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domingo, 27 de setembro de 2015

NIVER DE PEU - PRESENTES QUE EMOCIONAM ATÉ AS CRIANÇAS HI TECH

Imagem: Arquivo Pessoa Pat Lins

Bom, todo mundo sabe que vivemos numa realidade com quase que total dependência da tecnologia atual. Em todos os tempos, muitas tecnologias foram criadas, inclusive, base crucial, para toda essa "facilidade" que temos hoje. Prefiro dizer que apenas aprimoramos, pois criar e inventar mesmo, nossa geração fez nada; apenas demos seguimento.

Enfim, não é para falar sobre esse ponto. Mas, dentro desse contexto, existe um conflito de gerações com relação ao lazer, educação e, principalmente, com relação aos jovens e crianças que nascem e crescem dentro desse mundo informatizado - culminância do avanço tecnológico que interferiu negativa e positivamente em todos os âmbitos da vida e de todos os seres viventes, né verdade?! Vamos para frente. 

Pois sim, como agradar esse "povinho" tão "seguro" de si, por terem o mundo em suas mãos, em forma de nano chip - já me arrisco ao nano, pois ele já existe e algo ainda menor e mais potente, também... 

Simples!

Ontem, foi aniversário do meu filho - AÊÊÊÊÊÊÊÊ! Parabéns, filhão! - Já comemoramos como ele pediu: uma carta pelo correio, comer pizza com a família. 

Sim! Um menino hi tech, que adora tablets, computadores, XBOX, playstation... mas que não dispensa uma brincadeira de criança, nem pisar na terra, adora banho de mar; correr, pular, gritar - e como gosta... ai meu Deus! Pois é! Uma criança que joga "minecraft" e adora! Ele pediu uma carta pelo correio!

Fizemos uma surpresa para ele: enviei dois cartões de aniversário, escritos à mão. O pai me pediu para dar os parabéns pela rádio. Fizemos.

Liguei para uma amiga radialista, pois estou fora dos microfones, doida para voltar... - muito grata, Nardele Gomes e a rádio Metrópole! - pedindo para dar os parabéns, no horário que ele saía da escola. Sim! Em pleno século XXI, numa grande capital do Brasil, o alcance do rádio ainda é fantástico! Pois, Pedrinho escutou e ficou, sabe como? Emocionado!

Emoções, gente! As crianças têm emoções que desprezamos! Nós alimentamos esse mundo que está como está. Nós desejamos isso e nós impusemos esse ritmo enlouquecedor para as "futuras" e atuais gerações.

Voltando: quando ele escutou os parabéns pela rádio, nossa! Foi incrível!

Quando chegou em casa e viu a carta, como ele falou, secando os olhos, "carta com selo..."... vi que nada mudou! As crianças são como sempre foram: crianças! Leu a mensagem dos cartões e me abraçou, com tanto carinho, que vi que ele foi tocado pela emoção que escrevi. Parece que as palavras escritas a mão se tornam toques carinhosos em quem lê. 

Lógico que adorou os presentes que recebeu, como os bonecos Star Wars, os que fez com a avó paterna, os bombons que a vizinha deu, mas se emocionou, como um adulto, como um ser sensível, com os parabéns pela rádio e pelo correio, e o amigo que foi de surpresa. Foi lindo. Este ano, não teve festa,  mas foi celebrado como ele gosta: com família. Almoço casa da bisa e jantar. Pronto. 

Isso nós podemos fazer. Isso custa pouco, em relação à dinheiro, mas de um valor inestimável, em relação a VALOR HUMANO!

Pois é, amigas mães na prática, isso é real! Isso é possível. Não precisamos frear o avanço tecnológico, só precisamos criar condições e ambientes para que nossos filhos possam sentir suas próprias emoções e conseguirem administrar isso. Não vai transformar ninguém em santo, nem resolver todos os problemas, mas, ao meu ver, são caminhos simples para reformarmos ou redesenharmos o design atual. Podemos apresentar um novo, que não é novo.

Podemos ser mais. E permitir que eles sejam, também. A ideia deste post é apenas ser simples. Só isso! 

Saudações maternais, de uma mãe na prática totalmente imperfeita, mas que segue dia a dia como pessoa, mãe, mulher, filha, amiga, consumidora, profissional...,

Pat Lins

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

ESCOLA - UM MUNDO DE APRENDIZADO PARA PAIS, FILHOS E PROFISSIONAIS


HOJE, eu tive o prazer de vivenciar uma coisa que sempre desejei!

A diretora da escola do meu filho - não posso falar o nome, apenas por questão de preservação e segurança mesmo, afinal, este blog é aberto... e não podemos ser tão ingênuas - me fez ver que ainda existe escola que preza pelo aluno, sem medo dos pais - hoje em dia, com um perfil altamente consumista e de cobradores radicais e egocentrados... Muitos de nós está assim, mesmo... num exagero de discurso da era do consumo que, pelo amor de Deus! - e com zelo pela qualidade da instituição.

Há dois anos, vivemos uma situação - que cheguei a postar aqui - onde vi que a professora estava com problemas na sala de aula - fui investigar, fazendo hidroginástica na academia ao lado -, e a hiperatividade dele catalisava, ou seja, aumentava o que já estava fora do lugar e entendi que ela estava nervosa por conta de muitos problemas de ordem pessoal. Com isso, meu filho, além das próprias demandas e falta de apoio da coordenação, represou e bloqueou ainda mais seus conhecimentos e piorou seu comportamento. Levei o que pensava e observava à Direção, não pedindo a cabeça da professora, mas pedindo que olhassem para e por ela, porque ela não estava sabendo administrar a docência com o fato de ser professora da filha... Enfim, eu penso assim: ninguém consegue apertar um botão de liga e desliga e se tornar um profissional perfeito e equilibrado emocionalmente a ponto de nunca ser afetado. Mas, em se tratando de trabalho com criança, o cuidado com esses profissionais devem ser mais efetivos. No caso, era só trocar a professora de turma, pelo bem dela e da turma - detalhe: vários pais, inclusive os pais de filhos "padrão", se queixaram, mas nenhum levou à Direção, pois diziam que a equipe de coordenação era tão fraca que não valia a pena, afinal, eles reforçavam em casa e a criança aprendia do mesmo jeito. Passado para mim, mas, na instituição, se mantêm esse formato de trabalho, outras crianças perderam a oportunidade de se revelar. Tiro isso por meu filho, que entrou na escola numa crescente no comportamento e regrediu drastica e irresponsavelmente.

Pois, HOJE, tive uma surpresa belíssima, ao entrar na reunião e ver uma postura da Diretora segura, firma, competente e consciente do seu papel enquanto empresa e enquanto  educadora. Isso é colocar em prática os discursos teóricos que tantos outros profissionais e escolas renomadas pregam mas não praticam. Identificou um problema com a professora, por não estar respondendo ao padrão da instituição e não se adaptar aos ajustes propostos pela coordenação. A Diretora falou, clara e calmamente, que demitiu a professora e estava apenas participando aos pais que estava tudo sobre controle. Os pais a agradeceram - claro que, em se tratando de pais e mães, isso é algo preocupante, porque existe um padrão atual de exigência consumista que beira a insensibilidade e um quê de egocentrismo que, misericórdia! Os pais pensam que escola é um produto que vende ali no mercado e que seu filho é o rei e centro do Universo, onde ninguém pode chegar perto para não contaminar... - porque perceberam o impacto das atitudes da professora numa queda de rendimento dos filhos. Interessante que a postura da Diretora Pedagógica - sou muito fã dela - foi: "Eu assumo!" e está assumindo, mesmo se recuperando de um problema de saúde - ela quebrou o pé e ainda está de moleta - e acumulou a coordenação de toda a escola, com a sala de aula! Isso é ou não é motivo para agradecer a essas profissionais por me fazerem reacender a fé de que existem pessoas profissionais competentes e comprometidas?! Isso casa com o que sempre acreditei: é preciso identificar a questão no aluno e "furar o cerco" que eles criam no ambiente escolar. Não falo de milagres ou algo similar, falo de que quando se quer, se faz, porque tem VALORES organizacionais e humanos, acima de tudo, firmes e sólidos! Isso tem refletido diretamente, ainda que em pouco tempo, no comportamento de meu filho. Ele está fazendo as atividades com mais segurança, com mais vontade. Ele, agora, foi acolhido e isso tem dado o espaço para ele crescer e florescer - sem ter que virar santo ou estátua e sem elas deixarem de nos acionar. Isso é PARCERIA. Isso é reflexo de pessoas equilibradas, competentes, qualificadas e conscientes do papel que desempenham, sabendo-se e colocando-se em cada lado para avaliar a melhor decisão!

Parabéns Tiana e Mariana! Vocês são exemplo que levo no coração! Exemplo de caráter, personalidade, competência, vocação e segurança!

