sábado, 8 de setembro de 2012

O PODER DA VISÃO


Esta semana, mesmo em meio a tanta turbulência e pouco tempo cronológico, tive acesso a levantar de questões que me deram um gás e um impulso para que eu renovasse minhas forças.

Como mãe, somos tachadas de "chatas", por brigarmos por nossos filhos. E é aí que entra meu questionamento: "somos sempre chatas?". O grande desafio é dosar onde somos cegas, por estarmos muito envolvidas, e onde estamos vendo além, por estarmos muito envolvidas. 

Já deu para perceber que estou engasgada, não é? Pois é! Mesmo assim, tenho consciência de que isso não me faz bem e que não ajuda em nada no meu objetivo. Estou conversando comigo e com pessoas "qualificadas" para conseguir diluir essa situação e conseguir manter o foco onde devo: objetivo. E é isso que deixo claro agora: meu objetivo é ajudar meu filho a se desenvolver como pessoa. Para isso, estabeleço metas e as cumpro, as avalio e mensuro, ao final. O que atingiu o resultado esperado, me dá forças para continuar. O que não atingimos, ainda, revemos nossos conceitos e refazemos a maneira de fazer. Mudo de estratégia de tempo em tempo, tentando, sempre, para descobrir como melhor ajudá-lo, vendo-o como e quem é e fortalecendo sua base moral e de valores - eu acredito nisso! Pois bem, firmei boas parcerias - parece papo de negócio, não é verdade? - e muitos frutos estão brotando, agora. Não é fácil semear, regar e colher sozinha. Nada na vida se faz sozinho, apenas as decisões, as escolhas. Mas, o definir e o seguir pode ser fruto de trocas, de aprendizado. Vou conseguir me focar no objetivo com a emoção necessária: a fé! A fé de que tudo merece uma oportunidade para ser diferente. Pode até não ser, mas, se não tentar, como saber? Se não souber o que se quer alcançar, como saber como ir e onde chegar? Vou seguindo...

Pois bem, uma das mensagens de reflexão mais bonitas que tive foi esse "O Poder da Visão". No outro blog, o AQUI E AGORA, apresento outros que conheci esta semana e que me enriqueceu tanto os pensamentos.

Faz mais ou menos quinze dias que só recebo feedback positivo de Peu, com relação ao seu comportamento e seu desenvolvimento pedagógico. Milagre? Não. Teoria colocada em prática para se tentar algo novo e diferente. Se há uma suspeita e se havia sugestões para tentar comprovar ou refazer as hipótese, em prol do desenvolvimento de um pequeno ser em formação, não entra em minha cabeça a postura dos profissionais de educação envolvidos no "caso". Para mim, se trata de profissionais de educação, pessoas que foram lá, entraram numa faculdade, concluíram, fizeram suas titulações para cima e esqueceram de se perguntar: "essa é minha vocação?" ou "esse é o meu sonho?" ou "qual o meu sonho?". Enfim, a escola deu a chance, a oportunidade para essas profissionais porque percebeu algum potencial. Mas, eu, de fora e doída, questiono até onde esse potencial é real ou não... Puro julgamento meu, que pode ser desencadeado por diversos fatores e, com isso, estar "contaminado". Como elas assim fizeram com meu filho. 

Um resumo da situação inicial:

Meu filho sempre foi muito ativo. Como tudo que entra na "moda" das novas nomeclaturas de patologias, cai  na boca do povo e tendencia os diagnósticos, eu, assim como muitos outros leigos, achamos que ele poderia ser um TDAH - hiperatividade. A pediatra dele, da época, me dizia: "a hiperatividade não é só a agitação motora. Existem crianças hiperativas que não têm essas aceleração. É uma aceleração mental que faz com que a criança não tenha foco e passem mil informações ao mesmo tempo em sua cabecinha...Eles tê dificuldade em interagir com a realidade... Não é o caso de Peu. Ele interage e interage bem...". Fiz o tal do eletro e a neuro me disse que ele não era TDAH, que, possivelmente, tivesse inteligência acima da média associada a alguma outra característica, como ansiedade. Sugeriu que fizesse avaliação psicológica e psicoterapia, para ajudar. Ele tinha 3 anos, nessa época e estava entrando na escola. Como não tínhamos condição de pagar a psicoterapia, adiamos.

Quando ele estava com 4 anos, eu engravidei e perdi o bebê. Ele ficou mais agitado e desencadeou uma agressividade na escola - e que era uma nova escola. O que nos chamou a atenção, foi que ele sempre teve o mesmo comportamento em todos os lugares. Nessa época, na escola ele mudou o padrão de comportamento. Ficou agressivo e não aceitava os limites. Tudo bem que aqui fora ele também não aceita limite com facilidade, mas, ele tem e acaba, por consequência, se encaixando e sendo envolvido por eles. Pois bem, pedi a escola uma indicação e me deram. Estamos com ela até hoje. Primeiro pelo trabalho brilhante que desenvolve. Segundo, pelo compromisso que tem e o cuidado de observar e estudar com olhos abertos, sem fechar ou desconsiderar nada. 

Pedro começa a dar sinais de melhora. Mesmo assim, é muita demanda. Uma coisa que todos concordam - todos, leia-se: amigos psicólogos que tenho, pedagogos e pessoas entendidas do assunto ser humano, além das professoras anteriores e da psicóloga dele - em uma coisa: ele tem uma inteligência acima da média. Isso, por si só, é um desafio gigantesco. Muitas mães se sentem envaidecidas, eu me sinto mais responsável pelo bom aproveitamento dessa inteligência. Ele tem um perfil de liderança, natural. O que aumenta o meu desafio e empenho. Me cuido, para cuidar dele. Isso não me torna perfeita, mas, uma mãe em constante busca e transformação, na prática. Este ano, com 5, ele continua na mesma escola, só que no prédio maior. O que melhorou um pouco, no ano passado, começa a desandar... Apenas, dentro da sala de aula. Eu, exclamo sempre - seja em reunião, seja em contato com a pró ou equipe de coordenação: "Isso é estranho! Ele tem melhorado tanto... Precisamos investigar o que passa na cabeça dele para agir assim dentro da sala...". Nem percebia que estava sendo "a chata". Meu objetivo foi mal explicitado: eu, naquela época, não duvidava do trabalho da equipe... eu tinha a referência da equipe anterior e estava com ela muito forte, portanto, para mim, o processo estava tendo continuidade. Na última reunião, no final do semestre passado, a coordenadora nos disse: "olha, eu não sei quem é Pedro. Outro dia que eu fui ver que ele sabia as vogais... Talvez, vamos observar durante o segundo semestre, ele tenha que repetir o grupo 5...". Eu, lógico, questionei: "Tem algo que possa fazer em casa para reforçar? Algo que ajude a desenvolver, tipo uma professora em casa, algo assim. Porque se mandarem pintar um ovo de rosa eu pinto, se vir que deu resultado positivo, compro uma dúzia. O que for preciso fazer para ajudar, contem comigo, porque sou a parte mais interessada nessa parceria em prol do desenvolvimento do meu filho...". A coordenadora apenas deu um meio sorriso, e diz: "Não, mãe, não precisa fazer nada. Apenas estabeleça mais limites para ele". Eu coloco: "se eu apertar mais, é capaz de romper...". 

Fui me abrir com a psicóloga dele: "Não sei, mas eu tenho a impressão de que tem algo errado na condução do processo com Peu, este ano... Durante todo o semestre, Peu não rendeu nada na sala e o comportamento dele lá, só piorou. Tem algo lá que preciso detectar... A coordenadora me disse que talvez ele tenha que repetir a grupo... O que me chama a atenção não é o fato dele ter que repetir, mas, o argumento de que ele não sabe nada... E que ela não sabia que ele sabia as letras... Concordo que o comportamento dele lá está complicando, mas, até essa agressividade, não sei, me soa como algo reativo... Como faço para entender melhor essa situação? Meu lado mãe coruja pode estar tentando tendenciar minha visão e me fazendo ver coisas demais, mas, eu sempre me esforcei para ver Peu como é e só assim comecei a saber lidar com ele... Eu preciso fazer algo para ajudar meu filho. Se ele tiver que repetir, ao menos, poderia ajudá-lo e não repetir seja lá o que for... senão, vai  ser esse mesmo estresse de novo...". Ela ouviu calada. Até que, por fim, me disse que havia tido uma reunião, antes da minha, com ela, e a professora do grupo anterior entrou com um dado que contradizia a opinião da coordenadora e, que ela mesma, a psi dele, já havia sugerido atividades diferenciadas para tentar atraí-lo pelo que ele tem mais afinidade e ir desenvolvendo. E ficou espantada em não ter sido ouvida e, muito menos, levada em consideração. Pois bem... nada feito. Semestre perdido. Em casa, via o progresso dele na escrita. Ele não queria parar para escrever e fazer as atividades, no início, depois, dentro da nossa rotina, ele não só fazia como fazia com mais segurança a cada dia. Os colegas pararam de reclamar dele. Esse indicadores informais me chamaram mais atenção e reforçaram minha intuição - que, considerei estar contaminada pela cegueira de mãe, mesmo, o que pode acontecer - e comecei a ver mais. 

