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domingo, 4 de novembro de 2012

SOU MÃE LEOA, MAS NÃO LEOA CEGA...


Cada mãe tem seu traço pessoal... não é a maternidade uma varinha mágica que, nasce o bebê e "pluft" a mãe se torna um ser perfeito e capaz de apenas acertar.

Bom, eu sou bem o tipo mãe LEOA, mas, agrego outros bichos, também que vieram no pacote "Pat Lins" de configuração pessoal, como: águia - capaz de ver lá a frente; coruja - visão holística, capaz de ver, compreender e se virar para vários lados... e podem me chamara de lagartixa, quando grudo nele; de jacaré, quando fico apenas olhando e observando, para bem saber a hora de agir; de centopeia, onde dou conta de ir e fazer várias coisas ao mesmo tempo, como se tivesse cem pernas; borboleta, capaz de fazer um belo espetáculo de show, beleza e surpresas; sou macaca, capaz de esquecer da vida e entrar em seu mundo de fantasia e ilusão. 

Vou errar. Vou acertar. Mas, sempre admito para mim que sou capaz de ponderar e refletir. Aprendizado é isso: não saber; passar a saber; algo fazer. 


O grande problema é quando o filho é um desafio maior do que a capacidade de muitos adultos lidarem com ele. Não cobro, nem exijo que ajam com perfeição, apenas com vontade e empenho. Fico decepcionada - como já deixei claro, sou imperfeita, graças a Deus e decepção é sentimento de quem esperava algo sendo feito - por algo ter sido combinado e não foi posto em prática pela outra parte... mesmo assim, andou. Apenas uma parte falhou e isso é recuperável! Conseguimos: eu, marido, filho, família, amigos, Suely Lobo - uma loba de verdade misturada com uma "tubaroa" ágil e voraz... sorte dele ter uma psi "do bicho!" -, toda a equipe da Equoterapia (ABAE), e até os contra! Muito está sendo feito além das sugestões da escola e muito estamos alcançando - e muito não é TUDO. O que impede alguns de enxergarem esse fato é uma coisa simples - mas, difícil de lidar no ser humano mais rude e limitado - chamada: visão obtusa. Se esperar e fazer apenas de um jeito é dar murro em ponta de faca. Existem situações especiais e que exigem mais esforço - não necessariamente desprendimento de energia, apenas um pouco de boa vontade e permitir que algo seja feito por outros já ajuda - e um tiquinho de nada de flexibilidade. Bom, só que para ter flexibilidade é preciso ter uma dose de boa vontade... ou seja, o que falta e faltou BOA VONTADE. Só que para ser flexível requer segurança, domínio de si e auto controle. Requer, também, uma pequena capacidade de autogestão, onde se avaliar e ver se fez algo ou se pode fazer mais ajuda.

Não vou brigar. Não vou querer mudar o mundo mental de ninguém, mas, vou exigir justiça! Fico passada como as profissionais de uma escola tão bem preparada criam estigmas do nada, pela incrível capacidade de elucubração  em vez de ampliarem. Não entra em minha cabeça a limitação de ver o "ponto ao centro da folha em branco" e fincar o facão no pé de "jequitibáverapenasoquefalta" e passar a vida/ano letivo preso ao que se permitem ver. A resistência e não aceitação da opinião dos pais e dos dados de "cá de fora" de nada serve porque, para eles, pais e mães são cegos e filhos manipuladores vorazes a ponto de os pais serem todos bitolados em "meu filhinho é um santo". Compreendo que muitos pais e mães colaboram com essa causa ao ocuparem o tempo de contato com exigências mil e improdutivas, assim, quando surgem pais dispostos de verdade eles colocaram a barreira protetora anti-pais/mães e pronto, adeus parceria escola/pais. Detalhe: isso sim já é um velho estereótipo, quase um arquétipo. Só falta ser aceita como verdade universal irreversível. Isso me preocupa. Para mim, profissionais da área de educação devem ter vocação, tem que sair do âmago - e do útero - para surtir efeito com a habilitação e qualificação técnica profissional. Em vez disso, haja gente que não sabe-se e/ou conhece-se a ponto de ter bom senso e ver onde se adequa. Isso, sim, é um grande obstáculo.

