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terça-feira, 8 de abril de 2014

DICA DE FILME - KIRIKU E A FEITICEIRA


 


"Kiriku e a Feiticeira" é um filme muito lindo! Ele é baseado em lendas africanas, mas podemos dizer que é um conto de fadas na África.

Fala de tanta coisa, através de um pequeno menino que já nasce falando e determinado em ajudar e libertar sua vila do mal, que é impossível listar aqui tudo o que aborda. Fora a questão da simbologia que é muito subjetiva.

Enfim, um filme que vale muito a pena ser visto, sentido e sorvido, como quem bebe um delicioso chá.

De pequeno nos fazemos grandes. Por isso posto aqui, para nós, mamães. A presença da mão de Kiriku é muito forte. Uma figura que estimula o filho a seguir em frente. Por mais forte que ele seja, sabe que conta com o apoio dela. Como o amor pode salvar nossos pequenos e permitir que sejam quem são; respeitando seu espaço e dando limite com amor! 

A maior lição que eu, Patricia, captei foi de como o amor liberta. Para o pequeno, o mais importante é entender o motivo de tanta maldade, não só na feiticeira, mas nas pessoas que estão ao seu redor... ele ajuda tanto e salva a vida de tanta gente... mas as pessoas são ingratas e continuam a cometer os mesmos erros. Como transformar algo, se fazemos tudo igual? Kiriku não quer ser um homem omo os outros. Ele não quer escravizar, ele sente o desejo de libertar, com uma única condição: com amor e pureza! Sem julgamento ou condenação. Sem desejo de morte ou destruição. Apenas fazendo o que precisa ser feito, como deve ser feito: enfrentando os medos, os desafios, descansando e seguindo o tempo de ser de cada coisa. Nossa, tem muita lição no filme. A gente se identifica de cara, com cada personagem. Muito lindo! Fora que trabalha a diversidade cultural. Independente da cultura, ser humano é ser humano e todos precisamos assumir a responsabilidade em cada ação. 

Eis um link para quem quiser ver pelo youtube:




E vamos subindo cada degrau! De "por quê?" em "por quê?" a gente pode chegar até o surgimento do mundo... 

Algumas frases que me encantaram:

"As vezes me canso de lutar sozinho! Sou muito pequeno e me sinto assustado..."

"Precisamos ser gratos quando pequenos, porque só sendo pequeno dá para passar por onde você passou. E devemos ser gratos quando crescidos..."

"- ... me dá um amuleto para me proteger da feiticeira?

- Não! A feiticeira conhece todos os truques e amuletos. Um coração puro e inocente e inteligência livre e alerta são suas maiores proteções!"

Frases - adaptadas pelo que lembrei... - do filme "Kiriku e a feiticeira".

Assim é a vida que criamos: com ilusões, medos, dores... tanta culpa, que a maldade cresce sem uma razão aparente... mas com todo espaço propício. O mal é apenas um bem maltratado e muito traumatizado, com dores tão profundas que melhor ficar comodado à ela do que ter que sentir a dor de curar... Daí, vira uma bola de neve gigante. Mas, com amor e determinação, a cura pode chegar. Se a gente não alcança ou não tem força para retirar aquele espinho envenenado no meio das nossas costas, podemos aceitar receber ajuda e cuidado. Podemos nos deixar curar. E tem gente com mais dor do que mãe? Culpa - "Por que não consigo ajudar meu filho?"; medo - "e se meu filho não for um grande engenheiro?" ou "O que será do futuro do meu filho, se eu não mostrar o melhor caminho para ele?"; cobrança - "Tem que fazer assim! É assim que todo mundo faz!"; vaidade - "será que as pessoas vão saber que sou uma boa mãe?"... e por aí vai. Isso tudo vai entrando e enraizando em nossas mentes. 

Emoções mal ou nunca trabalhadas pode desencadear essa gama de maldade que vivemos e continuamos a seguir por aí. Isso tudo cria as mentes cruéis e esse estresse todo que vivemos atualmente. É tanto medo de não dar conta de tudo novo que descobrem a cada dia que qualquer um pira... Urge a necessidade de começarmos a fazer diferente. Não temos que ter medo do mundo que nossos filhos irão viver. Precisamos mostrar para eles que tem o que está e que dentro de nós a paz pode imperar. Se cada mundo individual encontrar a paz interior, será um mundo a mais para ajudar a paz no mundo, na Terra. 

A Mãe Terra pede apenas que sejamos bons filhos, não grandes destruidores alegando construção.

Espero que assistam e gostem. Preconceito é apenas uma barreira... e um terreno fértil para a destruição.

Saudações maternais, para todas as tribos - cada parte que compõe o todo Terra,

Pat Lins.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

"FROZEN - UMA AVENTURA CONGELANTE" - UM FILME DE AQUECER O CORAÇÃO!


Ai, adoro postar aqui sobre os filmes maravilhosos que assisto com Peu. Mas, FROZEN foi um dos mais sensíveis e lindos! De aquecer o coração, mesmo! Eu, Peu e minha pequena trupe - sobrinha e primo - ficamos todos encantados e com gosto de bis. Gostamos muito do "Bons de bico", mas era comédia meio chavão. 

Pois bem, só de abordar o "amor" como algo maior, além do amor entre homem e mulher e que uma prova de amor incondicional vai além, muito além, do "beijo do amor verdadeiro", já me ganhou!

A história começa com o acordar de duas menininhas lindas e encantadoras, as princesas Elsa e Ana que se dão muito bem. Ana (caçula) acorda a irmã, pedindo que a mais velha use seus poderes especiais de dominar o gelo, para brincarem com neve. O quarto se torna um verdadeiro parque congelado. Durante a diversão pura e inocente, a pequena Ana cai e, com medo da irmã se machucar, Elsa acaba atingindo a cabeça da pequena Ana com uma ponta de gelo. Esta desmaia, quase desfalecendo. Aos prantos e berros, ela chama os pais - os reis de Arendell. Desesperados, eles levam as duas para o centro da floresta, em busca da ajuda dos trolls - seres mágicos da natureza. Apesar da forma dura e grosseira, eles são extremamente gentis e amorosos. O ancião do grupo se aproxima e pergunta o que houve. Quando os pais explicam, ele diz:

- Tem jeito, sim! Como foi na cabeça, da para a gente 'enganar'. Difícil é quando é no coração. É difícil, muito difícil enganar o coração. Esse poder dela é dom ou foi amaldiçoada?

- É dom. Ela ensceu assim. - diz o rei/pai.

- Sendo assim, fica mais fácil. Ela tem um dom muito bonito, mas perigoso. Ela precisa aprender a controlar. Vai crescer. E ela terá que enfrentar muitos desafios. Seu maior inimigo será o medo. Se não dominá-lo, ele vencerá.

Temerosos e querendo ajudar as duas filhas, os reis decidem fechar as portas do castelo. Diminuem a quantidade de empregados. A pequena Elsa se tranca no quarto, para proteger a irmã que tanto ama do seu poder. A pequena Ana, para sobreviver, teve sua memória apagada. Apenas o fato de serem irmãs,  filhas dos reis, de se amarem e a parte da diversão ficaram em sua memória. O resto, inclusive o acidente, precisou ser apagado, para enganar a cabeça e aquecê-la novamente, ressuscitando a pequena. Sendo assim, todas as manhãs, Ana bate a porta de Elsa. Esta, nunca abre e nem responde. Ana cresce presa no castelo. Elsa, presa em seu quarto. O tempo passa. As meninas crescem. Os pais precisam fazer uma viagem real. O navio afunda. Eles morrem. Elsa não vai nem ao enterro. Ana cresce imaginando que a irmã seja uma pessoa "nojenta" e fresca, principalmente, por conta das luvas que se obriga a usar. 

Elsa, como a mais velha, será coroada rainha. Durante a cerimônia, abrem as portas do castelo. Pela primeira vez, em muitos anos, elas estarão entre outras pessoas. Ana fica curiosa e animada. Elsa, temerosa e muito preocupada.

A cerimônia acontece muito bem. Elsa precisa retirar as luvas enquanto o bispo faz o juramento e começa a congelar os objetos em suas mãos. Entregando-os e recolocando as luvas sem que ninguém percebesse o seu dom. Ela fica feliz em rever a irmã, mas se afasta, para protegê-la, como se prometeu.