Enquanto observava, também agia. Nova investida estratégica: EQUOTERAPIA. Um trabalho muito bonito e, não só pela beleza de ver, mas, de ver os resultados e a equipe multidisciplinar que toca o projeto. Um trabalho sério e bem estruturado. Fui em busca de informações, apesar de escutar: "ah, ali é para criança com doenças sérias: autistas, síndrome de down, paralisia cerebral...". Eu fui procurar informação na fonte: O QUE É A EQUOTERAPIA? "...a utilização do cavalo em abordagem interdisciplinar nas áreas da saúde, educação e equitação para estimular o desenvolvimento biopsicossocial da pessoa com deficiência... As técnicas da equoterapia promovem benefícios físicos, psicológicos e educacionais aos praticantes, além de propiciarem novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima.". Ou seja, trabalha o comportamento, também. Mais um auxílio! Conversei com a psi dele, para alinhar as idéias e pedi um relatório. Feito. Começamos. Não sei como repercutiu em meio à equipe de coordenação da escola, mas, algo já estava em ebulição por lá. A Diretora é uma pessoa e profissional de VISÃO. Foi preciso incomodá-la, durante sua licença maternidade, para informar sobre as posturas de suas funcionárias e o que poderia ser feito, porque uma criança estava sendo subjugada. Abro parêntese aqui: se a professora do grupo mais avançado conseguiu identificar esse potencial, porque em vez de escutá-la, a desmereceram, afirmando que ela não tem "qualificação" para fazer esse tipo de avaliação? E quem tem, o que fez? O que era para ser um caso de estudo de "como e o quê podemos fazer mais para resolver" virou um campo de batalha de egos feridos: o meu de cá e o da equipe de lá. A parceria, mantida unicamente por mim e a psi dele, ficou, também, desqualificada pela equipe. Sabe Deus o que passou na cabeça delas...  Mas, bastou que ela voltasse e assumisse o leme, o barco voltou a andar. Ela foi observar por ela mesma. Como solução imediata, no começo do segundo semestre, contratamos uma estagiária de psicologia para fazer as intervenções em sala de aula, sem chamar a atenção de que estava ali por ele. A escola contratou uma segunda professora, duas na mesma sala. O cenário começava a mudar. Emperrava no mesmo lugar... Pois bem, fechando o parêntese, volto a EQUO. Pedro, após 1 mês e meio de atividade, melhorou ainda mais. Mudou 100%? Claro que não. É um trabalho de base e verdadeiro... essa de "mudo o seu comportamento em três dias" é algo superficial... O trabalho com Peu é a longo prazo. Isso eu tive que aprender, mesmo, na prática. Não adianta pressa. A ansiedade só me atrapalhava. Tudo andando. As queixas na escola - exceto dos alunos - sem parar. Pirei! "O que posso fazer? Ele melhorou muito mais em todos os lugares... agora, temos que ver o que ele entende aqui dentro...". Mais palavras bem colocadas: "Mãe, você tem que entender que...". Bom, eu tenho que entender que sou uma mãe. Um mãe humana. Uma mãe humana e com defeitos, como todo mundo. Uma mãe que pode cegar, as vezes, mas, que abre os olhos quando bem advertida... Uma mãe que também vê por si só. Então, eu entendi: "falha humana das profissionais de educação". Basta seguir o raciocínio lógico. O que elas fizeram durante o primeiro semestre, que, nunca me deram um feedback novo? Como os próprios colegas viam a melhora de Peu e elas não? Mãe pode ser um bicho chato e quando vira uma leoa, então... Mas, nunca me dei o luxo de perder a razão. Tento entender. Tento compreender e aceitar que elas, nada mais, nada menos, "comeram mosca", por conta de quê? Sei lá... já ia entrar com julgamento de valor. Mas, com certeza, por falta de VISÃO e de OBJETIVO. O meu era um, e o delas? Além de repetirem o mesmo discurso desde o início das aulas até as férias de junho, demonstravam cada vez menos paciência com ele... Meu marido presenciou uma cena da coordenadora sacudindo Peu e segurando-o firme no canto da sala e ele gritando como um bicho acoado no canto: "ah. ah. ah". É fácil esse ambiente de educação? 24 alunos na sala... Mas, quem entra nessa deve ter uma vocação bem definida. Tem que correr na veia. É como ser médico, policial... Tem que ser, não adianta cursar a melhor faculdade, aprender as técnicas mais modernas se não tiver sangue nas veias. É vocação, mesmo. Nasce para ser. Não dá para ser mediano em se tratando de educação, saúde e segurança.

Mais uma vez, numa dessas conversas na chegada e na saída da escola, exponho que ele melhorou muito na Equo. A mãe de um colega, que além de tudo é vizinha aqui, me disse que o que chamou a atenção dela foi que o filho sempre chegava em casa relatando as artes de Peu. Fazia um bom tempo que ele não relatava mais nada. Diante dessa observação, ela perguntou ao filho porquê ele nunca mais havia falado de Peu, no que ele diz: "minha mãe, ele é outra criança!". Vou buscá-lo na sala e sua dupla de terror - nunca deixei de ver que ele tocava o terror na sala... a diferença é que buscava soluções para resolver esse comportamento, não alimentá-lo... - me diz: "tia, seu filho está diferente. Ele nem apronta mais...". Falou Caio em tom de desolação, como quem diz: "agora estou sozinho...". Isso não deve ser levado em conta? Tá, tem a parte pedagógica. Em casa, faz as atividades com muita facilidade e rapidez. Cenário mudando consideravelmente, ainda mais. Só não vê quem é cego e incapaz de, mesmo cego, ao menos, escutar, sentir, tocar. Ah, uma observação: no ano passado, detectamos que a brecha de Peu poderia ser a falta de pulso firme do pai... Este, hoje, faz terapia e tem se esforçado muito e se empenhado bastante. Pedro sentiu mais limite nas ações do pai. Ou seja, não medimos esforços, mesmo e com consciência, com um fim específico; com um propósito.

A surpresa - situação atual:

Por volta do dia 22 de agosto, uma quarta-feira, fui buscá-lo na escola. O que seria uma fase "crítica" - ele havia arrancado o primeiro dente de leite, teve que ir ao dentista, pois, quando o dente começou a amolecer , o outro já nascia atrás e estava bem avançado...; o pai estava viajando e passaria 10 dias fora; ele estava fazendo xixi a cada segundo... depois de exames feitos e descartada a infecção urinária, ficou a suspeita de ansiedade pela volta do pai... o que assim que o pai voltou, dias depois, normalizou... a escola colocou como "possível mania dele" e eu, apenas dizia: "lido com várias hipóteses... observo tudo e vou agindo" - ele até que reagiu e agiu melhor do que o esperado. Pois, grande foi a minha surpresa quando a professora, que estava conversando com a bendita coordenadora, vem a mim e afirma, extremamente feliz: "Olha, começamos, na segunda, com atividades diferenciadas para ele e ele vem surpreendendo! Está rendendo mais do que rendeu o semestre anterior todo!". Se ela estava feliz, imagina eu. Mas, não me contento com essa felicidade. Essa sugestão veio desde o início do ano. Graças a Deus, a Diretora voltou. Porque eu já estava entrando em contato com outras escolas. Pesquisei algumas montessorianas. Mas, em tempo, ele foi inserido e se deixou inserir no contexto. No ritmo dele, no tempo dele e sendo inserido começando pelo individual ao coletivo. Depois de quadro mudado, tudo parece muito fácil. Simples, já era, bastava terem feito antes. Mas, foi assim de graça? Elas tiveram essa VISÃO? Não. Foi preciso ajuda e muito apoio. Não bastava a professora do grupo 6 ver, a psicóloga ver - mãe, não conta... também, tem tanta mãe e pai chato lá, que brigam por cada futilidade que compromete a imagem do que vem a ser "visão de mãe" - foi preciso ter uma liderança capaz de validar e agir: a Diretora. Daí, me pergunto: com Pedro é porque ele é agitado e agressivo - até essa agressividade precisa ser melhor avaliada... é mais reativa... vamos deixar para mais para frente, porque essa é outra demanda, mais uma... - e com relação ao outro colega que era quieto e retraído demais? E o outro que toca o terror, e a mãe não sabe como agir?

Talvez, a minha prática da maternidade seja diferente. Assim como eu sou diferente. Pedro é diferente. Meu marido é diferente. Todo mundo é diferente. Talvez seja igual a outras mães, que defendem sua prole com toda força que só um útero pode dar - e não me refiro apenas ao útero como quem gerou nele... conheço mães de filhos adotivos que sentem muito mais terem gerado dentro delas a criança, pelo coração, do que mães que geraram e não sabem seguir uma direção... e nem a si são capazes de ver.

Eis o motivo desse vídeo no início, para aumentarmos o nosso poder de ver; de questionar; de investigar; de refletir; de ponderar; de avaliar; de objetivar; de conduzir; de agir! De mensurar; de recomeçar; de rever; de mudar as estratégias... de sempre seguir e ir. De quebrar com paradigmas que nos engessam e nos impede de crescer e ir além.

A criança não precisa ser donte para ser diferente. E ser doente diferencia em suas limitações que, mesmo assim, devem ser estimuladas da maneira certa. Foi na Equo que uma profissional de lá, que, além de psicopedagoga e trabalhar com inclusão, é mãe de uma criança especial, com síndrome de down e que, antes de sonhar ter filho, já exercia a vocação como educadora de inclusão com amor, empenho e dedicação e me disse: "não tem como ensinar uma pessoa a nadar numa pista de corrida". É difícil agir diferente, ainda mais quando temos pensamentos limitadores, estagnados. Mudemos o jeito de pensar. Pensemos melhor! Agiremos melhor!

Saudações maternais,

Pat Lins.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

CADA DIA, MELHOR!

Peu tem ficado cada dia melhor!

Pensa ainda mais rápido que antes; articula muito melhor seus pensamentos e sabe se fazer voz ativa, quando não entendem o que ele fala. Infelizmente, alguns adultos têm mentes fechadas demais para se permitirem entender o que ele manifesta e acabam detonando o botão da ansiedade dele. Ou seja, quando ele não é entendido, ele reage de qualquer maneira.

Venho observando isso há algum tempo e com a repetição desse comportamento diante de algumas pessoas e locais. Isso tem me ajudado a estabelecer uma linha baseada no que chamo de DS - distância saudável. Não é simplesmente deixar de conviver com essas pessoas, mas, estabelecer contato de tempo e em tempo, sentindo-se qual o momento exato. Ou seja, percebo se a pessoa está agitada, também. Se o ambiente está muito conturbado... Como cheguei a essa posição: observando. Se em todos os lugares ele melhora o comportamento visivelmente, exceto nesses ambientes e na presença de determinadas pessoas, tem algo ali nele que não sabe lidar e tem algo ali nessas pessoas que, também, não sabem lidar. Eu acabava criando uma expectativa de que esses adultos fossem capazes de compreender o que estava acontecendo e me frustrava ao ver que nem percebiam a si, nem a como agiam com Peu. Precisei rever eu as minhas expectativas. Precisei ter essa presença de espírito e consciência em mim de que não sei lidar com isso, principalmente, pelo fato de não depender de mim... Daí, estabeleci na vida do meu filho o que fazia na minha: DS. Talvez não seja justo, mas injusto também não é. É questão de tempo e prioridade. Estava a frente de outros projetos na vida da gente, inclusive e primeiramente, sobre como lidar com a escola, ponderando como agir e o que exigir. Uma coisa de cada vez. Mãe não é mágica.

Pois bem, a cada dia, percebo progressos em Peu que surpreendem a todos. Lógico, a agitação ainda existe, mas, diminui gradativamente. Isso faz sentido, se mudasse rápido demais seria algo superficial. 

Tudo que trabalho é a base de formação moral e de bons valores em Peu. Fortalecemos o humanismo nele. E faço isso em mim, também. O processo deve ser honesto e real, na prática.

