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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

RECEITA DE BOLO "MÃES NA PRÁTICA" - JUST DO IT!

Imagem: Google - AQUARELA EM CORES

2014 começando e a gente continuando e inovando, renovando.

Muita coisa a gente consegue dar conta. Muita coisa a gente não consegue dar conta. Muita coisa a gente acredita/se ilude que dá conta. Muita coisa a gente nem sabe que é capaz de dar conta. 

Comecei o ano - aliás, passei o final do ano passado - refletindo sobre "preciso de uma receita pronta para saber a melhor maneira de educar meu filho". Parece que a gente progride em tanta coisa e, esbarra naquilo que não depende de nós.

Conversando e observando outras mães - inclusive mães de mães - percebo que não quero essa receita do que está aí. Porém, se a geração atual pede inovação, eu também não sei como acertar sempre e em tudo. Na prática a prática requer muito mais de nós do que nos damos conta.

Assim, me veio um pensamento consolador ao amanhecer o novo dia, o primeiro de um novo ano novo:

SER ORIGINAL NÃO QUER DIZER, APENAS, FAZER AQUILO QUE NINGUÉM FEZ. É MUITO MAIS DO QUE ISSO. É, INCLUSIVE, FAZER O QUE VOCÊ PRECISA FAZER DE ACORDO COM A SUA REAL NECESSIDADE, NA PRÁTICA DIÁRIA. COLOCANDO SUA ENERGIA NA ELABORAÇÃO E CONCEPÇÃO DA AÇÃO. AINDA QUE ALGUÉM JÁ TENHA FEITO ALGO ANTERIORMENTE. SEGUIR E TOMAR COMO REFERÊNCIA NÃO É COPIAR E COLAR, É AJUSTAR. NESSE AJUSTE, SEU CONTEXTO, SUA HISTÓRIA, SUAS CARACTERÍSTICAS... TUDO VEM JUNTO. ALGO NOVO SE CRIA. E O NOVO É A CRIATIVIDADE DE FAZER AQUILO QUE PRECISA, SÓ QUE COM A SUA CARA! DE ACORDO COM A SUA NECESSIDADE.

Ou seja, faça! JUST DO IT!

Nem que seja uma simples brincadeira, ainda que antiga, mas colocada em prática, se entregando ao momento, ela passa a ter você, ela passa a ser você, mesmo não tendo sido inventada por você.

Ter consciência de que mesmo seguindo uma receita o bolo pode solar e que nunca será do mesmo jeito, ainda que misturemos os mesmos ingredientes, sempre.

Ser mãe requer estar aberta para aprender. Estar aberta para escutar. Estar aberta para falar. O grande problema é que a maioria das pessoas só quer julgar, condenar, excluir. Ser mãe, na prática, deveria ser ser mais solidária com outras mães. Não para dizer o que cada uma tem que fazer, mas para estar ao lado e acolher.

Ter gente nos apoiando para fazer frente aos que pesam do outro lado, condenando, vale a pena. 

Se educar um filho já é missão muito maior do que pai e mãe, imagina os filhos desta geração, que ninguém ainda acolheu para saber lidar? Seria tão simples se, e somente si, apenas deixassem de apontar o dedo e julgar.

A dor e o cansaço de ter essa linda e desgastante - e desgastante não é uma palavra pejorativa... apenas uma palavra que quer dizer característica do que é cansativo, ou seja é um adjetivo, ele qualifica o estado do sujeito após repetidos e exaustivos movimentos num mesmo objetivo... - missão, nos faz reféns da sociedade cruel e denota o quanto essa sociedade é leviana. Enquanto a maioria das pessoas alega estar despreparada para uma nova vida, para uma vida virtuosa... essa mesma grande maioria quer massacre, guerras e futebol. E julgam quem está na labuta "tentativa e erro, para aprender, já que não há precedente n história...", como "frescura e melindre de quem não é firme e não sabe dar limite". Leia-se limite como LIMITAÇÃO, castração, e não como algo construtivo, necessário e edificante.

Tudo isso aquece demais o forno e, ou queima o bolo, alegando que a boleira é incompetente ou a obriga a tirar antes... destruindo a boleira, por nem dar chance dela concluir o próprio caminho. Ops! Não seria serviço?! ...

Sinto falta de uma espaço, um ambiente social - no geral - mais amoroso. Apesar de filtrar as pessoas do meu círculo, nem tudo está em nossas variáveis controláveis, né verdade? Assim, estar emocionalmente bem e forte - que não quer dizer frio - ou, no mínimo, considerando que nem tudo depende da gente, não vai evitar que cansemos, mas vai evitar que soframos um desgaste pela poluição social.

Imagem: Google - FRESCURINHAS PERSONALIZADAS
Hummmmmmmmmmmmm! Que cheiro bom! Cheirinho de ano novo saindo do forno. Nova fornada de coisas boas podem vir por aí! Vamos saborear, então, na prática diária de sermos essas guerreiras, desbravadoras e precursoras MÃES NA PRÁTICA. Afinal, é no dia a dia e no se refazer no instante seguinte que nos fazemos NÓS MESMAS!

Então, vamos colocar ainda mais um punhado de amor, com umas pitadas de "muito ajuda quem não atrapalha", bastante doçura, caprichar na apresentação - afinal, o estético acaba revelando o que está dentro... - e servir com muita vontade de querer fazer diferente de uma maneira positiva. Sirvamos essas fatias para todas as pessoas, principalmente, as mais amargas e julgadoras. Quem sabe um pouco de doce traga à tona um coração ou que o faça bater mais forte e ser lembrado... Nós somos mães, não santas, nem perfeitas! Muito menos, capazes de seguir à risca uma receita que nunca deu certo... apenas aparentava ser ideal, desde que ninguém fosse diferente. Para estes, existe o lugar dos diferentes, com um rótulo gigantescos, como uma letra escarlate, e tão danosa quanto, porque marca para que se afastem. Nos aproximemos mais do carinho, com carinho! Do afeto, com afeto. Da ternura, com ternura. Só assim, acessaremos o amor, não a hipocrisia imperante!

Bom, o bolo não fui eu quem fez - nem tenho esse dom... - mas, deu vontade de saborear! 

Saudações maternais e vamos nos fortalecer, em prol de uma maior consciência coletiva colaborativa,

Pat Lins.


domingo, 5 de agosto de 2012

COMO ENTENDEMOS "LIMITES"?


"O CÉU É O LIMITE". Essa questão sobre limites sempre rende pando para a manga. Isso porque, eu - Patricia - em minhas observações do cotidiano - ou, na prática diária da maternidade e/ou paternidade e/ou "avoternidade"... - que os "limites" não são muito bem definidos em nossas cabecinhas. A gente ou acredita que limite é medo, como os limites impostos com rigor e a disciplina militar; ou que limite é sempre berrar com a criança; ou, ainda, que limite é aquilo que só é necessário se a criança for agitada... onde, se a criança apenas for chorona e quiser muito uma coisa, é só dar o que ela quer que ela para...; ou, criança com limite nunca testa os pais e pede novos limites... Enfim, muito confundimos muito o que vem  ser limite porque nós mesmos temos medos dos nossos para nossa melhoria pessoal e muito nos foi imposto como limitação e não sabemos bem o que limite significa, daí, como dar aquilo que a gente não tem de verdade?

Uma amiga sempre me disse que eu deveria ser mais flexível com Peu e menos rígida, que para educar e dar bons limites é muito melhor e menos desgastante se for baseado em um movimento sincero, consciente, firme, com atitudes coerentes ao que "estipulamos" como limite e com amor. Ou seja, coisa simples, simples, mas que acaba sendo nada fácil. E, não é que é verdade? Como ela disse: "não fui eu quem inventou isso, basta ver como as coisas realmente são.". Bom, esse é o nosso ponto: a gente tem dificuldade em ver as coisas como realmente são. No geral, vemos aquilo que nossos olhos nos limitam a ver e acreditamos que somos capazes de enxergar - usando apenas um dos órgãos dos sentidos... sozinho, não faz tanto sentido assim... -. Nossa dureza pessoal dificulta essa processo. Nossas carências, nossos tabus, nossos pensamentos e mentes bloqueadas dificultam a simplicidade do processo. Ficamos presos ao fato de nos terem imposto e, por não conseguirmos nos esforçar em nos libertar e seguir nosso rumo, acabamos presos a esse dilema de "culpa e culpado" onde nossos pais são os algozes de nossas prisões emocionais. Como passar algo livre para os nossos filhos? Acabamos repetindo o molde de limitação, sem percebermos. Acabamos sendo levados muito mais pelo medo de ser julgado um pai ou uma mãe sem pulso, do que observar a real necessidade do filho.

Como dar limites se nós somos limitados?

