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domingo, 16 de fevereiro de 2014

É PRECISO DAR TEMPO E ESPAÇO PARA AS CRIANÇAS SE EXPRESSAREM


Como sempre, Peu me ensina algo novo e me faz AMPLIAR as perspectivas. 

Pois é, assistindo "Ponyo - uma amizade que veio do mar" - uma animação infantil que traz uma belíssima mensagem, que não vou começar a falar, senão conto tudo... - pude perceber que, como qualquer mãe, tendencio a fechar, em vez de abrir o foco. Numa determinada cena, Ponyo - um peixinho dourado com cara de gente - decide realizar seu sonho de conhecer o mundo humano. Lá, avista um menininho e se encanta. No trajeto, um barco puxando uma rede sai arrastando tudo o que tem no fundo do mar - inclusive, muita sujeira - e a pequena Ponyo é arrastada, junto. Em meio ao lixo, fica com seu rostinho preso num pote de vidro, num retrato das consequências da poluição que fazemos no mundo vizinho e nunca nos sentimos responsáveis... Nesse momento, ela fica se debatendo e com a cara enorme. Eu só vi o se debater e a morte iminente. Peu, começou a rir. E eu, assustada, comento:

- Filho, ela pode morrer!

Ele, aprendendo a controlar seus excesso e a se expressar em palavras com mais propriedade e clareza, me diz num tom "natural":

- Eu sei, mãe. Eu não estou rindo por ela estar presa, não. É só um desenho e já, já ela sai daí. Eu estou rindo da cara grande e engraçada que ficou. - parou um pouco, como quem reflete e considera o que a MÃE fala e ensina e me perguntou: - Isso é errado, mãe?

Ele queria saber... de tanto aprontar e viver ouvindo reclamação, se viu como algoz, novamente, justamente num momento onde se esforça muito para melhorar sua percepção e suas ações. Vi e percebi o que se processava em sua mente ávida e continuei:

- Claro que está certo, filho! A carinha dela ficou muito engraçada mesmo!

Rimos juntos!

Me veio um pensamento "epifânico": A GENTE JULGA NEGATIVAMENTE E MUITO AS REAÇÕES DAS CRIANÇAS, SEM LHES DAR ESPAÇO E TEMPO PARA EXPLICAÇÕES.

É assim que surgem os estigmas: mantendo a postura fechada e a arrogância "empáfica" - redundância enfática - de que somos "sabedores inquestionáveis"! Somos mestres de quê, minha gente? Somos tão aprendizes quanto nossos filhos. A diferença é que somos mais andados - para não dizer: rodados... - e responsáveis por passar o que já aprendemos. Só não passamos que APRENDIZADO É ALGO QUE SE APRENDE PARA SEMPRE!


Vi que a maioria de nós se apega tanto à vaidade, ao estigma surreal e desumano de que devemos ser perfeitas e infalíveis e que os nossos filhos devem ser a representação clara disso, diante do julgamento alheio, que basta escutar uma coisa "estranha", nos deixamos tendenciar pelo negativo... Mais vale esclarecer do que julgar. Vi Pedro retroceder e ficar com marcas muito fortes e pesadas, que o aprisionaram num mundo dele e de maneira agressiva, por conta de profissionais incompetentes que apenas o julgaram e nunca o enxergaram ou escutaram verdadeiramente... Isso me fez abrir os olhos para o "mais além, bem aqui!". Me fez deixar e dar o espaço e tempo para ele se expressar e se explicar. Tem ajudado. Contei/o, como gosto de deixar muito claro, com apoio de muita gente, para desfazer esse malfeito instalado no pequeno. Por isso que percebo, cada vez mais, a falta de ambientes acolhedores, com mais aceitação e, com isso, espaço para expressão. É assim que se esclarece... o julgamento só aprisiona a uma imagem não real.

Inclusive, no filme, o pai de Ponyo também - com a boa intensão de protegê-la -, passa seus medos como maneira de prisão. Mas, a pequena, escuta sua voz interna e corre em busca de concretizar os seus objetivos... Como toda criança, não tem noção dimensional das consequências das suas ações. Com isso, ela desperta uma força muito grande e poderosa, capaz de destruir o planeta por conta do desequilíbrio natural. Ela quer ser humana. E se joga para isso. Não percebe o quanto destrói ao seu redor, nem como a força do seu mundinho puro e infantil é tão poderosa. Ela apenas se foca no que quer e vai, sem olhar para os lados. Com a ajuda da mãe dela, a qual ela se refere como alguém que é "Adooorrrrooo muito! Mas, às vezes, ela me assusta..." é que se faz a compreensão. Para se restabelecer o equilíbrio, as escolhas - e suas renúncias - devem ser feitas. Apenas o amor verdadeiro e a aceitação do outro como é, pode restabelecê-lo. Outro ponto interessante é quando a mãe de Sosuke - o menininho humano -, diante do estranho que passa à sua frente, o julga, e diz, hipocritamente ao filho: "Sosuke, não devemos julgar pela aparência...". Só assistindo - com o julgamento desligado, apenas se deixando levar pela "ludicidade" - para compreender! Aborda o tsunami e as consequências da nossa "civilização", onde destruimos a natureza e ela se revolta, de maneira muito "natural", apenas exigindo seu espaço. O erro está nas construções desenfreadas e nesse progresso desordenado do uso do solo - além dos aterramentos e afins. Traz a importância da criança como salvadores desse planeta, se conseguirmos passar bons valores para eles. Sosuke aprende muito convivendo com os mais velhos e vice versa. Muito interessante o filme!

A criança tem a emoção como condutor e uma energia novinha e bem ativa para viver. Tudo fresquinho. Nós, adultos, é que desaprendemos com o tempo e alegamos nos tornar mais racionais... Bobagem, a razão existe para equilibrar a emoção, não
para dominá-la. A criança ainda está compondo seu repertório, através de tudo o que vê e vivencia, de tudo o que experimenta. É isso que as impulsiona e abre espaço para o novo. É a força do começar e não temer. Com isso, desenvolvem um bom senso, se o ambiente for limpo, claro, respeitoso e HONESTO. Não sei para onde vamos depois que crescemos, só sei que esquecemos de tudo isso...

Pois é, eu me assumo aprendiz e mestre, ao mesmo tempo!



É PRECISO DAR TEMPO E ESPAÇO PARA AS CRIANÇAS SE EXPRESSAREM. SÓ ASSIM, PODEM NOS OUVIR E, SÓ ASSIM, PODEMOS ORIENTÁ-LAS... QUANDO SABEMOS PARA ONDE QUEREM IR!

Saudações maternais,

Pat Lins.


domingo, 5 de agosto de 2012

COMO ENTENDEMOS "LIMITES"?


"O CÉU É O LIMITE". Essa questão sobre limites sempre rende pando para a manga. Isso porque, eu - Patricia - em minhas observações do cotidiano - ou, na prática diária da maternidade e/ou paternidade e/ou "avoternidade"... - que os "limites" não são muito bem definidos em nossas cabecinhas. A gente ou acredita que limite é medo, como os limites impostos com rigor e a disciplina militar; ou que limite é sempre berrar com a criança; ou, ainda, que limite é aquilo que só é necessário se a criança for agitada... onde, se a criança apenas for chorona e quiser muito uma coisa, é só dar o que ela quer que ela para...; ou, criança com limite nunca testa os pais e pede novos limites... Enfim, muito confundimos muito o que vem  ser limite porque nós mesmos temos medos dos nossos para nossa melhoria pessoal e muito nos foi imposto como limitação e não sabemos bem o que limite significa, daí, como dar aquilo que a gente não tem de verdade?