Não existe perfeição - nem eu sou, nem meu filho é, nem ninguém é - mas, esforço, gente, é fundamental! Responsabilidade! Elas foram extremamente responsáveis. Não se omitiram e nem foram influenciadas pelos pais cobradores - e, olha, é de enlouquecer... eu bem vejo e escuto as exigências estapafúrdias.

Esse é o papel da escola enquanto escola, enquanto instituição de ensino. A demissão foi o último recurso e não foi leviano, ou caminho mais curto para a empresa... foi consequência de um processo onde cada um deve saber qual o seu papel e cumpri-lo. 

Isso bate com uma tese que pretendo desenvolver - e vou conseguir - sobre a qualidade dos profissionais "super qualificados" que entram no mercado de trabalho, sem alma, sem sangue nas veias. Não basta ser profissional, tem que entender que se trata de uma pessoa que trabalha! Não basta ter mestrado, doutorado ou cursos e cursos. É preciso ter, antes de tudo VOCAÇÃO. E a vocação faz com que você se canse, sim, mas tem em si motivação para refazer, para transformar!

Nós, mães e pais, precisamos ter mais CONSCIÊNCIA, também, do nosso papel e da nossa VOCAÇÃO. Não basta colocar filho no mundo, tem que se abrir para o aprendizado. Temos que entender que não é só colocar no mundo que nos tornamos mães e pais, nos construimos diariamente! Nem cobrar, nem relaxar. 

Lá, com essa equipe, vejo na prática o que também preso e vivencio: caminho do meio! 

É isso que o Mundo precisa, de um mundo de pessoas conscientes do seu papel e das consequências dos seus atos. Só assim podemos ter base sólida para construir um mundo novo, renovado!

Saudações maternais,

Pat Lins.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

APRENDENDO COM OS FILHOS: MENOS É MAIS!


Pois é, quando a gente nasce mãe e pai, a gente tem a uma grande oportunidade de reaprender a viver e a ver as coisas à nossa volta.

Assim, a gente aprende que a simplicidade é a melhor solução e que todo problema só aumenta se a gente der força... 

Com meu filho, tenho aprendido que MENOS É MAIS!

Quanto menos vaidade, menos dureza, menos rigidez, menos pessimismo... mais perto da felicidade estaremos!

TUDO  o que eles REALMENTE querem de nós? Nós! O resto é a gente que ensina... é a gente que cria e repassa e afirma e instala desejos com nome de necessidade. Afinal, isso foi feito conosco, com os nossos pais, com os pais dos nossos pais e por aí segue, porque atrás vem é gente!

O tempo que nos rege é o AGORA. Que nosso "foi" seja de boas lembranças de boas bases firmadas!

Saudações maternais,

Pat Lins.

domingo, 16 de setembro de 2012

"DIBS EM BUSCA DE SI MESMO"


Ainda estou emocionada! Por isso, decidi sentar e escrever!

Dentro de mim mexe-se algo, como uma lagarta andante. Meu coração dá-me umas alfinetadas boas, daquelas que sentimos depois de uma boa choradeira, do tipo "lava alma". Chorei em uma parte do livro, apenas. Não sinto mais essa vontade. Apesar da sensação de quando choramos muito, diante de forte emoção positiva.

Uma conhecida, vizinha e mãe de colega de Peu que me sugeriu, do nada, uma leitura bacana que, talvez, eu gostasse. Sim. Gostei! Aliás, amei!

O livro, após pesquisar nas maiores livrarias, está esgotado pelo fornecedor. Divulguei nas redes sociais como conseguir e um colega me sugeriu comprar pela internet, livros usados. Visitei um site - Estante Virtual - pois, já havia visto uma colega pesquisando por lá. Encontrei! Comprei! Recebi dia 13 de setembro, à noite. Dia 14 à noite li das 21h até as 23:30h, conduzida pela história real e envolvente. Me vi na metade de livro. Parei. Respirei. Fechei. Fui dormir. Abri mão de tudo, no sábado a tarde, para concluir a leitura. Tive, apenas, 3 horas, o que me fora suficiente para adiantar. Hoje, por volta das 01:10h, deleitei-me com o seu final! Meu livro é velhinho e, por isso, me trouxe um sabor especial. Gosto de sentir a vivência. A vida dos livros. A leitura, para mim, é um ato sagrado. Os bons escritores, para mim, são aqueles que escrevem seguindo um dom, uma habilidade natural, agregada ao desenvolvimento efetivo de técnicas de escrita para a transmissão de uma mensagem HONESTA. Não sei de quem foi este livro antes, mas, me veio cheio de força!

Assim conheci "Dibs" e assim, conheci o meu "EU Dibs", meu "EU mãe de Dibs", meu "EU avó de Dibs", meu "EU professora de Dibs"... me vi como suas empregadas, como Jake. Me vi em cada ser humano dessa história simples, como a vida é, através de sessões de "ludoterapia" de uma criança bombardeada desde a gestação, seu nascimento, seu primeiro suspiro de vida, seus primeiro passos... e sua força essencial, única e autêntica em busca de si que permitiu, diante de ajuda profissional e com afeto, seu reencontro consigo.

Vou começar do final, de onde senti a mensagem para nós, mães reais, mães na prática diária da arte de ser mãe, pessoa, imperfeita e, ainda assim, capazes de sermos mais e melhores a cada dia. Eis a mensagem que gostaria de partilhar:

"Uma criança, quando possibilitada a oportunidade, pode vivenciar a alegria de uma comunicação honesta e sem hipocrisias. Uma mãe, quando respeitada e aceita com dignidade, sabendo que não será criticada ou censurada, pode expressar-se com autenticidade sincera.". 
(Virgínia M. Axline)
Imaginemos um mundo novo e melhor. Onde as pessoas se respeitem e cobrem e exijam menos das outras porque estarão mais voltados para si e ocupados com seus reais deveres enquanto seres humanos. Esse é o meu sonho de mundo ideal. Onde RESPEITO seria base para toda e qualquer relação, em qualquer ordem, escala, gênero e etc.

Dibs é um menino. Uma criança. Um menino diferente, mas igual aos outros meninos. Era dotado de inteligência elevada. Foi subjugado e limitado a busca de conceitos, de modelos, de padrões... Seu lado afetivo-emocional havia sido forte e gravemente abalado. Portas foram fechadas em sua vida. Portas e paredes foram erguidas em suas relações familiares. Não por ele, mas, culminou nele e, em vez de consequência, era tratado como origem dos problemas daquela família. Na escola, ninguém sabia "diagnosticá-lo", muito menos acessá-lo. Não se sabia o que ele sabia. Muito menos, quem ele era, além do nome e sobrenome matriculados naquela instituição. Senti - sensação ao ler o livro... mesma explicação para os "sentir" que se seguem -  a vontade de Dibs, bem como sua confiança na psicóloga - uma pessoa nova em sua vida; vida esta que ele temia a aproximação e o contato com qualquer outro ser humano... Senti a angústia de sua mãe, ao descobrir-se co-responsável pelo fechar de tantas portas na vida daquele ser em crescimento, jogando neles suas frustrações pessoais e profissionais como "culpado máximo e cruel". Senti a angústia dela em resgatar esse encontro que não se permitiu com o filho em seu nascimento. Senti a sua vontade de fazer valer cada dia presente como um novo caminhar nesse novo caminho que se abria, sem portas ou janelas, mas na liberdade da vida e da nossa capacidade de se refazer, desde que haja vontade! Senti o que são barreiras que nos colocamos e a importância de não reclamarmos do ambiente em que vivemos, mas, sim de sabermos em nós lidar conosco e todo o resto se encaminhará, pela força resultante dessa busca de si e desse encontro constante. Senti o quão mais importante que tudo é o AMOR. Não essas partes de amor que nos debatemos em tentativas infundadas e teóricas de conceituar esse sentimento tão nobre e inexplicável, mas, "sentível". "Dibs em busca de si mesmo" nos ensina a amar. Nos reconhecermos como únicos e autênticos, porém, com algo a ser trabalhado e melhorado, sempre.

Não vou reproduzir minhas anotações aqui... reservo-me ao direito de permitir que essas boas lições me envolvam como o abraço que me dei ao ler esses relatos. Tenho o dever de não reproduzir em respeito a quem vai ler. Acabaria forçando um(a) amigo(a) leitor(a) a ir em busca dessas mensagens, em vez de irem em busca de si. 

O livro traz um universo psicológico desmistificante. O cuidado com que a psicóloga trata o "caso" nos remete ao seu objetivo de pesquisar para ajudar um encontro de respostas às suas perguntas e uma abertura de caminho para a vida de cada paciente, fortalecendo-os em si, para que não haja o apego ou a dependência de sua ajuda por toda a vida. 

Transcrevo, aqui, apenas um trecho que me tocou como peculiar - aliás, o livro inteiro. Existem alguns sites que disponibilizam em PDF, para quem tiver interesse em começar a leitura. E o trecho - que é longo... são quase três parágrafos - diz:

"...Nada se podia afirmar ou negar.

