faz duas semanas que Pedro tem melhorado em sala de aula, desde que puseram em prática as atividades diferenciadas. Para mim era meio óbvio, mas, quando eu falava, era vista como "mãe protetora"... de que deveriam trabalhar a base subjetiva de Peu, o individual e levá-lo ao grupo aos poucos. A não ser que seja formação e produção em massa, o ponto inicial é o indivíduo, bem firmado, naturalmente, ele vai perceber o coletivo. 

Como mágica, ao colocarem em prática, tudo melhorou! Precisou passar 1 semestre e meio para verem isso? Coisa que batemos desde o início do ano? Sabe um índice que levo muito em consideração? Os colegas de Peu. Eu chegava lá e todo dia eles corriam: "Tia, Peu fez isso...", "Tia, Peu fez aquilo...". Há um tempão que eles não dizem nada, apenas correm e me abraçam, dizendo: "chegou a mãe de Peu". Ontem, um coleguinha que formava a dupla do terror na sala, me disse: "Tia, seu filho está se comportando tão bem...". Parece que ele não estava satisfeito... 

Me pergunto? Custou muito acreditar na parceria que estabeleci com a escola - e, sendo justa, ano passado funcionou. Este ano teve o agravante da Diretora estar em licença maternidade e a dupla que ela contratou não deu conta de lidar com as diferenças... - e pensei em tirá-lo no início deste semestre. Me dei um prazo, vi que a Diretora estava disposta, vi o empenho da pró dele e a da turma 6 e vi que ele estava em boas mãos, agora. Confiei. Relutante e revoltada, mas, confiei em quem confiava. Continuo a não confiar na dupla nada dinâmica... e isso pesa em meus processo de manter ou não no ano que vem... Hoje, Pedro rende e desenvolve muito do seu potencial. 

Eu desenvolvo milhares de coisas para manter minha coerência - e uma delas é não dar mais abertura, nem ouvidos a quem não sabe do processo e não tem a capacidade para ajudar, atrapalhando, por demandar atenção para suas carências mal trabalhadas... - e fortalecer a base de confiança entre eu e  meu filho. Sempre de maneira honesta e muito clara. Sempre com muito amor. E, amor, gente, é negar e frear, sim. é estabelecer bons limites, sim. É dizer "não", sabendo o que está fazendo e deixar quem quer falar que fale, eu apenas faço o que posso e mais um pouquinho, porque se eu perceber que posso ir um pouco mais, eu vou, nem que seja me arrastando, porque as forças vitais são comprometidas, sim. Cansa, sim. Mas, revigora-se e segue! Dentre tudo que eu e Peu fazemos, em todos os campos ele melhorou e se firma como uma pessoa melhor, mais consciente de suas ações. Isso é lindo de ver! Eu educo um ser humano, partindo de uma mãe que é humana e quer ser uma pessoa melhor. E se eu via que algo estava errado na escola, não deixei barato. Me desdobrei e superamos muito mais. E está dando certo. Contei com as pessoas certas e uma atmosfera mais favorável surgiu. Não basta ser inteligente, tem que desenvolver essa inteligência. E Pedro estava sendo relegado pela dupla que não sabia o que fazer com ele, não pedia ajuda e desconsiderava tudo que era proposto como solução. Acreditar que estou fazendo e seguindo no caminho certo me manteve firme e coerente e estava disposta tirá-lo da escola. Já havia visto duas para colocar e nunca escondi isso. Estava tão evidente e seguro isso em mim, que não ia brigar com a escola, nem com essa dupla, eu tentei e confiei, elas não deram conta, mostraram que não fazem parte da corrente forte que a escola havia firmado desde o ano passado. Elas destoam. E a mudança para melhor que hoje se instalou não  foi por mérito ou empenho delas, veio de cima. Aquela história, se puder falar direto com Deus, não exite! O empenho delas foi o demérito e a prova de que não têm a competência - leia-se competência como a soma de conhecimento+habilidade+atitude, elas podem ser bem qualificadas e possuírem o conhecimento teórico, mas, na prática a teoria tem peso, variação, outras variáveis, risco, o desconhecido que nunca havia sido identificado e uma gama de coisas que a titulação acadêmica não nos dá - para lidar com as diferenças. Quando se trata de uma doença, de uma criança com limitações patológicas, no sentido de alguma restrição mesmo, tem-se o sentimento de "pena" e o entender que não depende da criança, pois, vê-se que ela traz uma demanda limitada. Mas, quando se trata de um desafio comportamental, raramente alguém entende que o saber lidar passa por saber lidar consigo, antes de tudo. Lidar com as diferenças no remete o tempo inteiro a nós mesmos e a nossas falhas. Ninguém gosta de ser lembrado que é humano e que tem limites, não entendo o porquê...

