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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

MÃE, FILHA DA MÃE... NATUREZA!

Imagem: Freeimages - Flower Series 1 - by flaivoloka's

Estava, hoje, refletindo sobre nós, mães... me deu uma vontade de ser piegas...

Somos babonas, bobonas, fortes matronas, somos guerreiras, somos frágeis, somos doces, somos brutas, somos azedas... somos gente e somos bicho!

Somos razão e emoção, todo dia, na corda bamba.

Somos capazes de compreender tudo, menos ataques gratuitos aos nossos pequenos, né assim? Em geral, carregamos nas tintas, mas somos capazes de ser uma fera quando precisamos proteger nossa prole. Discordo do discurso de que toda mãe deve passar a mão pela cabeça do filho e deixá-lo fazer tudo o que quer... meu filho além de não ser santo, dá um trabalho danado, mas isso não dá direito a ninguém de maltratá-lo, né assim?! Precisamos ser capazes de ponderar mais o real com as surtadas... Manter sempre a razão como norte e a emoção como combustível - e isso não quer dizer "não sentir", apenas que precisamos ser capazes de sentir sem perder o foco, tipo soldado na guerra, sabe, que mesmo machucado, luta pela vida sem se jogar no fogo cruzado ou agir sem estratégia... mais ou menos assim.

Pois é, a minha reflexão é sobre o desgaste natural do cotidiano. Hoje em dia, estamos assumindo um papel muito estranho... tudo tem que ser orientado por uma "super nanny" que entende de tudo. Sei que os estudos ajudam no direcionamento, mas há o que surge de novo e não foi estudado, porque, simplesmente, não existia. Há o que não se enquadra no estudo, porque este se baseia numa média, numa amostragem, ou seja, numa ínfima representação de um todo gigantesco. E me pergunto: quando nossos filhos estão fora da média - além ou aquém do padrão, ou ambos concomitantemente - quem pode socorrer, sem dar um soco em nossos estômagos já magoados por sermos humanas e trazermos nossas próprias demandas e por nos depararmos com críticas severas e sem fundamentos, apenas situações intimidatórias de pessoas pequenas que tentam mascarar suas própria incompetências.

Tanta coisa agindo sobre nós: cobrança, realidade, dia a dia, trabalho, contas, relacionamentos, família, sonhos, frustrações nossas, características individuais de cada filho, etc, etc, etc Pretérito mais que perfeito que somos e que já éramos antes de nascermos e que paira por aí, como inconsciente coletivo, como características das famílias das quais originamos... e, de vez em quando, vêm nos assombrar como uma explosão de emoções sabe Deus vinda de onde, no presente simples... Tudo tão vasto e complexo que ciência alguma é capaz de assegurar, com plena e convicta certeza o que é Ser Mãe. Um ser sem explicação. Fora os hormônios, o corpo modificado, a cabeça que se torna nossa e deles, que somos um portal aberto. Tanta coisa que somos para administrar sozinha o "peso" que nos dão ao nascermos mães. E, ao mesmo tempo, tão simples e belo, quando nosso fruto apenas sorri e diz:"mãe, eu te amo!". Nossa, o mundo muda de cor!

Vivemos em tantos ambientes, falamos tantas línguas, fazemos tantas viagens - sem sair do lugar. Precisamos nos especializar em tanta coisa, desde identificar o choro de sono, de fome ou de fralda suja e/ou molhada, até as sessões de psicoterapia em altos papos cabeça com essas criaturinhas - que sempre serão "inhas", mesmo vendo-os, com os olhos da realidade, crescer, sem podá-los, sem infantilizá-los, mas cá dentro de cada uma de nós, são aqueles pequenos que carregamos quando mediam o tamanho do nosso antebraço. 

Fiquei pensando, se até a Mãe Natureza cansa, sofre e se desgasta com os ataques incessantes que direcionamos - nós, seres humanos em geral - para ela, imagina nós, mães filhas e parte dessa mesma natureza? Sim, somo animais, somos natureza, somo mais e muito mais! Mas, também somos o menos, o que perde, o que acumula resíduos tóxicos de dor e lamento, do "eu não consigo" até entender o "não depende de mim". Somos nossas partes que não se renovam e somos as partes renováveis do novo que surge agora!

Somos muito massa, velho!

Detalhe que somos mães, mas nunca deixamos de ser filhas! Por isso, deveríamos entender mais nossas mães e nossos filhos e a nós mesmas!

Não somos mágicas, mas parece que sem ela, não funcionamos: a magia da vida!

Somos uma combinação dual e concomitante de dor e alegria, tudo ao mesmo tempo, agora!

Somos trágicas e somos comédias! 

Somos o colo que acolhe e a cara a tapa para vivermos o dia a dia!

Somos o ouvidos que tem que escutar que somos inconvenientes - quando somos e, francamente têm mães que exageram nisso e não cuidam das próprias carências... se não cuidam, a tendência é piorar e envelhecer assim... depois, não cobrem dos filhos aquilo que nem você é capaz de ser: melhor!

Somos olhos para ver as quedas, as superações, as marcas e arranhões e as cicatrizes que sabemos muito bem, para sempre, como e quando aconteceram, enquanto eles apenas têm uma vaga lembrança ou sabem porque contamos, né assim?

A gente tem que lembrar do que importa e esquecer do que não vale a pena!

Essa é minha rotina de mãe, uma mãe especial, de um filho mega especial!

Essa é a minha rotina de gente que sou.

Somos humanamente heroínas, porque com um limão, se não der para fazer limonada, fazemos água aromatizada!

Somos PhD em tentar entender, meu filho! Mas, e quem nos entende? Somos o que a ciência não explica, mas a Mãe Natureza e o Pai do Céu nos entende!

Saudações maternais,

Pat Lins.



sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

PEU VEIO DE ENCOMENDA

Peu com 2 anos

Se filho já é algo surpreendentemente inexplicável, Peu, meu filho, é ultra mega super inexplicável. Esse veio de encomenda, oh, meu Deus!

Se filho já é um desafio, Peu me é - bem como para todos que convivem com ele, pessoal ou profissionalmente - um baita desafio. No bom sentido, inclusive, com os momentos onde me descabelo...

Em geral, tem uma resposta prática e direta, tão objetiva que assusta os desavisados - ou seja, nada menos do que TODOS AO SEU REDOR.

Há quem não aguente a onda e o julgue mal... mas, quando para e olha mais de perto se sente atraído pelo seu encanto. Ele me lembra um gato. Algumas vezes arisco, diante do que identifica como "alerta" e isso inclui muitas pessoas - nesses casos, ai, meu Deus, tenho até pena dessas pobres pessoas, enquanto a pessoa não acessar o botão HONESTIDADE, ele "castiga". Tudo isso porque ele coloca um espelho tão grande na frente da pessoa, obrigando que se veja. Outras vezes - na maioria - é manhoso e adora um chamego. Ele só fica tranquilo num ambiente limpo, simples e honesto.

Não é fácil enganá-lo, nem ordená-lo. Ele capta, ainda que sutil ou bem escondido, aquilo que a gente precisa liberar para crescer como ser humano. Isso, numa criança, não é fácil. Ser essa pessoa tão espontânea e pura dá trabalho para nós educarmos e conduzirmos. É como se ele soubesse exatamente o que quer e faz. Simples assim. Mas, é preciso se adaptar. Juro: não é fácil para mim encontrar o caminho do meio...

Ele me faz muito bem. Temos uma relação muito forte e de cumplicidade - o que não impede dele esconder coisas, com medo da mãe bruxa...; de termos nossos embates... faz parte do processo dual da vida. Tanto que ele me faz querer ser cada dia melhor. Mais eu mesma. Graças a ele, depois que nasceu e todos os problemas que vivemos juntos, me restaram duas opções: seguir ou sofrer. Sofri para seguir, mas consegui e estou seguindo a Vida, a minha vida! Me abri para minha missão, para o meu talento, para aquilo que sonhava em ser, desde criança: professora que ensine com alma e com ética, passando base moral e virtudes aos alunos, motivando e despertando interesses além do que ensino; e escritora - comecei aqui no blog, agora, parto para os livros e as poesias. 

Dentre vários diálogos surpreendentes que temos, onde ele fala com tamanha naturalidade, esse me diz muito. Estávamos nós esperando o jogo carregar e ele:

- Ah, detesto esperar!

- Mas Peu, tem que esperar. Não é como você quer, não. Você esperou 9 meses para nascer...

- Não, mãe! Eu não esperei nada. Quem esperou foi você. Eu nem sabia que existia...

Ele me instiga. Ele me apoia. Ele me motiva. Ele não me deixa desistir!

Esse é o meu pequeno, que nem é meu, é dele mesmo! Ele É. Apenas é, quem ele é. E é capaz de melhorar.

TE AMO, MEU PINGO DE OURO!

Pat Lins.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

DESABAFO DE UMA MÃE NA PRÁTICA


Pois é, 2013... muitos anos até aqui. Muitos desafios. Muita dor. Muitas perdas. Muitas alegrias. Muito aprendizado... Muito de tudo... que vai ficar por aqui. Não por uma questão temporal, por uma questão moral: chega de tudo igual! Já começamos a mudar.

Sabe, algumas vezes nos deparamos - não é bem essa a palavra... não é algo consciente ou que se escolha... é algo que vem, por algum motivo, só que a gente nem sabe, nem sabe como fazer e o que fazer... - com desafios tão grandes que esbarramos no desânimo do cansaço diário de uma prática desgastante por conta de tanta prova. "Prove que é capaz! Acredite, você é! E só há uma maneira de descobrir: passando por isso. Escolha como!". Geralmente, é isso que fica "entendido" diante da realidade.

