Mostrando postagens com marcador AUTISMO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador AUTISMO. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de abril de 2016

AUTS Aplicativo Educativo

Acesse: Eu Sou Auts

Dia 14 de abril de 2016, lançamento do projeto AUTSAplicativo Educativo, Teatro da UNEB - campus Salvador. 

No evento de lançamento, mesa de debate "Educação inclusiva, Autismo e Cultura Digital", com a participação de Renato Barreto (criador do personagem), Mônica Loiola (Ms. Em Educação/UFBA) e Sidenise Estrelado (Ms. em Educação/ Psicopedagoga, Especialista em Deficiência Intelectual), em parceria com o “I Seminário sobre Autismo da UNEB”, realizado pela Liga de Saúde e Educação.

AUTS AplicativoEducativo é uma proposta inovadora de interlocução entre audiovisual, cultura digital e educação. O aplicativo foi inspirado no universo de uma criança dentro do espectro autista, reúne animações da série AUTS e atividades educativas para serem trabalhadas com crianças em idade de primeira infância, dentro e fora do espectro.

A proposta foi contemplada no edital Arte em Toda Parte - Ano III, da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria de Cultura e Turismo do Município, Prefeitura de Salvador.

Serviço

Lançamento AUTS Aplicativo Educativo
Data 14.04.2016
Horário 11h
Teatro da UNEB (Av. Silveira Martins, 2555)

Contatos:
Daniela Fernandes (Produção Executiva)
Caio Requião (Produtor)
Takapy Digital Art

+55 71 3616 3272

segunda-feira, 2 de abril de 2012

AUTISMO: EXISTE VIDA LÁ FORA!

Dia 2 de abril é o dia Mundial de Conscientização do Autismo e, como todo o ano, o "Mães na Prática" gosta de lembrar dessa data, onde os pais, amigos e pessoas que querem manisfestar seu apoio, vestem-se de azul. Azul, como é o planeta Terra. Azul, como deve ser a cor de quem precisa de nosso carinho, de nosso cuidado e da proteção diária. Azul, como o céu e sua mensagem de infinito. 

Quando alguém ouve falar em autismo, lembra-se do filme "Ray Man" ou, descrevemos como "crianças que vivem num mundo próprio". Quando uma grande amiga descobriu que sua filha é autista, foi um choque para todos. Como lidar? Como cuidar? Como é o mundo dela? 

Para mim, o mundo de Louise, uma encantadora menina de 11 anos é muito colorido, como o da Hello Kitty. Para a mãe - que enfrenta a barra sem o apoio do pai da menina, mas, com o apoio integral da família dela e do noivo - o mundo é puxado. Mas, como veremos nos depoimentos a seguir, entrar no "mundo de Louise" é viajar para esse mundo colorido. Enfrentar as dificuldades sociais é muito mais difícil. Não entendo porquê somos tão cruéis... Nossa sociedade é muito carregada de tanta coisa ruim e, não entendo, como tanta gente, com tanta lição de vida para passar acaba sendo limitada por uma barreira que essa sociedade impõe, em vez de, simplesmente, aprender.

Neste post, quem fala são elas. Duas mães de gerações diferentes, mas, unidas pela mesma batalha. Uma - Joanice -, já consegue ver, na prática, que "existe vida lá fora", ou, aqui fora, para os autistas. Esta, conseguiu não apenas superar seus próprios desafios, como conseguiu dar ao filho força, base e despertar a coragem para ele viver o mundo cruel "aqui fora", hoje, homem, adulto, jornalista e trabalhador - Gustavo Medeiros. A outra, fala de sua experiência com sua filha de 11 anos, que já nasceu nos dando lição de vida, bravura e vontade de viver. Mostrando que garra e força sugre dos momentos de fragilidade. Portanto, abaixo, neste post, duas mães na prática que nos darão lições preciosíssimas, como mães e como pessoas. No post seguinte, o Gustavo Medeiros nos brinda com sua ótica de dentro para fora sobre a relação do portador da síndrome de Asperger - o autista - com "seu" mundo e "o mundo aqui fora" e nos diz que a vida existe.
Vista-se de azul, de corpo e alma, porque azul é o céu, azul é o mundo e colorida é a vida!

Uma observação importante do "Mães na Prática": aqui, não temos preferência religiosa. Respeitamos as escolhas de cada um e permitimos suas livres colocações acerca de suas crenças, desde que não manifeste hostilidade e/ou agrida de alguma maneira outras pessoas. Portanto, peço, portanto, que toda leitura seja feita respeitosamente.

