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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

AMARELA DA SECA NA FLICA 2015

Foto: Camila Souza/GOVBA Camila Souza/GOVBA Camila Souza/GOVBA
Quando eu era pequena, sonhava em escrever e escrevia em qualquer pedaço de papel. 

Os papéis iam... as histórias, também. A mim, não preocupava onde estavam, ou a posse... As palavras saiam de mim, vivas aqui dentro, e nasciam, para viverem aqui fora. 

Sempre vi as palavras como "vivas" e como "vida". É vital, para mim, comunicar. E comunicar, para mim, é troca, via de mão dupla - ouvir, entender, falar, ser entendido e continuar girando esse ciclo.

E minha mãe dizia: "Guarda tudo para lançar seus livros ". Mãe,  nasceu o primeiro! 


Quando senti que poderia resgatar o sonho de infância e voltar a escrever, comecei a escrever em caderninhos. Depois, numa parta no computador. Depois, nos blogs. Depois, nas redes sociais. E escrevia. Escrevo.

Pequena, dizia que seria, quando grande, professora e escritora. Me graduei em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda e fui enveredando por essa área. Fiz especializações dentro da área de Comunicação - Teleradiodifusão e Relações Públicas com Metodologia do Ensino Superior. Um dia, uma amiga me convida para dar aula, numa faculdade no interior. No dia, me lembro como hoje, me questionei: "eu, em sala de aula? Nem tenho jeito para ensinar...". Peguei, de cara, quatro turmas... de sexto e sétimo semestres. Tremia. Sabia o assunto na teoria e na prática..., mesmo assim, como ordenar isso tudo? Como saber a hora de dizer o que, quando, como, onde e por quê? Foi um desafio que começou em 2005 e vibro, até hoje, por ter encarado! 

Eu era o tipo "tia legal". Toda criança gostava de brincar comigo e me ouvir contar historinhas. Uma prima me pedia para inventar. Ela não queria que eu repetisse o que já conhecia. E criei várias para ela - uma está saindo do forno, em homenagem ao nome da personagem que ela me deu há uns 20 anos... é... o tempo contado em números parece tão distante... para mim, foi agorinha. Interessante que meu filho, desde muito novinho, me pedia: "conta história de boca, mamãe", que vem a ser o que, hoje, ele chama de "histórias inventadas"... Afinal, todas as histórias nascem da invenção de alguém, né?! Mas, ele queria ouvir as da mamãe dele. Qual criança não pede isso?!

Criava peças, na infância e apresentava na frente de casa, com meus irmãos e vizinhos - éramos todos uma família só. Muito, muito divertido, mesmo!

Já adulta, continuava a escrever em papéis. Me dizia: "preciso direcionar minha atenção para o trabalho" ou para estudo, ou para preparar as aulas - que não via como trabalho e sim como prazer. Até que meu filho nasceu e minha vida mudou. Mudou mesmo! TUDO. Coisas muito ruins aconteceram e coisas muito boas, também! Era tudo "over". Até que, ele, que com dois anos soletrava, com 5 bloqueou e não queria ler, nem escrever nada. Entrei em pânico. Foi isso, mesmo: pânico! Fui em busca de orientação profissional e eram questões emocionais - inclusive, com a escola na época que era maravilhosa, mas, todo mundo erra, né verdade? Enfim, comecei a escrever... Criei o blog "A dor só dói quando está doendo", há alguns anos chamado de AQUI E AGORA. Na verdade, comecei a escrever nele, um pouco antes, mas o segundo nasceu desse dilema. E nasceu o "Mães na Prática". Chamei de escritoterapia. Falava sobre as questões, sem abrir minha vida. Meu objetivo era me ler, racionalizar.

Aí, um dia, uma grande amiga e escritora, Morgana Gazel, me disse: "você tem muito jeito de escritora". Interessante é que, muitas pessoas me diziam isso, mas eu só dizia: eu gosto de escrever, para mim é um prazer! Só que, nesse dia, mesmo ela já tendo me dito a mesma coisa milhões de vezes..., eu escutei e deixei entrar.