Às vezes, me questiono se é falta de amor ou apenas desgaste... Não permitem às mães o cansaço. Se cansa, nos impõem que é falta de amor. Daí, vem o dilema: será? Discordo! Eu me canso e amo! E amo muito! Meu amor é humano, eu cobro, cobro que se ame, se cuide, se zele.

Às vezes, entender e aceitar que existe um limite de ação, que desafios que envolvem as "escolhas" do "outro", requerem do outro a própria força para transformar, ou, saber lidar. Quando essa dificuldade do outro vira um problema no coletivo, me pergunto: o que fazer? Mania de ser correta em tudo. Isso me cria um quê de inflexibilidade, me parece. 

Não é fácil fazer escolhas, muito menos, concretizá-las.

Não é fácil manter acesa a chama de uma esperança comprometida pela razão, pelas cobranças externas, e por obstáculos externos que pressionam os frágeis obstáculos internos. Essas provas de resistência diárias na vida de um ser humano já é puxado, imagina na vida das mães na prática atual de ser mãe?

Sim, não é falta de amor! É cansaço! É cansaço humano. É frustração diante de umas simples e "inocentes" expectativas: como ajudar o meu filho em seu processo de crescimento e desenvolvimento? Como ajudá-lo a ser uma pessoa melhor, mesmo sendo eu uma pessoa em processo de crescimento e desenvolvimento como todo ser humano? Como protegê-lo dele mesmo e das suas ações sem consciência dos atos e suas consequências? Como criar um ambiente limpo para um filho? E quando esse filho vem com uma energia inesgotável - e não se trata de hipérbole... - , como dar conta sem cansar? Como deixar solto? Como dar limite? O que é limite? O que é castração por pressão social?

Em meu caso: como não admirá-lo? Como não amá-lo? Como não sentir raiva? Como não deixar a raiva passar? COMO NÃO CANSAR? Como? O quê?

Meu Deus, muitas vezes me vejo fraquejar: não sei se dou conta. O tempo passa e: dei! Não sozinha. Não estou só. Não sou só. Muita gente ajuda. A educação de um filho é muito maior do que um casal de pai e mãe. Interessante, volto a questionar, como a sociedade cruel cobra tanto, tantos papéis a exercer, tantas regras castradoras, tantas exigências, tantas cobranças sociais e individuais e além de não ajudar, ainda cria um obstáculo muito maior para pressionar o que já é pressão por si só. Conto com apoio e colaboração de tanta gente, que motiva continuar. Em contrapartida, muita gente precisando de ajuda a atrapalhar... (feridas abertas e revolta... porque diante de tanto empenho, tanto esforço de anos e 1 ano e meio de destruição... ai, arrependimento! Vai passar!) retardou o que estava em progresso e, simplesmente, atrapalhou. Tudo tem conserto, eu sei. Mas, e o cansaço? E a indignação que causa um cansaço ainda maior? Passa. Passa. Passa. Até uva passa...

Certos desafios parecem, num primeiro, segundo, terceiro e muitos instantes, punição, castigo e, ao mesmo tempo, uma bênção, uma oportunidade para se melhorar. Profundo? Filosófico? Retórica? Real! Cai/levanta/cai/levanta. Impossível odiar o que mais se ama! Mesmo que se percam as estribeiras de tanta raiva, de tanta pressão, mesmo que caia no desespero de tanto cansaço, de tantas crenças limitantes - afinal, como humana, penso que minhas forças são esgotáveis e, quando a gente acredita, passa a ser - a vontade de continuar surge, emerge!

Estou já nem sei onde... porque já ultrapassei o meu limite do limite do limite, há anos.

Eu canso.

Assumo.

Eu grito!

Eu choro.

Eu brado!

Eu persisto!

Desabafo. Coloco para fora o peso do que não conheço, a dor do que não dou conta, o desespero de ter que entender e aceitar que eu só posso fazer o que consigo fazer, entendendo que sou pequena diante de quem sou, diante de tanta coisa que ainda tenho para viver!

Peço perdão a Deus por reclamar, por me enfurecer, por me cansar, por achar que não tenho mais forças, nem fé. Agradeço! Gratidão, meu Deus porque sei e confio, ainda que cansando, que em algum momento, ainda que não seja permitido o entendimento do porquê, saberei como lidar! Epifanias acontecem de tempo em tempo... chego lá!

É preciso ser livre para libertar!

Me libero da culpa e do culpar.

Cansaço de final de ANOS. Final de ciclo! Renovar!

Mães na prática, somos humanas, gente, de carne e osso, com demandas emocionais, sociais, profissionais, interpessoais, espirituais, culturais, políticas, econômicas, materiais... somos demais! Somos ultra mega super! Somos MÃES, NA PRÁTICA REAL DE QUEM EDUCA E AMA SEUS FILHOS!

Fácil? Difícil? Vou vivendo!

Saudações maternais,

Pat Lins.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O MAIOR DESAFIO DE SER MÃE NA PRÁTICA...

Imagem: Google
Gente, na vida a gente precisa ter cuidado com o que se dispõe a fazer... Quando falamos em respeitar os filhos como eles são é sério, mesmo.

Para romper com todas as normas, com tudo que nos é imposto em forma de cobrança de perfeição, hoje em dia, ser mãe é estar sempre "hiper vigilante" - como está na moda essa expressão e eu adorei, porque é o que vivemos, é uma adrenalina que não cessa, que não tem tempo e espaço para baixar.

Nossa, entender que determinados desafios que passamos não é fracasso, é apenas o que é é simples, mas dói em tanta parte no corpo de vez que a gente não sabe precisar de onde vem e para onde vai.

Com Peu,acabei abrindo tanto mão da minha vida, para cuidar dele, que é como se fosse minha vida, também. Nossa vida, nossas vidas. 

Por ele eu sou capaz de fazer tanta coisa, principalmente APRENDER. Ele me obriga - algumas vezes de maneira dolorosa, porque bate numa dimensão orgulhosa e vaidosa... - a sair do lugar comum do discurso pronto e viver na prática, ali, aqui, no real, na hora.

Graças a ele eu me resgato. Ele me obrigou, no melhor dos sentidos, em me assumir, em aceitar minha veia artística que está se manifestando, após tantos anos adormecida, que nem lembrava que tinha.

Aquilo que mais venero, que é o amor que tenho pelo mundo literário, o mundo mágico da fantasia - com consciência do que é fantasia e do que é real... e outras vezes, um desejo doido de que o real fosse fantasia, que até fantasio, para aliviar o peso... - que me fora despertado desde menina, tem nele, mas do jeito dele.

Pedro tem me ensinado e custei a entender, a apreender que ser mãe é ajudar o filho, mas que o filho é um indivíduo e um indivíduo especial. Saber respeitar o filho em seu ritmo deveria ser mais fácil, mas ele diz: "eu sou como sou! Eu sou quem eu sou!".

Graças a ele, aprendi esse caminho da blogosfera para me ler, me escrever, me (re)encontrar.

Tarefa desafiadora ser mãe e ter que lutar para salvar o filho. Salvar do quê? "Perigos sempre hão de pintar por aí...". 

Sou grata a tanta gente nesse processo de crescimento e tenho que lidar com o que fizeram irresponsavelmente com ele, no ano passado e com as sequelas e marcas que o impediram de ir além. Justamente quando estávamos numa crescente, a equipe da escola, que nunca reconheceu as falhas nas ações, puxou a corda. Mas, agora é passado e o presente é que importa.

Estamos seguindo e cada pequeno avanço, vibro! O desbloqueio leva tempo e tempo é o que darei ao meu filho. Tempo de ser quem ele é. Tempo e espaço para crescer. E isso é o que conta. Apesar da dor da sensação de "poderia ter feito mais". A gente sempre quer que o filho se enquadre num patamar de perfeição.

Pois, mesmo com as dificuldades de Pedrinho, ele me fez o maior favor: me fez sentir a vontade de adentrar o mundo literário e estou a caminho, filho!

A vida é dual, né verdade?

Justamente por isso, tenho vindo pouco aqui, interagir com as outras mães que me dão apoio nessa troca saudável de experiências.

Em breve volto com novidades!

Saudações maternais,

Pat Lins - fracasso é nem tentar! Tentar, mesmo que não consiga, é meio caminho para o sucesso de se alcançar a vitória!

sábado, 12 de outubro de 2013

QUANDO CRESCER, QUERO REALIZAR MEU SONHO DE INFÂNCIA!




Quando crescer, quero realizar meu sonho de infância, de, um dia, ser uma super pessoa, incrível e capaz de ajudar tantas outras com meus livros e poesias.

Quando me perguntavam o que queria ser quando crescesse, eu, criança, também sonhava em ser várias coisas, como professora, escritora e poetisa, mas, no geral, só valia e os adultos só queriam escutar se eu falasse de alguma profissão que "desse dinheiro", como advogada e médico...  Hoje, depois de adulta - numa idade, como bem diz a cantora Sandy: "muito velha para ser jovem e muito jovem para ser velha..." - me questiono: existe alguma profissão que "dê" dinheiro, assim, de graça? E qual o motivo de ninguém gostar de escutar uma criança falar: "adulto!"?! Por que podamos os sonhos e dizemos que tudo é impossível, que só é feliz aquele que "ganha dinheiro"? Já vi muita gente com contas pagas e sem amor dos filhos, porque não deu amor... Mas, também tem muita gente com grana e que tem amor, também... ou seja, não é o dinheiro, é o sentimento!

Pois é, é por essas e outras que me questiono mais: o sonho de infância tem que caber em, no máximo 2 páginas - ou 1 e meia - de um belo curriculo? Só pode sonhar com a vida profissional? E, é errado sonhar com uma profissão brilhante? É errado sonhar em ser professor? Médico? Bombeiro? Policial? Astronauta? Artista? Raramente, escutamos alguma criança falar que quer ser diplomata, político, presidente de uma multinacional... falar dois, três idiomas... Isso é coisa de adulto que coloca na mente da criança - ou, filho de alguém que trabalhe nessas áreas.