Venho observando em meu dia a dia o quanto LIMITE tem muito mais relação com os valores éticos e morais do que com uma imposição de medo, em vez de respeito. Primeiro: o que vem a ser respeito? Nós colocamos muito o respeito como um medo disfarçado... Já perceberam isso? Ou, já se perceberam assim? Como respeitar algo se em nossa cultura vigora a "lei da vantagem"? Como ensinar "respeito" num ambiente onde se coloca que seres respeitosos são "otários", "maricas", "manés"... ou qualquer termo pejorativo incorporado ao nosso cotidiano? Os limites têm base no RESPEITO. É muito mais um trabalho a longo prazo, é um trabalho constante... demanda diária. Para mim é um trabalho de construção de base, de formação moral, mesmo. Se tivermos claros os bons valores, se isso fizer parte do nosso dia a dia, o limite será algo natural - e ninguém entenda "natural" como algo sem esforço, sem dificuldade. Senão, se ainda temos muito que entender e aprender, esse processo natural será mais lento, porque precisaremos reconstruir nossas próprias bases pessoais para termos a mínima condição de firmar essa base em nossos rebentos. Mas, somos reflexos de nossos arquétipos, digamos, confusos... mas, somos seres livres para buscar apoio - lógico, antes de tudo é necessário identificarmos em nós algo que requer atenção e mudança, senão, nos mantemos nesse ambiente e gravitamos nessa órbita sem sentido... - e transformarmos nossa condição. Eu admito: dói! Dói, muito! Mas, vale a pena. A dor vai passar, mas, o que fica de bom é para sempre. Assim, conseguimos nos focar no que importa: no limite natural pela moral e pela boa conduta, pela ação correta e pelos pensamentos elevados e as comparações com "os amiguinhos" ou com "os outros" - que não é, nem deveria ser critério para avaliação - deixa de existir

Ontem, voltando do aniversário vivenciei algumas situações conflitos com crianças, escutei algumas "conclusões" baseadas em julgamentos pessoais - aqui eu "julgo" baseado em minhas conclusões pessoais, mas, com uma diferença, estou refletindo... - e vi, mais uma vez o quanto a gente julga e o quanto se dividir gera um tipo de avaliação com dois pesos e duas medidas e o quanto isso é perigoso. Vou explicar: assim que chegamos, fui cumprimentar o aniversariante. Como já sei como ele é, o quanto é arisco, não forcei o contato e fiz um "venha de lá" e ele veio bater forte em minha mão. Eu apenas brinquei e disse: "cuidado, rapaz, com essa força toda você pode machucar a sua mão...". Ele quis testar e comprovou: a mão dele doeu - fora que eu estava com um anel e, diante da minha observação, troquei de mão para não ser mais dolorido para ele. Ele me pediu para fazer de novo e que ele faria mais devagar. Repetimos o cumprimento e foi beleza! Ele bateu mais devagar. Quando meu marido chegou, abraçou o menino e o carregou. Levou dois socos no rosto. Bom, criança toma susto. A gente tem que chegar de leve. Isso justifica os socos? Não. Até aí, tudo bem. O problema foi que, a criança quando viu que sua ação teve reprovação - os olhares ao redor o fizeram ver isso - se jogou no chão e começou a chorar. A avó e a mãe correram para vê-lo. Uma senhora que fora "testemunha", avisou a avó - que já fitava o filho com uma certa reprovação e condenação, onde, pelo olhar, ela dizia: "o que você fez com o seu sobrinho?"... ou seja, mãe que não conhece o próprio filho, pois ela sabe que o filho dela adora criança e tem um filho pequeno, também... - e a senhora explicou que o tio carregou o sobrinho, todo amoroso e o sobrinho o socou. Bom, a avó do menino sequer se aproximou, quando viu que havia sido injusta com o próprio filho, mudando de ambiente e optando por não ver e não fazer parte daquele momento... A mãe do menino foi escutar o filho e ele babava, gritava/berrava tudo muito embolado - dava para ver que ele queria confundir - e dizia: "ele me fez uma coisa... ele me fez uma coisa...". Quem estava de fora era capaz de acreditar que o menino havia sido machucado pelo adulto. Hoje em dia, é bom termos sempre "testemunhas", porque as crianças, sim, elas sabem "criar" umas "mentirinhas" para salvar a pele... Pois bem, a mãe teve a atitude de escutar os dois lados e advertiu o filho: "Meu filho, por que você fez isso? Peça desculpa ao seu tio.". O menino relutou, inventou mais uma desculpa... segundo ele: "eu não reconheci ele". Alguém falou, na hora e ele repetiu: "ele deve ter estranhado" e ele aproveitou e usou... Alguma criança é santa? Não. A gente já nasce sabendo sobre julgar e ser julgado... Está no ar que a gente respira desde o nascimento. Nós, adultos, é que precisamos ter mais "jogo de cintura" para saber lidar de maneira mais justa e imparcial.

Continuando: o aniversariante tem uma característica que os pais não dão importância. Ele costuma fazer o que quer. Se você o deixar fazer o quer, ele fica quieto no canto dele, o que, para eles é "não dá trabalho, nenhum...". Se você disser um "não" - ainda que não use a palavra "não", uma negatividade simples - ele se transforma, grita, chora, baba e, em alguns momentos, faz xixi nas calças - isso, para eles, é besteira...-. Durante a festinha, uma menina - que não deveria ter 2 anos - e não fala direito, se aproximava dele e dava um gritinho, tentando estabelecer contato. Ele chorava. Quando mais ele chorava, mais a menininha se assustava e se aproximava dele, como quem quer saber o que está acontecendo. Ele chorava mais. A avó estava nitidamente nervosa e culpando a menininha. E dizia: "ele tá chorando por causa dela. Ela grita e ele se assusta e chora...". Eu perguntei, para introduzir uma reflexão: "ele está com sono?", no que ela me responde: "Não. Ele está assustado é com a menina mesmo. Tem que tirar ela dali...". Ou seja, os adultos "compram" um briga que não existe e, em vez de ajudar a criança, a estabelecer o tal limite, alimenta uma limitação. A avó do menino não queria que nada fizesse o neto chorar, mas, em momento algum permitiu que o bom senso imperasse e sentou para abrir diálogo com o menino. Ele era a "vítima" e pronto. E o esclarecimento? Isso ajuda no limite, também. Quando a criança entender que aquilo não é um ataque, ele vai chorar? Resultado, nem deu tempo de tentar conversar com a criança, ela foi "arrancada" de lá e levaram-no para outro ambiente. Isso resolve? Mudar o ambiente, mudar de lugar, resolve? O que não soluciona, para mim, não resolve. O problema está lá. Houve ambiente para um crescimento aí? Os adultos demonstraram toda a fragilidade e falta de limite próprio. As carências e os medos falaram mais alto. O "resolver", explicar, nem passou perto.

Pois bem, já de volta para casa, estávamos levando a avó do aniversariante, quando o meu filho, diante de um comentário que fiz - sobre um parque que ele ia, todo ano, e fora vendido - não gostou e se irritou, arremessando o brinquedo no chão do carro. Quando eu fui começar a estabelecer contato com meu filho - lógico, uma atitude de demonstração de raiva com arremesso de objeto, para mim, não é uma boa atitude e, não é porque é meu filho que vou agir diferente -, de explicar para ele que isso era algo que estava fora do alcance dele e que a irritação não o ajudaria a resolver, ela falou: "Você precisa ser pró-ativo. Quando eu vou a praia, por exemplo, e vejo lixo no chão, eu cato. Não vou mandar o lixeiro catar, nem jogar na casa do prefeito...". Bom, sem saber como conectar uma coisa com a outra, eu tentei dar um sentido: "Nem jogar areia para o alto, ou chutar a areia... Porque não iria resolver. Agora, quem vai ficar sem o brinquedo é você e não mudou nada no parque...". Ela nos questionou: "Tem que ver. Ele arremessa as coisas assim, quando está irritado, é? Isso não é bom!". Lógico que não é bom! E a gente não deixa passar em branco. Estabelecemos o que chamamos de limite com o levantar de questões que façam Peu enxergar as próprias ações. De nada adiantaria eu agir como agia e reclamar com ele, dizendo: "Não faça isso, Pedro. Isso é errado! Coisa feia, ficar jogando o brinquedo no chão de raiva!". Era essa a minha tática. Hoje, o levo a refletir. E tem funcionado melhor. Sou uma mãe melhor do que as outras? Pedro mudou de uma hora para outra? Não. Estou aprendendo. Mudando em mim e observando mais. Vendo quem é meu filho e vendo qual a melhor maneira de ajudá-lo. Meu intuito é dar uma boa base de formação moral ao meu filho, para isso, tenho que me ver, o ver e nos ver. Como estávamos na frente dele, apenas agi como ajo e não dei grandes explicações para ela - não era o momento -, que me julgou uma mãe sem "pulso", por apenas dizer: "Meu filho, agora, quem está sem brinquedo é você. A raiva te fez perder e não resolver...". Primeiro, fui interrompida quando começava a falar com ele - detectei e agi - o que demonstrou a invasão e ela, sequer se deu conta de que eu tenho minha - nova - maneira de agir; muito menos, respeitou esse espaço mãe-filho... - fora que ficou evidente os dois pesos e duas medidas com a qual ela "julga"... Tentei não alimentar essa parte, para não perde o foco que era educar Peu. Quando eu vejo uma situação-conflito entre pais e filhos, me recolho a observadora. O primeiro contato é entre eles. Quando agi, não a satisfiz, onde ela nos contou: "Eu penso que o problema das  crianças, hoje em dia, seja o fato dos pais não saberem dar limites...". Pode parecer que tenha sido indireta, mas, não acho... Eu conheço a pessoa e sei que foi muito mais um pensamento desarticulado... Não creio que ela não tenha visto como ela agiu com o neto e como eu estava agindo com meu filho - eu vi que ele teve um comportamento ruim e ia agir, quando fui interrompida... Não ia brigar com ela, esperei ela concluir e continuei, com meu filho. Nem ela sabe o que quer dizer limite. Isso ficou nítido quando ela tirou o neto do ambiente, sem deixar a própria mãe do menino esclarecer - no episódio onde o menino chorava com o gritinho da menininha. Ou seja, é uma pessoa que não vê as próprias ações e age como a maioria de nós: o erro só está nos outros. Ela deu sequência: "Estava num ponto de ônibus e um pai e um filho mascavam chiclete. O menino terminou e jogou no chão. O pai chamou a atenção do garoto e o mandou jogar no lixo. O menino foi, jogou, depois, chutou o lixo, jogando-o no bueiro. Daí, eu me questionei: falta os pais darem limite as filhos, hoje em dia...". Bom, deu um leve nó em minha cabeça. Para mim, as coisas precisam ter um mínimo sentido lógico. Como não entendi indaguei - existe outra maneira de esclarecer uma dúvida? -: "Mas, o pai deu um 'limite' quando orientou que o filho jogasse o lixo no lixo. Pelo que entendi, o filho testou esse limite, criando uma nova situação. E o pai, como reagiu, diante desse teste?". Não obtive resposta, apenas um: "o lixo havia caído no bueiro, não tinha como fazer mais nada...". O que eu queria saber era: "como o pai conduziu, como agiu diante dessa nova investida do filho?". Então, coloquei: "...filhos, você bem sabe, porque tem 2, sempre testam nossos limites, quando tentamos 'dar-lhes' limites. O 'como' vamos agir ou reagir é que faz a diferença. Por isso que levo Pedro a refletir, para que ele entenda que o que ele fez é prejudicial. É a maneira que encontramos e tem surtido efeito, mesmo assim, ele não para de criar novas situações para nos testar...". A conversa parou aí, assim, mesmo. Outro assunto foi puxado e o "fim" fora imposto: "caiu no bueiro".