Um dia, outro amigo me enviou o link da Secretaria de Educação do Estado, só que o prazo estava encerrando em uma semana. Corri! Um sufoco! Meu amigão Isac Kosminsky e Juliana Santos - preciso citar esses nomes, em especial - viraram noites para me ajudar na ilustração... Foi um sonho sonhado há seis mãos! Fiz a inscrição. Só de me inscrever, me senti  Escritora. Me inscrevi como Escritora. Assumi, aceitando que, sim, eu escrevo! 

Foto: GOVBA em 02/06/2014
Quando fui selecionada... tá, assumo: chorei, muuiittttoooo!!!! Eu, além de sentir, era "oficialmente" Escritora com livro publicado! E, que maravilha, para crianças do ciclo de alfabetização de toda a rede pública do Estado. Publiquei poesias, em antologias poéticas e isso tudo, em dois anos. Não. Não sou famosa, não saio em capa de revista... Mas, pude ver minha filhinha, recém nascida, "Amarela da Seca", ir para a FLICA - Feira Literária Internacional de Cachoeira/Ba. Pois é... ver os filhos crescerem. 

Foto: GOVBA em 02/06/2014
Outra coisa que muito me emocionou foi, quando recebi o prêmio, ano passado, meu filho estava nessa fase de desbloquear a leitura e escrita e ele ficou tão emocionado com a mãe escritora que, sabe o menino com dificuldade de ler e escrever? Escreveu - do jeito dele... - um livrinho com a psicóloga dele e levou no dia da premiação. TODOS os autores presentes tiveram o privilégio de ler seu manuscrito. Sim: MANUSCRITO. E com ilustração. Isso foi um estímulo tão positivo que me fez ver, ainda mais, a importância da leitura na vida das pessoas. Gente, ler é viajar por muitos lugares! É conhecer mundos novos e acreditar que isso não tem fim. 

Como ocorreram alguns probleminhas burocráticos, a publicação e o lançamento dessa coleção só saiu agora, em 2015. Mas, não foi por falta de vontade da equipe do projeto. Eles suaram e sofreram duplamente: por não conseguirem concretizar como idealizaram e por serem cobrados e condenados por nós, autores. Nada que com esclarecimento e boa vontade não se resolva. Disse para eles que foi um parto de fórcipes. Nós, autores, pudemos sair da maternidade com o filho no colo, pela primeira vez, tocá-los! Eles nasceram! A equipe que trabalhou para fazer o parto, a Secretaria de Educação do Estado da Bahia, puderam ter a sensação de dever cumprido! E todas as crianças do ciclo de alfabetização do Estado poderão viajar, dentro das próprias origens! Se identificam com os personagens, que podem ser qualquer um deles. E essa foi minha maior lição: entender, aqui e agora, que o que importa é o aqui e agora, sempre! E o propósito maior, de ver as histórias vivas, vivendo e sendo vividas, vívidas sob o sol e sob o luar, à beira de um rio, ás margens da fronteira do ir e vir, do partir e chegar, do, simplesmente, as palavras poderem chegar a qualquer lugar/gente, que possa ali passar e ler, em cada criança, professor, funcionário de escola pública que, ao receber, abrir e ler e ir, para onde cada história os conduzir. Ver meu filho querer concluir seu livro, junto comigo, gente, não tem preço! Aceitar que, mesmo com tantos obstáculos, esses livros nasceram é o que deve ficar; é o que fica; é o que é!