O problema passa a existir quando esse obstáculo se encontra de frente com um Pedro Henrique... se não houver essa caracteristicazinha pessoal acoplada, integrada, natural, oriunda do DNA do profissional, empaca e vira um embate desgastante. Problema 2: quando o desgaste impera a razão evapora... os transtornos se acumulam e não se dá vazão, se carrega nas tintas a ponto de nada que Pedro, neste caso em específico faça, está a contento e não há abertura mental para receber dados atuais... a imagem recortada é que fica colada na íris e não se vê a paisagem mudando... fora que joga a tal da "culpa" em qualquer um, desde que sua não aceitação se volte, então, bingo!, vamos descontar na criança e nos pais da criança, que é mais fácil, afinal, mães leoas são tidas como descontroladas. Não vendo-se já em descontrole. Mãe leoa é problema quando é cega, quando não é, se prepare, ela sabe agir e cuidado, entra a mutação mãe jacaré e mãe coruja... ah, e outras mães, também, que seriam deselegantes em serem citadas... Mas, como existem mães leoas inteligentes e capazes de desenvolver uma linha de raciocínio focada no BOM desenvolvimento do filho - assim: eu sei e vejo quem meu filho é, inclusive o pedaço dele descrito pela escola, mas, vejo mais... fora que vejo o que ele tem em potencial e as surpresas. Pois sim, o problema 3 começa a aparecer: as reuniões ficam mais tensas, do tipo "por que usam tantas máscaras, essa equipe pedagógica?". 

Você devem perguntar: e por que deixou terminar o ano? Por conta dele. Elas não enxergam que ele gosta de lá e, tirá-lo seria um recomeço desgastante para ele, uma nova adaptação em uma nova escola... E ele tem um apoio tanto da nossa parte quanto da psi dele de como lidar com isso. Concluímos que seria melhor persistir e tentar, do tipo "dar uma chande de ver acontecer". Não aconteceu. Não dentro das limitações e exigências deles, mas, acontece um monte de outras coisas e de outro jeito. Muito tempo foi perdido por manterem a visão no "o que falta" em vez de se permitirem ver "o que tem" e, daí, desenvolver um algo mais mais direcionado. Isso incomoda. Problema 4: falha de clareza na comunicação, falta de transparência no que é comunicado - se já é um desafio e tanto lidar com a falta de clareza, imagina com a falta de transparência...? e, a própria, falha de comunicação efetiva. Problema/Solução Geral: reunião amanhã, com essa equipe e em busca de manter o foco na "solução", que é o meu objetivo geral e específico. Bom, a mãe leoa tem que trocar idéias com a mãe coruja para que o ego humano e o orgulho ferido de ser humano que não suporta ver injustiça com qualquer um, imagina quando esse qualquer um não é qualquer um é o seu filho! Minha intensão, hoje, já é apenas me focar em "o quê fazer por Pedro Henrique" e levar os dados concretos dos reflexos de sua melhora e seu desenvolvimento, além da sua relação com o aprendizado do seu jeito. 