Uma amiga sempre me disse que eu deveria ser mais flexível com Peu e menos rígida, que para educar e dar bons limites é muito melhor e menos desgastante se for baseado em um movimento sincero, consciente, firme, com atitudes coerentes ao que "estipulamos" como limite e com amor. Ou seja, coisa simples, simples, mas que acaba sendo nada fácil. E, não é que é verdade? Como ela disse: "não fui eu quem inventou isso, basta ver como as coisas realmente são.". Bom, esse é o nosso ponto: a gente tem dificuldade em ver as coisas como realmente são. No geral, vemos aquilo que nossos olhos nos limitam a ver e acreditamos que somos capazes de enxergar - usando apenas um dos órgãos dos sentidos... sozinho, não faz tanto sentido assim... -. Nossa dureza pessoal dificulta essa processo. Nossas carências, nossos tabus, nossos pensamentos e mentes bloqueadas dificultam a simplicidade do processo. Ficamos presos ao fato de nos terem imposto e, por não conseguirmos nos esforçar em nos libertar e seguir nosso rumo, acabamos presos a esse dilema de "culpa e culpado" onde nossos pais são os algozes de nossas prisões emocionais. Como passar algo livre para os nossos filhos? Acabamos repetindo o molde de limitação, sem percebermos. Acabamos sendo levados muito mais pelo medo de ser julgado um pai ou uma mãe sem pulso, do que observar a real necessidade do filho.

Como dar limites se nós somos limitados?

Venho observando em meu dia a dia o quanto LIMITE tem muito mais relação com os valores éticos e morais do que com uma imposição de medo, em vez de respeito. Primeiro: o que vem a ser respeito? Nós colocamos muito o respeito como um medo disfarçado... Já perceberam isso? Ou, já se perceberam assim? Como respeitar algo se em nossa cultura vigora a "lei da vantagem"? Como ensinar "respeito" num ambiente onde se coloca que seres respeitosos são "otários", "maricas", "manés"... ou qualquer termo pejorativo incorporado ao nosso cotidiano? Os limites têm base no RESPEITO. É muito mais um trabalho a longo prazo, é um trabalho constante... demanda diária. Para mim é um trabalho de construção de base, de formação moral, mesmo. Se tivermos claros os bons valores, se isso fizer parte do nosso dia a dia, o limite será algo natural - e ninguém entenda "natural" como algo sem esforço, sem dificuldade. Senão, se ainda temos muito que entender e aprender, esse processo natural será mais lento, porque precisaremos reconstruir nossas próprias bases pessoais para termos a mínima condição de firmar essa base em nossos rebentos. Mas, somos reflexos de nossos arquétipos, digamos, confusos... mas, somos seres livres para buscar apoio - lógico, antes de tudo é necessário identificarmos em nós algo que requer atenção e mudança, senão, nos mantemos nesse ambiente e gravitamos nessa órbita sem sentido... - e transformarmos nossa condição. Eu admito: dói! Dói, muito! Mas, vale a pena. A dor vai passar, mas, o que fica de bom é para sempre. Assim, conseguimos nos focar no que importa: no limite natural pela moral e pela boa conduta, pela ação correta e pelos pensamentos elevados e as comparações com "os amiguinhos" ou com "os outros" - que não é, nem deveria ser critério para avaliação - deixa de existir

Ontem, voltando do aniversário vivenciei algumas situações conflitos com crianças, escutei algumas "conclusões" baseadas em julgamentos pessoais - aqui eu "julgo" baseado em minhas conclusões pessoais, mas, com uma diferença, estou refletindo... - e vi, mais uma vez o quanto a gente julga e o quanto se dividir gera um tipo de avaliação com dois pesos e duas medidas e o quanto isso é perigoso. Vou explicar: assim que chegamos, fui cumprimentar o aniversariante. Como já sei como ele é, o quanto é arisco, não forcei o contato e fiz um "venha de lá" e ele veio bater forte em minha mão. Eu apenas brinquei e disse: "cuidado, rapaz, com essa força toda você pode machucar a sua mão...". Ele quis testar e comprovou: a mão dele doeu - fora que eu estava com um anel e, diante da minha observação, troquei de mão para não ser mais dolorido para ele. Ele me pediu para fazer de novo e que ele faria mais devagar. Repetimos o cumprimento e foi beleza! Ele bateu mais devagar. Quando meu marido chegou, abraçou o menino e o carregou. Levou dois socos no rosto. Bom, criança toma susto. A gente tem que chegar de leve. Isso justifica os socos? Não. Até aí, tudo bem. O problema foi que, a criança quando viu que sua ação teve reprovação - os olhares ao redor o fizeram ver isso - se jogou no chão e começou a chorar. A avó e a mãe correram para vê-lo. Uma senhora que fora "testemunha", avisou a avó - que já fitava o filho com uma certa reprovação e condenação, onde, pelo olhar, ela dizia: "o que você fez com o seu sobrinho?"... ou seja, mãe que não conhece o próprio filho, pois ela sabe que o filho dela adora criança e tem um filho pequeno, também... - e a senhora explicou que o tio carregou o sobrinho, todo amoroso e o sobrinho o socou. Bom, a avó do menino sequer se aproximou, quando viu que havia sido injusta com o próprio filho, mudando de ambiente e optando por não ver e não fazer parte daquele momento... A mãe do menino foi escutar o filho e ele babava, gritava/berrava tudo muito embolado - dava para ver que ele queria confundir - e dizia: "ele me fez uma coisa... ele me fez uma coisa...". Quem estava de fora era capaz de acreditar que o menino havia sido machucado pelo adulto. Hoje em dia, é bom termos sempre "testemunhas", porque as crianças, sim, elas sabem "criar" umas "mentirinhas" para salvar a pele... Pois bem, a mãe teve a atitude de escutar os dois lados e advertiu o filho: "Meu filho, por que você fez isso? Peça desculpa ao seu tio.". O menino relutou, inventou mais uma desculpa... segundo ele: "eu não reconheci ele". Alguém falou, na hora e ele repetiu: "ele deve ter estranhado" e ele aproveitou e usou... Alguma criança é santa? Não. A gente já nasce sabendo sobre julgar e ser julgado... Está no ar que a gente respira desde o nascimento. Nós, adultos, é que precisamos ter mais "jogo de cintura" para saber lidar de maneira mais justa e imparcial.

Continuando: o aniversariante tem uma característica que os pais não dão importância. Ele costuma fazer o que quer. Se você o deixar fazer o quer, ele fica quieto no canto dele, o que, para eles é "não dá trabalho, nenhum...". Se você disser um "não" - ainda que não use a palavra "não", uma negatividade simples - ele se transforma, grita, chora, baba e, em alguns momentos, faz xixi nas calças - isso, para eles, é besteira...-. Durante a festinha, uma menina - que não deveria ter 2 anos - e não fala direito, se aproximava dele e dava um gritinho, tentando estabelecer contato. Ele chorava. Quando mais ele chorava, mais a menininha se assustava e se aproximava dele, como quem quer saber o que está acontecendo. Ele chorava mais. A avó estava nitidamente nervosa e culpando a menininha. E dizia: "ele tá chorando por causa dela. Ela grita e ele se assusta e chora...". Eu perguntei, para introduzir uma reflexão: "ele está com sono?", no que ela me responde: "Não. Ele está assustado é com a menina mesmo. Tem que tirar ela dali...". Ou seja, os adultos "compram" um briga que não existe e, em vez de ajudar a criança, a estabelecer o tal limite, alimenta uma limitação. A avó do menino não queria que nada fizesse o neto chorar, mas, em momento algum permitiu que o bom senso imperasse e sentou para abrir diálogo com o menino. Ele era a "vítima" e pronto. E o esclarecimento? Isso ajuda no limite, também. Quando a criança entender que aquilo não é um ataque, ele vai chorar? Resultado, nem deu tempo de tentar conversar com a criança, ela foi "arrancada" de lá e levaram-no para outro ambiente. Isso resolve? Mudar o ambiente, mudar de lugar, resolve? O que não soluciona, para mim, não resolve. O problema está lá. Houve ambiente para um crescimento aí? Os adultos demonstraram toda a fragilidade e falta de limite próprio. As carências e os medos falaram mais alto. O "resolver", explicar, nem passou perto.