 
Fotos: arquivo pessoal

Fiquei muito feliz com o resultado! Muito feliz em ver cada criança, no stand, em meio à praça pública, poderem tocar e, sim, abraçar, como algumas crianças fizeram, os livrinhos da coleção PACTOS DE LEITURAS . Na Flica, foi apenas exposição. Os livros são destinados para as crianças das escolas públicas do Estado. Muita gente interessada em comprar a coleção, mas, por enquanto, nenhuma editora nos conhece - quem sabe, a partir de agora, os livros possam ir além? Olha, aí, Companhia das Letrinhas e outras... As histórias são lindas, bem escritas e falam com a criançada, numa linguagem limpa, clara e lúdica, sobre aceitação, respeito, cooperação, infância, história de alguns lugares... 

Estou feliz, por poder viver o aqui e agora e digo, bem como repito a todo instante: que bom que existe o agora!

A, a FLICA, acontece de 14 a 18 de outubro, na cidade de Cachoeira, Bahia. Os livros estão lá, todos pendurados para quem quiser ler, debaixo de lindas árvores, numa praça pública que simboliza a independência da Bahia - praça Dois de Julho. E leiam, leiam, leiam! Como cantam os personagens do "Circo de Só Ler" - espetáculo teatral de Salvador, muito bom e que meu filho ammaaaa e escuta as músicas diariamente: "leia, leia, leia, leia, porque quem lê clareia, clareia a visão...".

Pat Lins.


Foto: Noelia Barreto

Foto: Arquivo Pessoal -
Escritoras Noelia Barreto, Adelice Sousa, eu, o escritor homenageado - Antonio Torres -, Secretário de Educação do Estado da Bahia, Osvaldo Barreto e a escritora Vanina Cruz, em  Praça Dois de Julho - Cachoeira/Ba
15/10/2015


terça-feira, 8 de abril de 2014

DICA DE FILME - KIRIKU E A FEITICEIRA


 


"Kiriku e a Feiticeira" é um filme muito lindo! Ele é baseado em lendas africanas, mas podemos dizer que é um conto de fadas na África.

Fala de tanta coisa, através de um pequeno menino que já nasce falando e determinado em ajudar e libertar sua vila do mal, que é impossível listar aqui tudo o que aborda. Fora a questão da simbologia que é muito subjetiva.

Enfim, um filme que vale muito a pena ser visto, sentido e sorvido, como quem bebe um delicioso chá.

De pequeno nos fazemos grandes. Por isso posto aqui, para nós, mamães. A presença da mão de Kiriku é muito forte. Uma figura que estimula o filho a seguir em frente. Por mais forte que ele seja, sabe que conta com o apoio dela. Como o amor pode salvar nossos pequenos e permitir que sejam quem são; respeitando seu espaço e dando limite com amor! 

A maior lição que eu, Patricia, captei foi de como o amor liberta. Para o pequeno, o mais importante é entender o motivo de tanta maldade, não só na feiticeira, mas nas pessoas que estão ao seu redor... ele ajuda tanto e salva a vida de tanta gente... mas as pessoas são ingratas e continuam a cometer os mesmos erros. Como transformar algo, se fazemos tudo igual? Kiriku não quer ser um homem omo os outros. Ele não quer escravizar, ele sente o desejo de libertar, com uma única condição: com amor e pureza! Sem julgamento ou condenação. Sem desejo de morte ou destruição. Apenas fazendo o que precisa ser feito, como deve ser feito: enfrentando os medos, os desafios, descansando e seguindo o tempo de ser de cada coisa. Nossa, tem muita lição no filme. A gente se identifica de cara, com cada personagem. Muito lindo! Fora que trabalha a diversidade cultural. Independente da cultura, ser humano é ser humano e todos precisamos assumir a responsabilidade em cada ação. 

Eis um link para quem quiser ver pelo youtube:




E vamos subindo cada degrau! De "por quê?" em "por quê?" a gente pode chegar até o surgimento do mundo... 

Algumas frases que me encantaram:

"As vezes me canso de lutar sozinho! Sou muito pequeno e me sinto assustado..."

"Precisamos ser gratos quando pequenos, porque só sendo pequeno dá para passar por onde você passou. E devemos ser gratos quando crescidos..."

"- ... me dá um amuleto para me proteger da feiticeira?

