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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

RETROSPECTIVA 2013 QUE VENHA 2014!



Pois é... este ano foi meio puxadinho para a mamãe aqui, daí o blog ter ficado meio que negligenciado... Foi fácil, não. EM NADA! Com relação ao âmbito mãe, tivemos - em família - que fazer grandes mudanças - inclusive, de casa... Limpamos o ambiente geral. Lógico que as consequências e os resultados se estabeleceram, mas, novas tentativas e novos sucessos. Fracasso? Lógico: a relação com uma escola que confiei tanto... que nos fez Experimentar o amargo e o doce de ter que ser muito firme e consciente num processo conturbado. Mas, está tudo melhorando e dando certo - ainda que muitas perdas sendo colhidas... mas, nada melhor do que reverter em ganho. Sem falso otimismo, com pés no chão e seguindo em frente, para frente! 

Essa geração de hoje em dia é um grande desafio a pais, amigos, educadores e coordenadores pedagógicos, também - aquelas que carregam a arrogância de saberem tudo, porque aprenderam em algum mestrado, essas acabam sabotando e muito essas crianças.

Mas, isso não é desculpa para não dar limite e ser firme, muito menos me impede de dar LIMITE com AMOR - mesmo que perca as estribeiras muitas vezes e fale "grosso", como diz Peu.


Eles são ávidos por viver. São ansiosos elevados à 18ª potência. Não desligam fácil. Geralmente, são arrebatados pelo sono. Acordam cedíssimo e sempre elétricos. Mas, quando bem conduzidos, usam seu potencial de segurança e autonomia, com capacidade de investigar e descobrir - Peu diz que vai ser cientista.

São artistas, EM TUDO. Sensíveis, ligados, antenados... porém, geniosos e prepotentes, porque acham que sabem de tudo. Eles vêm sabendo muito mais do que a gente sabia que sabia na infância.

As crianças de hoje em dia não apenas sabem o que querem, como sabem brigar por isso. Eles precisam de DIÁLOGO. Explicando eles COMPREENDEM. Mas, explicando com HONESTIDADE. A gente não convence essas crianças, elas já são convencidas de si... a gente expande consciência, com DIÁLOGO, sempre! E isso nos leva, algumas vezes a quase perda de auto controle... Toca fundo e não para. É um excesso de atenção e extrema vigilância que desgasta, sim. Eles, sim, nos ensinam o que a máxima "padecer no paraíso" quer dizer... a gente morre de cansaço. Mas, eles clamam por cultura, por arte, por beleza, por sol, por alegria! Eles clamam por CONTEÚDO! E um conteúdo que não seja estanque. Um conteúdo que se atualize e que considere que existe o "Muito mais do que isto aqui!"

Pois é, eles querem nos dizer algo. Eles querem nos fazer sair desse lugar chato e entediante, chamado de "zona de conforto". Na companhia deles, das duas uma: ou você ama ou você cai fora... É duro afirmar, até para uma pessoa autoritária, líder e firme como eu, mas eles SABEM o que querem e não aceitam ordens. Descobri com Peu que ele aceita orientação. Só que são crianças e também tem a questão da birra, da pirraça... do TESTAR LIMITES, como qualquer criança. A diferença? Eles só querem saber em quem confiar, porque, afinal, eles já sabem o que querem... 

Penei muito, ano passado, 2012, com relação à escola - ah, a propósito, precisei tirá-lo no meio do ano, mesmo confiando muito na professora deste ano, mas, existe uma coisa que se chama ranço e falta de humildade em (re)conhecer as próprias falhas da direção e coordenação e o quanto comprometeram o desenvolver de Pedrinho, apenas por não saberem que não sabiam o que fazer e duvidavam de quem o acompanhava, como a psi, uma equipe que trabalha com equoterapia, etc... Enfim, estávamos todos errados, apenas elas certas... e errando e eu, que precisei ser radical, pensei: "Melhor salvar meu filho! Limpar ambiente! Começar do zero!". Isso foi necessário, porém, tardio, porque o estrago estava feito. Mas, tudo ao seu tempo e sempre tem solução - e retomando sobre o início do parágrafo: e vi, na prática, o quanto a parceria com pessoas interessadas faz diferença. Tudo o que batalhamos, para lidar com o comportamento do meu filho - que é um grande desafio, diante de tamanha inteligência e capacidade de articular o que pensa e como pensa e do quanto ele entende o que acontece ao seu redor - foi comprometido em 2012 e início de 2013 por conta da falta de preparo e boa vontade da equipe da escola - que é muito boa, sim, porém, está comprometida pela cegueira e falta de humildade em assumir as próprias limitações... êta, que esse fechamento de ano está amargo... por enquanto. Pois sim, isso quer dizer que essas crianças atuais demandam de um tratamento igual, mas diferenciado... Falta equilíbrio, porque ainda não se sabe como lidar com eles, mas uma coisa já é comprovada: os métodos conhecidos não são efetivos de maneira positiva e construtiva... Caminhemos! A luta foi por compreensão e parceria... mas, virou briga e medição de forças, por falta de profissionalismo e humanismo. Para ser profissional, não tem que deixar de ser humano. E para ser humano não precisa ser cego e tacanho... Entende?! 