No geral, criança quer brincar - quando deixamos e quando as permitimos serem crianças, mesmo nos dias de hoje e dentro da concorrência feroz no mercado de trabalho... isso é coisa de adulto!

Criança demanda de boa orientação, limite, bons exemplos - com os quais elas aprendem muito mais... - , ambiente saudável e AMOR. Criança precisa do lúdico, da fantasia, e precisa  crescer, sim, no tempo de cada fase, num processo saudável e natural - nem infantilizar eternamente e prender no mundo ilusório e de fantasia, nem os tornar mini adultos... nada antes da hora!

No dia das crianças, tudo é alegre e colorido, cheio de bombons e jujubas... como se só pudesse ser nesse dia. E nos outros dias? As frutas são coisas chatas, de todo o dia; e guloseima é coisa legal, só para dias especiais... é isso?!

Sou super a favor de tecnologia, desde que não exageradamente e que não deixem de viver a vida lá fora para se fechar no virtual. Sou a favor de atividades física e extracurriculares, desde que seja uma parte do dia e que a criança sempre tenha tempo e muito para lazer e diversão.

Achei super interessante uma conversa que tive com uma senhora muito distinta, que teve 5 filhos e, hoje,  ainda trabalha e ajuda a cuidar dos netos e ela perguntou a Peu: "E você, rapazinho lindo e encantador, como vai? Adoro conversar com você, sabia? Você é muito espertinho para a sua idade. E, me diga, quando você chega da escola em casa, o que você faz? Você tem tempo para brincar?...". Conversamos muito e ela me disse o quanto se preocupa com essa geração atual, que só fica com fone de ouvido e celular e sem tempo para mais nada de lazer e diversão. Concordei com ela, lógico! Não existe "choque" de gerações, quando se há amor e necessidade de compreensão. Ela me disse que hoje existe muita coisa melhor do que antes, mas que o banal é algo a ser considerado. E, cá entre nós, seja a época que for, mais espertos e "high-techs" que sejam, são crianças! Hoje, ontem ou amanhã, criança é criança! Com ou sem estatuto, criança é criança! E criança não tem que ter seus horários numa agenda diária de atividades mil. Uma conhecida, certa vez, me disse que a filha de 6 anos estava estressada, com a patologia, mesmo, quais com estafa... aí, ela me disse: "...deve ser o ballet 3 vezes na semana, a natação nos outros dois dias, a aula de inglês após a natação... Ela chega em casa exausta. Não sei de quê? Não faz nada, só se diverte!". Será que o excesso de atividade é saudável? Exigir tanta qualificação da criança, é bacana?

Assim, que possamos realizar nossos sonhos de infância, resgatar a parte boa da nossa essência e nos tornarmos adultos mais legais, em vez de seres estressados e estressantes, que querem deixar esse legado para as novas gerações!

Também, não é largar a criança sem observação... largar à toa, relegado à sorte. A criança precisa da presença do adulto, sim. Não como carrasco, mas como orientador, mediador... referência!

Correr, brincar, gritar - ainda que me enlouqueçam os gritos exagerados do meu filho... -, perguntar, ser curioso... tudo isso faz parte do mundo de descobertas da infância. Com pais mais conscientes do seu papel e, incluir neste, a condição de entender que criança demanda de liberdade - uma liberdade vigiada, como toda e qualquer liberdade, onde seu direito termina onde começa o meu, sabe como é? - e limite! E isso não é contraditório, isso é dualidade e uma das melhores condições desses dois lados de coisas boas!

Saudações maternais,

Pat Lins.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

COTIDIANO - O GRANDE DESAFIO


Um dos maiores desafios de uma mãe é entender e respeitar a linha tênue entre estar certa e o filho também estar certo - dentro dos parâmetros dele - e, esclarecer para ele que o "certo" dele interfere nele e nos demais... Que socialmente o prejudica, bem como aos demais. E que ele entenda.

Esse grande mistério se torna maior a cada dia... ele cresce, entende e apreende muita coisa com tamanha sensibilidade que choca pela força da emoção, do sentido lindo e inovador e da consciência do seu papel e de que as estruturas demagógicas precisam ser abaladas, mas, por outro, apela para o "destrambelhamento" de se agir impulsiva e agressivamente... Onde encontrar o botão do equilíbrio.?Como proceder, sem ter que ser no nível de culpa, culpados, culpadores e vítimas?

Como manter parceria com a escola que, de cara, parte do princípio limitado de que os pais são os causadores de tudo. Isso é óbvio, todos os pais têm esse "quê" de culpa, sim. Qual não o tem? Mas, a maneira como colocam, esperando e idealizando que os pais sejam ricos - para bancar e custear tudo o que é "necessário" para o bom desenvolvimento da criança - e perfeitos - para que a criança possa se desenvolver melhor - é muito pesada e inflexível, ainda que com vozes suaves e discursos bem amarrados... 

Pelo amor de Deus, isso é tortura para os pais... essa condenação e limitação obstrutiva de visão onde apenas e somente apenas, os pais têm essa "culpa", caso o filho não se encaixe nos padrões. E, me pergunto: então, os pais das crianças padronizadas são exemplo de perfeição? E os reflexos de uma relação mal conduzida no ano passado, por eles, não interfere no hoje? E isso não faço em tom de "culpados" mas de algo a ser considerado, também.

Até onde é por falha dos pais, e a partir de onde é carga genética, reação social, característica própria, reação ao que fora vivido e como se estabeleceu essa relação criança-escola? Isso tudo compõe um ser humano, desde a gestação até sempre, todo dia a cada dia, todos os dias e em cada lugar.

Mas, essa espada apontada para a cabeça dos pais como únicos causadores dessas dores, é demais! Não estou, com isso, afirmando que o esforço dos pais - e leia-se pais como pais e mães - deva ser diminuído por qualquer outro fator. Somos responsáveis, sim, mas não milagreiros capazes de enfiar cabeça a dentro da criança que ela precisa se encaixar. E isso não quer dizer que não vejamos a necessidade de que algo seja feito e ir fazendo.

Ao menos, este ano, como nos anteriores - exceto ano passado, faço questão de registrar... também sou imperfeita e tenho minhas arestas a aparar, mas isso não me impede de ter lembrança/memória, ainda que contaminada pela raiva... - estamos tendo a colaboração da professora e a capacidade dela em assumir que, para ela, também existe um limite e não soa como "vocês é que são os culpados". Ela consegue expressar, simplesmente, como uma coisa direta: minha parte vai até aqui. E ela faz mmmuuuiiiittttoooo mais do que a parte dela, apenas. Lógico que nós, pais, é que temos a obrigação, no sentido de dever, mesmo, de responsabilidade, de se refazer e resignificar o tempo inteiro. 

É de suma importância que estejamos ao lado dos nossos filhos, abertos e honestos. Se, mesmo com todo empenho e com todo apoio que recebemos, trata-se de uma luta árdua, desafiadora e desgastante, imagina se cruzássemos os braços? Mas, para nós, também há um limite pessoal de força, mas que se recarrega rapidinho quando vemos que não estamos sós! De ver que ele responde positivamente em muitas coisas. 

Atire a primeira pedra aquela mãe, aquele pai... que NUNCA errou, mesmo querendo acertar?

Sou uma mãe de um filho mega capaz, mega inteligente, mega sensível e mega desrotulado. Ele não se enquadra em padrões existentes, mas a maneira como desafia o mundo é perturbardor, principalmente pelos ímpetos e reações agressivas. É bom ver que, cá fora, isso tem diminuído, porque, assim, é de se entender que algo foi transformado. Mas, na escola, existe um tempo e um ritmo que ele não quer seguir e se revela e se mantém com poucos avanços nesse sentido de se compreender e respeitar. 

Pois é... nem sempre saber o que é certo e errado pela cartilha que nos ensinaram a vida inteira é o certo e o errado mesmo... Como saber quem está certo e quem esté errado se, na cabeça dele, ele está certo? Como fazê-lo entender que o certo dele machuca as pessoas? Como fazê-lo entender que o certo dele pode ser perigoso?

Essa é a lição de sempre e mais forte, hoje, porque outras já alcançamos vitórias... mas, essa ficou. E é a hora e a vez de se fazer novos ajustes. E sempre será assim. Só não aceito ser culpada como errada. Eu tento e me doou. Se não é o suficiente, vou buscar mais forças e reforço. Mas, me tornar perfeita, ainda assim, não será o suficiente para transformar o outro - no caso, meu filho. 

Saudações maternais, de uma mãe que cansa, sim; que desanima, sim; mas que se recupera e nunca deixa de entender  e aceitar o papel de mãe, muito menos a minha responsabilidade. Já aprendi muito, até aqui e ele também, e todos nós - família, amigos, equipe profissional de apoio e que não deixam de estar envolvido com amor - porque nesses movimentos de abalos sísmicos, o que fica após a destruição é o esforço e a descoberta de um novo mundo, reconstruído. O novo, dentro do já existente!

Vivendo e aprendendo! Esse é o meu caminho.

Pat Lins.

sábado, 20 de abril de 2013

ESCOLHAS - "EU SÓ FAÇO O QUE EU QUERO!"


Como de costume, preciso falar e repetir que a vida é um eterno aprendizado. Afinal, somos demandas demais para a vida inteira. 

Pois bem, em meu processo de aprendiz como mãe e, ao mesmo tempo, de orientadora/educadora como mãe, na prática diária, entendo o que a máxima: "escute seu filho para depois falar", é verdadeira. Isso não quer dizer: acate o que ele diz, mas saiba qual a demanda dele, através de uma escuta ativa, para exercer bem o papel.