- Não! A feiticeira conhece todos os truques e amuletos. Um coração puro e inocente e inteligência livre e alerta são suas maiores proteções!"

Frases - adaptadas pelo que lembrei... - do filme "Kiriku e a feiticeira".

Assim é a vida que criamos: com ilusões, medos, dores... tanta culpa, que a maldade cresce sem uma razão aparente... mas com todo espaço propício. O mal é apenas um bem maltratado e muito traumatizado, com dores tão profundas que melhor ficar comodado à ela do que ter que sentir a dor de curar... Daí, vira uma bola de neve gigante. Mas, com amor e determinação, a cura pode chegar. Se a gente não alcança ou não tem força para retirar aquele espinho envenenado no meio das nossas costas, podemos aceitar receber ajuda e cuidado. Podemos nos deixar curar. E tem gente com mais dor do que mãe? Culpa - "Por que não consigo ajudar meu filho?"; medo - "e se meu filho não for um grande engenheiro?" ou "O que será do futuro do meu filho, se eu não mostrar o melhor caminho para ele?"; cobrança - "Tem que fazer assim! É assim que todo mundo faz!"; vaidade - "será que as pessoas vão saber que sou uma boa mãe?"... e por aí vai. Isso tudo vai entrando e enraizando em nossas mentes. 

Emoções mal ou nunca trabalhadas pode desencadear essa gama de maldade que vivemos e continuamos a seguir por aí. Isso tudo cria as mentes cruéis e esse estresse todo que vivemos atualmente. É tanto medo de não dar conta de tudo novo que descobrem a cada dia que qualquer um pira... Urge a necessidade de começarmos a fazer diferente. Não temos que ter medo do mundo que nossos filhos irão viver. Precisamos mostrar para eles que tem o que está e que dentro de nós a paz pode imperar. Se cada mundo individual encontrar a paz interior, será um mundo a mais para ajudar a paz no mundo, na Terra. 

A Mãe Terra pede apenas que sejamos bons filhos, não grandes destruidores alegando construção.

Espero que assistam e gostem. Preconceito é apenas uma barreira... e um terreno fértil para a destruição.

Saudações maternais, para todas as tribos - cada parte que compõe o todo Terra,

Pat Lins.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

LIÇÃO DIÁRIA: APRENDER - ENSINAR - APRENDER - ENSINAR - APRENDER...


Pois é... a gente aprende muito enquanto ensina. E ensina muito, enquanto aprende!

A vida é movimento, rigidez é morte.

É por essas e outras, que a maternidade me ensinou muito. Enquanto aprendia, também ensinava..., que a vida é um livro aberto e com folhas em branco à vontade. Caso a gente vá e perceba não é ali, temos como voltar e reescrever, sem precisar rasgar, apenas, virar a página e (re)começar.

Com criança a gente relembra que tudo é mais simples do que pensamos... o problema é que pensamos demais e em demasia excessiva - redundância necessária. E acabamos pensando tanto que nos perdemos no pensamento e no mundo imaginário, que passa a ser real.

Pat Lins - mudanças maiores, pensamentos mais profundos... aprendizados mais frequentes com ensinamentos, consequentemente.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"MÃE, VOCÊ NÃO VAI MORRER POR AGORA NÃO, NÉ?"

Adoro essa foto!

Estávamos, ontem, sentados à mesa para almoçar e ele de cabeça baixa, comendo e me olhando.

De repente, ele me olha e manda:

- Mãe, a mãe de Ben 10 morreu há quase 10 anos e ele está com 10 anos... Ele não tem mãe...

- E...

- E você não vai morrer por agora, não, né? Você vai viver um tempão, né?

- Filho, cada um morre no dia certo. E não deve ser tão ruim assim, já que isso é para todo mundo, né? Depois a gente fala melhor sobre esse assunto, pode ser? Mamãe não sabe como te explicar agora. Mas, eu estou aqui, bem aqui, com você!