Pois bem, meu filho é quem ele é, diferente e, só olhando e vendo essa diferença, que ele requer muito mais de verdade nas ações, muito mais de questionamento, é que alguém pode estabelecer um bom contato com ele. Pedro tem algo de muito bom que é mexer com o que há de mais escondido no outro. Aquilo que não queremos ver, ele nos mostra. Ele vai no ponto, certinho. Isso é ser diferente. Esse é Pedro. E Pedro é uma criança que requer adultos firmes ao seu redor. Elas, lógico, merecem uma chance e devem se dar essa chance, porque apenas elas podem se ajudar. 

Saudações maternais,

Pat Lins.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

SER DIFERENTE NÃO É DOENÇA

Hoje em dia, vejo que ser diferente pode ser um problema, ou, uma solução... depende de como agimos.

Pedro tem me ensinado muito a ser uma pessoa melhor. O desafio diário de lidar com ele pode cansar, muitas e muitas vezes, mas, vê-lo crescer e mudar me lembra que é para isso que estamos aqui, para nos tornarmos pessoas melhores, não igual a todo mundo, nem um diferente do tipo "perigoso", mas, diferente do tipo "autêntico", "feliz". Lógico que tenho que lidar com um comportamento desafiador full time. Não tem refresco. Mas, entendi uma coisa: não adianta falar qualquer coisa, tem que fazer sentido. 

Pedro me ensinou a vê-lo como é e entender que diferença não é doença. Engraçado que, como já falei outras vezes, me voltava muito para buscar um enquadramento patológico para ele, para, "achando" eu, saber lidar com ele. Para mim, essa agitação dele era doença e precisava de remédio. Existem problemas patológicos, sim, não estou aqui dizendo que essas doenças não existem e sei que identificá-las o quanto antes, melhor a eficácia do tratamento. O meu "não saber lidar com Peu" é que procurava um remédio para "normatizá-lo". 