Olha a situação... ai, ai...

Pedro havia "aprontado" algo na escola - garças a Deus, este ano ele está se encontrando e com o apoio necessário retomado, haja vista que exceto ano passado, ele recebeu todo apoio nos anos anteriores... e ele está mais centrado ou centrando-se. Afinal, trata-se de um processo e não de passe de mágica. A professora - essa, sim, um Professora, vocacionada e dedicada, consciente do seu papel - chama meu marido e conta o que houve, na frente de Pedrinho, para que ele entenda que as atitudes dele geram consequências.

Enfim, para não ficar muito extenso, vou pular para a parte onde ele chega em casa e eu sou notificada:

- Pedro, você quer me contar tudo o que aconteceu? Por quê você arremessou o livro, gastou todo o sabão do banheiro, etc, etc, etc?

- Ah, porque eu quis!

- Então, tá! Vamos fazer um novo combinado, pode ser?

- Pode, sim!

- Você pode, então, ir tomando seu banho que eu te encontro no banheiro e vamos conversando.

Deixei-o lá, por alguns minutos. Normalmente, o shampoo, condicionador e sabonete dele ficam ao alcance. Nesse dia, em especial, coloquei no alto e lá deixei. Daí...

- Mãe, você pode, por favor, pegar meu shampoo? Está muito alto e não alcanço sozinho.

- Eu sei, filho! Muitas vezes, a gente não alcança sozinho o que quer e precisa pedir ajuda a alguém mais alto, mais experiente... alguém que saiba mais do que precisamos para poder nos ajudar. O que você QUER, agora, mesmo?

- Que você, POR FAVOR, pegue meu shampoo, porque você é maior e meus bracinhos não alcançam.

- Tem uma coisa... EU NÃO QUERO PEGAR... AGORA NÃO VOU, SÓ QUANDO EU QUISER!

- E eu vou ficar aqui, todo molhado e sujo, é? Você não quer ver seu filhinho limpo e cheiroso, não?

- Quero, sim. Mas, agora eu quero fazer só o que eu quero. E eu quero ficar aqui, parada, olhando para o teto, fazendo nada...

- Mas, mãe, eu não posso sair daqui assim... 

- Eu sei. Eu também sei que posso te ajudar e, agora, está me dando vontade de te ajudar. - entreguei o shampoo.

- Obrigado, mãe!

- Por nada filho! Mas, pronto para nossa conversa, enquanto toma banho?

- Tá, vou te contar...

Contou tudo e deu sua versão, onde o "não sei o que me deu, eu estava enfurecido...", também adentrou a conversa. Apenas escutei. Quando ele se calou, falei:

- Agora, eu vou falar e preciso que escute até o final, bem como fiz com você, pode ser?

- Tá, mãe...

- Filho, você quer fazer apenas o que você quer, não quer? E você sabe que a gente, quando faz algo de ruim, machuca a gente e aos outros, não sabe? Já percebeu que sempre que você faz uma coisa ruim, vem outra ruim? É assim, meu bem... a gente escolhe o que quer para a gente. Eu me esforço e muito para não te bater, porque eu não acredito que resolva. Eu gosto de conversar com você, porque sempre deu certo. Mas, eu preciso que você me diga agora o que você está querendo voltando a fazer bobagens na escola. Outra coisa, nosso novo acordo é o seguinte: vou deixar você fazer TUDO O QUE VOCÊ QUER. Agora, mesmo, eu ia te levar para fazer a ginástica e, não vou fazer o que eu quero, que era terminar um material do trabalho. Tudo bem, eu escolhi fazer a sua rotina, porque você é criança. Como você está agindo feito um bobo e não merecendo que eu faça algo legal por você, vou fazer o que quero e você vai se vestir, descer e ir lá para o meio da rua e faz o que você quiser. Eu te peço que não machuque, nem maltrate ninguém, porque aí, será com você a polícia. A polícia prende pessoas que não respeitam o coletivo, aquilo que é do bem comum, aquilo que é para todo mundo e quem não respeita o espaço do outro. O meu espaço não aceita certas atitudes que você vem tendo... mas, como é VOCÊ QUE QUER, vai viver na rua, sozinho, porque os malucos, coitados, vivem assim, na rua, sozinhos, fazendo a maluquice que querem e ninguém chega perto, com medo. Olha, só, eu vou sair, mais tarde e só volto após as 22horas, aí, você, se quiser voltar para casa e não estivar preso ou num hospital machucado, eu te recebo para você tomar um banho e dormir. No dia seguinte, você não vai à escola, nem a lugar algum que eu se pai pagamos, porque a gente não quer mais pagar nada que você não queira ir e, mais legal, não vamos te pagar mais nada! Porque a gente não quer! Pois, pela manhã, abro a porta, você desce, vai lá para o meio da rua de novo e vai vivendo sua vida, como VOCÊ QUER! Porque eu e seu pai, vamos vivendo a nossa como a gente quer e como a gente consegue, porque nem tudo que a gente quer a gente pode ou deve fazer! ...

Fui interrompida com um:

- Licença, mãe, posso falar?

- Pode sim, por favor!

- Eu já entendi o que você quer dizer. Pode parar de falar. Eu quero ir para a ginástica e fazer o que precisa ser feito e quero ir para a escola amanhã, porque eu quero aprender a ler e escrever. Você pode me levar?

- Claro, filho! Mas, que fique claro: você está ESCOLHENDO FICAR AQUI, COMIGO E COM SEU PAI. E escolher isso quer dizer entender que nós somos um grupo, como sua escola, sua ginástica, seus amigos no play... E isso quer dizer que o que você faz, nos atinge também. E te atinge, também. Se você quer ficar, a gente vai ficar feliz, porque eu te amo muito e acima de tudo o que você faz, eu sei que tem muita coisa boa aí, também que você sabe e quer fazer. Por isso, ficar aqui tem um custo...

- Qual é?

- Respeitar os limites do que pode e deve do que não pode e não deve, e como sempre, sempre te explicarei as razões. Você topa fazer parte desse grupo?

- Sim, mãe! Mas, você vai ter que me ajudar!

- Peu, isso é tudo o que eu mais QUERO!

E, pronto. Ele não virou um santo. Mas, em cada momentos especiais como esses, mesmo que após ele ter aprontado com seu gêniozinho, ele se abre mais e se revela mais sensível ao perceber o que faz. Nem sempre ele tem real noção dos seus atos... O fato dele querer muito algo é tão importante que, entender que não é bacana conseguir algo passando por cima do outro não é o melhor caminho. Como ele tem dado saltos em progresso, como pessoa, acredito que ele se apaziguar na escola será o próximo. Tudo é uma questão de tempo e de tempo bem monitorado com amor e com apoio, porque eu não conseguiria isso sozinha. Como gosto de agradecer, tenho uma equipe maravilhosa de família, marido, amigos, psicóloga dele, minha terapeuta, outras mães na prática e de Deus - como chamo essa força superior e de equilíbrio de forças, esse Ser supremo e criador - acima de tudo!

É a cada dia! É a cada momento em que respiro fundo e digo: "filho, não é fácil segurar a onda, mas por amor a você e como quero o seu bem, precisamos conversar e sério!". E, nesse movimento sincero e verdadeiro, ele entende. Quando eu apenas bradava e ordenava, exigindo dele um comportamento exemplar... só acirrava a sua ira e não o tocava. Precisei aprender ao escutá-lo mais. Ao observá-lo mais. Ao sentí-lo mais e mais. Ao me aproximar de coração e alma, deixando de lado o que a sociedade espera e vendo o que ele tem de bom para contribuir com esse social carente de mudança e revolução. E, nesse ínterim, a gente aprende juntos a como viver nessa mesma sociedade fechada e tacanha, nada acolhedora e super manipuladora, superficial e hipócrita, na demagogia de que "todos somos um"e  ninguém respeita as diferenças... todo mundo julga e condena, em vez de colaborar. Foi esse entrave que vivemos na escola, ano passado, onde ninguém via ou ouvia os apelos das crianças que pediam: "me oriente com amor. Escute o que tenho para falar, porque não sei como me expressar.". 

Não é fácil ser diferente. Mas, isso não é desculpa para incentivar a irresponsabilidade nos atos e não dar limites com amor!

Tenho aprendido muito nessa caminhada com Peu e ele, também.

É isso, ensinar é escutar a demanda e agir em cima dela.

Saudações maternais,

Pat Lins.


sexta-feira, 19 de abril de 2013

E QUANDO OS FILHOS CRESCEM E OS PAIS DEIXAM DE SER OS HERÓIS IMORTAIS E INVENCÍVEIS?



Estava conversando com uma pessoa muito especial para mim, uma grande amiga e mãe de um menino maravilhoso, sensível, super inteligente e, ao mesmo tempo, insolente - bem tipo Peu... - e ela me falava da mãe dela e da relação das duas.