Ele levantou, com os olhos marejados, me abraçou um abraço super-mega-hiper apertado e disse: "EU TE AMO, MUITO, MÃE!".

Oh, gente, tem coisa mais linda?

Mãe erra, acerta, enfia os pés pelas mãos, é chamada de bruxa quando diz "não", mas, existe um algo maior compreendido pelo filho que ele pode não saber como dizer, mas, nessas horas, a gente vê que estamos unidos, sim, por uma boa base de AMOR!

Também AMO VOCÊ, filho! Isso não me impede de ser como e quem sou, mas, me motiva a querer ser melhor a cada dia e sempre me permitir a aprender mais e mais!

Saudações maternais,

Pat Lins.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

"MÃE, EU NÃO QUERO SABER DISSO DE MORRER..."


Papo cabeça com Peu. 

- Mãe, será que dá para a gente conversar um pouco sobre essa coisa de morte?

- Claro, filho! O que você quer saber?

- Eu não quero saber disso... Por que todo mundo tem que morrer? Por que isso de "todo mundo morre um dia?".

Mamãe leva uns segundos para pensar... o tom da conversa era sério e profundo. Não dava para sacar de cara qual era a dele... se era só um papinho tipo "filho, isso é normal" e deixar para lá ou "filho, isso é normal, mas veja só...". Bom, ele sacou e deu o novo tom. Era o que eu imaginava: papo seríssimo!

Respirei fundo, para ser honesta na resposta, mas, não assustar com meu ponto de vista. Mas, Peu é Peu e tempo para ele é algo que parece que o mundo vai terminar no próximo segundo. O menino tem uma sede voraz e fome destruidora de vida que valha-me Deus! E ele cobra a resposta - isso tudo é contabilizado em frações de segundo, só para situar quem estiver lendo. 

- Mãe, eu não quero morrer Nem quero que ninguém morra mais. Pronto! Vou apagar essa palavra: morrer.

- Filho, veja bem... A morte não é algo feio. Quando a gente morre, se fez tudo bonitinho aqui, em vida, vai encontrar muita coisa legal. Vai ter a oportunidade de estar perto de Deus. Você não gosta tanto de Deus?

- É, mas eu não quero ver Ele eu morto.

- Filho, você está começando a vida, pode ficar despreocupado e tranquilo. Em vez de ficar aí, pensando na morte, pense na vida. Dizem que a vida continua, um dia..., depois da morte. Aproveite cada dia a faça algo melhor para você, para os outros. Faça alegria. Seja sempre feliz! 

- É,mas Caio disse que quer destruir o céu, as estrelas e Deus. Eu não vou deixar!

- Filho, deixa Caio para lá. O que você quer fazer? Olhe lá, as estrelas brilhando. Olha o céu, que lindo. Vamos falar de mais coisas boas, vamos?

E ele acalmou. Não disse mais nada. Fomos para meu quarto - onde ele gosta de deitar para fazermos chamego antes dele ir para a cama dele. E, olhando fundo em meus olhos, pude ver mais um pouco de Peu que, raramente, permite esses momentos de quietude e reflexão. Ficamos olhos nos olhos por uns dois minutos, abraçados e com um sorriso gostoso no rosto. Depois, voltou-se para o filme dele.

Não sei o que ficou na cabecinha dele. Mas, sei que eu preciso é fazer valer a minha vida. Cada segundo, de verdade e na prática. Fazer o meu melhor, ainda mais, a cada dia. Isso é que fica. O resto, vira passado. Isso, fica no presente para sempre!

Filho, eu te amo muito! E você faz muito sentido! Um dia, quando todos nós formos capazes de entender e aceitar as diferenças e que nem todo mundo que é diferente é doente, talvez seja bem possível entender o que você diz todo dia, com suas ações: mexam-se! 