Bom, ser mãe leoa não é o problema... os "problemas" são os seres problemáticos que deveríam se voltar a si e admitirem, bem como suas falhas - sem medo de culpa ou de ter essa falha como um fracasso... não deveríam agir assim... deveríam, sim, reunir forças e se abrirem mesmo, com gás, para fazer o melhor a cada dia! - de que não cumpriram com a parte que lhes cabia. Elas se fecharam no estigma em vez de se abrirem para as reais possibilidades e, como sempre falo, olhar mais para "o que tem" e, a partir daí, sim, ver "o que falta" e como agir. Essa troca era o que chamávamos de parceria, onde a parte mais interessada somos nós - os pais - e nós, sim, fizemos e cumprimos com cada COMBINADO e elas? A parceria, este ano, não foi firmada e muitas "culpas" jorraram e muitos medos emergiram e muito mal entendido tomou espaço e uma bola de neve começou a rolar e o freio daremos nós, amanhã, com todo amor que tenho por meu filho mas, com toda capacidade pessoal de separar "o que é" do "que não é", ao contrário do que elas vêm fazendo e recusando-se a aceitar a melhora no comportamento - penso que esperavam um milagre, que passasse de um menino agitado de uma hora para outra para um menino estático... e o gradativo perde importância, diante da imponência perigosa da bola de neve gigante. Viu, como falo, estigmatizar é um perigo... ainda mais uma mãe. Ainda mais uma mãe na prática como eu, que de perfeita tenho nada, mas de aprendiz da vida e discípula do tempo, tenho muito. É, querer jogar para os pais em vez de assumir que não houve a troca e sim lacunas abertas. Mas, como fizemos mais e além do que COMBINAMOS - como se fala, nós corremos por fora - afinal, para nós a escola é apenas uma parte da rotina do meu filho e não o todo. Uma parte de suma importância mas a sua importância é a que lhe cabe e não excede a nossa. Não se trata de guerra ou medição de forças, se trata de ver claramente que a escola está fechada e fechada num canto complicado e perigoso... como profissional - penso que esquecem que mães leoas também são mães formigas e trabalham, têm suas expertises e suas vivências - isso tudo além do pessoal - e são capazes de observar e levantar hipóteses também... ainda mais uma mãe leoa como eu que tenho experiência em educação, em Comunicação e aprendendo psicologia organizacional... e, ainda assim, reconheço minhas limitações e vejo quais são "eu me sabotando para não ir além" e sei bem quais são: fora do meu perfil, mesmo. Portanto, assim, meu empenho é na melhora de Peu. O problema 5 está aí: elas esqueceram de Peu... elas só se lembram da imagem criada e não atualizada... Outros agregados são o medo em reconhecer que fez pouco caso e preferem carregar e manter a postura de "culpa dos pais" e da "mãe leoa" e com isso, terem suas imagens titulares abaladas.


Gente, é um perigo lidar com profissionais com títulos e mais títulos e pouca capacidade, sem vocação e sem BOA VONTADE. Como me disse uma amiga, "uma coordenação boa é aquela que suja a calça de tinta e se abaixa para ver e ouvir a criança e, dali mesmo, deixa claro quem é quem e os patamares 'hierárquicos' estabelecidos no olhar" - quem me ensinou isso foi você, Natali Costa e você, Thais Ceo - com afeto sincero, apesar de se estabelecer a distância profissional, sem distanciamento. 

Nosso objetivo principal é nosso filho e seu progresso. Não estou preocupada em provar que ele está melhorando aqui e ali para ninguém, não se trata de uma sessão judicial, de um tribunal. O único crime é o do descaso, da falta de proximidade com a franqueza e do "chega junto" que tivemos ano passado, com Aninha e Dora a frente de maneira espetacular. Este ano, está difícil... apenas lá dentro, porque de fora, medidas estão sendo tomadas e parados nós não ficamos. Se fosse uma mãe leoa cega estava de braços cruzados criando um estigma diferente para meu filho em vez de vê-lo, aceitá-lo e agir. Francamente, essa novela, agora, está no final. Para mim foi um aprendizado ímpar, principalmente na questão de como me dirigir e emitir o que penso, em vez de agir como agia, de peito aberto e às claras, agora, estabeleço em mim um foco e um tempo. Não estou interessada em fazer parte desse jogo de empurra, porque eu, leoa ocupada, tenho mais o que fazer com a minha vida e tenho minha mente tranquila e cabeça erguida, fora que tenho toda a razão... não fui eu quem comeu mosca e nada fez... aliás, eu comi, porque ao escolher "persistir", elas deram um tom que, hoje, sinto que foi mais uma insistência, mesmo, no erro evidente... mas, escolhi manter e levar até o fim. 

A semana começa com muito agito e fortes emoções! Começa com reunião em prol de uma melhora e eu luto por essa melhora, sim. Luto porque eu sei que todo mundo é mais do que aparenta e que devemos ter olhos abertos e corações livres para que a mente possa agir com maior precisão. E sorte que tenho esse perfil leoa, senão, ele estaria com sérios problemas e ninguém saberia. Quem primeiro percebeu que meu filho precisava aprender a lidar com seu temperamento e suas emoções fui eu, apenas não tinha condições para custear uma psicoterapia. Ano passado, diante de um caso agravado com a perda do meu bebê - que ele chamava de "meu irmãozinho" - ele ficou mais agressivo e isso sim, fez com que mesmo sem condições, esta fosse feita. Sempre tem um momento para começar. Fui eu quem foi pedir indicação à escola de algum psi parceiro da escola e foram eles que me indicaram a pessoa/profissional certa, chamada Suely Lobo. 