Pois bem, já de volta para casa, estávamos levando a avó do aniversariante, quando o meu filho, diante de um comentário que fiz - sobre um parque que ele ia, todo ano, e fora vendido - não gostou e se irritou, arremessando o brinquedo no chão do carro. Quando eu fui começar a estabelecer contato com meu filho - lógico, uma atitude de demonstração de raiva com arremesso de objeto, para mim, não é uma boa atitude e, não é porque é meu filho que vou agir diferente -, de explicar para ele que isso era algo que estava fora do alcance dele e que a irritação não o ajudaria a resolver, ela falou: "Você precisa ser pró-ativo. Quando eu vou a praia, por exemplo, e vejo lixo no chão, eu cato. Não vou mandar o lixeiro catar, nem jogar na casa do prefeito...". Bom, sem saber como conectar uma coisa com a outra, eu tentei dar um sentido: "Nem jogar areia para o alto, ou chutar a areia... Porque não iria resolver. Agora, quem vai ficar sem o brinquedo é você e não mudou nada no parque...". Ela nos questionou: "Tem que ver. Ele arremessa as coisas assim, quando está irritado, é? Isso não é bom!". Lógico que não é bom! E a gente não deixa passar em branco. Estabelecemos o que chamamos de limite com o levantar de questões que façam Peu enxergar as próprias ações. De nada adiantaria eu agir como agia e reclamar com ele, dizendo: "Não faça isso, Pedro. Isso é errado! Coisa feia, ficar jogando o brinquedo no chão de raiva!". Era essa a minha tática. Hoje, o levo a refletir. E tem funcionado melhor. Sou uma mãe melhor do que as outras? Pedro mudou de uma hora para outra? Não. Estou aprendendo. Mudando em mim e observando mais. Vendo quem é meu filho e vendo qual a melhor maneira de ajudá-lo. Meu intuito é dar uma boa base de formação moral ao meu filho, para isso, tenho que me ver, o ver e nos ver. Como estávamos na frente dele, apenas agi como ajo e não dei grandes explicações para ela - não era o momento -, que me julgou uma mãe sem "pulso", por apenas dizer: "Meu filho, agora, quem está sem brinquedo é você. A raiva te fez perder e não resolver...". Primeiro, fui interrompida quando começava a falar com ele - detectei e agi - o que demonstrou a invasão e ela, sequer se deu conta de que eu tenho minha - nova - maneira de agir; muito menos, respeitou esse espaço mãe-filho... - fora que ficou evidente os dois pesos e duas medidas com a qual ela "julga"... Tentei não alimentar essa parte, para não perde o foco que era educar Peu. Quando eu vejo uma situação-conflito entre pais e filhos, me recolho a observadora. O primeiro contato é entre eles. Quando agi, não a satisfiz, onde ela nos contou: "Eu penso que o problema das  crianças, hoje em dia, seja o fato dos pais não saberem dar limites...". Pode parecer que tenha sido indireta, mas, não acho... Eu conheço a pessoa e sei que foi muito mais um pensamento desarticulado... Não creio que ela não tenha visto como ela agiu com o neto e como eu estava agindo com meu filho - eu vi que ele teve um comportamento ruim e ia agir, quando fui interrompida... Não ia brigar com ela, esperei ela concluir e continuei, com meu filho. Nem ela sabe o que quer dizer limite. Isso ficou nítido quando ela tirou o neto do ambiente, sem deixar a própria mãe do menino esclarecer - no episódio onde o menino chorava com o gritinho da menininha. Ou seja, é uma pessoa que não vê as próprias ações e age como a maioria de nós: o erro só está nos outros. Ela deu sequência: "Estava num ponto de ônibus e um pai e um filho mascavam chiclete. O menino terminou e jogou no chão. O pai chamou a atenção do garoto e o mandou jogar no lixo. O menino foi, jogou, depois, chutou o lixo, jogando-o no bueiro. Daí, eu me questionei: falta os pais darem limite as filhos, hoje em dia...". Bom, deu um leve nó em minha cabeça. Para mim, as coisas precisam ter um mínimo sentido lógico. Como não entendi indaguei - existe outra maneira de esclarecer uma dúvida? -: "Mas, o pai deu um 'limite' quando orientou que o filho jogasse o lixo no lixo. Pelo que entendi, o filho testou esse limite, criando uma nova situação. E o pai, como reagiu, diante desse teste?". Não obtive resposta, apenas um: "o lixo havia caído no bueiro, não tinha como fazer mais nada...". O que eu queria saber era: "como o pai conduziu, como agiu diante dessa nova investida do filho?". Então, coloquei: "...filhos, você bem sabe, porque tem 2, sempre testam nossos limites, quando tentamos 'dar-lhes' limites. O 'como' vamos agir ou reagir é que faz a diferença. Por isso que levo Pedro a refletir, para que ele entenda que o que ele fez é prejudicial. É a maneira que encontramos e tem surtido efeito, mesmo assim, ele não para de criar novas situações para nos testar...". A conversa parou aí, assim, mesmo. Outro assunto foi puxado e o "fim" fora imposto: "caiu no bueiro".

Em geral, fazemos isso: mudamos o superficial - como tirar o menino do lugar, sem diálogo, sem esclarecimento... apenas afirmando para ele, em forma de ação: "faça o que quiser" - ou, mudamos de assunto, para não olharmos o que precisamos ver, já que "o lixo caiu no bueiro". O não pensar em soluções limita muito uma ação de "limite". Sem identificar o que corrigir, corrigir o quê? A diferença está na AÇÃO: NA CONSCIÊNCIA DE QUE UMA AÇÃO SE FAZ NECESSÁRIA  e na CONSCIÊNCIA DE QUAL AÇÃO TOMAR.

Quantos de nós já passou - em shoppings centers é muito comum, ambiente favorável para os pequenos testarem nossas forças mentais... oh, Deus! - por uma criança fazendo birra, se jogando no chão e dissemos: "Se fosse meu filho ele iria ver..." ou "Isso é falta de pulso dos pais, que não sabem dar LIMITE..."? E, quantos de nós, ao passar pela mesma situação nos arrependemos dos comentários cruéis e dizemos: "Ai, meu Deus, agora eu sei o que os pais que julguei passaram...".

Gente, educar um filho é brinquedo? Fale sério. Mas, falta um pouco de boa vontade da gente, falta não? Seria bacana se entendêssemos que, para começar, somos criaturas imperfeitas querendo ver a perfeição em nossas - que não são nossas, na verdade - criaturinhas. 


