quarta-feira, 26 de setembro de 2012

HOJE, COMPLETO 6 ANOS DE "MATER´N´IDADE"


Há exatos 6 anos, nasci para a maternidade. 

Me lembro do dia. Da falta de jeito. Da ansiedade. Da vontade louca de carregar meu pingo de gente no colo... Me lembro da angústia. Me lembro da frustração de não poder tê-lo tido como queria - parto normal e como algumas pessoas me cobraram por isso... Até hoje, não entendo o porquê... Mas, existe gente assim, e, hoje, após 6 anos, é que consegui começar a entender que essas pessoas precisam de auto-carinho, de auto-amor... ou amor próprio! Me lembro da calma do meu médico em me dizer: "Você vai ter seu filho e é isso que mais importa!". Me lembro da dor... Do medo... de todos os medos juntos e de vez. Me lembro dos tremores e temores. Me lembro do apoio, carinho e amor da minha família, que são meu tudo! E isso incluí meus grandes amigos! Me lembro de tudo que esqueci, naquele instante, onde tudo se tornou real. Um novo real. Me lembro do meu sorriso em lágrimas ao vê-lo, pela primeira vez e escutar o som do seu chorinho mais lindo! Me lembro da primeira mama. Daquela sensação sem explicação de poder amamentar. De dar o alimento àquele pequeno ser. Foi estranho. Estranhamente, estranho, mesmo. Sentir o leite sair e ele se saciar. Não me sabia capaz de ser capaz. De mim, jorrava aquele líquido que não existia antes e que, naquele momento saía. Me lembro da gente, naquele primeiro instante! Como eu queria te agarrar e te dizer tanta coisa, sobre o mundo que adentrava! Me lembro do seu olhar, dentro dos olhos e da enfermeira que disse: "Nossa, parece que ele está olhando minha alma!". Ali, você já dizia a que veio, e que não foi a passeio... Ali, você nos mostrou a sua marca registrada: "Ninguém que cruze meu caminho ficará estagnado!". Realmente, foi "para sacudir e abalar"!

Tive a sensação de ter colocado um mundo para fora. Pensei numa galinha, numa vaca, numa coruja, numa leoa... Pensei na sensação de cada ser vivo capaz de colocar um novo mundo, no mundo, através do seu mundo EU.

Me lembro de cada momento daquele dia, como hoje. Ops! É hoje, só que há 6 anos... De TU-DO. Tive vontade de apagar a parte ruim... os primeiros sintomas da DPP. De uma DPP que não me impediu de ser mãe. Nem me refiro aos erros. Afinal, toda mãe erra. Nem se iludam, amigas, amadas. Por melhor que sejamos e façamos, ainda assim, erros cometemos. E não só como mães, mas, como pessoas. Não tem como apagar. Foi real. Um novo real em meio àquela nova realidade. Uma realidade paralela de dor e amor. De caída e de vontade de ver aquela luzinha no fim do túnel e subir, emergir... Mas, que fim de túnel se o fim nunca chegava? Foi quando entendi que não havia fim. Havia um novo começo. Mudei o foco. Mudei o rumo. Mudou meu rumo. Mudei. Tive que mudar. Não sei dizer exatamente em quê, mas, mudei. A gente só descobre que mudou depois que muda. Quanta gente nem faz idéia do quanto tem para mudar e nem se mexe... Não se sabe, porque não se vê. Eu precisei me ver. Me vejo, Me verei.

Hoje, me vejo diferente. Me digo: "Se fosse hoje, eu agiria de outra maneira... Eu saberia e entenderia que era aquilo mesmo e que iria passar". Hoje, já passou. O tempo passou. O tempo fez tudo melhorar, mesmo aparentando ter piorado. Na vida tudo é lição. Eu aprendi isso vivendo. E vivo, cada dia!