Portanto, mães na prática amigas, essa semana promete fortes emoções! Leoa sabe rugir e defender bem o seu espaço... eu sei me comportar muito bem em reuniões, bem como sou mediadora nata, além de adorar resolver problemas, mas, os delas estão apenas começando quando se depararem consigo... o meu está em fase de solução porque, agora, encontramos mais um ponto, um novo caminho... estamos desenrolando o fio de ariadne - com um pouco de tentativa-e-erro, também, já que seguimos em frente. Na vida só temos o empirismo, até mesmo para se começar uma ciência. E, olha, maternidade deveria ser uma ciência... a ciência das ciências. É uma universidade intermultipluridisciplinar. 

Pois é! Pois é! Pois é... O diferente incomoda... ele está sempre mexendo. Existem diferentes que só incomodam, esse, coitados, não vêem sentido na vida e passam a incomodar o outro por não ter sentimento de vida própria... Vou parar por aqui, senão, o veneno destila e já era... Mas, não esperem por "chumbo grosso", sou inteligente e capaz demais para me permitir perder o foco e limitar minha visão. Vou exercitar o que me proponho, porque é isso que está sendo posto em prova: um processo de crescimento em prol da melhoria!


Eu sou MÃE! Uma mãe entre muitas MÃES NA PRÁTICA. Cego é quele que não vê. E profissional cego e obtuso são os que não conseguem ver por conta da cegueira da má vontade e da arrogância de se colocar acima do que se é e dos outros. Se leoa fosse cega, não era rainha da selva!

E, outra coisa, plageando Quintana: "...Elas passarão... Eu passarinho!". 

Saudações maternais,

Pat Lins.



sábado, 8 de setembro de 2012

O PODER DA VISÃO


Esta semana, mesmo em meio a tanta turbulência e pouco tempo cronológico, tive acesso a levantar de questões que me deram um gás e um impulso para que eu renovasse minhas forças.

Como mãe, somos tachadas de "chatas", por brigarmos por nossos filhos. E é aí que entra meu questionamento: "somos sempre chatas?". O grande desafio é dosar onde somos cegas, por estarmos muito envolvidas, e onde estamos vendo além, por estarmos muito envolvidas. 

Já deu para perceber que estou engasgada, não é? Pois é! Mesmo assim, tenho consciência de que isso não me faz bem e que não ajuda em nada no meu objetivo. Estou conversando comigo e com pessoas "qualificadas" para conseguir diluir essa situação e conseguir manter o foco onde devo: objetivo. E é isso que deixo claro agora: meu objetivo é ajudar meu filho a se desenvolver como pessoa. Para isso, estabeleço metas e as cumpro, as avalio e mensuro, ao final. O que atingiu o resultado esperado, me dá forças para continuar. O que não atingimos, ainda, revemos nossos conceitos e refazemos a maneira de fazer. Mudo de estratégia de tempo em tempo, tentando, sempre, para descobrir como melhor ajudá-lo, vendo-o como e quem é e fortalecendo sua base moral e de valores - eu acredito nisso! Pois bem, firmei boas parcerias - parece papo de negócio, não é verdade? - e muitos frutos estão brotando, agora. Não é fácil semear, regar e colher sozinha. Nada na vida se faz sozinho, apenas as decisões, as escolhas. Mas, o definir e o seguir pode ser fruto de trocas, de aprendizado. Vou conseguir me focar no objetivo com a emoção necessária: a fé! A fé de que tudo merece uma oportunidade para ser diferente. Pode até não ser, mas, se não tentar, como saber? Se não souber o que se quer alcançar, como saber como ir e onde chegar? Vou seguindo...

Pois bem, uma das mensagens de reflexão mais bonitas que tive foi esse "O Poder da Visão". No outro blog, o AQUI E AGORA, apresento outros que conheci esta semana e que me enriqueceu tanto os pensamentos.