Em geral, fazemos isso: mudamos o superficial - como tirar o menino do lugar, sem diálogo, sem esclarecimento... apenas afirmando para ele, em forma de ação: "faça o que quiser" - ou, mudamos de assunto, para não olharmos o que precisamos ver, já que "o lixo caiu no bueiro". O não pensar em soluções limita muito uma ação de "limite". Sem identificar o que corrigir, corrigir o quê? A diferença está na AÇÃO: NA CONSCIÊNCIA DE QUE UMA AÇÃO SE FAZ NECESSÁRIA  e na CONSCIÊNCIA DE QUAL AÇÃO TOMAR.

Quantos de nós já passou - em shoppings centers é muito comum, ambiente favorável para os pequenos testarem nossas forças mentais... oh, Deus! - por uma criança fazendo birra, se jogando no chão e dissemos: "Se fosse meu filho ele iria ver..." ou "Isso é falta de pulso dos pais, que não sabem dar LIMITE..."? E, quantos de nós, ao passar pela mesma situação nos arrependemos dos comentários cruéis e dizemos: "Ai, meu Deus, agora eu sei o que os pais que julguei passaram...".

Gente, educar um filho é brinquedo? Fale sério. Mas, falta um pouco de boa vontade da gente, falta não? Seria bacana se entendêssemos que, para começar, somos criaturas imperfeitas querendo ver a perfeição em nossas - que não são nossas, na verdade - criaturinhas. 


Estou revendo os meus próprios conceitos, mexendo muuiiitttoo em mim mesma, para saber ser um exemplo para meu filho. Isso é garantia de que ele siga o mesmo caminho? Não. Entretanto, ele saberá que pode escolher, assim como a mãe dele fez. E, finalmente, entendi que LIMITE é algo que se baseia nos bons valores - estes são os verdadeiros limites humanos e não limitações -, principalmente, com RESPEITO e na CONSCIÊNCIA DE QUE PODEMOS ESCOLHER SEGUIR UM CAMINHO MELHOR. O limite, para mim, tem muito mais a ver com o (re)conhecimento do DEVER. Falta em nossa cultura humana, o entendimento de que somos responsáveis por nossas ações e suas consequências e isso gera um dever para conosco e para com o outro.

LIMITE É SABER ATÉ ONDE PODEMOS IR, SEM INVADIR, MACHUCAR O OUTRO. Aqui, faço uma ressalva: machucar é algo questionável, porque tem gente que se dói por tudo e tem mania de perseguição, então, agir com uma pessoa dessas sempre será um risco... porque caberá a cada um lidar com os próprios melindres e tentar se livrar deles. Ou seja, se cada um fizer a sua parte de autobusca e reconhecimento dos próprios limites - ou, nesses casos, das próprias limitações - para estabelecer um caminho mais razoável e menos doloroso, abre-se caminho para o estabelecimento natural do LIMITE. Baseamos o limite em muita dor. Em nossas dores, em nossas vergonhas... em nossos medos de julgamento.

LIMITE é um desafio, porque não é fácil estabelecer o que não entendemos direito... O LIMITE - esse que tentamos conceituar - está diretamente ligado a LIBERDADE - não libertinagem -, onde CÔNSCIOS de nossos DEVERES e das nossas AÇÕES  e suas consequências, podemos agir, sabendo para onde e por onde ir. O LIMITE liberta. Ele norteia uma ação. A confusão com o podar como limite já deveria ter sido superada, mas, como ainda não foi, caba a cada um de nós ir construindo esse caminho do bem, pelo bem e para o bem! Só assim, seremos capazes de separar o "joio do trigo" de nossas ações.








Saudações maternais,

Pat Lins.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

LIMITES DE UMA MÃE: RECARREGAR.


Ser mãe é reconhecer que nós temos limites como todos os seres humanos. 

Nem tudo a gente é capaz de mudar. Mas, tenha certeza, uma Mãe, de um tudo é capaz de fazer!

Os resultados podem não depender exclusivamente de nós, mas, isso não nos faz acomodar e "deixar rolar". A gente, corre junto! A gente sofre junto! A gente se esforça, até mais - principalmente, por termos mais experiência de vida e o compromisso vital da responsabilidade de firmar a base de um novo ser. 

Nós não somos responsáveis pelas escolhas dos nossos filhos, mas, somos responsáveis por eles e por mostrar-lhes, com nossos exemplos práticos, que toda escolha requer consciência e que cada escolha implica numa consequência.

Toda pessoa tem seus limites. As mães têm que, não só, identificar os seus limites, como saber como lidar com cada um deles e agir na superação. Assim, nosso limite é entender que os temos e batalharmos para deixarem de ser. Sempre indo além! Junto! Renovando! Reinventando! Refazendo-se! Recarregando-se. Não temos baterias inesgotáveis. Temos baterias recarregáveis! Recarregáveis no dia a dia. A cada segundo. Eu canso, mas, renovo! Quem disse que mãe não se cansa? O que a gente faz quando é precsio fazer algo é que faz a diferença.

A super mãe é assim: capaz de se refazer, sempre! A gente nem sabe como, mas, do início ao fim, da conta... Tem que dar... Vai dar...

Saudações maternais,

Pat Lins.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

MÃE: FADA E BRUXA

Imagem: Sonhos e Crochês
O maior dilema de "ser mãe" é aceitar que somos fadas e bruxas!

Em verdade, eu penso que esse dilema não seja apenas das "mães", mas, do ser humanos em geral. Nós temos uma imensa dificuldade em aceitarmos que somos uma dualidade e não devemos nos culpar, muito menos nos limitar e acomodarmos a essa característica. 

Conversando com uma amiga - que tem o filho da mesma idade de Peu - ela me disse que ia levá-lo ao psicólogo porque ela não sabia como agir com ele... Ela temia que o filho ficasse com raiva dela... Tanto que ela me disse que a maioria das vezes ela faz o que ele quer, para evitar atritos. 

Um psicólogo não é mágico, muito menos Deus. Seria ótimo ela fazer terapia. Em geral, a maternidade nos aflora muito mais dilemas e conflitos internos do que conseguimos identificar. Eu tenho muitos dilemas - como todo mundo - mas, nunca houve em mim, uma célula, um átomo que me fizesse entender que o filho não pode escutar um "não". Eu sei que sou muito rígida com Peu e estou aprendendo a flexibilizar aos poucos. Uma grande amiga me alertou para isso em mim; refleti e concordei. Quando comecei a ser mais flexível e entender que Pedro não é doente mas é diferente, tem uma inteligência aguçada e uma cognição elevada, vi que eu teria que ser mais criativa. Mesmo assim, deixar o "não" nunca entrou em questão. Noemia sempre me diz que os limites a gente dá com exemplo, no dia a dia e que o "não" bem colocado é de suma importância. Isso me faz ver o quanto a gente se ilude acreditando que a maternidade, o ato e fato de parir, de colocar um ser no mundo traz junto o juízo, o equilíbrio, a serenidade e a capacidade de acertar sempre. Se a gente não aceitar essa questão com consciência, seremos "amiguinhas" - no sentido de ser criança, da mesma idade - dos filhos. Mãe é autoridade e isso não é falta de amor, muito menos uma desculpa para o autoritarismo. Pai e mãe são as referências dos pequenos. Se a gente não sabe ouvir e receber um "não" como parte - só podemos escutar "sim" ou "não" -, como vamos saber dizer para os filhos? É bom fazer terapia, se conhecer e se permitir crescer como pessoa, sempre, principalmente, como mãe.

O filho dessa minha amiga ficou uma tarde comigo e Peu. Começou a chover e pedi que ele saísse da chuva e se protegesse na parte coberta. Ele me mirou com uma raiva e disse, com os bracinhos de pingo de gente - seria muito cômico, se não fosse a seriedade que ele deu... - abertos: "eu não posso fazer nada?". Fiquei perdida... "Como assim, 'não pode fazer nada'? Você quer brincar na chuva e ficar todo molhado? Aí, você é quem sabe... Eu prefiro brincar na parte coberta e, quando a chuva parar, eu vou para a parte aberta.". Ele me fitou com muita raiva. Fez um bico enorme e chegou perto de Peu e disse alguma coisa sobre mim e deram muita risada. No mínimo, me chamaram de bruxa ou algo parecido. Vi que, mesmo assim, Peu não ia na onda do colega, ele me via como autoridade. Lógico que resmungava, mas, acatava, mesmo o amiguinho dizendo: "você vai obedecer ela?". Eu sentei perto dos dois e perguntei: "Você não obedece a sua mãe? Peu, diga para ele, o que eu sou sua e a quem você deve obedecer e respeitar.". Pedro respondeu e o amigo não gostou. Disse que iria brincar com outros meninos. E saiu. Eu os deixei se resolverem com relação à brincarem um com o outro. E estavam juntos em menos de meio segundo. Ele queria era saber que alguém estava no comando, tanto que ele me tratou diferente depois, mais carinhoso e me perguntando mais as coisas. Eu penso que o fato de Peu falar: "peraí que vou perguntar a minha mãe, porque ela deve saber..." fez com que ele visse que a "mãe do amigo" era uma bruxa para o bem deles e uma fada, ali com eles. Vi que eles gostam da bruxa. Gostam de saber que é importante que a "mãe que diz não" esteja ali. Isso dá um limite saudável, assim eu penso e assim eles me fizeram entender.

