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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

MÃE, FILHA DA MÃE... NATUREZA!

Imagem: Freeimages - Flower Series 1 - by flaivoloka's

Estava, hoje, refletindo sobre nós, mães... me deu uma vontade de ser piegas...

Somos babonas, bobonas, fortes matronas, somos guerreiras, somos frágeis, somos doces, somos brutas, somos azedas... somos gente e somos bicho!

Somos razão e emoção, todo dia, na corda bamba.

Somos capazes de compreender tudo, menos ataques gratuitos aos nossos pequenos, né assim? Em geral, carregamos nas tintas, mas somos capazes de ser uma fera quando precisamos proteger nossa prole. Discordo do discurso de que toda mãe deve passar a mão pela cabeça do filho e deixá-lo fazer tudo o que quer... meu filho além de não ser santo, dá um trabalho danado, mas isso não dá direito a ninguém de maltratá-lo, né assim?! Precisamos ser capazes de ponderar mais o real com as surtadas... Manter sempre a razão como norte e a emoção como combustível - e isso não quer dizer "não sentir", apenas que precisamos ser capazes de sentir sem perder o foco, tipo soldado na guerra, sabe, que mesmo machucado, luta pela vida sem se jogar no fogo cruzado ou agir sem estratégia... mais ou menos assim.

Pois é, a minha reflexão é sobre o desgaste natural do cotidiano. Hoje em dia, estamos assumindo um papel muito estranho... tudo tem que ser orientado por uma "super nanny" que entende de tudo. Sei que os estudos ajudam no direcionamento, mas há o que surge de novo e não foi estudado, porque, simplesmente, não existia. Há o que não se enquadra no estudo, porque este se baseia numa média, numa amostragem, ou seja, numa ínfima representação de um todo gigantesco. E me pergunto: quando nossos filhos estão fora da média - além ou aquém do padrão, ou ambos concomitantemente - quem pode socorrer, sem dar um soco em nossos estômagos já magoados por sermos humanas e trazermos nossas próprias demandas e por nos depararmos com críticas severas e sem fundamentos, apenas situações intimidatórias de pessoas pequenas que tentam mascarar suas própria incompetências.

Tanta coisa agindo sobre nós: cobrança, realidade, dia a dia, trabalho, contas, relacionamentos, família, sonhos, frustrações nossas, características individuais de cada filho, etc, etc, etc Pretérito mais que perfeito que somos e que já éramos antes de nascermos e que paira por aí, como inconsciente coletivo, como características das famílias das quais originamos... e, de vez em quando, vêm nos assombrar como uma explosão de emoções sabe Deus vinda de onde, no presente simples... Tudo tão vasto e complexo que ciência alguma é capaz de assegurar, com plena e convicta certeza o que é Ser Mãe. Um ser sem explicação. Fora os hormônios, o corpo modificado, a cabeça que se torna nossa e deles, que somos um portal aberto. Tanta coisa que somos para administrar sozinha o "peso" que nos dão ao nascermos mães. E, ao mesmo tempo, tão simples e belo, quando nosso fruto apenas sorri e diz:"mãe, eu te amo!". Nossa, o mundo muda de cor!

Vivemos em tantos ambientes, falamos tantas línguas, fazemos tantas viagens - sem sair do lugar. Precisamos nos especializar em tanta coisa, desde identificar o choro de sono, de fome ou de fralda suja e/ou molhada, até as sessões de psicoterapia em altos papos cabeça com essas criaturinhas - que sempre serão "inhas", mesmo vendo-os, com os olhos da realidade, crescer, sem podá-los, sem infantilizá-los, mas cá dentro de cada uma de nós, são aqueles pequenos que carregamos quando mediam o tamanho do nosso antebraço. 

Fiquei pensando, se até a Mãe Natureza cansa, sofre e se desgasta com os ataques incessantes que direcionamos - nós, seres humanos em geral - para ela, imagina nós, mães filhas e parte dessa mesma natureza? Sim, somo animais, somos natureza, somo mais e muito mais! Mas, também somos o menos, o que perde, o que acumula resíduos tóxicos de dor e lamento, do "eu não consigo" até entender o "não depende de mim". Somos nossas partes que não se renovam e somos as partes renováveis do novo que surge agora!

Somos muito massa, velho!

Detalhe que somos mães, mas nunca deixamos de ser filhas! Por isso, deveríamos entender mais nossas mães e nossos filhos e a nós mesmas!

Não somos mágicas, mas parece que sem ela, não funcionamos: a magia da vida!

Somos uma combinação dual e concomitante de dor e alegria, tudo ao mesmo tempo, agora!

Somos trágicas e somos comédias! 

Somos o colo que acolhe e a cara a tapa para vivermos o dia a dia!

Somos o ouvidos que tem que escutar que somos inconvenientes - quando somos e, francamente têm mães que exageram nisso e não cuidam das próprias carências... se não cuidam, a tendência é piorar e envelhecer assim... depois, não cobrem dos filhos aquilo que nem você é capaz de ser: melhor!

Somos olhos para ver as quedas, as superações, as marcas e arranhões e as cicatrizes que sabemos muito bem, para sempre, como e quando aconteceram, enquanto eles apenas têm uma vaga lembrança ou sabem porque contamos, né assim?

A gente tem que lembrar do que importa e esquecer do que não vale a pena!

Essa é minha rotina de mãe, uma mãe especial, de um filho mega especial!

Essa é a minha rotina de gente que sou.

Somos humanamente heroínas, porque com um limão, se não der para fazer limonada, fazemos água aromatizada!

Somos PhD em tentar entender, meu filho! Mas, e quem nos entende? Somos o que a ciência não explica, mas a Mãe Natureza e o Pai do Céu nos entende!

Saudações maternais,

Pat Lins.



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O MAIOR DESAFIO DE SER MÃE NA PRÁTICA...

Imagem: Google
Gente, na vida a gente precisa ter cuidado com o que se dispõe a fazer... Quando falamos em respeitar os filhos como eles são é sério, mesmo.

Para romper com todas as normas, com tudo que nos é imposto em forma de cobrança de perfeição, hoje em dia, ser mãe é estar sempre "hiper vigilante" - como está na moda essa expressão e eu adorei, porque é o que vivemos, é uma adrenalina que não cessa, que não tem tempo e espaço para baixar.

Nossa, entender que determinados desafios que passamos não é fracasso, é apenas o que é é simples, mas dói em tanta parte no corpo de vez que a gente não sabe precisar de onde vem e para onde vai.

Com Peu,acabei abrindo tanto mão da minha vida, para cuidar dele, que é como se fosse minha vida, também. Nossa vida, nossas vidas. 

Por ele eu sou capaz de fazer tanta coisa, principalmente APRENDER. Ele me obriga - algumas vezes de maneira dolorosa, porque bate numa dimensão orgulhosa e vaidosa... - a sair do lugar comum do discurso pronto e viver na prática, ali, aqui, no real, na hora.

Graças a ele eu me resgato. Ele me obrigou, no melhor dos sentidos, em me assumir, em aceitar minha veia artística que está se manifestando, após tantos anos adormecida, que nem lembrava que tinha.

Aquilo que mais venero, que é o amor que tenho pelo mundo literário, o mundo mágico da fantasia - com consciência do que é fantasia e do que é real... e outras vezes, um desejo doido de que o real fosse fantasia, que até fantasio, para aliviar o peso... - que me fora despertado desde menina, tem nele, mas do jeito dele.

Pedro tem me ensinado e custei a entender, a apreender que ser mãe é ajudar o filho, mas que o filho é um indivíduo e um indivíduo especial. Saber respeitar o filho em seu ritmo deveria ser mais fácil, mas ele diz: "eu sou como sou! Eu sou quem eu sou!".

Graças a ele, aprendi esse caminho da blogosfera para me ler, me escrever, me (re)encontrar.

Tarefa desafiadora ser mãe e ter que lutar para salvar o filho. Salvar do quê? "Perigos sempre hão de pintar por aí...". 

Sou grata a tanta gente nesse processo de crescimento e tenho que lidar com o que fizeram irresponsavelmente com ele, no ano passado e com as sequelas e marcas que o impediram de ir além. Justamente quando estávamos numa crescente, a equipe da escola, que nunca reconheceu as falhas nas ações, puxou a corda. Mas, agora é passado e o presente é que importa.

Estamos seguindo e cada pequeno avanço, vibro! O desbloqueio leva tempo e tempo é o que darei ao meu filho. Tempo de ser quem ele é. Tempo e espaço para crescer. E isso é o que conta. Apesar da dor da sensação de "poderia ter feito mais". A gente sempre quer que o filho se enquadre num patamar de perfeição.

Pois, mesmo com as dificuldades de Pedrinho, ele me fez o maior favor: me fez sentir a vontade de adentrar o mundo literário e estou a caminho, filho!

A vida é dual, né verdade?

Justamente por isso, tenho vindo pouco aqui, interagir com as outras mães que me dão apoio nessa troca saudável de experiências.

Em breve volto com novidades!

Saudações maternais,

Pat Lins - fracasso é nem tentar! Tentar, mesmo que não consiga, é meio caminho para o sucesso de se alcançar a vitória!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

MÃE NA DOSE CERTA (?)


Eu gostaria de saber se existe mãe "na dose certa".

Nem sempre acertaremos, mas, tentar é um rumo. Reconhecer o que deu certo e manter. O que não deu: refazer, reavaliar, recomeçar!

Ser mãe é ser administradora holística - gosto de lembrar que holístico significa totalidade. Considerar o todo levando em consideração as partes e suas inter-relações - e desenvolver essa capacidade na medida exata é o maior desafio. 

