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sábado, 21 de setembro de 2013

APRENDENDO COM MARIA

Essa eu precisava compartilhar com todas nós!

Imagem: internet: http://giselefmaciel.blogspot.com.br/2011_09_18_archive.html

Uma colega da pós postou essa mensagem linda e que me tocou muito:

"Maria, 5 anos, gritou para mim em plenos pulmões: 'você não pode me testar (se referindo a minha tentativa frustrada de tentar faze-la comer o almoço todo) eu vou viver como eu quiser!' . Cinco minutos depois resolveu me dar novamente a flor que já tinha me dado e tomado de volta. Maria pergunta: 'Alana, você quer merecer a minha flor?'; Alana: 'Maria você já me deu, já tomou, o que é essa flor finamente?'; Maria responde: 'é uma especia de Amor! Alana!! Você tem que aceitar e cuidar dela!' ".

Daí, sabe, me tocou e acabei embarcando. Maria me lembra meu filho Pedro, em sua maneira firme e assertiva em questionar. As crianças de hoje em dia, são crianças, claro, precisam de limites, claro, mas acima de tudo, o que Pedro vem me ensinando - e, agora, Maria - é que eles são diferentes da nossa geração. Não temos como negar. Como é tudo novo, estamos tateando em como educá-los da melhor maneira. Porém, quais são as nossas referências? Os padrões anteriores. Como usar algo que está aí, que já estava aqui... em algo que "acabou" de surgir?

Nenhum de nós - pais, mães... família, amigos, educadores, psicólogos... - está firme e convicto de que damos conta dessa geração. Estamos?! Mas, com base no que temos, damos sequência. Eu "penei" muito até começar a entender uma coisa. Conversando com uma senhora que tinha um filho diferente, por ter uma "patologia" - se é que existe isso... mas, é como a ciência ainda consegue afirmar... - que é o autismo, ela me disse uma coisa que me marcou: "precisamos entrar no mundo deles e não trazê-los para o nosso!". Daí, pensei: É ISSO!

Essa nova geração vem sem patologia - em geral -, no que se refere aos laudos médicos, mas com uma inteligência acima da média, que mais parecem mini adultos. Isso, ao meu ver - não sei se estou certa ou errada, mas estou aprendendo nesse tempo - não os torna adultos e nós precisamos agir como adultos e deixar claro que eles são crianças e, por mais espertas e atentas, são crianças... 

O que me levou a refletir mais foi o fato de como TODOS  eles - me refiro com que conheço com essas características ímpares e alguns que algumas mães me enviam relatos - clamam o AMOR. É como se eles dissessem: esse é o caminho AMAR. E o que vem a ser amar? É aceitar o outro como é e conviver com as DIFERENÇAS. Não é trazer ninguém para o nosso mundo, é estar no mundo. O Universo é tão vasto, se bem observarmos, e representa o infinito, em sua plenitude e harmonia, da diversidade. Tememos tanto as diferenças que se alguém fala que viu um ET, a gente ri... 

Não aceitamos as diferenças porque elas exigem ação - reflexão - ação - reflexão - ação... As diferenças nos fazem andar e movimentar. Essa nova geração traz isso: movimento. A acomodação, as velhas crenças - que não estavam nem erradas, nem  certas, era o que tinha em cada época - tudo isso precisa ser derrubado. Derrubar de vez? Não. Percebamos que eles chegam aos poucos e vão aumentando. Inevitável essa comparação entre gerações, mas no que se refere a atual, ela rompe com tudo e com todas as anteriores! Creio que isso esteja assustando muito, em vez de nos fazer aceitar! Por conta deles? Não, por conta da nossa limitação.

Quando Maria afirma - assim como Peu - que sabe o que quer e, depois, vem nos lembrar que aquilo é passado, agindo dali para a frente, a gente pensa que eles estão brincando ou zoando... Pedro, hoje em dia, me pergunta: "Ué! E o que foi que eu fiz de errado dessa vez? Como é o certo para vocês?". Eles se sabem e se vêm diferentes... sentem o baque, sofrem, agindo de maneira agressiva, muitas vezes, mas lidam com uma libertação e ruptura com o que prende que impressiona. Eles não guardam rancor. Isso me impressiona.