Nessa tarde pude observar muita coisa legal. A gente brincou de muita coisa e tivemos "problemas" para resolver juntos. Ele gostava de correr e olhar para trás e me ver olhando para eles de longe. Expliquei que eles poderíam correr e brincar à vontade, desde que eu pudesse vê-los. No início ele relutou e se abaixava em alguns lugares para me testar. Eu assobiava e Pedro respondia: "tô aqui, mãe...". Depois, ele mesmo chamava Peu para brincarem mais perto de mim, sem que eu precisasse chamá-los. Foi uma parte muito interessante naquela tarde. Eu vi como meu filho me vê e como o amiguinho se adaptou rapidamente à minha relação de "mãe e filho" com Peu. Melhor, como ele gostou daquilo. É certo que toda criança acha a mãe do amiguinho mais legal, mas, ali, eu fiquei feliz porque não me fiz de boazinha, eu me esforcei para ser flexível e justa, mesmo assim, mostrando quem estava no comando, sem pesar na mão, nem no tom. E deu muito certo. Vi que todo mundo tem problema de relacionamento. Vi que toda mãe tem seus medos. Vi que toda criança testa o limite do adulto. Detalhe: não é a primeira vez que fico com mais de uma criança, mas, foi um dia onde pude perceber um monte de coisa, depois do comentário da minha amiga em "ter medo de como dizer 'não' sem traumatizar ou podar o filho...". O que pude dizer é que toda mãe erra e sempre vai errar, mas, também acerta e sempre vai acertar... Nós somos humanas. Nós somos falhas e imperfeitas de natureza, fazer o quê? Se ajudar a cada dia.

A cada dia posso ver que ser bruxa é a hora que a gente não deixa eles se machucarem, mas, eles sabem que somos as fadas protegendo-os naquela hora. Quantas vezes eu, criança, ficava com raiva da minha mãe, mesmo sabendo que ela estava com razão... Nunca passou do momento, aquela raiva. Sempre amei e idolatrei minha mãe. Mesmo repetindo algumas vezes para magoar "que eu ainda ia sair de casa para fazer o que eu quisesse...". Qual filho nunca disse isso aos pais? Agora, minha vez de escutar e entender que faz parte. Minha mãe sempre nos deu uma "liberdade vigiada". Podíamos brincar e correr à vontade, desde que no permímetro de visão dela. Limite. E a gente nunca deixou de amar aquela mulher. Aliás, é nossa - minha, da minha irmã e do meu irmão - até hoje. Eu pude amar minha mãe com muito mais liberdade, quando a vi como gente, como ser humano e como pessoa imperfeita. Mãe, também é gente, minha gente! Me lembro que ela me dizia: "quando você tiver seu filho, você vai me entender...". E é verdade. Mesmo que eu não seja igual a ela, entendo o que ela quis dizer. Minha mãe foi taxada de bruxa, quando nos dizia "não" e, pelo mesmo motivo, sempre foi a nossa fada mais linda! Ela sempre se multiplicou entre os filhos. Nunca se dividiu entre a gente. Talvez por isso a gente não saiba o que é inveja, ciúme ou esses sentimentos pequenos. Ela sempre nos colocou como iguais. Era justa. Hoje, é a "avozona" querida dos netos e dos amigos dos netos - assim como era com a gente: era a preferida dos nossos amigos, também! Mãeeee, eu te amo! - amo repetir isso!

Com amor e coração aberto a gente abre caminho para muitos lugares. Mas, engana-se quem acredita que demonstrar amor é nunca dizer "não"... Eu gosto muito de se honesta com Peu. Deixo bem claro que não sei de tudo, mas, a gente pode se esforçar para aprender juntos. Nessas horas, a gente vê o reflexo do que a gente ensina. Quando deixo Peu com meus pais ou com minhas tias, ele sempre pergunta: "posso pegar?", "posso fazer?", "obrigado!", "por favor"... e isso é legal, sinal de que mesmo me achando uma bruxa por ensinar isso para ele, ele sabe que é útil e correto e que faz parte da educação básica. 

Pois é, mães de plantão, nós somos as fadas, mesmo quando pensamos ser bruxas! Eles devem nos ver como uma bruxinha do bem. Tudo o que eles querem é se lançarem ao desafio de entrar na floresta escura, se deparar com o medo e saber que podem contar com alguém.

Saudações maternais,

Pat Lins.

terça-feira, 12 de abril de 2011

ENJOANDO E CUIDANDO

Oi, amigas! Estou meio ausente por conta da gravidez e os enjôos.

Desta vez está até mais branda, graças a Deus. Na de Peu, meu Pai, não ficava nem saliva.

Tudo normal e tranquilo. Estou com mais ou menos 5 semanas e ainda tenho muito que partilhar aqui, tanto da gravidez em si, quanto da relação com Peu. 

Cheia de idéias e vontade de falar sobre essa experiência tão nova. Bem que dizem que cada gravidez é única. Estou empolgadíssima! E muito feliz. Pedrinho está amando a idéia de um irmão ou uma irmã. Lógico, sente um pouco de ciúme, também. Mas, nada que o tempo não resolva.

Faz tempo que queríamos colocá-lo para fazer terapia, mas, com a grana limitada, nunca era prioridade. Agora, vendo que ele anda com alguns problemas de comportamento e para evitar que piore com a vinda de mais uma criança, a psicóloga entrou na lista de prioridades. Pedro é um menino maravilhoso, mas, viveu muita coisa com sua pouca idade. Aqui em casa, agora, todos sabemos o que é terapia e sabemos que não é coisa de doido ou "de quem precisa". Todo mundo precisa. É uma questão de auto-busca, só que com direcionamento. A gente se engana muito bem, até por toda uma vida. Mas, sempre é hora de se dar a chance. Me preocupo com o desenvolvimento emocional do meu filho e minha vontade é que ele cresça um homem de caráter firme e cheio de virtudes.

Recentemente, escutei um absurdo de uma pessoa, onde ela me dizia que seu marido não gosta que ninguém chame a atenção do filho deles porque o menino é muito esperto e sabe se virar sozinho. Daí a razão que ele não dá limites ao menino... Falei para ela que muitos bandidos também são inteligentes e espertos. A gente precisa procurar dar limites e bons exemplos aos filhos, desde humildade verdadeira e equilibrada até como lidar com as crises. Já pensou: não vou observar como Pedro é só porque ele é esperto? Quantos pais e mães sucumbem a esse tipo de pensamento? Na verdade, esse senhor é uma pessoa com idade avançada, não acompanhou de perto a educação dos outros filhos, trata-se de uma pessoa meio solitária e muito mais coisa. Provavelmente, já não tem  mais pique para educar o filho pequeno e se dá essa desculpa, se eximindo da responsabilidade e trabalho de pai como educador. É importante que os adultos observem mais as crianças ao redor. Vá a escola do filho, veja como são os colegas... Ele se surpreenderia se isso fizesse. Na turma do meu filho, mesmo, as crianças são de encomenda - risos. Tudo esperta. Eu fico feliz por Peu ser mais um. 

Precisamos aprender muito conosco para educar um filho, viu. Muito mesmo. Colocar filho no mundo e deixar crescer, dar banho e comida é fácil. Pensar que só a escola tem papel de educador é muito pouco. Pai e mãe sempre serão a referência da criança. Tudo começa dentro de casa. O menino é espertinho, mesmo, mas, é sonso, muito sonso. Não assume o que faz e culpa outra criança na maior "cara de pau". Se contrariado, dá um show: grita, fica nervoso e agressivo e até baba. Isso é saber se virar sozinho? Cadê pai e mãe para procurar compreender o motivo dele estar assim. Vão empurrando com a barriga e deixando o guri a própria sorte. Ele vai deixar de ser esperto? Não, mas, que qualidade de esperteza ele terá? 

Se tem a mínima condição de dar um acompanhamento psicológico para o filho, dê. Como pai e mãe, deixamos passar muito, para não nos vermos e não nos culparmos, porque sempre vamos por aí, pela culpa.

Eu não quero que meus filhos sejam apenas inteligentes e espertos, quero que saibam o quê e como usar essa inteligência e esperteza para o "bem". Um fora da barriga e o outro, dentro, já participando do processo. 

Tudo está interligado e as consequências não atingem apenas uma pessoa isoladamente...

Saudações maternais,

Pat Lins.

quarta-feira, 9 de março de 2011

FILMES - influenciam, mas, não são determinantes - PARTE II

Pois é, a saga do filme continua, mas, melhorou. A estratégia da negociação foi surpreendente: ele não só concordou, como entendeu e, o melhor: aceitou. Melhor que isso, só dois disso! E, sendo assim, ele voltou a pedir os filmes que antes gostava tanto, como "A Era do Gelo", "Toy Story 1, 2 e 3", "Shrek", 'Lucas, um invasor no formigueiro" e etc - se eu for listar a dvdoteca dele, não termino hoje. 

Com relação ao comportamento, normalizou. Ou seja, diminuiu o excesso do que já é excessivo. Graças a Deus, porque eu já estava esgotada e, confesso, sabe Deus de onde tirei forças, porque, minha gente, careca era só o começo dos meus problemas. 

Visitando, como de costume, os blogs amigos - tenho uma lista aqui ao lado - li um texto emocionante da Sueli, - BLOG DO DESABAFO DE MÃE - e me vi ali. Só quem tem um filho de personalidade forte e dono de si pode imaginar o que passo. Por mais que eu escute e saiba que ele não é um menino ruim, afinal, não é malvado, "só" agitado, isso não diminui em nada meu desgaste. Todo dia eu vivo tensa e pressionada. Estou sempre alerta e tenho que ser flexível e legal; e ainda rigorosa e firme; carinhosa e amorosa; mãelimite no limite. Só por um tempo, queria refresco - risos. Sabe o que é pior - ou melhor ? Eu não resisto aquele safadinho lindo. Ele é elétrico, me mata de cansaço, mas, se não fossem as críticas que dou ouvido e reverberam em minha mente, talvez, quem sabe, eu me cansasse menos. Também, quem manda ser humana e dar ouvidos ao que não deveria ser escutado, já que se sabe que quem fala apenas extravasa sua própria dor, infelicidade, fraqueza e pequenez através da tentativa de diminuir o outro para se sentir maior?! E isso me incomoda muito: mania de me ocupar com a língua dos outros. Acho que sou assim por conta de minha mama querida. Ela é do tipo de pessoa que prefere se machucar a ter que dizer a verdade a alguém. Eu vivo uma contradição: quero falar - e, quando não dá para segurar, eu falo - e me sinto péssima por magoar alguém, ainda que esse alguém tenha me magoado. Aquela história da pessoa sacana que sacaneia, provoca e ainda sai como vítma, porque soube fazer seu lobby. Meu lobby é queimado, porque eu explodo mais do que me contenho e quem provoca fala baixo, com voz mansa e incubado. Odeio falsidade. Pois sim, o que isso tem a ver com Peu? Essas pessoas e lidar com isso me desgasta tanto, nesse embate que minha resistência diminui. E eu? Preciso estar sempre em alta, para conseguir lidar com Peuzinho. 