Estou revendo os meus próprios conceitos, mexendo muuiiitttoo em mim mesma, para saber ser um exemplo para meu filho. Isso é garantia de que ele siga o mesmo caminho? Não. Entretanto, ele saberá que pode escolher, assim como a mãe dele fez. E, finalmente, entendi que LIMITE é algo que se baseia nos bons valores - estes são os verdadeiros limites humanos e não limitações -, principalmente, com RESPEITO e na CONSCIÊNCIA DE QUE PODEMOS ESCOLHER SEGUIR UM CAMINHO MELHOR. O limite, para mim, tem muito mais a ver com o (re)conhecimento do DEVER. Falta em nossa cultura humana, o entendimento de que somos responsáveis por nossas ações e suas consequências e isso gera um dever para conosco e para com o outro.

LIMITE É SABER ATÉ ONDE PODEMOS IR, SEM INVADIR, MACHUCAR O OUTRO. Aqui, faço uma ressalva: machucar é algo questionável, porque tem gente que se dói por tudo e tem mania de perseguição, então, agir com uma pessoa dessas sempre será um risco... porque caberá a cada um lidar com os próprios melindres e tentar se livrar deles. Ou seja, se cada um fizer a sua parte de autobusca e reconhecimento dos próprios limites - ou, nesses casos, das próprias limitações - para estabelecer um caminho mais razoável e menos doloroso, abre-se caminho para o estabelecimento natural do LIMITE. Baseamos o limite em muita dor. Em nossas dores, em nossas vergonhas... em nossos medos de julgamento.

LIMITE é um desafio, porque não é fácil estabelecer o que não entendemos direito... O LIMITE - esse que tentamos conceituar - está diretamente ligado a LIBERDADE - não libertinagem -, onde CÔNSCIOS de nossos DEVERES e das nossas AÇÕES  e suas consequências, podemos agir, sabendo para onde e por onde ir. O LIMITE liberta. Ele norteia uma ação. A confusão com o podar como limite já deveria ter sido superada, mas, como ainda não foi, caba a cada um de nós ir construindo esse caminho do bem, pelo bem e para o bem! Só assim, seremos capazes de separar o "joio do trigo" de nossas ações.








Saudações maternais,

Pat Lins.

quarta-feira, 9 de março de 2011

FILMES - influenciam, mas, não são determinantes - PARTE II

Pois é, a saga do filme continua, mas, melhorou. A estratégia da negociação foi surpreendente: ele não só concordou, como entendeu e, o melhor: aceitou. Melhor que isso, só dois disso! E, sendo assim, ele voltou a pedir os filmes que antes gostava tanto, como "A Era do Gelo", "Toy Story 1, 2 e 3", "Shrek", 'Lucas, um invasor no formigueiro" e etc - se eu for listar a dvdoteca dele, não termino hoje. 

Com relação ao comportamento, normalizou. Ou seja, diminuiu o excesso do que já é excessivo. Graças a Deus, porque eu já estava esgotada e, confesso, sabe Deus de onde tirei forças, porque, minha gente, careca era só o começo dos meus problemas. 

Visitando, como de costume, os blogs amigos - tenho uma lista aqui ao lado - li um texto emocionante da Sueli, - BLOG DO DESABAFO DE MÃE - e me vi ali. Só quem tem um filho de personalidade forte e dono de si pode imaginar o que passo. Por mais que eu escute e saiba que ele não é um menino ruim, afinal, não é malvado, "só" agitado, isso não diminui em nada meu desgaste. Todo dia eu vivo tensa e pressionada. Estou sempre alerta e tenho que ser flexível e legal; e ainda rigorosa e firme; carinhosa e amorosa; mãelimite no limite. Só por um tempo, queria refresco - risos. Sabe o que é pior - ou melhor ? Eu não resisto aquele safadinho lindo. Ele é elétrico, me mata de cansaço, mas, se não fossem as críticas que dou ouvido e reverberam em minha mente, talvez, quem sabe, eu me cansasse menos. Também, quem manda ser humana e dar ouvidos ao que não deveria ser escutado, já que se sabe que quem fala apenas extravasa sua própria dor, infelicidade, fraqueza e pequenez através da tentativa de diminuir o outro para se sentir maior?! E isso me incomoda muito: mania de me ocupar com a língua dos outros. Acho que sou assim por conta de minha mama querida. Ela é do tipo de pessoa que prefere se machucar a ter que dizer a verdade a alguém. Eu vivo uma contradição: quero falar - e, quando não dá para segurar, eu falo - e me sinto péssima por magoar alguém, ainda que esse alguém tenha me magoado. Aquela história da pessoa sacana que sacaneia, provoca e ainda sai como vítma, porque soube fazer seu lobby. Meu lobby é queimado, porque eu explodo mais do que me contenho e quem provoca fala baixo, com voz mansa e incubado. Odeio falsidade. Pois sim, o que isso tem a ver com Peu? Essas pessoas e lidar com isso me desgasta tanto, nesse embate que minha resistência diminui. E eu? Preciso estar sempre em alta, para conseguir lidar com Peuzinho. 

É muito cansativo ter um filho ultra elétrico, que parece saber o que quer e só descansa quando consegue - leve o tempo que levar, ele consegue alguém que ceda... principalmente quando não está em minha frente - e tentar lidar com algo que já é desgastante por si só e ainda ter que lidar com gente desocupada e sem "setocômetro". Gente que, se estivesse em meu lugar, o que faria? Sim, porque essas pessoas são cheias de dicas, receitas, fórmulas de sucesso, "jeito", "ciência", técnica - diga-se de passagem, teoria da técnica -, de experiência - nos casos que me refiro, malsucedidas experiências, mas, como os filhos cresceram e não matam, nem roubam, acham que fizeram um bom trabalho... ainda que sejam pessoas problemáticas e difíceis, imaturas, infantis, egoístas... isso me incomoda mesmo e de verdade. Cuidar de Peu não é facil, mas, se ele é assim, eu tenho que encarar os fatos e lidar com isso. Quando consigo manter uma distância saudável - como me refiro a me afastar daquilo que me compadece, para o meu próprio bem e que não é tão bem visto pelos outros, mas, paciência para eles - eu mantenho minha taxa de resistência equilibrada e minha rotina cansativa é puxada, mas, "vivível" - risos. Infelizmente, algumas vezes essa distância saudável é quebrada e levo dias para me recuperar, até estabilizar. Bom é que cada vez que faço o esforço, assim que passa a fase crítica do estresse instalado, me sinto infinitamente melhor e mais forte e, detalhe, mais convicta de que estou certa em manter minha distancinha, viu? Sorte a minha que ainda posso e consigo fazer isso com, pelo menos, 90% dessas pessoas inconvenientes, mas, que fazem parte do ciclo social e familiar. 