Sem os lampejos da evidência inequívoca, defrontava-me com o mistério daquele ser, numa atitude de respeito e humildade. Sabia que as trevas da ignorância proporcionam um espaço crescente para julgamentos incoerentes e acusações tendenciosas, expressas ao sabor das emoções. Nessa atmosfera, qualquer conclusão definitiva traz em seu bojo a ambiguidade. É daí que os benefícios da dúvida podem obrigar-nos a refletir melhor sobre os objetivos e limites da avaliação humana.

O estreitamento ou a ampliação do horizonte interior do ser humano não pode ser medido pode outra pessoa. O processo do desabrochamento pessoal só se torna compreensível à luz da experiência própria de procurar-se e encontrar-se, onde, então, de diferentes maneiras é sentida a posição axial da autoconsciência. A partir dessa base, espontaneamente, aceita-se que cada personalidade tenha o seu mundo muito particular de significações, gerado na integridade de sua estória, mesmo não dispondo de elementos para explicar as razões de ser de cada um.

(...)

Desconhecemos as regras prontas, elaboradas para dissolver bloqueios mentais. Cremos que muitas de nossas impressões são frágeis. Compreendemos o valor da objetividade, da calma do estudo ordenando. Sabemos que a pesquisa é uma fascinante combinação de intuição, especulação, subjetividade, imaginação, esperanças e sonhos mesclados com dados coletados objetivamente e submetidos à realidade da ciência matemática. Um elemento isolado não basta. O conhecimento da complexa causalidade ajuda-nos a construir a longa estrada que nos conduz á verdade."

(Trecho de "Dibs em busca de si", de Virginia M. Axiline)

E tanta coisa se desenrola... 

O ideal é ler. Qualquer comentário que faça aqui não terá muito sentido. A leitura desse livro, por si só, nos leva a questionar os nossos sentidos, a vontade de crescer como ser humano e recuperar a simplicidade e capacidade de ler e refazer a vida como uma criança. Nós, mães, não somos culpadas, mas, nossa responsabilidade é nos encontrarmos em nossos papéis. Esse é o nosso maior desafio. 

Houve um momento do livro onde aparece a ansiedade dos pais em provar que o filho não é um "retardado mental", como eles colocam e a criança, gênio, por sinal, fecha-se e não permite que ninguém o vanglorie apenas pela sua inteligência intelectual, ele queria apenas, ser criança e crescer no processo natural de amadurecimento. E vem esse levantar de questão sobre essa ansiedade de nós, pais, em nivelarmos nossos filhos pelo seu grau de conhecimento apreendido. É difícil saber o quanto sabemos, o quanto uma criança é capaz de saber. É preciso que saibamos lidar com nossa ansiedade. Isso me fez recordar um episódio que vivencie quando Peu era pequeno - dois meses, apenas - e minha sogra estava perto de voltar para a Holanda, país onde morava, e, colocou Peu para engatinhar. Quando via a cena onde ela estava comovida e ele engatinhando em cima do colchão, segurei o calor que me subia pelas costas e fui, calmamente, carregar meu filho. Com os olhos marejados pela emoção, vi que o grau de ansiedade dela extrapolava o limite que o respeito a idade do bebê requeria naturalmente. Perguntei o porquê daquela atitude e ela me respondeu, inocentemente: "Quando eu voltar ao Brasil ele já estará engatinhando... Queria ver antes e ter a sensação de relembrar ver uma criança começar a engatinhar...". Também me recordo que eu, ansiosa, queria Pedro lendo e escrevendo antes da hora, seguindo o meu exemplo de criança precoce - o qual eu nunca soube lidar... Me via sem saber como lidar com o comportamento diferente de Peu e procurei "doentificá-lo" para justificar sua maneira de agir... Nisso ele me lembra Dibs, buscando liberdade, mexendo  com todos que têm o prazer de conhecê-lo - inclusive aqueles que nem se dão conta do prazer que é conhecer Pedro Henrique. Me vi enaltecendo essa mega - inteligência dele como marco. Pedro com 2 anos estava quase lendo sozinho, juntando sílabas... Hoje, com 5 anos, estamos em trabalho de quebrar a resistência dele em ler e escrever... Logo ele que com 2 anos conhecia todas as letras do alfabeto, e ordenava certinho... Que cobrou da avó, nessa idade, onde estavam "K, W e Y" no livro de alfabeto que ela bordara para ele - um livro lindo, só vendo! Ele que com menos de 2 anos, cantava "o sapo não lava o pé"  com cada vogal, sem gaguejar... Sabia todas as cores, números de 1 a 15 e algumas palavras em inglês. Onde ele represou tudo isso? Logo ele que chamou a atenção preconceituosa de um casal mineiro, no restaurante, por quase ler a placa na loja ao lado, enquanto almoçávamos, no que eles, na cara dura, se aproximaram e perguntaram: "Ele é baiano?" e, diante de nossa afirmação: "Sim." eles exclamam: "Inteligentíssimo!" - sem comentários... Provavelmente, ele se sentiu muito enaltecido por sua capacidade e, de alguma maneira, quis lembrar que ele era uma criança. Me recordo que cobrávamos dele uma atitude mais madura, haja visto que era dotado de uma inteligência acima da média... Tudo bloqueado. Desde o ano passado, Pedro demonstra resistência no aprendizado escolar. Quando para, em poucos segundos, responde tudo, como quem quer ter tempo de crédito para, apenas, brincar. Diante disso, reconheci minha angústia ansiosa e me freei - não com facilidade efêmera e superficial, mas com consciência de uma mãe que se colocou no lugar do filho de acordo com as necessidades de sua idade e vi que eu estava exigindo demais dele. Era como se falássemos de igual para igual... de criança inteligente para criança inteligente... Resgatei a minha criança que não gostava de ser vista apenas pela inteligência... haviam outros como eu e porque todo mundo só via a mim? Refiz meu caminho. - hoje, colaboro com o resgate dele e, olha, é só dar oportunidade e tentar acessar seu mundo que conseguimos resultados rápidos. Isso é tudo? Não. Trabalhamos o seu emocional abalado e seu comportamental com ajuda profissional. Não agi totalmente como a mãe de Dibs, mas, em parte, sim... Mãe ansiosa e frustrada, com medo do que representava uma criança em minha vida. Não o rejeitei, até porque, na gravidez estava muito feliz. Até mesmo com a DPP eu não o rejeitei - inclusive, essa questão de mães que rejeitam o filho após o parto tem outro nome... Se não me engando é psicose puerpural... - mas, não foi fácil lidar com tudo de vez... Quantos de nós não cede aos apelos da ansiedade? E quantos somos capazes de reconhecer?  Meu filho precisa de mim e eu dele. Nós precisamos, cada um de si próprio. Cresço e me liberto à medida que me reconheço. Ele cresce e se liberta à medida que se conhece!

"Dibs" me fez refletir muita coisa. Ele queria ser como o vento que nunca parava e estava em todos os lugares! Dibs só queria ser quem ele era! Ele constrói um "mundo de pessoas amigas", ao final de sua terapia, onde ele mesmo determina o seu término. Ele, que só falava com objetos inanimados, aprende a falar com outros humanos, com muito respeito e integridade. Ele aprende a importância de uma amizade sincera. Nesse mundo, ele fala, que todas as pessoas são amigas. Ao final do livro, já com 15 anos, ele dá provas de quanto isso faz parte de seu ser! Muito lindo! Muito emocionante! Muito edificante! Muito tocante! Muito profundo! Mas, não é doloroso. Ao menos, eu não senti dor, nem sofrimento. Senti uma vontade de viver ainda maior! Senti um calor gostoso! Senti que tenho muito a aprender e muito a ensinar. Que o meu filho precisa ser respeitado como é. E ele é uma luz na vida de muita gente. Como toda luz, também incomoda... nem todos conseguem manter-se de olhos abertos diante dele. Ele mexe, mesmo. Mexe muito. 

Se nós bem soubéssemos, não necessitamos de reconhecimento e sim de mérito. Devemos reconhecer nosso EU e assumirmos nosso dever diante da Vida. Deveríamos viver mais. Criticar menos. Julgar nada, nem ninguém. Condenar apenas a não tentativa!

Reconhecer-se dói, muito! Revelar-se e desvelar-se, dói e muito. Mas, viver cego deve doer muito mais, porque a vida passa e, depois que tempo cronológico segue e Tempo de Vida finda... todo tempo que passamos se foi. Nada mais é, apenas o que É de Verdade. Verdade, dói? Não deveria! Ele revela, indica o caminho que devemos tomar. Mas, se revelar-se dói, a verdade vai doer, também? Será? Sugiro que tentemos!

Dibs fala de amizade sincera! De honestidade. De resgates de valores humanos. Fala de amor de uma maneira diferente. Fala de esperança, ainda que não se tenha indícios de que algo possa melhorar, como não saber o que fazer, para começar... Fala da importância de VIVER A VIDA!