Um profissional seguro, aberto... é capaz de ter afeto, sim, mas isso não o impede de ser eficiente... já alguns que se gabam de "manter a distância" como sinônimo de frieza e incompetência, esses, perdem MUITO com essa nova geração, porque não conseguem fazer o que precisa ser feito e perdem a chance de conhecer um mundo novo que surge já, agora! Pena que nos faz perder, também...

Fazer escolhas conscientes e o processo constante de auto busca e autoconhecimento me ajudam muito a lidar com meu filho. A melhor maneira de ensinar é SENDO exemplo. Olha o verbo no gerúndio: é enquanto estamos crescendo e isso é todo o dia.

A nova escola me remete aos cuidados que ele teve com a equipe inicial da escola anterior: assume o desafio como desafio, assume o que se sabe até ali e assume que está ali, junto, em parceria, sem julgamento e condenação, com o tom pesado de culpa e culpado... retomamos, com essa parceria, o tom de "estamos juntos para ajudar!". 

A mudança foi positiva, apesar das consequências do que fora feito e os danos causados... daqui para frente é reconstruir. Melhor, construir. Precisamos derrubar as paredes tortas e erguemos novas e retas.

Estou escrevendo e preparando meus livros, para lançar ano que vem - assim espero!

O que mais aprendi, como mãe, é que filhos diferentes dão um mega trabalho, mas quando olhamos bem para eles e os sentimos, acredite, um mundo rico, lindo e novo é aberto. 

Para 2014? Desejo que os frutos, agora plantados, apareçam. Desejo a paz no mundo, começando pelos apaziguamentos dos mundos individuais de cada ser humano. Desejo desejar apenas o necessário! Nada de ilusão e fantasia que desviem do real. Consciência! Clamo pela consciência em todos nós!

Que 2014 venha com portas abertas para o apaziguar de ânimos. Que venha com AMOR, gente! Isso está sendo esquecido. Logo o AMOR... Desejo "queda aos rótulos"! Isso é para produtos, para nos orientar... não serve para nós, humanos!

Enfim, caso eu não consiga voltar no Natal, fica aqui o meu voto de um mundo mais acolhedor! Desejo acolhimento com consciência e amor!

Pois é: levanta, sacode a poeira e faz o que precisa ser feito!

Ano que vem, algumas novidades...