Essa questão do filme, mesmo, nem todo mundo acredita e acha que é proque ele é assim mesmo. Será? Não sei, acho que sou observadora demais, minha veia crítica e exploradora da alma humana me faz ser assim, de natureza. Isso faz com que eu me abra para as possibilidades, em vez de fechá-las e visualizar tudo de um panorama mais holístico - não como as pessoas dizem que fazem, sem fazer... eu sinto a dor de quem se esforça para colocar em prática o movimento de mudança, de observação, de planejamento e de desenvolvimento de estratégias e ações. Sou, praticamente, um plano de marketing - risos. Ou, uma monografia - risos. Nem por isso, obtenho sempre êxito... O empirismo me guia e entre tentativas e erros, vou chegando lá. Como sempre me falo: quem vai saber o que é certo ou errado no que tange a educação de um filho? O que deu certo para A - quando deu certo mesmo, ou seja, a criança cresceu e se tornou um adulto equilibrado, sensato, sereno... o que não quer dizer que seja apenas mérito dos pais, mas, do ambiente, da característica pessoal, do empenho individual, das oportunidades bem aproveitadas... Complexos é o que somos - não quer dizer que vá dar certo para B, C... Z. Cada um é um. Tem uma pessoa que vive pregando essa premissa e, na hora do "vamo ver" é a primeira a já estar comparando e, cá entre nós, sem critério algum... Comparar é necessário, para que tenhamos parâmetro, mas, o que é - ou quem é - o parâmetro para comparação, mesmo? Só Jesus, mesmo. Ou Gandhy, Madre Tereza... Pessoas que abriram mão de si, por já serem tão evoluídos que não tinham mais o que crescer, apenas orientar e facilitar crescimentos.

Ai, quero vomitar minha irritação, para que essas reverberações me deixem em paz. Eu já vivo uma vida desgastante - não, eu graças a Deus não passo fome, nem sede... mas, a educação de Peu requer um ritmo em mim que não é o meu e exige um estado mental sempre alerta que, de vez em quando, pede descanso e não encontra. Tudo seria menos pesado se as pessoas se tocassem e, se querem ajudar, ajudem. Porque, muito ajuda quem não atrapalha, já dizia minha avó. Ajudar colocando mais pedra para a pessoa carregar a sadismo, né ajuda não, viu?

Meu filho é agitado, sim, mas a "culpa" não é minha. Ele é como é. Não é por falta de diálogo, nem de limite - ou tentativa de dar alguns. A educação de Peu é a longo prazo. Já percebi isso. Essa natureza geniosa dele insiste e testa meus limites, mas, eu quase sempre estou lá, segura e firme. Caio, por diversos motivos, porque, apesar de ser mãe - e todo mundo exige perfeição  sem o ser - eu sou gente e vivo outras coisas além da maternidade. Caio, por diversos fatores pessoais e íntimos. Caio como qualquer pessoa. Mas, o que mais me derruba, com relação a lidar com Peu são essas intromissões descabidas, desorientadas e sem sentido, que invadem como uma chuva ácida - não comparao com acidentes naturais, porque acidentes naturais são reações da natureza gritando socorro. A mãe natureza pede socorro para que nós, filhos, vivamos melhor e nós, filhos, somos extremamente desobedientes e impetuosos, como Peu é comigo... - e terminam por alterarem o rumo de meus afazeres, do meu ritmo... Tanta cobrança. Todo mundo devia fazer terapia. Tantas ações infantis, de adultos que não se desenvolveram e cresceram em idade, mas, não em identificar sua identidade... Tanta gente que briga por tão pouco. Tanta gente que se diminui em vez de crescer. Tanta gente que cria situações sem necessidades. Tanto malentendidos, por falta de uma coisa simples, chamada "comunicação" - falar, ouvir e entender. As pessoas têm má vontade em compreender. Em aceitar. Em respeitar. 

Difícil! Mas, vou indo, porque, como disse a própria Sueli, mãe nunca desiste. E, acabo sendo mãe de mim, porque não desisto de mim, nunca! Nem quando penso que assim o fiz.

Vou terminar aqui, senão, uma coisa puxa a outra e este post era só para dizer que educar um filho é zelar por tudo que o envolve, sabendo que não temos controle total do que eles captam, mas, temos co controle total de fazê-los entender que por mais legal que uma mãe seja, ela precisa ser respeitada e reconhecida como tal. Só para dizer que eu luto todos os dias para que meu filho cresça um homem virtuoso, de bem, mesmo que hoje ele brade com os limites, que teste os meus limites, amanhã, seja ele o que for, eu fiz o que pude, com a melhor intenção. Só para dizer a mim mesma que eu preciso recarregar e triplicar minhas forças. Só para me dizer que educar um filho é identificar os sinais - quando problemas - e se abrir para as soluções, porque não existe um única solução, mas, sim, uma que dê jeito.

Depois, talvez, volte a extravasar de novo. Afinal, na prática, somos isso: gente querendo ser melhor, mesmo sem se dar conta e sem se dar conta dos caminhos que seguimos para tal. E, no filme de nossas vidas, tudo deve ser dirigido por nós mesmos e com ajuda, sim, porque ninguém vive sozinho, mas, ajuda é uma coisa, manipulação, controle e intromissão é outra...

Saudações maternais,

Pat Lins - uma mãe na prática diária de se construir e desconstruir; num desabafo de mãe e que só coisa de mãe pode entender. E, fica a pergunta: "what mommy needs?" Afinal, somos mãe e  muito mais, não é não?! E sempre em mãetamorfose. E haja inventando com a mamãe para alegrar a filharada. Principalmente os kids indoors da vida moderna, de crianças que não dormem e vivem acesas, como se não tivessem tempo a perder. Que um dia vão virar adolescentes - e, alguns saírão dessa fase... Afinal, todas vivemos um sonho de ser mãe e, no final, toda mãe é igual! A cada mãe, mãeblogeira, bipolar ou não, aqui, meus parabéns! Fui tecendo o fio de ariadne para agradecer com este último parágrafo, a maioria dos blogs que sigo, por conta desse meu pequeno, nessa pequenópolis. Para quem não entendeu, vide a lista de blogs que sigo, porque este blog é para mães de ninas e ninos do meu coração. Minha homenagem a cada uma de vocês! Beijos!

terça-feira, 1 de março de 2011

"QUEM NÃO TIVER PECADO QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA"

Fonte: JESUS UM AMIGO VERDADEIRO
Não tem frase mais "tapa na cara" do que essa: "QUEM NÃO TIVER PECADO QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA".

A gente esquece isso para criticar e quem nos critica, também. Ou seja, todas nós, sempre achamos que somos mães melhores do que a outra e a outra, sempre acha que é melhor do que a gente e parece que há uma competição, com forte apelo ao método comparativo entre os filhos - pobres vítmas da guerra dos egos mal resolvidos - para se medir o "mãeômetro". Lógico que essa característica não é apenas das "mães", é do ser humano. Desde sempre rezamos a cartilha do mundo das aparências. 