Somos estigmatizadas como "leoas", "corujas", "feras", "cegas", "super protetoras"... e nós mesmas alimentamos esses estigmas. Como? Sendo "leoas", "corujas", "feras", "cegas", "super protetoras"... Podemos lidar com isso de maneira melhor. Podemos observar quando "ver demais" cega nosso bom senso ou quando "ver pouco" nos faz querer ver o que não existe de fato. Entender que conhecemos bem nossos filhos quer dizer que "até aqui, tudo que ele me mostrou eu sei como ele é". Mas, ele pode e é mais do que mostra e do que somos capazes de ver. Tanto "mais" para mais, como "mais", para menos...

Eu sempre me "gabei" por "saber" quem meu filho é: uma criança capaz de tudo! Mesmo assim, me peguei exclamando: "não acredito!". 

Existe um momento onde interagimos com o que interage com nossos pequenos. Chega uma hora que a interação sincera é diminuída pelo estigma. Não me veem; nem veem meu filho... veem a imagem de "mãe" como ser problemático e insatisfeito, que só pensa em seu lado e do "filho" como criança problema, da mãe que não o vê como é. 

Lidar com os estigmas é que se torna problema. Somos humanos e, mesmo nas relações profissionais, são as emoções humanas que estão presente. A razão tenta colocar uma ordem. Nesses momentos, o que "é" fica relegado ao que pensam "que vem sendo" e, se quem estiver no comando perder o rumo... tudo desanda. E a criança sofre as consequências. 

Ser presente demais na escola remete a desconfiança, quando, na verdade, era a mãe parceira dizendo: "conte comigo, estou aqui, mesmo!". Em meu caso, soou como a maioria das mães que só está lá para "criar caso". Bom, toda mãe que está presente é chata. Toda mãe ausente é negligente. Qual a dose certa? Me limitei a entrar e sair, sem emitir mais comentários. Eu, Patricia, não sei ser pela metade, sou inteira onde estiver. Sou eu como sou. Raramente "estou", geralmente, "sou". Minha cegueira é a preocupação em ver o progresso do meu filho e no que posso ajudar. Nunca quis ser invasiva, mas, devo ter sido... Enfim, me questiono: existe "mãe na dose certa"?

Se existe, quem determinou os critérios e parâmetros? Como medir? Quem mede? 

Mãe na dose certa é o que cada uma consegue ser. Quando percebi que estava sendo invasiva, como atitude de redenção, dei espaço. E a verdade emerge do tempo e espaço respeitados. Emergiu! Onde estava o erro ficou evidente. A solução, na hora certa, em tempo, surgiu. Tive que lidar com minha dose de orgulho em querer escutar um feedback positivo. Na escola, toda vez que Peu "errava", me ligavam. Reuniões para dar feedback negativo eram marcadas. Para mim, fazem parte e tinham uma intenção reguladora. Mas, não entendo porque o ser humano só gosta de reforçar os aspectos negativos. Por que quando se consegue alcançar um resultado positivo, esse retorno não é dado com a mesma presteza? Não merece atenção? Não tem importância? Me recordo de um colega que afirmou que suas lembranças da escola são dos dias em que sempre chamavam a atenção dele para as notas baixas e nunca recebeu elogios pelas altas... Talvez elogiar as altas e dizer: "o que podemos fazer para melhorar as outras?" estimulasse uma mudança positiva no quadro. Mas, não. Segundo ele, as notas boas eram tidas como "isso não importa. O que importa são as que você não atingiu a média". Aí, uma mãe vai e questiona essa atitude - não digo gritar, derrubar o mundo... mas, conversar - e sai como "chata", onde "só mãe mesmo... elas não entendem que atrapalham mais os filhos do que pensam". 

Não sabia que teria esse tipo de pensamento um dia. Precisou a escola de Peu - aliás, parte da equipe da escola de Peu, porque justiça seja feita, há uma outra parte que entrou para dar a diretriz e somar, restabelecendo uma parceria quebrada por essa parte da equipe, que além de não somar, conseguiu diminuir o que já havia avançado - pisar na bola para eu poder ver mais dele. Eu que "conhecia" meu filho, e, por saber que ele era muito "teimoso, desobediente e etc", sempre recebia as queixas como "legítimas", afinal era como o via, também. Hoje, vejo que a mesma mãe que ajuda, também atrapalha. Por ficar bitolada na imagem estigmatizada, não via o descaso se instalando. Apenas uma sensação... Mas, um alarme soou em mim: "tem algo errado ali". Não queria levantar culpados, queria ver como acertar lá, do mesmo jeito que estamos acertando em outros ambientes. Não era o mesmo objetivo. 

Enfim, tenho aprendido muito a ponderar. Dói ver que nosso filho foi subjugado e estava desprotegido. Isso explicava certas atitudes dele em não querer estar naquele lugar com algumas daquelas pessoas. Deu tempo de ver a tempo e de agir remediando. Voltou a andar e de uma maneira nova. Um novo Pedro surge. Um novo e ainda mais lindo Pedro cresce! Vi que nosso elo precisa estar cada vez mais unido no sentimento maior e mais lindo, o único capaz de remediar e dar seguimento em qualquer situação: o amor! Estamos mais unidos. Sei que ele é capaz de aprontar. Sei que ele é capaz de não aprontar. Sei que ele é capaz e muito capaz. Sei que mãe não tem que se doer, tem que agir com bom senso. Uma coisa eu sei: a gente é passional demais. Mas, por um lado, isso é bom. Por outro, excede na dose. Não exijo de ninguém a responsabilidade que é minha. Sei o grau de dificuldade e desafio que é educar uma criança mega inteligente e mega questionador e testador de limites, como meu filho. Mesmo assim, estou encontrando um caminho de refletir e deixar a dor do orgulho ferido se diluir e aproveitar o que andou para frente. Fico atenta. Não sei ser na dose certa. Nem sei que dose é essa. Faço assim: vou trocando idéias, que acalmam meu coração e clareiam a mente e me guiam para as soluções. Decisões à vista! Mais um tempinho e o ano termina. Ano que chega... Penso em manter, afinal houve tanto empenho para corrigir. O orgulho só atrapalha. Se o saldo é positivo, é daqui para a frente. O que passou, deve ficar lá atrás, como lição - para ambas as parte! Eu penso assim. Estou quase sentindo assim. Já, já, agirei assim. O resto, eu não sei. Mas, da minha parte, farei o que for possível, como sempre: sempre presente, na dose Pat Lins, mãe de Pedro, de ser!

Pedro, sua mãe está aqui, ao seu lado, sempre! Estigmatizada ou não. 

Mãe na dose certa deve ser assim... tentativa e erro. Acertando. Errando querendo acertar. Consertando quando vê que errou. Seguindo. Meu erro, desta vez, foi não ter sido mais enfática antes. Mas, a hora certa chegou. É o que importa, no final das contas! Eles estão consertando, também. Cada um com seu quinhão de responsabilidade. E a consciência de quem fica? Não sei... não tenho feedback... Não sei porque as pessoas têm tanto medo de feedback positivo. Só reforçam o negativo! Desisti de marcar uma reunião, na escola, por medo da reação dos egos envolvidos e de ser tachada de "chata", por não ser grata ao que já está em andamento. E haja exercício de compreensão. Eu estou aprendendo. O resto? Sei não. Cada um sabe o seu caminho. É, a escola dos nossos filhos nos ensinam grandes lições, também, nem que seja por caminhos tortuosos como este vinha sendo! Enfim, a prova de que todo mundo tem um bom potencial a ser desenvolvido e merece é oportunidade e boa vontade de se tentar algo novo e diferente. Quem carrega a arrogância de se achar no topo faz isso, leva alguém para o buraco para justificar sua necessidade de provar que seu erro estava certo. Graças a Deus, uma alma iluminada salvou meu filho desse ambiente. E a essa mulher serei eternamente grata!

Mãe na dose certa deve ser isso, no final, avaliar a agradecer pelo saldo positivo, sem fazer barraco... na classe! Em meu caso, depois de bradar e me debater de raiva, agir com ponderação e maturidade. É, com balanço eu encontro a minha dose certa!

Maternidade é empirismo, não ciência exata! A gente aprende à medida que faz!!!

Saudações maternais,

Pat Lins.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

MÃE - NUNCA ERRAMOS (?)


Quem nunca errou que atire a primeira pedra!

Quem já identificou um erro, que se atire a corrigir!

Quem já errou, levante-se e siga, de mãos dadas com todas as mães mortais e humanas!

Quem erra é humano. 

Quem conserta o erro, diluí a culpa, enfrenta o medo de não acertar, enfrenta a cobrança alheia dos que julgam-se superiores e acaba entendendo que errar faz parte do processo de quem tenta!!!

Que consigamos acertar mais e mais vezes, após cada erro detectado. A redenção é entender e aceitar que fez o que era capaz e ter consciência de que é capaz de fazer mais, daqui para frente.

Quebremos as algemas do medo que nos impede de ser mais e seguir para o alto e além!

Somos mães, somos mulheres, somos pessoas, somos HUMANAS!

Saudações maternais, mães na prática diária,

Pat Lins.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

LIMITES DE UMA MÃE: RECARREGAR.


Ser mãe é reconhecer que nós temos limites como todos os seres humanos. 

Nem tudo a gente é capaz de mudar. Mas, tenha certeza, uma Mãe, de um tudo é capaz de fazer!

Os resultados podem não depender exclusivamente de nós, mas, isso não nos faz acomodar e "deixar rolar". A gente, corre junto! A gente sofre junto! A gente se esforça, até mais - principalmente, por termos mais experiência de vida e o compromisso vital da responsabilidade de firmar a base de um novo ser. 

Nós não somos responsáveis pelas escolhas dos nossos filhos, mas, somos responsáveis por eles e por mostrar-lhes, com nossos exemplos práticos, que toda escolha requer consciência e que cada escolha implica numa consequência.