Me recordo dos problemas que tivemos, ano passado, com relação a antiga escola e, ainda que compreenda que eram humanos, e faziam o que davam conta - me incomodou, confesso, a falta de humildade e se reconhecerem como tal, agindo como juízes supremos e sábios plenos, em vez de assumirem que estavam tão perdidos como qualquer outro mortal, humano e aprendiz da vida - eles atingiram Pedro, a ponto de desencadear alguns bloqueios que, hoje, estão sendo tratados e trabalhados. Porém, ele não traz raiva, rancor ou qualquer sentimento assim. Ele sente carinho, inclusive, e fala dessas pessoas, como se me dissesse: "Mãe, deixa para lá! Passou! Agora, limpamos o ambiente e recomeçamos!". 

Ele me perguntou: "O que são emoções, mãe? É só tristeza?". Porque ele sentiu uma dor na barriga e eu perguntei: "Tem algo te inquietando, filho? Você está muito agitado, pode ser emoção, por conta do seu aniversário que está perto..." - ele a-do-ra festas e o aniversário dele, então, ele AMA! 

Daí, expliquei para ele, do meu jeito, pega de surpresa, como sempre, e sem tempo de racionalizar para enrolar, apenas com tempo de raciocinar o que senti e elaborar uma maneira de explicar honesta: "Filho, emoções são essas coisas que a gente sente e não sabe explicar muito bem, como quando ficamos alegres demais; ou tristes demais; ou pensativos demais; ou querendo ficar sozinho, de vez em quando, sem saber o motivo... é quando a gente sente tocar no coração e na barriguinha, bem no estômago e a gente só sente, mas nem sabe o que sente, apenas reage!". E ele entendeu.

Desde que eu "entrei" mais no mundo dele, diminuindo julgamentos, me vendo, honestamente, mesmo, como pessoa que ama, mas que também cobra com base nos padrões sociais - e reafirmo: não entro, aqui, no mérito de certo ou errado - vigentes, e falando sempre às claras com ele, estabelecemos uma parceria mais vibrante, mais forte e mais livre, também. Imponho os limites, a rotina, me canso - porque preciso estar "sempre alerta!" - mas, me renovo com essa relação, e isso vem dando sinais mais positivos!

Hoje, ao ler o relato de Alana sobre sua pequena cunhada de apenas 5 anos, provar que amor é ir e vir várias vezes, sem reclamar, apenas aceitando e cuidando, recomeçando..., agindo e não reagindo, vi um filme em minha mente, desde o dia em que Peu nasceu, de como ele iluminou tudo a sua/nossa volta e de como foi/é difícil, para mim, entrar nessa frequência e isso sacudiu, para valer, e me fez querer ser uma pessoa melhor do que eu já vinha tentando ser minha vida inteira. Me senti num intensivão. Vi o quanto eu reagia, muito mais por medo de exposição ao social, de como as pessoas menos abertas e mais cruéis - hoje, entendo que são as mais presas e sofredoras - necessitam saber se ele é doente e, convivendo, apenas vêm que ele é "normal" - de acordo com os exames neurológicos e afins - porém, diferente. Como me disse uma vizinha querida e que me ajudou muito nesse processo de aceitação da realidade - Sandra Márcia - ele é "diferenciado, nitidamente!". 

Pedro se ofendeu, esta semana, porque foi chamado de criança e disse: "Nunca fui tão ofendido em minha vida!". Mas, ele É criança. Por mais esperto que seja, é importante que ele se veja como tal. E é aí que porca torce o rabo, mesmo!

Hoje, entendo de que não precisamos temer essa geração... devemos temer a nossa geração, quando fica presa aos velhos padrões.

Que muitas Marias e Pedros e outros nomes - coisas que eles exigem que seja proferido, seus nomes, Pedro não gosta muito que outras pessoas o chamem por apelidos ou nome trocado... e faz questão de chamar as pessoas pelo nome... até os tios... - espalhem essas flores de amor, com firmeza e determinação; ensinando e aprendendo, sempre! Eles estão trazendo um novo "paradigma" - sem rotulações, apenas por ser a palavra mais próxima, dentre as que conheço até aqui, do que pretendo dizer - para nossas vidas. Aceitemos e entremos em nossos mundos, nos aceitemos para, depois, adentrar e aceitar o mundo do outro! Se não houver essa honestidade - ou auto honestidade, inclusive em reconhecer nossas limitações, até para superá-las - essa fase atual será de lamentos e sofrimentos! 

Eu mudo a cada dia. Cresço e aprendo, e ensino para aprender ainda mais com ele. Isso, sim, me ajudou a tomar melhores decisões e ir em frente - e não, atrás - dos meus sonhos! De tanto ensinar a Peu que ele é capaz de ser e fazer mais, desde que pelo bem dele e de todos, estou eu aceitando isso em mim, também. Juntos, crescemos e aprendemos, e ensinamos e seguimos!