É muito cansativo ter um filho ultra elétrico, que parece saber o que quer e só descansa quando consegue - leve o tempo que levar, ele consegue alguém que ceda... principalmente quando não está em minha frente - e tentar lidar com algo que já é desgastante por si só e ainda ter que lidar com gente desocupada e sem "setocômetro". Gente que, se estivesse em meu lugar, o que faria? Sim, porque essas pessoas são cheias de dicas, receitas, fórmulas de sucesso, "jeito", "ciência", técnica - diga-se de passagem, teoria da técnica -, de experiência - nos casos que me refiro, malsucedidas experiências, mas, como os filhos cresceram e não matam, nem roubam, acham que fizeram um bom trabalho... ainda que sejam pessoas problemáticas e difíceis, imaturas, infantis, egoístas... isso me incomoda mesmo e de verdade. Cuidar de Peu não é facil, mas, se ele é assim, eu tenho que encarar os fatos e lidar com isso. Quando consigo manter uma distância saudável - como me refiro a me afastar daquilo que me compadece, para o meu próprio bem e que não é tão bem visto pelos outros, mas, paciência para eles - eu mantenho minha taxa de resistência equilibrada e minha rotina cansativa é puxada, mas, "vivível" - risos. Infelizmente, algumas vezes essa distância saudável é quebrada e levo dias para me recuperar, até estabilizar. Bom é que cada vez que faço o esforço, assim que passa a fase crítica do estresse instalado, me sinto infinitamente melhor e mais forte e, detalhe, mais convicta de que estou certa em manter minha distancinha, viu? Sorte a minha que ainda posso e consigo fazer isso com, pelo menos, 90% dessas pessoas inconvenientes, mas, que fazem parte do ciclo social e familiar. 

Essa questão do filme, mesmo, nem todo mundo acredita e acha que é proque ele é assim mesmo. Será? Não sei, acho que sou observadora demais, minha veia crítica e exploradora da alma humana me faz ser assim, de natureza. Isso faz com que eu me abra para as possibilidades, em vez de fechá-las e visualizar tudo de um panorama mais holístico - não como as pessoas dizem que fazem, sem fazer... eu sinto a dor de quem se esforça para colocar em prática o movimento de mudança, de observação, de planejamento e de desenvolvimento de estratégias e ações. Sou, praticamente, um plano de marketing - risos. Ou, uma monografia - risos. Nem por isso, obtenho sempre êxito... O empirismo me guia e entre tentativas e erros, vou chegando lá. Como sempre me falo: quem vai saber o que é certo ou errado no que tange a educação de um filho? O que deu certo para A - quando deu certo mesmo, ou seja, a criança cresceu e se tornou um adulto equilibrado, sensato, sereno... o que não quer dizer que seja apenas mérito dos pais, mas, do ambiente, da característica pessoal, do empenho individual, das oportunidades bem aproveitadas... Complexos é o que somos - não quer dizer que vá dar certo para B, C... Z. Cada um é um. Tem uma pessoa que vive pregando essa premissa e, na hora do "vamo ver" é a primeira a já estar comparando e, cá entre nós, sem critério algum... Comparar é necessário, para que tenhamos parâmetro, mas, o que é - ou quem é - o parâmetro para comparação, mesmo? Só Jesus, mesmo. Ou Gandhy, Madre Tereza... Pessoas que abriram mão de si, por já serem tão evoluídos que não tinham mais o que crescer, apenas orientar e facilitar crescimentos.

Ai, quero vomitar minha irritação, para que essas reverberações me deixem em paz. Eu já vivo uma vida desgastante - não, eu graças a Deus não passo fome, nem sede... mas, a educação de Peu requer um ritmo em mim que não é o meu e exige um estado mental sempre alerta que, de vez em quando, pede descanso e não encontra. Tudo seria menos pesado se as pessoas se tocassem e, se querem ajudar, ajudem. Porque, muito ajuda quem não atrapalha, já dizia minha avó. Ajudar colocando mais pedra para a pessoa carregar a sadismo, né ajuda não, viu?

Meu filho é agitado, sim, mas a "culpa" não é minha. Ele é como é. Não é por falta de diálogo, nem de limite - ou tentativa de dar alguns. A educação de Peu é a longo prazo. Já percebi isso. Essa natureza geniosa dele insiste e testa meus limites, mas, eu quase sempre estou lá, segura e firme. Caio, por diversos motivos, porque, apesar de ser mãe - e todo mundo exige perfeição  sem o ser - eu sou gente e vivo outras coisas além da maternidade. Caio, por diversos fatores pessoais e íntimos. Caio como qualquer pessoa. Mas, o que mais me derruba, com relação a lidar com Peu são essas intromissões descabidas, desorientadas e sem sentido, que invadem como uma chuva ácida - não comparao com acidentes naturais, porque acidentes naturais são reações da natureza gritando socorro. A mãe natureza pede socorro para que nós, filhos, vivamos melhor e nós, filhos, somos extremamente desobedientes e impetuosos, como Peu é comigo... - e terminam por alterarem o rumo de meus afazeres, do meu ritmo... Tanta cobrança. Todo mundo devia fazer terapia. Tantas ações infantis, de adultos que não se desenvolveram e cresceram em idade, mas, não em identificar sua identidade... Tanta gente que briga por tão pouco. Tanta gente que se diminui em vez de crescer. Tanta gente que cria situações sem necessidades. Tanto malentendidos, por falta de uma coisa simples, chamada "comunicação" - falar, ouvir e entender. As pessoas têm má vontade em compreender. Em aceitar. Em respeitar. 

Difícil! Mas, vou indo, porque, como disse a própria Sueli, mãe nunca desiste. E, acabo sendo mãe de mim, porque não desisto de mim, nunca! Nem quando penso que assim o fiz.

Vou terminar aqui, senão, uma coisa puxa a outra e este post era só para dizer que educar um filho é zelar por tudo que o envolve, sabendo que não temos controle total do que eles captam, mas, temos co controle total de fazê-los entender que por mais legal que uma mãe seja, ela precisa ser respeitada e reconhecida como tal. Só para dizer que eu luto todos os dias para que meu filho cresça um homem virtuoso, de bem, mesmo que hoje ele brade com os limites, que teste os meus limites, amanhã, seja ele o que for, eu fiz o que pude, com a melhor intenção. Só para dizer a mim mesma que eu preciso recarregar e triplicar minhas forças. Só para me dizer que educar um filho é identificar os sinais - quando problemas - e se abrir para as soluções, porque não existe um única solução, mas, sim, uma que dê jeito.

Depois, talvez, volte a extravasar de novo. Afinal, na prática, somos isso: gente querendo ser melhor, mesmo sem se dar conta e sem se dar conta dos caminhos que seguimos para tal. E, no filme de nossas vidas, tudo deve ser dirigido por nós mesmos e com ajuda, sim, porque ninguém vive sozinho, mas, ajuda é uma coisa, manipulação, controle e intromissão é outra...

Saudações maternais,

Pat Lins - uma mãe na prática diária de se construir e desconstruir; num desabafo de mãe e que só coisa de mãe pode entender. E, fica a pergunta: "what mommy needs?" Afinal, somos mãe e  muito mais, não é não?! E sempre em mãetamorfose. E haja inventando com a mamãe para alegrar a filharada. Principalmente os kids indoors da vida moderna, de crianças que não dormem e vivem acesas, como se não tivessem tempo a perder. Que um dia vão virar adolescentes - e, alguns saírão dessa fase... Afinal, todas vivemos um sonho de ser mãe e, no final, toda mãe é igual! A cada mãe, mãeblogeira, bipolar ou não, aqui, meus parabéns! Fui tecendo o fio de ariadne para agradecer com este último parágrafo, a maioria dos blogs que sigo, por conta desse meu pequeno, nessa pequenópolis. Para quem não entendeu, vide a lista de blogs que sigo, porque este blog é para mães de ninas e ninos do meu coração. Minha homenagem a cada uma de vocês! Beijos!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

EDUCANDO UM FILHO

O grande problema de educar um filho é que nos deparamos com o fato de que podemos ser melhores - muitas vezes, isso dói... - e saber que aquele ser é um outro indíviduo que também merece respeito.

A grande maravilha de educar um filho é que nos deparamos com o fato de que podemos ser melhores - muitas vezes, isso dói... - e, que aquele ser é um outro indíviduo que também merece respeito.

Como sempre falo: educar um filho é muito mais do que impor ao outro nossas próprias frustrações e querer que ele resolva... Educar um filho é educar-nos primeiro, como eu gostaria de ser, assumindo para mim quem sou e mudando em mim aquilo que não é construtivo. Educar um filho é dar limites e liberdade... E isso, só se consegue com vontade e honestidade. Mesmo assim, como sabermos a dose exata de limite, para não limitar (podar) e a dose exata de respeitar sua liberdade, sem negligenciar...

Educar um filho é um desafio diário e para sempre, porque precisamos educar o filho que fomos e entender que erraremos com nossos filhos, como nossos pais, tentando acertar e à sua maneira, erraram conosco - em algum momento - e cabe a nós, transformarmos a nós mesmos. É ter plena consciência de que não há fórmula mágica, nem certa. Há caminhos e caminhos para trilharmos. Mas, tendo o amor verdadeiro, tudo se justifica - exceto o que realmente não é amor... Espancar em nome do amor é terror, não amor; destruir em nome do amor é loucura, não amor...

Educar um filho é proteger sem abafar; é ouvir e ponderar, antes de responder; é regar dia-a-dia e, ainda assim, não saber se regou o suficiente... é nunca saber o que fazer, já fazendo.

Educar um filho é nos reeducarmos pela vida a fora e entrarmos no caminho de sermos melhores a cada dia.

Saudações maternais,

Pat Lins.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

TRAUMAS, TRAUMATIZAÇÕES, TRAUMATIZADOS, "TRAUMATIZADORES"... - COMO (NOS) LIBERTAR DESSAS DORES (?)