A cada dia estamos melhorando, juntos e sempre! Agora, sem pressa. Entendemos que há tempo para tudo de que haja consciência e comprometimento. Com apoio, ajuda e parcerias bem firmadas. As mal firmadas, passam sozinhas. Sabe aquele dito de quando éramos criança: "a verdade Deus mostra!". Isso é real. Vivamos na verdade, fazendo o que é correto, digno, decente e honesto que a vida dá encaminhamento a tudo mais, tudo ao seu tempo.

Saudações maternais,

Pat Lins.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

QUEM MEU FILHO É (?)

PARA CONSTRUIRMOS UM MUNDO MELHOR, SEJAMOS PESSOAS MELHORES! Pat Lins

Ser mãe é descobrir que, mesmo que a gente acredite conhecer 100% nossa cria, eles nos surpreendem nos faz lembrar: "eu não conheço a mim mesma 100%, vou ter a presunção de acreditar que sei exatamente quem meu filho é?". 

Pois é, o bom exercício é esse, o desafio diário de se redescobrir e de enxergar que nossos pequenos também se redescobrem.

Estou florescendo com Pedrinho e isso me tem sido muito gratificante. Ainda não sei lidar com as pessoas que não sabem lidar com isso, mas, uma coisa de cada vez. 

Pedro tem me mostrado que se eu mantiver o que acredito em coerência, ele sente e agradece pelo apoio. E seu eu investir em acreditar no potencial dele, ele pode ir muito mais e se tornar cada dia mais uma pessoa melhor. 

Para tanto, pondero meus julgamentos e tento ser justa: vejo o que acontece, reflito, observo de novo, avalio, levanto uns diagnosticozinhos, troco uma idéias com pessoas de confiança - leia-se, pessoas ponderadas, que se trabalham, se cuidam como ser humano, se reconhecem falhas e nunca deixam de tentar acertar... - e vou elaborando meus pequenos planos de ações. E, quando mensuro e vejo saldo positivo, constato nosso sucesso! Nossas falhas, não são meros fracassos, são algo novo, de novo, para serem observados e dão início a um novo processo novo de tentativa e erro. 

E assim vamos crescendo, juntos e de mãos dadas! Criança não tem a experiência de vida que temos - em tese... -, mesmo assim, trazem em si uma combinação única de "quem" e "como" são que, aliado ao "que" e "como" somos e agimos, podem se tornar melhor ou pior... Eles, também, nos dizem: "Veja como eu sou. Não julgue. Haja! Me veja, me aceite e me ajude a ser uma pessoa melhor, através de quem e como funciono.". Não adianta querer forçar que ele seja como eu quero que ele seja... Isso é falta de respeito a si e ao outro e não é uma boa base de sustentação moral.

Com todos os problemas que passamos na escola dele, este ano, pude exercer minha experiência profissional, todo expertise que tenho, para observar e identificar que havia um problema real e investigar a melhor solução. Contei e conto com a ajuda profissional e humana de Suely Lôbo, uma psicóloga competente: vocacionada, com conhecimento, habilidade e atitude - isso faz uma grande diferença...-, da minha família, do meu marido, de alguns amigos mais do que especiais - e experientes - e conseguimos, todos, juntos, perceber onde estava "furado", escoando parte do nosso trabalho com Pedrinho... Eis que percebemos que a falha estava: na dupla coordenação pedagógica e psicóloga da escola. Como por milagre, quando a Diretora voltou da licença maternidade, as coisas começaram a andar... Já relatei aqui que Peu não é TDAH, nem DDA... mesmo, assim, ele é diferente. Ele é muito ansioso e requer um pulso firme, muito firme, porém, coerente. É como se ele estivesse aqui para "por em xeque" nossas investidas e nos fazer refletir na prática se nossas ações são coerentes com algum sentido real e mais nobre. Não é tão fácil lidar com o grau de inteligência dele, muito menos, com sua capacidade de pensar rápido e linkar tudo, sempre com um argumento fechado e fechando, muito bem elaborado. Mas, é simples: amor, firmeza e coerência, mantendo-se assim. Ele mede quem cansa primeiro: você ou ele. Quem cansar, perde. Só que nesse jogo dele, sendo ele uma criança, se um adulto perde, a criança também perde... E foi o que aconteceu na escola. Nessa "medida de forças", essa dupla perdeu e cansou e ele, foi vítima dessa perda. Como assim? A psicóloga dele sugeriu, bem como a professora do grupo mais avançado, que se fizessem atividades diferenciadas para ele, dando mais desafios. Era uma certeza? Não. Seria uma tentativa. Melhor do que não fazer nada... e nem fazer qualquer coisa, elas tiveram uma base de referência para pensarem assim: Pedro, como ele é e o que ele demanda. Pois, elas - a dupla nada dinâmica de coordenadora pedagógica e psicóloga da escola - focaram tanto no mau comportamento em sala de aula que nunca pararam para ver quem ele é e o que demandava. Pior, não levaram em consideração às sugestões. Sem pulso e com uma linha de pensamentos restritivas e comprometedoras, elas atrapalharam todo o processo. Faz duas semanas que Pedro tem melhorado em sala de aula, desde que puseram em prática as atividades diferenciadas. Para mim era meio óbvio, mas, quando eu falava, era vista como "mãe protetora"... de que deveriam trabalhar a base subjetiva de Peu, o individual e levá-lo ao grupo aos poucos. A não ser que seja formação e produção em massa, o ponto inicial é o indivíduo, bem firmado, naturalmente, ele vai perceber o coletivo. 

Como mágica, ao colocarem em prática, tudo melhorou! Precisou passar 1 semestre e meio para verem isso? Coisa que batemos desde o início do ano? Sabe um índice que levo muito em consideração? Os colegas de Peu. Eu chegava lá e todo dia eles corriam: "Tia, Peu fez isso...", "Tia, Peu fez aquilo...". Há um tempão que eles não dizem nada, apenas correm e me abraçam, dizendo: "chegou a mãe de Peu". Ontem, um coleguinha que formava a dupla do terror na sala, me disse: "Tia, seu filho está se comportando tão bem...". Parece que ele não estava satisfeito... 

Me pergunto? Custou muito acreditar na parceria que estabeleci com a escola - e, sendo justa, ano passado funcionou. Este ano teve o agravante da Diretora estar em licença maternidade e a dupla que ela contratou não deu conta de lidar com as diferenças... - e pensei em tirá-lo no início deste semestre. Me dei um prazo, vi que a Diretora estava disposta, vi o empenho da pró dele e a da turma 6 e vi que ele estava em boas mãos, agora. Confiei. Relutante e revoltada, mas, confiei em quem confiava. Continuo a não confiar na dupla nada dinâmica... e isso pesa em meus processo de manter ou não no ano que vem... Hoje, Pedro rende e desenvolve muito do seu potencial. 

Eu desenvolvo milhares de coisas para manter minha coerência - e uma delas é não dar mais abertura, nem ouvidos a quem não sabe do processo e não tem a capacidade para ajudar, atrapalhando, por demandar atenção para suas carências mal trabalhadas... - e fortalecer a base de confiança entre eu e  meu filho. Sempre de maneira honesta e muito clara. Sempre com muito amor. E, amor, gente, é negar e frear, sim. é estabelecer bons limites, sim. É dizer "não", sabendo o que está fazendo e deixar quem quer falar que fale, eu apenas faço o que posso e mais um pouquinho, porque se eu perceber que posso ir um pouco mais, eu vou, nem que seja me arrastando, porque as forças vitais são comprometidas, sim. Cansa, sim. Mas, revigora-se e segue! Dentre tudo que eu e Peu fazemos, em todos os campos ele melhorou e se firma como uma pessoa melhor, mais consciente de suas ações. Isso é lindo de ver! Eu educo um ser humano, partindo de uma mãe que é humana e quer ser uma pessoa melhor. E se eu via que algo estava errado na escola, não deixei barato. Me desdobrei e superamos muito mais. E está dando certo. Contei com as pessoas certas e uma atmosfera mais favorável surgiu. Não basta ser inteligente, tem que desenvolver essa inteligência. E Pedro estava sendo relegado pela dupla que não sabia o que fazer com ele, não pedia ajuda e desconsiderava tudo que era proposto como solução. Acreditar que estou fazendo e seguindo no caminho certo me manteve firme e coerente e estava disposta tirá-lo da escola. Já havia visto duas para colocar e nunca escondi isso. Estava tão evidente e seguro isso em mim, que não ia brigar com a escola, nem com essa dupla, eu tentei e confiei, elas não deram conta, mostraram que não fazem parte da corrente forte que a escola havia firmado desde o ano passado. Elas destoam. E a mudança para melhor que hoje se instalou não  foi por mérito ou empenho delas, veio de cima. Aquela história, se puder falar direto com Deus, não exite! O empenho delas foi o demérito e a prova de que não têm a competência - leia-se competência como a soma de conhecimento+habilidade+atitude, elas podem ser bem qualificadas e possuírem o conhecimento teórico, mas, na prática a teoria tem peso, variação, outras variáveis, risco, o desconhecido que nunca havia sido identificado e uma gama de coisas que a titulação acadêmica não nos dá - para lidar com as diferenças. Quando se trata de uma doença, de uma criança com limitações patológicas, no sentido de alguma restrição mesmo, tem-se o sentimento de "pena" e o entender que não depende da criança, pois, vê-se que ela traz uma demanda limitada. Mas, quando se trata de um desafio comportamental, raramente alguém entende que o saber lidar passa por saber lidar consigo, antes de tudo. Lidar com as diferenças no remete o tempo inteiro a nós mesmos e a nossas falhas. Ninguém gosta de ser lembrado que é humano e que tem limites, não entendo o porquê...

Pois bem, meu filho é quem ele é, diferente e, só olhando e vendo essa diferença, que ele requer muito mais de verdade nas ações, muito mais de questionamento, é que alguém pode estabelecer um bom contato com ele. Pedro tem algo de muito bom que é mexer com o que há de mais escondido no outro. Aquilo que não queremos ver, ele nos mostra. Ele vai no ponto, certinho. Isso é ser diferente. Esse é Pedro. E Pedro é uma criança que requer adultos firmes ao seu redor. Elas, lógico, merecem uma chance e devem se dar essa chance, porque apenas elas podem se ajudar. 

Saudações maternais,

Pat Lins.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

ESCREVENDO MENOS, EXPERIMENTANDO MAIS

Queridas amigas, mães, pais, avós... faz tempo que só publico um texto por semana. O "Mães na Prática" é reflexão, pensamentos e levantar de questões do dia a dia. Só em nosso cotidiano podemos lidar com o tempo presente, com o aqui e agora.