Saudações maternais,

Pat Lins - uma mãe, uma mulher, uma pessoa em busca de si!








domingo, 5 de agosto de 2012

COMO ENTENDEMOS "LIMITES"?


"O CÉU É O LIMITE". Essa questão sobre limites sempre rende pando para a manga. Isso porque, eu - Patricia - em minhas observações do cotidiano - ou, na prática diária da maternidade e/ou paternidade e/ou "avoternidade"... - que os "limites" não são muito bem definidos em nossas cabecinhas. A gente ou acredita que limite é medo, como os limites impostos com rigor e a disciplina militar; ou que limite é sempre berrar com a criança; ou, ainda, que limite é aquilo que só é necessário se a criança for agitada... onde, se a criança apenas for chorona e quiser muito uma coisa, é só dar o que ela quer que ela para...; ou, criança com limite nunca testa os pais e pede novos limites... Enfim, muito confundimos muito o que vem  ser limite porque nós mesmos temos medos dos nossos para nossa melhoria pessoal e muito nos foi imposto como limitação e não sabemos bem o que limite significa, daí, como dar aquilo que a gente não tem de verdade?

Uma amiga sempre me disse que eu deveria ser mais flexível com Peu e menos rígida, que para educar e dar bons limites é muito melhor e menos desgastante se for baseado em um movimento sincero, consciente, firme, com atitudes coerentes ao que "estipulamos" como limite e com amor. Ou seja, coisa simples, simples, mas que acaba sendo nada fácil. E, não é que é verdade? Como ela disse: "não fui eu quem inventou isso, basta ver como as coisas realmente são.". Bom, esse é o nosso ponto: a gente tem dificuldade em ver as coisas como realmente são. No geral, vemos aquilo que nossos olhos nos limitam a ver e acreditamos que somos capazes de enxergar - usando apenas um dos órgãos dos sentidos... sozinho, não faz tanto sentido assim... -. Nossa dureza pessoal dificulta essa processo. Nossas carências, nossos tabus, nossos pensamentos e mentes bloqueadas dificultam a simplicidade do processo. Ficamos presos ao fato de nos terem imposto e, por não conseguirmos nos esforçar em nos libertar e seguir nosso rumo, acabamos presos a esse dilema de "culpa e culpado" onde nossos pais são os algozes de nossas prisões emocionais. Como passar algo livre para os nossos filhos? Acabamos repetindo o molde de limitação, sem percebermos. Acabamos sendo levados muito mais pelo medo de ser julgado um pai ou uma mãe sem pulso, do que observar a real necessidade do filho.

Como dar limites se nós somos limitados?

Venho observando em meu dia a dia o quanto LIMITE tem muito mais relação com os valores éticos e morais do que com uma imposição de medo, em vez de respeito. Primeiro: o que vem a ser respeito? Nós colocamos muito o respeito como um medo disfarçado... Já perceberam isso? Ou, já se perceberam assim? Como respeitar algo se em nossa cultura vigora a "lei da vantagem"? Como ensinar "respeito" num ambiente onde se coloca que seres respeitosos são "otários", "maricas", "manés"... ou qualquer termo pejorativo incorporado ao nosso cotidiano? Os limites têm base no RESPEITO. É muito mais um trabalho a longo prazo, é um trabalho constante... demanda diária. Para mim é um trabalho de construção de base, de formação moral, mesmo. Se tivermos claros os bons valores, se isso fizer parte do nosso dia a dia, o limite será algo natural - e ninguém entenda "natural" como algo sem esforço, sem dificuldade. Senão, se ainda temos muito que entender e aprender, esse processo natural será mais lento, porque precisaremos reconstruir nossas próprias bases pessoais para termos a mínima condição de firmar essa base em nossos rebentos. Mas, somos reflexos de nossos arquétipos, digamos, confusos... mas, somos seres livres para buscar apoio - lógico, antes de tudo é necessário identificarmos em nós algo que requer atenção e mudança, senão, nos mantemos nesse ambiente e gravitamos nessa órbita sem sentido... - e transformarmos nossa condição. Eu admito: dói! Dói, muito! Mas, vale a pena. A dor vai passar, mas, o que fica de bom é para sempre. Assim, conseguimos nos focar no que importa: no limite natural pela moral e pela boa conduta, pela ação correta e pelos pensamentos elevados e as comparações com "os amiguinhos" ou com "os outros" - que não é, nem deveria ser critério para avaliação - deixa de existir

Ontem, voltando do aniversário vivenciei algumas situações conflitos com crianças, escutei algumas "conclusões" baseadas em julgamentos pessoais - aqui eu "julgo" baseado em minhas conclusões pessoais, mas, com uma diferença, estou refletindo... - e vi, mais uma vez o quanto a gente julga e o quanto se dividir gera um tipo de avaliação com dois pesos e duas medidas e o quanto isso é perigoso. Vou explicar: assim que chegamos, fui cumprimentar o aniversariante. Como já sei como ele é, o quanto é arisco, não forcei o contato e fiz um "venha de lá" e ele veio bater forte em minha mão. Eu apenas brinquei e disse: "cuidado, rapaz, com essa força toda você pode machucar a sua mão...". Ele quis testar e comprovou: a mão dele doeu - fora que eu estava com um anel e, diante da minha observação, troquei de mão para não ser mais dolorido para ele. Ele me pediu para fazer de novo e que ele faria mais devagar. Repetimos o cumprimento e foi beleza! Ele bateu mais devagar. Quando meu marido chegou, abraçou o menino e o carregou. Levou dois socos no rosto. Bom, criança toma susto. A gente tem que chegar de leve. Isso justifica os socos? Não. Até aí, tudo bem. O problema foi que, a criança quando viu que sua ação teve reprovação - os olhares ao redor o fizeram ver isso - se jogou no chão e começou a chorar. A avó e a mãe correram para vê-lo. Uma senhora que fora "testemunha", avisou a avó - que já fitava o filho com uma certa reprovação e condenação, onde, pelo olhar, ela dizia: "o que você fez com o seu sobrinho?"... ou seja, mãe que não conhece o próprio filho, pois ela sabe que o filho dela adora criança e tem um filho pequeno, também... - e a senhora explicou que o tio carregou o sobrinho, todo amoroso e o sobrinho o socou. Bom, a avó do menino sequer se aproximou, quando viu que havia sido injusta com o próprio filho, mudando de ambiente e optando por não ver e não fazer parte daquele momento... A mãe do menino foi escutar o filho e ele babava, gritava/berrava tudo muito embolado - dava para ver que ele queria confundir - e dizia: "ele me fez uma coisa... ele me fez uma coisa...". Quem estava de fora era capaz de acreditar que o menino havia sido machucado pelo adulto. Hoje em dia, é bom termos sempre "testemunhas", porque as crianças, sim, elas sabem "criar" umas "mentirinhas" para salvar a pele... Pois bem, a mãe teve a atitude de escutar os dois lados e advertiu o filho: "Meu filho, por que você fez isso? Peça desculpa ao seu tio.". O menino relutou, inventou mais uma desculpa... segundo ele: "eu não reconheci ele". Alguém falou, na hora e ele repetiu: "ele deve ter estranhado" e ele aproveitou e usou... Alguma criança é santa? Não. A gente já nasce sabendo sobre julgar e ser julgado... Está no ar que a gente respira desde o nascimento. Nós, adultos, é que precisamos ter mais "jogo de cintura" para saber lidar de maneira mais justa e imparcial.

Continuando: o aniversariante tem uma característica que os pais não dão importância. Ele costuma fazer o que quer. Se você o deixar fazer o quer, ele fica quieto no canto dele, o que, para eles é "não dá trabalho, nenhum...". Se você disser um "não" - ainda que não use a palavra "não", uma negatividade simples - ele se transforma, grita, chora, baba e, em alguns momentos, faz xixi nas calças - isso, para eles, é besteira...-. Durante a festinha, uma menina - que não deveria ter 2 anos - e não fala direito, se aproximava dele e dava um gritinho, tentando estabelecer contato. Ele chorava. Quando mais ele chorava, mais a menininha se assustava e se aproximava dele, como quem quer saber o que está acontecendo. Ele chorava mais. A avó estava nitidamente nervosa e culpando a menininha. E dizia: "ele tá chorando por causa dela. Ela grita e ele se assusta e chora...". Eu perguntei, para introduzir uma reflexão: "ele está com sono?", no que ela me responde: "Não. Ele está assustado é com a menina mesmo. Tem que tirar ela dali...". Ou seja, os adultos "compram" um briga que não existe e, em vez de ajudar a criança, a estabelecer o tal limite, alimenta uma limitação. A avó do menino não queria que nada fizesse o neto chorar, mas, em momento algum permitiu que o bom senso imperasse e sentou para abrir diálogo com o menino. Ele era a "vítima" e pronto. E o esclarecimento? Isso ajuda no limite, também. Quando a criança entender que aquilo não é um ataque, ele vai chorar? Resultado, nem deu tempo de tentar conversar com a criança, ela foi "arrancada" de lá e levaram-no para outro ambiente. Isso resolve? Mudar o ambiente, mudar de lugar, resolve? O que não soluciona, para mim, não resolve. O problema está lá. Houve ambiente para um crescimento aí? Os adultos demonstraram toda a fragilidade e falta de limite próprio. As carências e os medos falaram mais alto. O "resolver", explicar, nem passou perto.