O coloquei numa escola com metodologia diferenciada, o que entendi é que nada adianta uma boa proposta se na estrutura real pode se perder quando algumas partes da equipe não tiverem o perfil vocacional. Pode-se ter a melhor qualificação, se faltar alma, nem adianta, cai na mesmice das escolas "tradicionais". É como sempre cito a frase da Morgana Gazel: "fazer diferente exige muito mais que contradizer". O diferente requer vontade, dedicação e disposição - e isso só parte quando o profissional lembra que é pessoa, antes de tudo e mais nada, e essa pessoa sabe que tem essas características dentro dela. Todos nós temos, só que muitos nem sabemos... - além de uma visão holística - visão do todo. Ah, o mais importante: não dá para ficar no discurso e no "obrigada, pela parceria". Onde está a parceria? Não tem o que me agradecer por ser presente, aberta e participativa, eu sou assim e minha relação com meu filho é assim. Eu sei que escola alguma faz milagre e nenhuma tem a obrigação de saber lidar com o "diferente", mas, desde que não use em suas visões e missões, em sua cultura organizacional - sim, uma escola é uma organização e sim, é necessário capital para investir, sustentar e manter o diferente, porque é mais caro, não se produz em série... mas, a vocação não depende dessa verba, ela é nata - a afirmação do tipo: "aqui, temos uma proposta voltada para as características individuais" e agir pelas características grupais. Não estou aqui me isentando da minha responsabilidade de mãe, muito menos, delegando para a escola a educação do meu filho, mas, esperava na educação acadêmica mais parceira como tivemos no ano anterior, com Aninha a frente e sua competência magistral. Este ano, a equipe me parece estar desfalcada no quesito vocação e se a direção não estiver no comando, o barco fica a deriva... No último semestre, Pedro se mostrou estagnado no aprendizado, por conta do seu comportamento em sala, de não participar no mesmo ritmo que o grupo - e quando falo em problemas comportamentais dele, falo de atitudes agressivas e de só querer fazer  que quer. Cheguei a acreditar que ele fosse TDAH ou algo similar. Mas, a psi dele já entendeu o modus operandi dele, assim como eu já o havia visto, a diferença é que ela usa termos técnicos e tem um entendimento científico da situação. Ainda assim, ele se aproxima de hipóteses bem prováveis de distúrbio de ansiedade. Não se trata de um diagnóstico fechado, mas, de uma característica muito visível nele. Assim, adaptamos - eu, o pai e parte da família, bem como com o apoio da psi dele e da pró - um modus vivendi onde entramos no mundo dele e buscamos compreender como acessá-lo, desenvolvendo estratégias que não entrem em choque, mas, apazigúem, sem deixar de ser firme, para ele entender quem está no "comando", afinal, por mais que ele seja um indivíduo, ele é uma criança. Para nossa grata descoberta, o caminho é árduo, por ser cansativo, simples, é... porém, nada fácil: amor, firmeza, coerência e franqueza. Trata-se de uma educação a longo prazo. Só que, quem disse que para quem busca resultado imediato e um indicador de "ele já melhorou muito" serve? Há quem queira mágica e resultado imediato. Foi aí que vi que a proposta inicial da escola de "não produzir indivíduos em série" cai no sistema "normótico"... Ainda acredito na escola, mas, em parte da equipe, não. Dá para ver a diferença e onde está o "problema".

Para Pedro, deve fazer sentido. Para ele parar, deve-se haver um entendimento. Para ele entender é fácil, firmeza, franqueza e coerência. Fora que ele tem o "time" - tempo - dele. Isso deve ou não ser respeitado numa escola que afirma lidar com as características diferentes e individuais? "Ah, mas, ele não produz junto com o grupo...". E, aí, queimar etapas? Eu penso que deveriam trabalhar, antes, essa questão individual e trazê-lo para a compreensão do social. Estamos pagando uma estagiária para fazer intervenções psicológicas nele, na sala. Ela é bastante comprometida, só que, quem está acima dela parece não dar o apoio necessário. Eu não sei... eu sinto que há algo muito falho aí. Não quero milagre e bem sei como cansa lidar com os questionamentos e a maneira de agir de Peu, ele tem uma inteligência acima da média e uma curiosidade elevadíssima, fora que uma agitação desgastantes para quem o acompanha. Isso nunca me fez cruzar os braços e dizer: "ele é assim, deixa aí". Pelo contrário, precisei ver que ele é assim para, justamente, lidar com ele. Tudo bem, é óbvio que com ele somos eu e ele, um para um. Na escola, a professora tem mais 24. Ainda assim, vejo que ela dá conta, só precisa de apoio. Com a estagiária, esse apoio in loco se faz presente, para "conter" o comportamento dele. Não é só isso... a parceria quebra quando sobe a hierarquia... E todo empenho desce ralo abaixo.

Morgana Gazel traz outra frase - em seu livro "Enseada do Segredo", pela Paco Editorial - que me faz entender onde a parte da equipe da escola ainda não consegue acessar o "Fabuloso Mundo de Peu", e a frase diz: Ignorar não é não saber; há um saber além do conhecimento obtido através da razão”. 