Sem mais delongas, afinal, elas vão nos dar essa honra, agora:

"Bom, hoje posso lhe afirmar que ser mãe de um jovem com ´sindrome de asperger', é viver com borboletas no estomago, sempre a espera de novidades, sejam boas ou não tão boas.Porem eu sempre tive um orgulho imenso de te-lo como meu filho, nunca achei que ser autista era motivo de vergonha , ou trabalho. A cada aprendizado, que com esfoço e persistência ele conseguia superar, eu mais e mais o amava. Hoje olho para tras e percebo o quanto fomos guerreiros, enfrentamos todas as adversidades com garra e determinação, muito AMOR e PACIÊNCIA, essa é a chave para tudo. Estamos ainda nesta grande batalha, cad adia enfrentamos novas e velhas dificuldades, mais o melhor é que não estamos só!Acredito num Deus que sabe de todas as nossas necessidades, e nos fortalece nesta caminhada. Nunca escondi de ninguem o fato de que ele era diferente de nós neurotipicos, e fui atras de ajuda, o que mais me preocupava era sua independencia, que ele soubesse se virar sem a minha proteção, os meus cuiddados, e precisava de muitaaaa paciência , disciplina, disciplina..., ve-lo não como um coitadinho, ou algo parecido, mas sim como um ser que tinha potencial para vencer. Claro que existe varios niveis de comprometimento dentro do espectro autista, e o seu é bem leve, ele não é um autista classico, o seu intelecto é muito bom, e consegui entrar de alguma forma em seu mundo e junto com ele emergir. Claro que sem ajuda seria impossivel, a minha crença ajudou muitoooo, somos espiritas, e cremos que nossa vida é um eterno aprendizado, e que passamos por muitos processos , estamos interligados com o plano fisico e o espiritual, e nada é por acaso. Neste momento entendo que estamos contruindo um novo futuro, espero que tudo que vivemos e experenciamos nos sirva lá prá frente, que ele comprenda o porque veio assim e eu que tenha feito o que presisava ser feito: Uma pessoa do bem, digno, feliz." - Joanice Costa de Oliveira – mãe do Gustavo Medeiros


"Vivenciar o Autismo é como atravessar uma tempestade sem proteção alguma. É vivenciar uma desordem em tudo que se acredita. É mudar seu rumo, reorganizar seus valores e por fim evoluir em busca de seus significados. É crescer sem querer e nunca mais querer voltar a ser! É colocar seu amor á prova todo dia e provar que ele é invencível!

Vivenciar o Autismo é amar incondicionalmente!

Minha filha Louise, fez 11 anos. Cabelos escuros lisos, pele branca, riso fácil. Docinho poderia ser seu apelido. Basta olhá-la! Louise respira doçura!

Nossa! Ela é linda, misteriosa, esperta, mas inocente!

Convivo diariamente com esta menina estranha, diferente! Ela fala pouco. Mas basta conhecê-la para entende-la! Eu a entendo tão bem, que pensar que não fala tudo direito, até parece estranho!

No ano passado, finalmente aprendeu a usar chinelo de dedos. Desde que aprendeu a caminhar eu tentava fazer com que usasse, mas ela deixava cair do pé logo no primeiro passo que dava. E nem ligava pra isso! Agora, adoro vê-la caminhar pela casa e ouvir o barulho dos chinelinhos! Como uma coisa tão banal pode tornar-se de repente tão maravilhosa? É por isso que confio em Deus! Ele faz as coisas pequenas tornarem-se grandes. E mostra como podemos ser felizes com pequenos mais importantes acontecimentos!

Mas ainda espero um final feliz pra história da minha menina autista!

02 de abril Dia mundial do Autismo, vista-se de AZUL!!! " -
Niedja Bandeira - mãe da Louise - dois dos meus grandes amores nessa vida e que me fizeram entender que toda mãe, na prática, tem seus inúmeros desafios e, seja qual for o desafio, AMOR é, não só a palavra-chave, mas, o sentimento que salva, cura e, acima de tudo, dá sentido à vida! E, por mais esse motivo, hoje, eu visto azul no corpo e na alma!

Saudações maternais,

Pat Lins. 