Faz mais ou menos quinze dias que só recebo feedback positivo de Peu, com relação ao seu comportamento e seu desenvolvimento pedagógico. Milagre? Não. Teoria colocada em prática para se tentar algo novo e diferente. Se há uma suspeita e se havia sugestões para tentar comprovar ou refazer as hipótese, em prol do desenvolvimento de um pequeno ser em formação, não entra em minha cabeça a postura dos profissionais de educação envolvidos no "caso". Para mim, se trata de profissionais de educação, pessoas que foram lá, entraram numa faculdade, concluíram, fizeram suas titulações para cima e esqueceram de se perguntar: "essa é minha vocação?" ou "esse é o meu sonho?" ou "qual o meu sonho?". Enfim, a escola deu a chance, a oportunidade para essas profissionais porque percebeu algum potencial. Mas, eu, de fora e doída, questiono até onde esse potencial é real ou não... Puro julgamento meu, que pode ser desencadeado por diversos fatores e, com isso, estar "contaminado". Como elas assim fizeram com meu filho. 

Um resumo da situação inicial:

Meu filho sempre foi muito ativo. Como tudo que entra na "moda" das novas nomeclaturas de patologias, cai  na boca do povo e tendencia os diagnósticos, eu, assim como muitos outros leigos, achamos que ele poderia ser um TDAH - hiperatividade. A pediatra dele, da época, me dizia: "a hiperatividade não é só a agitação motora. Existem crianças hiperativas que não têm essas aceleração. É uma aceleração mental que faz com que a criança não tenha foco e passem mil informações ao mesmo tempo em sua cabecinha...Eles tê dificuldade em interagir com a realidade... Não é o caso de Peu. Ele interage e interage bem...". Fiz o tal do eletro e a neuro me disse que ele não era TDAH, que, possivelmente, tivesse inteligência acima da média associada a alguma outra característica, como ansiedade. Sugeriu que fizesse avaliação psicológica e psicoterapia, para ajudar. Ele tinha 3 anos, nessa época e estava entrando na escola. Como não tínhamos condição de pagar a psicoterapia, adiamos.

Quando ele estava com 4 anos, eu engravidei e perdi o bebê. Ele ficou mais agitado e desencadeou uma agressividade na escola - e que era uma nova escola. O que nos chamou a atenção, foi que ele sempre teve o mesmo comportamento em todos os lugares. Nessa época, na escola ele mudou o padrão de comportamento. Ficou agressivo e não aceitava os limites. Tudo bem que aqui fora ele também não aceita limite com facilidade, mas, ele tem e acaba, por consequência, se encaixando e sendo envolvido por eles. Pois bem, pedi a escola uma indicação e me deram. Estamos com ela até hoje. Primeiro pelo trabalho brilhante que desenvolve. Segundo, pelo compromisso que tem e o cuidado de observar e estudar com olhos abertos, sem fechar ou desconsiderar nada. 

Pedro começa a dar sinais de melhora. Mesmo assim, é muita demanda. Uma coisa que todos concordam - todos, leia-se: amigos psicólogos que tenho, pedagogos e pessoas entendidas do assunto ser humano, além das professoras anteriores e da psicóloga dele - em uma coisa: ele tem uma inteligência acima da média. Isso, por si só, é um desafio gigantesco. Muitas mães se sentem envaidecidas, eu me sinto mais responsável pelo bom aproveitamento dessa inteligência. Ele tem um perfil de liderança, natural. O que aumenta o meu desafio e empenho. Me cuido, para cuidar dele. Isso não me torna perfeita, mas, uma mãe em constante busca e transformação, na prática. Este ano, com 5, ele continua na mesma escola, só que no prédio maior. O que melhorou um pouco, no ano passado, começa a desandar... Apenas, dentro da sala de aula. Eu, exclamo sempre - seja em reunião, seja em contato com a pró ou equipe de coordenação: "Isso é estranho! Ele tem melhorado tanto... Precisamos investigar o que passa na cabeça dele para agir assim dentro da sala...". Nem percebia que estava sendo "a chata". Meu objetivo foi mal explicitado: eu, naquela época, não duvidava do trabalho da equipe... eu tinha a referência da equipe anterior e estava com ela muito forte, portanto, para mim, o processo estava tendo continuidade. Na última reunião, no final do semestre passado, a coordenadora nos disse: "olha, eu não sei quem é Pedro. Outro dia que eu fui ver que ele sabia as vogais... Talvez, vamos observar durante o segundo semestre, ele tenha que repetir o grupo 5...". Eu, lógico, questionei: "Tem algo que possa fazer em casa para reforçar? Algo que ajude a desenvolver, tipo uma professora em casa, algo assim. Porque se mandarem pintar um ovo de rosa eu pinto, se vir que deu resultado positivo, compro uma dúzia. O que for preciso fazer para ajudar, contem comigo, porque sou a parte mais interessada nessa parceria em prol do desenvolvimento do meu filho...". A coordenadora apenas deu um meio sorriso, e diz: "Não, mãe, não precisa fazer nada. Apenas estabeleça mais limites para ele". Eu coloco: "se eu apertar mais, é capaz de romper...". 