Apesar de vivermos na "era da informação", o cuidado como esta circula, como é elaborada e propagada é bastante preocupante. Ainda mais para nós, mães, tanto neste papel, como no papel de ser humano.

Uma "amiga" blogueira, certa vez, postou um comentário, aqui no blog, expondo esse temor, onde, por ser psicóloga, acabou criando uma "barreira" de como educar o filho. E, me peguei pensando, por ter conhecimento, muitas vezes esquecemos de que, na prática, a aplicação das informações não seguem o mesmo ritmo que desejamos...

E, como estava/estou com muito pouco tempo para me permitir mergulhar aqui, neste espaço que amo escrever meus pensamentos, para me encontrar e me organizar, acabei deixando passar o tal tempo e, hoje, me "obriguei" - no bom sentido... talvez caiba melhor, me comprometi comigo mesma - a escrever um breve esboço do que me veio em mente:

TRAUMAS, TRAUMATIZAÇÕES, TRAUMATIZADOS, "TRAUMATIZADORES"... - COMO (NOS) LIBERTAR DESSAS DORES (?)

Não existe apenas uma causa para se desendaear um trauma... E quem é o agente traumatizador? Os pais, como referência primária, carregam e são cobrados, como reais e possíveis agentes traumatizadores. A questão é que não só os pais atuais, mas, de toda a história. E o "Pai do Céu"? Será que fica feliz em ver o quanto fazemos utilizando do Seu nome????

Fui percebendo que vivemos reféns do "medo" de traumatizar, haja vista tanta informação sobre "como educar seus filhos" de inúmeros e renomados estudiosos do assunto. A ciência, como acredito, tem seu papel fundamenal, de traçar um paralelo, ou, um levantar de informações ou dados, que se repetem e, para isso, busca-se uma explicação para a origem - quando não se deseja provar a própria origem - como única maneira de se encontrar uma solução. Detalhe: como somos bilhares - ou bilhões - de pessoas nessa esfera achatada nos pólos, chamada de Terra - onde se caberia, por coerência à "realidade científica" de que existe mais água, ser chamda de Água... risos -, o que quer dizer, que não tem como algo, ou, alguma manifestação, ser originada de um único ponto... Ter como origem uma única causa. Lógico que para se tratar um problema, é preciso saber qual o problema, para, após diagnosticado, ou, prognosticado, se receitar o remédio mais adequado - mesmo assim, precisamos entender que a ciência (também) é limitada... ela é feita por nós: humanos e os remédios não são elaborados para se resolver um problema... As misturas químicas agem sobre determinado sintoma, ou seja, ele trabalha na consequencia, não na causa... O que resolve parte do problema, bem como a maneira como resolvemos os diversos problemas, em nossas vidas.

Mas, de volta a terra - ou, terra virtual... risos - sobre o tema, refleti que a descoberta de que carregamos "traumas" de infância - ou, qualquer trauma - de maneira inconsciente e que eles se manifestam na nossa consciência através de nossa maneira de agir ou reagir, me levou a ver que não temos para onde correr, a não ser nos cuidar e nos perguntar: POR QUE COSTUMO AGIR DE DETERMINADA MANEIRA? COMO FAÇO PARA COMPREENDER MELHOR A SITUAÇÃO? COMO FAÇO PARA JULGAR MENOS? COMO FAÇO PARA NÃO ME MACHUCAR COM O OUTRO?... Enfim, temos várias perguntas para nos fazermos e, nem sempre, aparecerá uma única resposta, nem virá como palavras escritas... SIMBOLOGIA. Teremos respostas em forma de signos e precisamos saber como decodificar. Essa é a questão que levanto: PODEMOS LEVANTAR AS PERGUNTAS, BUSCAR AS RESPOSTAS, ESPERÁ-LAS E, ENQUANTO O PROCESSO SE DESENCADEIA, PODEMOS IR AGINDO, COM PEQUENAS MUDANÇAS. Muitas vezes, coisas pequenas, palavras escutadas de maneira inesperada... toquem em algum conteúdo magoado e ainda em forma de ferida aberta, e a gente caia, sem saber a razão. Aliás. RAZÃO é algo muito mal empregado pela gente. A razão não é sinônimo de frieza, muito menos de ausência de emoção. Ela é uma capacidade de se refletir a maneira como a emoção funciona e tentar equilibrá-la, ou, administrá-la.

Cheguei no ponto que queria, nos dizer que sempre seremos agentes traumatizadores, que somos seres traumatizados... e, isso tudo, porque somos humanos e nunca saberemos, ao certo, o que está lá dentro, bem guradado e lá no fundinho de nossa cabeça, seja no âmbito da razão, seja no âmbito da emoção. Nós, todos e cada um de nós, não somos apenas os seres individuais, nem apenas o indivíduo em meio ao coletivo - o que nos torna um ser social, além do individual e que coexistem. Nós somos resulado do que trazemos, do que desenvolvemos, do que aprendemos, do que esperam que sejamos, do que queremos ser... Administrar isso requer habilidade que ciência alguma dá conta! Somos demanda de nós mesmos para a vida toda. E, é por isso, que venho aqui, através deste espaço - kkkkkkk, me lembrei dos abaixo-assinados que fazia na época de escola... - clamar que nos ajudemos neste aspecto: NOS CULPAR, NÃO! Chega de carregar na culpa, chega de culpar os outros! Chega! Somos capazes de fazer algo melhor. Somos capazes de usar a tão repetida RAZÃO da meneira racionalmente correta: a nosso favor, enquanto ser individual, ser coletivo e mãe! A culpa é uma consequência emocional de cobranças externas. A gente cresce em meio à cultura do medo. E, em pelna "era da informação" e, em pleno século XXI, a gente ainda trilha e reproduz a cartilha do medo e do julgamento, "em nome de Deus"! Deus quer que sejamos felizes, minha gente! Foi para isso que nos criou! E ser feliz é viver e se entregar ao movimento de ser feliz! De ser e fazer coisas boas e melhores para o bem comum, não se subjugando ou sendo subjugado pelo crivo da severidade desmedida que nos entranharam. Somos reflexo do medo e do temor a uma criação humana. Mas, não vou entrar muito por essa seara. O que quero, de fato, lembrar, aqui, é que, dentro ou fora do papel de mãe, o que caracteriza um trauma é algo não conhecido, ou seja, um mistério e que sempre vai acontecer. O que quero dizer é que a CURA é não se culpar, nem culpa o outro. A CURA é se abrir e se auto-ajudar, com pensamentos melhores, com o esforço de acender a esperança e a ação diária de se fazer uma coisinha boa aqui, outra ali... com o coração aberto e acreditar que podemos mudar o mundo. Não, não agora e imediatamente... Assim como nossos traumas  não surgiram agora e imediatamente, muito menos essa prática mais do que abusiva de julgamento e condenação da vida alheia, surgiram de uma hora para outra... Põe, por baixo, aí, milhares de anos. E olha, não cabe em uma única fase histórica... Está em todas.

Como pessoa, precisamos nos permitir a libertação das dores causadas por traumas, que, na maioria das vezes, nem sabemos que oriundam de trauma... Muitas vezes nem recordamos ou sabemos o que foi esse trauma. Como mãe, precisamos nos libertar do medo de errar com nossos filhos. NÓS VAMOS ERRAR! NÓS ERRAMOS O TEMPO INTEIRO, COM TANTA COISA... Mãe não traz a perfeição. MÃE NÃO É PERFEITA! A gente só pode fazer aquilo que está dentro da gente. Para fazer diferente - de preferência, melhor, é preciso muita busca e muito empenho e se querer melhorar, senão, só poderemos dar esse pouquinho que temos para oferecer, que está na zona do que repetimos vida afora. Eu tive a honra de conhecer uma senhora, dessas muito firmes, porém doces e suaves - o que prova de que firmeza e inflexibilidade e atitudes rudes não são sinônimos - que nasceu em meio ao holocausto e dentro de um campo de concentração. Seus pais a conceberam ali, e, ali, ela nesceu. Seus pais, muito provavelmente, foram executados, mas, ela, fora salva e adotada por um casal de norte-americanos, se não me engano. Segundo informou, era uma criança muito pequena, menos de dois anos, se não me engano. Cresceu num lar mais tranquilo, com pessoas boas e alegres. Teve "de tudo", como nos referimos quando uma criança cresce num ambiente economicamente favorável e que permite que se compre e crie um ambiente confortável. Estudou. Trabalha. Vive bem - em todos os sentidos - porque sabe administrar os percaulços. Ser feliz é ser feliz mesmo com problemas, mas, não quer dizer que tenhamos que ficar sorrindo a toa, ou, fingindo que o empecilho não exista. É encarar e ver como melhor resolver. Pois bem, ela relatou que sentia um medo e uma tristeza que não sabia de onde vinha. Com o tempo, descobriu que era trauma de infância. Tá, nem por isso se deixou abater. Sofreu e sofre as consequências, porque, aquilo que fora vivido/é não se apaga... Mas, ela detecta as recaídas ou os primeiros sintomas - ou sinais - e, não os ignora. Os abraça e se entrega ao movimento de libertação - ou, melhor: auto-libertação. Nós temos isso, do mesmo modo que ocorrem os traumas, temos o kit supera trauma. Isso não impede as manifestações das dores, mas, não podemos nos permitir a perpetuação do sofrimento.
  
Ainda temos muito o que aprender, nessa vida. Agora, que já foi descoberta o estresse pós-traumático, onde a reação/consequência, não se dá no instante, a ciência aceita que algumas ondas de estresse e seus derivados sejam consequência de algo muito anterior. Ou seja, se as gerações anteriores se "gabavam" de educar melhor os filhos, bom se auto-vasculhar aí. Não estou condenando as gerações, mas, lembrando que só podemos dar aquilo que nos permitmos e que acreditamos que só temos aquilo para dar. Impossível dar o que não tem, mesmo sabendo-se que, em algum lugar dentro de nós, tem muito mais a oferecer. Mas, existe um julgamento cruel e uma condenação forte e severa dessas gerações em conflito com a atual, de que "antigamente, não era assim..." Muita coisa não era assim antigamente, muita coisa não precisa ser assim hoje... mas, o que já foi feito, vai reverberar de alguma maneira em algum lugar. Daí a necessidade de assumirmos a responsabilidade pelo caos no mundo. Nós somos seres muito mais coletivos do que individuais, por estarmos em constantes relações sociais, mas, a subjetividade é algo a ser trabalhado individualmente, para se melhorar o coletivo.