Então, aceitemos mais e cuidemos mais! Lógico que as flores irão murchar, um dia, assim é a vida tal qual conhecemos, mas isso, um dia, vai mudar: em vez de dor, entendimento e aceitação - não acomodação ou submissão, aceitar, como entender que é assim e pronto!

Saudações maternais,

Pat Lins.

domingo, 10 de março de 2013

CRIANÇAS ATUAIS, SEUS PAIS/MÃES, COBRANÇAS SOCIAIS E DIAGNÓSTICOS APRESSADOS


Desde que meu filho nasceu, sempre foi muito elétrico e altamente "ligado". Muito sorridente, feliz e brincalhão.

Foi crescendo e, com 3 anos, eu estava exausta de tantos questionamentos. Ele sempre foi muito precoce. Começou a falar cedo e se expressava muito bem para a pouca idade. Não parava quieto. Na escola, então... Só que ele aprendia tudo muito rápido. A primeira professora dele sugeriu, por garantia, que o levássemos a uma neuro-pediatra, a fim de nos certificarmos se ele era TDAH. Segundo ela, a questão era o fato dele ser muito inteligente e isso não cabia no corpinho limitado de um menino de 3 anos. Procurei a pediatra dele e ela me afirmou que o fato dele ser agitado não queria dizer se hiperativo - TDAH - e que ele era muito inteligente e com uma capacidade cognitiva acima da idade dele. Mas, como eu queria, fui na APAE. Na consulta com a neuro, ele não só respondia o que ela perguntava como a indagava sobre cada pergunta. A fase do "por quê?", tão comum a todas as crianças, na dele era diferente: "Por quê? E se...". Uma resposta evasiva, para ele não, era resposta, tinha que ser consistente. Pois bem, ela me deu a requisição para o eletro. Me advertiu da possibilidade dele ter que tomar um remedinho para dormir, pois como ele era acelerado, isso comprometeria o resultado. Aí, eu questionei se não poderia tentar com ele sem medicamento e, apenas em extrema necessidade tomaria. Ela retrucou e me disse taxativamente: "Eu conheço um hiperativo quando ele pisa na soleira dessa porta... Se quiser, tente, mas já vou avisando, não vai dar certo!". Fui à sala do exame e a técnica começou o exame, sem o remédio, porque a primeira fase é acordado. Ela era tão jeitosa e paciente que ele ficou quietinho. Ela mesma me pediu para tentar continuar sem o remédio para dormir. E foi feito. Ele fez tudo que ela pediu, com 3 anos de idade. Colaborou como um adulto. Ela me disse que se surpreendeu desde a hora que ele deitou na maca, pelo fato dele ter colaborado numa boa e que "...crianças quietas davam muito trabalho para fazer aquele exame, imagina os agitados... E ele está ótimo! Parabéns, Peu!". Pois, depois, já com o resultado em mãos, levei para a neuro e ela me disse, meio contrariada, que estava tudo OK com ele. Me sugeriu psicoterapia porque ele poderia ser ansioso ou muito inteligente e, por isso, fosse tão agitado, mas que mesmo assim, se eu quisesse, ela passaria um medicamento, para ele ficar mais calmo. Eu perguntei se ele tinha algum problema e ela não queria me dizer e ela me afirmou que não, apenas me sugeriu o medicamento porque muitas mães não "aguentam o trampo" e pedem socorro... Eu disse que dispensava, exceto pelo fato de ser necessário. Ela insistiu até eu sair da sala e me perguntou: "Você vai aguentar o trampo?" e eu respondo: "Sei não. Mas medicamento para uma criança que não precisa eu me recuso a dar!". Fechei a porta e nunca mais pisei lá!

No ano seguinte, eu engravidei e perdi o bebê. Peu desencadeou uma agressividade anormal. Na escola ele batia em todos - inclusive na professora. Mesmo sem condição de pagar a psicoterapia, pedi a escola que me indicasse alguém e foi quando tive a oportunidade de conhecer a psi dele - com quem está até hoje! - e que não teve pressa em fechar diagnóstico, ela se ateve a conhecê-lo e conhecê-lo, não em tachá-lo ou enquadrá-lo em algo. O TDAH foi descartado no ano passado. O comportamento dele vem dando melhoras com a psicoterapia, atividade física especializada - inclusive, ele fez EQUOTERAPIA por 4 meses e, desde o primeiro mês, a melhora na diminuição da ansiedade foi notada... exceto na escola, local onde ele mantinha o padrão de "terror" e, hoje, faz FUN KIDS -, rotina da casa e muito empenho da gente, de algumas pessoas na escola, de amigos... posso afirmar que tenho um batalhão, ou uma companhia mult-pluri-interdisciplinar formada por amigos e conhecidos especialistas, como pedagogos, psicólogos e muito mais e muiittttoooo amor. Fora o fato dele estar crescendo e ficando mais consciente do seu papel.