EXISTE (SIM) VIDA ALÉM DO AUTISMO - POR GUSTAVO MEDEIROS

Quando repensei o blog, muitos temas importantes surgiram em minha mente e este era um em especial. Não caberia em palavras minhas, explicar se "existe vida lá fora", considerando a referência de "mundo próprio" que temos dos autistas. Foi quando tive a honra e o prazer de conhecer a história real e diária do Gustavo Medeiros. E essa lição é de vida, de superação reforça a minha idéia central de vida de que todos somos iguais, por sermos humanos e cada um carregar o seu próprio desafio, entretanto, a maneira como o Gustavo retrata sua vida, nos mostra o quanto ainda temos muito que entender sobre essa questão. E o quanto muitos de nós nem sabe que lidar com as diferenças é lidar, apenas, com o fato de cada um ter suas características próprias e merecem respeito, acima de qualquer coisa.

Não vou, não devo e nem tenho como me alongar aqui. Eis o texto/depoimento do Gustavo Medeiros, homem, adulto, jornalista e portador da síndrome de Asperger:


EXISTE (SIM) VIDA ALÉM DO AUTISMO
Por Gustavo Medeiros - Jornalista DRT BA 3890

Quando me propuseram a fazer um texto para comemorar o dia de conscientização do autismo, me senti desafiado a escrever sobre mim e provar que existe (sim) vida além do espectro autistico. Como portador da Síndrome de Asperger, me sinto não somente diferente dos outros que se dizem neurotipicos, mas capaz de realizar coisas que nem uma pessoa dita “normal” poderia fazer ou poderia não fazer.

Através das minhas superações, alcancei vitórias e hei de alcançar outras. Superei as expectativas daqueles que não davam muito por mim e surpreendi as falsas perspectivas de que não conseguiria ser o que hoje sou: Um ser (quase) realizado. Enfrentei, com muita dificuldade, as brincadeirinhas de mau gosto dos coleguinhas da escola regular e no “mundão” por aí afora. Nunca fui entendido pelo mundo, a não ser por meus pais, pois não é obrigação da sociedade aceitar, engolir um garoto autista como um problema a ser resolvido na base da pancada.

O que importa, no momento, é olhar para trás e entender que superei tudo na base da insistência, pois sempre acreditei nos meus sonhos. Sim!!! Para quem ainda não acredita (ou compreende), um autista como eu também tem sonhos e tenta alimentá-los a cada dia. Possui ideal de vida e luta por ele. È um cidadão comum, que vota e cumpre seus direitos. É assim que me sinto, no entanto o que me diferencia dos “iguais” (se é que igual existe) é a forma de sentir o mundo, de amar as pessoas e expressar os sentimentos.

Ainda tenho uma certa dificuldade em entender metáforas, malicias e sutilezas que norteiam os caminhos do NTs na sociedade. Me sinto frustrado, às vezes, mas entendo que não deve ser assim. Por incrível que pareça, essa nossa dificuldade tem lá o seu lado positivo: o da ética e o da honra, pois não sabemos mentir nem disfarçar as mentiras.

Somos explícitos na arte do sentir; expomos, a nossa maneira, o peso das decepções, e dos desamores. Aliás, autistas também amam e sofrem por amor e por não saber corresponder a esse sentimento. Talvez pelo fato de nos faltar a empatia, de tentar (ao menos) estar no lugar do outro, sentimos essa frustração. Sendo assim, ainda me falta o entendimento de que o outro precisa receber o feedback, o retorno da troca dos afetos em um relacionamento amoroso.

Mas, além da penumbra de todas as angustias, existem as alegrias de cada superação; o sucesso que está em cada vitória conquistada no dia a dia. É a certeza de que a nossa capacidade de “estar no mundo” vai além dos quartos escuros, dos movimentos estereotipados e repetitivos, dos grunhidos e barulhinhos incompreensíveis que fazemos durante a infância. Porém, isso não mostra nada, a não ser o fato de sermos especiais dentro das nossas particularidades. Somos diferentes, somos aparentemente normais. Sou a prova viva que existe sim vida além do autismo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

2 DE ABRIL - DIA MUNDIAL DA CONSCIENTIZAÇÃO PELO AUTISMO

SÁBADO, DIA 02 DE ABRIL, VAMOS VESTIR AZUL!



"2 de abril foi decretado pela ONU como o Dia Mundial da Conscientização pelo autismo.

Estima-se que 70 milhões de pessoas tenham autismo no mundo, porém, ainda é uma síndrome pouco conhecida no Brasil. Esta é a finalidade deste movimento, trazer a mente das pessoas que o autismo afeta involuntariamente a maneira como estas pessoas se relacionam com o mundo, mas sobretudo, são seres humanos adoráveis e muito temos a aprender com eles.