Toda criança tem seu ritmo e suas características. Os pais, mães, avós... também têm seu ritmo e características. E o ambiente em que se vive, interfere, influencia - apesar de não ser determinante -, enfim, o ser humano é muito complexo. Venho passando por uma situação muito chatinha, para não usar outro termo mais pesado, de gente mal resolvida que adora se meter onde não deve e nas horas mais inadequadas. Pedro está numa fase que, de repente, não quer comer nada. Sempre foi muito fácil para mim essa parte, porque ele comia tudo - até pedra, se amolecesse. Pois bem, pessoas que pouco convivem comigo - na verdade, UMA  pessoa, de grau de importância elevado na hierarquia familiar... - e pouco dou abertura em minha vida - haja vista o tanto que já tentou interferir, argumentando querer me "ajudar" e mal soube lidar com suas próprias intempéries pessoais e de vida, mas, queria "resolver" a minha vida... - esqueceram de que ele era - ou ainda é, afinal, crianças têm fases e fases, mesmo que fiquemos doidinhas... rs - "bom de boca" e só registrou o aqui e agora, generalizando essa fase de Peu como se sempre tivesse sido assim. Sou defensora do viver aqui e agora, mas, nunca disse que o passado não deva ser levado em consideração. Neste caso, em específico, SABER que meu filho sempre - quer dizer, sempre em seus 4 anos de vida... rs - teve um hábito alimentar maravilhoso e, há pouco tempo - quase 1 (um) ano - está cheio de "manias", "gostos" e "desgostos", é importante enxergar o panorama geral para saber que houve uma mudança - e significativa - em seu comportamento. Pois bem, pessoas movidas pela superficialidade e conveniências - na verdade, essa pessoa em específico - A-DO-RAM encher o saco, acreditando que estão ajudando, mesmo sendo alertadas DIRETAMENTE que não o está, e, já não basta meu dilema e minha dificuldade para tentar compreender o que acontece(u) para essa mudança radical no hábito alimentar do meu pequeno, ainda vem essa enchorrada de encheção de saco. Não adianta eu explicar que eu não sei lidar com isso e já tentei de um tudo, até obrigá-lo a comer e ele colocar tudo para fora - vomitando mesmo -, num ato desesperado e que a única coisa que não posso fazer é abrir a cabecinha dele, portanto, a mim cabe fazer o que venho fazendo: ofereço, coloco no prato, como na frente dele, converso - para saber o que está havendo... - eu deixo claro para Peu que ele pode contar comigo. Pois bem, diante da maneira insuportável dessa pessoa, aliada a minha raiva que vem crescendo por suas atitudes desvairadas e descompensadas de quem foge de si..., até eu estou quase deixando de comer coisas saudáveis - rs. Gente, vocês não têm noção do que é se deparar com essa criatura num almoço, por exemplo, e sentir seu olhar fixo e arregalado em meu filho e seus suspiros exagerados de "hummmm! que delícia! olha, que comida boa! hummmm!". Olha, um dia, dou um ataque de fúria e vomito nela - kkkkkkkkkkkkkk. Vamos ver para onde vão seus "hummmssss". Eu acredito que o movimento precise ser sincero. Se você come algo saboroso, é natural os "hummmmmmmmmmmmm". Ana Maria Braga que o diga - rsrsrsrs. Mas, a cada garfada forçar o diacho do "hummmm" para "estimular" a criança a comer, no caso do meu pequeno, não dá certo e ainda incomoda as pessoas ao redor. Por mais difícil que seja, preciso acreditar que trata-se de uma fase - bem difícil - mas, uma fase. Leve o tempo que levar. Vou rebolando sem baixar a guarda. Respeito o tempo dele, sem deixar de apresentar as opções e instruir sobre a importância de comer bem. Sei que vou errar - como devo estar errando - mas, faço o que está ao meu alcance e me esforço para fazer mais. Ouço algumas sugestões e tento inovar. Mas, sugestões produtivas e edificantes são uma coisa... "hummmmsss" de encheção de saco são encheção de saco e nada mais!

Fonte: MANIAS DE MÃE
Para piorar, ela foi inventar de levantar outra questão: as birras de Peu. Qual criança não faz birra? E, qual pai e mãe que gosta? Ele - Peu - tenta, é o que ele pode fazer e, genioso como é e esperto, como é, quer impor a vontade dele... Não vou negar que muitas vezes perco a paciência e dou uns gritos de "levanta, Peu, senão vai ficar de castigo" e dou aquele olhar de "mãedoida" - rs. Mas, na maioria das vezes, faço uma coisa que me corrói as entranhas, mas, faço das tripas coração e "ignoro", até ele perder a força - essa parte ainda é pior porque sou julgada como quem não tem pulso firme... É fico entre a cruz e a espada. Depois a gente senta e conversa. Algumas vezes, seguro-o firme, olho em seus olhos e chamo a atenção de maneira muito rísída e severa. Normalmente, são as três maneiras que lido com suas birras. Só que, quando ele vê "platéia", as birras extrapolam um pouco. Ele arremeça o que tiver em mãos no chão  e grita, para chamar a atenção. Bom, a depender do meu humor - isso eu não nego, sou humana e, muitas vezes, cedo ao cansaço - chamo a atenção de maneira "curta e grossa" e dou o ultimato: "Para com isso! Coisa mais feia! Parece menino bobo! Levante dái A-GO-RA!" E o "mando" fazer o que havia pedido antes da reação dele. Na maioria das vezes, a gente senta e conversa de verdade. Só que, na frente da pessoa em destaque no parágrafo anterior, parece que a coisa piora - ou, eu já ando tão pilhada que vejo mais do que de fato é... - e ele carrega nas tintas das birras. Então, a pessoa, delicadamente, chamou meu marido para conversar e disse que achava estranho ele agir desse jeito - como já disse, ela convive pouco com ele, portanto, bigbrothermente falando, qualquer atitude dele, é A atitude, não UMA atitude pontual... toma uma proporção muito maior do que de fato vem a ser - e o comparou com uma outra criança, a qual ela convive mais e, mesmo assim, pouco enxerga da criança. Primeiro, ela precisa se manter imparcial diante dessas duas crianças, haja visto que, em experiências anteriores, ela já despertou a inveja na relação de seus dois filhos e eles não se dão bem até hoje... Quando uma parte da relação tem essa característica da inveja é necessário saber lidar, para não alimentar... E, mãe - assim como o amor - precisa ser multiplicado, não dividido... Pois bem, a outra criança também faz birra e chora muito, quando contrariado. De fato, ele não arremeça coisas no chão, como Peu, ele joga direto em quem estiver a frente dele. Ao escutar isso, se calou, como quem opta por não falar mais, afinal, para ela, meu marido não soube aceitar o fato de que o que Peu faz é feio. Isso, a gente não só sabe, como, também, não gosta. Só que nós não negamos que Peu FAZ birra. A gente só não está sabendo como lidar com isso de maneira tranquila. Mas, a gente VÊ quem é o nosso filho, sem máscara porque é nosso filho. A raiva nem foi pela comparação em si, entre as duas crianças, mas, porque eu entendo comparação com critérios e um deles, para mim, é a afinidade. Pessoas diferentes não podem ser comparadas, justamente, porque são pessoas diferentes. Numa seleção de emprego, vá lá, mas entre duas crianças tão diferentes, chega a ser uma crueldade. Ainda mais na posição que ela tem... Mas, voltando ao detalhe pior da comparação é que a criança com a qual Peu foi comparado não é santo. Ele é uma criança como outra qualquer, só que tem um perfil de criança que faz tudo caladinho, mas, faz. E não gosta nem um pouco de ser contrariado, como qualquer criança. Aí, ela foi que  não gostou de escutar que comentar sobre o comportamento de Peu, tudo bem, demonstra preocupação, mas, compará-lo com outra criança, a qual ela encobre suas ações, vamos dizer, negativas, falando que ele não fez nada é que incomoda. Certa vez, ele chutou Peu e, mesmo o menino afirmando e confirmando o que fez, ela dizia: "não, você não chutou não". Onde se pode escutar uma coisa dessa pessoas e aceitar aquilo como "apoio"? Eu penso que quando as crianças se desentedem, cabe aos pais orientarem seus filhos a não repitirem certas ações e tentar explicar o porquê. Agora, negar o que a criança admite ter feito, remete a uma loucura de querer levar adiante a idéia de trabalhar a imagem do que ela quer passar que a criança seja, em vez de ver quem ela é... O problema é: quem vai ser essa criança, educada a esses moldes? Se ele fala: "eu chtei" e escuta de um adulto relevante em sua vida: "não, você não fez" e todo mundo viu que a criança fez, o que vai ser da cabeça dessa criança? Quando falo que nós adultos precisamos nos trabalhar mais para educar uma criança, falo sério. Nossas loucuras podem enlouquecer a criança. O meio pode não ser determinante, mas interfere.