De repente, Ana sai, inocentemente, e conhece o príncipe Hans, um jovem muito bonito e aparentemente simpático. Diante de tantas "semelhanças", decidem se casar. Vão pedir o consentimento da rainha Elsa e ela se recusa, orientando a irmã de que ninguém se casa com alguém que conheceu no mesmo dia. Revoltada, Ana começa a agredir a irmã e questionar porque ela a odeia tanto... Puxa a luva de Elsa e, assustada, ela pede que se afastem dela. Perdendo o controle, ela explode e lanças de gelo saem do chão, criando um paredão ao redor de Elsa. Ao perceber o que fez e do seu poder, se sente um monstro e começa a congelar todo o reino, sem querer. Transformando o verão num inverno rigoroso.

Assustadíssima, corre para a montanha do Norte, a mais alta da região, a fim de se isolar. Sente-se livre, pela primeira vez na vida, onde pode ser quem é, sem máscaras, sem luvas, sem se esconder. Redescobre-se. Quando somos livres, somos quem somos, sem amarras, sem peso... Mas, ela ainda não estava livre... Ignorando o inverno em Arendell, pensa que está ajudando a irmã. Enquanto isso, Ana decide ir atrás dela, para que ela desfaça o inverno fora de época que congelou o povoado. Deixa o príncipe Hans como seu representante. 

Assim, começa a aventura. Ana conhece Kristoff, um jovem bom, solitário e trabalhador - o mesmo que viu os trolls ajudarem a pequena Ana voltar a viver, porém, não se recorda. O encontro das duas é emocionante, mas o medo, maior inimigo de Elsa, a domina e, assim, aos seus poderes. Ana, Kristoff, Sven - a rena - e Olaf - o boneco de neve feito pela pequena Elsa e desconhecido, até então - são expulsos do reino de gelo erguido pela rainha Elsa.

Durante a conversa, Elsa não percebe, mas arremessa uma lança de gelo em Ana, atingindo o seu coração. Nenhuma das duas percebe. Elsa exige que Ana vá embora e viva a vida dela em Arendell. Quando ela volta com a turma de novos amigos, se sente mais fria, congelando por dentro. Kristoff fica assustado e vê que a mexa de cabelo dela ficou ainda mais branca. Desesperado, a leva para visitar os trolls, por quem fora criado desde pequeno. Os trolls avisam que sendo no coração, só há uma cura: a demonstração do amor verdadeiro - "Só um gesto de amor verdadeiro é capaz de quebrar a maldição de (se ter) um coração congelado!". Seguindo o que os contos de fadas ensinaram, Kristoff a carrega de volta ao reino, para que Hans a beije. Lá dentro, Hans se revela um interesseiro e não beija a jovem princesa. Deixando-a à beira da morte. Hans, sem que ninguém saiba, prende Elsa no calabouço, para matá-la e tomar o reino. Olaf, o boneco de neve sonhador, consegue encontrar Ana e acende a lareira, para aquecê-la, colocando a própria vida em risco. Ela pede que ele se afaste, para não derreter e ele diz que por amor a ela, ele se derreteria. Ela, então, diz que não sabe o que é o amor. E ele explica: "é o que o Kritsoff sente por você, deixando-a para que vive-se com outro, o que você acreditava ser o seu grande amor....". Ela, então, percebe o sentimento pelo jovem corajoso e decidem ir atrás dele, para que ele a beije e possam viver felizes para sempre. Mas, nesse momento, Elsa está desesperada, acreditando ter matado a irmã e consegue aumentar seus poderes, a ponto de fugir em meio a uma forte nuvem de neve e gelo. 

Dentro daquela tempestade, Ana e Olaf seguem ao encontro de Kristoff, que foi convencido pela rena Sven de retornar e lutar pelo seu amor. Por sorte, Olaf consegue ver e leva Ana nessa direção. Ao se encontrarem, ela sua seu último suspiro para chamá-lo, mas, ao olhar para o lado, vê a irmã deitada aos prantos e se depara com Hans e uma enorme espada para atingi-la. Em vez de salvar a própria vida, ela se coloca entre a espada do vilão e a irmã. Consegue impedir a tragédia, mas congela por completo. Elsa entra em desespero, ao ver que sua irmã abriu mão da própria vida por amor e a abraça, culpando-se pela sua morte pela segunda vez. Inesperadamente, Ana volta a si. Elas se abraçam e Olaf fala: "um ato de amor extremo". Essa é uma das cenas mais emocionantes do filme, desde o momento onde Ana fita Elsa sendo atacada pelas costas, se coloca para salvar a vida da irmã e o descongelar, culminando no abraço que ambas esperavam a vida inteira. 

Ana explica que o amor aquece o coração. E Elsa então entende: "amor! Então, é isso!" e deixa-se aquecer por dentro, sem perder seu poder gelado e tudo volta ao normal. O sol brilha com força e todo o gelo cede espaço ao céu azul e a grama verde. Exceto uma nuvem particular para o pequeno Olaf, 

Envolvidos pelo amor puro, todo o reino comemora e as portas dos castelo voltam a ficar abertas.

Só assistindo para se deixar levar por essa aventura congelante de aquecer os corações. 

E vamos assistir de novo! Esse tipo de mensagem aliada a uma belíssima apresentação estética, faz a magia do cinema ser o encanto que é. Beleza, conteúdo, efeitos quase reais... tudo muito bem feito, bem cuidado, bem bolado, bem elaborado, bem produzido. A-DO-RA-MOS!

Achei lindo mostrar o amor fraterno e como a força do amor de uma família, ainda que erre nas escolhas tentando acertar, mas a base sendo o AMOR PURO e desinteressado, ele prevalece! Essa foi a mensagem mais linda que captei do filme!

Saímos de lá com gostinho de quero mais!

Saudações maternais,

quarta-feira, 12 de junho de 2013

"PRESS START" AND LET'S GO! - VAMOS DETONAR COM O QUE LIMITA E PRENDE!




Tenho gostado muito das produções/animações infantis! Me refiro aos que trazem algo de bom, ainda que através da indústria cinematográfica e com apelo comercial. Porém, mesmo assim, muitos estão trazendo belas mensagens e reflexões para os nossos pequenos sobre virtudes e valores; escolhas e consequências; bem e mal; desafios e superação; verdades e mentiras; ciúmes e admiração; poder e responsabilidade; respeito... entre outros.

Fora que são vídeos muito bem produzidos e de uma beleza estética que completa o quadro e agrada aos olhos. Para mim, tem que ser bonitinho, também.  

Hoje, Pedro locou "Detona Ralph", um dos filmes que ele mais gostou  de assistir, para ver de novo e de novo e de novo. Dentre seus preferidos, do cinema, estão: "Os croods" - foi duas vezes ao cinema ver e já quer locar, assim que sair e "A origem dos guardiões". 

Me encantei com "Detona Ralph". Lindo! Que mensagem belíssima!

Quantos de nós se questiona sobre nossas missões, nossos papéis? Pedro sempre me disse: "mãe, cada um de nós tem uma missão aqui na Terra, sabia? A minha vai ser descobrir um 'inatron' que cure as doenças..." - que seja!

Ralph é um vilão de um game, chamado "Conserta Felix Jr". Ele tem 3 metros de altura, 300 quilos, mãos enormes e pés gigantescos. Sua aparência é rude e grosseira. Cabelos assanhados, pés descalços, roupa suja e rasgada... Foi criado para destruir tudo, enquanto Félix conserta tudo com o seu machadinho dourado. Felix é pequeno, limpinho, branquinho, redondinho, todo bonitinho e bonzinho. É preciso que  Ralph destrua para Felix consertar... senão, o jogo não acontece... Terminado o jogo, quando a loja fecha, cada um dos personagens volta para casa, onde os vilões vivem na terra dos vilões, um lugar feio e sombrio - Ralph mora num lixão, onde são jogados os restos, o que sobra depois das destruições...  - e os "bonzinhos", vivem em lugares belos, casas limpas e com conforto e glamour. 

As reuniões entre os vilões, tipo terapia de grupo, são muito interessantes. Mostra que os vilões não precisam ser "maus", mas que precisam aceitar a missão deles, para que os heróis possam ser heróis, senão, como os heróis serão heróis? Têm como lema: "Sou mau e isso é bom. Nunca serei bom e isso não é mau. Não quero ser ninguém, além de mim!". Um deles, durante uma sessão desse grupo, grita: "Bom, mau... isso tudo são apenas rótulos!". E Ralph coloca o quanto desejaria participar das festas e dos bons eventos, como comer um bolo, receber carinho dos amigos, ser querido e não temido... como Felix. 

Ralph, então, vê a festa de comemoração de aniversário do game, do qual faz parte, e não é convidado. Decide ir até a casa do Félix, para comemorar, junto com os "bonzinhos". Interessante é que apenas Félix gosta dele... os outros personagens "do bem", são como as pessoas "normais" da vida real. Ali, a ficção mostra uma parte da realidade... dizem que realidade e ficção não se encontram, mas, quando a ficção mostra, ainda que de maneira lúdica, essa realidade, ali se faz um caminho de reflexão real. Ralph vive isolado. Só os mocinhos podem ganhar medalhas... os que não estão nesse padrão, são vilões malvados e que não merecem o convívio social com as pessoas "boazinhas". Cria-se um padrão de competição e uma falsa necessidade de se querer conseguir o que não tem para ser quem não é e agradar a quem não vale a pena... 