Seja você também Uma voz para o autismo, e divulgue este movimento." (Maria Schenk)





"Até o Fim" - Fantine Thó

Cuidar de você
Sem saber a causa dessa dor profunda
Cuidar de você
Sem conhecer a medicina que te cura


Fechando os olhos
Posso ver a cor de sua sinfonia
O ardente toque do amor
Abandonado em pleno dia


Quero saber o que é preciso dizer
Mesmo sabendo que o tempo é mestre
No toque, no olhar você vai entender
Que respirar é a nossa prece 

Os mares podem secar
O som deixar de existir
A mais linda cor apagar
Com você eu vou até o fim
O que quiser passar
Por menos que eu esteja aqui
Mais perto que o ar vai estar
Com você o melhor de mim 

Com teus olhos
Veja meu pensamento
Refletindo a obra do seu ser
Sem palavras
vozes sábias dizem o que é o viver 

Os mares podem secar
O som deixar de existir
A mais linda cor apagar
Com você eu vou até o fim
O que quiser passar
Por menos que eu esteja aqui
Mais perto que o ar vai estar
Com você o melhor de mim 

Se eu pudesse meus passos te dar
O que andei, o que senti, o que já vi
Entregaria meus dias pra'um só
Pra te ver sorrir 

Os mares podem secar
O som deixar de existir
A mais linda cor apagar
Com você eu vou até o fim
O que quiser passar
Por menos que eu esteja aqui
Mais perto que o ar vai estar
Com você o melhor de mim 

Vamos divulgar! Vamos nos informar mais!

Para saber mais: AUTISMO 

Existe a AMA - Associação de Amigos do Autismo. Você pode visitar e colaborar, nem que seja com a informação.
Pat Lins.

terça-feira, 27 de julho de 2010

"MÃE DIZ TER SIDO AGREDIDA POR CONTROLAR FILHO AUTISTA" - diferença entre conter e bater.

                                    FOTO: Manuela Cavadas/ Ag. A Tarde
No último domingo - 25/07/2010, o Jornal A Tarde, publicou uma matéria que serve de alerta sobre o grau de conhecimento sobre a diferença entre "bater numa criança" e "conter uma criança 'especial' em crise". Como o "Mães na Prática" tem interesse em abordar temas de ordem prática em nosso cotidiano, estou levantando informações sobre AUTISMO, para colocar aqui. Quem tiver informações, por favor, me envie por e-mail. Precisamos disseminar o máximo de informações para alertar a população sobre a conduta adequada e, também, de certa maneira, proteger as mães, pais e responsáveis por crianças especiais. Para que não aconteça o que aconteceu com a baiana, Geisa de Oliveira Sapucaia, mãe de um filho autista que, ao tentar conter uma crise "de agressividade" do seu filho, de 11 anos, num ônibus de Salvador, onde ele queria quebrar uma lâmpada do coletivo, foi espancada por outros usuários do mesmo serviço de transporte, que gritavam a "lei da palmada" e alegavam, através de suas agressões, estarem executando a lei. Onde já se viu isso?! A mania de se meter na vida alheia, agora, pode se utilizar da fachada de "cumpridores da lei", através de atos insanos e violentos, em nome da lei! Se a lei aborda a temática da "não violência", o erro fica ainda maior e mais grave: os "justiceiros de plantão", provavelmente, pessoas de um equilíbrio emocional minúsculo e dotados de um intelecto de inseto, agridem em nome de uma lei contra a agressão... No mínimo, irônico.