O que me fez escrever este post - já havia manifestado minha preocupação em 2010, pouco depois da consulta com a neuro-pediatra: HIPERATIVIDADE OU HIPER ATIVIDADE?  - foi a matéria do "Fantástico" sobre TDAH e diagnósticos errados e como isso compromete o desempenho de uma criança e de uma adulto - afinal, toda criança é um futuro adulto. 

Drauzio explica o TDAH e mostra como superar as dificuldades do transtorno

O doutor Drauzio Varella explica por que tantas crianças estão recebendo um diagnóstico errado da doença.

Um alerta muito interessante é feito pelo piscanalista Chrsitian Dunker: 

"Não só no Brasil, é uma tendência mundial, a criança está sendo supermedicada. Essa idéia de diagnosticar rápido, tratar rápido, tratar o quanto antes... criar uma criança de alto desempenho... A gente precisa olhar com um pouco mais de cuidado em relação a isso.".

E isso me levou a um "papo" maravilhoso que tive, ontem, com Jaime Sodré - historiador e escritor, acima de tudo, uma pessoa brilhante, coerente, íntegro e de uma sabedoria natural impressionantes - onde ele falava sobre as "crianças de hoje em dia", por conta de algumas atitudes de Peu que eu, reclamando e ele me adverte: "Minha amiga, você percebeu que está repetindo aquilo que você aprendeu lá atrás...? Você poderia ter reparado, antes, que ele foi extremamente inteligente, sagaz e muito esperto! Veja a cognição dele: 1 - ele viu onde abria a porta do estúdio. 2 - Ele viu que ele não tinha altura. 3 - Ele viu que o braço dele não alcançava. 4 - Ele viu a alavanca debaixo e pensou rápido: subo ali, abaixo a de cima e, depois, desço e abro a debaixo... E fez. Ele é muito inteligente, esse menino! E você acha que educar uma criança dessa geração como nós, do século passado, vai funcionar? Perceba: elogie a capacidade que ele teve de pensar, ver um obstáculo e agir, sem se machucar, com tudo calculado e com segurança, depois, explique para ele que apesar dele ser capaz de fazer isso tudo, ele precisa entender que ali é um programa de rádio, que está sendo transmitido ao vivo e que não é lugar de brincadeira...". 

As crianças de hoje em dia demandam de nós uma ruptura. Se isso não é um bom motivo para ficarmos alerta em vez de "doentificar" a criança, o que é, então? Sei que diagnosticar é importantíssimo. Não é esse o ponto. O ponto é como esse diagnóstico é feito? Com cuidado? Com pressa? 

A cobrança de pessoas massificadas e "iguais" vem em contradição à demagogia instalada de que o estímulo às diferenças é que fará a diferença positiva... Será? Será que estamos preparados - ou dispostos a nos preparar - para lidar com as crianças de hoje em dia, com as cobranças exageradas e estressantes, a lidar com a pressa. Aceitar as diferenças é muito mais difícil do que nos damos conta. E aceitar que nem toda diferença peculiar é uma doença e precisa ser medicada, apenas bem acompanhada, é mais difícil ainda. 

Podemos começar a refletir sobre essas questões: se um mundo novo e melhor se faz necessário, qual o meu papel nesse processo de mudança?

Saudações maternais,

Pat Lins.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

SER DOENTE NÃO DEVERIA FAZER DIFERENÇA

Imagem: FAZENDO ARTE TERAPIA
Matriculei Peu na "Equoterapia" e uma mãe me perguntou: "ele não é doente, porque está aqui?". Eu respondi que era por uma questão comportamental.

Interessante é que poucas pessoas sabem dessa parte da "equoterapia". Estou coletando mais informações sobre o assunto e depois escrevo aqui. Para mostrar que trabalho bonito e os resultados gratificantes.