Peu, você me trouxe um novo sentido: o sentido de entender que temos que descobrir o real sentido das nossas vidas. E que esse sentido não é apenas ser mãe. Não é o ato e fato de colocar um filho no mundo que nos torna MÃES NA PRÁTICA. É a jornada e a consciência alcançada, senão hoje, amanhã. É a descoberta de que sempre se tem algo novo a descobrir. É entender que se você exclama: "Filho, você não existe!" e ele te diz: "Mãe, você não queria ter tido filho, não, é? Você não queria uma filho? Você não me queria como filho?" você não deve repetir, ainda que lhe explique o que essa expressão quer dizer... ele não gostou. Eu repeti, tempos depois, sem perceber e ele me disse: "Mãe, se você me disser isso de novo, que eu não existo, eu sumo de sua vida!". Entendi que não tenho que me chatear e tentar explicá-lo, de novo, o que a expressão quer dizer. Ele entendeu a minha explicação, mas, deixou claro que não gosta dela... O que me cabe, não é afrontar e entrar numa de briga de ego, é respeitar aquele pequeno ser dotado de opinião própria e que merece ser levado a sério, mesmo em meio a um mundo lúdico e de fantasia.

Há seis anos, comecei a entender muito mais coisa que, só sendo mãe, para entender. Eu sei porque já fui "não mãe" e sei como a gente pensa, julga, condena e acha que sabe o que é ser... até ser, mesmo. Foi quando entendi que "só se é sendo". 

Já são 6 anos. E estamos apenas no começo. Já passamos por tanta coisa... e tantas mais por vir... Este ano foi especialmente penoso, mas, conseguimos dar o primeiro passo rumo à virada! Juntos! Ele nos mostrou que precisava muito mais de nós do que pensávamos. Nos diz, claramente, o quanto somos importantes para ele e o quanto nos ama! Isso é único! Isso é mágico! Isso é ser mãe! Isso é ser mãe de Pedro Henrique! Ele completa 6 anos de idade. Eu, 6 anos de "mater´n´idade". 

A cada dia, aprendo que a vida é feita de fases e que nenhuma delas tem um tempo cronológico e cartesiano de expectativas vãs. Fases constantes e novas. Algumas colidem, outras terminam, para novas começarem. O tempo não para! Sinto cada fase que descobrimos: desde o carregar ao nascer até o primeiro dente de leite trocado. Desde o se arrastar pelo chão, em busca de liberdade, até os passos seguros correndo solto, rumo ao desconhecido, destemido, corajoso e, acreditem, cauteloso! Custei a entender, mas, ele sabe até onde pode ir. Logico que isso não me exime a responsabilidade em estabelecer limites e estar atenta. Ele é independente, de natureza, mas, sabe que pode contar comigo! Isso é gratificante demais! Sou mãe chata e legal. Boba e boa! Sou mãe! Bruxa e fada. E vamos velejando pela vida! Aprendendo a aprender sempre e mais.

Parabéns, meu filho! Por cada avanço! Por cada lição que aprende e que nos ensina! Por ser capaz de, do seu jeito, nos - nós, adultos ao seu redor - fazer ver que nada é por acaso e que criança tem um jeito peculiar de dizer: "Ei, não é esse o caminho...Você pode fazer melhor!". Obrigada, por crescer cada dia mais lindo, por dentro e por fora. Obrigada, por me fazer entender o que quer dizer VIVER AQUI E AGORA! Se ontem agia de determinado jeito, hoje, vejo que não deveria ser bem assim, hoje mesmo começo a me vigiar, para amanhã, mudar. Tudo começa AQUI E AGORA, principalmente para as MÃES NA PRÁTICA! Que se houve um dia de sofrimento, angústia... ele não deve perdurar. Mudar não é motivo de vergonha. Manter-se estagnado o é. Seguir em frente é assumir o risco de um novo rumo, rumo à felicidade! Nem todo mundo entende. Nem todo mundo entenderá. Mas, ser feliz não requer magoar... requer apenas que aceitemos e sejamos. Essa é a luta mais legítima que conheço, hoje, na prática diária de ser mãe, que ser feliz vale a pena! Cansar é consequência natural do ser humano. Recarregar, também! Obrigada, meu Deus, por essa dádiva! Por essa oportunidade de gerar um outro ser fora e dentro de mim - Pedro e EU!