Voltando às minhas impressões sobre o filme, Ralph é mordido pela picadinha da subestimação. Ao ser subestimado, ele se sente desafiado e vê, ali, uma oportunidade de se "tornar" alguém bom. Ao contrário do Turbo - um herói de um game que fora desativado por obsolência - que alimentou a raiva e a inveja, abandonou seu jogo e se infiltrou num jogo mais modernos, destruindo ambos..., Ralph apenas quer revelar que ele é mais do que todos insistem em ver e fazê-lo ser. Ele quer ser parte do grupo.

Daí, a saga começa! Ele vê a oportunidade de ganhar uma medalha - que apenas os heróis e fortes recebem - e, com isso, morar num apartamento, conforme foi proposto, ironicamente, pelo diretor do jogo. Entra num novo grupo, disfarçado de recruta, em outro jogo - o "Missão de heróis", que combate os "insetrônicos", que são invasores do mal no jogo. Com isso, ele não aparece no próprio jogo. Sem ele, os outros personagens percebem que o jogo não existe. Nada acontece! Felix dispara em sua procura. E o dono do "Fliperama"coloca o adesivo de manutenção, que é a ameaça maior para qualquer jogo - serão desligados, para sempre! Pois a razão de existir do jogo é divertir e entreter as crianças, sem funcionar, são desligados e deixam de existir.

Não posso contar o filme todo, senão, perde a graça. Mas, o desejo de ter a medalha de herói, apenas para provar que apesar de assumir o papel de vilão, ele não é mau, desperta em Ralph um desejo de provar algo a alguém e mordido por essa gana de ter que provar quem é, ele acaba se perdendo e ajuda, ainda que sem querer, a disseminar os "insetrônicos" em outro jogo... Se o vírus se espalhar, o jogo acaba e, com ele, uma bela menininha pode sofrer muito, graves consequências. Assim, diante de todas as aventuras que começam a viver - ele e Vanellope, a menininha que tem parte da sua memória apagada, assim como os personagens do seu game - um processo de busca e (re)descoberta. E as melhores lições e aprendizado brotam. Inclusive, como as crianças julgam o mundo adulto como algo chato e malvado, como se todo adulto que, ainda errando, tenta ensinar e proteger os pequenos, são vilões. É como se, sendo grande, tem que ser chato. Mostra a dor das perdas que carregamos e condicionamos nossas vidas. Meio que um alerta de que devemos aceitar as escolhas, bem como os acontecimentos da vida e viver a vida seguindo em frente e consertando o que tem conserto. O que não tem, refazer!

Só assistindo ao filme para se deixar picar pelo bichinho da reflexão. Uma corrida rumo ao auto conhecimento; um mergulho nos doces da vida sem preconceito - Vanellope aceita Ralph como ele é. Ela mesma, apesar de ser uma fofura e muito sagaz, é diferente e discriminada. Mesmo com seus defeitos, suas qualidades superam suas limitações -; uma viagem entre os mundos de possibilidade que podemos ser até nos encontrarmos de verdade com a nossa essência: quem e como somos!

O dever, a responsabilidade e o senso de justiça e equilíbrio permeiam toda a trama, com doçura, ainda que doces azedinhos, cores, alegrias e conquistas! Governar não é impor ou manipular, é administrar o bem coletivo! 

Cruzar a linha de chegada é entender que não se termina... se começa! Nem tudo que parece ser um bug precisa ser punido, ou banido. Devemos acolher as características de cada um e todos convivermos em harmonia!

Vence e consegue a medalha aquele que merece e entende que ser líder está além de comandar, está em colaborar! É escutar a voz interior que nos comanda e que tenta nos conduzir ao nosso encontro conosco! E os vilões grandes, feios e desajeitados, podem ajudar uma pequena princesa a conseguir recuperar o que lhe fora roubado: sua vida! 

Acima de tudo, Ralph ensina que ninguém precisa vencer sozinho e que, por amor, damos a nossa vida por quem amamos e, naquele momento, não morremos, mas abrimos as portas para que o milagre da vida aconteça e se faça VIDA! O AMOR liberta e cura! Ele é o equilíbrio real e natural para tudo!

Todos somos como somos e podemos ser melhores no que fazemos! Vamos detonar o que nos aprisiona! Vamos destruir o que nos prende! Vamos nos libertar e começar um mundo melhor, com menos competição e mais colaboração! 

Saudações maternais, detonando o preconceito, a mediocridade, a limitação e em busca de cruzar a linha de chegada da eterna partida de recomeçar a cada novo dia,

Pat Lins - press start and let's go!


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

"UMA FAMÍLIA EM APUROS" - Um filme da vida real.

Gente, geralmente, levo Pedrinho para assistir a filmes da sua faixa etária - o que é super natural... - só que, dessa vez não tinha filme para a dele - além de "Detona Ralph" e ele já viu - e estávamos num grupo com os primos maiores dele. Bom, "Uma família em apuros" foi o escolhido para esse programa em família. Fomos sem grandes expectativas... O que foi ótimo! o filme surpreendeu!!!

Uma crítica leve e engraçada sobre as diferenças entre as gerações. Diferenças essas que não foram tão gritantes anteriormente e, na última década vem se revelando cada dia mais desafiador ser pai, mãe, filho, avô e avó. Ser tio e tia sempre foi legal e continua sendo, né verdade?! Mas, ser responsável direto por um serzinho em desenvolvimento é tarefa para mais de um, é tarefa para um mundo!

Pois bem, o lembrete maior que o filme - com idéia original e muito bem pensada por Billy Crystal, um ator completo ao meu ver, que se inspirou em uma semana onde precisou ficar com suas duas netas pela primeira vez e a filha lhe deu uma "bíblia" de instruções do tipo "fale isso; faça aquilo..." - traz é o que esta geração em específico vem deixando para segundo, terceiro, quarto... plano: O AMOR. O amor não tem geração. Hoje em dia, bem como foi colocado na postagem anterior, com o vídeo do Dr Martins, as crianças estão sendo terceirizadas. 

O que eu, Patricia, penso e vejo disso - independente de se consigo dar conta ou não... até porque, muito vejo, muito sei que deveria fazer diferente mas acabo não fazendo, seja pelo motivo que for... - é que nossa geração atual de pais e mães busca uma ma/paternidade consciente, porém, ainda em dilema e muitos conflitos. Por isso que volta e meia nos coloco como precursores de um processo novo, de uma época de divisão de águas. E levanto a bandeira da importância de nos buscarmos mais e mais, já que temos uma missão desafiadoramente pesada, apesar de ser possível. A questão é que AINDA não encontramos o tom, o ritmo, o caminho... a maneira mais assertiva nesse processo. E, muitos de nós, convenhamos, nem se importa com isso. Nem se dá conta disso. Para piorar, encontramos a resistência e o medo dessa mudança radical e expressiva dos dias atuais, onde o consumismo dita modas e regras a cada estação, antecipando, inclusive essas estações... onde comprar antes para já entrar pronto e na moda. Comprar, ter, competir virou palavra de ordem. Um parêntese: tem um shopping aqui na cidade que está com uma pracinha para as crianças com a chamada "GASTAR ENERGIA SEM GASTAR ENERGIA", com brinquedos que demandam de criatividade e de muito mais de esforço físico para funcionar do que de pilha, bateria ou energia elétrica, como brinquedos da década de 70 e 80... até carrinho de rolimã tem. Nada contra os brinquedos tecnológicos, porém, urge o estabelecimento de limite para seu uso, até mesmo por uma questão de consciência de que criança, seja de qual geração for, quer mesmo é ser criança e viver essa fase como ela pede: com liberdade e limite - limite este que ensine que toda liberdade tem um ponto de até onde ir.

Voltando ao filme, "Uma família em apuros", o título já sugere o que o filme nos alerta: estamos em apuros! Ninguém se entende de verdade e vive uma clausura do saber demais e não saber o que fazer com tanto conhecimento e informação. Bom, considerando que toda família sempre vive lá seus apuros, não penso que este seja bem o pilar do roteiro. O lembrete de "amar" o filhos e deixar que criança seja criança é o que vi como mais importante. Não tem nada de surpresa ou grandes novidades tecnicamente falando: diálogos previsíveis, roteiro previsível, etc, mas o filme não perde a graça, pelo contrário, nos arranca boas gargalhadas - ainda que eu tenha tido que assistir a versão dublada com as crianças... - e nos faz realmente parar para refletir sobre os exageros e radicalismos, bem como ver e ouvir da geração de avós que sabem que não estão certos e não vão acertar sempre, mas precisam tentar. Fora a questão de que os avós do filme - bastante caricatos, sim, mas não tão surreais - trazem a dificuldade dos avós em entenderem que os netos são uma possível segunda chance que a vida lhes dá, porém, não são seus filhos, são seus netos! E quem nos diz isso é a personagem da brilhante Bette Midler, na pele da vovó inexperiente, Diane. 

Legal é ver que os pais, sejam de qual geração forem, sempre ficam perdidos, haja vista que uma criança NUNCA nasceu com manual de instruções. Portanto, toda geração teve seu quê de desafio. Natural que quem colhe planta e nossa geração colhe,hoje, frutos de mudanças que vêm sendo plantadas a cada mudança de geração, começando pela X , pós Guerra, em plena ditadura militar, em se tratando de Brasil...  e, da necessidade de se romper com tantas perdas, dores e opressões, surge o desejo de libertação - da qual faço parte - e seguindo pela Y - décadas de 80 e 90 - agora culminando na Z, que são os filhos dos filhos da "libertação da opressão". Lógico que aquilo que começou desgovernado, tende a aumentar, como uma gigantesca bola de neve morro abaixo. No afã de algo que começou errado, em vez de subir, desceu... numa necessidade de se ter tudo após privações de posses, natural que o natural tenha sido esquecido: primeiro pela opressão, depois, pela necessidade de se livrar de tudo e qualquer coisa que remeta e castigo, punição e etc. Hoje, vivemos o ápice dessa fase conturbada mas que também traz muita coisa boa, só que mal aproveitada, explorada ou conduzida. 

No filme esses embates de pais da década de 70 e avós no novo milênio com os pais atuais são bem interessantes. Gosto da maneira como Billy Crystal levanta críticas e reflexões em tom de comédia, para nos lembrar que rir ainda é a melhor maneira de recuperarmos as forças vitais de maneira produtiva. Casa que fala e faz tudo, menos dar conta de permitir que uma criança saiba o que vem a ser infância sem consumo. Proibições exageradas e cientificamente comprovadas são questionadas pelo outro lado da questão - permitam-me a redundância - que também é cientificamente comprovado de que crianças felizes e amadas serão adultos mais próximos do equilíbrio emocional. A segurança de um lar está além do vigia, da polícia ou do porteiro de um edifício com forte esquema de segurança, está na força do amor que envolve esse lar, está no ambiente de conforto em saber que se pode fazer muita coisa e que muita coisa será feita mais  frente após cumprida essa etapa; está no ar limpo de se poder falar e escutar, de se trocar idéias livres de preconceitos, de orgulho, de vaidade ou de manipulação, é o ar do respeito. Um lar saudável é um lar onde a gente recarrega as forças em vez de sair esgotado dele. 

O estressa da vida atual - que nem é mais moderna... pois até o moderno está ultrapassado - é desencadeado por cada um de nós. Só que essa mesma geração que sofre com essas consequências danosas, também traz em si a capacidade de transformar essa realidade. Eis o grande desafio: aceitar o fato de que é possível frear com pequenas atitudes individuais de despertar de consciência. Pesado? Você acha? O que pesa mais, um quilo de algodão ou um quilo de chumbo? Pesa mais levar essa realidade desordenada a frente ou começar a ver que pequenos passos postos em prática e com verdadeira boa vontade é possível estabelecer pequenos percentuais de avanços? Pois é, colocar filho no mundo vem de geração em geração. Como estar ao lado deles e como educá-los melhor sempre foi um ponto de tensão e questionamento. Não penso que as gerações anteriores estão certas, também não penso que estejam erradas. O filme aborda isso com leveza, quando pai e filha se afastaram na fase adulta e ela quis ser tudo o oposto do que ele era. Ela se negou e se tornou uma pessoa obcecada por trabalho e determinar regras de boa convivência no lar, sem limites edificantes - os meninos eram mimadíssimos e não podíam ouvir um "não" - e sem emanação de sentimentos livres, além de "bom dia" cordial emitido pela voz tecnológica que soava pela casa do RLife. "Life" é vida e eles não tinha vida. Tinham um emaranhado de rotinas e afazeres estressantes que lhes garantiriam um futuro financeiramente promissor. Talento é algo que só é válido se render dinheiro, senão, é sonho utópico.

Criança gosta de se  molhar na chuva, de pisar na lama, de chutar lata! Criança gosta de se divertir. A gente, na condição de pai e mãe, não precisa carregar tanto no novo papel e negar que gostávamos de diversão e reclamávamos horrores das negativas que escutávamos. E quantas vezes escutamos: "quando você tiver seus filhos vai me entender..." e tivemos, não entendemos, negamos e repetimos alguns dos mesmos erros que tanto condenamos em nossos pais? "Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais", já dizia Belchior, magnificamente interpretado e imortalizado por Elis. Como diz Morgana Gazel: "fazer diferente exige muito mais que contradizer!" - tem um post que menciono esse pensamento da Morgana Gazel, do seu livro "Enseada do Segredo".

O filme é ótimo para program em família. Ver a questão do amigo imaginário, de como lidar e como ele precisa "partir". Ver que nada demanda de crítica, mas de solução posta em prática e que exageros e omissões nunca foram as melhores soluções. Ver que expressar em palavras nem sempre é possível. Ver que canalizar a agitação e agressividade de uma criança está além de frases prontas. Ver que jogos competitivos e ganhar/perder é uma dicotomia do jogo da vida e que de maneira lúdica a criança precisa lidar com essas questões e jogos que sempre terminam em empate não condizem com a realidade, entretanto, jogos competitivos demais também não ajudam... Ou seja, vamos buscar o ponto de equilíbrio mais abertos, mais leves e com determinação.

O barato do filme é sentí-lo. É considerar rindo à toa que para tudo tem solução, desde que haja amor,  um diálogo franco e de coração aberto, com cada parte identificando, reconhecendo e se colocando disposto a, mesmo sem saber como, descobrir juntos. Isso é o que consigo fazer em minha vida familiar: mesmo errando, continuamos tentando e mudando. Nos avaliando, sem o peso duro e áspero das críticas severas. Nos refazendo numa fase eterna ou não - mas, eterna enquanto dura - de reconstrução. Vivendo cada dia, não como o último, mas como o primeiro!

Gostei muito, independente das críticas e do filme ser "água com açúcar" - aliás, açúcar é algo proibido para as crianças no filme, numa crítica aos exageros em busca de uma alimentação balanceada... e exagero não é bom para nada - é uma água com açúcar que vale a pena dar uma bebidinha e saborear, sabendo que não é nada para surpreender pelos efeitos especiais e por histórias distantes da realidade... é um filme do cotidiano, simples porém bem feito, com atores que dão conta do recado e abrilhantam as cenas. Enfim, é um filme para todas as idades - até Peu assistiu, com seus 6 intempestivos anos de idade e agitação e questionou muita coisa; "viu" o amigo imaginário do menino no filme, coisa que ele já teve e eram muitos...; questionou o porquê de quando as pessoas morrem terem que ser enterradas... - e todos os gostos. É um filme leve e despretensioso, que apenas quer nos fazer refletir e rir de uma situação que o Billy Crystal viveu na prática, em sua realidade pessoal. É uma comédia previsivelmente boa de se ver, para rir sem receios.

Saudações maternais,

Pat Lins.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

"A ORIGEM DOS GUARDIÕES" - filme

Gente, que filme lindo! Que mensagem profunda levemente passada sobre a importância de se assumir responsabilidades na vida, sobre a importância dos sonhos e sobre a importância de encarar o medo como única maneira de vencê-lo.

Os personagens são representações perfeitas das qualidades que almejamos e, ainda assim, cometem seus erros humanos.

Uma parte - dentre diversas - que me chamou atenção é quando Jack Frost percebe que os "guardiões" que fazem tanto pelas crianças, mal têm "tempo" para lidar e estar com elas, como nós adultos. O interessante é que todos eles já foram "humanos" e "crianças humanas". E, numa determinada cena, todos ficam sem saber o que fazer diante de uma criança, Jack fala: "É só uma criança. Ninguém aqui sabe como lidar com uma criança? O que vocês fazem diariamente?" e Papai Noel responde: "Eu passo o ano inteiro preparando presentes para elas...". E fica no ar o "e ninguém tem tempo para acompanhar uma criança ou ver o que fazem e gostam...". Isso me lembrou a nós, mães e pais. A gente cresce e esquece que foi criança e, pior, a gente esquece de entender que para a criança tudo é só diversão e brincadeira e, dentro desse mundo lúdico é que vamos estabelecendo o limite diário de viver e honrar com os compromissos. Pior, esquecemos de saber lidar com o tempo e nos dedicamos a trabelho e estresse e vamos seguindo nesse caminho... O Jack Frost se mantém com a mente e as atitudes infantis, egocêntrico, brincalhão, irresponsável... só quer se divertir. Durante a aventura ele vai  crescendo. Nessa cena, ele mostra que equilíbrio é saber se divertir na vida sem deixar de honrar nossos compromissos de "guardiões" de alguma criança.

Eu tenho uma amiga que me diz que limite faz parte da vida. Nós não temos que impor a uma criança, nós temos é que saber o que fazer, fazer e isso, por si só já estabelece o limite. Depois aprofundo mais sobre esse pensamento super bacana de uma pessoa admirável, que é Morgana Gazel.

Voltando ao filme, cada personagem vem como uma mensagem forte. Sandman - o guardião dos sonhos -, junto com a Fada do Dente - guardiã das lembranças -, remetem à importância de se entender que as lembranças - contidas nos dentes de leite, marco da passagem da nossa primeira infância para as mudanças que ficarão enraizadas - nos ajudam a crescer e que os sonhos nos levam ao futuro. Papai Noel nos faz entender a importância da fé, de se ver o bem em tudo e acreditar, acreditar e acreditar no melhor, sem limitar a imaginação. O Coelhão é fabuloso! Com aquele jeitão rude, mostra o lado de que até os destemidos temem algo. Ele teme o ar, o voar. Para ele tem que ser pé no chão. Ele fala de esperança. 

Jack Frost passa o filme a se questionar e nos levar a questão da descoberta e do quanto é importante sabermos quem fomos e como agimos para entrarmos no caminho de descobrirmos QUEM SOMOS. Como ele não tem lembranças, vive impulsiva e irresponsavelmente o presente, sem noção do que vem a ser responsabilidade pelos atos e suas consequências. Ele me lembra a cada um de nós, no processo de busca e ignorância e que, em determinados momentos da vida, somos chamados à responsabilidade.  Assim é esse ser encantador que nem sabe o que está buscando e não entende porque se sente tão só e ninguém o enxerga. 

Todos temos um bom motivo para estarmos aqui, vivos e vivendo. A importância de entendermos e conhecermos o nosso cerne, a parte mais íntima do nosso ser. Papai Noel adverte isso, quando mostra suas diversas facetas/personas numa diálogo/questionamento com Jack, para entender o que ele tem de especial para ser um "guardião". É preciso olhar para trás, olhar para nossa origem. Eu chamo isso de olhar a nossa essência, escutar a voz da alma, a voz interior. 

Muita coisa eu "viajei" no filme. Vi que o medo só entra através das nossas sombras. Ele domina porque tememos, inclusive, o medo de aceitarmos quem somos. Nem posso abrir muito o que percebi, senão, conto o filme. Deixa ele sair de cartaz que conto minhas viagens legais como mãe e como pessoa, antes de tudo. Mas, o poder do sonho foi fabuloso! E lembrar que alimentar a fé, a esperança, as boas lembranças da infância pode salvar o mundo das sombras que tentam imperar. Se houver uma "luzinha" em meio ao breu, uma única pessoa que acredite, essa pessoa pode levar luz aos demais. Isso me remeteu a Jesus. O filme não faz apologia religiosa, e chamam o que chamamos de Deus de "Homem da Lua", pois ele brilha em meio à escuridão - isso eu que entendi assim. Muito bacana porque mostra Papai Noel como um ex-humano que aceitou a sua "condição" - oriunda em seu cerne - de seguir servindo ao próximo com aquilo que tem em si de mais nobre: a força de sempre acreditar; o poder da fé inabalável! - Ops! Se é FÉ, deve ser inabalável... o que abala não é fé. Legal que mostra a importância de aceitarmos nossas "condições", nossas "missões" de Vida para, enfim, sermos felizes, mesmo diante da morte - o que aconteceu com cada um deles, até se tornarem "guardiões imortais". 

O filme fala de escolhas, de liberdade, de enfrentamento do medo como única maneira de vencermos, da importância de uma infância bem vivida, de tempo, de esperança, de fé, de lembranças e, acima de tudo, de sonhos! Ah, acima de tudo isso está o verdadeiro poder do AMOR. Todos os guardiões amam o que fazem. É como se só quando entendemos nossas missões de vida poderemos ser felizes e livres e essa liberdade é o AMOR a quem somos e ao próximo! É a CONSCIÊNCIA. 

Por isso que Sandman é o meu favorito! Ele me lembra um sábio: inteligente; poucas palavras - aliás, ele não fala, mas, se comunica muito bem, mostrando que comunicação é saber o que dizer e expressar; é forte, mas não quer ser conhecido por força bruta e sim por força moral e doçura natural de quem já viveu muito e já não tem mais as amarras da vaidade; destemido, sem ser arrogante. Ele é "na dele". Como todo sábio, suas mensagens são claras para quem tem capacidade de entender, por isso o mundo dos sonhos, porque ele nos fala de e para uma dimensão nossa que não temos "domínio": o inconsciente. Este é que tem mais consciência de quem somos do que supomos sermos... Ele sabe lutar, mas, só usa dessa luta física quando estritamente necessária. É a questão do discernimento que os sábios têm, porque sua natureza é pacífica. Ele desmistifica esse estigma de que todo "bonzinho" é "bobo" ou ingênuo - no sentido pejorativo de quem se deixa enganar. Ele nos mostra que os sonhos nunca morrem, ainda que os pesadelos dominem, é o campo dos sonhos, basta transformar aquele sonho ruim em bom. 

Ah, fiquei encantada com o filme. Cada mensagem me parecia tão clara que quase escutava as falas não faladas. 

O medo tem medo, também. Isso eu comecei a perceber recentemente, após  maternidade. O medo teme ter que se encarar e ver que ele não existe e não precisa existir. O medo teme sumir. Se não tememos, ele não existe. 

Pedro aplaudia muito as cenas onde o medo perdia espaço. Parece que ele se identificou muito com o Jack Frost. Imagino que seja essa busca de toda criança em ser aceita como é. Com o caminhar, Frost entende que limite é importante e amadurece com a ajuda da Fadinha do Dente e do Papai Noel. Ele descobre que mais vale a pena lutar por um amigo do que poupar a própria vida. O filme, ao meu ver, fala da nossa luta diária, da nossa vida, dos nossos dilemas, das nossas dificuldades e desafios... fala de batalhas, de perdas e de ganhos. Fala do viver!

Ah, esse filme é recomendadíssimo e sem efeitos colaterais ou problemas com superdosagens. Vou ver de novo. E quando sair o DVD, adquirir. Esse é o tipo de filme lúdico que fala com a alma. 

Um filme infantil para adulto ver! 

Saudações maternais,

Pat Lins

terça-feira, 18 de setembro de 2012

DICA DE FILMES: HAPPY FEET 1 e 2


 A gente pensa que basta se tornar adulto para os nossos "problemas" de infância ficarem no passado e que seremos os pais mais legais que já existiram! Será?


Eu dava aula de Sociologia e usava um filme chamado "A marcha dos pinguins", para reforçar o aprendizado. Pedro assistia esse documentário comigo, várias vezes. Foi quando decidi comprar "Happy Feet" para ver se ele gostava. Nós gostamos. A mensagem rica de como os diferentes "incomodam" e como os adultos têm dificuldade em lidar com o que foge do padrão é muito bem trabalhada e abordada nessa animação. Outro enfoque legal é o fato de cada um ser quem é e ter algo de bom a somar. No 1, os pais, que são destaque entre os pinguins imperadores, colocam no mundo um filhote peculiar. Seu talento era a dança. Enquanto o talento dos pinguins deveria ser o canto. Em meio a esse cenário, Mano, o pequeno pinguim imperador, encontra acolhimento entre os pinguins Adelie - outra espécie. Lá, sua dança não é mal vista. Lá, eles são mais livres, mais amistosos. Nessa ida em busca de si, de se aceitar, ele descobre que sua vida só tem sentido junto ao seu povo e decide voltar. Mais forte e consciente de si, ele volta para definir seu espaço e lutar pelo seu grande amor, Gloria - a pinguinha mais cobiçada, e com a voz mais linda. Juntos, eles formam uma dupla que canta e dança - características que nós, humanos conhecemos dos pinguins, onde eles dançam para gerar o ovo e cantam para se identificarem. Mano leva a alegria da dança ao seu povo e todos passam a admirá-lo como ele é. Foi assim que nos encantamos por esse filme. Muita coisa boa acontece. Quem não assistiu, vale a pena!

Locamos o "Happy Feet 2", para saborear a continuidade. A mensagem de que cada um é um e tem sua razão de ser continua, e mais forte e em quase todos os personagens. Desta vez, envolve toda a Antártida e a teoria do caos, onde tudo está interligado e a gente nem percebe.

Mano - o pinguim sapateador do primeiro - e Gloria têm um filho, Erik, que ainda não sabe o seu talento. Desta vez, os talentos não se resumem a apenas cantar, ou dançar, mas, cada um identificar o seu, em si.

Quem pensa que para um pai que enfrentou os desafios que enfrentou para ser aceito e respeitado como "indivíduo" consegue dar conta de (re)viver a situação com o filho, se engana... a gente acaba, sem querer, repetindo alguns padrões internalizados socialmente em nosso ser individual. Vejo isso em mim, com Peu... não gostava de que me vissem apenas como "criança inteligente" e é o que mais enalteço nele... Bem a tempo de me redimir de mim mesma e fortalecer a base moral e de bons valores que tanto acredito e dedico viver. Enfim, Mano não sabe como "chegar" no filho. Ele não sabe lidar com o tempo do pequeno e o expõe à muita cobrança.

Envergonhado de si, por acreditar que não tem nada a acrescentar, o pequeno Erik, após uma conversa com "Tio Ramon", decide ir para a terra dos Adelie, onde ele poderá ser ele, sem cobrança de que deve se enquadrar em algum modelo, ou criar o seu próprio, desde que tivesse um modelo.  No caminho, nós, telespectadores, conhecemos os krill - um cardume de invertebrados tipo camarão - Will e Bill. Em meio àquele aglomerado de iguais rumando na mesma direção, eles se encontram. Bill, para se certificar, pergunta a Will se ele é ele mesmo, no que recebe como resposta: "Claro que sou eu!" e Bill: "É que somos todos iguais...". No que Will grita: "Eu sou único!". Ali, entra o questionamento da importância da individualidade, ainda que em meio ao coletivo. Will decide mudar. Tomar um novo rumo. Ele diz que quer ser "livre" e seguir um caminho novo, onde ele vai criar tudo, inclusive quem ele será e do que se alimentará. Muito engraçado e profundo. Ele nada rumo ao final do cardume e sugere a Bill que, talvez, ali seja o "fim do mundo" e se ele vai morrer sendo comida de qualquer outro animal, que ao menos ele morra vivendo de uma maneira diferente e que ele escolheu seguir. O "fim do mundo krill" é o início do mundo Will - com Bill na cola, sem saber o que está fazendo, mas, vai em solidariedade ao amigo precursor e desbravador! É muito bacana o desenrolar da história, principalmente quando esse krill se separam e Will segue sozinho, em meio à sua revolta de ser tido como igual. O querer ser diferente para ele é vital, mas, o que o motivava e a falta de direcionamento eram os seus maiores empecilhos. Mesmo assim, ele ia. Nada o impedia de ir. Conseguir se ver como único o fortaleceu a ponto de nada mais o frear. Lutava pela vida com toda a força que tinha e mais um pouquinho. Por fim, depois de um tempo, ele sente falta do grupo, de sua "identidade" espelhada naquele grupo. Sente-se só. Volta para o mar, por "acaso" e, ali, trava um monólogo onde expressa o quanto Bill lhe era importante e ele nem sabia e o quanto o cardume lhe fazia falta. Tudo que viveu ele reconhece como importante, mas, sem sentido maior... Os contatos, os desafios, o conhecer o mundo do outro, o valor de uma amizade, o valor e a capacidade de quebrar uma parede gigantesca que um grupo unido é capaz de promover... tudo isso é abordado no filme. Toda ajuda é bem vinda, quando se há boa vontade de conhecimento do que deve ser feito. Cada personagem tem uma riqueza e uma magnitude. Todos cometem "erros" e todos entendem a importância de reconhecer que errou para acertar. Não vou falar muito do filme, senão, perde a graça do contato e das próprias conclusões. 

Muitos paradigmas são questionados ao longo da historinha. A relação conturbada de pais e filhos; as amizades fortalecidas pela união sincera; como em grupo a gente pode ser a gente e saber nosso papel individual e coletivo. O quanto cada ação nossa repercute numa consequência além da nossa compreensão. Muito bonitinha a cena onde todos juntos se ajudam para salvar os pinguins imperadores - que, de início, eram arrogantes e presunçosos pela sua "nobreza imperadora" - e até os krill, tão levinhos, ajudam a quebrar o iceberg que prendia toda uma nação dos pinguins imperadores. Como as crianças têm essa capacidade de ver a solução além do problema e como se entregam de corpo e alma na missão de resolver. e como nós, adultos, nos tonamos seres medrosos - reconheço nossa prudência adquirida com a experiência de dia após dia de vida, mas, o excesso dessa "prudência" extrapola e vai para o medo, o pavor aprisionante e a incapacidade de enxergarmos mais além, e de enxergarmos o óbvio, o mais próximo, as soluções mais simples - e como passamos isso para os nossos pequenos, alimentando essa cadeia sucessiva de desaprendizado ao longo da vida. Passamos a vida inteira esquecendo o que vem a ser: viver e usufruir da Vida. Passamos a vida inteira com tanto medo da morte que nem nos damos conta de que matamos um pouco de nós a cada dia, em cada medo.


Tem um momento em que Will, no reencontro com o cardume, pergunta a Bill: "Como você os encontrou?", afinal, no momento de sua fuga, seu cardume havia sido comido por uma baleia e ele fala: "É para isso que existimos, para ser alimento de outros animais". Nesse reencontro, Bill responde: "Eles é que me encontraram.". Quando a gente sente que faz parte daquele grupo, daquele povo, o patriotismo, o amor àquela pátria amada, faz sentido, ainda que seja uma ave pintada de pinguim, como o papagaio Sven, que nos ensina muito, quando se assume e como encontra seu lugar no grupo, mesmo sendo de outra raça. Temos um algo maior, temos uma imagem de um todo formado por cada pequena parte. Assim, Bill pede a Will que o ensine a sair da base da cadeia alimentar, que somente encarando os desafios da vida afora e se adaptando aos novos mundos explorados é que se abre a porta para a evolução. Will, embebido por sabedoria de vida, após retirar-se e lançar-se em busca do novo, aprende o caminho de encontro consigo e a humildade lhe é despertada, fala: "Eu não tenho o que ensinar para ele. Cada um é que deve seguir o seu caminho...". 


Todos nós temos a capacidade de nos tornarmos pessoas melhores e aprendermos diante de cada erro. Como pais, mães, família, amigos, temos a responsabilidade por nossas ações. Tudo que fazemos reverbera e repercute em algum lugar. Que cada ação nossa tenha um objetivo nobre e que nobre sejam nossos valores morais, com base nas virtudes. Talvez nunca sejamos perfeitos, mas, nos lançar no caminho crescente é melhor do que viver estagnado e sem saber o que mais podemos desenvolver!

Se a gente conseguir mudar na gente, seremos capazes de sair dessa base humana pequena que estamos e podemos dar aos nossos filhos a crença de que eles podem fazer melhor e, daí, melhorar cada dia deles e cada um melhorando seu cada dia, quem sabe o mundo se torne um lugar mais aprazível e melhor! 


Super indico esses filmes. Tenho rascunhos aqui de lições que tiro cada vez que assisto e re-assisto os filmes com Peu. Um dia publico mais. Quase todos nos lembram a importância do lidar com as diferenças e o respeito como base, o amor como propulsor e mantenedor. Além de nos permitirmos momentos de lazer e descontração, aproveitamos da companhia dos nossos pequenos em momentos de chamego únicos, de aprendizado com as lições e oportunidade de crescimento pessoal e coletivo! 

O desabrochar com nossos filhos nos ensina mais do que todas as lições na Vida! 

Saudações maternais,

Pat Lins.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

"MÃE, O MAL TAMBÉM SABE FAZER CARINHO..." - Pedro assistindo "Cordunda de Notre Dame"

 

Criança sempre nos surpreende. Peu sempre foi muito elétrico e era/é difícil para mim lidar com isso, porque ele nunca cansa e eu, canso... Já nem vou repetir que ainda tem o cansaço das cobranças externas, porque, finalmente, aos poucos, estou começando a saber como lidar com isso EM MIM. 