Saudações maternais,

Pat Lins.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

"EDUCAR É, ANTES DE TUDO, CONSCIENTIZAR" - Por Morgana Gazel




Isto significa que conscientizar se insere em todo o processo educativo. Vejamos. Proponho que educar é envidar ações que levem o educando a tomar conhecimento e fazer uso das condutas necessárias a seu desenvolvimento físico; a reconhecer seus padrões construtivos e destrutivos e a lidar com eles de modo adequado; a distinguir seu papel nas relações interpessoais; a se tornar ciente de seus direitos e deveres no âmbito social; a perceber que o aprendizado intelectual é um instrumento imprescindível à aquisição da liberdade de pensar e da capacidade de fazer escolhas adequadas; por último, a se dedicar a este aprendizado.
Esta concepção de educar é apenas um detalhamento baseado numa definição do Aurélio, que diz: Educação é o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social.
Se atentarmos cuidadosamente no que proponho como objetivos das ações educativas, veremos que a família tem um papel preponderante na consecução deles. Somente os dois últimos exigem a participação da escola, embora ela deva contribuir para que os demais sejam igualmente alcançados.
Ora, os pais, em sua maioria, não têm condições de cumprir todos os requisitos referentes a seu papel de educadores, pois não foram suficientemente educados. Se o filho bate em outra criança, eles se mostram compreensivos, caso contrário ficam furiosos. À noite, horário em que geralmente os membros da família têm oportunidade de interagir, uns se ocupam assistindo à TV, outros no computador. E assim segue a vida.
Se a criança chega à escola com pouca ou nenhuma educação doméstica, terá grande dificuldade de se adaptar ao novo ambiente, principalmente porque grande parte dos professores não está preparada para lidar com aluno difícil. É bom lembrar que os docentes podem também ter tido uma família incapaz de exercer satisfatoriamente o dever de educar. A coisa toda se complica ainda mais, quando um deles toma uma medida, às vezes correta, com a finalidade de corrigir uma conduta deseducada, e os pais do aluno em questão revoltam-se e o agridem. O prejuízo do professor será apenas o mal-estar, o do aluno será provavelmente jamais se tornar um verdadeiro cidadão.
Os efeitos das falhas no processo educativo alastram-se em toda a sociedade, vai até nossos governantes; muitos deles certamente vieram de lares e escolas que falharam neste aspecto. Como consequência, chafurdam no exercício da não cidadania e, portanto, não têm nenhum interesse em mudar tal situação.
Que fazer então diante desta realidade? Você deve estar perguntando-se, caso tenha tido a sorte de ser educado adequadamente. Difícil responder. Mas tenho sido assaltada por um sonho louco, no qual todos os verdadeiros cidadãos contribuem de alguma forma para educar pelo menos uma pessoa fora de sua família. No futuro deste sonho, nossos bisnetos são os pais, e o mundo é um lugar bem melhor de se viver.


NOTA: Artigo publicado no jornal A Tarde. Salvador – Quinta-feira, 19/7/2012. Imobiliário, página 6.


domingo, 16 de setembro de 2012

"DIBS EM BUSCA DE SI MESMO"


Ainda estou emocionada! Por isso, decidi sentar e escrever!

Dentro de mim mexe-se algo, como uma lagarta andante. Meu coração dá-me umas alfinetadas boas, daquelas que sentimos depois de uma boa choradeira, do tipo "lava alma". Chorei em uma parte do livro, apenas. Não sinto mais essa vontade. Apesar da sensação de quando choramos muito, diante de forte emoção positiva.

Uma conhecida, vizinha e mãe de colega de Peu que me sugeriu, do nada, uma leitura bacana que, talvez, eu gostasse. Sim. Gostei! Aliás, amei!

O livro, após pesquisar nas maiores livrarias, está esgotado pelo fornecedor. Divulguei nas redes sociais como conseguir e um colega me sugeriu comprar pela internet, livros usados. Visitei um site - Estante Virtual - pois, já havia visto uma colega pesquisando por lá. Encontrei! Comprei! Recebi dia 13 de setembro, à noite. Dia 14 à noite li das 21h até as 23:30h, conduzida pela história real e envolvente. Me vi na metade de livro. Parei. Respirei. Fechei. Fui dormir. Abri mão de tudo, no sábado a tarde, para concluir a leitura. Tive, apenas, 3 horas, o que me fora suficiente para adiantar. Hoje, por volta das 01:10h, deleitei-me com o seu final! Meu livro é velhinho e, por isso, me trouxe um sabor especial. Gosto de sentir a vivência. A vida dos livros. A leitura, para mim, é um ato sagrado. Os bons escritores, para mim, são aqueles que escrevem seguindo um dom, uma habilidade natural, agregada ao desenvolvimento efetivo de técnicas de escrita para a transmissão de uma mensagem HONESTA. Não sei de quem foi este livro antes, mas, me veio cheio de força!

Assim conheci "Dibs" e assim, conheci o meu "EU Dibs", meu "EU mãe de Dibs", meu "EU avó de Dibs", meu "EU professora de Dibs"... me vi como suas empregadas, como Jake. Me vi em cada ser humano dessa história simples, como a vida é, através de sessões de "ludoterapia" de uma criança bombardeada desde a gestação, seu nascimento, seu primeiro suspiro de vida, seus primeiro passos... e sua força essencial, única e autêntica em busca de si que permitiu, diante de ajuda profissional e com afeto, seu reencontro consigo.