Pois é, o meu desafio agora é saber o que fazer com relação à escola... insistir, persistir ou desistir? Confio na professora, confio na diretora, confio na professora do grupo mais avançado, mas, não confio na dupla: coordenadora pedagógica e psicóloga da escola... O método construtivista, posta em prática, para mim, requer mais do que qualificação acadêmica e técnica, requer preparo de vida... Há um problema aí e a solução, para mim, não era desistir, e sim, persistir. Ano passado a gente firmou - era outra equipe - e deu certo. Com todo trabalho - que já era esperado - e funcionou em algumas coisas. Este ano, desde que começou, só vi piorar e Pedro melhora aqui fora... pensei: "se ele já melhorou seu comportamento aqui fora, na escola é questão de tempo". Não sei que tempo vem a ser esse, sei que o cronológico passou e muita gente ali comeu mosca por não saber como agir com o diferente que é o propósito da escola... o público dessa escola é esse público diferente, sem ser portador de deficiência - no sentido patológico. Eles alegam que não trabalham a inclusão por não trabalharem a exclusão. Há um limite para criança portadoras de deficiência... até aí, tudo bem, é a filosofia da escola e é algo que deve ser respeitado, afinal, requer uma estrutura mais bem preparada e que vai requerer mais investimento... E quanto ao diferente?

Não penso que exista uma escola que vá trabalhar o milagre, vou em busca de uma onde os profissionais saibam o seu papel e saibam que o seu papel está além do papel de um diploma, seja lá de qual titulação for. O papel real cansa, desgasta e a pessoa precisa refletir: para o bom funcionamento do meu profissional, tenho que ser uma pessoa preparada! Hoje em dia é muito fácil entrar num Mestrado e sair apenas com o título. E a vivência? E a experiência? E o pessoal?

Pois é, Peu, mexeu fundo em gente grande e com títulos maiores ainda... Gosto muito da escola, da professora, até do porteiro. Todos são comprometidos e competentes. Essa dupla nada dinâmica de coordenação pedagógica e psicóloga me deram a resposta que procurava: onde está o problema? É uma hipótese muito mais próxima do bem provável...

A escolha da escola ideal é saber ver o limite de ação dela, sem deixar de reconhecer todo o mérito que ela tem, sim. Entender que existem coisas que se baseiam em valores que não combinam com o da instituição é que confunde e fica a pergunta: o que faz lá? Se estão ali, estão ali. O que vejo é uma relação desgastada e ego ferido... como não sou perita no assunto, muito menos psicóloga, só suponho... Como pessoa, antes de tudo e como mãe, nesse meio tempo, preciso dosar razão e emoção para tomar minha mais sensata decisão. Nem pisquei quando pensei em matriculá-lo lá, mas, penso em tirá-lo... isso é bom. Consciência e abertura de visão fazem parte, afinal, não se trata de querer que me agrade ou supere minhas expectativas. Eu sei bem quem e como age o meu pequeno, portanto, não sou o tipo de mãe que acha que o filho é um santo... mas, sei que o meu também não é o demônio. E nem penso que só existam esses dois lados. Eu vejo o meu filho como um ser humano. E lido com essa realidade. Por isso, não esperava milagre da escola, nem obrigação em se comprometer... Deixei clara a minha postura e se eles estavam dispostos a dar continuidade, no que me garantiram que "sim!". Entretanto, se há uma política organizacional, onde está a prática dela? Onde está a coerência com as belas palavras? Na prática, a teoria é outra? Creio que essas novas profissionais - porque elas fazem parte do quadro há pouco tempo... creio que menos de 4 anos - não se deixaram atravessar pela missão, visão e valores da instituição... 

Em toda parceria existe a parte mais interessada - neste caso, eu - e esta parte precisa estar aberta e ligada, administrando tudo. Decidir faz parte. Mas, ser injusta, nunca!