Educar um filho é não desistir - nem de você, nem dele. Olha, eu "peno" com Peu, viu?! Ele é turrão, só quer fazer o que acha - e muitas vezes ele tem "razão" - que sabe. Falo, repito, brigo... Mas, sei que um dia ele vai entender que é minha maneira de educá-lo e de protegê-lo. A gente, às vezes, exagera, porque esquecemos que limite é proteção e carregamos no poder. E poder é ego puro. Pior, ego desequilibrado. Muita gente não entende algumas atitudes minhas e, confesso, não "perco meu tempo", tentando explicar... Tem coisas que a gente precisa fazer e não se ocupar com o que se ouve. Depois, entro no processo de compreender que a reação da pessoa foi porque ela age diferente e não sabe respeitar as opções alheias e etc. Enfim, muitas vezes estou exausta e, apesar de manter a minha postura, nessas horas de cansaço, tudo quer emergir e sair pela portinha da baixa de resistência... e acabo carregando nas tintas e na maneira como dou vazão ao que acredito - mas, tem gente que merece que a gente dê uns gritos, né, para ver se, pelo menos assim, mesmo sem consciência, pare um pouquinho... porque, oh gente invasiva, meu Deus... - pois bem, voltando a Peu, duas coisas me chamaram atenção, nesses últimos dias: 1 - estamos nos mudando - aliás, já nos mudamos, apenas em ajuste de casa nova - e isso mexe com tudo, apesar de ter a alegria da novidade motivando, a característica humana de desgaste e cansaço não mudam como chave de voltagem... - pois, nesse processo, precisei pedir água na casa da antiga vizinha - um amor de pessoa - e, ela me deu um copo de vidro. Perguntei, antes de beber, se ele queria, também, e estendi meu copo, ele falou: "não, porque esse não é de plástico".Então, me fiz de esquecida e disse: "Verdade, filho! Olha a cabeça da mamãe. Obrigada, por me lembrar." Ele simplesmente me deu um lindo sorriso e eu entendi: MANIFESTAÇÃO DA EDUCAÇÃO. Por mais que tenha que "brigar" com ele, em casa, explicando que ele ainda é pequeno para beber em copo de vidro, porque o vidro quebra e tal, só na "rua" pude ver o resultado do meu trabalho, que não é só meu, é conjunto. O fato das pessoas ao redor - ao menos algumas - além de terem essa consciência, algumas que acham bobagam não dar copo de vidro a criança, porque não se pode privar... algumas destas, também, respeitam minha conduta e colaboram isso reforça. Mas, aquilo que passamos para eles, as referências primárias, saem da gente - mães/pais - para eles. Tanto coisas boas, quanto coisas, ruins, ou, não tão boas... Isso me levou à segunda percepção: 2 - não existe uma linha rígida, muito menos única, a seguir que determine como o outro, ainda que seja um filho, vai receber o que passamos em nossas ações. Quem recebe é que "determina" se aquilo é condizente ou não.

Mesma coisa as "brincadeiras" que fazemos. Quem acha graça é quem recebe, porque, se você faz, é porque para você é engraçado. Talvez você não se incomode que brinquem com você do mesmo jeito, ou, acha que é tão melhor que pode fazer tudo... Está na hora de perceber e aceitar que o outro tem seu EU e que cada um tem seu jeito. Assim como EU, EU/VOCÊ, VOCÊ/EU, NÓS, ELES/ELAS... Tem gente que conta pidas de humor questionável e chata é a pessoa que não sabe brincar e/ou aceitar aquela brincadeira... Isso cabe aos nossos filhos, também. Minha irmã tem mania de brincar com Peu apertando, "futucando", como ele fala e ele gosta. Mas, quando ele está sonolento, que está desacelerando, ela, adulta, faz a mesma brincadeira e ele não gosta, se irrita. Não adianta avisar que ele está com sono, o que fica é que ele é "chato" e não sabe brincar...  Nos falta bom senso. Nos falta entender que tem hora para tudo, inclusive hora de parar e não se meter! Mania de nos acharmos sempre com "a" "razão". Isso, também traumatiza, mas, há garantias de que traumatize? Como Peu recebe as brincadeiras que fazemos com ele? Como ele recebe as "orientações"? Como ele recebe os "sente ali para refletir o que você fez" - logo após a explicação de que o que ele fez está "errado"? O que é ERRADO - se para ele era certo? Deixa a criança "bater cabeça" para aprender ou interfir? Até onde um limite é um l.imite e não uma limitação? Temos equilíbrio emocional e capacidade - ou maturidade - para dar uma educação pautada na harmonia dessa gama de informações, em meio a rotina diária... ? Muita gente se acha "madura" porque sabe se comportar nos lugares; não falam besteiras; mantêm a aparência de sobriedade... Muita gente confunde maturidade com aparência... Serenidade, bom senso... vai além do básico: educação formal e cordialidade, é questão coerência de desenvolvimento intelectual - tudo que aprendemos - e prática desse desenvolvimento. Quantos de nós faz isso de verdade? Se você nem exitou e gritou: "Eu", um bom começo para se trabalhar. Eu nunca saberei como meu filho recebe o que passo, porque o que vai não é só o que falo, mas, como falo, com a frequência que falo, como faço diante da mesma situação, quem sou, como sou... Engana-se quem acha que o resultado do progresso do outro cabe a nós. Isso não quer dizer para deixarmos "ao léu". Pelo amor de Deus, apenas quero dizer que importa mais a honestidade - se me permite frisar: auto - honestidade primeiro... - e o esforço diário com crescimento gradativo de se dedicar ao movimento de

DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO, a partir de cada ser individual e subjetivo, em prol do coletivo!

A nós, cabe fazer a cada dia, o melhor que pudermos fazer, não aquilo que dói menos. Só assim, com amor e consciência do que é amor, podemos nos libertar e libertar as dores dos traumas, das decepções, das cobranças e dos julgamentos! Amar e educar é muito mais que dizer: "os psicólogos dizem que tem que fazer assim..." É entender que a psicologia, como qualquer outra área do conhecimento, estuda, levanta dados, traça paralelos, reflete, identifica reações comuns... mas, como toda área do conhecimento, também redescobre a pólvora, se adapta a novas realidades, as estuda... Está sempre em evolução, mas, uma nova vertente não anula, por completo uma outra. Tudo se encaixa. Tudo está conectado. Tudo está interligado. Crescer está acima de qualquer teoria. Crescer é movimento pessoal e esforço diário. É trabalho para a vida inteira. O começo de uma novidade não é o fim de algo que já existe. Isso é que é "massa" a gente poder desenvolver nossa maneira de ser, agir e pensar dentro da diversidade, respeitando e sendo respeitado! Um dia, humanidade, chegaremos lá!

Poxa, tanto tempo sem escrever, que hoje, "perdi a mão" e nem falei tudo que queria, nem como queria... Mas, depois volto para desabafar mais e trocar idéias reais aqui no mundo virtual.

Nem todo caminho nos leva a Roma, mas, leva para outro lugar... Quem vai saber qual e melhor maneira de educar um filho? Mal sabemos nos educar... Não podemos empurrar nossos filhos para o sucesso... Precisaríamos saber o que é "sucesso" para ele... Podemos dar base de confiança e firmeza de caráter. Não podemos trilhar o caminho do outro.

Saudações maternais,

Pat Lins.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

EU TINHA UMA WEBCAM, UM MICROFONE... HOJE, EM COMPENSAÇÃO, EU TENHO PEU...

Peu com 9 meses

Este post é um daqueles pots que parecem "nada a ver"... risos. Mas, para mim, diz muito, porque na prática, a gente esquece muitas vezes de ver o lado bom de tudo.

Estava conversando com um grande amigo e irmão por opção, Marquinhos, tentando remarcar uma reunião, por não ter quem ficasse com Peu. Como os outros integrantes do projeto não podiam remarcar e, se protelássemos, correria o risco de "debandar", a reunião ficou marcada e eu participarei através de "vídeo conferência". Chique, né?! Coisas boas que a tecnologia nos permite. A gente vai, mesmo não estando - kkkkkkk.

Detalhe: após solução encontrada, novo problema surge... Eis que eu não me recordava que a webcam está quebrada, o microfone fora babado e, portanto, inutilizado... e me lembrei que havia perdido dois celulares, um armário de banheiro, feches das janelas, o pc por pouco não pifou... Ops! Isso não vem ao caso... ou vem? Talvez. O autor das minhas novelas "era uma vez... eu tinha" é meu filhote amado.

Pois é, antes eu tinha tudo em ordem - quando eu era pequena eu tinha, mas, precisava esconder de minha irmã para continuar tendo, qualquer coisa, porque ela tinha a mania de quebrar, perder, destruir... - e vi que é minha sina! Em compensação, hoje eu "tenho" Peu, que não me deixa faltar nada, só a paciência e a razão - risos. Ele não me deixa faltar alegria, motivo para querer ser melhor... Me falta um monte de coisa, na verdade, mas, ele me faz sentir que já tenho TUDO que preciso: eu mesma.

Só ele tem a capacidade de me fazer entrar em desespero com suas traquinagens intermináveis, mantendo minha taxa de estresse sempre elevada e sem pausa para recuperação, o que causa em mim um descontrole natural e diminuição na capacidade de ser algo próximo de "normal" - risos - e, ainda assim, só ele consegue me fazer rir, tempos depois, do que antes era motivo de reclamação, cenho franzido e voz "grossa" - como ele descreve. Ele me ensinou o que é amar de verdade. Sem fingir, sem máscaras. Amar através dos desgaste do dia-a-dia, de toda fúria pela perda de controle da situação... amar, amar e amar. Muita gente estranha, porque vivo chamando a atenção dele - lógico, mãe também precisa exercer o papel chato de "regrar", dar limites, reclamações... - para quem está de fora, fica o julgamento; para quem está por dentro, o necessário e o que eu, mãe/pessoa, posso e sei fazer; para Peu, mamãe reclamando de novo; para mim, Peu aprontando de novo; para nós dois, situação pontual - ou, situações pontuais, após sequência desvairada... risos -; para nós dois, passado o tempo de chamar a atenção, tempo de dar carinho, sentar no chão e brincar de carrinhos, bolas, montar... criar... a gente se entrega a plenitude em tudo. É, só a gente se entende. E, na prática, para quê mais alguém entender?

minha vidinha: te aaammmooo!!!