Não é fácil te educar, porque o tempo inteiro você me faz entender que só com a coerência o diálogo é possível e mamãe não consegue ser coerente full time. Mesmo assim, você entende isso. Hoje, eu pude ver o quanto a vida é importante para você e o quanto convenções rasas e superficiais não te dizem nada. Para você só faz sentido aquilo que vem da nossa alma, com muita verdade. 

Só te vendo assim posso ver que você tem muito mais aí, dentro desse corpo agitado, que veio com a pilha do mundo todo... Te amo, meu bem! Do fundo do meu coração. Pelas portas de minh´alma que você sempre vê quando conversamos e com esse carinho sincero que emite, nesses nossos momentos a sós. Obrigada por ser meu filho!

Pat.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

AUTISMO: EXISTE VIDA LÁ FORA!

Dia 2 de abril é o dia Mundial de Conscientização do Autismo e, como todo o ano, o "Mães na Prática" gosta de lembrar dessa data, onde os pais, amigos e pessoas que querem manisfestar seu apoio, vestem-se de azul. Azul, como é o planeta Terra. Azul, como deve ser a cor de quem precisa de nosso carinho, de nosso cuidado e da proteção diária. Azul, como o céu e sua mensagem de infinito. 

Quando alguém ouve falar em autismo, lembra-se do filme "Ray Man" ou, descrevemos como "crianças que vivem num mundo próprio". Quando uma grande amiga descobriu que sua filha é autista, foi um choque para todos. Como lidar? Como cuidar? Como é o mundo dela? 

Para mim, o mundo de Louise, uma encantadora menina de 11 anos é muito colorido, como o da Hello Kitty. Para a mãe - que enfrenta a barra sem o apoio do pai da menina, mas, com o apoio integral da família dela e do noivo - o mundo é puxado. Mas, como veremos nos depoimentos a seguir, entrar no "mundo de Louise" é viajar para esse mundo colorido. Enfrentar as dificuldades sociais é muito mais difícil. Não entendo porquê somos tão cruéis... Nossa sociedade é muito carregada de tanta coisa ruim e, não entendo, como tanta gente, com tanta lição de vida para passar acaba sendo limitada por uma barreira que essa sociedade impõe, em vez de, simplesmente, aprender.

Neste post, quem fala são elas. Duas mães de gerações diferentes, mas, unidas pela mesma batalha. Uma - Joanice -, já consegue ver, na prática, que "existe vida lá fora", ou, aqui fora, para os autistas. Esta, conseguiu não apenas superar seus próprios desafios, como conseguiu dar ao filho força, base e despertar a coragem para ele viver o mundo cruel "aqui fora", hoje, homem, adulto, jornalista e trabalhador - Gustavo Medeiros. A outra, fala de sua experiência com sua filha de 11 anos, que já nasceu nos dando lição de vida, bravura e vontade de viver. Mostrando que garra e força sugre dos momentos de fragilidade. Portanto, abaixo, neste post, duas mães na prática que nos darão lições preciosíssimas, como mães e como pessoas. No post seguinte, o Gustavo Medeiros nos brinda com sua ótica de dentro para fora sobre a relação do portador da síndrome de Asperger - o autista - com "seu" mundo e "o mundo aqui fora" e nos diz que a vida existe.
Vista-se de azul, de corpo e alma, porque azul é o céu, azul é o mundo e colorida é a vida!

Uma observação importante do "Mães na Prática": aqui, não temos preferência religiosa. Respeitamos as escolhas de cada um e permitimos suas livres colocações acerca de suas crenças, desde que não manifeste hostilidade e/ou agrida de alguma maneira outras pessoas. Portanto, peço, portanto, que toda leitura seja feita respeitosamente.