Fonte: Minha história, minha vida!

Pois é, julguei essa outra mãe de mãe, mãe de filho, mãe de filha, pessoa, avó... como defesa, por ter sido tão mal julgada. Ridículo, porque, em geral, não me incomodo com críticas a Peu, porque, provavelmente, já as fiz antes de todo mundo e tento me resolver com ele diretamente. Mas, julguei a comparação mal feita, julguei a maneira injusta como ela age e pelo fato de ter comparado sem critério - rs. E, detalhe, me peguei dizendo: "e ela lá é exemplo para nada? O que ela disser, faço o contrário, para não ver meu filho igual aos dela...". Acho que é por isso que a gente julga tanto: a gente esquece que também erra e que errar faz parte. O problema é errar, comprovar que errou e continuar errando. Para piorar, querem levar seu erro tão adiante que levam para as novas gerações. Mesmo sabendo que acabo perpetuando meu erro, através de minhas ações, ao menos, admito que erro e abro para meu filho: "sua mãe não é perfeita. Eu erro, mas, é importante que você entenda que eu vou aprender. Eu quero muito que você entenda que como sua mãe, preciso te orientar. Quando você for grande, aí sim, você faz o que quiser...". Lógico que ele não entende, só tem 4 anos, mas, sei lá, eu sempre converso com ele sobre isso. São minhas dúvidas, são meus valores. Sou eu. Meu filho e eu temos uma relação muito firme e aberta. Sou a mãe dele e minha vontade é que ele cresça um homem cheio de boas virtudes!

Me sinto mal por ter julgado outra mãe... Mas, sou gente. Por mais que me esforce em ser uma pessoa melhor, é um caminho, é um caminhar... Levanto tanto a bandeira do respeito e feri minha própria "lei magna": desrespeitei e por razões tão pequenas. Bom, na prática, sou gente, de carne e osso. 

Refletindo, vejo que fiz mais tempestade em copo d´água. Um tsunami é preocupante, uma gotinha aqui pode fazer transbordar um cálice cheio, mas, só esvaziar e pronto. Um tsunami inunda e não temos opção. O copo d´água, eu bebo ou derramo. Liberar espaço. As pessoas são o que são, como são e como insitem em ser. Preciso me voltar para mim e deixar o outro ser quem e/ou como é. Na prática, mesmo errando, toda mãe só quer uma coisa: o melhor para seu filho. Só não temos a capacidade real de saber exatemente o que é esse melhor. É, acabei enveredando pelo desabafo que esqueci o real motivo desse post... Talvez este seja o real motivo... Enfim, aceitar as diferenças é mais complicado que realmente nos conscientizamos.

Vou concluir aqui esse post, afinal, ele é mais uma maneira d´eu refletir e ver que tudo isso é tão pequeno.

Para concluir, termino como comecei: 

"QUEM NÃO TIVER PECADO QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA"

Cuidado para não atiramos em nós mesmas...

Saudações maternais,

Pat Lins.
Fonte: POEMAS E ENCANTOS

sexta-feira, 30 de julho de 2010

MÃE SEMPRE TEM CULPA POR TUDO?

Nos últimos tempos, Pedro tem se machucado muito mais... pancadas, esbarrões... E, mesmo assim, ele não para.

Bom, graças a Deus, vou começar um trabalho e terei grana para pagar uma atividade física para ele - e vou seguir a orientação super dez de meu amigo André Leitte - cito-as em "HIPERATIVIDADE OU HIPER ATIVIDADE?".

Sei que existe muita mãe/pessoa imprudente por aí - isso não vai mudar com a maternidade, só pela maternidade... só mudamos nossas características com consciência, entrega, esforço e dedicação - o que não é o meu caso. Beiro mais a neurose do zelo, do que a imprudência. Fora que tenho uma grande bússola de 3 anos e 10 meses em minha frente que se mostra como é e ele é ligado no 220 - risos.

Pois bem, eis aqui meu questionamento/desabafo: MÃE É CULPADA POR TUDO? Lógico que sei e concordo completa e plenamente, que somos responsáveis e que criança pensa que tem sapiência de tudo, mas, ainda falta aprender muito; que são indefesas; que por mais inteligentes que sejam, são CRIANÇAS. Mas, não é disso que falo. Me refiro a eterna atmosfera de crítica pela crítica - sem intensão de contribuir. Levantar uma polêmica sem propor solução. Isso é leviandade.

Olha, vou falar da minha prática, que, talvez, seja mais comum do que se pensa. Como sei que Peu é como é - já que já nasceu assim - eu redobro minha atenção. Mesmo me esforçando para "respeitar" sua individualidade, estou sempre por perto, numa "liberdade vigiada" - como sempre fez minha mãe - para, justamente, ele continuar sendo um indivíduo vivo e inteiro. Ah, mas, essa é a maior queixa contra mim e minha maior "condenação": não deixar Pedro sozinho. Os sábios ignorantes ao meu redor repetem isso insistentemente. Como já estou saturada e não sou uma florzinha de pessoa, dou uma amostra grátis: vou ao sanitário mais próximo - xiii, entreguei o ouro... risos - e peço que olhe meu tesouro - porque Peu é meu tesouro,sim. Sua eletricidade não diminui suas qualidades, muito menos, meu amor por ele - e "batata", ou a pessoa se cansa ou deixa Peu solto e prestes a se machucar... Santo Deus que já o salvou de poucas e boas - e, a mim também... - até de pular de uma varanda num primeiro andar... Como essas pessoas não têm uma capacidade de análise auto-crítica, tenho que que ser "a chata" que não confia neles - "eles", não são todos... são pessoas específicas - e, por uma questão de proteção, mantenho minha postura e me trabalho para compreender que eles são como são e eu como sou... E Peu... é como é!

Retomando minha linha de raciocínio, quando, mesmo assim, ele consegeu furar o cerco - afinal, toda criança é sagaz e inteligente - e se machucar, sou condenada - muitas vezes pelas mesmas pessoas que me culpam pela vigilância - por não ter prestado MAIS atenção. Em substituição ao "deixa o menino, Pat", vem "Pat, não pode vacilar. Olha, criança requer atenção constante...Com fulano de tal foi assim, ela virou as costas e..." É, mas, isso só acontece com o filho dos outros, porque com os de quem levanta a crítica destrutiva, os filhos nunca se machucaram...deviam viver "dopados", então. E aí, a mãe é falha e culpada. Quando iremos compreender que nem sempre o binômio "culpa/culpado" precisa existir? Que acidente já se auto-define: a-ci-den-te. Dói, machuca, a gente sofre, se preocupa, pensa horrores, entra em pânico... enfim, aquele "Deusnosacuda", mas, não necessariamente, alguém causou aquilo ou tenha sido descuido ou desatenção. Me refiro a acidente, não a descaso e afins.

A última dele foi quase quebrar o nariz, da maneira mais boba, tropeçando no vento e caindo "de cara" no pé da cama. Houve culpa, intensão ou descuido, aí? Mas, o que já escutei de gente que nem ouve o que diz - sabe como é? Daquelas pessoas que falam se contradizendo, achando que estão cheio de moral - risos - me dizer que eu deveria ter mais cuidado, que criança nessa idade cega a gente... tudo que já sei, que já evito e, mesmo assim, aconteceu. Então, penso: reajo ou ignoro? Não é fácil, mas ignoro, engolindo a seco... Detalhe maior é que eu sempre fui "manteiga derretida", mas, tem horas que sangue frio é necessário - e, só Deus sabe o quanto é penoso para uma mãe se manter "fria" para socorrer o próprio filho - e, ainda me vem uma "cobrança" subliminar, em forma de alfinetada do tipo: "ela nem chorou..." Eu me esforço para segurar o choro e manter um pouco de racionalidade em alta e, ainda assim... deixemos para lá. Nós temos mania de procurar "culpado" - de preferência, culpando...