Fui me abrir com a psicóloga dele: "Não sei, mas eu tenho a impressão de que tem algo errado na condução do processo com Peu, este ano... Durante todo o semestre, Peu não rendeu nada na sala e o comportamento dele lá, só piorou. Tem algo lá que preciso detectar... A coordenadora me disse que talvez ele tenha que repetir a grupo... O que me chama a atenção não é o fato dele ter que repetir, mas, o argumento de que ele não sabe nada... E que ela não sabia que ele sabia as letras... Concordo que o comportamento dele lá está complicando, mas, até essa agressividade, não sei, me soa como algo reativo... Como faço para entender melhor essa situação? Meu lado mãe coruja pode estar tentando tendenciar minha visão e me fazendo ver coisas demais, mas, eu sempre me esforcei para ver Peu como é e só assim comecei a saber lidar com ele... Eu preciso fazer algo para ajudar meu filho. Se ele tiver que repetir, ao menos, poderia ajudá-lo e não repetir seja lá o que for... senão, vai  ser esse mesmo estresse de novo...". Ela ouviu calada. Até que, por fim, me disse que havia tido uma reunião, antes da minha, com ela, e a professora do grupo anterior entrou com um dado que contradizia a opinião da coordenadora e, que ela mesma, a psi dele, já havia sugerido atividades diferenciadas para tentar atraí-lo pelo que ele tem mais afinidade e ir desenvolvendo. E ficou espantada em não ter sido ouvida e, muito menos, levada em consideração. Pois bem... nada feito. Semestre perdido. Em casa, via o progresso dele na escrita. Ele não queria parar para escrever e fazer as atividades, no início, depois, dentro da nossa rotina, ele não só fazia como fazia com mais segurança a cada dia. Os colegas pararam de reclamar dele. Esse indicadores informais me chamaram mais atenção e reforçaram minha intuição - que, considerei estar contaminada pela cegueira de mãe, mesmo, o que pode acontecer - e comecei a ver mais. 