Assim, como já deu para perceber, estou em fase de cuidar mais afundo do meu pequeno e testar novas estratégias de como atravessar aquela mentezinha tão inteligente e desafiadora! 

Por isso, como estou agindo e medindo - é, não basta ser mãe, tem que ser "cientista", "investigadora", "detetive particular", livre observadora e observadora focada..., "estrategista", no melhor sentido... essa palavra foi tão deturpada que usá-la remetemos a manipulação... - para, através do feedback que ele nos dá em suas ações e nas repetições dessas ações, podemos ver o sucesso brotar e onde devemos melhorar. Eu e meu marido estamos nos desdobrando como pessoas para sermos a base sólida para nosso pequeno e assim tem sido. 

Sozinho? Nunca! Com o apoio e ajuda certas!

Por isso, pouco tenho publicado aqui. Quando essa fase der frutos mais consistentes, dividirei ainda mais, para que posso dividir com outras mães a doçura que há, mesmo em meio a tanta turbulência, cansaço, esgotamentos e crescimento - este nos estimula muito!

Continuem enviando seus e-mails. Respondo aos poucos e na medida do possível, mas, sempre respondo. As sugestões estão bem guardadas e algumas já "rascunhadas". Como toda mãe, na prática, o blog também tem seu tempinho de esperar e agir. Zelar, cuidar, estar junto... tudo isso faz parte do papel de toda mãe, na prática! 

Um grande beijo e forte abraço em todos e todas.

Saudações maternais,

Pat Lins.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

MÃE - NUNCA ERRAMOS (?)


Quem nunca errou que atire a primeira pedra!

Quem já identificou um erro, que se atire a corrigir!

Quem já errou, levante-se e siga, de mãos dadas com todas as mães mortais e humanas!

Quem erra é humano. 

Quem conserta o erro, diluí a culpa, enfrenta o medo de não acertar, enfrenta a cobrança alheia dos que julgam-se superiores e acaba entendendo que errar faz parte do processo de quem tenta!!!

Que consigamos acertar mais e mais vezes, após cada erro detectado. A redenção é entender e aceitar que fez o que era capaz e ter consciência de que é capaz de fazer mais, daqui para frente.

Quebremos as algemas do medo que nos impede de ser mais e seguir para o alto e além!

Somos mães, somos mulheres, somos pessoas, somos HUMANAS!

Saudações maternais, mães na prática diária,

Pat Lins.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

"MÃE, NÃO QUERO MAIS ESSE PAPO DE DEUS..."

A gente não tem idéia do que são as nossas expressões para as crianças.

Quando perdi o bebê, ano passado, Peu sofreu muito. Para amenizar seu sofrimento, as pessoas, em geral, diziam:

- Foi papai do céu que levou seu irmãozinho, Peu, para ficar pertinho dele...

Passou e ele não tocava mais no assunto do irmão - exceto, quando o pegava chorando à noite, sozinho em seu quarto e falava: "estou com muita saudade do meu irmãozinho" - e nem orava mais. Dei um tempo para ele. Como eu tenho o hábito de sempre orar, principalmente, antes de dormir, mantenho meu hábito, mas, ele que espontaneamente orava, parou.

Há algumas semanas, não me recordo o que aconteceu, eu disse:

- Ore e peça a Deus, meu filho, que Ele te ajude e dê forças para você conseguir.

Pronto, ele abriu o verbo:

- Eu não quero mais saber desse negócio de Deus - colocou a mão no pulso, como quem marca o tempo no relógio e diz: - até hoje ele não mandou meu irmãozinho de volta. Ficou para ele... Estou com raiva de Deus, não quero mais falar nesse assunto, até ele me devolver meu irmão!

Pois é... nem toda criança aceita ser enrolada. Algumas ouvem o que a gente diz e levam a sério...

Tive que explicar que, na verdade, não era a hora do irmãozinho dele nascer e que na hora certa, ele virá. E expliquei que não depende dele decidir isso, que é assunto de papai e de mamãe, que a gente vai ver e decidir se e quando teremos outro filho. Não gosto de dizer: "te dar um irmãozinho", porque não será um presente para ele. Lógico que ter um irmão é maravilhoso - para quem tem irmãos-amigos, como eu, é - mas, não planejamos isso pensando em agradar a Peu. Isso é decisão do casal. Com conversa e franqueza tudo se esclarece. Tirei de Deus o que colocaram Nele. E ensinei a algumas pessoas a dizerem: "Peu, quando seus pais acharem que está na hora, seu irmão vem.".

Sorte que ninguém mencionou a cegonha... Mas, a pergunta de como nascem os bebês ele já me fez e deixou claro: "nem tente me enganar...".

É isso!

Saudações maternais,

Pat Lins.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

SER DOENTE NÃO DEVERIA FAZER DIFERENÇA

Imagem: FAZENDO ARTE TERAPIA
Matriculei Peu na "Equoterapia" e uma mãe me perguntou: "ele não é doente, porque está aqui?". Eu respondi que era por uma questão comportamental.

Interessante é que poucas pessoas sabem dessa parte da "equoterapia". Estou coletando mais informações sobre o assunto e depois escrevo aqui. Para mostrar que trabalho bonito e os resultados gratificantes.

Lá, Peu tem contato com crianças "diferentes", especiais e com limitações de ordem física e motora, mas, crianças e jovens especialmente lindos, com a missão de nos fazer ver que a vida é mais do que o que tentamos definir. Existem coisas que não têm uma única explicação. E vejo pessoas perdendo tempo tentando explicar sem, sequer, investigar, sobre o desenvolvimento das doenças. Para mim, tem algo muito maior, além da nossa vã compreensão. 

Mas, o que me levou a escrever aqui foi um alerta: SER DOENTE NÃO DEVERIA FAZER DIFERENÇA! Vejo o cuidado com que as mães tratam seus filhos, com um amor enorme. Parece que o amor dobra para dar força àquelas mulheres. E o trabalho dos profissionais que cuidam dessas crianças, com tanto carinho e dedicação que nos comove. 

Esse contato com essas crianças tem enriquecido o mundo de Peu e o meu. Ele que é "diferente" para aqueles que têm o mesmo padrão de comportamento, é "normal", no sentido de ser "diferente", para os portadores de alguma doença. Mesmo assim, nesse mundo, não há discriminação por parte das crianças, nem dos pais. Eles estranharam Peu lá, mas, nem por isso o trataram de maneira discriminatória. Isso é uma grande lição. Todos deveríamos nos ver como semelhantes, não procurando deixar todo mundo "igual" como rotulação e/ou segregação. 

Como pais, mães, família e etc, devemos nos unir, num movimento sincero e interno de lidar com as "diferenças" como algo natural e com as exigências exageradas de padrão normótico - consumismo exagerado e afins - como algo antinatural. 

As crianças especiais são especiais para nos fazer lembrar que mesmo com as dificuldades elas vivem intensamente, ao contrário de "nós" que passamos a vida inteira fugindo da vida verdadeira!

Isso me faz ver que as crianças não têm o preconceito em si, quem preconceitua algo são os adultos que sentem necessidade de conceituar algo, ainda que previamente, para julgar e não para entender e aceitar as diferenças para saber lidar com elas. Por isso, como pais, mães e afins, devemos rever nossos valores e, com isso, permitir que nossos filhos cresçam num mundo melhor, humanamente melhor!

Saudações maternais,

Pat Lins.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

SER DIFERENTE NÃO É DOENÇA

Hoje em dia, vejo que ser diferente pode ser um problema, ou, uma solução... depende de como agimos.

Pedro tem me ensinado muito a ser uma pessoa melhor. O desafio diário de lidar com ele pode cansar, muitas e muitas vezes, mas, vê-lo crescer e mudar me lembra que é para isso que estamos aqui, para nos tornarmos pessoas melhores, não igual a todo mundo, nem um diferente do tipo "perigoso", mas, diferente do tipo "autêntico", "feliz". Lógico que tenho que lidar com um comportamento desafiador full time. Não tem refresco. Mas, entendi uma coisa: não adianta falar qualquer coisa, tem que fazer sentido. 

Pedro me ensinou a vê-lo como é e entender que diferença não é doença. Engraçado que, como já falei outras vezes, me voltava muito para buscar um enquadramento patológico para ele, para, "achando" eu, saber lidar com ele. Para mim, essa agitação dele era doença e precisava de remédio. Existem problemas patológicos, sim, não estou aqui dizendo que essas doenças não existem e sei que identificá-las o quanto antes, melhor a eficácia do tratamento. O meu "não saber lidar com Peu" é que procurava um remédio para "normatizá-lo". 

O coloquei numa escola com metodologia diferenciada, o que entendi é que nada adianta uma boa proposta se na estrutura real pode se perder quando algumas partes da equipe não tiverem o perfil vocacional. Pode-se ter a melhor qualificação, se faltar alma, nem adianta, cai na mesmice das escolas "tradicionais". É como sempre cito a frase da Morgana Gazel: "fazer diferente exige muito mais que contradizer". O diferente requer vontade, dedicação e disposição - e isso só parte quando o profissional lembra que é pessoa, antes de tudo e mais nada, e essa pessoa sabe que tem essas características dentro dela. Todos nós temos, só que muitos nem sabemos... - além de uma visão holística - visão do todo. Ah, o mais importante: não dá para ficar no discurso e no "obrigada, pela parceria". Onde está a parceria? Não tem o que me agradecer por ser presente, aberta e participativa, eu sou assim e minha relação com meu filho é assim. Eu sei que escola alguma faz milagre e nenhuma tem a obrigação de saber lidar com o "diferente", mas, desde que não use em suas visões e missões, em sua cultura organizacional - sim, uma escola é uma organização e sim, é necessário capital para investir, sustentar e manter o diferente, porque é mais caro, não se produz em série... mas, a vocação não depende dessa verba, ela é nata - a afirmação do tipo: "aqui, temos uma proposta voltada para as características individuais" e agir pelas características grupais. Não estou aqui me isentando da minha responsabilidade de mãe, muito menos, delegando para a escola a educação do meu filho, mas, esperava na educação acadêmica mais parceira como tivemos no ano anterior, com Aninha a frente e sua competência magistral. Este ano, a equipe me parece estar desfalcada no quesito vocação e se a direção não estiver no comando, o barco fica a deriva... No último semestre, Pedro se mostrou estagnado no aprendizado, por conta do seu comportamento em sala, de não participar no mesmo ritmo que o grupo - e quando falo em problemas comportamentais dele, falo de atitudes agressivas e de só querer fazer  que quer. Cheguei a acreditar que ele fosse TDAH ou algo similar. Mas, a psi dele já entendeu o modus operandi dele, assim como eu já o havia visto, a diferença é que ela usa termos técnicos e tem um entendimento científico da situação. Ainda assim, ele se aproxima de hipóteses bem prováveis de distúrbio de ansiedade. Não se trata de um diagnóstico fechado, mas, de uma característica muito visível nele. Assim, adaptamos - eu, o pai e parte da família, bem como com o apoio da psi dele e da pró - um modus vivendi onde entramos no mundo dele e buscamos compreender como acessá-lo, desenvolvendo estratégias que não entrem em choque, mas, apazigúem, sem deixar de ser firme, para ele entender quem está no "comando", afinal, por mais que ele seja um indivíduo, ele é uma criança. Para nossa grata descoberta, o caminho é árduo, por ser cansativo, simples, é... porém, nada fácil: amor, firmeza, coerência e franqueza. Trata-se de uma educação a longo prazo. Só que, quem disse que para quem busca resultado imediato e um indicador de "ele já melhorou muito" serve? Há quem queira mágica e resultado imediato. Foi aí que vi que a proposta inicial da escola de "não produzir indivíduos em série" cai no sistema "normótico"... Ainda acredito na escola, mas, em parte da equipe, não. Dá para ver a diferença e onde está o "problema".