Toda pessoa tem seus limites. As mães têm que, não só, identificar os seus limites, como saber como lidar com cada um deles e agir na superação. Assim, nosso limite é entender que os temos e batalharmos para deixarem de ser. Sempre indo além! Junto! Renovando! Reinventando! Refazendo-se! Recarregando-se. Não temos baterias inesgotáveis. Temos baterias recarregáveis! Recarregáveis no dia a dia. A cada segundo. Eu canso, mas, renovo! Quem disse que mãe não se cansa? O que a gente faz quando é precsio fazer algo é que faz a diferença.

A super mãe é assim: capaz de se refazer, sempre! A gente nem sabe como, mas, do início ao fim, da conta... Tem que dar... Vai dar...

Saudações maternais,

Pat Lins.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

MÃE: FADA E BRUXA

Imagem: Sonhos e Crochês
O maior dilema de "ser mãe" é aceitar que somos fadas e bruxas!

Em verdade, eu penso que esse dilema não seja apenas das "mães", mas, do ser humanos em geral. Nós temos uma imensa dificuldade em aceitarmos que somos uma dualidade e não devemos nos culpar, muito menos nos limitar e acomodarmos a essa característica. 

Conversando com uma amiga - que tem o filho da mesma idade de Peu - ela me disse que ia levá-lo ao psicólogo porque ela não sabia como agir com ele... Ela temia que o filho ficasse com raiva dela... Tanto que ela me disse que a maioria das vezes ela faz o que ele quer, para evitar atritos. 

Um psicólogo não é mágico, muito menos Deus. Seria ótimo ela fazer terapia. Em geral, a maternidade nos aflora muito mais dilemas e conflitos internos do que conseguimos identificar. Eu tenho muitos dilemas - como todo mundo - mas, nunca houve em mim, uma célula, um átomo que me fizesse entender que o filho não pode escutar um "não". Eu sei que sou muito rígida com Peu e estou aprendendo a flexibilizar aos poucos. Uma grande amiga me alertou para isso em mim; refleti e concordei. Quando comecei a ser mais flexível e entender que Pedro não é doente mas é diferente, tem uma inteligência aguçada e uma cognição elevada, vi que eu teria que ser mais criativa. Mesmo assim, deixar o "não" nunca entrou em questão. Noemia sempre me diz que os limites a gente dá com exemplo, no dia a dia e que o "não" bem colocado é de suma importância. Isso me faz ver o quanto a gente se ilude acreditando que a maternidade, o ato e fato de parir, de colocar um ser no mundo traz junto o juízo, o equilíbrio, a serenidade e a capacidade de acertar sempre. Se a gente não aceitar essa questão com consciência, seremos "amiguinhas" - no sentido de ser criança, da mesma idade - dos filhos. Mãe é autoridade e isso não é falta de amor, muito menos uma desculpa para o autoritarismo. Pai e mãe são as referências dos pequenos. Se a gente não sabe ouvir e receber um "não" como parte - só podemos escutar "sim" ou "não" -, como vamos saber dizer para os filhos? É bom fazer terapia, se conhecer e se permitir crescer como pessoa, sempre, principalmente, como mãe.

O filho dessa minha amiga ficou uma tarde comigo e Peu. Começou a chover e pedi que ele saísse da chuva e se protegesse na parte coberta. Ele me mirou com uma raiva e disse, com os bracinhos de pingo de gente - seria muito cômico, se não fosse a seriedade que ele deu... - abertos: "eu não posso fazer nada?". Fiquei perdida... "Como assim, 'não pode fazer nada'? Você quer brincar na chuva e ficar todo molhado? Aí, você é quem sabe... Eu prefiro brincar na parte coberta e, quando a chuva parar, eu vou para a parte aberta.". Ele me fitou com muita raiva. Fez um bico enorme e chegou perto de Peu e disse alguma coisa sobre mim e deram muita risada. No mínimo, me chamaram de bruxa ou algo parecido. Vi que, mesmo assim, Peu não ia na onda do colega, ele me via como autoridade. Lógico que resmungava, mas, acatava, mesmo o amiguinho dizendo: "você vai obedecer ela?". Eu sentei perto dos dois e perguntei: "Você não obedece a sua mãe? Peu, diga para ele, o que eu sou sua e a quem você deve obedecer e respeitar.". Pedro respondeu e o amigo não gostou. Disse que iria brincar com outros meninos. E saiu. Eu os deixei se resolverem com relação à brincarem um com o outro. E estavam juntos em menos de meio segundo. Ele queria era saber que alguém estava no comando, tanto que ele me tratou diferente depois, mais carinhoso e me perguntando mais as coisas. Eu penso que o fato de Peu falar: "peraí que vou perguntar a minha mãe, porque ela deve saber..." fez com que ele visse que a "mãe do amigo" era uma bruxa para o bem deles e uma fada, ali com eles. Vi que eles gostam da bruxa. Gostam de saber que é importante que a "mãe que diz não" esteja ali. Isso dá um limite saudável, assim eu penso e assim eles me fizeram entender.

Nessa tarde pude observar muita coisa legal. A gente brincou de muita coisa e tivemos "problemas" para resolver juntos. Ele gostava de correr e olhar para trás e me ver olhando para eles de longe. Expliquei que eles poderíam correr e brincar à vontade, desde que eu pudesse vê-los. No início ele relutou e se abaixava em alguns lugares para me testar. Eu assobiava e Pedro respondia: "tô aqui, mãe...". Depois, ele mesmo chamava Peu para brincarem mais perto de mim, sem que eu precisasse chamá-los. Foi uma parte muito interessante naquela tarde. Eu vi como meu filho me vê e como o amiguinho se adaptou rapidamente à minha relação de "mãe e filho" com Peu. Melhor, como ele gostou daquilo. É certo que toda criança acha a mãe do amiguinho mais legal, mas, ali, eu fiquei feliz porque não me fiz de boazinha, eu me esforcei para ser flexível e justa, mesmo assim, mostrando quem estava no comando, sem pesar na mão, nem no tom. E deu muito certo. Vi que todo mundo tem problema de relacionamento. Vi que toda mãe tem seus medos. Vi que toda criança testa o limite do adulto. Detalhe: não é a primeira vez que fico com mais de uma criança, mas, foi um dia onde pude perceber um monte de coisa, depois do comentário da minha amiga em "ter medo de como dizer 'não' sem traumatizar ou podar o filho...". O que pude dizer é que toda mãe erra e sempre vai errar, mas, também acerta e sempre vai acertar... Nós somos humanas. Nós somos falhas e imperfeitas de natureza, fazer o quê? Se ajudar a cada dia.

A cada dia posso ver que ser bruxa é a hora que a gente não deixa eles se machucarem, mas, eles sabem que somos as fadas protegendo-os naquela hora. Quantas vezes eu, criança, ficava com raiva da minha mãe, mesmo sabendo que ela estava com razão... Nunca passou do momento, aquela raiva. Sempre amei e idolatrei minha mãe. Mesmo repetindo algumas vezes para magoar "que eu ainda ia sair de casa para fazer o que eu quisesse...". Qual filho nunca disse isso aos pais? Agora, minha vez de escutar e entender que faz parte. Minha mãe sempre nos deu uma "liberdade vigiada". Podíamos brincar e correr à vontade, desde que no permímetro de visão dela. Limite. E a gente nunca deixou de amar aquela mulher. Aliás, é nossa - minha, da minha irmã e do meu irmão - até hoje. Eu pude amar minha mãe com muito mais liberdade, quando a vi como gente, como ser humano e como pessoa imperfeita. Mãe, também é gente, minha gente! Me lembro que ela me dizia: "quando você tiver seu filho, você vai me entender...". E é verdade. Mesmo que eu não seja igual a ela, entendo o que ela quis dizer. Minha mãe foi taxada de bruxa, quando nos dizia "não" e, pelo mesmo motivo, sempre foi a nossa fada mais linda! Ela sempre se multiplicou entre os filhos. Nunca se dividiu entre a gente. Talvez por isso a gente não saiba o que é inveja, ciúme ou esses sentimentos pequenos. Ela sempre nos colocou como iguais. Era justa. Hoje, é a "avozona" querida dos netos e dos amigos dos netos - assim como era com a gente: era a preferida dos nossos amigos, também! Mãeeee, eu te amo! - amo repetir isso!

Com amor e coração aberto a gente abre caminho para muitos lugares. Mas, engana-se quem acredita que demonstrar amor é nunca dizer "não"... Eu gosto muito de se honesta com Peu. Deixo bem claro que não sei de tudo, mas, a gente pode se esforçar para aprender juntos. Nessas horas, a gente vê o reflexo do que a gente ensina. Quando deixo Peu com meus pais ou com minhas tias, ele sempre pergunta: "posso pegar?", "posso fazer?", "obrigado!", "por favor"... e isso é legal, sinal de que mesmo me achando uma bruxa por ensinar isso para ele, ele sabe que é útil e correto e que faz parte da educação básica. 

Pois é, mães de plantão, nós somos as fadas, mesmo quando pensamos ser bruxas! Eles devem nos ver como uma bruxinha do bem. Tudo o que eles querem é se lançarem ao desafio de entrar na floresta escura, se deparar com o medo e saber que podem contar com alguém.

Saudações maternais,

Pat Lins.

terça-feira, 1 de maio de 2012

APRENDENDO COM PEPEU - HORA E LUGAR PARA TUDO

Obrigada, "Mister Maker", Peu te adora e você, com sua arte, tem me ajudado a liberar o artista que existe nele e, assim, ele canaliza a energia dele, sem correr tanto.