Enquanto observava, também agia. Nova investida estratégica: EQUOTERAPIA. Um trabalho muito bonito e, não só pela beleza de ver, mas, de ver os resultados e a equipe multidisciplinar que toca o projeto. Um trabalho sério e bem estruturado. Fui em busca de informações, apesar de escutar: "ah, ali é para criança com doenças sérias: autistas, síndrome de down, paralisia cerebral...". Eu fui procurar informação na fonte: O QUE É A EQUOTERAPIA? "...a utilização do cavalo em abordagem interdisciplinar nas áreas da saúde, educação e equitação para estimular o desenvolvimento biopsicossocial da pessoa com deficiência... As técnicas da equoterapia promovem benefícios físicos, psicológicos e educacionais aos praticantes, além de propiciarem novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima.". Ou seja, trabalha o comportamento, também. Mais um auxílio! Conversei com a psi dele, para alinhar as idéias e pedi um relatório. Feito. Começamos. Não sei como repercutiu em meio à equipe de coordenação da escola, mas, algo já estava em ebulição por lá. A Diretora é uma pessoa e profissional de VISÃO. Foi preciso incomodá-la, durante sua licença maternidade, para informar sobre as posturas de suas funcionárias e o que poderia ser feito, porque uma criança estava sendo subjugada. Abro parêntese aqui: se a professora do grupo mais avançado conseguiu identificar esse potencial, porque em vez de escutá-la, a desmereceram, afirmando que ela não tem "qualificação" para fazer esse tipo de avaliação? E quem tem, o que fez? O que era para ser um caso de estudo de "como e o quê podemos fazer mais para resolver" virou um campo de batalha de egos feridos: o meu de cá e o da equipe de lá. A parceria, mantida unicamente por mim e a psi dele, ficou, também, desqualificada pela equipe. Sabe Deus o que passou na cabeça delas...  Mas, bastou que ela voltasse e assumisse o leme, o barco voltou a andar. Ela foi observar por ela mesma. Como solução imediata, no começo do segundo semestre, contratamos uma estagiária de psicologia para fazer as intervenções em sala de aula, sem chamar a atenção de que estava ali por ele. A escola contratou uma segunda professora, duas na mesma sala. O cenário começava a mudar. Emperrava no mesmo lugar... Pois bem, fechando o parêntese, volto a EQUO. Pedro, após 1 mês e meio de atividade, melhorou ainda mais. Mudou 100%? Claro que não. É um trabalho de base e verdadeiro... essa de "mudo o seu comportamento em três dias" é algo superficial... O trabalho com Peu é a longo prazo. Isso eu tive que aprender, mesmo, na prática. Não adianta pressa. A ansiedade só me atrapalhava. Tudo andando. As queixas na escola - exceto dos alunos - sem parar. Pirei! "O que posso fazer? Ele melhorou muito mais em todos os lugares... agora, temos que ver o que ele entende aqui dentro...". Mais palavras bem colocadas: "Mãe, você tem que entender que...". Bom, eu tenho que entender que sou uma mãe. Um mãe humana. Uma mãe humana e com defeitos, como todo mundo. Uma mãe que pode cegar, as vezes, mas, que abre os olhos quando bem advertida... Uma mãe que também vê por si só. Então, eu entendi: "falha humana das profissionais de educação". Basta seguir o raciocínio lógico. O que elas fizeram durante o primeiro semestre, que, nunca me deram um feedback novo? Como os próprios colegas viam a melhora de Peu e elas não? Mãe pode ser um bicho chato e quando vira uma leoa, então... Mas, nunca me dei o luxo de perder a razão. Tento entender. Tento compreender e aceitar que elas, nada mais, nada menos, "comeram mosca", por conta de quê? Sei lá... já ia entrar com julgamento de valor. Mas, com certeza, por falta de VISÃO e de OBJETIVO. O meu era um, e o delas? Além de repetirem o mesmo discurso desde o início das aulas até as férias de junho, demonstravam cada vez menos paciência com ele... Meu marido presenciou uma cena da coordenadora sacudindo Peu e segurando-o firme no canto da sala e ele gritando como um bicho acoado no canto: "ah. ah. ah". É fácil esse ambiente de educação? 24 alunos na sala... Mas, quem entra nessa deve ter uma vocação bem definida. Tem que correr na veia. É como ser médico, policial... Tem que ser, não adianta cursar a melhor faculdade, aprender as técnicas mais modernas se não tiver sangue nas veias. É vocação, mesmo. Nasce para ser. Não dá para ser mediano em se tratando de educação, saúde e segurança.

Mais uma vez, numa dessas conversas na chegada e na saída da escola, exponho que ele melhorou muito na Equo. A mãe de um colega, que além de tudo é vizinha aqui, me disse que o que chamou a atenção dela foi que o filho sempre chegava em casa relatando as artes de Peu. Fazia um bom tempo que ele não relatava mais nada. Diante dessa observação, ela perguntou ao filho porquê ele nunca mais havia falado de Peu, no que ele diz: "minha mãe, ele é outra criança!". Vou buscá-lo na sala e sua dupla de terror - nunca deixei de ver que ele tocava o terror na sala... a diferença é que buscava soluções para resolver esse comportamento, não alimentá-lo... - me diz: "tia, seu filho está diferente. Ele nem apronta mais...". Falou Caio em tom de desolação, como quem diz: "agora estou sozinho...". Isso não deve ser levado em conta? Tá, tem a parte pedagógica. Em casa, faz as atividades com muita facilidade e rapidez. Cenário mudando consideravelmente, ainda mais. Só não vê quem é cego e incapaz de, mesmo cego, ao menos, escutar, sentir, tocar. Ah, uma observação: no ano passado, detectamos que a brecha de Peu poderia ser a falta de pulso firme do pai... Este, hoje, faz terapia e tem se esforçado muito e se empenhado bastante. Pedro sentiu mais limite nas ações do pai. Ou seja, não medimos esforços, mesmo e com consciência, com um fim específico; com um propósito.