Para Pedro, deve fazer sentido. Para ele parar, deve-se haver um entendimento. Para ele entender é fácil, firmeza, franqueza e coerência. Fora que ele tem o "time" - tempo - dele. Isso deve ou não ser respeitado numa escola que afirma lidar com as características diferentes e individuais? "Ah, mas, ele não produz junto com o grupo...". E, aí, queimar etapas? Eu penso que deveriam trabalhar, antes, essa questão individual e trazê-lo para a compreensão do social. Estamos pagando uma estagiária para fazer intervenções psicológicas nele, na sala. Ela é bastante comprometida, só que, quem está acima dela parece não dar o apoio necessário. Eu não sei... eu sinto que há algo muito falho aí. Não quero milagre e bem sei como cansa lidar com os questionamentos e a maneira de agir de Peu, ele tem uma inteligência acima da média e uma curiosidade elevadíssima, fora que uma agitação desgastantes para quem o acompanha. Isso nunca me fez cruzar os braços e dizer: "ele é assim, deixa aí". Pelo contrário, precisei ver que ele é assim para, justamente, lidar com ele. Tudo bem, é óbvio que com ele somos eu e ele, um para um. Na escola, a professora tem mais 24. Ainda assim, vejo que ela dá conta, só precisa de apoio. Com a estagiária, esse apoio in loco se faz presente, para "conter" o comportamento dele. Não é só isso... a parceria quebra quando sobe a hierarquia... E todo empenho desce ralo abaixo.

Morgana Gazel traz outra frase - em seu livro "Enseada do Segredo", pela Paco Editorial - que me faz entender onde a parte da equipe da escola ainda não consegue acessar o "Fabuloso Mundo de Peu", e a frase diz: Ignorar não é não saber; há um saber além do conhecimento obtido através da razão”. 

Pois é, o meu desafio agora é saber o que fazer com relação à escola... insistir, persistir ou desistir? Confio na professora, confio na diretora, confio na professora do grupo mais avançado, mas, não confio na dupla: coordenadora pedagógica e psicóloga da escola... O método construtivista, posta em prática, para mim, requer mais do que qualificação acadêmica e técnica, requer preparo de vida... Há um problema aí e a solução, para mim, não era desistir, e sim, persistir. Ano passado a gente firmou - era outra equipe - e deu certo. Com todo trabalho - que já era esperado - e funcionou em algumas coisas. Este ano, desde que começou, só vi piorar e Pedro melhora aqui fora... pensei: "se ele já melhorou seu comportamento aqui fora, na escola é questão de tempo". Não sei que tempo vem a ser esse, sei que o cronológico passou e muita gente ali comeu mosca por não saber como agir com o diferente que é o propósito da escola... o público dessa escola é esse público diferente, sem ser portador de deficiência - no sentido patológico. Eles alegam que não trabalham a inclusão por não trabalharem a exclusão. Há um limite para criança portadoras de deficiência... até aí, tudo bem, é a filosofia da escola e é algo que deve ser respeitado, afinal, requer uma estrutura mais bem preparada e que vai requerer mais investimento... E quanto ao diferente?

Não penso que exista uma escola que vá trabalhar o milagre, vou em busca de uma onde os profissionais saibam o seu papel e saibam que o seu papel está além do papel de um diploma, seja lá de qual titulação for. O papel real cansa, desgasta e a pessoa precisa refletir: para o bom funcionamento do meu profissional, tenho que ser uma pessoa preparada! Hoje em dia é muito fácil entrar num Mestrado e sair apenas com o título. E a vivência? E a experiência? E o pessoal?

Pois é, Peu, mexeu fundo em gente grande e com títulos maiores ainda... Gosto muito da escola, da professora, até do porteiro. Todos são comprometidos e competentes. Essa dupla nada dinâmica de coordenação pedagógica e psicóloga me deram a resposta que procurava: onde está o problema? É uma hipótese muito mais próxima do bem provável...

A escolha da escola ideal é saber ver o limite de ação dela, sem deixar de reconhecer todo o mérito que ela tem, sim. Entender que existem coisas que se baseiam em valores que não combinam com o da instituição é que confunde e fica a pergunta: o que faz lá? Se estão ali, estão ali. O que vejo é uma relação desgastada e ego ferido... como não sou perita no assunto, muito menos psicóloga, só suponho... Como pessoa, antes de tudo e como mãe, nesse meio tempo, preciso dosar razão e emoção para tomar minha mais sensata decisão. Nem pisquei quando pensei em matriculá-lo lá, mas, penso em tirá-lo... isso é bom. Consciência e abertura de visão fazem parte, afinal, não se trata de querer que me agrade ou supere minhas expectativas. Eu sei bem quem e como age o meu pequeno, portanto, não sou o tipo de mãe que acha que o filho é um santo... mas, sei que o meu também não é o demônio. E nem penso que só existam esses dois lados. Eu vejo o meu filho como um ser humano. E lido com essa realidade. Por isso, não esperava milagre da escola, nem obrigação em se comprometer... Deixei clara a minha postura e se eles estavam dispostos a dar continuidade, no que me garantiram que "sim!". Entretanto, se há uma política organizacional, onde está a prática dela? Onde está a coerência com as belas palavras? Na prática, a teoria é outra? Creio que essas novas profissionais - porque elas fazem parte do quadro há pouco tempo... creio que menos de 4 anos - não se deixaram atravessar pela missão, visão e valores da instituição... 

Em toda parceria existe a parte mais interessada - neste caso, eu - e esta parte precisa estar aberta e ligada, administrando tudo. Decidir faz parte. Mas, ser injusta, nunca!

Saudações maternais,

Pat Lins.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

"FADA DOS DENTES" - A FASE DA TROCA DOS DENTINHOS DE LEITE


Pois é... chegou mais uma nova fase: troca dos dentes!


Uma coisa tão simples e tão emocionante.

Peu surpreende, viu? Tão agitado e agoniado e, em se tratando de sentar na cadeira do médico ou do dentista, se comporta exemplarmente. Que menino! Estávamos todos tensos, imaginando que ele não deixaria dar anestesia, pois, já havia manifestado que "não queria saber desse negócio de trocar dente e ficar banguelo...". Pois, o dente de leite não amoleceu e o outro já nascia por trás. O quê fazer? Recorri a uma dentista maravilhosa, Dra Rosana Lins, onde me explicou que teríamos que fazer a extração, pois, o dente de leite não cairia sozinho... Meu Deus! Logo eu que mmmmooorrrrrrooooo de medo de cadeira de dentista - e, graças a Deus quase não precisei sentar nela... risos - levando o meu pequeno para sua primeira "consulta" já com extração do dentinho de leite, é mole? Mole, não, porque estava meio mole e meio duro. Ele sentou e a dentista combinou que iria passar uma "pomadinha para o dente dormir" e ele teria que ficar com os olhos fechado durante o processo. Ele estava super curioso com tudo no consultório, mas, toda cuidadosa, Dra Rosana escondeu o que ele não precisava ver. Aquela história: o que os olhos não vêem, coração não sente... né verdade?! Pois, na hora de fechar os olhos ele pergunta: "e a fada dos dentes?". Ela entendeu e alimentou como trunfo: "amanhã, pela manhã, terá uma moedinha debaixo do seu travesseiro. Mas, tem que ficar quietinho". Bom, nem assim eu estava relaxada. Peu não é muito de "se vender" ou facilitar em troca de moeda, mas, olha que ele fechou os olhos e ficou na paz. Quando abriu os olhos já havia terminado, com o elogio da dentista. Foi tão rápido que eu nem tive tempo de respirar. 

Pedro adora surpreender! Fiquei super feliz! Ele gosta de, nas consultas médicas, ele mesmo falar e sentar sozinho. Será que está se tornando "hominho"? Todo independente.

Pois é, adentramos numa nova fase. O dentinho ao lado já estava saindo, também. Por trás, também... Mas, foi melhor tirar um, deixar ele ocupar seu lugar, senão, ele ocuparia os dois lugares, pois o outro ainda está rasgando a gengiva. É mole? Não, não é... literalmente, não é mole, nem no dente...

Saudações maternais,

Pat Lins.

domingo, 12 de agosto de 2012

HOMENAGEM "AOS DIAS DOS PAIS" - PAI, AMO VOCÊ!



Todo ano, - apesar de não ter apenas essa data como "Dia dos Pais" e sim todos os dia de cada ano - eu amo escrever aqui sobre essa figura que é tão importante em minha vida, assim como a minha mãe: MEU PAI. Que é e sempre foi um pai na prática! Na arte diária de ser pai!

Meu pai me ensinou tanta coisa. Tanta coisa que nem dá para colocar aqui. Mas, o que melhor me ensinou é que apesar dele me ensinar muito, eu também tinha meu espaço para aprender mais e mais com os demais.

É difícil para mim, falar desse homem que é uma figura marcante, em todos os sentidos. Meu pai é um homem especial. Ele tem uma nobreza de caráter que impressiona. E, sabe, o dia em que mais vi meu pai como meu herói? Quando vi que ele era humano e entendi e aceitei que ele também erra. Ainda bem. Ele é real. Realmente lindo, forte e gente, como a gente. No dia em que minha avó paterna faleceu, aquele homem se tornou menino e chorou. Nunca havia visto meu pai chorar. Naquele dia, vi que ele não era de ferro e sim de ouro! Ele sempre foi presente em nossas vidas. Nunca o vi reclamar por não termos seguido o caminho que ele sonhou para nós. Lembro que ele queria que eu tivesse feito Engenharia, ou Direito, ou Medicina... como ele dizia: "profissão que garantisse meu futuro". Eu quis fazer Comunicação e ele pagou cada mensalidade da Universidade Católica do Salvador, trabalhando dobrado, para realizar o meu sonho. Ele preferiu sonhar comigo. Nunca reclamou, um dia, sequer. Nunca se envergonhou da filha que era tão promissora ter ido estudar um curso que ele nem sabia o que ia fazer ao certo... 