Saudações maternais,

Pat Lins.

sábado, 14 de maio de 2011

DECISÕES EM MOMENTOS DIFÍCEIS

O quê fazer? Como fazer? Qual a melhor opção?

Bom, já não basta a surpresa ruim de não encontrar batimentos cardíacos no bebê, vem o dilema de o quê fazer? Como agir? Esperar, leve o tempo que levar? Intervenção médica?

De acordo com a última ultra - fiz ontem, sexta-feira 13, em outro lugar, totalizando 4 ultras em 3 lugares diferentes - não há novidades com relação ao batimento, nem evolução de nada. Não há caminho de sangue. Olhamos por vários ângulos e instantes. Colo do útero bem fechado. Pela experiência da médica e, de acordo com o que o exame apresenta, pode levar mais 3 semanas para que o aborto aconteça. Bate com o que minha médica falou, que poderia levar 1 mês para que meu corpo "expulsasse" naturalmente o embrião. Trata-se de uma angústia terrível: não sinto nada  e fico esperando "o" momento da mudança de quadro. Isso dá margem para que escute de um tudo, desde pessoas que conhecem alguém que teve hemorragia e dores insuportáveis, a pessoas que optaram por apelar para a intervenção cirúrgica, não sentiram nada e engravidaram, logo depois, sem grandes problemas. 

Aí, fico sem saber o que fazer. Como tomar a decisão certa se nenhuma é errada? Nenhuma decisão dessa será errada. Mas, de fato, conviver com a idéia de que meu bebê está morto, dentro de mim, não é agradável. Mas, pensar que pode ser algo que a medicina não saiba, também passa pela minha cabeça. Farei outra ultra semana que vem... é o que me cabe fazer... Mas, não nego que crio expectativas - lembre-se, eu também sou humana e sonho com milagre, quem não sonha?! - de que tenha sido qualquer coisa e se escute os batimentos. Se ele crescer, semana que vem estiver maior, pode ser uma prova de que tem algo estranho, mas, que ele esteja vivo... Esperar o movimento natural me dará essa certeza, de que estava morto, mesmo. Mas, esperar tanto tempo, vivendo dia-a-dia com receio do que possa acontecer, mesmo que esteja vivendo normalmente, esse receio fica martelando, sim. Como negar? A diferença é que não faço disso um entrave. Apenas, lógico, tomo algumas precauções: evito ficar sozinha em casa, com Peu, por exemplo. Meio óbvio, né? Mas, há quem acredite ser exagero meu. Paciência, faço o que penso que deva fazer. Falo do que algumas pessoas falam para que se saiba que minhas decisões e a maneira como me esforço para ser melhor não se trata de um caminho livre de obstáculos e dificuldades. Mesmo assim, sigo em paz.

Apesar de todo dilema natural, visto o contexto, meu coração está em paz, de verdade. Minha mente, sim, esta está em trabalho constante. Preciso refletir e neutralizar a agonia, em forma de pensamentos e audições... Minha mente está voltada para manter tudo em ordem. Não entro em acelerações, evito discussões... Escuto o que me falam e pondero assim: "é o que a pessoa sabe falar... será que agiria assim? muito mais fácil falar do que fazer..." e tento compreender. Não me exijo a obrigação da compreensão... tem gente que eu não faço a mínima idéia do porquê agem como agem, mas, sabe de uma? O problema não é meu. Assim, minha mente deixa de lado. Não deixa de ocupar meu tempo, onde poderia estar pensando em algo melhor. Mas, a vida é assim. Pessoas são como são e só cada um pode se ajudar e melhorar - caso queiram, né verdade? Mudar dói e requer muito mergulho em si, sem deixar de viver o tudo mais.

Enfim, manter o equilíbrio - ou se manter na busca dele, como é o meu caso... rs - requer muito equilíbrio.

Semana que vem, volto aqui para atualizar.

Saudações maternais e fiquemos bem,

Pat Lins.

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