Sem mais delongas, afinal, elas vão nos dar essa honra, agora:

"Bom, hoje posso lhe afirmar que ser mãe de um jovem com ´sindrome de asperger', é viver com borboletas no estomago, sempre a espera de novidades, sejam boas ou não tão boas.Porem eu sempre tive um orgulho imenso de te-lo como meu filho, nunca achei que ser autista era motivo de vergonha , ou trabalho. A cada aprendizado, que com esfoço e persistência ele conseguia superar, eu mais e mais o amava. Hoje olho para tras e percebo o quanto fomos guerreiros, enfrentamos todas as adversidades com garra e determinação, muito AMOR e PACIÊNCIA, essa é a chave para tudo. Estamos ainda nesta grande batalha, cad adia enfrentamos novas e velhas dificuldades, mais o melhor é que não estamos só!Acredito num Deus que sabe de todas as nossas necessidades, e nos fortalece nesta caminhada. Nunca escondi de ninguem o fato de que ele era diferente de nós neurotipicos, e fui atras de ajuda, o que mais me preocupava era sua independencia, que ele soubesse se virar sem a minha proteção, os meus cuiddados, e precisava de muitaaaa paciência , disciplina, disciplina..., ve-lo não como um coitadinho, ou algo parecido, mas sim como um ser que tinha potencial para vencer. Claro que existe varios niveis de comprometimento dentro do espectro autista, e o seu é bem leve, ele não é um autista classico, o seu intelecto é muito bom, e consegui entrar de alguma forma em seu mundo e junto com ele emergir. Claro que sem ajuda seria impossivel, a minha crença ajudou muitoooo, somos espiritas, e cremos que nossa vida é um eterno aprendizado, e que passamos por muitos processos , estamos interligados com o plano fisico e o espiritual, e nada é por acaso. Neste momento entendo que estamos contruindo um novo futuro, espero que tudo que vivemos e experenciamos nos sirva lá prá frente, que ele comprenda o porque veio assim e eu que tenha feito o que presisava ser feito: Uma pessoa do bem, digno, feliz." - Joanice Costa de Oliveira – mãe do Gustavo Medeiros


"Vivenciar o Autismo é como atravessar uma tempestade sem proteção alguma. É vivenciar uma desordem em tudo que se acredita. É mudar seu rumo, reorganizar seus valores e por fim evoluir em busca de seus significados. É crescer sem querer e nunca mais querer voltar a ser! É colocar seu amor á prova todo dia e provar que ele é invencível!

Vivenciar o Autismo é amar incondicionalmente!

Minha filha Louise, fez 11 anos. Cabelos escuros lisos, pele branca, riso fácil. Docinho poderia ser seu apelido. Basta olhá-la! Louise respira doçura!

Nossa! Ela é linda, misteriosa, esperta, mas inocente!

Convivo diariamente com esta menina estranha, diferente! Ela fala pouco. Mas basta conhecê-la para entende-la! Eu a entendo tão bem, que pensar que não fala tudo direito, até parece estranho!

No ano passado, finalmente aprendeu a usar chinelo de dedos. Desde que aprendeu a caminhar eu tentava fazer com que usasse, mas ela deixava cair do pé logo no primeiro passo que dava. E nem ligava pra isso! Agora, adoro vê-la caminhar pela casa e ouvir o barulho dos chinelinhos! Como uma coisa tão banal pode tornar-se de repente tão maravilhosa? É por isso que confio em Deus! Ele faz as coisas pequenas tornarem-se grandes. E mostra como podemos ser felizes com pequenos mais importantes acontecimentos!

Mas ainda espero um final feliz pra história da minha menina autista!

02 de abril Dia mundial do Autismo, vista-se de AZUL!!! " -
Niedja Bandeira - mãe da Louise - dois dos meus grandes amores nessa vida e que me fizeram entender que toda mãe, na prática, tem seus inúmeros desafios e, seja qual for o desafio, AMOR é, não só a palavra-chave, mas, o sentimento que salva, cura e, acima de tudo, dá sentido à vida! E, por mais esse motivo, hoje, eu visto azul no corpo e na alma!

Saudações maternais,

Pat Lins. 