Pedi licença para publicar aqui as suas impressões, pois podem enriquecer a outras mães, como eu e as amigas que lêem e ela apenas me pediu que não revelasse o seu nome, o que respeito e entendo. Como o espaço é para troca de experiências reais, não importam os nomes e sim, as situações. Neste caso, ela fala não como a mãe do pequeno, mas como filha da mãe... - por favor, entenda, apesar de ser brincadeira o uso dessa expressão, eu respeito muito a mãe dela, por ser uma pessoa que viveu muita coisa boa, no âmbito financeiro, porém, muita dificuldade no âmbito amor de família. Pois bem, vamos lá:


A MÃE QUE TAMBÉM É FILHA DE UMA MÃE
Uma história realmente emocionante, de amor, desafio e superação 
dentro da escolha de como se proteger

"Amiga" tem - isso ela me autorizou revelar - 49 anos e explicou que sempre amou a mãe e sempre compreendeu sua carência afetiva. Por muitos anos esteva ao lado da mãe, mesmo tendo esta feito as suas escolhas na vida e ter morado 20 anos nos EUA, após segundo casamento e pouco tenha entrado em contato com a filha. Como não tinham mais posses materiais "com folga financeira", não conseguiam manter esse contato. Na época, em que a mãe decidiu morar fora, ela já não era nenhuma criança - estava para completar 25 anos - e apoiou a decisão, por ver a mãe como vítima da relação com o pai. Naquela época, telefone era muito caro - ainda é... - e não havia a facilidade da internet, nem das passagens aéreas mais em conta e parceladas em 10 vezes. Foi uma ruptura dura de segurar para ela, que se viu sozinha com a irmã caçula - dois anos mais nova - e com problemas e transtornos emocionais sérios. O baque foi de derrubar a irmã que "surtou". Sem perceber, ela assumiu o papel de mãe, para a irmã e foram "tapando os buracos", motivadas pela alegria de saber que a mãe estava "livre" do passado e dos seu sofrimento no casamento opressivo. Depois de 5 anos, a mãe conseguiu visitar as filhas e conheceu o primeiro neto - o que cito no início do texto - e essa nova condição de "ser avó" mexeu com ela. Simplesmente, ela se revelou insegura e carente. Queria atenção 24 horas da filha mais velha e tratava a mais nova como uma pessoa incapaz - no que esta se tornou de fato, por falta de incentivo ao tratamento psicoterápico e neurológico. A mais velha, hoje, separada do marido, na época se viu "rodada" com a mãe carente e manipuladora e às voltas com um filho de um mês, um marido maravilhoso, mas que estava sufocado com a presença da sogra tão esperada e que se revelou em desequilíbrio emocional - ele tentou ajudar, mas foi ali que o casamento começou a ceder às pressões e tensões - e deprimiu. Pois é! Deprimiu, por estar sem forças.

Quando a mãe partiu, ela assumiu a irmã. Seu trabalho era cansativo, mas dava conta. Quando casou com o noivo de 5 anos, ela precisou deixar a irmã segura de que não a estava abandonando, mas precisava ir morar com o marido. A caçula estava em tratamento e com a mesada que a mãe mandava dos EUA, conseguia se manter sem trabalhar - é um tipo de esquizofrenia, uma psicose séria que não era bem aceita pela mãe e que "empurraram" com a barriga até explodir com a escolha da mãe de partir e, de certa forma, sumir, já que não mantinha mais contato frequente... nada que ultrapassasse uma ligação por mês e cartas quando "tinha tempo". Ela - a mãe - tinha sua vida, seu trabalho, mas sempre meio que manipulou as situações para que ninguém percebesse que não sabia lidar com o problema da caçula e vivia enchendo-a de cursos de motivação, viagens, presentes... para poupá-la e poupar-se ("sem emissão de julgamento, mas eu precisie enxergar o que mamãe fez", relata amiga), do mundo real e acreditando que estava ajudando a filha, só não admita levar a filha ao psicólogo. Quando a mãe voltou, 5 anos depois, ela "fez" com que a filha deixasse o tratamento, que começou meses após a sua partida e adentrou numa linha espiritualista diversificada, meio que um tratamento ecumênico, ora no candomblé, ora numa abordagem mais esotérica... enfim, nos quase 6 meses que passou no Brasil, ela procurou  de um tudo, desde que a filha não fosse mais ao tratamento psicoterápico. A jovem, já com uns 28 anos, regrediu extremamente e nunca mais foi a mesma... Com a "cobertura" da mãe, ela se sentiu "forte". Não tinha amigas - como na época da eclosão dos transtornos seu comportamento era difícil de lidar no social - com ciúme excessivo, inveja e mania de inventar e criar casos, gerando fofocas e conversas emboladas e denotando uma realidade fantasiosa... sem muito nexo - ela, como dizer, meio que foi excluída do contexto social... isolada, procurava amizades com pessoas de baixo poder aquisitivo, as quais a procuravam com interesse em ir a baladas e festas de "gente chique". Ou seja, ela estava sozinha. Com a volta da mãe, ela que já havia conseguido desenvolver um vínculo de amizade com duas jovens bem bacanas, e que foram um apoio para a mais velha sair de casa sem maior impacto na vida da caçula, desceu ribanceira abaixo e decidiu ter um filho - qualquer semelhança é mera coincidência, que fique claro - que era o que faltava na vida dela. A mãe enlouqueceu... ela sabia dos problemas da filha e que não eram apenas de ordem emocional... e temia pela integridade dela e de um filho. Desesperada, a mãe grita por socorro à filha mais velha e ao genro: "Vocês precisam resolver essa situação, afinal, eu moro longe e vocês são os pais dela agora...". Observação: não vou entrar muito nessa seara, por ser de ordem pessoal e muito extensa, mas ela colocou como uma frase importante e que deveria ser escrita, por revelar muita coisa represada. Pois bem, o ex-marido - na época atual... que confusão eu estou fazendo... - "chutou o pau da barraca" e explodiu, depois de tanto a sogra "azucrinar" e jogar para eles as consequências, mais um vez, de suas escolhas, e disse: "Sua filha tem pai e mãe vivos e, te digo, meu sogro enxerga muito mais do que a senhora. Quem tem que resolver é a senhora que, não estou te condenando, porque também te apoiei em sua escolha, porque voltou e agiu como se o tempo não tivesse andado por aqui e desrespeitou todo empenho que tivemos em colaborar com o progresso 'dela' e quebrou com a conquista e o tratamento de 4 anos intensos. A menina, porque ela pode ser adulta na idade, mas é uma menina carente e doente, está perdida, agora. Totalmente, perdida! E, me perdoe, minha sogra, saiba que te amo muito, mas a senhora errou e feio. Pelo visto, quem mais precisa de tratamento é a senhora, até mesmo para poder ajudar a sua filha!...".  Para ele falar daquele jeito, pelo que conheci dele, olha, a coisa foi séria!

Resumindo: "amiga", naquele período, se viu perdida, também. A mãe disse que o marido dela estava louco, que precisava de tratamento e que ela entendia a reação dele, mas que via nitidamente que se tratava de uma pessoa estressada, que acumula muita raiva em si e que ela não iria abrir mão de toda "felicidade" que construíra por causa da infelicidade deles... E se foi. Um mês depois, tentando se segurar com sua depressão, com o marido - ela nunca tirou a razão dele e sabe que ele fez o melhor que pôde - querendo se distanciar daquela "zona" - como ele mesmo descreveu para ela -, com filho pequeno, sem contato com a mãe e com a irmã "caçando" um pai gerar um filho nela... recorreu ao pai - com quem, é importante situar, não falava direito desde o divórcio com a "mãe vítima". Nesse reencontro, ela conseguiu ouvir o outro lado da história e viu que a mãe também semeou muito dos problemas com omissão, colocando as filhas como válvula de escape - ela não nega o amor que a mãe lhes deu e entende o mecanismo de defesa da mãe - e viu que o desequilíbrio da mãe já vinha há muitos anos, só que o pai de "amiga", brigava com a esposa - eram as brigas que elas presenciavam - exigindo que ela se tratasse, porque ela estava vendo coisas que não existiam. E, diante dessa novidade e em busca de um sentido para sua vida - alguns depressivos, quando querem sair do estado deprimido, usam desse subterfúgio, de se ocupar com o problema alheio em busca de "sentido" para a vida - foi investigar. Descobriu uma mãe que ela nunca teve acesso. Concluiu que conheceu apenas a personagem que a mãe criou e que é até hoje para quem não a conhece, de pessoa super astral e que não se prende ao material, que busca se conhecer... "Tudo fachada! Minha mãe é um engodo para ela mesma! Chegou a um ponto que ela não se assume, não se vê...", concluiu "amiga", após "conhecer" sua mãe pelos olhos dos outros: família materna, pai, amigos de juventude dela, colegas de trabalho... Foi um choque muito forte, para ela, mas ela acordou! 

Uma curiosidade: a gente se conheceu por conta daqui do blog e do que eu chamo de DS - distância saudável - e nos encantamos mutuamente. Por ela não ser da minha cidade, continuamos nossos contatos via mundo virtual.

Pois bem, ela obteve a ajuda do pai, no cuidado com a irmã que, àquela altura, estava grávida... Nessa de se reaproximar do pai, ela levou a irmã e foi com o filho pequeno. Pediu uma licença não remunerada no trabalho - porque já havia acabado a licença maternidade - e estava "dando um tempo", no casamento, a pedido do marido... Pois, nesse meio tempo, enquanto ela desenvolvia uma relação com o pai, a irmã ia "a caça" e conseguiu um "doador de semén". Em troca de uns trocados,  esse cidadão se deitou com a irmã e, pronto, dia certo, hora certa e temperatura adequada, o encontro foi "batata". A irmã sabia, mesmo em seu mundinho, que tinha dificuldade para engravidar, mas estudou o que precisava e aprendeu até a medir a temperatura do "corpo" para o momento exato. E se fez o ápice! No alvo! Mas, não souberam de "cara", só após o terceiro mês é que a "bomba" fora revelada! O lado bom: ela conheceu o pai que nunca lhe fora permitido conhecer. A mãe, ao pedir o divórcio, com elas ainda adolescentes, mudou de cidade. O pai, cansado - como ela aceitou anos e anos depois - não ofereceu resistência. Entrava em contato, via cartas, para as filhas - cartas essas que elas encontraram, na volta do período que estiveram com o pai, nos pertences da mãe que ela havia EXIGIDO que nunca mexessem - e nunca obtivera respostas. Chegou a procurá-las, mas fora impedido por conta de um mandado judicial que não poderia se aproximar das filhas. Deveria manter uma distância lá. E assim, o tempo passou. Ele não teve outros filhos. Não quis. Também, se envolveu pouco com outras mulheres. Nessa época, era casado com uma pessoa muito boa e que o ajudou, com seu amor, a curar as feridas do passado.