Pois bem, já de volta para casa, estávamos levando a avó do aniversariante, quando o meu filho, diante de um comentário que fiz - sobre um parque que ele ia, todo ano, e fora vendido - não gostou e se irritou, arremessando o brinquedo no chão do carro. Quando eu fui começar a estabelecer contato com meu filho - lógico, uma atitude de demonstração de raiva com arremesso de objeto, para mim, não é uma boa atitude e, não é porque é meu filho que vou agir diferente -, de explicar para ele que isso era algo que estava fora do alcance dele e que a irritação não o ajudaria a resolver, ela falou: "Você precisa ser pró-ativo. Quando eu vou a praia, por exemplo, e vejo lixo no chão, eu cato. Não vou mandar o lixeiro catar, nem jogar na casa do prefeito...". Bom, sem saber como conectar uma coisa com a outra, eu tentei dar um sentido: "Nem jogar areia para o alto, ou chutar a areia... Porque não iria resolver. Agora, quem vai ficar sem o brinquedo é você e não mudou nada no parque...". Ela nos questionou: "Tem que ver. Ele arremessa as coisas assim, quando está irritado, é? Isso não é bom!". Lógico que não é bom! E a gente não deixa passar em branco. Estabelecemos o que chamamos de limite com o levantar de questões que façam Peu enxergar as próprias ações. De nada adiantaria eu agir como agia e reclamar com ele, dizendo: "Não faça isso, Pedro. Isso é errado! Coisa feia, ficar jogando o brinquedo no chão de raiva!". Era essa a minha tática. Hoje, o levo a refletir. E tem funcionado melhor. Sou uma mãe melhor do que as outras? Pedro mudou de uma hora para outra? Não. Estou aprendendo. Mudando em mim e observando mais. Vendo quem é meu filho e vendo qual a melhor maneira de ajudá-lo. Meu intuito é dar uma boa base de formação moral ao meu filho, para isso, tenho que me ver, o ver e nos ver. Como estávamos na frente dele, apenas agi como ajo e não dei grandes explicações para ela - não era o momento -, que me julgou uma mãe sem "pulso", por apenas dizer: "Meu filho, agora, quem está sem brinquedo é você. A raiva te fez perder e não resolver...". Primeiro, fui interrompida quando começava a falar com ele - detectei e agi - o que demonstrou a invasão e ela, sequer se deu conta de que eu tenho minha - nova - maneira de agir; muito menos, respeitou esse espaço mãe-filho... - fora que ficou evidente os dois pesos e duas medidas com a qual ela "julga"... Tentei não alimentar essa parte, para não perde o foco que era educar Peu. Quando eu vejo uma situação-conflito entre pais e filhos, me recolho a observadora. O primeiro contato é entre eles. Quando agi, não a satisfiz, onde ela nos contou: "Eu penso que o problema das  crianças, hoje em dia, seja o fato dos pais não saberem dar limites...". Pode parecer que tenha sido indireta, mas, não acho... Eu conheço a pessoa e sei que foi muito mais um pensamento desarticulado... Não creio que ela não tenha visto como ela agiu com o neto e como eu estava agindo com meu filho - eu vi que ele teve um comportamento ruim e ia agir, quando fui interrompida... Não ia brigar com ela, esperei ela concluir e continuei, com meu filho. Nem ela sabe o que quer dizer limite. Isso ficou nítido quando ela tirou o neto do ambiente, sem deixar a própria mãe do menino esclarecer - no episódio onde o menino chorava com o gritinho da menininha. Ou seja, é uma pessoa que não vê as próprias ações e age como a maioria de nós: o erro só está nos outros. Ela deu sequência: "Estava num ponto de ônibus e um pai e um filho mascavam chiclete. O menino terminou e jogou no chão. O pai chamou a atenção do garoto e o mandou jogar no lixo. O menino foi, jogou, depois, chutou o lixo, jogando-o no bueiro. Daí, eu me questionei: falta os pais darem limite as filhos, hoje em dia...". Bom, deu um leve nó em minha cabeça. Para mim, as coisas precisam ter um mínimo sentido lógico. Como não entendi indaguei - existe outra maneira de esclarecer uma dúvida? -: "Mas, o pai deu um 'limite' quando orientou que o filho jogasse o lixo no lixo. Pelo que entendi, o filho testou esse limite, criando uma nova situação. E o pai, como reagiu, diante desse teste?". Não obtive resposta, apenas um: "o lixo havia caído no bueiro, não tinha como fazer mais nada...". O que eu queria saber era: "como o pai conduziu, como agiu diante dessa nova investida do filho?". Então, coloquei: "...filhos, você bem sabe, porque tem 2, sempre testam nossos limites, quando tentamos 'dar-lhes' limites. O 'como' vamos agir ou reagir é que faz a diferença. Por isso que levo Pedro a refletir, para que ele entenda que o que ele fez é prejudicial. É a maneira que encontramos e tem surtido efeito, mesmo assim, ele não para de criar novas situações para nos testar...". A conversa parou aí, assim, mesmo. Outro assunto foi puxado e o "fim" fora imposto: "caiu no bueiro".

Em geral, fazemos isso: mudamos o superficial - como tirar o menino do lugar, sem diálogo, sem esclarecimento... apenas afirmando para ele, em forma de ação: "faça o que quiser" - ou, mudamos de assunto, para não olharmos o que precisamos ver, já que "o lixo caiu no bueiro". O não pensar em soluções limita muito uma ação de "limite". Sem identificar o que corrigir, corrigir o quê? A diferença está na AÇÃO: NA CONSCIÊNCIA DE QUE UMA AÇÃO SE FAZ NECESSÁRIA  e na CONSCIÊNCIA DE QUAL AÇÃO TOMAR.

Quantos de nós já passou - em shoppings centers é muito comum, ambiente favorável para os pequenos testarem nossas forças mentais... oh, Deus! - por uma criança fazendo birra, se jogando no chão e dissemos: "Se fosse meu filho ele iria ver..." ou "Isso é falta de pulso dos pais, que não sabem dar LIMITE..."? E, quantos de nós, ao passar pela mesma situação nos arrependemos dos comentários cruéis e dizemos: "Ai, meu Deus, agora eu sei o que os pais que julguei passaram...".

Gente, educar um filho é brinquedo? Fale sério. Mas, falta um pouco de boa vontade da gente, falta não? Seria bacana se entendêssemos que, para começar, somos criaturas imperfeitas querendo ver a perfeição em nossas - que não são nossas, na verdade - criaturinhas. 


Estou revendo os meus próprios conceitos, mexendo muuiiitttoo em mim mesma, para saber ser um exemplo para meu filho. Isso é garantia de que ele siga o mesmo caminho? Não. Entretanto, ele saberá que pode escolher, assim como a mãe dele fez. E, finalmente, entendi que LIMITE é algo que se baseia nos bons valores - estes são os verdadeiros limites humanos e não limitações -, principalmente, com RESPEITO e na CONSCIÊNCIA DE QUE PODEMOS ESCOLHER SEGUIR UM CAMINHO MELHOR. O limite, para mim, tem muito mais a ver com o (re)conhecimento do DEVER. Falta em nossa cultura humana, o entendimento de que somos responsáveis por nossas ações e suas consequências e isso gera um dever para conosco e para com o outro.

LIMITE É SABER ATÉ ONDE PODEMOS IR, SEM INVADIR, MACHUCAR O OUTRO. Aqui, faço uma ressalva: machucar é algo questionável, porque tem gente que se dói por tudo e tem mania de perseguição, então, agir com uma pessoa dessas sempre será um risco... porque caberá a cada um lidar com os próprios melindres e tentar se livrar deles. Ou seja, se cada um fizer a sua parte de autobusca e reconhecimento dos próprios limites - ou, nesses casos, das próprias limitações - para estabelecer um caminho mais razoável e menos doloroso, abre-se caminho para o estabelecimento natural do LIMITE. Baseamos o limite em muita dor. Em nossas dores, em nossas vergonhas... em nossos medos de julgamento.

LIMITE é um desafio, porque não é fácil estabelecer o que não entendemos direito... O LIMITE - esse que tentamos conceituar - está diretamente ligado a LIBERDADE - não libertinagem -, onde CÔNSCIOS de nossos DEVERES e das nossas AÇÕES  e suas consequências, podemos agir, sabendo para onde e por onde ir. O LIMITE liberta. Ele norteia uma ação. A confusão com o podar como limite já deveria ter sido superada, mas, como ainda não foi, caba a cada um de nós ir construindo esse caminho do bem, pelo bem e para o bem! Só assim, seremos capazes de separar o "joio do trigo" de nossas ações.