Mas, não foi para falar do que já falo aqui repetidas vezes que sentei para registrar esse momento. É que, como ele está crescendo, nossa relação melhora a cada dia. E, não sei se o fato d´eu aceitá-lo como é - elétrico, mesmo - ajuda ou o fato dele estar crescendo a eletricidade vai diminuindo... Elocubrações a parte, é fato que ele vem melhorando, mas, a esperteza cresce, também. Já haviam me dito - duas psicólogas - que ele tem uma capacidade cognitiva de uma criança com o dobro da idade dele. Bom, isso não tem a ver com inteligência... Inteligente, todo ser humano é, só que esquece isso no decorrer do crescimento cronológico... Inteligência, para mim, é a capacidade de discernimento do que é, do que o que não é e aplicação, na prática, do que sabemos o quê, como e quando dever ser feito. Enfim, não era para falar sobre, isso, também... Retomando a capacidade cognitiva, a percepção dele vem ficando cada vez mais aguçada. E, como todo filho, ele tráz muita característica genética, muita característica própria e muita característica desenvolvida e apreendia no meio onde vive, ou seja, o ser humano já nasce na complexidade dos outros seres ao seu redor... Essa falta de consciência dos adultos é que faz com que os novatos - os bebês - cresçam por repetição de complexidade... Eles até insistem em nos lembrar o que é importante para educá-los, mas, a gente já está num grau de cegueira tão elevado que só o esforço em querer enxregar já dói e muitos de nós para no primeiro desafio. Parando, também, a possibilidade de resgate pessoal e de outro tipo de construção para a criança. 

Mas, sim, Peu está numa fase ainda melhor para "troca" de idéias. Ele sempre quis trocar, mas, era tanta informação de vez que seu corpinho não dava conta. Agora, mais articulado, ele consegue falar e fazer muito do que a cabecinha manda. Bom, com relação às emoções, tem a vida inteira para aprender e praticar. Impossível eu passar para meu filho um manual de algo que nem eu, adulta, tem domínio e que nenhum adulto ou idoso o tenha... temos até o final da vida para descobrirmos tanta coisa em nós. Ainda assim, não conheceremos tudo. Daí eu já diminuo a culpa em 90% - risos. Voltando: além das histórias que ele adora ouvir - seja de livros, seja as que criamos juntos, com um tema que vem na cabeça dele na hora e desenvolvemos -, curtimos muito incenar e assistir filmes juntos. E é bárbaro! Ontem, mesmo, ele que raramente para para assitir a TV aberta - normalmente, assiste mais DVD ou canal de desenho animado - , estava falando comigo: "chora, neném..." Por causa da propaganda, onde a mulher vê seu time ganhando e o do marido perdendo... Pois, fomos locar alguns DVD´s, como costumanos fazer. Ele viu e pediu o "Corcunda de Notre Dame", mas, era o 2 e ele falou: "se tem esse dois, aqui, tem um antes..." Como estava locado, ele propôs na locadora - risos: "vou levar esse e, na volta, vocês guardem o 1 para mim, viu?" . Quando fomos locar novos filmes, ele viu o 1 e pegou: "Olha, mãe! É esse que vem antes?" Imagino que, como o 1 não tem o algarismo 1, ele ficou na dúvida... Assistiu com muita atenção e concentração. Parecia buscar relação com o que aconteceu no 2. Muito lindo! O mais legal foi quando ele me chamou para ver uma cena que estava "pausada". Sentei e fui ver. Ele me disse: "Você tá vendo, mãe? O mal também sabe fazer carinho..." - se referindo a Frollo, o arquidiácono da Catedral de Notre Dame, que criou Quasimodo, um bebê cigano que Frollo matou os pais. Bom, Frollo matava em nome de Deus e da Igreja, mas, na verdade, estava tomado pela ilusão de que "tudo podia", já que tinha o "poder". Enfim, ele aprisiona o pequeno Quasimodo na catedral e o ensina que "lá fora" só tem gente má... Daí, Quasimodo, o corcunda de Notre Dame, que toca divinamente os sinos daquela catedral, sente-se "tentado" a conhecer mais e ir além das portas e janelas, ele sente necessidade de fazer parte da vida "lá fora" e, com isso, Frollo o deixa sofrer graves situações, sem ajudá-lo... depois, vai ter uma conversa com um Quasimodo grato pela "proteção" que o sarcástico Frollo lhe dava e magoado com as pessoas "lá de fora" e, nessa cena, Frollo coloca as mãos nas costas do corcunda e começa a conversar e fazer o jovem se sentir culpado por ter desejado viver além daquele "santuário", como lhe é colocado por toda a vida. Percebi sua dúvida e disse: "Filho, o mal gosta de enganar. Aquilo que ele faz não é carinho, é apenas um toque. Um carinho vem daqui, do coração e sai até as pontas dos dedos. Por isso você gosta dos meus carinhos, porque vão com todo meu amor, para você, pelo meu toque...". Ele me deu um sorriso tão lindo e seus olhinhos traziam um brilho tão "brilhante" - essa redundância era nacessária... - que eu vi que ele havia entendido a diferença. Daí, associei a tal capacidade cognitiva avançada que ele tem... Mas, depois, constatei que não, que se tratava da transparência em nossa relação. Na troca de olhares, não vi apenas um menino esperto e sagaz, mas, um indivíduo sensível e que confia tanto na mãe a ponto de dizer, num simples olhar que acredita e entende o que falo para ele, porque falo com meu coração. Vi ali uma parte de mim se manifestando. Como se fossemos um, apenas. Um entendimento tão lindo e perfeito que não se faziam mais necessárias palavras, apenas, era. O tal do "verbo", que quando é, é.

Pedro e eu temo trocado muitas lições. E, por mais que seja traquina e desobediente, que eu perca as "estribeiras" com ele, que me desgaste, que canse e peça socorro a Deus para ter forças e sabedoria para responder seus eternos "Por quê? ... E se?", de um questionamento inesgotável e insaciável, de uma profunda e sedenta vontade de saber, nós temos uma relação forte e de confiança sólida. Naquela troca de olhares, eu vi isso, vi o quanto sou o porto-seguro dele. Daí, me veio a mente as duas vezes que ele teve - suponho eu - pesadelo e me gritou: "Mãeeee!" Correndo para o meu colo, no escuro e se jogando por cima de mim e me abraçando aos soluções, apenas me abraçando. Quando eu perguntei o que havia acontecido, ele apenas me dizia:"Nada, mãe. Já passou. Posso dormir abraçado com você?". Essa confiança, essa base, essa troca é resultado não só do meu amor, mas, do cuidado, mesmo na época das minhas crises de DPP que ele vivenciou, em ser franca e honesta com ele. Isso me fez ser e querer sempre ser coerente no que falo e faço, nem que seja afirmar para ele que tenho minhas dificuldades e não sei de tudo, mas, posson produrar saber, sempre. 

Penso que tudo isso fez com que ele entendesse que o mal também sabe fazer carinho. Mas, o que me veio depois é que, se todos nós temos a essência boa e viemos para fazer o bem, o carinho sincero pode ser a arma contra o mal. Só o amor constrói os caminhos do bem! Veja que ele nem quetionou o fato de o corcunda ser "feio" e deformado... ele só via que Quasi - como Peu já chama - era uma pessoa boa e Frollo, todo bem vestido e falando bem, era uma pessoa "má". Ou, uma pessoa que não sabia mais o que era o "bem".

Muita cosia pode ser apreendida através dos símbolos. Isso, com as crianças, é ainda mais forte. Então, precisamos de muito cuidado em nossas ações, porque elas trazem as verdades que estão dentro de cada um de nós!

Saudações maternais,

Pat Lins.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

"O SEGREDO DOS 5 FURIOSOS" - Dica de Filme MÃES NA PRÁTICA


Para aprender o segredo dos 5 furisos, há de se aprender a arte do Kung Fu. Luta? Briga? Não! Sabedoria!

A animação mostra a ansiedade dos pequenos em achar que apenas pela força bruta se é vencedor e como os seus ídolos se tornaram mestres do Kung Fu, onde a luta é apenas uma parte - e a menor, como Pô deixa claro - dessa arte. Nas histórias ele mostra a importância de se conhecer, viver e praticar essas virtudes:

- PACIÊNCIA;
- CORAGEM;
- CONFIANÇA;
- DISCIPLINA;
- COMPAIXÃO.

Cada um precisou superar suas dificuldades e só assim puderam crescer e tornaram-se os mestres d Kung Fu! E o lindo é a maneira como Mestre Shifu leva Po para sua maior e mais difícil missão: ensinar introdução ao Kung Fu aos jovens aprendizes, aquelas "doces crianças"... risos.
Todas as virtudes precisam ser desenvolvidas e aplicadas em nossas vidas, só que umas mais do que outras. Vi que para mim, como mãe, mulher... pessoa, falta a paciência. Em Peu, ele precisa controlar a força do "tigre" e trabalhar a disciplina. Muito bacana, mesmo! Um filminho aparentemente para criança, que traz uma mensagem muito linda e vem de encontro a esses desenhos vazios de lutas e lutas sem controle, sem objetivo, sem trazer esse resgate.