EXISTE (SIM) VIDA ALÉM DO AUTISMO - POR GUSTAVO MEDEIROS

Quando repensei o blog, muitos temas importantes surgiram em minha mente e este era um em especial. Não caberia em palavras minhas, explicar se "existe vida lá fora", considerando a referência de "mundo próprio" que temos dos autistas. Foi quando tive a honra e o prazer de conhecer a história real e diária do Gustavo Medeiros. E essa lição é de vida, de superação reforça a minha idéia central de vida de que todos somos iguais, por sermos humanos e cada um carregar o seu próprio desafio, entretanto, a maneira como o Gustavo retrata sua vida, nos mostra o quanto ainda temos muito que entender sobre essa questão. E o quanto muitos de nós nem sabe que lidar com as diferenças é lidar, apenas, com o fato de cada um ter suas características próprias e merecem respeito, acima de qualquer coisa.

Não vou, não devo e nem tenho como me alongar aqui. Eis o texto/depoimento do Gustavo Medeiros, homem, adulto, jornalista e portador da síndrome de Asperger:


EXISTE (SIM) VIDA ALÉM DO AUTISMO
Por Gustavo Medeiros - Jornalista DRT BA 3890

Quando me propuseram a fazer um texto para comemorar o dia de conscientização do autismo, me senti desafiado a escrever sobre mim e provar que existe (sim) vida além do espectro autistico. Como portador da Síndrome de Asperger, me sinto não somente diferente dos outros que se dizem neurotipicos, mas capaz de realizar coisas que nem uma pessoa dita “normal” poderia fazer ou poderia não fazer.

Através das minhas superações, alcancei vitórias e hei de alcançar outras. Superei as expectativas daqueles que não davam muito por mim e surpreendi as falsas perspectivas de que não conseguiria ser o que hoje sou: Um ser (quase) realizado. Enfrentei, com muita dificuldade, as brincadeirinhas de mau gosto dos coleguinhas da escola regular e no “mundão” por aí afora. Nunca fui entendido pelo mundo, a não ser por meus pais, pois não é obrigação da sociedade aceitar, engolir um garoto autista como um problema a ser resolvido na base da pancada.

O que importa, no momento, é olhar para trás e entender que superei tudo na base da insistência, pois sempre acreditei nos meus sonhos. Sim!!! Para quem ainda não acredita (ou compreende), um autista como eu também tem sonhos e tenta alimentá-los a cada dia. Possui ideal de vida e luta por ele. È um cidadão comum, que vota e cumpre seus direitos. É assim que me sinto, no entanto o que me diferencia dos “iguais” (se é que igual existe) é a forma de sentir o mundo, de amar as pessoas e expressar os sentimentos.

Ainda tenho uma certa dificuldade em entender metáforas, malicias e sutilezas que norteiam os caminhos do NTs na sociedade. Me sinto frustrado, às vezes, mas entendo que não deve ser assim. Por incrível que pareça, essa nossa dificuldade tem lá o seu lado positivo: o da ética e o da honra, pois não sabemos mentir nem disfarçar as mentiras.

Somos explícitos na arte do sentir; expomos, a nossa maneira, o peso das decepções, e dos desamores. Aliás, autistas também amam e sofrem por amor e por não saber corresponder a esse sentimento. Talvez pelo fato de nos faltar a empatia, de tentar (ao menos) estar no lugar do outro, sentimos essa frustração. Sendo assim, ainda me falta o entendimento de que o outro precisa receber o feedback, o retorno da troca dos afetos em um relacionamento amoroso.

Mas, além da penumbra de todas as angustias, existem as alegrias de cada superação; o sucesso que está em cada vitória conquistada no dia a dia. É a certeza de que a nossa capacidade de “estar no mundo” vai além dos quartos escuros, dos movimentos estereotipados e repetitivos, dos grunhidos e barulhinhos incompreensíveis que fazemos durante a infância. Porém, isso não mostra nada, a não ser o fato de sermos especiais dentro das nossas particularidades. Somos diferentes, somos aparentemente normais. Sou a prova viva que existe sim vida além do autismo.

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