Saudações maternais,

Pat Lins.

domingo, 24 de julho de 2011

DR PEU E SUA MALETA DE MÉDICO

Peu tem melhorado e muito seu comportamento. Como venho aprendendo, não mudamos o temperamento da criança, mas, podemos contribuir na formação do bom caráter. Com isso, os temperamento acaba sendo "adestrado" pelo tempo e pelo grau de consciência e compromisso com as responsabilidades de cada ação. Ou seja, se eu faço algo, esse algo acarreta em um tipo de consequência. Daí, pergunto: "você acha certo esse comportamento? É correto isso que você fez?..." E assim, além de ocupar o tempo dele com atividades ainda mais produtivas como os jogos educativos - quebra-cabeça; cruza palavras; revistinhas de pintura -; mantenho nossas leituras; tomei a cautela de sair para lugares menos movimentados e/ou agitados e com pessoas que gostam e sabem lidar com criança - isso é muito impotante... deixei de ir a determinados lugares onde as pessoas vivem de maneira superficial e repletas de ansiedade... o ambiente fica agitado, as conversas são agitadas e sem foco... isso atrapalha muito lidar com Peu nesses lugares, porque ele é elétrico e nesses lugares ansiosos, as pessoas não param de falar e fico em saber como lidar com ele e essas pessoas que são incapazes de perceber como estão agindo... em meio a essa aceleração, fica uma falação, só, uma barulhada e ele fazendo de um tudo para chamar a atenção. Num desses episódios, para terem idéia, ele pediu água para uma determinada pessoa e ela respondeu: "aqui não tem refrigerante, não!". Por Deus, se a pessoa não sabe nem como está agindo, alguém acha que que terá a capacidade de saber lidar com uma criança questionadora e esperta ao extremo como Pedro?. Não é que não frequentemos diversos lugares, vamos a shoppings, cinema, piscina, parques... e na casa dessas pessoas ansiosas e agitadas, também - que nem percebem que ele puxou esse mesmo agito... mas, tudo bem... cai para mim, que sou mãe, lidar com meu filho como ele é...

Bom, um dos brinquedos favoritos dele é a maleta de médico. Ele "cuidou" de mim, no início do ano, antes d´eu perder o bebê e estava enjoando muito. Pegava a maletinha e ia cuidar da mamãe e do irmãozinho. Uma graça. Hoje, o pai se machucou e ele saiu correndo em direção ao quarto. Prontamente, volrou e abriu sua bendita maletinha de médico e se jogou por cima do pai, dizendo: "fique tranquilo, pai, vou cuidar de você!". Muito lindo! Ah, não, não acho que ele vá ser médico ou qualquer outra profissão, deixo-o brincar sem cobrar: "você vai querer ser isso quando crescer, filho?". Ele gosta de montar prédios, de pintar com tinta, tocar, cantar e dançar, de encenar, de dublar... Ele gosta e faz tanta coisa que é difícil dizer o que ele vai ser. Mas, a reação dele de cuidar demonstra a sensibilidade que ele tem e o zelo que tem conosco - eu e o pai. Está cada dia mais carinhoso. Bom, continua teimoso e desobediente - não como quem não quer acatar o que falam os adultos, mas, por achar que ele é capaz de fazer e esse é um grande desafio, fazê-lo compreender que ele é criança e, por mais esperta que seja, é criança, sem podá-lo, a ponto de frearmos sua proatividade. Infelizmente, estava canalizando as investidas de limite da professora com agressividade... Hoje, está melhor, afinal, o tempo vai passando e o fato de mantermos a postura dia após dia, mesmo que ele resmungue, mantemos a coerência. Creio que isso, associado ao fato de procurarmos uma psicóloga fantástica e a escola e todos falando a mesma língua - inclusive, algumas atividades que faço com ele em casa, seguem a linha da escola - está fazendo com que ele veja - ainda que a longo prazo - e sinta que estamos acima dele e aceita, aos poucos, que ele não está no topo da hierarquia. Mas, um fato foi/é primordial e, esse sim, foi uma ajuda importante, porque era por onde ele encontrava a brecha para se sentir poderoso: o pai. O pai está mais firme com ele, sabendo que precisa ser firme e sem se sentir culpado em ser firme, já que passa a maior parte do tempo longe dele... Agora, fechada a brecha que ele escapava, o cerco foi fechado - risos - e estamos conseguindo fazer um trabalho disciplinar mais eficiente e o peso não está mais só em minhas costas, de ter que enquadrar e implorar as pessoas mais próxima que não cedam às chantegens dele... Sim, precisei me afastar de algumas pessoas. Como são de importante referência para ele, visitamos essas pessoas com menos frequencia, porque a idéia não é afastar ninguém de ninguém, mas dar espaço mais saudável para a formação de caráter desse mesmo menino que pega a maleta de médico para cuidar dos pais, mas, que, em meio a essas pessoas, só quer correr e gritar. Vi que ele ficava acelerado pela aceleração local e precisei manter uma distância ultra saudável. Bom, não pude, nem posso, explicar a essas pessoas as razões de minha conduta, mas, acreditem, para bem educarmos nossos filhos, até os 7 anos precisamos - penso eu - dar uma base muito sólida e, em meio a turbulência não é um ambiente apropriado... Não sei se estou certa ou errada, mas, eu também não sei lidar nesses ambientes com tanta informação desencontrada e tanta hipocrisia... assim, não poderia passar uma postura coerente a meu filho. Mais um belo motivo para me afastar. Não, não me acho melhor do que ninguém, mas procuro ser muito coerente em meu caminho e se me deparo com esses ambientes, me canso mais rápido.

Enfim, para propriciar a boa formação de caráter de um filho, precisamos buscar a nossa, também. Para que o menino Dr Peu possa expandir e firmar suas virtudes, é preciso que ele as conheça de perto, sem confusão, com cuidado. Por isso, me cerco cada vez mais de pessoas que sigam a mesma linha e, com esse apoio real e fundamental, fazemos que dele emane aquilo que há de melhor. Infelizmente, nos lugares de agito e ansiedade , só se via a correria dele e nada mais... Se uma pessoa é incapaz de se chegar a uma criança, o que faremos lá? Questão de respeito para ambas as partes. Aos poucos, com a energia acelerada dele acentando, teremos mais liberdade de entrar e sair desses lugares sem efeitos desgastantes ou abalos consideráveis. 

Educar um filho, formar, de maneira positiva, seu caráter, é ter além do zelo e do cuidado a consciência - ou a busca para acessá-la - de que formamos um indivíduo e que não podemos fazê-lo se não nos conhecemos. Precisamos resgatar nosso bom caráter - ou, em alguns casos, desvelá-los - para passarmos com verdade para o pequeno indivíduo em formação, não passarmos nossas frustrações ou taparmos nossos buracos e carências através da manipulação. Educar um filho requer muito mais de nós: requer a nós mesmos.

Ver o resultado positivo de maneira clara no comportamento dele é um estímulo para continuar no caminho e vivendo mais feliz, ao obter pequenas vitórias.

Saudações maternais,

Pat Lins.

domingo, 5 de junho de 2011

FILHOS EM FÉRIAS - dicas de Maria Irene Maluf


 Estamos próximo as férias de meio de ano - também conhecidas como férias juninas. Além dos cuidados com os fogos de artifício - para regiões onde se comemora o São João - e os acidentes que o uso indevido e irresponsável deles pode causar, as férias requerem muitos outros cuidados; precisamos estar atentos, também, a lembrança de que férias não é só programar uma viagem e vamos "esquecer" as "chatices" e os "problemas do dia-a-dia". Os bons valores precisam ir junto a qualquer lugar que se vá. A educação dos nossos filhos não precisam entrar de férias.


Acima de tudo, vem a explicação da importância em se entrar de férias nessa fase escolar - haja visto muitos pais e/ou responsáveis questionam: "não fazem nada e ainda tiram férias..." - Muitos adultos acreditam que "coisa séria" é só trabalhar e "ganhar" dinheiro. Leiam e aproveitem a leitura.

Segue abaixo a dica da Maria Irene Maluf - que é Especialista em Psicopedagogia e Educação Especial, Editora da revista Psicopedagogia da ABPp e Coordenadora/SP do Curso de Especialização em Neuroaprendizagem do Instituto Saber/FACEPD. 

Obrigada a Mariana Carneiro e Denise Monteiro pelo texto da Maria Irene Maluf.

 Filhos em Férias
- Por Maria Irene Maluf -

As férias escolares trazem às famílias muitas dúvidas em relação ao que proporcionar às suas crianças nesse período. A primeira idéia é quase sempre planejar uma viagem, mas a realidade é que, hoje, com pai e mãe trabalhando fora, tornou-se difícil fazer coincidir o período de férias do casal junto com o dos seus filhos.