Essa situação me remete a, na verdade, um bando de desordeiro e desequilibrados, recalcados e mal-resolvidos, que, se utilizam de uma fachada de "bons cumpridores da lei" para encobrir suas patologias e transtornos de acéfalos e inergúmenos que só têm o objetivo de falar em moral, sem possuí-la. Característica grosseira de nossa vã hipocrisia, que insiste em se estabelecer e proliferar entre nós e alimenta nossa medíocre sociedadezinha. Fiquei indignadíssima! Só uma mãe de filho autista pode saber o quanto dói nela ver seu filho em crise e, a única coisa que pode fazer, é segurá-lo com firmeza para protegê-lo. Essas mesmas pessoas que agrediram essa mãe, a culpariam se ela permitisse que a criança alcançasse êxito em sua crise e quebrasse a lâmpada do ônibus, se machucando. O que nós queremos? Um mundo perfeito? Mães perfeitas? Filhos perfeitos? Pais perfeitos? E o que fazemos para viver e desenvolver esse mundo? Com esse tipo de manifestação animalesca de colocar em prática uma lei que fala do oposto e sem direito de justificativa? A mãe, agora, precisa comprovar que é uma boa mãe... Pode?! Ela afirma, na matéria do Jornal A Tarde (leia na íntegra: "MÃE DIZ TER SIDO AGREDIDA POR CONTROLAR FILHO AUTISTA") que, agora, está levantando documentos das instituições de apoio ao autista, onde leva seu filho para tratamento e recebe as devidas orientações e instruções, para provar sua inocência, por temer novas agressões "em nome da lei".

Já escrevi sobre assunto correlato em  "O QUE OS VIZINHOS VÃO PENSAR". Cada manifestação tem sua "bandeira". Agora, com a LEI DA PALMADA, leva esse título. Para se "cumprir" a lei, antes, conhecê-la. Para se julgar o outro, antes, dar a oportunidade da explicação, o velho benefício da dúvida.

Ser mãe já é cansativo e somos julgadas e condenadas o tempo inteiro, imagine uma mãe dessas, de baixa renda e com filho especial? Por coincidência, estava eu num ponto de ônibus, na mesma cidade, próximo ao Hospital Sarah, que trata de reabilitação, e uma mãe descia com seu filho de 6 anos, que não falava e estava muito agitado. Ela, de aparência muito pobre, demonstrava extrema apatia e cansaço, enquanto seu filho, numa energia só. Quando ela segurava, com firmeza - diferente de agressão - seu punho, ele se jogava no chão. Situação muito delicada. Notei - julgamento meu... - que as pessoas no ponto não gostavam do que viam. Ela, nítidamente, nervosa, precisando se dividir entre segurar o filho - para que ele não corresse para o meio da rua - e não perder o ônibus que demora para passar. Pois, ela perdeu o ônibus, o que, naturalmente, mexeu muito e, com certeza, a deixou irritada - mas, via-se que ela não descontava na criança. Eu tentei ajudar, conversando com o menino, mas, não podia me envolver muito, por não saber como contê-lo. Perguntei a mãe se ele poderia mascar um chiclete - era o que vendia nas bancas dos vendedores ambulantes que ele pedia - e, ela, meio sem jeito, em dizer que não tinha como comprar quase negou, quando eu me ofereci para comprar. Foi uma "salvação" momentânea. Comprei uma cartela e fui negociando com ele. E ela pode ter alguns segundos para respirar. Mesmo com toda minha prestatividade, eu era uma estranha e ela, ainda, precisou reforçar o "segurar" no braço dele... E, nesse íterim, ela desabafou: "eu morro de medo dessa lei nova aí. Que não pode dar tapa na criança. Ele não tem noção de perigo e eu preciso segurar forte..." Eu me pregunto - nada contra a lei, mas, como ela está sendo disseminada e como será executada, quais os critérios e por quem... Isso, sim, é preocupante - se essas mães serão protegidas? Mães de crianças especiais vão sofrer pela ignorância e estupidez daqueles que estão ciscando para "executar" e "agir" em "nome da lei", sem saber, sequer o que ela rege e sem informação sobre os "condenados". Existe uma enorme diferença entre "conter" e "bater".

Até quando seremos vítimas de de nós mesmos? Até quando vamos nos permitir a ignorância "legitimada", em vez de abrirmos os horizontes da mente em busca de crescer?

Vou pesquisar, também sobre a "Lei da Palmada" e sobre os direitos de mães de filhos especiais, para que se tenha o mínimo de facilidade e oportunidade para essas pessoas transitarem entre os "Normais" alheios. Como mãe, como blogueira e como pessoa, me sinto na obrigação de fazer algo, nem que seja escrever aqui, num espaço aberto, um grito de CUIDADO, para todos e cada um de nós. A informação ainda é o melhor caminho. E, além das Leis, precisamos criar e exigir melhor condição de vida, de transporte público, de educação, saúde, etc e de execução da lei. Nada de sair agredindo o outro, dizendo-se na razão, sem possuí-la!

Vamos estender mais a mão ao próximo, em vez de destruir, machucar, julgar e condenar. Muito ajuda quem não atrapalha.

Saudações maternais,

Pat Lins.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails