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sábado, 21 de julho de 2012

ANIVERSÁRIO DOS FILHOS: FESTA PARA ADULTOS OU PARA AS CRIANÇAS?


Como Peu já entende o que é festa de aniversário e, há alguns anos, ele mesmo escolhe o tema da festinha, este ano pensei em perguntar onde ele quer que faça. Em geral, a gente apenas se organizava e fazia.

Esperava algo do tipo: "game station" ou "playland" ou, até, alguma casa de buffet infantil - o que gelei... são muito caras... Nossas festas são sempre muito alegres, animadas e bem organizadinhas, mas, somos nós - eu, meu marido e nossa família, onde minhas tias fazem a parte mais pesada, que são os doces e salgados, além dos famosos bolos decorados - que fazemos tudo e ele sempre se diverte. Afinal, festa é festa e é o que importa. A família, os amigos, todos juntos. Ele gosta dos presentes, mas, curte mesmo cada pessoa que chega e a folia.

Para minha surpresa, ele me pediu: "Museu para crianças, mãe.". Achei ótimo! Ele gosta é do contato com a área aberta, com a grama, com o ar e com a aventura do lugar!



A questão é que nesse espaço o importante é deixar a criança à vontade, para ela explorar. É a interação com os adultos nessa troca. Lá não é espaço para sentar, comer e beber. Trata-se de um lanche simples e muita exploração e descoberta ao ar livre. Tem bola de sabão gigante, onde a gente entra num pneu cortado, no chão, levanta um bambolê - imerso na mistura de água e sabão - e sobe a bola de sabão enorme. Tem uma teia de aranha gigante, feita com cordas que é o máximo da aventura para eles. Casa na árvore. Ossos de dinossauros. Brincadeiras desafiadoras, como mexer as mãos para um lado, ao mesmo tempo que mexe os pés para o outro... Biblioteca com cadeira de balanço e esteiras... Muito bacana.

Infelizmente, tem gente que discorda. Issso me fez pensar: será que essas pessoas já se permitiram deixar os filhos fazerem algumas escolhas? Será que "festa" é só sentar, comer e falar alto? Um encontro light, num lugar legal, onde a idéia é CELEBRAR mais um ano de vida é "excluir o adulto"? Será que os adultos conseguem entender que se trata de uma festa DE e PARA crianças? O quê acontece com os adultos para ficarem assim, tão duros e inflexíveis? Para mim, celebrar é algo especial, ainda mais depois de tanta cosia pesada que passamos juntos, nesses últimos anos. 

Cheguei a ficar balançada, por conta de algumas pessoas - que, creio eu, não vão gostar da idéia... - e conversei com meu marido: "e aí, o que fazemos?". E respondemos juntos: "mantemos!". É isso! Podem não gostar. Falar mal... O que eu quero é ver meu filho satisfeito na CELEBRAÇÃO do aniversário dele. Se ele pediu lá e dá para fazer, por quê não? Eu queria muito que todos entendessem, mas, a mim cabe fazer o que é preciso. Posso me dar ao trabalho de explicar, não tem problema. Caberão às pessoas entenderem... Não vai se tratar de uma festa convencional..., nem com luxo... fora que isso de ter a "obrigação" de fazer uma festa já não me agrada. Eu penso assim: dá para fazer, faz; não dá, não faz. "Ah, mas, se ele, quando for adulto olhar as fotos e não vir as festas de tal e tal ano?" Ah, gente, francamente, ficar preso a valores desse tipo eu não penso ser legal. Se não der para fazer festa grande, faz um bolinho e canta parabéns. Isso vai matar alguém? Não entra em minha cabeça fazer dívida para comemorar aniversário. Depois, fica com dor de cabeça para pagar os débitos e a alegria vai-se embora. Fora o peso que a criança vai carregar em ver os pais endividados por conta de uma festa de aniversário.

Comentei com umas amigas e elas me disseram que já começaram a fazer isso. Uma, mesmo, este ano, fez um almoço aqui no prédio, a gurizada estava na piscina e se fez a festa. Gente, essa improvisação foi perfeita. Eles comentavam entre eles: "que festa massa!".  E vejo cada vez mais isso acontecer. O legal é fazer algo legal e de verdade. Isso ficará na lembrança. Nas boas lembranças! Fora que quebra a rotina. Quebra um padrão. Quebra um algo "esperado". O que é bom, fica melhor, com gosto de alegria e cheirinho de satisfação!

Assim, me deparei refletindo: a gente comemora o aniversário de um filho para a gente ou para eles? Se a resposta foi "para eles", faz sentido fazermos tudo "para a gente"? Celebrar é para ser algo bom! Nossa, mais uma ano de vida! É para reunir quem a gente gosta e pedir bênçãos aos céus. Toda cultura celebra algum tipo de aniversário - se não o seu, ao menos, o de Cristo... como é o caso de algumas religiões - o que denota a relevância da celebração como algo importante. As velas simbolizavam uma maneira de proteger o aniversariante dos demônios... Hoje, apenas acendemos sem nem saber o motivo... Mas, trata-se de um SIMBOLOGIA bacana, né, não? Pedir proteção e luz do bem. Se nosso pensamento é capaz de nos fazer ter reações físicas, apenas com o ato de pensar, imagina quando todo mundo pensa junto e deseja coisas boas a uma pessoa, naquele momento? Um monte de gente que te ama, junto, pedindo a Deus por você. Pô, isso é bom demais! Fora a mensagem de partilha e de troca. A divisão - para mim, multiplicação - do bolo, a partilha, o compartilhar o objeto de maior expectativa na festa. A troca, como na vida, aquilo de dar e receber. Não me atenho ao presente material, comercial, mas, ao fato de aquelas pessoas se deslocarem até sua festa, para estar com você naquele dia especial! É assim que encaro uma celebração de aniversário. É isso que quero que meu filho entenda. E, pelo visto ele entendeu. O "museu para crianças" é um dos seus lugares favoritos. Imagina, em seu lugar favorito, as pessoas que você ama? A simplicidade é tudo!

Têm coisas que devemos levar em consideração. A vida da criança é infância. Os adultos adoram apresentar para as crianças um mundo chato... e a gente vai manter a propagação disso? O mundo adulto pode ser melhor, se o fizermos assim. Problema, na infância também tem. Não têm contas a pagar e responsabilidades que o mundo adulto naturalmente traz. Mas, faz parte. Cada fase com seu quinhão de responsabilidade.

Saudações maternais,

Pat Lins.


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