Lá, Peu tem contato com crianças "diferentes", especiais e com limitações de ordem física e motora, mas, crianças e jovens especialmente lindos, com a missão de nos fazer ver que a vida é mais do que o que tentamos definir. Existem coisas que não têm uma única explicação. E vejo pessoas perdendo tempo tentando explicar sem, sequer, investigar, sobre o desenvolvimento das doenças. Para mim, tem algo muito maior, além da nossa vã compreensão. 

Mas, o que me levou a escrever aqui foi um alerta: SER DOENTE NÃO DEVERIA FAZER DIFERENÇA! Vejo o cuidado com que as mães tratam seus filhos, com um amor enorme. Parece que o amor dobra para dar força àquelas mulheres. E o trabalho dos profissionais que cuidam dessas crianças, com tanto carinho e dedicação que nos comove. 

Esse contato com essas crianças tem enriquecido o mundo de Peu e o meu. Ele que é "diferente" para aqueles que têm o mesmo padrão de comportamento, é "normal", no sentido de ser "diferente", para os portadores de alguma doença. Mesmo assim, nesse mundo, não há discriminação por parte das crianças, nem dos pais. Eles estranharam Peu lá, mas, nem por isso o trataram de maneira discriminatória. Isso é uma grande lição. Todos deveríamos nos ver como semelhantes, não procurando deixar todo mundo "igual" como rotulação e/ou segregação. 

Como pais, mães, família e etc, devemos nos unir, num movimento sincero e interno de lidar com as "diferenças" como algo natural e com as exigências exageradas de padrão normótico - consumismo exagerado e afins - como algo antinatural. 

As crianças especiais são especiais para nos fazer lembrar que mesmo com as dificuldades elas vivem intensamente, ao contrário de "nós" que passamos a vida inteira fugindo da vida verdadeira!

Isso me faz ver que as crianças não têm o preconceito em si, quem preconceitua algo são os adultos que sentem necessidade de conceituar algo, ainda que previamente, para julgar e não para entender e aceitar as diferenças para saber lidar com elas. Por isso, como pais, mães e afins, devemos rever nossos valores e, com isso, permitir que nossos filhos cresçam num mundo melhor, humanamente melhor!

Saudações maternais,

Pat Lins.

terça-feira, 27 de julho de 2010

"MÃE DIZ TER SIDO AGREDIDA POR CONTROLAR FILHO AUTISTA" - diferença entre conter e bater.

                                    FOTO: Manuela Cavadas/ Ag. A Tarde
No último domingo - 25/07/2010, o Jornal A Tarde, publicou uma matéria que serve de alerta sobre o grau de conhecimento sobre a diferença entre "bater numa criança" e "conter uma criança 'especial' em crise". Como o "Mães na Prática" tem interesse em abordar temas de ordem prática em nosso cotidiano, estou levantando informações sobre AUTISMO, para colocar aqui. Quem tiver informações, por favor, me envie por e-mail. Precisamos disseminar o máximo de informações para alertar a população sobre a conduta adequada e, também, de certa maneira, proteger as mães, pais e responsáveis por crianças especiais. Para que não aconteça o que aconteceu com a baiana, Geisa de Oliveira Sapucaia, mãe de um filho autista que, ao tentar conter uma crise "de agressividade" do seu filho, de 11 anos, num ônibus de Salvador, onde ele queria quebrar uma lâmpada do coletivo, foi espancada por outros usuários do mesmo serviço de transporte, que gritavam a "lei da palmada" e alegavam, através de suas agressões, estarem executando a lei. Onde já se viu isso?! A mania de se meter na vida alheia, agora, pode se utilizar da fachada de "cumpridores da lei", através de atos insanos e violentos, em nome da lei! Se a lei aborda a temática da "não violência", o erro fica ainda maior e mais grave: os "justiceiros de plantão", provavelmente, pessoas de um equilíbrio emocional minúsculo e dotados de um intelecto de inseto, agridem em nome de uma lei contra a agressão... No mínimo, irônico.