Meu pai nunca nos negou nada, a não ser o supérfluo. Isso ele não aceitava e não via sentido. E ele sempre teve razão. Não fazia compra a prazo. Também, não era canguinha. Não tinha o melhor jeito para nos fazer entender seus motivos, que eram óbvios, mas, nós, filhos, existimos por essa razão também: testar os pais... Mas, ele nos fazia entender. A gente não gostava muito... a gente queria o supérfluo, queria "ter". Os valores dele sempre foram "ser" e ele sempre foi. Ah, nós aprendemos com ele. Podíamos não gostar, mas sabíamos - sempre soubemos - que as ações dele eram certas, tinham uma base boa, sólida. Formou, sem ter entrado numa faculdade - seu maior sonho que foi vivido através dos filhos - três seres humanos que, hoje, podem ainda não serem ricos materialmente, mas, de caráter e amor, não tenha dúvida! Ele formou um elo eterno e natural. Ele nos formou! Hoje, os netos o formam... formaram um avô babão e bobão. Ah, vá ser "besta" assim com os netos como ele. Os pequenos herdaram nosso amor por ele - ou ele conquistou esse amor?

Assim, a todos os pais, meus parabéns! Ao meu marido, pelo pai amoroso e maravilhoso que é. Meu pai, meu marido... esses homens pais que nos mostram que ser homem é ter dignidade e decência; é ter vida moral; é ter boa conduta; é viver bons valores! 

Na novela das sete - Cheias de Charme -, vi a cena de um filho que conhece o pai aos 18 anos e o pai, que nunca queria ter tido  um filho diz: "Eu queria ter te conhecido antes... eu teria aprendido muito com você!".

É isso que a gente vê, na prática que a paternidade é uma troca, somente possível se houver os dois lados: PAIS E FILHOS.

Que meu marido continue assim, esse paizão de Peu, que tem um filho que o ama e defende com unhas e dentes - ao pé da letra... Que meu pai continue assim, esse homem exemplar. Assim como o Pai do céu, esses pais da terra são os pais nossos de cada dia!

Que os pais se permitam mais e mais, serem pais! 

Pai, obrigada por nos dar força! Obrigada por segurar o mundo nas costas para sentirmos menos o impacto direto. Obrigada por não nos passar dor a amargura como caminho, mas, como parte de um caminho que tem muito mais! Obrigada por nos ensinar que a construção é diária e que o caminho mais curto nem sempre é o mais seguro... Obrigada por nos ensinar a sempre começar. Pai, obrigada por ser meu pai!

PAI, SEU LINDO! AMO VOCÊ!!!
Olha, como filha, acho lindo e tão gostoso dizer: PAI, AMO VOCÊ!

Pat Lins.

sábado, 11 de agosto de 2012

LIMITES

Ultimamente, venho refletindo sobre essa questão de outra ótica: LIMITES - NÃO BASTA DAR, TEM QUE RECEBER.

É muito fácil e lugar comum escutarmos críticas a pais e mães pela falta de limite, baseando-se, apenas, na maneira como o filho age - ou reage. Concordo plenamente e reconheço como de suma importância o estabelecimento dos limites, principalmente os de ordem natural, através dos exemplos e da rotina. E lidar com meu filho tem me ensinado que a rigidez não é limite natural... É difícil, cansativo e desgastante, mas, lidar com a criança observando como ela é para tentar estabelecer esse limite é muito mais importante. Ver em si o que está desconexo com o que passa ao filho, é muito importante. Ver quem e como é o seu filho, é importante, porque saber lidar tem que assumir e ver quem é, de verdade. 

O que vem me chamando a atenção é que, em meu caso, mesmo que tenha mudado de estratégias e esteja alcançando mais meu filho, ele ainda "tesa". A sensação que eu tenho é que ele quer testar a veracidade do que façamos ou passamos para ele. Pedro é um menino de ouro, mas, por ser agitado e não parar quieto, só fazer o que quer e se irritar quando contrariado, os juízes da vida alheia fazem dois julgamentos: é hiperativo ou não tem limites. Faz pouco mais de 1 ano que levo meu filho a uma psicóloga maravilhosa - Suely Lõbo - e ele já apresentou boas melhoras. Mas, a mudança é gradativa e, como sempre coloco aqui, a longo prazo. Entretanto, as pessoas ao nosso redor sentem necessidade de dar um nome ao comportamento acelerado de Peu - um dos pontos da melhora é que ele já tem parado mais, escutado mais, entendido mais... - e sempre me perguntam: "ele não é hiperativo, não?". Volta e meia coloco aqui algo sobre "hiperatividade" e "hiper atividade". Será que as pessoas sabem do que se trata a patologia "hiperatividade"? Pois é, fora a questão de não parar e da dificuldade de focar em algo, Pedro interage muito bem com a realidade e tem plena consciência do que está fazendo... Quando o levei a neuro e ela me disse que ele não tinha a patologia, mas, que se eu quisesse ela me dava um remédio, porque as mães de hoje em dia não aguentam o "trampo" dos meninos da atualidade, eu entendi que ele é diferente, sem ser doente. Ou seja, um desafio a todos que o cercam.

Ele tem uma inteligência elevada, uma capacidade de observar e constatar o que acontece ao seu redor e só falta ler a alma das pessoas. Ele incomoda alguns, porque mexe fundo, mesmo. Ele questiona tudo. Para ele nunca bastou um "por quê?", ele sempre vinha com um "e se...?". Estabelecer o limite nele requer muito jogo de cintura. Ele, simplesmente, se coloca acima de tudo. É necessário ter uma conversa firme e franca com ele, sempre mostrando autoridade. O que já observei nessa jornada - e olha que já mudei muito as minhas estratégias - está na ansiedade dele para resolver as coisas e uma relação com o tempo ansiosa e de pressa, como se não tivesse tempo a perder e fosse necessário explorar tudo ao mesmo tempo. Para estabelecer esse vínculo requer de mim uma postura firme, coerente e sincera. Quando ele sente cheiro de mentira ou enrolação, ele logo questiona: "Isso é verdade, mesmo ou você está mentindo para me enrolar?". Quem disse que é fácil lidar com menino super inteligente? E, imagina essa inteligência num corpinho de criança? Como dar vazão? Esse desafio diário eu enfrento com muito amor e desenvolvendo uma coisa que nem sabia ser capaz de desenvolver: a paciência. Isso não me impede de cansar, de perder a paciência que conquisto com muito esforço, mas, desistir é algo que não faz parte da minha natureza materna. Eu mantenho a minha postura.

Por isso, por verem que hoje eu converso mais com ele, grito menos, tenho atitudes mais flexíveis - o oposto de como agia antes, com ele - sugerem que eu estou dando pouco limite. Bom, paciência! Com essa nova estratégia sincera e de coração, tem sido menos desgastante para mim, para ele e para as pessoas ao redor. Basta ter firmeza, franqueza e coerência. Bom, se ele vai aceitar é outro departamento... Ele nunca facilitou nas intervenções mais rigorosas e era mais cansativo. Vi que era estupidez minha: em vez de ver como ele é e falar numa linguagem mais próxima dele, impunha minha autoridade. Fosse do jeito que fosse, eu sempre estive "em cima". Então, como não dou limite ao meu filho? Isso me faz questionar: será que alguém sabe exatamente o que vem a ser "limite ideal"? Quem me ensinou uma coisa bacana foi minha amiga, Noemia, que me disse: "o melhor limite é o exemplo diário". E a psi dele - Suely - me ensinou sobre a importância da rotina. Instintiva ou intuitivamente, eu já fazia isso. A rotina foi algo que me ajudou muito quando eu tive a DPP - Depressão Pós Parto. Eu descobri, na minha prática diária de oscilações de humor, que, quanto menos eu tinha que "criar", menos eu tinha que "pensar em como e o quê fazer", menos eu me estressava", era meio que uma programação: apenas fazer. Assim: hora para tudo e deixar tudo arrumado de maneira prática, sem alterações. Eu sempre fui metódica em minhas arrumações - é da minha natureza - e com a DPP, eu não conseguia dar conta nem do básico, como fazer as necessidades fisiológicas - eu só ia ao sanitário por instinto... eu segurava até não aguentar mais, porque, eu pensava: "para quê ir ao banheiro?". Interessante é que não conseguia "fazer nas calças", eu ia. Enfim, estabelecer uma rotina diária com hora para tudo me ajudava a não ter mudança. Por isso que era importante para mim, ficar em lugares mais calmos e que me dispersasse pouco. Quando vi que Peu era muito agitado e isso é algo difícil de lidar - ainda mais com algumas pessoas que além de não ajudar, ainda atrapalhavam... com cobranças e julgamentos vazios, do tipo "macaco não olha para o rabo" - eu utilizei a mesma técnica. Isso estava ajudando, muito, mesmo assim, não era o suficiente. Trata-se de um complexo muito maior. Na escola ele não mudou, ainda, esse padrão de comportamento. O que me dá segurança de que é uma questão de tempo e ajuste, é que eu conheço meu filho desde que nasceu e vejo a melhora em seu comportamento com isso que eu chamo de "limite" e com a ajuda da psi dele. Mesmo assim, ele reluta em aceitar as intervenções desses limites - ainda que entenda que é importante... é como se ele não fosse tocado a fundo por esse limite. Cruzar os braços? Inventar doença para justificar sua atitude fora de padrão? Eu tenho que ver quem e como é aquele ser e agir. É o que faço. É o que fazemos, porque eu não estou sozinha nessa empreitada. Eu vejo crianças com comportamentos comprometedores para sua saúde emocional e mental, mas, por não serem agitadas, os pais deixam lá, no canto, quietos e fazem tudo o que a criança quer porque "não dá trabalho". Isso é limite? Se poupar do trabalho e fazer o que o filho quer só para o menino ficar quieto? Essa mania de acharmos que criança quieta é normal é perigosa... Criança saudável é a que entende mais e age de maneira mais sociável, sabendo respeitar as "normas" da boa convivência e tendo espaço na realidade para lidarem com frustrações, perdas e tudo o mais, sem magoar, machucar ou manipular.