Pedro, parabéns pelos seus 6 anos!!!! Mãe te ama, filho! Quando você nasceu, um novo ser em mim nasceu, também!

E, pedindo licença a Roberto Carlos, posso resumir esses 6 anos com a frase: "SE CHOREI OU SE SORRI, O IMPORTANTE É QUE EMOÇÕES EU VIVIIII"  e vivo! E viveremos! Vamos que vamos!

Saudações maternais,

Pat Lins - mãe, na prática, a 6 lindos anos!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

"EDUCAR É, ANTES DE TUDO, CONSCIENTIZAR" - Por Morgana Gazel




Isto significa que conscientizar se insere em todo o processo educativo. Vejamos. Proponho que educar é envidar ações que levem o educando a tomar conhecimento e fazer uso das condutas necessárias a seu desenvolvimento físico; a reconhecer seus padrões construtivos e destrutivos e a lidar com eles de modo adequado; a distinguir seu papel nas relações interpessoais; a se tornar ciente de seus direitos e deveres no âmbito social; a perceber que o aprendizado intelectual é um instrumento imprescindível à aquisição da liberdade de pensar e da capacidade de fazer escolhas adequadas; por último, a se dedicar a este aprendizado.
Esta concepção de educar é apenas um detalhamento baseado numa definição do Aurélio, que diz: Educação é o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social.
Se atentarmos cuidadosamente no que proponho como objetivos das ações educativas, veremos que a família tem um papel preponderante na consecução deles. Somente os dois últimos exigem a participação da escola, embora ela deva contribuir para que os demais sejam igualmente alcançados.
Ora, os pais, em sua maioria, não têm condições de cumprir todos os requisitos referentes a seu papel de educadores, pois não foram suficientemente educados. Se o filho bate em outra criança, eles se mostram compreensivos, caso contrário ficam furiosos. À noite, horário em que geralmente os membros da família têm oportunidade de interagir, uns se ocupam assistindo à TV, outros no computador. E assim segue a vida.
Se a criança chega à escola com pouca ou nenhuma educação doméstica, terá grande dificuldade de se adaptar ao novo ambiente, principalmente porque grande parte dos professores não está preparada para lidar com aluno difícil. É bom lembrar que os docentes podem também ter tido uma família incapaz de exercer satisfatoriamente o dever de educar. A coisa toda se complica ainda mais, quando um deles toma uma medida, às vezes correta, com a finalidade de corrigir uma conduta deseducada, e os pais do aluno em questão revoltam-se e o agridem. O prejuízo do professor será apenas o mal-estar, o do aluno será provavelmente jamais se tornar um verdadeiro cidadão.
Os efeitos das falhas no processo educativo alastram-se em toda a sociedade, vai até nossos governantes; muitos deles certamente vieram de lares e escolas que falharam neste aspecto. Como consequência, chafurdam no exercício da não cidadania e, portanto, não têm nenhum interesse em mudar tal situação.
Que fazer então diante desta realidade? Você deve estar perguntando-se, caso tenha tido a sorte de ser educado adequadamente. Difícil responder. Mas tenho sido assaltada por um sonho louco, no qual todos os verdadeiros cidadãos contribuem de alguma forma para educar pelo menos uma pessoa fora de sua família. No futuro deste sonho, nossos bisnetos são os pais, e o mundo é um lugar bem melhor de se viver.


NOTA: Artigo publicado no jornal A Tarde. Salvador – Quinta-feira, 19/7/2012. Imobiliário, página 6.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

DICA DE FILMES: HAPPY FEET 1 e 2


 A gente pensa que basta se tornar adulto para os nossos "problemas" de infância ficarem no passado e que seremos os pais mais legais que já existiram! Será?