Mãe e filho é isso, um binômio eterno regado a dicotomias intermináveis. Mas, guiados e protegidos pelo amor que só essa dupla - ou trio, quarteto... - sabe tirar proveito!

Pois é, eu tinha um monte de coisa que ele quebrou aprontando das suas, mas, tenho outro monte de coisa em mim que só ele é capaz de me fazer lembrar e enxergar. O material se compra, quando der, mas, o que já existe... JÁ EXISTE e está em cada uma de nós: um ser, SER MÃE.

Na prática, eu sou uma mãe na prática como toda mãe, que tinha uma vida e hoje tem duas, pelo menos.

Saudações maternais,





Pat Lins.

terça-feira, 15 de junho de 2010

HIPERATIVIDADE OU HIPER ATIVIDADE?

Grande pergunta! Quando uma descoberta é feita, passa-se a ver esse objeto como único. A hiperatividade existe de fato? Uma criança super ativa é considerada hiperativa - no sentido da tal patologia?

Os médicos argumentam que existem características a serem consideradas, como, por exemplo, a desconexão com a "realidade", a não-interatividade, a dificuldade de concentração e outras mais. Meu filho é super ativo e duas psicólogas me disseram que ele tem apenas uma capacidade cognitiva de uma criança com o dobro de sua idade, ou seja, ele tem 03 e sua percepção do mundo equivale a uma criança de 6/7 anos e isso gera um desequilíbrio no fato dele pensar como 6 anos, num corpo de 3... Segundo a psi que me falou isso, o remédio é deixar ele crescer e continuar me descabelando - risos.

Eu acreditava que ele era hiperativo. Mas, foi diagnósticado que ele não apresenta essas características patológicas. Entretanto, ele apronta horrores e entre surtos meus e amores, nunca há um tempo para que eu respire aliviada, porque ele não dá trégua e acabo entrando na nóia de achá-lo hiperativo, em vez de hiper ativo... O mínimo que ele faz é escalar seu guarda-roupa - ou armário - para pegar o que guardo no alto e, depois, não consegue descer e fica me gritando socorro! Cansada pela repetição sem pausas - e diante da falta de tempo para as idéias se organizarem - o levei a uma neuropediatra - mesmo a pediatra dele me dizendo que era desnecessário, que ele só precisava gastar mais sua energia... - quando, nem bem entramos no consultório, ela desenrolou um discurso sobre a hiperatividade e, mesmo ele respondendo aos seus estímulos, como uma criança "normal" - detesto essa terminologia, porque todo mundo é normal e anormal ao mesmo tempo... risos - e interagindo com ela, me falava incessantemente, que, "algumas mães aguentam o trampo e não dão remédio, mas, outras ela receita. Quem decide é a mãe, se aguentar o trampo, dando uma educação mais rígida, impondo mais limites e segurando a onda...", mas, que eu decidiria, se eu aguento o "trampo" ou não... E repetia isso, parecendo que queria me induzir ao consumo do medicamento. Eu perguntei o que era aguentar o "trampo", se isso queria dizer que ele era "hiperativo" e se ela não passaria exame para detectar. Ela me disse que criança "hiperativa" ela "conhece quando pisa a soleira do consultório, bate o olho e vê logo..." Fiquei logo com um pé atrás... como um profissional pode confiar apenas em seus olhos, diagnosticar e receitar - não, na verdade ela apenas tentou influenciar a minha decisão, mas, eu não cedi... como vou dar remédio para algo que não foi "comprovado"? - sem fazer uma avaliação? Por fim, me recomendou fazer uma avaliação psicológica nele e disse que a orientação da psicóloga seria muito importante, fora que era necessário colocá-lo em atividades físicas, como natação, para ele gastar a energia e ocupá-lo com mais brinquedos de encaixe, para desenvolver a concentração - mesmo após me perguntar como ele é na escola e eu dizer que ele aprende e faz tudo, e que, de acordo com a professora, ele só é elétrico, mas, de uma inteligência e capacidade de observação impressionantes. Concordo com a atividade física, sim e com os brinquedos. Isso é necessário para toda e qualquer criança. Esse contato com os pais, inclusive e principalmente, nas brincadeiras, é perfeito. Atividade física é bom para todo ser humano. Algumas, mais importantes para determinadas características. Como me advertiu um amigo - que é professor de Educação Física e um grande lutador e professor de full contact - André, valeu pelas dicas - o ideal é:

"Primeiro: Possibilte a prática de várias atividades até ele se identificar com alguma.
Segundo: Dê preferência a atividades coletivas: além de desenvolver habilidades motoras , permite uma interação maior com outras crianças.
Terceiro: Quanto mais atividades variadas ele fizer mais habilidades motoras ele desenvolverá, enriquecendo assim o seu repertório motor.
Quarto: Não se esqueça de colocá-lo na natação: além de ser uma excenlente atividade, saber nadar é uma questão de sobrevivência também."



E, como duas amigas e psicólogas - que, além de profissionais conceituadas, conhecem a criança/meu filho - risos - já haviam me dado suas considerações, desconsiderei a neuropediatra - até fiz o eletro, que ela pediu e ele nem precisou tomar remédio para dormir, colaborou ficando quieto... também, não dormiu, mas, a profissional que realizou o exame me disse que não havia problema algum, desde que ele ficasse parado por 5 minutos... e ele ficou... mexeu muito pouco, mas, nada gritante e deu tudo "normal" - sabe-se lá o que quer dizer... - risos. Eu fiquei extremamente preocupada com os médicos por aí, inclusive os renomados. Então, agora basta uma criança ser elétrica para ser hiperativa e tasca-lhes remédios? Cabe a nós, mães, pais e afins, estarmos muito atentos ao desenvolvimento do filho. Converso constante, aberta e frequentemente com a pediatra dele, com a professora dele, o observo em meio a outras crianças... e, fora a eletricidade - que chamo de "sede de vida" - que ele tem, é inteligente, interativo, observador, companheiro, solidário, pirracento, brincalhão, se concentra e sabe o que está fazendo... enfim, "igual" às outras crianças. Fora que é prestativo e cuidadoso.

Continuo a me cansar com sua eletricidade inesgotável, mas, uma coisa é uma coisa - hiperatividade -, outra coisa é outra coisa - hiper atividade. Uma criança com TDAH não desenvolve uma linha de raciocínio, esquece o que aprende - entre aspas, porque o que lhes interessa eles memorizam com grande facilidade, e esse é o grande desafio dos pais e/ou responsáveis de uma criança com TDAH, é encontrar aquilo que ele se interessa e desenvolver o resto a partir daí e com apoio, em casos graves, de medicação e acompanhento especializado. Enfim, para tudo o cuidado, despindo-se de tabu, medo... indo em busca de informações e considerando todos os pontos e opiniões e sempre, sempre, mantendo a chama da sua observação acesa. Nós, mães, pais, responsáveis, precisamos observar, mesmo em meio ao tumulto, stress e cansaço diário, como se comportam nossos filhos, seja para detectar algum transtorno - caso haja -, seja para estarmos ao lado daquele futuro adulto. O cansaço é inevitável e cada um rage de um jeito - desde que não caia nas garras da extrapolação... aí, seria desequilíbrio. Quem não cansa diante de uma repetição de situações, principalmente, as que vêm agregadas a desgates físico e mental, com estímulos nervosos constantes? Natural.

Mas, cuidado, eletricidade não necessariamente é hiperatividade. Hiper atividade, como sinônimo de criança ativa, é uma coisa e TDAH - transtorno défict de aprendizagem e hiperatividade - é outra... Meu filhote sofre da síndrome do exagero: ligado demais, atento demais, ativo demais, esperto demais, traquina demais, escuta demais, fala demais, é gostos demais, lindo demais, curte tudo demais, é alegre demais, pergunta demais, brinca demais, gosta de banho demais, bagunça demais, apronta demais, acha que pode fazer tudo sozinho e se arrisca demais - risos -, enfim, ele exagera em tudo, sem descanço, sem parar! - risos. E eu? Também! Sou exagerada demais. Mãe devoradora demais, preocupada demais, zelosa demais... e, na maioria dos casos, todo exagero é sobra, certo?! Portanto, para o equilíbrio de Peu, primeiramente, o meu...

Na prática, foi mais uma lição para mim e uma bela chamada de atenção da mestre vida em ação. Minhas angúsrias de mãe, mulher, pessoa... não podem compactuar com médicos que nivelam tudo por sua ótica limitada. Talvez, esteja sendo cruel com a profissional... sei lá, vai ver, de tanto ela atender crianças com hiperatividade ela leva tudo pelo mesmo peso... Um médico também é gente e passível de diagnosticar com base em seus desgastes pessoais, profissionais ou qualquer outra coisa... mas, existem erros e erros... E uma mãe, na prática, precisa estar muito além do cansaço e das mazelas do estresse diário, mesmo sentido o peso do dia-a-dia, aos berros, desesperos, angústias, etc, não podemos esperar respostas e comprovações científicas para tudo. Estudos existem baseados numa média de amostragem... a gente vive a realidade de nossas vidas por inteiro. Para tudo o equilíbrio. Procurar médicos de confiança e que acompanhem a criança por muito tempo, para evitar esses "erros" inaceitáveis pode dar uma segurança a mais.

Na prática, todo cuidado é pouco. Criança saudável é uma criança feliz.

"Saudações maternais",

Pat Lins.

PS - veja, também, DESCONSTRUINDO A MÃE - "Hiperatividade ou não: eis a questão" - muito bom o relato.

Imagens: www.sxc.huhttp://www.freedigitalphotos.net

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