A irmã de amiga continua surtando. Quando a mãe voltou ao Brasil, elas - a mãe e a caçula - começaram vivendo juntas, porque a filha caçula morava sozinha - o pai do filho lutou na justiça e ganhou a guarda compartilhada do filho e, depois de um tempo, conseguiu a guarda sozinho, ao provar a incapacidade mental dela educar uma criança, que já estava coitado, com um quadro sério de nervoso,  com problemas renais ou era na bexiga... o que gerou uma incontinencia urinária no pequeno e ele tinha que suar fralda descartável, com mais de 5 anos de idade... inclusive, as datas, aqui, são aproximadas, para não identificação, o que não interfere no conteúdo e algumas partes eu suprimi, diante do pedido dela, após leitura prévia do texto, antes da publicação - pois sim, mãe e filha caçula dividiram o mesmo teto inicialmente. Mas, depois de tantos atritos, a mãe, com um poder aquisitivo melhor e, ainda assim, como ela fala "segura" - no sentido de sovina, a ponto de, segundo ela, sentir fome na rua e, em vez de fazer um lanche, deixa de resolver algo que estava resolvendo, para voltar para casa e comer em casa.... gastando mais em transporte... -, comprou seu próprio apartamento. O que, de acordo com sua visão não compartilhada com a mãe, piorou tudo... pois ela deveria ter comprado uma casa. 

A mãe já não sabe mais se multiplicar entre as filhas e os 3 netos - amiga, na verdade, tem 2 filhos... um parêntese: ela e o marido tentaram uma segunda chance e tiveram o segundo filho, mas, parece novela, quando a sogra voltou de vez, tudo ruiu... faz quase 5 anos que se separaram de vez. Ela - a mãe de "amiga" - se "isola" em seu mundo próprio, indo em diversos eventos sociais e culturais, como gosta, e se inscreve em tudo quanto é palestra gratuita que vê. Amiga ri, apesar de ver que é um problema, e diz que a mãe é viciada em "entrada franca". Segundo ela, numa piada para extravazar, disse que, um dia ainda terá que socorrer a mãe num hospital público, porque até em igreja ela adentra, porque é de graça. A mãe não tem amizades com "raízes" sólidas. Apenas pessoas que ela conhece aqui e ali e por quem se tratam carinhosamente, desde que não passem mais de três horas juntas... Certa vez, recebeu uma dessas amigas em casa e a amiga, hoje, é ex-amiga, para que não corra o risco de voltar a ter que recebê-la em casa e custear comida para duas e gasto de energia... 

O desabafo de amiga:

"Eu sou mãe de 2 filhos, do gênero masculino; filha de uma mulher incrível, linda e inteligente; irmã de uma criatura que poderia ser melhor, mas que se tornou um ser insuportável e de convivência impossível, dentro de uma ótica de troca...; papai faleceu há poucos meses e sinto muita falta daquele homem íntegro e bom, que por não saber lidar com os transtornos da esposa, assinou sua falência como pessoa, diante de tudo que ela falava dele e do que sentia, por não se ver uma pessoa doente... e um homem que amei conhecer e que pude apresentar meus filhos! Mamãe e irmã são duas pessoas que amo, que doei muito de mim e que perdi muito, também, porém, não as condeno, não as culpo - elas perdem mais do que eu, pois perdem a cada dia o amor de quem se aproxima delas. Também, não sei conviver com elas, porque são tão instáveis que temo por nunca saber quem estará ali... Falam, falam e falam e nunca escutam que estão falando e nem a outro qualquer que fale... 

Nunca deixei meus filhos com elas, para isso, graças a Deus, tive e tenho o apoio do meu ex-marido, uma pessoa que amo muito e, em nome desse amor, deixo-o livre dos problemas que grudaram em mim e só hoje, após anos de auto-busca, consigo me libertar, mantendo o que aprendi aqui a chamar de DS - distância saudável - e com minha ex-sogra, que é uma pessoa mais equilibrada e alvo de um ciúme doentio de mamãe, pois ela tem uma relação muito linda de amor com a família e com todos os netos, sabendo amar a cada um, sem compará-los, como mamãe sempre faz... Como ela conviveu mais com meu sobrinho, e ele era um menino sonso - melhorou muito após conviver com o pai... e faz terapia até hoje - e mentiroso, com tão pouca idade... era a maneira dele conviver com elas, coitado. 

Por isso, se isso couber a alguém, tratem de suas carências. Mamãe fez tanto para nos afastar de papai, que conseguiu, mas como o Tempo é justo, ele nos permitiu um reencontro e um ajuste. 

Hoje, mamãe me afasta dela. Um misto de raiva, pena e compreensão. Ela não se abre a conversas, desde que seja para apenas me cobrar por não vê-la, nem procurá-la, nem deixá-la ver meus filhos - que gostam dela, mas eu evito essa convivência nada saudável... se estou errando ou acertando, não sei, mas é como me protejo dos ataques dela que ela mesma ignora. Nos encontramos em datas comemorativas e por pouco tempo. A família do meu ex me apóia e me recebe, daí, é para lá que me desloco mais, me sinto melhor e mais acolhida, bem como com meus amigos. Nem mesmo contato com minha família materna consigo manter... mesmo amando-os. Eles sabem meus motivos e me apóiam, também. Elas precisam sugar a alegria do ambiente e isso me inquieta... não é fácil se libertar disso, assim, tão rápido, mesmo numa idade mais madura. 

Mamãe está enlouquecendo, mesmo sendo tão inteligente. Está envelhecendo mais do que sua idade. Até pouco tempo, quando vivia conseguindo exercer sua pseudo felicidade e equilibrio - zen -, morando numa terra estranha, longe de quem pudesse refletir quem ela realmente é... ela aparentava ser mais jovem... hoje, esta muito acabada. Muito magra, mas uma magreza de tristeza. E diz que é culpa minha, que sou grosseira com ela... Só me liga e me procura em horário de trabalho e quer que eu esteja disponível para escutá-la... Em meio aos meus afazeres e resistente ao contato com ela, falo de maneira acelerada e ela sempre desliga com um: 'eu vou desligar, porque, para variar, você nunca tem tempo para sua mãe, quem te protegeu de tanta coisa, que te deu tanto amor e que abriu mão da própria vida, convivendo com um homem como seu pai... para isso, você é grosseira... Tudo bem. Eu te amo mesmo assim e vou desligar. Um beijo, minha filha amada! Eu estou acima disso, porque vi numa palestra muito boa que fui e você deveria ir, que quando a gente compreende as patadas dos filhos, a gente entende que a gente também errou, dando muito amor!'. E assim, ela finaliza, me jogando a culpa da infelicidade dela. 

Por muitos anos, minha mãe foi minha heroína. Até ela matar o verdadeiro herói que existia dentro dela, mostrando ser uma pessoa normal que queria se sentir acima do bem e do mal... Mãe, eu te amo, mas não sei conviver com você! Você precisa se ver, se ajudar! O impossível estarmos juntas, nós estamos estabelecendo e fortalecendo a cada dia. Por mais que te compreenda, você não deixa de ser e agir como é e como age. Você ataca, ainda que com sua voz mansa e baixa, e com suas palavras superficialmente doces, a todos que te amam, inclusive a sua própria mãe! 

Portanto, para você, para mim, para Patricia - uma amiga para quem envio esse meu desabafo -, para qualquer outra mãe, fica o alerta: nós somos falhas, em tudo, porque somos humanas! Eu sou mãe, filha de uma mãe que é filha de uma mãe e nessa cadeia, estamos presas apenas pelo laço sanguíneo, não pelo amor de uma relação bem firmada e desenvolvida. 

Aos meus filhos, que me amam, minhas crianças - na verdade, adultos... oh, meu Deus! - e me mostram o quanto me enxergam como eu sou e conseguem conviver harmonicamente comigo. Isso me dá muito orgulho de mim e deles, por terem seguido seus caminhos sem as neuroses, psicoses da minha família genética. 

Por isso, peço destaque para esse apelo: 

ASSUMAM-SE MORTAIS, HUMANAS E VENCÍVEIS, ISSO É QUE NOS DÁ FORÇAS PARA SUPERARMOS CADA DESAFIO DIÁRIO COM O SUPER PODER DO AMOR QUE NOS UNE - MÃES E FILHOS, BEM COMO PESSOAS HUMANAS COM OUTRAS PESSOAS HUMANAS!".

Pois é, fica a dica de "amiga"!

Obrigada por dividir conosco! 

Ia deixar para o "especial dia das mães", mas o mais justo, ao meu ver, era divulgar, hoje, não sei porquê... mas segui meu coração e pronto, retirei da data programada. Que possamos nos deixar tocar e apreender um pouco mais com a experiência de um ser humano tão lindo quanto "amiga", que, agora, é amiga de todas nós!

Saudações maternais,

Pat Lins.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

PERFEITOS IMPERFEITOS



E assim, vamos nos ajustando, nos conhecendo, nos reconhecendo, nos reparando... juntos, caminhando, com muito amor, nos amando!

Em cada erro, um provável acerto. Em cada acerto, sinal de crescimento.

Juntos, amadurecendo. Construindo nossa relação.

Foi um grande desafio nos afinarmos, mas estamos aí, nos empenhando e juntos, sempre!