Pois bem, aqui fica meu questionamento/desabafo/alerta: MÃE SEMPRE TEM CULPA POR TUDO????

Saudações maternais,

Pat Lins.

terça-feira, 27 de julho de 2010

"MÃE DIZ TER SIDO AGREDIDA POR CONTROLAR FILHO AUTISTA" - diferença entre conter e bater.

                                    FOTO: Manuela Cavadas/ Ag. A Tarde
No último domingo - 25/07/2010, o Jornal A Tarde, publicou uma matéria que serve de alerta sobre o grau de conhecimento sobre a diferença entre "bater numa criança" e "conter uma criança 'especial' em crise". Como o "Mães na Prática" tem interesse em abordar temas de ordem prática em nosso cotidiano, estou levantando informações sobre AUTISMO, para colocar aqui. Quem tiver informações, por favor, me envie por e-mail. Precisamos disseminar o máximo de informações para alertar a população sobre a conduta adequada e, também, de certa maneira, proteger as mães, pais e responsáveis por crianças especiais. Para que não aconteça o que aconteceu com a baiana, Geisa de Oliveira Sapucaia, mãe de um filho autista que, ao tentar conter uma crise "de agressividade" do seu filho, de 11 anos, num ônibus de Salvador, onde ele queria quebrar uma lâmpada do coletivo, foi espancada por outros usuários do mesmo serviço de transporte, que gritavam a "lei da palmada" e alegavam, através de suas agressões, estarem executando a lei. Onde já se viu isso?! A mania de se meter na vida alheia, agora, pode se utilizar da fachada de "cumpridores da lei", através de atos insanos e violentos, em nome da lei! Se a lei aborda a temática da "não violência", o erro fica ainda maior e mais grave: os "justiceiros de plantão", provavelmente, pessoas de um equilíbrio emocional minúsculo e dotados de um intelecto de inseto, agridem em nome de uma lei contra a agressão... No mínimo, irônico.

Essa situação me remete a, na verdade, um bando de desordeiro e desequilibrados, recalcados e mal-resolvidos, que, se utilizam de uma fachada de "bons cumpridores da lei" para encobrir suas patologias e transtornos de acéfalos e inergúmenos que só têm o objetivo de falar em moral, sem possuí-la. Característica grosseira de nossa vã hipocrisia, que insiste em se estabelecer e proliferar entre nós e alimenta nossa medíocre sociedadezinha. Fiquei indignadíssima! Só uma mãe de filho autista pode saber o quanto dói nela ver seu filho em crise e, a única coisa que pode fazer, é segurá-lo com firmeza para protegê-lo. Essas mesmas pessoas que agrediram essa mãe, a culpariam se ela permitisse que a criança alcançasse êxito em sua crise e quebrasse a lâmpada do ônibus, se machucando. O que nós queremos? Um mundo perfeito? Mães perfeitas? Filhos perfeitos? Pais perfeitos? E o que fazemos para viver e desenvolver esse mundo? Com esse tipo de manifestação animalesca de colocar em prática uma lei que fala do oposto e sem direito de justificativa? A mãe, agora, precisa comprovar que é uma boa mãe... Pode?! Ela afirma, na matéria do Jornal A Tarde (leia na íntegra: "MÃE DIZ TER SIDO AGREDIDA POR CONTROLAR FILHO AUTISTA") que, agora, está levantando documentos das instituições de apoio ao autista, onde leva seu filho para tratamento e recebe as devidas orientações e instruções, para provar sua inocência, por temer novas agressões "em nome da lei".

Já escrevi sobre assunto correlato em  "O QUE OS VIZINHOS VÃO PENSAR". Cada manifestação tem sua "bandeira". Agora, com a LEI DA PALMADA, leva esse título. Para se "cumprir" a lei, antes, conhecê-la. Para se julgar o outro, antes, dar a oportunidade da explicação, o velho benefício da dúvida.

Ser mãe já é cansativo e somos julgadas e condenadas o tempo inteiro, imagine uma mãe dessas, de baixa renda e com filho especial? Por coincidência, estava eu num ponto de ônibus, na mesma cidade, próximo ao Hospital Sarah, que trata de reabilitação, e uma mãe descia com seu filho de 6 anos, que não falava e estava muito agitado. Ela, de aparência muito pobre, demonstrava extrema apatia e cansaço, enquanto seu filho, numa energia só. Quando ela segurava, com firmeza - diferente de agressão - seu punho, ele se jogava no chão. Situação muito delicada. Notei - julgamento meu... - que as pessoas no ponto não gostavam do que viam. Ela, nítidamente, nervosa, precisando se dividir entre segurar o filho - para que ele não corresse para o meio da rua - e não perder o ônibus que demora para passar. Pois, ela perdeu o ônibus, o que, naturalmente, mexeu muito e, com certeza, a deixou irritada - mas, via-se que ela não descontava na criança. Eu tentei ajudar, conversando com o menino, mas, não podia me envolver muito, por não saber como contê-lo. Perguntei a mãe se ele poderia mascar um chiclete - era o que vendia nas bancas dos vendedores ambulantes que ele pedia - e, ela, meio sem jeito, em dizer que não tinha como comprar quase negou, quando eu me ofereci para comprar. Foi uma "salvação" momentânea. Comprei uma cartela e fui negociando com ele. E ela pode ter alguns segundos para respirar. Mesmo com toda minha prestatividade, eu era uma estranha e ela, ainda, precisou reforçar o "segurar" no braço dele... E, nesse íterim, ela desabafou: "eu morro de medo dessa lei nova aí. Que não pode dar tapa na criança. Ele não tem noção de perigo e eu preciso segurar forte..." Eu me pregunto - nada contra a lei, mas, como ela está sendo disseminada e como será executada, quais os critérios e por quem... Isso, sim, é preocupante - se essas mães serão protegidas? Mães de crianças especiais vão sofrer pela ignorância e estupidez daqueles que estão ciscando para "executar" e "agir" em "nome da lei", sem saber, sequer o que ela rege e sem informação sobre os "condenados". Existe uma enorme diferença entre "conter" e "bater".

Até quando seremos vítimas de de nós mesmos? Até quando vamos nos permitir a ignorância "legitimada", em vez de abrirmos os horizontes da mente em busca de crescer?

Vou pesquisar, também sobre a "Lei da Palmada" e sobre os direitos de mães de filhos especiais, para que se tenha o mínimo de facilidade e oportunidade para essas pessoas transitarem entre os "Normais" alheios. Como mãe, como blogueira e como pessoa, me sinto na obrigação de fazer algo, nem que seja escrever aqui, num espaço aberto, um grito de CUIDADO, para todos e cada um de nós. A informação ainda é o melhor caminho. E, além das Leis, precisamos criar e exigir melhor condição de vida, de transporte público, de educação, saúde, etc e de execução da lei. Nada de sair agredindo o outro, dizendo-se na razão, sem possuí-la!

Vamos estender mais a mão ao próximo, em vez de destruir, machucar, julgar e condenar. Muito ajuda quem não atrapalha.

Saudações maternais,

Pat Lins.

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