Uma vez, uma pessoa me disse: "deixa Peu que ele se vira. Pode deixar que ele é assim, elétrico, mas, sabe exatamente o que quer... Veja ele; aprenda com ele a lidar com ele...". 


Na hora, como ele estava correndo para lá e para cá, sem parar, eu fiquei agoniada. Estávamos na casa dela e ele correndo. Ela me fala, ainda: "ele é criança e a gente precisa respeitar cada criança como ela é. Se ele gosta e precisa correr, deixa e vê o que é que ele quer com isso...". O mais legal foi um arremate que ela fez: "o problema é que muitos adultos esqueceram que foram criança e querem uma criança engessada, parada e obediente, como um cão adestrado e chamam isso de educação...". Não quero com isso - e nem foi o que ela disse ou quis dizer - legitimar algumas atitudes de Peu - por ser criança e meu filho - que requer uma intervenção mais firme e uma imposição de limite e deixá-lo solto para fazer o que quiser... ele é uma criança. Destemido, inteligente, esperto... mas, criança. Que fique claro: ela se referia a mania dos adultos de não quererm escutar o barulho que uma criança faz; o falar alto de uma hora para outra; o rir e gargalhar inocentes; o fantasiar e agir como seu herói favorito... Lógico que tem hora para tudo e isso a  criança precisa entender. Entretanto, como eles podem entender algo que os adultos não colocam em prática? Se tem hora e lugar para tudo, por que quando alguns pais/mães chegam em casa, cansados do trabalho, esquecem que agora é hora de estar em casa e com os filhos? Fora quando levamos as crianças para os lugares para adultos e exigimos deles um comportamento de príncipe.

Sabe aquela reunião entre amigos, onde é só para adultos? Não tem com quem deixar o filho, melhor evitar, a não ser que sejam amigos mesmo, entendam e queiram tanto sua presença que adaptam a reunião para criar um clima e um ambiente para a criança. Do que adianta a gente querer levar o filho para lugares que não têm espaço para brincar e exigir deles que se comportem como um adulto e, pior, entendam que é seu espaço? Criança pede limite, mas, a gente tem mania de dar limitações. 

Eu, por não saber lidar com o temperamento de Peu, deixei de frenquentar muitos lugares para a idade dele. Parece que os pais/mães estavam mais dispostos a julgar do que a ajudar. Seus filhos eram santos e os dos outros, crianças mal educadas. Eu procuro ver Peu como ele é, mesmo não sabendo lidar com isso muito bem, eu sei quem ele é, não fico dizendo que o filho de A, B ou C é assim ou assado para fazer com que o meu pareça ser melhor. Tem uma mãe que conheço que o filho dela é um poço de "sonsidão". Era uma criança como outra qualquer, mas, a mãe tanto fez que o menino está insuportável. Ele é criança, corre, grita e brinca. Mas, cada grito que ele dá, a mãe diz: "que coisa feia, você está aprendendo isso com fulando, né? Só pode. Você não gritava assim ...". Mas, quando o menino começa a gritar, berrar e babar de raiva por não querer ninguém perto dele e só querer o parque para ele e já ter empurrado algumas crianças menores dos brinquedos alto, ela finge que nem vê. Pois, chegou ao ponto dele quebrar uns brinquedos - coisa de criança curiosa que desmonta e depois quer montar - e disse que ele havia quebrado e ela diz e manda ele repetir: "você não fez isso nada, foi algum coleguinha seu, não foi não? Você não é de quebrar nada...". O detalhe é que o menino - imitando naturalmente o pai - adora mexer com ferramentas, acha que está consertando e seus brinquedos são, na maioria, resultados desse trabalho: tudo quebrado aos nossos olhos, mas, consertados, aos dele. Agora, o menino aprendeu a mentir e inventar. Ele quebra e diz que foi a primeira criança próximo dele. E ela prefere acreditar. Hoje, ele tem 4 anos e já age assim com muita naturalidade. Isso é nem se  ver, quanto mais ver o próprio filho. Se lidar com a natureza, o temperamento e a formação do indivíduo e social já é um trabalho, imagina incrementando desse jeito?

Eu, por  muito tempo, culpava o meu marido, meu sogro, minha sogra, minha cunhada, a avó do meu marido e todos que percebia as características nele, por Peu ser agitado, teimoso e desobediente. Isso era cômodo para mim: alegar a natureza dele, tudo isso com o agravante dele ter a minha língua solta, pavio curto e minha capacidade de expressar bem e bem argumentar, faz dele uma coisa que eu acreditava não ter solução. Entender que Pedro é como ele é e que estabelecer limite a ele, justamente por ter essa natureza, é duplamente complicado e trabalhoso tem surtido mais efeito. Eu, antes, reclamava com ele e alimentava esses pensamentos de condenar os outros. Hoje, não reclamo com ele brigando com meus pareceres sobre essas pessoas, eu entendi que não preciso brigar com os outros em Peu, apenas, ensinar para ele que ele precisa canalizar esse gás e essa teimosia dele para o bem. Comecei a mudar, aos poucos. Não adiantava apenas impor. Era preciso fazê-lo refletir sobre. É preciso que eu entenda isso. Sempre tive o hábito de conversar com ele, entretanto, por trás de cada conversa, ia o que eu não falava, mas, sentia: a raiva pelos que condeno por terem as características que Peu herdou - o que mais me incomoda é que essas são as pessoas que mais falam dele... tipo "macaco não olha para o rabo", sabe?! -. Quando percebi isso em minha ações, percebi que eu não estava sendo nem imparcial, muito menos honesta com meu filho - nem comigo. Eu precisava conversar com ele sobre ele e suas ações, não sobre as ações dos outros. Minha mãe me dizia: "não fala isso na frente dele, porque ele vai achar que está certo e pode ficar com raiva dos parentes...". Minha indignação era minha para com aquelas pessoas e, quando via em Peu a presença de cada um deles, era com eles o meu embate. Raiva ele nunca ficou, mas, agia, na frente dessas pessoas, como essas pessoas. Era impressionante. Na casa da bisavó - a avó do meu marido - ele era a teimosia em forma de gente, tal qual a bisa. Com meu sogro, a eletricidade e aceleração tipo "the flash", tal qual meu sogro. Via que eu estava era reforçando essa imagem nele e isso estava comprometendo o comportamento dele. Foi fácil e de uma hora para outra enxergar essa minha falha enorme? Nada. Todo dia é um esforço novo. Tive que observar e avaliar o tempo que cada um consegue manter na presença de Peu - porque o oposto acontecia, também, essas pessoas, diante de suas imagens refletidas, ficavam tão incomodadas com a presença de Peu que demonstravam um stress iminente. Era o "time" de cair fora. Essas pessoas não têm a menor consciência de agirem assim e não cabe a mim fazer trabalho terapêutico com eles, primeiro por eu não ser profissional da área e segundo, porque eu não teria como dar suporte. A mim cabe administrar isso. Como? De tempo em tempo, durante uma tempo planejado e determinado entre eu e meu marido, levamos Peu ao convívio com eles, na hora do "go", levantamos, começamos a criar o clima de despedida e seguimos. Se estou certa, errada ou sei lá o quê, eu não sei e  ninguém tem como afirmar, afinal, tudo está envolvido com muito mais coisas. Faço o que está ao meu alcance e deixar que vejam que Peu tem suas características próprias, ainda que composto por partes de cada um, ele é ele. E assim, vão vendo Peu. Assim como eu precisei ver Peu.

A melhora se apresenta aos poucos. Não de maneira exata: mudei aqui, ele responde aqui. Não. As mudanças vêm gradativamente, em situações diversas. Inclusive, nos diálogos dele com os "filhos" dele. Transparece nas histórias que ele cria e pede que depois eu repita para ele. Está nas histórias que ele escolhe e pede para ler e repetir e repetir e repetir. Está na escolha do filmes, que, hoje, escolhe os mais educativos, por ele mesmo. Ele gosta de arte e os programas de arte são os preferidos. Vi que, nos momentos em casa, como não tenho babá e nem toda hora dá para descer com ele, premitir que tenha os momentos de criação ajudam a dar vazão à sua energia acumulada e que precisa ser gasta. Libero papel pela casa, cola, tesoura e lápis de todos os tipos e todas as cores do quarto dele até a sala e na varanda, desde que, assim que termine, junte o lixo e jogue no lixo; guarde o que não vai mais usar. Para isso, a gente arrumou o quarto e dispôs cada categoria de brinquedo numa caixa organizadora - já fazia isso com ele desde pequeno, mas, agora, ele interage mais e mostra entender a importância de procurar e saber onde encontrar - juntos. Certo dia, uma dessas pessoas enxeridas, chegou aqui em casa e viu aquele monte de papel espalhado - e, confesso, para deixar eu tive que me trabalhar, porque eu odeio bagunça, mas, se é a fase dele, aquela bagunça é funcional e tem as condições de depois colocar tudo de volta em seu lugar, eu preciso deixar e deixar com o coração aberto e entendimento - me disse: "ave maria, que menino bagunceiro" - como se a casa dela fosse organizada... se ela não sabe organizar a própria cabeça, imaginem a casa e a bagunça que o filho faz e ela prefere dizer que aquilo não é bagunça... - e eu disse: "Não. Ele é artista. Esse é o momento arte dele. Depois, a gente arruma tudo, porque tem hora para tudo nesse lar.". E é verdade. Lógico que como criança elétrica, esse processo é mais trabalhoso, tenho que lembrar que combinamos e, em alguns casos, ser bastante incisiva. No geral, entramos numa missão de arrumar tudo e vira brincadeira. Agora, é a fase dele com o pai. Bom, confesso que fico louca, mas, tenho que deixar, porque os dois bagunceiros juntos se batem muito para arrumar, mas, estão aprendendo a se entender. Espero que antes d´eu enlouquecer... (risos). Está sendo mais legal aprender com Peu. Entendi que eu não preciso ser mandona para estabelecer o limite. Minhas ações e como conduzo a educação dele é que falam. Precisei/preciso aprender a todo instante: vendo como os que trazem características parecidas agem e como as pessoas ao redor lidam com isso; observando as atitudes do meu marido e minha cunhada e a relação deles com os pais; observando como os meus pais agiram com meu temperamento e dos meus irmãos; como meus pais são; como outras mães e pais lidam com os próprios filhos; escutando o que me dizem e diluindo o pré-julgamento, antes que eu pense no que eles querem dizer, em vez de escutar o que estão dizendo; observo os que falam comigo como agem entre si, os seus e com seus filhos... enfim, estou sempre ponderando. Lógico que isso tem um preço e que cansa. Não fico em alerta e tensa demais, apenas, faz parte da minha natureza ter essa capacidade de observar e ponderar. Para mim isso não é esforço. O esforço em mim consiste em ter consciência do que coloco em prática. Têm coisas que realmente eu ainda não consigo. Têm horas que estou exausta. Eu não sou só a mãe de Pedro, nem a esposa que precisa permitir e orientar seu marido a saber lidar com o filho... eu sou uma pessoa, gente, de carne e osso. 