Além disso, o ônus financeiro que viajar em família representa para o orçamento doméstico já é um impeditivo importante para muitos e há também outro fator a ponderar: quando nossos filhos são pequenos, é muito fácil escolher o local onde passaremos as férias, porém cada vez mais cedo as crianças demonstram a sua vontade de experimentar como é ficar longe dos irmãos e dos pais por alguns dias, seja em um acampamento ou na casa de coleguinhas. Conforme vão crescendo, começam a querer cada vez mais viajar com os amigos, ir para a casa de parentes onde há outros jovens e até descobrirem sozinhos novos percursos.

De toda forma, acompanhados ou não, crianças e adolescentes, assim como os adultos, terão que se hospedar em algum lugar, seja um hotel, seja a casa de amigos ou de parentes. Nessa hora é que devemos nos lembrar que muitas coisas devem ir na mochila e na mala de nossos filhos, além das roupas apropriadas ao clima e aos programas, os brinquedos preferidos, os joguinhos eletrônicos, os tênis, os remédios, o celular... 

É preciso ir junto com eles, ainda, a conduta, os valores e a educação que lhes transmitimos ao longo da vida, não só para representarem bem toda a família, mas até para serem bem recebidos e convidados para voltarem mais vezes! Há necessidade de preparar nossas crianças que seguem em passeio ou viagem com ou sem a nossa presença, para o que significa esse novo desafio em suas vidas, que é o de ser hóspede de alguém. 

Por melhor que seja o local e o acolhimento das pessoas, elas têm que ter consciência de que não estão na sua casa e que devem cuidar sozinhos de si, de suas coisas e manter com as demais pessoas um relacionamento respeitoso e cordial: é para dar "bom dia", pedir licença, dizer "obrigada", se oferecer para ajudar no que for possível... 

Ensinar tudo isso exige a atenção constante dos pais e uma supervisão permanente da prática diária desses costumes ao longo dos anos, pois só assim é possível criar filhos autônomos, capazes de respeitar pessoas e costumes diferentes, hábitos e limites familiares novos e de aproveitar as possibilidades da sua nova experiência.

Crianças que em sua casa são excessivamente barulhentas, que não estão acostumadas a separar sua roupa usada em um cesto especial para isso, que desmontam um armário inteiro em busca de uma camiseta, que atiram pelo chão as meias, os tênis, que não conseguem manter o banheiro em ordem depois do uso, que não guardam suas coisas depois de utilizá-las, que não ajudam nas tarefas do dia a dia, como colocar e tirar a mesa das refeições, arrumar sua cama de manhã, etc , com certeza não conseguirão adquirir esses hábitos na véspera de uma viagem e muito menos será durante esse período que aprenderão novos costumes, sem passarem e nos fazerem passar por muitos momentos constrangedores.

Tudo que diz respeito à criação de nossos filhos é, sim, nosso problema e somos responsáveis por eles e por seu comportamento até que atinjam a maioridade: está até na lei! Orientá-los diariamente nas tarefas mais corriqueiras, dando-lhes responsabilidades, exigindo que se comportem adequadamente em todas as situações, não é uma questão de "etiqueta", mas sim de respeito ao próximo, às normas sociais e de civilidade.

Para termos confiança no comportamento que nossas crianças terão nesta ou naquela situação, é imprescindível ensiná-las desde cedo que, para poderem gozar de um privilégio, antes devem aprender muitas normas e limites e demonstrarem sua capacidade de se sair bem em sua própria casa!

Nossos filhos podem e devem viajar vez ou outra sem a família, desde que bem acompanhados, para um local conhecido e seguro. Podem gradualmente ir dispensando nossa vigilância, mas não prescindem nunca de nossa orientação e de uma educação responsável desde muito cedo.

Algumas regrinhas podem ajudar todos, sejam crianças ou jovens, a serem hóspedes muito queridos: 

- Procurar não falar alto demais, assim como respeitar o sono dos outros não fazendo barulho à noite;
- Jamais interromper a conversa de adultos;
- Procurar conhecer e seguir as normas da casa onde estiver hospedado, ainda que estas sejam mais rígidas do que as de seus pais;
- Lembrar de ser cordial e respeitoso com todos os membros da casa, com os outros hóspedes, funcionários, animais de estimação etc;
- Discussões: devem ser evitadas a todo custo na casa dos outros. As conversas devem ser cordiais e é obrigatório seguir aquelas regrinhas básicas como pedir licença para levantar, respeitar os horários etc;
- Na mesa: não falar com a boca cheia de comida, usar devidamente o guardanapo, lembrar de que talheres não são armas, sentar-se corretamente nas cadeiras e conservar os cotovelos fora da mesa;
- Mostrar respeito pelo gosto e escolhas dos seus anfitriões, aceitando com carinho a presença de pessoas idosas e crianças pequenas: críticas jamais!;
- Ao se despedir, deixar uma boa lembrança, agradecendo sinceramente a hospitalidade e já se preparando para um novo convite! 

Boa viagem!





 * Maria Irene Maluf é Especialista em Psicopedagogia e Educação Especial, Editora da revista Psicopedagogia da ABPp e Coordenadora/SP do Curso de Especialização em Neuroaprendizagem do Instituto Saber/FACEPD
Site:
www.irenemaluf.com.br  


 Saudações maternais e boas férias!

Pat Lins.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

EU TINHA UMA WEBCAM, UM MICROFONE... HOJE, EM COMPENSAÇÃO, EU TENHO PEU...

Peu com 9 meses

Este post é um daqueles pots que parecem "nada a ver"... risos. Mas, para mim, diz muito, porque na prática, a gente esquece muitas vezes de ver o lado bom de tudo.

Estava conversando com um grande amigo e irmão por opção, Marquinhos, tentando remarcar uma reunião, por não ter quem ficasse com Peu. Como os outros integrantes do projeto não podiam remarcar e, se protelássemos, correria o risco de "debandar", a reunião ficou marcada e eu participarei através de "vídeo conferência". Chique, né?! Coisas boas que a tecnologia nos permite. A gente vai, mesmo não estando - kkkkkkk.

Detalhe: após solução encontrada, novo problema surge... Eis que eu não me recordava que a webcam está quebrada, o microfone fora babado e, portanto, inutilizado... e me lembrei que havia perdido dois celulares, um armário de banheiro, feches das janelas, o pc por pouco não pifou... Ops! Isso não vem ao caso... ou vem? Talvez. O autor das minhas novelas "era uma vez... eu tinha" é meu filhote amado.

Pois é, antes eu tinha tudo em ordem - quando eu era pequena eu tinha, mas, precisava esconder de minha irmã para continuar tendo, qualquer coisa, porque ela tinha a mania de quebrar, perder, destruir... - e vi que é minha sina! Em compensação, hoje eu "tenho" Peu, que não me deixa faltar nada, só a paciência e a razão - risos. Ele não me deixa faltar alegria, motivo para querer ser melhor... Me falta um monte de coisa, na verdade, mas, ele me faz sentir que já tenho TUDO que preciso: eu mesma.

Só ele tem a capacidade de me fazer entrar em desespero com suas traquinagens intermináveis, mantendo minha taxa de estresse sempre elevada e sem pausa para recuperação, o que causa em mim um descontrole natural e diminuição na capacidade de ser algo próximo de "normal" - risos - e, ainda assim, só ele consegue me fazer rir, tempos depois, do que antes era motivo de reclamação, cenho franzido e voz "grossa" - como ele descreve. Ele me ensinou o que é amar de verdade. Sem fingir, sem máscaras. Amar através dos desgaste do dia-a-dia, de toda fúria pela perda de controle da situação... amar, amar e amar. Muita gente estranha, porque vivo chamando a atenção dele - lógico, mãe também precisa exercer o papel chato de "regrar", dar limites, reclamações... - para quem está de fora, fica o julgamento; para quem está por dentro, o necessário e o que eu, mãe/pessoa, posso e sei fazer; para Peu, mamãe reclamando de novo; para mim, Peu aprontando de novo; para nós dois, situação pontual - ou, situações pontuais, após sequência desvairada... risos -; para nós dois, passado o tempo de chamar a atenção, tempo de dar carinho, sentar no chão e brincar de carrinhos, bolas, montar... criar... a gente se entrega a plenitude em tudo. É, só a gente se entende. E, na prática, para quê mais alguém entender?

minha vidinha: te aaammmooo!!!

Mãe e filho é isso, um binômio eterno regado a dicotomias intermináveis. Mas, guiados e protegidos pelo amor que só essa dupla - ou trio, quarteto... - sabe tirar proveito!

Pois é, eu tinha um monte de coisa que ele quebrou aprontando das suas, mas, tenho outro monte de coisa em mim que só ele é capaz de me fazer lembrar e enxergar. O material se compra, quando der, mas, o que já existe... JÁ EXISTE e está em cada uma de nós: um ser, SER MÃE.

Na prática, eu sou uma mãe na prática como toda mãe, que tinha uma vida e hoje tem duas, pelo menos.