Vou começar do final, de onde senti a mensagem para nós, mães reais, mães na prática diária da arte de ser mãe, pessoa, imperfeita e, ainda assim, capazes de sermos mais e melhores a cada dia. Eis a mensagem que gostaria de partilhar:

"Uma criança, quando possibilitada a oportunidade, pode vivenciar a alegria de uma comunicação honesta e sem hipocrisias. Uma mãe, quando respeitada e aceita com dignidade, sabendo que não será criticada ou censurada, pode expressar-se com autenticidade sincera.". 
(Virgínia M. Axline)
Imaginemos um mundo novo e melhor. Onde as pessoas se respeitem e cobrem e exijam menos das outras porque estarão mais voltados para si e ocupados com seus reais deveres enquanto seres humanos. Esse é o meu sonho de mundo ideal. Onde RESPEITO seria base para toda e qualquer relação, em qualquer ordem, escala, gênero e etc.

Dibs é um menino. Uma criança. Um menino diferente, mas igual aos outros meninos. Era dotado de inteligência elevada. Foi subjugado e limitado a busca de conceitos, de modelos, de padrões... Seu lado afetivo-emocional havia sido forte e gravemente abalado. Portas foram fechadas em sua vida. Portas e paredes foram erguidas em suas relações familiares. Não por ele, mas, culminou nele e, em vez de consequência, era tratado como origem dos problemas daquela família. Na escola, ninguém sabia "diagnosticá-lo", muito menos acessá-lo. Não se sabia o que ele sabia. Muito menos, quem ele era, além do nome e sobrenome matriculados naquela instituição. Senti - sensação ao ler o livro... mesma explicação para os "sentir" que se seguem -  a vontade de Dibs, bem como sua confiança na psicóloga - uma pessoa nova em sua vida; vida esta que ele temia a aproximação e o contato com qualquer outro ser humano... Senti a angústia de sua mãe, ao descobrir-se co-responsável pelo fechar de tantas portas na vida daquele ser em crescimento, jogando neles suas frustrações pessoais e profissionais como "culpado máximo e cruel". Senti a angústia dela em resgatar esse encontro que não se permitiu com o filho em seu nascimento. Senti a sua vontade de fazer valer cada dia presente como um novo caminhar nesse novo caminho que se abria, sem portas ou janelas, mas na liberdade da vida e da nossa capacidade de se refazer, desde que haja vontade! Senti o que são barreiras que nos colocamos e a importância de não reclamarmos do ambiente em que vivemos, mas, sim de sabermos em nós lidar conosco e todo o resto se encaminhará, pela força resultante dessa busca de si e desse encontro constante. Senti o quão mais importante que tudo é o AMOR. Não essas partes de amor que nos debatemos em tentativas infundadas e teóricas de conceituar esse sentimento tão nobre e inexplicável, mas, "sentível". "Dibs em busca de si mesmo" nos ensina a amar. Nos reconhecermos como únicos e autênticos, porém, com algo a ser trabalhado e melhorado, sempre.

Não vou reproduzir minhas anotações aqui... reservo-me ao direito de permitir que essas boas lições me envolvam como o abraço que me dei ao ler esses relatos. Tenho o dever de não reproduzir em respeito a quem vai ler. Acabaria forçando um(a) amigo(a) leitor(a) a ir em busca dessas mensagens, em vez de irem em busca de si. 

O livro traz um universo psicológico desmistificante. O cuidado com que a psicóloga trata o "caso" nos remete ao seu objetivo de pesquisar para ajudar um encontro de respostas às suas perguntas e uma abertura de caminho para a vida de cada paciente, fortalecendo-os em si, para que não haja o apego ou a dependência de sua ajuda por toda a vida. 

Transcrevo, aqui, apenas um trecho que me tocou como peculiar - aliás, o livro inteiro. Existem alguns sites que disponibilizam em PDF, para quem tiver interesse em começar a leitura. E o trecho - que é longo... são quase três parágrafos - diz:

"...Nada se podia afirmar ou negar.

Sem os lampejos da evidência inequívoca, defrontava-me com o mistério daquele ser, numa atitude de respeito e humildade. Sabia que as trevas da ignorância proporcionam um espaço crescente para julgamentos incoerentes e acusações tendenciosas, expressas ao sabor das emoções. Nessa atmosfera, qualquer conclusão definitiva traz em seu bojo a ambiguidade. É daí que os benefícios da dúvida podem obrigar-nos a refletir melhor sobre os objetivos e limites da avaliação humana.