O ideal, para mim, é romper com os tabus. Ficar com medo de ser julgado e sair por aí julgando é que não resolve nada. Vejo pais e mães perdidos por aí por puro orgulho e vaidade. Francamente! Eu me esforço e me rebolo para dar uma boa base de formação moral e de bom caráter para meu filho. Mas, tudo tem um "limite" e minha zona de alcance também tem: eu posso estabelecer esse limite, cabe a ele aceitar. As pessoas confundem imposição e medo com estabelecimento de limite e respeito... e não é bem assim. Muitos meninos e muitos adultos podem terem sido quietos, mas, quantos têm uma boa base? Vejo por aí meninos mimados, com valores deturpados, mas, que se comportam em sala de aula e fingem "obedecer" aos pais, sem a menor compreensão e entendimento do que deve fazer... o que queremos para os nossos filhos? O quanto estamos dispostos a investir em nós mesmos, em nossa mudança para conseguir passar algo firme e construtivo para eles? Impor limite é o mesmo que estabelecer? 

Gente, educar um filho tem seus/nossos limites, também. Nós também somos imperfeitas, como agir com magnitude e perfeição? Como educar um filho e torná-lo perfeito? Já pensou se eu finjo não ver os momentos de agressividade de Peu? Como poderia ajudá-lo a lidar com essa fúria ao ser contrariado? Miopia, cegueira e julgamento/condenação da vida alheia não ajuda em nada... O foco deve ser na solução, na colocação em prática do que deve ser feito. E estabelecer um código honesto e franco do que está sendo feito. Meu filho não é um santo, mas, também não é o demônio... e essa mania do povo de colocar ou de um lado ou do outro é um grande problema. Ele, como todo ser humano, tem seus lados de sombra e luz. É um poço de agitação, mas, por outro lado, é afetuoso, carinhosos e cuidadoso. Já pensou se só visse o lado bom, dele? Ou, se só visse o lado ruim? O que de bom se pode fazer vendo apenas um lado?

É essa a minha questão, me esforço, mesmo errando muito, ainda e ainda errarei e acertarei muito, mas, me mantenho na prática de uma maternidade mais consciente, sem muito espaço para ilusão, devaneio ou fuga da realidade. É ver e agir! E tudo isso com muito amor! E muita firmeza de caráter! As melhores regras a serem assimiladas são as que fazem sentido! Desenvolver a relação de consciência e cumprimento do dever é mais importante do que apontar o dedo a todo instante. Mesmo assim, em alguns momentos é preciso entender que a imposição se faz necessária. É uma questão de foco: se sabe o que é para ser feito, faça-se! E observar o tempo de cada maneira de agir e o que se vai colocar. É um processo de movimento interno e externo o tempo inteiro. É um processo de revisão dos nossos valores pessoais, respeito, compreensão e pensamento rápido. Requer saber dialogar. Nem todo mundo tem essa capacidade desenvolvida. Muitos de nós, pais e mães, só quer falar...

Saudações maternais,

Pat Lins.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

MELHORANDO O AMBIENTE FAMILIAR


"Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior. Estas atitudes se refletirão em mudanças positivas no seu ambiente familiar. Deste ponto em diante, as mudanças se expandirão em proporções cada vez maiores. Tudo o que fazemos produz efeito, causa algum impacto."
Dalai Lama

domingo, 5 de agosto de 2012

COMO ENTENDEMOS "LIMITES"?


"O CÉU É O LIMITE". Essa questão sobre limites sempre rende pando para a manga. Isso porque, eu - Patricia - em minhas observações do cotidiano - ou, na prática diária da maternidade e/ou paternidade e/ou "avoternidade"... - que os "limites" não são muito bem definidos em nossas cabecinhas. A gente ou acredita que limite é medo, como os limites impostos com rigor e a disciplina militar; ou que limite é sempre berrar com a criança; ou, ainda, que limite é aquilo que só é necessário se a criança for agitada... onde, se a criança apenas for chorona e quiser muito uma coisa, é só dar o que ela quer que ela para...; ou, criança com limite nunca testa os pais e pede novos limites... Enfim, muito confundimos muito o que vem  ser limite porque nós mesmos temos medos dos nossos para nossa melhoria pessoal e muito nos foi imposto como limitação e não sabemos bem o que limite significa, daí, como dar aquilo que a gente não tem de verdade?

Uma amiga sempre me disse que eu deveria ser mais flexível com Peu e menos rígida, que para educar e dar bons limites é muito melhor e menos desgastante se for baseado em um movimento sincero, consciente, firme, com atitudes coerentes ao que "estipulamos" como limite e com amor. Ou seja, coisa simples, simples, mas que acaba sendo nada fácil. E, não é que é verdade? Como ela disse: "não fui eu quem inventou isso, basta ver como as coisas realmente são.". Bom, esse é o nosso ponto: a gente tem dificuldade em ver as coisas como realmente são. No geral, vemos aquilo que nossos olhos nos limitam a ver e acreditamos que somos capazes de enxergar - usando apenas um dos órgãos dos sentidos... sozinho, não faz tanto sentido assim... -. Nossa dureza pessoal dificulta essa processo. Nossas carências, nossos tabus, nossos pensamentos e mentes bloqueadas dificultam a simplicidade do processo. Ficamos presos ao fato de nos terem imposto e, por não conseguirmos nos esforçar em nos libertar e seguir nosso rumo, acabamos presos a esse dilema de "culpa e culpado" onde nossos pais são os algozes de nossas prisões emocionais. Como passar algo livre para os nossos filhos? Acabamos repetindo o molde de limitação, sem percebermos. Acabamos sendo levados muito mais pelo medo de ser julgado um pai ou uma mãe sem pulso, do que observar a real necessidade do filho.

Como dar limites se nós somos limitados?

Venho observando em meu dia a dia o quanto LIMITE tem muito mais relação com os valores éticos e morais do que com uma imposição de medo, em vez de respeito. Primeiro: o que vem a ser respeito? Nós colocamos muito o respeito como um medo disfarçado... Já perceberam isso? Ou, já se perceberam assim? Como respeitar algo se em nossa cultura vigora a "lei da vantagem"? Como ensinar "respeito" num ambiente onde se coloca que seres respeitosos são "otários", "maricas", "manés"... ou qualquer termo pejorativo incorporado ao nosso cotidiano? Os limites têm base no RESPEITO. É muito mais um trabalho a longo prazo, é um trabalho constante... demanda diária. Para mim é um trabalho de construção de base, de formação moral, mesmo. Se tivermos claros os bons valores, se isso fizer parte do nosso dia a dia, o limite será algo natural - e ninguém entenda "natural" como algo sem esforço, sem dificuldade. Senão, se ainda temos muito que entender e aprender, esse processo natural será mais lento, porque precisaremos reconstruir nossas próprias bases pessoais para termos a mínima condição de firmar essa base em nossos rebentos. Mas, somos reflexos de nossos arquétipos, digamos, confusos... mas, somos seres livres para buscar apoio - lógico, antes de tudo é necessário identificarmos em nós algo que requer atenção e mudança, senão, nos mantemos nesse ambiente e gravitamos nessa órbita sem sentido... - e transformarmos nossa condição. Eu admito: dói! Dói, muito! Mas, vale a pena. A dor vai passar, mas, o que fica de bom é para sempre. Assim, conseguimos nos focar no que importa: no limite natural pela moral e pela boa conduta, pela ação correta e pelos pensamentos elevados e as comparações com "os amiguinhos" ou com "os outros" - que não é, nem deveria ser critério para avaliação - deixa de existir

Ontem, voltando do aniversário vivenciei algumas situações conflitos com crianças, escutei algumas "conclusões" baseadas em julgamentos pessoais - aqui eu "julgo" baseado em minhas conclusões pessoais, mas, com uma diferença, estou refletindo... - e vi, mais uma vez o quanto a gente julga e o quanto se dividir gera um tipo de avaliação com dois pesos e duas medidas e o quanto isso é perigoso. Vou explicar: assim que chegamos, fui cumprimentar o aniversariante. Como já sei como ele é, o quanto é arisco, não forcei o contato e fiz um "venha de lá" e ele veio bater forte em minha mão. Eu apenas brinquei e disse: "cuidado, rapaz, com essa força toda você pode machucar a sua mão...". Ele quis testar e comprovou: a mão dele doeu - fora que eu estava com um anel e, diante da minha observação, troquei de mão para não ser mais dolorido para ele. Ele me pediu para fazer de novo e que ele faria mais devagar. Repetimos o cumprimento e foi beleza! Ele bateu mais devagar. Quando meu marido chegou, abraçou o menino e o carregou. Levou dois socos no rosto. Bom, criança toma susto. A gente tem que chegar de leve. Isso justifica os socos? Não. Até aí, tudo bem. O problema foi que, a criança quando viu que sua ação teve reprovação - os olhares ao redor o fizeram ver isso - se jogou no chão e começou a chorar. A avó e a mãe correram para vê-lo. Uma senhora que fora "testemunha", avisou a avó - que já fitava o filho com uma certa reprovação e condenação, onde, pelo olhar, ela dizia: "o que você fez com o seu sobrinho?"... ou seja, mãe que não conhece o próprio filho, pois ela sabe que o filho dela adora criança e tem um filho pequeno, também... - e a senhora explicou que o tio carregou o sobrinho, todo amoroso e o sobrinho o socou. Bom, a avó do menino sequer se aproximou, quando viu que havia sido injusta com o próprio filho, mudando de ambiente e optando por não ver e não fazer parte daquele momento... A mãe do menino foi escutar o filho e ele babava, gritava/berrava tudo muito embolado - dava para ver que ele queria confundir - e dizia: "ele me fez uma coisa... ele me fez uma coisa...". Quem estava de fora era capaz de acreditar que o menino havia sido machucado pelo adulto. Hoje em dia, é bom termos sempre "testemunhas", porque as crianças, sim, elas sabem "criar" umas "mentirinhas" para salvar a pele... Pois bem, a mãe teve a atitude de escutar os dois lados e advertiu o filho: "Meu filho, por que você fez isso? Peça desculpa ao seu tio.". O menino relutou, inventou mais uma desculpa... segundo ele: "eu não reconheci ele". Alguém falou, na hora e ele repetiu: "ele deve ter estranhado" e ele aproveitou e usou... Alguma criança é santa? Não. A gente já nasce sabendo sobre julgar e ser julgado... Está no ar que a gente respira desde o nascimento. Nós, adultos, é que precisamos ter mais "jogo de cintura" para saber lidar de maneira mais justa e imparcial.