O bom é que estou tendo a oportunidade de aprender muito mais sobre mim, aprendendo a respeitar o pequeno indivíduo em formação em minha frente. Não estou afirmando que filho sirva para isso. Pelo amor de Deus! Para depois um bando de mulher sair parindo por aí e colocar no mundo crianças com essa missão... Não foi para isso que quis ter meu filho. A gente precisa se cuidar - como vamos ao médico e fazemos exames para monitorar nossa saúde física - com ou sem filho. Senão, bastaria ser mãe para evoluir... E quantas mães conhecemos que são mais crianças que os filhos? Eu estou aproveitando a oportunidade de crescer na Vida e isso me faz passar isso para o meu filho. Todo mundo sai ganhando. Essa troca virtual, aqui no universo virtual materno, tem ajudado bastante. Quem me conhece na prática sabe que o que escrevo aqui é o que estabeleço em minha vida prática. Por isso: mães na prática. Porque na prática, a teoria é outra.

Tudo é aprendizado diário, inclusive ser mãe.

Este é o nosso mês de homenagem, porque todo dia é dia de índio, de negro, de branco, de homem, de mulher, de criança, de adulto, de pais, de filhos... de todo mundo! Todo dia é dia de começar. Portanto, mães, aproveitemos para captar essa onda de bons pensamentos e mudemos nossos padrões de pensamentos castradores de nós mesmos e sejamos mais leves, deixando essa mensagem para os nossos pequenos. Quem sabe assim, possmos colaborar com uma melhora significativa nesse mundo de meu Deus! 

VAMOS DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO! Começando por cada uma de nós!

Saudações maternais,

Pat Lins.

PS - Não sou partidária de deixar a criança na frente da TV o dia inteiro. Há de se ter hora para tudo. Nós temos uma rotina e a TV, os jogos eletrônicos e o computador têm hora e espaço, também.

quarta-feira, 14 de março de 2012

QUERIA SER A MÃE "PERFEITA", MAS SE EU FOSSE, NÃO EXISTIRIA...

Tem dias que me sinto um fracasso como mãe... Por mim, Pedro seria uma criança perfeita e se ele não é, a culpa é minha... Mas, veja, se isso lá é maneira de pensar?

Olha, entender que um filho é como é e tentar saber lidar com isso é cansativo, mas, desistir nunca! 

Ele é uma criança maravilhosa, inteligentíssimo. Este, entretanto é o meu maior problema: a inteligência dele. Educar Peu requer uma firmeza que, mesmo para uma pessoa de natureza autoritária como a minha, é puxado! Eu tenho que me desdobrar e ser mais criativa do que ele. Uma coisa que aprendi é que não adianta ser dura, tenho que ser firme, mas, lidar com o lúdico para atingí-lo com eficiência. Ele se diverte com as histórias que criamos juntos. E os personagens que sempre são características nossas? Vejo quanta riqueza ele tem dentro de si. Em meio às histórias, consigo mensurar e ter um feedback do que ele apreende em nossa relação. Mesmo assim, não entendo o comportamento dele na escola e diante de algo que sai do controle dele. Fica irritado e agressivo. Ele não adimite estar errado. Daí, me dizia que não queria escrever o nome porque ficava feio. Expliquei que não é feio, é a letra de quem está aprendendo. Como a professora e a psicóloga me explicaram, devo deixá-lo escrever do jeito dele. E está melhorando. A gente pensa que ajudar um filho é fazer por ele... que nada, ajudar um filho é estimulá-lo a superar suas limitações. 

Aos poucos, ele está entendendo que um comportamento agressivo afasta as pessoas que amamos e que nos amam, porque ninguém quer ser atacado o tempo inteiro. 

Essa noite, ele dormiu sem o travesseiro dele de estimação - não o larga para quase nada... - e eu disse que o travesseiro estava triste com o comportamento dele na escola e foi ver a mãe, dizendo que só voltaria se ele melhorasse o comportamento. Meu Deus! Pedro chorou, com tanto sentimento. Me mantive firme. O pai quase cedeu. Eu pedi que me deixasse tentar e o pai concordou. Até escrever bilhete para o travesseiro voltar ele quis. Para quem estava com preguiça de escrever... Não foi fácil ver o sofrimento e dor em suas lágrimas, mas, se a gente se deixar levar por essas emoções passageiras, não alcançamos um nível de pensamento mais forte que é ver meu filho se encontrar e saber lidar com as perdas por conta do seu comportamento. Certa ou errada nunca saberei... Entre mãe e filho não há como ter essa fórmula de sucesso, tipo "não há bônus, sem ônus". Minha mãe nunca teria feito isso conosco... Outra mãe, também não faria. Outra faria. Só vivendo nossa realidade é que podemos saber o que deve ou não ser feito. 

Engraçado foi ele me dizer: "mãe, pensei numa coisa: travesseiro não tem dinheiro..." e eu, fingindo não entender, perguntei: "para quê dinheiro, filho?" e ele, na bucha: "ele não tem como comprar o 'ingresso' do avião... como ele foi para a casa da mãe dele?". Aha! Mãe tem que estar pronta para tudo, né? Eu respondi: "e quem disse que ele foi de avião para a casa da mãe? No país dos travesseiros é diferente". Ele se deixou levar e viajou: "país, não, no MUNDO dos travesseiro. Eles moram em outro planeta e vêm para cá para cuidar das crianças, abraçar, dar carinho...". Sei que veio, ficou abraçado comigo, como ele gosta, e me disse: "mãe, eu amo muito você e meu pai". Fechou os olhinhos e cedeu ao sono, sem o travesseiro. Ah, expliquei que o amigo travesseiro vai voltar, assim que ele melhorar o comportamento e ele me disse: "já ia ficar chateado com ele, mas, entendi: depende de mim, né?". Bom, se estou certa ou errada, não tenho como saber, mas, que tocou nele, tocou. E esse era meu objetivo.

O mundo de uma criança é muito maior do que o mundinho das "pessoas grandes". Leio o "Pequeno príncipe" para ele e estou gostando e aprendendo como ele. Li quando era criança. Li depois de adulta. Mas, ler para Peu tem outro sabor. Ver como ele curte nossos momentos de leitura é tudo de bom! Eu penso que isso será mais forte do que o temperamento dele. O pai dele, uma prima de segundo grau do pai também eram assim, tinham essa agressividade e agitação e hoje, nem parecem... O que sei é que estou ao lado dele e orientando-o da melhor maneira que consigo, com entrega, dedicação e cuidando para não cobrar dele um retorno. Vejo mães que se dedicam falarem: "eu faço tudo por meu fiho..." num tom de que: "espero que me retribua...". Eu digo a Peu: "tudo que eu quero é que você seja feliz e ninguém pode ser feliz levando tristeza para ninguém.". Eu acredito piamente que ninguém pode fazer ninguém feliz, que isso é estado de espírito, mas, se você alcança esse estado, com certeza, ajudará muita gente a ser, também. Ninguém pode ensinar o que não tem. Quando falamos em amor, falamos em amor verdadeiro, que quanto mais dá, mais tem. Honestidade e clareza fazem parte da nossa relação. E eu amo muito o meu filho. Mas, de nada adianta se eu não souber me amar como devo. 

É isso, vivendo e aprendendo que não existe perfeição. Se eu fosse uma mãe perfeita, eu não existiria, porque não existe essa mãe perfeita, todas somos humanas e ser humano já traz essa característica da imperfeição de sempre ter algo a aprender.

Saudações maternais para as mães reais,


Pat Lins.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A ARTE DE EDUCAR - Por Laís Câmara

Era para escrevermos um texto a quatro mãos... nasceram dois textos com uma mesma mensagem! Pedi a minha querida amiga, Laís Câmara - Naturalmente Lai - que escrevesse comigo sobre "A ARTE DE EDUCAR". Mas, gostei tanto do que e como ela escreve(u), que em respeito a essa mensagem rica e reflexiva para nós, publiquei na íntegra o dela e o meu, passou a ser "O QUE CHAMAMOS DE EDUCAÇÃO, EDUCA MESMO?".

Laís Câmara, muito obrigada! Cada colaboração sua nos enriquece. Assim, somos "Mães na Prática" com mães na prática desse blog! Obrigada a cada amiga mãe, pelos e-mails com sugestões e colaborações.