O estreitamento ou a ampliação do horizonte interior do ser humano não pode ser medido pode outra pessoa. O processo do desabrochamento pessoal só se torna compreensível à luz da experiência própria de procurar-se e encontrar-se, onde, então, de diferentes maneiras é sentida a posição axial da autoconsciência. A partir dessa base, espontaneamente, aceita-se que cada personalidade tenha o seu mundo muito particular de significações, gerado na integridade de sua estória, mesmo não dispondo de elementos para explicar as razões de ser de cada um.

(...)

Desconhecemos as regras prontas, elaboradas para dissolver bloqueios mentais. Cremos que muitas de nossas impressões são frágeis. Compreendemos o valor da objetividade, da calma do estudo ordenando. Sabemos que a pesquisa é uma fascinante combinação de intuição, especulação, subjetividade, imaginação, esperanças e sonhos mesclados com dados coletados objetivamente e submetidos à realidade da ciência matemática. Um elemento isolado não basta. O conhecimento da complexa causalidade ajuda-nos a construir a longa estrada que nos conduz á verdade."

(Trecho de "Dibs em busca de si", de Virginia M. Axiline)

E tanta coisa se desenrola... 

O ideal é ler. Qualquer comentário que faça aqui não terá muito sentido. A leitura desse livro, por si só, nos leva a questionar os nossos sentidos, a vontade de crescer como ser humano e recuperar a simplicidade e capacidade de ler e refazer a vida como uma criança. Nós, mães, não somos culpadas, mas, nossa responsabilidade é nos encontrarmos em nossos papéis. Esse é o nosso maior desafio. 

Houve um momento do livro onde aparece a ansiedade dos pais em provar que o filho não é um "retardado mental", como eles colocam e a criança, gênio, por sinal, fecha-se e não permite que ninguém o vanglorie apenas pela sua inteligência intelectual, ele queria apenas, ser criança e crescer no processo natural de amadurecimento. E vem esse levantar de questão sobre essa ansiedade de nós, pais, em nivelarmos nossos filhos pelo seu grau de conhecimento apreendido. É difícil saber o quanto sabemos, o quanto uma criança é capaz de saber. É preciso que saibamos lidar com nossa ansiedade. Isso me fez recordar um episódio que vivencie quando Peu era pequeno - dois meses, apenas - e minha sogra estava perto de voltar para a Holanda, país onde morava, e, colocou Peu para engatinhar. Quando via a cena onde ela estava comovida e ele engatinhando em cima do colchão, segurei o calor que me subia pelas costas e fui, calmamente, carregar meu filho. Com os olhos marejados pela emoção, vi que o grau de ansiedade dela extrapolava o limite que o respeito a idade do bebê requeria naturalmente. Perguntei o porquê daquela atitude e ela me respondeu, inocentemente: "Quando eu voltar ao Brasil ele já estará engatinhando... Queria ver antes e ter a sensação de relembrar ver uma criança começar a engatinhar...". Também me recordo que eu, ansiosa, queria Pedro lendo e escrevendo antes da hora, seguindo o meu exemplo de criança precoce - o qual eu nunca soube lidar... Me via sem saber como lidar com o comportamento diferente de Peu e procurei "doentificá-lo" para justificar sua maneira de agir... Nisso ele me lembra Dibs, buscando liberdade, mexendo  com todos que têm o prazer de conhecê-lo - inclusive aqueles que nem se dão conta do prazer que é conhecer Pedro Henrique. Me vi enaltecendo essa mega - inteligência dele como marco. Pedro com 2 anos estava quase lendo sozinho, juntando sílabas... Hoje, com 5 anos, estamos em trabalho de quebrar a resistência dele em ler e escrever... Logo ele que com 2 anos conhecia todas as letras do alfabeto, e ordenava certinho... Que cobrou da avó, nessa idade, onde estavam "K, W e Y" no livro de alfabeto que ela bordara para ele - um livro lindo, só vendo! Ele que com menos de 2 anos, cantava "o sapo não lava o pé"  com cada vogal, sem gaguejar... Sabia todas as cores, números de 1 a 15 e algumas palavras em inglês. Onde ele represou tudo isso? Logo ele que chamou a atenção preconceituosa de um casal mineiro, no restaurante, por quase ler a placa na loja ao lado, enquanto almoçávamos, no que eles, na cara dura, se aproximaram e perguntaram: "Ele é baiano?" e, diante de nossa afirmação: "Sim." eles exclamam: "Inteligentíssimo!" - sem comentários... Provavelmente, ele se sentiu muito enaltecido por sua capacidade e, de alguma maneira, quis lembrar que ele era uma criança. Me recordo que cobrávamos dele uma atitude mais madura, haja visto que era dotado de uma inteligência acima da média... Tudo bloqueado. Desde o ano passado, Pedro demonstra resistência no aprendizado escolar. Quando para, em poucos segundos, responde tudo, como quem quer ter tempo de crédito para, apenas, brincar. Diante disso, reconheci minha angústia ansiosa e me freei - não com facilidade efêmera e superficial, mas com consciência de uma mãe que se colocou no lugar do filho de acordo com as necessidades de sua idade e vi que eu estava exigindo demais dele. Era como se falássemos de igual para igual... de criança inteligente para criança inteligente... Resgatei a minha criança que não gostava de ser vista apenas pela inteligência... haviam outros como eu e porque todo mundo só via a mim? Refiz meu caminho. - hoje, colaboro com o resgate dele e, olha, é só dar oportunidade e tentar acessar seu mundo que conseguimos resultados rápidos. Isso é tudo? Não. Trabalhamos o seu emocional abalado e seu comportamental com ajuda profissional. Não agi totalmente como a mãe de Dibs, mas, em parte, sim... Mãe ansiosa e frustrada, com medo do que representava uma criança em minha vida. Não o rejeitei, até porque, na gravidez estava muito feliz. Até mesmo com a DPP eu não o rejeitei - inclusive, essa questão de mães que rejeitam o filho após o parto tem outro nome... Se não me engando é psicose puerpural... - mas, não foi fácil lidar com tudo de vez... Quantos de nós não cede aos apelos da ansiedade? E quantos somos capazes de reconhecer?  Meu filho precisa de mim e eu dele. Nós precisamos, cada um de si próprio. Cresço e me liberto à medida que me reconheço. Ele cresce e se liberta à medida que se conhece!