E de repente, ele me diz: "Mãe, sempre que eu estiver assim, triste, como estou agora, você em dá um abraço forte e um beijo, como sempre fez?". "Sim, filho! E se eu não estiver ao seu lado, por qualquer motivo que seja, sinta em seu coração porque é lá que a gente se une!". E eu me derreto, toda.

Com muito amor e nesse processo de ver, acolher, aceitar e agir para transformar, ele me deu as dicas e diretrizes de por onde ir, por onde alcançá-lo em si. E fui, entrei nesse mundo lindo e inovador. Perdi o medo do diferente e especial. Me rendi aos seus encantos, sem perder a autoridade e esta se fez ainda mais natural: ele sabe quem eu sou e o que mais desejo para ele, que ele seja uma pessoa do bem e feliz! Não para agradar ou se enquadrar em um padrão, mas, entendendo que existe um padrão, o qual ele precisa respeitar, mas que se exija respeito a ele, desde que não invada o espaço de ninguém. Esses são os meus valores... Posso estar certa ou errada, mas como não existe uma fórmula certa e nem um certo ou errado 100% certo, a gente vai se ajustando em nossas imperfeições.

A cada dia, um novo aprendizado. Os limites, como me ensinou uma amiga, se fazem na rotina bem estabelecida. O crescimento se faz. Mesmo assim, alto e baixos ainda acontecem... e tem como ser diferente?

Isso é ser mãe, minha gente! Isso é ser gente mãe de gente!

E hoje, como em todos os dias, o dia é nosso: mães, pais, filhos, escola, família, amigos, sociedade, cultura local... O aprendizado é resultado do empenho diário de todos!

Saudações maternais,

Pat Lins.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

DIFERENTES MAS IGUAIS



Crianças diferentes precisam ser reconhecidas como diferentes, não classificadas como diferentes!

Elas não são mais, nem menos, elas são, cada uma, como cada uma é!

Entender isso nos ajuda a parar de querer equiparar todas as crianças. Isso não altera a relevância do limite, de uma rotina prazerosa, porém com tarefas definidas e responsabilidades.

Nós precisamos parar de estigmatizar a tudo e a todos e cada um. Nós, enquanto pais dessa nova geração, ou apenas geração atual, podemos desempenhar um papel edificante na construção dessa nova era que surge, através de bons valores - não me refiro a valores subjetivos, como gostos pessoais... mas a valores, mesmo, aquele lance que todo mundo sabe o que é e nunca coloca em prática, na prática, como respeitar as diferenças, sem anular-se, onde respeito entende-se por saber que as pessoas são como são e não como nós queremos que elas sejam e respeito é algo que não invade o espaço do outro, não manipula, nem ofende ou se ofende. 

Nós, enquanto pais e mães, temos em nossas mãos, parceiros de construção. Toda criança traz o novo, a novidade do inesperado e sem fórmula pronta. Mas, a cada geração, novidades surgem e temos que nos adaptar, aprender. Eles nascem já conhecendo como algo comum o que nos é novidade. Nós, inclusive os educadores, que são nossos colaboradores nessa missão de educação, precisamos estar mais abertos ao novo, ao diferente. Romper paradigmas é desafiador, porém, necessário! Desafio maior é acatar e acolher as diferenças adentrando o mundo de cada um e agindo através do que se tem, para descobrir o que não tem e fomentar. É um trabalho de crescimento e aprendizado juntos. 

Meu filho tem me ensinado muita coisa nova e interessante. Inclusive, que eu não tenho que ficar preocupada por ele ser diferente... essa é a maior qualidade dele. Para quem convive com ele e percebe o progresso, consequência de uma parceria bacana entre nós, família, amigos e terapia, entende o que quer dizer: diferença não é doença. Ser mega inteligente não o impede de ser apenas uma criança. Sabe o que eu não faço? Não o forço a ser adulto antes da hora. Aprendi a permitir que ele seja, sim, uma criança feliz, para crescer um adulto saudável. Isso não me impede de errar, de muitas vezes não saber o que fazer. Mas, a confiança que ele tem em mim, quando alguém pergunta algo e ele fala: "pergunta para minha mãe, que ela sabe muitas coisas. Se ela não souber, ela te ajuda a procurar!" isso é conquista, é mérito da nossa relação franca e firme. 

Pedro tem sido o meu maior desafio e a minha maior fonte de inspiração e motivação para refazer minha vida, refazer meu caminho, refazer minha carreira profissional, acreditar que dá para ir em frente, sim e enxergar mais o que deve ser feito do que os obstáculos e que se realizar é fazer o que dá prazer, não o que arranca o couro e o sangue e o tempo e a vida! E isso, não tem preço! Ele se revela, a cada dia, uma surpresa. Nada convencional. Nada normótico. Apenas um ser em formação, como nós, adultos, pais e mães. 

Para ser mãe dessa criança, também eu tive que resgatar a  minha criança e lembrar do que era ser criança, do que era pensar como criança... do que era não ter noção do tamanho infinito do mundo, mesmo vendo tudo grande, é muito maior! 

O que adoece os adultos é esquecer que foram crianças - felizes ou não - e entender que, hoje, na fase adulta, deveria era se encontrar, não se perder!

Meu filho, muito obrigada por ser igual a todos nós, humanos e falhos! Mas, muito obrigada por ser tão, tão diferente e capaz de nos fazer entender que se erra, mas se pode acertar quando bem orientado!

Hoje, ao ver você, na ginástica, brincando com o professor que te amarrou todo, com aquela corda, de barriga para baixo e preso pelos pés e mãos para ver você escapar em alguns segundos e você, nem piscou, simplesmente, sabia o que fazer e fez, apenas sabia que era para se libertar e se libertou rapida e criativamente, vi que eu não devo ficar presa nas cordas da vida que a gente se enrola. Comecei desatando os nós mais próximos e soltando os braços e a cabeça. Não sou tão rápida como você, porque fui contaminada pela normose - ô palavra que uso e abuso e adoro usar - e tento me curar desse mal que padece a humanidade. Mas, assim que soltar a cintura, os pés se soltarão sozinhos e começarei a caminhar com muito mais gosto por essa vida de meu Deus!

Obrigada, filho! Obrigada pela parceria! Obrigada pela amizade! Obrigada por ser um ser surpreendente! Isso sim, encarar as situações como desafios e superações é que vai salvar a humanidade! Resgatar valores humanos, aprender a lidar com a dor... seguir em frente e deixar passar. Pedro apronta, aprontam com ele, ele lembra mas sem rancor. Ele sabe é ser feliz! Meu desafio é educar sem castrar. Dar o limite, sem podar. Nós nos ajudamos, nos multiplicamos e contamos com uma equipe multi pluri inter disciplinar com muito amor e boa vontade!

O que falta nesse mundo é AMOR! Aliás, o que falta na maioria das pessoas desse mundo é AMOR. É amar! É na união que se faz a força, não na separação! Iguais e diferentes, todos nós somos!

Saudações maternais,

Pat Lins.


domingo, 31 de março de 2013

PAIS E FILHOS - APRENDIZADO: DESAFIO DIÁRIO



Eu e marido aprendemos a todo instante. Pedro aprende a todo instante.

Nós aprendemos com Pedro algo mais a aprender. Pedro aprende conosco. 

Nós o ensinamos algo novo a aprender. Ele nos ensina que sempre teremos muitos algos novos a aprender.

A gente ensina. A gente aprende. A gente aprende como ensinar. A gente aprende muito a ensinar. A gente ensina muito a aprender!

Pais e filhos, aprendizado e ensinamento: dualidade constante e concomitante!

Nosso caminho é de construção. O que não se sabe hoje, se aprende com o erro. Nesse caminho é assim, a gente aprende errando, porque aprende fazendo o que nem se sabe. 

Muitas vezes, procuramos um Norte, nem que seja para entendermos, depois, que precisamos ir para o Sul... a gente segue, indo, evoluindo! É isso que a gente faz: aprende seguindo sem seguir.

Pat Lins.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

"NÃO! O MEU FILHO NÃO FAZ ISSO!"



Fico intrigada com essa frase, melhor com essa maneira de pensar: "NÃO. MEU FILHO NÃO FAZ ISSO!".

 Vou tentar me explicar por três óticas minhas - vale a redundância:

1 - Quando eu era criança, no papel de filha: eu não era do tipo de aprontar. Era aquela criança inteligente e bonitinha que todo mundo gostava. Mesmo assim, tinha meu lado "sombrio". Por exemplo: lá em casa, era proibido xingar. Bom, eu não saía xingando pela rua, na ausência dos meus pais, mas adorava soltar uns belos palavrões nas rodinhas de amigos. Quando acontecia algo - e, me parece, que os adultos de hoje em dia têm essa dificuldade de entender e aceitar que, onde há mais de uma criança reunida, acontece algo... - "grave" ou "um problema", tenho a lembrança de ver minha mãe nem defendendo, nem acusando a gente. Geralmente, ela procurava saber o que havia acontecido com todos os possíveis envolvidos. Outras mães já chegavam nervosas e preocupadas em provar a inocência dos filhos, já dizendo: "Não. Meu filho não faz essas coisas...". Sabe essas cenas de filme, onde uma criança "atentadinha", sem limites, mimada e apimentada quebra uma vidraça e faz cara de vítima e os pais culpam qualquer outra pessoa, para defender o filho? Pois é, eu vi muito isso. Várias vezes, vi mães de amiguinhos "pagarem esse mico". Nós, as crianças, adorávamos ver aquelas cenas e nos "acabávamos" de rir "pelas costas" dessas mães iludidas. E o mais intrigante é que, justamente as mães dos que aprontavam na surdina eram as que mais se expunham e expunham a cegueira delas. Não digo que mãe tenha que desconfiar do filho, mas o benefício da dúvida ajuda... apurar antes de julgar e condenar é melhor do que alimentar no filho de que ele é um santo, ainda que mate gente. Enxergar ajuda a ajudar. Talvez esse tenha sido o problema daquelas mães, elas não queriam ter o trabalho de ajudar o filho, portanto, melhor nem ver quem ele é, além do que é em minha frente. Penso que a maneira como meus pais agiram comigo e com meus irmãos estreitou um vínculo sincero entre nós, onde a gente assumia o que fazia, mesmo sabendo que encararíamos uma punição merecida. Tanto que onde morávamos, éramos referência de "bons filhos", até pelas mães neuróticas. Mas, meus pais nos deram essa condição, a gente confiava neles. Mesmo "aprontando", a gente assumia que errou e encarava. Nós - eu meus irmãos - tínhamos/temos nossos pais como grandes amigos e com respeito que se deva aos pais.