Segue o texto:


A ARTE DE EDUCAR
                                     por Laís Câmara

Fomos acostumados a não pensar, e se não pensamos, agimos como “máquinas”, repetimos e repetimos e nem nos damos conta de procurar o porquê do produto final “solar”. Uma criança, definitivamente, não é como a outra, parece óbvio, mas nos pegamos generalizando às vezes e usando as mesmas receitas, e quando o beijo, ou o bom dia, ou o abraço, ..., não aparecem como “deveriam”, o que há com a criança? Educar para padronizar, educar para se orgulhar, educar para que?

Enquanto mãe, admito que choro com cada passinho básico e “bonito” de minha filha, acho que isso é algo até normal, mas me pego pensando em mim e nela, e como ISSO é bom...porque se penso em mim, percebo quais os efeitos daquelas lágrimas em mim, por que é importante pra mim a tal ponto? Será só vaidade? Se o passinho dela fosse oposto, seria “bonito”? Isso ajuda a diagnosticar muita coisa e tomar decisões muito mais racionais. Educação, na minha opinião, é avaliação e amor.

A avaliação é geral/integral, é você pensar. Sim, o hábito de pensar deveria ser constante, pensar de forma interrogativa, buscando diagnosticar, para a partir daí tomar decisões. E quem deveria fazer essa avaliação enquanto responsável e criança? Acho que você já tem a resposta, ambos; talvez não saiba como fazer, mas a criança sabe, ela está aberta, principalmente quando bem pequena. Taí...; a resposta é – pensando. Por exemplo, ler é bom, mas porquê? Para que? Quando? O que ler? E as respostas? Você pensou ou recebeu? Pense, educação é isso! Faça pensar, deixe-as pensar! Provoque, liberte, seja mediador, interrogue racionalmente, são atitudes generosas com você e com a criança! É bom deixar claro, como diz Cipriano Carlos Luckesi em seu artigo Apontamentos para uma visão integral da prática educativa : “...Há que se dar suporte para que cada criança, cada adolescente e cada adulto aprenda a estar atento à sua dimensão interna (estética), à sua dimensão comunitária (ética) e à sua dimensão cognitiva (científica), assim como a estar aberto e aprender a acessar, na medida do possível, seus diversos níveis de consciência...”. Dar suporte para aprender a estar atento e aberto...como fazer isso? Pensando, sobre como educamos, o que é educação e para que existe a educação.

O amor/afeto na educação, é como mais um espaço, que, sim, caminha entrelaçado com a prática educativa, porque, por exemplo, muitos não conseguem desenvolver uma atividade simples, como namorar, dormir, arrumar uma casa, ler um livro, ..., se o emocional não nos(adulto e criança) permitir.  Leonardo Boff diz em seu livro “A águia e a galinha”, que a paixão é que move a águia, o seu desejo maior é que direciona sua vida, ao contrário, nos tornamos galinhas, ciscando e olhando pro chão. Ou seja, o afeto nos permite educar e ser educados com satisfação.

Isso é educação significativa, mas, por outro lado, no geral, vamos destroçando nas crianças o desejo de aprender, vamos impondo o tempo inteiro. O momento da alfabetização, que deveria ser livre e particular, por exemplo, é encaixotado de presente para os pais, de forma camuflada, pela obrigação e ilusão de sair lendo e escrevendo, deixa-se o grafismo de lado, por exemplo, vai se perdendo o gosto pelo desenho, deve-se ler e escrever; e o rebuliço que fazemos com essas crianças, que aprendem a se tornar “malandrinhas” para satisfazer os desejos dos pais!!! Nisso também vemos “beleza”...Vamos pensar, vamos deixá-los viver e vivermos com eles curiosamente! 

Laís Câmara - mãe, mulher, pedagoga, educadora com amor e respeito.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O QUE CHAMAMOS DE EDUCAÇÃO EDUCA, MESMO?


O que entendemos por “educação” é, realmente, educativo?

Sabemos o real significado da palavra EDUCAÇÃO? Existe apenas um significado? Como saber se estamos sabendo educar nossos filhos? É possível saber tudo isso? O que cabe a nós, enquanto mães, pais, avós, avôs, tias, tios e etc, fazer para dar uma “boa educação”? Existe uma educação completa, perfeita?

Quantas e quantas de nós, mães, repetimos essas e outras inúmeras perguntas? E quantas de nós conseguem responder TODAS?

Todas, todas, impossível responder, mas, manter-se aberta durante o caminho do aprendizado e ensinamento pode ajudar a compreendermos que trata-se de um processo constante e para a vida inteira. Ajudou? Eu sei, piorou! Confundi mais do que expliquei.

Venho me questionando, há tempos, muito antes de Pedrinho nascer, sobre o que a maioria das pessoas entende pela ARTE DE EDUCAR. Sim, uma arte. Como toda arte, requer um artista para trazer para fora o que já está dentro. Ou seja, dentro de cada um de nós – incluindo nossos filhos – existe tudo o que procuramos. Existe também o labirinto que nos perdemos. Nossos sentidos nos limitam ao que vemos de concreto. O que não conseguimos ver, não deixa de estar lá, esperando.

Vou tentar ser mais direta ao tema com relação a educação “mãe/pai/adulto responsável – filho/responsabilidade”.

Tem muita gente que acredita ser/dar uma boa educação como unicamente, educação alimentar. Outras, focam em colocar a criança em diversas atividades, para ocupar o tempo de maneira produtiva e “educativa”. Há quem afirme que uma boa educação tem como base desenvolver as habilidades matemáticas. Ou, colocar na escola mais cara. Ah, tem a escola mais famosa. Ou, onde por tradição, toda a família estudou. Será que é a ideal para o perfil da criança? Alguém observa A criança? Outros,  crêem que o filho deve falar diversos idiomas, para viver melhor e ter mais oportunidades num mundo globalizado. Engraçado falar em globalização... Outro dia era um tema de debates infindáveis. Hoje, nossa realidade: a quebra de fronteiras. A educação virtual também deveria ser levada em consideração, porque essa geraçãozinha parece que nasce com um chip de última geração e com configurações muito avançadas. Eles nos trazem a impressão de que nascem prontos. Será? Então, volto a perguntar: o que é uma boa educação? Misturar tudo? Sobrecarregar as crianças desde cedo? Sim, o que vem a ser algo ainda mais importante do que a “educação” em si – a base para uma boa educação? Aha! Peguei, não foi? Eu sou pega por esse questionamento todos os dias. Se é que isso serve de consolo para alguém...

Quando estava na terapia, minha psi, me disse certa vez: “Como você quer dar uma educação perfeita para seu filho? Toda mãe dá o que tem condições de dar. Eu já disse aos meus filhos: ‘O que eu dou a vocês é o que eu acredito ser o melhor para vocês. Quando crescerem, vocês farão a avaliação de vocês e o que não couber, jogue no lixo!”. Bom, eu fiz um resumo grotesco e com minhas palavras, mas, era mais ou menos isso. O que ela me disse, na verdade, é que não existe fórmula certa. Talvez não haja UMA resposta para essas perguntas. Cada pessoa tem sua maneira, sua composição, vamos chamar assim, de vida. O que vem a ser essa composição: ambiente social, familiar, econômico, religioso, filosófico, cultural – no sentido de arte, porque, a meu ver, cultura é a própria composição, no sentido de estilo de vida - , tecnológico... Cada um de nós é um ser diferente. O que nos iguala, internamente, é justamente a condição humana da imperfeição e do aprendizado diário. Outras coisinhas externas entram nessa composição e acabam induzindo-nos a sermos um pouco – ou muito – diferentes do que realmente clama a nossa natureza. Quando se trata de uma boa formação de caráter, tudo bem, controla temperamentos mais agressivos, arredios. E o contrário? Essa é outro questionamento que faço: educação formal, acadêmica, escolar é para ensinar como passar no vestibular ou desenvolver as múltilplas inteligências do ser humano?

Educar está muito mais diretamente relacionado com nossas expectativas do que com o real e necessário. Tudo bem que sejamos imperfeitos. Mas, isso deve ser desculpa para nos mantermos paradões? Quantos pais/mães usam de argumento: “meu filho é tão espero que não precisa de ninguém ensinando o que fazer”. Sim, e limite? Ser esperto é, por acaso, capacidade de se cuidar sozinho? E o papel da família? E, o que é ser esperto? Falar coisas que a gente se espanta e nos surpreende? As crianças não nascem prontas. Também não nascem vazias. Elas nascem CRIANÇAS. Educar é dizer NÃO para tudo? É ser liberal e dizer SIM para tudo? O que é limite? Como saber diferenciar de limitação? Até onde permitir a curiosidade da criança e a partir de onde dar um freio? O que é teimosia e quando ela é prejudicial? Como desenvolver esse bom senso, afastando o egoísmo que todo adulto desenvolve, porque, afinal, fomos “educados” assim. Somos educadores ou manipuladores? Como identificar essas diferenças? Quando começamos a nos questionar, assim penso eu, trata-se de um bom sinal. Significa que o bom senso quer ser despertado.