Essa situação me remete a, na verdade, um bando de desordeiro e desequilibrados, recalcados e mal-resolvidos, que, se utilizam de uma fachada de "bons cumpridores da lei" para encobrir suas patologias e transtornos de acéfalos e inergúmenos que só têm o objetivo de falar em moral, sem possuí-la. Característica grosseira de nossa vã hipocrisia, que insiste em se estabelecer e proliferar entre nós e alimenta nossa medíocre sociedadezinha. Fiquei indignadíssima! Só uma mãe de filho autista pode saber o quanto dói nela ver seu filho em crise e, a única coisa que pode fazer, é segurá-lo com firmeza para protegê-lo. Essas mesmas pessoas que agrediram essa mãe, a culpariam se ela permitisse que a criança alcançasse êxito em sua crise e quebrasse a lâmpada do ônibus, se machucando. O que nós queremos? Um mundo perfeito? Mães perfeitas? Filhos perfeitos? Pais perfeitos? E o que fazemos para viver e desenvolver esse mundo? Com esse tipo de manifestação animalesca de colocar em prática uma lei que fala do oposto e sem direito de justificativa? A mãe, agora, precisa comprovar que é uma boa mãe... Pode?! Ela afirma, na matéria do Jornal A Tarde (leia na íntegra: "MÃE DIZ TER SIDO AGREDIDA POR CONTROLAR FILHO AUTISTA") que, agora, está levantando documentos das instituições de apoio ao autista, onde leva seu filho para tratamento e recebe as devidas orientações e instruções, para provar sua inocência, por temer novas agressões "em nome da lei".

Já escrevi sobre assunto correlato em  "O QUE OS VIZINHOS VÃO PENSAR". Cada manifestação tem sua "bandeira". Agora, com a LEI DA PALMADA, leva esse título. Para se "cumprir" a lei, antes, conhecê-la. Para se julgar o outro, antes, dar a oportunidade da explicação, o velho benefício da dúvida.

Ser mãe já é cansativo e somos julgadas e condenadas o tempo inteiro, imagine uma mãe dessas, de baixa renda e com filho especial? Por coincidência, estava eu num ponto de ônibus, na mesma cidade, próximo ao Hospital Sarah, que trata de reabilitação, e uma mãe descia com seu filho de 6 anos, que não falava e estava muito agitado. Ela, de aparência muito pobre, demonstrava extrema apatia e cansaço, enquanto seu filho, numa energia só. Quando ela segurava, com firmeza - diferente de agressão - seu punho, ele se jogava no chão. Situação muito delicada. Notei - julgamento meu... - que as pessoas no ponto não gostavam do que viam. Ela, nítidamente, nervosa, precisando se dividir entre segurar o filho - para que ele não corresse para o meio da rua - e não perder o ônibus que demora para passar. Pois, ela perdeu o ônibus, o que, naturalmente, mexeu muito e, com certeza, a deixou irritada - mas, via-se que ela não descontava na criança. Eu tentei ajudar, conversando com o menino, mas, não podia me envolver muito, por não saber como contê-lo. Perguntei a mãe se ele poderia mascar um chiclete - era o que vendia nas bancas dos vendedores ambulantes que ele pedia - e, ela, meio sem jeito, em dizer que não tinha como comprar quase negou, quando eu me ofereci para comprar. Foi uma "salvação" momentânea. Comprei uma cartela e fui negociando com ele. E ela pode ter alguns segundos para respirar. Mesmo com toda minha prestatividade, eu era uma estranha e ela, ainda, precisou reforçar o "segurar" no braço dele... E, nesse íterim, ela desabafou: "eu morro de medo dessa lei nova aí. Que não pode dar tapa na criança. Ele não tem noção de perigo e eu preciso segurar forte..." Eu me pregunto - nada contra a lei, mas, como ela está sendo disseminada e como será executada, quais os critérios e por quem... Isso, sim, é preocupante - se essas mães serão protegidas? Mães de crianças especiais vão sofrer pela ignorância e estupidez daqueles que estão ciscando para "executar" e "agir" em "nome da lei", sem saber, sequer o que ela rege e sem informação sobre os "condenados". Existe uma enorme diferença entre "conter" e "bater".

Até quando seremos vítimas de de nós mesmos? Até quando vamos nos permitir a ignorância "legitimada", em vez de abrirmos os horizontes da mente em busca de crescer?

Vou pesquisar, também sobre a "Lei da Palmada" e sobre os direitos de mães de filhos especiais, para que se tenha o mínimo de facilidade e oportunidade para essas pessoas transitarem entre os "Normais" alheios. Como mãe, como blogueira e como pessoa, me sinto na obrigação de fazer algo, nem que seja escrever aqui, num espaço aberto, um grito de CUIDADO, para todos e cada um de nós. A informação ainda é o melhor caminho. E, além das Leis, precisamos criar e exigir melhor condição de vida, de transporte público, de educação, saúde, etc e de execução da lei. Nada de sair agredindo o outro, dizendo-se na razão, sem possuí-la!

Vamos estender mais a mão ao próximo, em vez de destruir, machucar, julgar e condenar. Muito ajuda quem não atrapalha.

Saudações maternais,

Pat Lins.

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