2 - O estigma na escola, como mãe de um aluno "problema": na escola de Peu, no início, tínhamos uma parceria bem bacana. Eu contava com a equipe e a equipe sabia que podia contar comigo. No prédio maior, a equipe era outra e de certa forma, recentes na escola. Bom, depois de inúmeros trabalhos - psicoterapia, equoterapia, natação, eu em terapia, marido em terapia, rotina da casa desenvolvida em cima de dar limite a Peu sem estressá-lo com sobrecarga de atividade... enfim, ele começou a responder de maneira positiva. Pedro tem uma combinação explosiva, onde podemos resumir em ansiedade e inteligência elevada. Ou seja, estabelecer limite é tarefa árdua e de todo mundo falar a mesma língua para evitar brechas, pois ele é é muito sagaz e consegue argumentar de maneira que justifique cada atitude dele. Bom, aconteceu que na escola, ele piorou o comportamento no ano passado, para a surpresa minha, da psicóloga dele e do pessoal da equoterapia. Então, a escola me expõe o Pedro em sala de aula. Afirmo que reconheço aquele Pedro e digo: "é questão de tempo, agora, porque eu sei quem é esse Pedro que vocês me trazem e vejo ele melhorar seu comportamento aqui fora. Ele não se tornou santo, mas já melhorou. Precisamos entender o que está acontecendo aqui na escola...". Pronto! Assinei a sentença de mãe que deixa a mão queimar no fogo e, para eles, eu estava dizendo "Não. Meu filho não faz isso.". Pelo contrário,  o que eu estava dizendo era "Sim. Eu sei que meu filho é capaz de fazer isso, mas existe solução.". Percebi que estava sendo estigmatizada e incompreendida por conta do retorno em forma de um sorriso mudo de ironia como quem diz: "Mãe...". Compreendo o porquê da escola agir assim... vi mães e pais de coleguinhas de Peu afirmando categoricamente: "Não. Meu filho não faz isso!". Inclusive, houve um incidente entre Peu - e, dessa vez, ele foi vítima dele mesmo - e um coleguinha dele do tipo "sonso" - é, gente, criança sonsa existe, sim - onde o coleguinha grudava em Peu, quase uma sombra. Eles foram ao mesmo brinquedo, no parque, ao mesmo tempo, só que um de frente para o outro e colidiram. Os colegas foram testemunhas oculares - cômico, se não fosse trágico. O coleguinha levou aos pais que Pedro o empurrou. Como Pedro era "famoso" pelo que aprontava - hoje, essas mesmas crianças que levavam para casa as "artes" de Peu, levam um feedback diferente para casa e a escola nem se deu o trabalho de escutar e ver o que os coleguinhas estavam vendo... - os pais foram á escola. A professora explicou o que houve. Os pais, ignoraram as informações e perguntaram se "os pais desse menino estão sabendo quem é o filho deles?". A escola afirma que sim e que já estávamos empenhados no trabalho com Peu e sugeriram que eles observassem mais o próprio filho, pois ele seguia muito Peu, muito perto, quase colado e que essas colisões seriam mais frequentes. Os pais não gostaram. Burburinho entre pais, me chegou que ela - a mãe do coleguinha - iria pedir "a cabeça" da professora... Essa professora era tão bacana que a filha era aluna dela e ela sempre soube estabelecer os papéis de maneira muito sensata e sem comprometer a qualidade da sua aula. De tamanho modo que a filha dela, certa vez se mordeu e veio me dizer que havia sido Peu - pois ele batia muito nos colegas, na época - e ela viu a cena, interveio e explicou que ela havia se mordido. Ou seja, ela estava atenta a tudo, mesmo Peu dando o maior trabalho. Ser mãe de filho em fase escolar já é trabalhoso, imagine ser mãe e professora da própria filha? Mas ela deu conta e deu show! Dora, você é minha ídola! Essa confiança e abertura deu o tom ainda mais forte na parceria com a escola em prol de esforços para permitir e descobrir como agir com Peu a ponto de ajudá-lo. Esse era o foco. Por isso, essa de "meu filho não faz isso" é papo de pai e mãe cegos.

3 - No condomínio, como observadora: gente, não tem laboratório de observação de relacionamento melhor do que condomínio, viu?! Já morei em vários e de diversos níveis sociais. E é tudo igual: haja pai e mãe barraqueiro! "Onde houver mais de uma criança reunida, ali estarei", falou a voz do problema. E penso que essa voz nunca tenha falado tão sério! Pois bem, atualmente, vejo é coisa. Houve um incidente onde a mãe de um menino processou o outro, por conta de briga na quadra. O argumento que ela usou, nossa, mostrou o motivo do porquê o menino não evolui como ser humano e continua sendo sonso e conhecido nosso, dos pais que frequentam o play. Ela alegou que o filho havia sido espancado. E foi, mesmo. Só que, no dia anterior, eu mesma vi o filho dela batendo em outro menino - e menor do que ele - e xingando horrores; fora que esse menino, sem saber que eu estava por perto, estava ensinando Peu a xingar e dizendo que eram palavras bonitas, por exemplo, ele disse: "Peu, diga aí: po**a, car****, 'eu sou v**do' que você vai estar dizendo que é cara legal...", quando ele viu a minha sombra, saiu correndo e se escondeu, pensando, inocentemente - sim, eles têm esse lado inocente de que ninguém vê o que fazem... talvez isso seja reforçado pelas atitudes dos pais - que estava invisível. Ensinou a outro garotinho - que já anda com ele - a dizer "porra", porque no Aurélio, segundo ele, o mais novo, mostra que isso quer dizer "cara legal" e que o pai dele o ensinou. Lógico que o pai não ensinou para ele, mas ele sabia que daria mais credibilidade usar esse argumento. Mais aqui do condomínio - daria um livro de "vamos abrir os olhos e a mente para plantar boas sementes, em vez de sem mente (vi essa brincadeira com sementes e sem mentes no facebook e adorei!) : alguns meninos estavam arremessando pedras na casa do vizinho e, ao chamarem os pais, qual o argumento? "Não. Meu filho não faz isso porque não é a educação que dou para ele!". Pergunto: isso ajuda a resolver ou criar um problema maior? Em outro condomínio que morei, a câmera de segurança no elevador social estava com defeito, todos sabíam, até que um menino/vizinho, resolvei fazer xixi lá dentro, bem ao lado do síndico da época. O síndico, primeiro como pessoa, questiona aquela atitude e o menino responde que "meu pai paga condomínio para quê?". Pois, como ser humano transtornado e como síndico em sua função, acompanha o menino até em casa. Pede para conversar com o pai e relata o ocorrido. O pai: "prove que meu filho fez isso!". Aqui no condomínio: meninos sobem no teto na guarita de segurança ; escalam a lateral do edifício; brincam destruindo o parque infantil... molham todo o play ao sairem da piscina e correrem pela área que deveria estar seca... afrontam os porteiros, para mostrar "poder", monoploziam a quadra... O que eu penso: natural para um prédio com pouca área de lazer e tanto menino - do gênero masculino, mesmo - junto e sem orientação, educação e vínculo com os pais.  Sabe o que geralmente acontece? Os pais ficam brigados, fica um clima terrível no condomínio - porque, sim, influencia no coletivo - e os filhos dão a lição que ninguém aprende: eles mantêm a amizade! Eles brigam e se perdoam. Com uma boa influência do adulto, eles podem diminuir os índices de agressividade, o que não acontece. Aqui no condomínio tem muito "menino", imagina essa testosterona toda num espaço pequeno? Sem apoio e uma relação saudável entre pais e filhos - eu sei que existe a índole de cada filho, não ignoro essa interferência, mas a socialização estabelece um limite de ação, não de transformação, que permeia a pode colaborar - os condomínios continuarão sendo vítimas de si mesmos e da falta de educação moral e ética. Conviver passa a ser um desgaste, em vez de um prazer.


Como crescem as crianças que "não fazem isso!"? O que leva a nós pais e mães deixarmos a mão no fogo até queimar, em vez de ajudar o processo de transformação?

Não estou dizendo que a ma/paternidade seja tarefa fácil. Mas, facilitar para o vazio e superficial dessa maneira não ajuda. Aliás, ajuda a desconstruir.

A gente não precisa, por outro lado, estabelecer um tom de condenação, como eu fiz com Peu, de achar que ele estava envolvido em tudo de errado. É preciso estar aberto, disposto a compreender o que aconteceu e permitir que eles se resolvam. E nós, apenas mediadores - desde que sejamos justos de natureza e sensatos, não tendenciosos. 

Conviver é uma arte! Primeiro, aprendamos a conviver com nós mesmos. O demais, surge em consequência. É aquela história: "quem não sabe brincar, não desça para o play". 

Saudações maternais,

Pat Lins.

Para deixarmos um mundo melhor para os nossos filhos, deixemos filhos melhores neste mundo! Pat Lins.

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