Para começar, eu não sou a mãe perfeita, nem dou a educação perfeita em todos os setores para o meu filho. Não, isso não se trata de incompetência. Trata-se de limitação pessoal. Lembrem-se, toda mãe, todo pai, todo mundo, é gente, antes de tudo e mais nada. Como dar aquilo que não tem? É preciso desenvolver, concorda? Foi assim que comecei a questionar  e pensar no sentido de educação para meu filho, começando a me reeducar. Não, mãe, você não falhou! (risos) Reeducar o meu SER. Definir, e viver, quais são os meus valores? Os valores são atemporais. Não me refiro a valor pessoal, mas, a valor moral, mesmo, aqueles que a gente esquece e só lembra quando lê um bom livro ou vê um personagem num filme, numa novela... Eu acredito ser loucura começar a exigir das crianças uma característica de adulto, só para afirmar que essa criança é inteligente. Já começamos a dizer que criança não é inteligente, é isso? O que entendemos por inteligência também é limitado. Chamamos inteligência a capacidade intelectual, não a sabedoria; não a capacidade de colocar em prática, na vida, aquilo que aprendemos. Aprendemos muito. Somos bombardeados por tanta informação. Apreendemos tão pouco. Tão pouco filtramos. Tão pouco vamos à fonte averiguar a veracidade daquela informação. E é isso que queremos repassar para os nossos filhos? Esse comodismo egóico, pequeno, inexpressivo e desprovido da capacidade de questionar? É por isso que tememos tanto os “por quês?” dos pequenos? É por isso que temos e nos sentimos numa obrigação infundada de podar a curiosidade e os questionamentos dos “iniciantes”, também conhecidos como “crianças”? Frustramos as crianças para que cresçam como nós: expectadores  de uma vida que passa com crianças amorfas e esquecidas dentro de nós. Alimentamos nossas expectativas de que eles acertarão onde erramos. E, em prol dessa nossa carência, frustramos suas ações. Poderíamos estabelecer uma parceria muito bacana com nossos filhos, deixando bem claro quem é o grande e quem é o pequeno, só que sem humilhação, manipulação ou qualquer “ão” que nos leve de volta a mesma direção que já estamos. Nessa parceria, podemos observar e conhecer nossos filhos. Escutar. Ver. Sentir com eles. Não podemos ser eles, nem eles devem ser como nós. Esse é o maior exercício de respeito ao próximo que pode existir.

Daí, precisamos nos conhecer. Conhecer nossos limites. Superá-los. Só limpos, ou em processo honesto de limpeza, essa parceria pode dar certo. Isso, também, não é fórmula certa. Vamos cometer erros aqui, ali e acolá. Heeeellllloooo! Continuamos humanos. Nossa jornada continua, agregada a uma jornada que se inicia com nossos filhos. Assim, posso fazer como minha ex-psi: “meu filho, quando crescer, o que achar que não cabe, jogue fora!” E seja, seja uma pessoa honrada, ética e com conduta moral. Assim, você será bem sucedido onde for. Porque, ser bem sucedido, não se limita ao valor material que alimentamos em nós e já fincamos na base dos nossos pequenos. A gente já cria nossos filhos para serem “vencedores”, desde que o prêmio seja uma fortuna em dinheiro, bens... Isso pode ser uma boa conseqüência, mas, não a base. Eu penso que a base é uma boa formação de caráter. Isso é nadar contra a correnteza, sim. Mas, se toda mãe quer o melhor para seu filho, bom começar a fazer esse esforço. Senão, ele será mais um como todo mundo. Ele tem que ser o melhor que há dentro dele. Respeitar o espaço alheio, sem deixar que invadam o seu. Ser, em primeiro lugar, para depois, ter.

É assim que penso. E comecei a por em prática. Comprava tudo para meu filho, porque carregava uma culpa por ter ficado desempregada por tanto tempo e com tanta dificuldade financeira que, depois que voltei a trabalhar, precisava compensar. Me freei: “Êpa! Peraí! Não é nisso que acredito...”. Ele já está no “vício” do “mãe, eu quero!”, “mãe, você compra?” , “mãe, se eu me comportar, você me dá...?” E quem ensinou isso a ele? A mamãe aqui. Por conta das minhas frustrações. Detectado o problema, vamos à solução: xô, culpa! E, aí, me ocorreu outra coisa: o que vem as ser “se comportar bem”? Etiqueta? Desde que ele não bata, agrida, falte com respeito, machuque de alguma maneira alguém ou descumpra um combinado, ele estará se comportando bem. É isso? Ainda não defini isso muito bem, em mim, não... Mas, estou elaborando.

Muitas vezes, penso que exigimos demais das crianças uma característica que não cabe à fase que elas estão. Afinal, criança tem que correr, brincar e viver a realidade lúdica dela. Isso é infância saudável. Com limite, sem limitações. A gente tem mania de podar, em vez de saber o que estimular, o que ser parceiro para desenvolver. Custei a entender isso. Só quando comecei a aceitar essa hipótese, pude ver meu filho e entrar no mundo dele, falando a linguagem dele. Para acessar Peu, como qualquer criança dessa geração, uma boa e honesta historinha contribui, toca e os faz entender e assimilar verdades. Em vez de: “isso não”, “você conhece a história do menino que desobedeceu e virou um sapo?...”. Me vi uma contadora de contos infantis. Como ele mesmo diz: “quando não souber ou existir uma história, você inventa que eu gosto”. E fazemos isso toda noite. Uma história criteriosamente escolhida e outra criteriosamente inventada – risos. Assim, vou vendo os resultados em suas atitudes e em seus diálogos com os “filhos” dele – os bons e velhos amigos de toda criança: os brinquedos. Ali ele reproduz o que acha ser certo. Ali, vejo o que ele captou, como ele captou e o que ele acha da maneira que a mamãe “educa” ele. Aliado a isso, procurei uma escola que tem mais a ver com o perfil dele. Coloquei ele numa atividade física. Temos muito a fazer. Ainda erro muito em muitas coisas, mas, tudo tem que ter um começo. O medo de errar pode ser um entrave para a gente, mas, quando olho e vejo que toda criança é aberta e destemida, me jogo e começo do zero. Quer ver um exemplo? Quantas de nós fica à vontade vendo o filho se esfregar no chão? O quê nos consome? Vai sujar a roupa. Por isso, uma marca de sabão em pó se fez, porque ele afirma que criança é para se sujar, a limpeza é com ele. A professora de Pedrinho, ano passado, me disse uma coisa que via de outra maneira. Ele gostava de misturar as tintas para ver no que ia dar. Para mim, era teimosia - o que não deixa de ser, afinal, toda expressão de criatividade requer uma gota de teimosia para alimentar a persistência. Desde que haja um equilíbrio. - e falta de interesse, dele. Ela começou a combinar: "eu deixo você misturar se você cumprir com nosso combinado e fizer...". Ela conseguia contornar a situação e ele cumpria. Do jeito dele e na velocidade da luz, para poder fazer o que queria. Mas, ela estava no comando e determinou algo e ele precisava cumprir, sem deixar de permitir que ele expressasse sua curiosidade científica - risos - de ver o resultado de suas misturas. Comecei a observar muito o como agir com ele assim. Nada impede de, em alguns momentos, eu esquecer disso e me tornar uma mãe autoritária.

Eu penso que faz muito bem firmarmos uma boa parceria e respeitar a fase da criança, vendo-a como criança, desde que cada papel seja muito bem determinado – e não é só da boca para fora, mas, nas ações, no controle e no “o que controlar”. Podemos ser grandes parceiros dos nossos filhos, sem deixar de ser pai, mãe e/ou responsável. Juntos é muito mais gostoso aprender e ensinar - ou tudo ao mesmo tempo! Se é fácil? Nem um pouco. Possível? Com bastante esforço, é sim! A liberdade não quer dizer fazer tudo o que quer, mas, saber o que quer fazer e fazer!

Saudações maternais,

Pat Lins.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

VOLTA ÀS AULAS: uma lição para pais e filhos

Volta às aulas: uma lição para pais e filhos
                                                                          por  Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros

Começa mais um ano letivo e milhares de crianças têm a possibilidade de rever amigos e professores. Também é a época em que outras tantas crianças vislumbram um novo horizonte de descobertas ao ingressar pela primeira vez na escolinha. Todas elas precisarão de muita atenção para os diversos itens que permeiam o universo escolar, especialmente nos aspectos comportamentais.

Segundo o pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros, da MBA Pediatria, os novatos necessitam de uma preparação, não apenas dos baixinhos, mas algumas vezes também a dos próprios pais. “É o primeiro momento de “grande” separação e, frequentemente, isto gera sensação de insegurança em ambos. Por isso, o primeiro passo para os pais ajudarem os seus filhos a aceitarem bem o ingresso nesta nova e importante etapa de sua vida é terem a certeza da decisão que estão tomando e do lugar e pessoas com quem estão deixando os seus filhos. É pela confiança dos pais que se inicia a confiança dos filhos”, aconselha.

Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, Sylvio Renan reforça que não há muito o quê explicar aos muito pequenos, mas há como mostrar o quanto será bom e divertido a oportunidade de eles estarem com outras crianças, e também com outros adultos que lhes cuidarão com tanto carinho quanto os pais. Quanto ao incentivo, nada melhor que mostrar as coisas novas e legais que terão na escola, como aprender e brincar.

Para os maiores, os que regressam para o ambiente escolar, o grande trabalho já foi feito e, em geral, todos adoram o retorno à escola em que poderão dividir com os outros colegas os acontecimentos que passaram durante as férias.

Do jardim de infância ao ensino médio, nem tudo são flores. Entre os percalços estão questões ligadas ao bullying, por exemplo. Mesmo sendo um tema muito discutido ultimamente, o pediatra Sylvio Renan alerta que é preciso ficar atento a possíveis comportamentos arredios da criança, especialmente se ela não se mostrar feliz em querer retornar à escola.

O pediatra aponta que tristeza, raiva, choro e sintomas de doença sem causa aparente, especialmente na hora de ir à escola, são alguns dos sinais de que a criança pode estar com algum problema de relacionamento. “O trabalho dos pais aqui também se baseia na confiança e na amizade que precisam demonstrar a seus filhos, assegurando-os que podem se abrir e confiar plenamente neles para a solução de qualquer problema”.

Para os pais, é importante lembrar que em todos os aspectos e fases a criança deve se sentir compreendida e reconfortada. Com diálogo próprio para cada idade, os pais podem (e devem) conscientizar seus filhos de que a escola não é apenas uma obrigação, mas um espaço saudável para o corpo, a mente e alma, que trará benefícios e realizações no futuro.

Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros
 

O dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros, autor do livro "Seu bebê em perguntas e respostas - Do nascimento aos 12 meses", é médico formado em 1974 pela Faculdade de Medicina do ABC. Especializou-se em pediatria na Unifesp/EPM, obtendo em seguida título pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

SEJAMOS TEIMOSOS - Por Lais Câmara

Gente, aqui é espaço para questionarmos e, só questionando, podemos desenvolver nosso bom senso; nossa capacidade de compreensão e aceitação; nossa capacidade de ir além, sempre.

Li esse texto belíssimo em sua objetividade e sinplicidade e publico aqui, para nós, mães bebermos desse texto poético e real:
SEJAMOS TEIMOSOS
                                                                            por Laís Câmara
"Marcadas pelo tempo, são as ações infantis, forçadas por algo teimoso nomeado por curiosidade, esta é uma bela mola que vai sendo relaxada por nós, sociedade, por puro egoísmo, por puro ímpeto do poder, por pura justificativa “carinhosa” de ser criança. Mas não será o agora o momento de sempre? Viver para as crianças é o sempre, sempre é hora de subir a escada, o muro, a árvore, sempre é hora de fuçar a areia, como cachorro, de observar os atos e palavras que circulam, sempre é hora de viver para surpreender os bobos adultos, que dizem: - Mas é inteligente, como aprendeu??? 'meninas são tão mulheres, seus truques e tentações'. A vida está recheada de vida, e de tudo do que NÓS queremos que elas aprendam, e de tudo que ELAS querem viver, e nem de um, nem de outro querer, permitimos, na íntegra, que as crianças peguem, cheirem, ..., usem como quiserem.

Pode pensar! (onde andam os limites então?). Eu respondo sem pensar (rs): - Neles! O limite está neles!

Não gosto da palavra APRENDER, quem aprende, aprende algo ensinado, tenho preferência pela palavra VIDA(VER), e entendo que ela é particular demais, apesar dos demais que a cercam, a vida é feita através da natureza, do corpo, do cérebro que é particular, de como os neurônios vão se alongando...Concordo bem com Nietzsche (desculpa Viriato, mas tive que citar :/ , apesar de saber que você não tem problemas com isso, a ciência me ENSINOU a ponderar, rs) 'Deus morreu! É a vez do homem, melhor, do super-homem!'

Obs das mais relevantes, porém a cada dia diminuída, como a fonte desta: sou relaxadora de molas também...fazer o que? Deixar-se e deixar VIVER!"

Laís Câmara - NATURALMENTE LAI

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

PANELA PINTADA - PALESTRAS PARA OS PAIS

Peu no primeiro dia, no Panela Pintada


Gente, o trabalho de educação nutricional, da Dra. Junaura Barreto - PANELA PINTADA - é muito bacana. A equipe é show! Pacientes, competentes, cuidadosos e capacitados. Peu participou do curso de férias e amou. Até o meio do ano, coloco de novo.

Agora em fevereiro vão acontecer palestras para os pais. Clique e Confira a programação abaixo:


No site do projeto você pode conhecer mais: PANELA PINTADA. Eu, particularmente, gostei e muito! Vale muito a pena! Fora que eles ficam lindos vestidos de mini-chefs. E as receitas, vêm no caderninho para fazermos em casa. Muito boa essa idéia, da Dra Junaura!

Saudações maternais,
Pat Lins.

sábado, 10 de dezembro de 2011

"FILHO É PARA QUEM PODE" - por Mônica Montone

Vi esse fragmento no facebook, através de um amigo e achei interessante partilhar. Não partilho o radicalismo, nem me parece ser a proposta do texto. Achei de uma honestidade elementar e concordo com o ponto de vista da autora em vários sentidos, inclusive o de lembrar a responsabilidade de ser mãe. Não basta colocar no mundo, tem que saber que se trata de cuidar, educar, dar uma boa formação de caráter - para tanto, há de se ter essa boa formação... - e enfim, não colocar para fora um "pedaço" de gente que achamos ser um pedaço da gente para tapar um buraco que não soubemos qual peça colocar. Filho não é uma peça coringa que se encaixa onde não encontramos a parte certa. Ver uma pessoa assumir isso, que não tem perfil para ser mãe pode assustar muita gente, mas, para mim foi lindo. Não acho que toda mulher tenha que carregar essa incumbência e essa onda de obrigação na perpetuação da espécie, para mim, é muito simplório e cai e novo na questão dos buracos e pouco avançaremos se ali nos mantivermos. Se a mulher não tem perfil "mãe", não seja. Assuma-se honestamente e não carregue culpa, porque não há do que ser culpada. O perfil honestidade e consciência, para mim, permeiam e deveríam ser a base de qualquer construção em nossas vidas. 

Tenho andado com a cabeça envolvida nessa nova fase de minha vida - que estou podendo viver na prática tudo que venho partilhando aqui e em meu outro blog, nesses últimos anos e tem sido recompensador, pena que não consigo organizar meu tempo mental para parar e escrever. Estou cheia de idéias e anotando cada uma delas para que nasçam no momento propício e maduras. Eu, como mãe na prática, tenho me permitido enxergar isso - o que espanta muitas pessoas, mas, fazer o quê... - de que eu sou mãe de um indivíduo, não de uma rolha para tapar meus buracos. Em vez de suprir minhas carências naturais e inerentes a qualquer ser humano - cada um tem lá as suas - com meu filho, trilho meu caminho em paralelo ao dele. O meu, deixo bem claro para ele com minhas ações, é o meu, o dele, é o dele, mas, comigo no comando do que penso ser um norte. A base da educação que dou a Peu, vejo ao receber de volta em suas ações e isso muito me alegra. Lógico que falta muito, porque nem tudo vem pronto, aliás, nada vem pronto. Muito trilhamos. Muito nos esforçamos e continuamos. Tem gente que acha que conseguir é dizer que conseguiu e acreditar no que diz, apenas... Para mim, o esforço é diário e constante, e chegar lá é chegar lá todo dia e ver que sempre temos que ir, estar e chegar em algum "lá". Não basta chegar, temos que continuar, manter e superar muito mais e muito mais "lás".

Enfim, ser mãe, não é só para quem quer, é para quem "pode", ser mais do que apenas um ser carente que quer cumprir a missão de dar continuidade a espécie. Fica a pergunta: QUE ESPÉCIE QUEREMOS PERPETUAR, MESMO? Bom, uma observação importante: nada de radicalismo! É para reflexão, é para ler, não punir, condenar, julgar ou interpretar como se queira. A gente tem mania de pensar que educação boa é aquela na escola mais cara do País - ou de outro País; que poder ter filho é ter como pagar um plano de saúde bom, comprar roupa da moda, levar para comer em lugares caros e proporcionar um futuro brilhante com pós graduação em Harvard. E Valores em nós? E entender que filho não é um pedaço da gente, é gerado na gente um pedacinho de gente que vai crescer e ser um ser... Enfim, só um trecho para reflexão e ver se conseguimos romper com esse ciclo de que toda mulher pode ser mãe, desde que saiba dar banho e comida...



Na prática, ser mãe é ser uma mulher que sabe que pode gerar um novo ser não como realização pessoal de satisfação social, mas, uma pessoa capaz de amar e dedicar sua vida na criação de outro ser através de seu ventre e de seus exemplos. Ser mãe não transforma a mulher em uma pessoa melhor, só porque pariu, amamentou, trocou fralda ou optou por uma alimentação saudável... ser mãe é ser uma mulher, que é gente, que tem suas qualidades, defeitos, buscas e missões de vida. Ser mãe é uma missão muito especial e deveríamos compreender isso sempre. Ser mãe não muda quando os filhos crescem, seremos sempre. E, cá entre nós, nos falta essa honestidade para conosco de ser humano e nossa busca pessoal. Ser mãe às vezes vem como um escudo para alegramos não termos tempo de crescer porque estamos criando e vendo crescer um outro ser que poderá ser aquilo que não fomos... Já começa errado. Nós é que devemos ser quem queremos ser, não um filho. O filho deve ser o que ele quiser ser: um ser. QUEM SOU? É por aí que devemos começar, não: quem não fui, para meu filho ser? Sejamos quem somos, não quem nossos pais queriam que fôssemos. E, isso não tem a ver com algum movimento feminsita ou de qualquer outro teor de fuga que se ataca uma condição para afirmar a própria... O que vi no texto é apenas uma mulher expondo seu ponto de vista. Porque, existe esse outro lado, também. O que levanto a bandeira aqui é com relação à honestidade de si para consigo, para não jogar nas costas de um filho o fardo de ser a salvação da minha frustração. Isso não me impediu de querer ter meu filho, viver as dificuldades de adaptação, porque eu sabia que queria ter e pronto. Posso ter usado vários argumentos falidos para justificar a mudança que teria em minha vida e vivo em ajuste constante. Mãe é isso. Amo ser mãe e quero ser de novo. Mas, se não der, não vou sofrer, nem me martirizar. Devemos saber o que queremos e assumirmos isso para a gente mesmo. Tem gente que usa o argumento de não ser mãe por medo e frustração pessoal e alega todo tipo de coisa. Melhor assim, do que ter e fazer parte desse baralhão de mães vazias que colocam crianças escudos no mundo e se chocam aos ver as crianças-bombas dos países tidos como radicais - como se não fôssemos radicais, também... principalmente na falta de ideal. Por isso que clamo: não ao radicalismo. Sim a reflexão. Pontos de vista são hipóteses pessoais. Até que expõe pode - ou não - mudar, um dia. Tudo é válido para reflexão!

Saudações maternais,

Pat Lins.

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