Eu dava aula de Sociologia e usava um filme chamado "A marcha dos pinguins", para reforçar o aprendizado. Pedro assistia esse documentário comigo, várias vezes. Foi quando decidi comprar "Happy Feet" para ver se ele gostava. Nós gostamos. A mensagem rica de como os diferentes "incomodam" e como os adultos têm dificuldade em lidar com o que foge do padrão é muito bem trabalhada e abordada nessa animação. Outro enfoque legal é o fato de cada um ser quem é e ter algo de bom a somar. No 1, os pais, que são destaque entre os pinguins imperadores, colocam no mundo um filhote peculiar. Seu talento era a dança. Enquanto o talento dos pinguins deveria ser o canto. Em meio a esse cenário, Mano, o pequeno pinguim imperador, encontra acolhimento entre os pinguins Adelie - outra espécie. Lá, sua dança não é mal vista. Lá, eles são mais livres, mais amistosos. Nessa ida em busca de si, de se aceitar, ele descobre que sua vida só tem sentido junto ao seu povo e decide voltar. Mais forte e consciente de si, ele volta para definir seu espaço e lutar pelo seu grande amor, Gloria - a pinguinha mais cobiçada, e com a voz mais linda. Juntos, eles formam uma dupla que canta e dança - características que nós, humanos conhecemos dos pinguins, onde eles dançam para gerar o ovo e cantam para se identificarem. Mano leva a alegria da dança ao seu povo e todos passam a admirá-lo como ele é. Foi assim que nos encantamos por esse filme. Muita coisa boa acontece. Quem não assistiu, vale a pena!

Locamos o "Happy Feet 2", para saborear a continuidade. A mensagem de que cada um é um e tem sua razão de ser continua, e mais forte e em quase todos os personagens. Desta vez, envolve toda a Antártida e a teoria do caos, onde tudo está interligado e a gente nem percebe.

Mano - o pinguim sapateador do primeiro - e Gloria têm um filho, Erik, que ainda não sabe o seu talento. Desta vez, os talentos não se resumem a apenas cantar, ou dançar, mas, cada um identificar o seu, em si.

Quem pensa que para um pai que enfrentou os desafios que enfrentou para ser aceito e respeitado como "indivíduo" consegue dar conta de (re)viver a situação com o filho, se engana... a gente acaba, sem querer, repetindo alguns padrões internalizados socialmente em nosso ser individual. Vejo isso em mim, com Peu... não gostava de que me vissem apenas como "criança inteligente" e é o que mais enalteço nele... Bem a tempo de me redimir de mim mesma e fortalecer a base moral e de bons valores que tanto acredito e dedico viver. Enfim, Mano não sabe como "chegar" no filho. Ele não sabe lidar com o tempo do pequeno e o expõe à muita cobrança.