A surpresa - situação atual:

Por volta do dia 22 de agosto, uma quarta-feira, fui buscá-lo na escola. O que seria uma fase "crítica" - ele havia arrancado o primeiro dente de leite, teve que ir ao dentista, pois, quando o dente começou a amolecer , o outro já nascia atrás e estava bem avançado...; o pai estava viajando e passaria 10 dias fora; ele estava fazendo xixi a cada segundo... depois de exames feitos e descartada a infecção urinária, ficou a suspeita de ansiedade pela volta do pai... o que assim que o pai voltou, dias depois, normalizou... a escola colocou como "possível mania dele" e eu, apenas dizia: "lido com várias hipóteses... observo tudo e vou agindo" - ele até que reagiu e agiu melhor do que o esperado. Pois, grande foi a minha surpresa quando a professora, que estava conversando com a bendita coordenadora, vem a mim e afirma, extremamente feliz: "Olha, começamos, na segunda, com atividades diferenciadas para ele e ele vem surpreendendo! Está rendendo mais do que rendeu o semestre anterior todo!". Se ela estava feliz, imagina eu. Mas, não me contento com essa felicidade. Essa sugestão veio desde o início do ano. Graças a Deus, a Diretora voltou. Porque eu já estava entrando em contato com outras escolas. Pesquisei algumas montessorianas. Mas, em tempo, ele foi inserido e se deixou inserir no contexto. No ritmo dele, no tempo dele e sendo inserido começando pelo individual ao coletivo. Depois de quadro mudado, tudo parece muito fácil. Simples, já era, bastava terem feito antes. Mas, foi assim de graça? Elas tiveram essa VISÃO? Não. Foi preciso ajuda e muito apoio. Não bastava a professora do grupo 6 ver, a psicóloga ver - mãe, não conta... também, tem tanta mãe e pai chato lá, que brigam por cada futilidade que compromete a imagem do que vem a ser "visão de mãe" - foi preciso ter uma liderança capaz de validar e agir: a Diretora. Daí, me pergunto: com Pedro é porque ele é agitado e agressivo - até essa agressividade precisa ser melhor avaliada... é mais reativa... vamos deixar para mais para frente, porque essa é outra demanda, mais uma... - e com relação ao outro colega que era quieto e retraído demais? E o outro que toca o terror, e a mãe não sabe como agir?

Talvez, a minha prática da maternidade seja diferente. Assim como eu sou diferente. Pedro é diferente. Meu marido é diferente. Todo mundo é diferente. Talvez seja igual a outras mães, que defendem sua prole com toda força que só um útero pode dar - e não me refiro apenas ao útero como quem gerou nele... conheço mães de filhos adotivos que sentem muito mais terem gerado dentro delas a criança, pelo coração, do que mães que geraram e não sabem seguir uma direção... e nem a si são capazes de ver.

Eis o motivo desse vídeo no início, para aumentarmos o nosso poder de ver; de questionar; de investigar; de refletir; de ponderar; de avaliar; de objetivar; de conduzir; de agir! De mensurar; de recomeçar; de rever; de mudar as estratégias... de sempre seguir e ir. De quebrar com paradigmas que nos engessam e nos impede de crescer e ir além.

A criança não precisa ser donte para ser diferente. E ser doente diferencia em suas limitações que, mesmo assim, devem ser estimuladas da maneira certa. Foi na Equo que uma profissional de lá, que, além de psicopedagoga e trabalhar com inclusão, é mãe de uma criança especial, com síndrome de down e que, antes de sonhar ter filho, já exercia a vocação como educadora de inclusão com amor, empenho e dedicação e me disse: "não tem como ensinar uma pessoa a nadar numa pista de corrida". É difícil agir diferente, ainda mais quando temos pensamentos limitadores, estagnados. Mudemos o jeito de pensar. Pensemos melhor! Agiremos melhor!

Saudações maternais,

Pat Lins.


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