Continuando: o aniversariante tem uma característica que os pais não dão importância. Ele costuma fazer o que quer. Se você o deixar fazer o quer, ele fica quieto no canto dele, o que, para eles é "não dá trabalho, nenhum...". Se você disser um "não" - ainda que não use a palavra "não", uma negatividade simples - ele se transforma, grita, chora, baba e, em alguns momentos, faz xixi nas calças - isso, para eles, é besteira...-. Durante a festinha, uma menina - que não deveria ter 2 anos - e não fala direito, se aproximava dele e dava um gritinho, tentando estabelecer contato. Ele chorava. Quando mais ele chorava, mais a menininha se assustava e se aproximava dele, como quem quer saber o que está acontecendo. Ele chorava mais. A avó estava nitidamente nervosa e culpando a menininha. E dizia: "ele tá chorando por causa dela. Ela grita e ele se assusta e chora...". Eu perguntei, para introduzir uma reflexão: "ele está com sono?", no que ela me responde: "Não. Ele está assustado é com a menina mesmo. Tem que tirar ela dali...". Ou seja, os adultos "compram" um briga que não existe e, em vez de ajudar a criança, a estabelecer o tal limite, alimenta uma limitação. A avó do menino não queria que nada fizesse o neto chorar, mas, em momento algum permitiu que o bom senso imperasse e sentou para abrir diálogo com o menino. Ele era a "vítima" e pronto. E o esclarecimento? Isso ajuda no limite, também. Quando a criança entender que aquilo não é um ataque, ele vai chorar? Resultado, nem deu tempo de tentar conversar com a criança, ela foi "arrancada" de lá e levaram-no para outro ambiente. Isso resolve? Mudar o ambiente, mudar de lugar, resolve? O que não soluciona, para mim, não resolve. O problema está lá. Houve ambiente para um crescimento aí? Os adultos demonstraram toda a fragilidade e falta de limite próprio. As carências e os medos falaram mais alto. O "resolver", explicar, nem passou perto.

Pois bem, já de volta para casa, estávamos levando a avó do aniversariante, quando o meu filho, diante de um comentário que fiz - sobre um parque que ele ia, todo ano, e fora vendido - não gostou e se irritou, arremessando o brinquedo no chão do carro. Quando eu fui começar a estabelecer contato com meu filho - lógico, uma atitude de demonstração de raiva com arremesso de objeto, para mim, não é uma boa atitude e, não é porque é meu filho que vou agir diferente -, de explicar para ele que isso era algo que estava fora do alcance dele e que a irritação não o ajudaria a resolver, ela falou: "Você precisa ser pró-ativo. Quando eu vou a praia, por exemplo, e vejo lixo no chão, eu cato. Não vou mandar o lixeiro catar, nem jogar na casa do prefeito...". Bom, sem saber como conectar uma coisa com a outra, eu tentei dar um sentido: "Nem jogar areia para o alto, ou chutar a areia... Porque não iria resolver. Agora, quem vai ficar sem o brinquedo é você e não mudou nada no parque...". Ela nos questionou: "Tem que ver. Ele arremessa as coisas assim, quando está irritado, é? Isso não é bom!". Lógico que não é bom! E a gente não deixa passar em branco. Estabelecemos o que chamamos de limite com o levantar de questões que façam Peu enxergar as próprias ações. De nada adiantaria eu agir como agia e reclamar com ele, dizendo: "Não faça isso, Pedro. Isso é errado! Coisa feia, ficar jogando o brinquedo no chão de raiva!". Era essa a minha tática. Hoje, o levo a refletir. E tem funcionado melhor. Sou uma mãe melhor do que as outras? Pedro mudou de uma hora para outra? Não. Estou aprendendo. Mudando em mim e observando mais. Vendo quem é meu filho e vendo qual a melhor maneira de ajudá-lo. Meu intuito é dar uma boa base de formação moral ao meu filho, para isso, tenho que me ver, o ver e nos ver. Como estávamos na frente dele, apenas agi como ajo e não dei grandes explicações para ela - não era o momento -, que me julgou uma mãe sem "pulso", por apenas dizer: "Meu filho, agora, quem está sem brinquedo é você. A raiva te fez perder e não resolver...". Primeiro, fui interrompida quando começava a falar com ele - detectei e agi - o que demonstrou a invasão e ela, sequer se deu conta de que eu tenho minha - nova - maneira de agir; muito menos, respeitou esse espaço mãe-filho... - fora que ficou evidente os dois pesos e duas medidas com a qual ela "julga"... Tentei não alimentar essa parte, para não perde o foco que era educar Peu. Quando eu vejo uma situação-conflito entre pais e filhos, me recolho a observadora. O primeiro contato é entre eles. Quando agi, não a satisfiz, onde ela nos contou: "Eu penso que o problema das  crianças, hoje em dia, seja o fato dos pais não saberem dar limites...". Pode parecer que tenha sido indireta, mas, não acho... Eu conheço a pessoa e sei que foi muito mais um pensamento desarticulado... Não creio que ela não tenha visto como ela agiu com o neto e como eu estava agindo com meu filho - eu vi que ele teve um comportamento ruim e ia agir, quando fui interrompida... Não ia brigar com ela, esperei ela concluir e continuei, com meu filho. Nem ela sabe o que quer dizer limite. Isso ficou nítido quando ela tirou o neto do ambiente, sem deixar a própria mãe do menino esclarecer - no episódio onde o menino chorava com o gritinho da menininha. Ou seja, é uma pessoa que não vê as próprias ações e age como a maioria de nós: o erro só está nos outros. Ela deu sequência: "Estava num ponto de ônibus e um pai e um filho mascavam chiclete. O menino terminou e jogou no chão. O pai chamou a atenção do garoto e o mandou jogar no lixo. O menino foi, jogou, depois, chutou o lixo, jogando-o no bueiro. Daí, eu me questionei: falta os pais darem limite as filhos, hoje em dia...". Bom, deu um leve nó em minha cabeça. Para mim, as coisas precisam ter um mínimo sentido lógico. Como não entendi indaguei - existe outra maneira de esclarecer uma dúvida? -: "Mas, o pai deu um 'limite' quando orientou que o filho jogasse o lixo no lixo. Pelo que entendi, o filho testou esse limite, criando uma nova situação. E o pai, como reagiu, diante desse teste?". Não obtive resposta, apenas um: "o lixo havia caído no bueiro, não tinha como fazer mais nada...". O que eu queria saber era: "como o pai conduziu, como agiu diante dessa nova investida do filho?". Então, coloquei: "...filhos, você bem sabe, porque tem 2, sempre testam nossos limites, quando tentamos 'dar-lhes' limites. O 'como' vamos agir ou reagir é que faz a diferença. Por isso que levo Pedro a refletir, para que ele entenda que o que ele fez é prejudicial. É a maneira que encontramos e tem surtido efeito, mesmo assim, ele não para de criar novas situações para nos testar...". A conversa parou aí, assim, mesmo. Outro assunto foi puxado e o "fim" fora imposto: "caiu no bueiro".

Em geral, fazemos isso: mudamos o superficial - como tirar o menino do lugar, sem diálogo, sem esclarecimento... apenas afirmando para ele, em forma de ação: "faça o que quiser" - ou, mudamos de assunto, para não olharmos o que precisamos ver, já que "o lixo caiu no bueiro". O não pensar em soluções limita muito uma ação de "limite". Sem identificar o que corrigir, corrigir o quê? A diferença está na AÇÃO: NA CONSCIÊNCIA DE QUE UMA AÇÃO SE FAZ NECESSÁRIA  e na CONSCIÊNCIA DE QUAL AÇÃO TOMAR.

Quantos de nós já passou - em shoppings centers é muito comum, ambiente favorável para os pequenos testarem nossas forças mentais... oh, Deus! - por uma criança fazendo birra, se jogando no chão e dissemos: "Se fosse meu filho ele iria ver..." ou "Isso é falta de pulso dos pais, que não sabem dar LIMITE..."? E, quantos de nós, ao passar pela mesma situação nos arrependemos dos comentários cruéis e dizemos: "Ai, meu Deus, agora eu sei o que os pais que julguei passaram...".

Gente, educar um filho é brinquedo? Fale sério. Mas, falta um pouco de boa vontade da gente, falta não? Seria bacana se entendêssemos que, para começar, somos criaturas imperfeitas querendo ver a perfeição em nossas - que não são nossas, na verdade - criaturinhas. 


Estou revendo os meus próprios conceitos, mexendo muuiiitttoo em mim mesma, para saber ser um exemplo para meu filho. Isso é garantia de que ele siga o mesmo caminho? Não. Entretanto, ele saberá que pode escolher, assim como a mãe dele fez. E, finalmente, entendi que LIMITE é algo que se baseia nos bons valores - estes são os verdadeiros limites humanos e não limitações -, principalmente, com RESPEITO e na CONSCIÊNCIA DE QUE PODEMOS ESCOLHER SEGUIR UM CAMINHO MELHOR. O limite, para mim, tem muito mais a ver com o (re)conhecimento do DEVER. Falta em nossa cultura humana, o entendimento de que somos responsáveis por nossas ações e suas consequências e isso gera um dever para conosco e para com o outro.

LIMITE É SABER ATÉ ONDE PODEMOS IR, SEM INVADIR, MACHUCAR O OUTRO. Aqui, faço uma ressalva: machucar é algo questionável, porque tem gente que se dói por tudo e tem mania de perseguição, então, agir com uma pessoa dessas sempre será um risco... porque caberá a cada um lidar com os próprios melindres e tentar se livrar deles. Ou seja, se cada um fizer a sua parte de autobusca e reconhecimento dos próprios limites - ou, nesses casos, das próprias limitações - para estabelecer um caminho mais razoável e menos doloroso, abre-se caminho para o estabelecimento natural do LIMITE. Baseamos o limite em muita dor. Em nossas dores, em nossas vergonhas... em nossos medos de julgamento.

LIMITE é um desafio, porque não é fácil estabelecer o que não entendemos direito... O LIMITE - esse que tentamos conceituar - está diretamente ligado a LIBERDADE - não libertinagem -, onde CÔNSCIOS de nossos DEVERES e das nossas AÇÕES  e suas consequências, podemos agir, sabendo para onde e por onde ir. O LIMITE liberta. Ele norteia uma ação. A confusão com o podar como limite já deveria ter sido superada, mas, como ainda não foi, caba a cada um de nós ir construindo esse caminho do bem, pelo bem e para o bem! Só assim, seremos capazes de separar o "joio do trigo" de nossas ações.








Saudações maternais,

Pat Lins.

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