"Dibs" me fez refletir muita coisa. Ele queria ser como o vento que nunca parava e estava em todos os lugares! Dibs só queria ser quem ele era! Ele constrói um "mundo de pessoas amigas", ao final de sua terapia, onde ele mesmo determina o seu término. Ele, que só falava com objetos inanimados, aprende a falar com outros humanos, com muito respeito e integridade. Ele aprende a importância de uma amizade sincera. Nesse mundo, ele fala, que todas as pessoas são amigas. Ao final do livro, já com 15 anos, ele dá provas de quanto isso faz parte de seu ser! Muito lindo! Muito emocionante! Muito edificante! Muito tocante! Muito profundo! Mas, não é doloroso. Ao menos, eu não senti dor, nem sofrimento. Senti uma vontade de viver ainda maior! Senti um calor gostoso! Senti que tenho muito a aprender e muito a ensinar. Que o meu filho precisa ser respeitado como é. E ele é uma luz na vida de muita gente. Como toda luz, também incomoda... nem todos conseguem manter-se de olhos abertos diante dele. Ele mexe, mesmo. Mexe muito. 

Se nós bem soubéssemos, não necessitamos de reconhecimento e sim de mérito. Devemos reconhecer nosso EU e assumirmos nosso dever diante da Vida. Deveríamos viver mais. Criticar menos. Julgar nada, nem ninguém. Condenar apenas a não tentativa!

Reconhecer-se dói, muito! Revelar-se e desvelar-se, dói e muito. Mas, viver cego deve doer muito mais, porque a vida passa e, depois que tempo cronológico segue e Tempo de Vida finda... todo tempo que passamos se foi. Nada mais é, apenas o que É de Verdade. Verdade, dói? Não deveria! Ele revela, indica o caminho que devemos tomar. Mas, se revelar-se dói, a verdade vai doer, também? Será? Sugiro que tentemos!

Dibs fala de amizade sincera! De honestidade. De resgates de valores humanos. Fala de amor de uma maneira diferente. Fala de esperança, ainda que não se tenha indícios de que algo possa melhorar, como não saber o que fazer, para começar... Fala da importância de VIVER A VIDA!



Saudações maternais,

Pat Lins - uma mãe, uma mulher, uma pessoa em busca de si!








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