"O segredo dos 5 furiosos" é um algo mais ao Kung Fu Panda, que nos mostra como cada um chegou onde chegou e a importância de uma educação firme e uma boa formação de caráter para os nossos pequenos que levarão para toda a vida! É lindo ver como o louva-Deus precisou aprender a ter paciência; como a pequena víbora sem presas aprendeu a ter coragem e ensinou que para se vencer é muito melhor agir com inteligência do que com força bruta; como a garça deixou de ser sem graça e, apesar de ser diferente do que os outros esperam, era capaz e só lhe faltava confiança - quebrando paradigmas e superando o preconceito; como a tigresa era tida como um monstro, apenas por não ter tido alguém que lhe ensinasse a lidar com sua força e era isolada... até receber a ajuda do mestre Shifu e com disciplina, concentração e coração presentes, aprendeu a controlar sua força, saindo do isolamento; e o macaco, que precisou aprender e receber aquilo que lhe negaram a vida inteira e por isso ela havia se transformado na maldade imposta da falta de compaixão. Só quando ele recebe compaixão, ele aprende a dar. E ele deixa de ser mau, para ser bom. A linguagem é jovial e arrojada, mas, não deixa de passar a mensagem positiva e profunda com extrema leveza!

Assitam com os pequenos e divirtam-se aprendendo algo construtivo!

Saudações maternais,

Pat Lins.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

COISAS DE CRIANÇA...


Criança sempre nos ensina algo bem fresquinho. Fora a sensibilidade que eles têm em captar, com a maior naturalidade - graças a ausência de preconceito... até a gente começar a passar para eles... -, as "verdades" e as incoerências do mundo que lhes cerca.


Pois bem, estavamos eu e Peu - meu filhote lindo e gostosão - assistindo Pocahontas e ele curtindo muito. Volta e meia ele me perguntava: "lá na curva, o que é que tem, mãe?" E eu não entendia... Até que prestei atenção ao filme e vi que se tratava de uma música... Lição 1: estar atenta só, não basta, tem que mergulhar... - risos.


Daí, ele desandou a perguntar o que são os "índios"; a cantar os trechos das músicas que mais lhe tocaram, como, na hora da preparação para o combate entre brancos e índios, os índios falam que os brancos não são humanos, que o dinheiro é o deus deles... enfim, essa parte ele percebeu bastante e me perguntou: "Por que dinheiro é Deus, mãe?" E, mais uma vez, mamãe não havia prestado a devida atenção... Então, expliquei-lhe que, na verdade, muitas pessoas são "escravas" do dinheiro e, em vez de abrirem seus corações para a vida, fecham-no para a ambição e prendem-se ao dinheiro como lema. Vi que havia falado "adultês" e refiz minha colocação: "é que, em vez deles amarem e ajudarem uns aos outros, filho, muitas pessoas perdem a vida toda querendo só ter dinheiro para comprar um monte de coisa... esquecendo de dar carinho, atenção... e, pior, que a gente faz isso sem perceber. Tem muita gente que só pensa no dinheiro, esquece de idolatrar aquilo que não se compra...". E, só para reforçar, tempo não é algo comercializável... Precisamos saber organizar o nosso para trabalhar, receber dinheiro e investir muito tempo naquilo que nos dá prazer.

Ah, sei que comecei a ver Pocahontas de outra maneira. Já o havia assistido com meus primos - quando ainda eram criança - e, para mim, mais um filme bonitinho e bem feito da Disney, com uma leve mensagem de cunho reflexivo por trás. Assistindo após os comentários de Peu - alguns já nem me recordo - vi que a intenção era mostrar o outro lado da verdade. Coisa que a gente sabe quando é adulto, mas, que as escolas esquecem de permitir se conhecer as duas partes: os "brancos civilizados" se acham. Eles se acham mais espertos; mais capazes; donos do mundo! Dizimaram - dizimam - quantas milhares de pessoas para conseguir o que querem: O NOVO MUNDO - novo para eles... Já era um lugar habitado por seres humanos. E isso é "civilidade"? Pedro perguntava: "Por que ele chamou ela de selvagem, mãe?" Como eles podem esquecer de respeitar as diferenças? Engraçado que, de maneira bem superficial e discreta, o filme tenta resgatar isso: RESPEITO ÀS DIFERENÇAS. Não existe cultura superior ou inferior - existem culturas diversas. Lógico que essa mensagem fica muito por trás do romance entre um branco inglês e uma índia norte-americana. O mote do "amor proibido" pelas diferenças raciais é o destaque. Mas, a mensagem de convivência pacífica, do respeito à natureza, da força de uma amizade... tudo isso está lá. Está na hora em que o indío Kocoum pensa que Pocahontas está sendo atacada e vai "salvá-la" e, ao mesmo tempo, Thomas o mata - demonstrando a supremacia branca das armas de fogo, que, primeiro atiram, para, depois, perguntar - para proteger Capitão John Smith. Este, por sua vez, redefine sua vida e sua maneira de ver os índios através da convivência com Pocahontas e do amor que brota dessa amizade. Até os animaizinhos acabam se entendendo.


Não fosse a limitação que a indústria cinematográfica impõe, o filme poderia explorar mais a mensagem do respeito às diferenças e de que civilização é apenas um termo inventado pelo homem branco, para justificar seus ataques às etnias diferentes. De qualquer maneira, já aborda o tema, quebrando aquele paradigma dos clássicos, onde os brancos eram sempre as vítmas dos índios "maus" e as crianças cresciam acreditando que os índios são os vilões.

Para incrementar, Peu pergunta a minha mãe, no dia seguinte: "Vó, por que eu nasci branco? Eu queria ser preto." Chegamos a pensar que fosse pelo fato do meu pai ser negro e Peu o idolatrar. Mas, na verdade, quando ele veio me perguntar, ele falou: "Mãe, por que eu nasci branco? Eu queria ser da cor de Vitinho - um coleguinha dele -. Branco é mau. Você viu que eles mataram os índios, em Pocahontas?". Eu disse: "Nem todos filho. Existem pessoas boas e pessoas más. A cor não é a gente que escolhe..." Fica a mais uma lição: respeitar ao próximo é muito mais do que dizer que respeita, é saber que o outro é diferente, mas, igual.

Sei que, ao menos, ele já percebe que destruir a vida dos outros para construir a sua não é um caminho do "bem". Aquilo me chamou a atenção. Uma criança de 4 anos perceber isso é muito lindo. Sinal de que educar um filho é perceber que eles já trazem muita sabedoria. E que nós precisamos nos reeducar para termos a mínima capacidade de passar uma boa orientação.

Fica mais uma dica de filme, para quem quiser assistir e passar a mensagem positiva do respeito ao próximo. E fica mais uma lição para refletirmos.

Saudações maternais,

Pat Lins.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

"MENINO EM QUADRADINHO" - dica Mães na Prática


Ah, na prática, a gente quer que nossos filhos só assistam a boas produções, né verdade?!

Estava sentada com Peu, assistindo a programação do último domingo - 12/09/2010 -, da TVE Brasil, e, em meio a grade do dia, entra o Curta Criança - "O menino quadradinho" - e vi uma mensagem belíssima sobre a dualidade " ser criança X crescer", onde, o menino, diante do fim dos quadrinhos de um gibi, se vê "obrigado" a conhecer novas palavras e uma gama de novidades através do conhecimento. Uma metáfora brilhante para nos fazer refletir sobre a importância de "novas" e diversas leituras.

Duas frases me chamaram a atenção - lógico, tocaram em algum conteúdo meu e se associaram... risos -, dentre tantas mensagens bacanas: "não temos como viver o mesmo tempo duas vezes, mas, podemos reinventar" e "igual a história da vida... é para criança só no começo".

Ávida por rever aquele curta, corri para o "pai dos burros" da internet, nosso famoso Google e joguei: o menino quadradinho. Depois, fui ao Youtube, e coloquei, aqui, o vídeo, lançando essa dica para mães, pais e filhos. Trata-se de uma produção simples, porém, repleta de simbologia e um texto muito bacana. Lógico, Ziraldo é o "cara". Tem muita coisa boa para a gente levar adiante e apresentar aos nossos filhos - essa novíssima e inovadora geração, que chamo de geração da transição.

Agora, só assistir e se deixar levar pelas palavras e mensagens que esse curta traz e "etc." - risos:


Saudações maternais, com muitos etc,

Pat Lins.

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