Saudações maternais,





Pat Lins.

domingo, 30 de maio de 2010

PULSEIRINHAS DO SEXO - ALERTA PARA MÃES, PAIS E FAMÍLIA DESAVISADOS


Estava eu lendo o blog de uma colega, da época do curso de radialismo, TEM QUE SER AGORA?, e vi esse assunto lá colocado. Fazia tempo que queria falar sobre o tema, mas, ia deixando passar, já que, dentro de minha realidade, não convivo com jovens tão imaturos e inconsequentes, desse jeito. Porém, vi, um menino, que não passava de 10 anos de idade, perguntando a outro jovem onde comprar mais daquelas pulseiras pretas... A jovem com a qual ele interagia - e eu, mãe, tia, amiga, vizinha... cidadã, pessoa... fiquei "de butuca"... sim, era da minha conta. Ele era morador do condomínio onde mora minha mãe e onde residem crianças e jovens de diversas idades, incluindo minha sobrinha e volta e meia meu filho e seus amigos... onde muitos pais, mães e/ou responsáveis ignoram o que fazem seus filhos, alegando uma "confiança" fundamentada no vago da incredibilidade de que "seu filho" fosse capaz de fazer algo errado...- vasculho alguns orkuts desses jovens e as mães ignoram as comunidades das quais fazem parte. Meninas de 9 anos, inscritas como maiores de 18 e fazendo parte de comunidade pornográficas, com apelos sexuais fortíssimos e "baixo-astral", e as mães nem se dão o mínimo trabalho de olhar. Os filhos se fazem de vítma, falam com voz infantil, quase beirando o "tati bi tati" e os adulto - mães, pais, avós... responsáveis em geral... - caem e não se dão o benefício da dúvida, afinal, confiam tanto na educação que dão que esquecem que criança tem arte.

Pois sim, o menino de 10 anos, foi alertado sobre o teor da pulseira, e falou: "eu quero assim mesmo!" E a jovem interlocutora, parecia ser possuidora de bom senso, afirmou que não sabia onde vendia e que não fazia parte desse círculo de jovens "desmiolados". O pequeno guri saiu injuriado... pelo visto, estava "na seca"... risos.

Isso me fez pensar, em que mundo nossos filhos estão crescendo.Aliás, nós, atuais adultos, também crescemos em mundos diversos... Conhecendo, interagindo e convivendo com colegas, amiguinhos(as), vizinhos... gente. Urge a necessidade  de nos doarmos às nossas crianças, fazendo um trabalho de base honesto, sincero e cercado de amor e informação. Não falo em ficarmos bobos/bobas e sucumbirmos à ingenuidade descabida, afinal, os "lobos maus" continuam a espreita, esperando por jovens "espertos" e "sagazes" que se acham tão "maduros" e "safos", que caem fácil, fácil na teia na própria arrogância e se atropelam em si pela necessidade de auto-afirmação... sendo presas fáceis e vítmas de um orgulho inundado de querer ser mais velho do que é... Qual jovem não tem essa sede de ser "adulto" antes da hora e viver aquele mundo de possibilidades que os adultos vivem? Qual jovem não alimenta essa fantasia?

Não, não precisamos nos tornar neuróticos, desconfiados... precisamos estar alerta, confiar em nossos jovens, mas, CONHECÊ-LOS, também, em todas as suas variações! Eu sempre vivi muito próximo aos jovens, é um mundo que me agrada sempre. Sei o que é ser jovem, porque já fui uma e nunca tive medo de ser careta - e nunca fui - mas, mantinha minha postura firme. Nunca precisei "encher a cara" para fazer parte de grupo algum. Nunca precisei provar droga alguma, nem curiosidade tinha. Sempre fui alegre, muito bem relacionada e aceita. Porque eu me aceitava. Minha educação contribuiu muito nesse aspecto. Aqui, no Mães na Prática, falo como mãe e como filha, também. Porque, na prática, a gente vive a vida "lá fora", em contato com diversas pessoas, diversos mundos! E, quantas vezes, além dos limites familiares, queremos ser "algo" mais, para chamar atenção? Sei que existe a característica pessoal, né, "pau que nasce torto" é torto até o fim... Mas, uma educação honesta, dá uma oportunidade para esse "pau torto" assumir que assim o é. Eu acredito numa educação honesta, sim. Onde a gente assume que é falho, mas, que tem mais experiência de vida e que sabemos que não poderemos impedir nossos filhos de andarem nas ruas, viverem o "mundo lá fora", andarem com suas próprias pernas... Sim, dá um arrepio na espinha... um frio no estômago... Além de mãe, filha, irmã, tia, prima, amiga... pessoa... conheço vários outros tipos de pessoas e seus mundos e sei que existem mundos e opiniões diferentes das minhas, consequentemente, da educação que dou ao meu filho e da qual recebi de minha mãe e meu pai... Não precisa ir longe. Apenas se dê a oportunidade de parar alguns instantes - não, não é coisa de "desocupado"... é questão de se ocupar com a realidade onde seu/nossos filhos estão inseridos - na portaria do prédio, condomínio ou afim. Pegar seu filho na escola, chegar um pouco antes e ver como eles são em outro ambiente - ou desconhece que em nosso território a gente é quem quiser ser? A gente se utiliza de personas diferentes de acordo com os meios sociais onde estamos... isso é normal, naturalíssimo. Mas, precisamos ter cuidado com as máscaras que se apropriam e exigem mais espaço do que têm... os desvios de caráter... não vou enveredar nessa seara.

Nós, pessoas, mães, pais, família, amigos... na prática, nos envolvemos com o panorana geral que raramente nos damos tempo para averiguar e enxergar um pouquinho mais, além da miopia legitimada de "acreditarmos" nas limitações da visão de que "conhecemos" nossa prole. Precisamos ver em detalhes, sim, sem censurar, nossos filhos, porque "livres" eles são emoção pura; adrenalina; são "responsáveis" por si...

Essas pulseirinhas do sexo estão em todos os níveis sociais. Parecem simples pulseira plásticas - bem parecida com as que minha geração usava, na década de 80/90, mas, que não tinham esse teor, era apenas um acessório.

Vamos nos aproximar mais de nossas crianças. Sem lição de moral... coisa mais chata é adulto que "se acha" o umbigo do mundo... Quando me refiro a honestidade é na plenitude que essa virtude carrega, em abrir espaço, em abrir caminhos, para resolver algo; antes de tudo, desarmado, entregue, presente. Vamos mostrar para nossos jovens, que nós também já fomos jovens e que, num futuro próximo, eles serão os adultos. Não é exigir uma atitude de adulto deles, mas, reforçar que o tempo passa e esse lance de geração é atemporal. Todos passamos pelas mesmas fases: infância, adolescência, puberdade, fase adulta... Mesmo que nasçam novas terminologias, as raízes são as mesmas. Todo pai, mãe, adulto responsável, acha que tem que ser sério e ríspido para "impor" respeito. Balela! Respeito se conquista, se constrói uma relação sólida e propícia. Boa parte dos adultos acham que maturidade é falar grosso e estar sempre com a razão... Bom redefinirmos nossos valores e nos abrirmos para o crescimento. A gente não precisa ser "chato" para ter "razão". A razão existe em si... Não precisa de grandes explicações.

Pois bem, vamos nos aproximar mais de nossos jovens. Vamos nos entregar à informação, à pesquisa de campo, através da pesquisa de clima e meter as caras nas ruas, onde os jovens estão. Saber como são nossos jovens sob a ótica de outras pessoas, passando pela portaria da escola, do condomínio, das mães e pais dos coleguinhas, amiguinhos, vizinhos... Interagir! Vamos nos permitir interagir com honestidade e fazer parte da vida de nossos filhos - sem queimar o filme deles, tá?! Nada de ser inconveniente e invadir espaço individual. Conhecer um filho não é entrar a força em sua vida, é fazer parte de sua vida com respeito, limite e equilíbrio. Essa fórmula não é tão simples, requer de nós muito mais auto-conhecimento e HONESTIDADE. E aí, o bicho pega! Afinal adulto que se presa é "cheio" de razão.

Vamos estabelecer o elo da confiança, da via de mão dupla na relação com os filhos, onde eles sabem que podem contar conosco, mesmo que não passemos a mão pela cabeça, dando a devida "punição" para um erro cometido. Trabalhar isso com firmeza, sem dureza e estupidez.

Na prática, o mundo é do mundo! A gente faz parte dele, levando o nosso mundo interno e interagindo com vários outros mundos.

Com relação as pulseirinhas, pergunta se eles já viram alguém usar. Vai na internet - pesquisa no "pai dos burros" da web, o Google... rs. Procura saber o que eles acham sobre o assunto? O que quer dizer cada cor? Conversa franca e abertamente. Troca idéias. Alerta para o perigo que é. A gente sabe que cada cor é um apelo sexual, mas, como toda tribo tem sua linguagem, a informação a nosso favor é ponto positivo e confiança em construção. Vamos nos dar as mãos e levar adiante esse alerta.

"Saudações maternais",






Pat Lins.

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