Envergonhado de si, por acreditar que não tem nada a acrescentar, o pequeno Erik, após uma conversa com "Tio Ramon", decide ir para a terra dos Adelie, onde ele poderá ser ele, sem cobrança de que deve se enquadrar em algum modelo, ou criar o seu próprio, desde que tivesse um modelo.  No caminho, nós, telespectadores, conhecemos os krill - um cardume de invertebrados tipo camarão - Will e Bill. Em meio àquele aglomerado de iguais rumando na mesma direção, eles se encontram. Bill, para se certificar, pergunta a Will se ele é ele mesmo, no que recebe como resposta: "Claro que sou eu!" e Bill: "É que somos todos iguais...". No que Will grita: "Eu sou único!". Ali, entra o questionamento da importância da individualidade, ainda que em meio ao coletivo. Will decide mudar. Tomar um novo rumo. Ele diz que quer ser "livre" e seguir um caminho novo, onde ele vai criar tudo, inclusive quem ele será e do que se alimentará. Muito engraçado e profundo. Ele nada rumo ao final do cardume e sugere a Bill que, talvez, ali seja o "fim do mundo" e se ele vai morrer sendo comida de qualquer outro animal, que ao menos ele morra vivendo de uma maneira diferente e que ele escolheu seguir. O "fim do mundo krill" é o início do mundo Will - com Bill na cola, sem saber o que está fazendo, mas, vai em solidariedade ao amigo precursor e desbravador! É muito bacana o desenrolar da história, principalmente quando esse krill se separam e Will segue sozinho, em meio à sua revolta de ser tido como igual. O querer ser diferente para ele é vital, mas, o que o motivava e a falta de direcionamento eram os seus maiores empecilhos. Mesmo assim, ele ia. Nada o impedia de ir. Conseguir se ver como único o fortaleceu a ponto de nada mais o frear. Lutava pela vida com toda a força que tinha e mais um pouquinho. Por fim, depois de um tempo, ele sente falta do grupo, de sua "identidade" espelhada naquele grupo. Sente-se só. Volta para o mar, por "acaso" e, ali, trava um monólogo onde expressa o quanto Bill lhe era importante e ele nem sabia e o quanto o cardume lhe fazia falta. Tudo que viveu ele reconhece como importante, mas, sem sentido maior... Os contatos, os desafios, o conhecer o mundo do outro, o valor de uma amizade, o valor e a capacidade de quebrar uma parede gigantesca que um grupo unido é capaz de promover... tudo isso é abordado no filme. Toda ajuda é bem vinda, quando se há boa vontade de conhecimento do que deve ser feito. Cada personagem tem uma riqueza e uma magnitude. Todos cometem "erros" e todos entendem a importância de reconhecer que errou para acertar. Não vou falar muito do filme, senão, perde a graça do contato e das próprias conclusões. 

Muitos paradigmas são questionados ao longo da historinha. A relação conturbada de pais e filhos; as amizades fortalecidas pela união sincera; como em grupo a gente pode ser a gente e saber nosso papel individual e coletivo. O quanto cada ação nossa repercute numa consequência além da nossa compreensão. Muito bonitinha a cena onde todos juntos se ajudam para salvar os pinguins imperadores - que, de início, eram arrogantes e presunçosos pela sua "nobreza imperadora" - e até os krill, tão levinhos, ajudam a quebrar o iceberg que prendia toda uma nação dos pinguins imperadores. Como as crianças têm essa capacidade de ver a solução além do problema e como se entregam de corpo e alma na missão de resolver. e como nós, adultos, nos tonamos seres medrosos - reconheço nossa prudência adquirida com a experiência de dia após dia de vida, mas, o excesso dessa "prudência" extrapola e vai para o medo, o pavor aprisionante e a incapacidade de enxergarmos mais além, e de enxergarmos o óbvio, o mais próximo, as soluções mais simples - e como passamos isso para os nossos pequenos, alimentando essa cadeia sucessiva de desaprendizado ao longo da vida. Passamos a vida inteira esquecendo o que vem a ser: viver e usufruir da Vida. Passamos a vida inteira com tanto medo da morte que nem nos damos conta de que matamos um pouco de nós a cada dia, em cada medo.


Tem um momento em que Will, no reencontro com o cardume, pergunta a Bill: "Como você os encontrou?", afinal, no momento de sua fuga, seu cardume havia sido comido por uma baleia e ele fala: "É para isso que existimos, para ser alimento de outros animais". Nesse reencontro, Bill responde: "Eles é que me encontraram.". Quando a gente sente que faz parte daquele grupo, daquele povo, o patriotismo, o amor àquela pátria amada, faz sentido, ainda que seja uma ave pintada de pinguim, como o papagaio Sven, que nos ensina muito, quando se assume e como encontra seu lugar no grupo, mesmo sendo de outra raça. Temos um algo maior, temos uma imagem de um todo formado por cada pequena parte. Assim, Bill pede a Will que o ensine a sair da base da cadeia alimentar, que somente encarando os desafios da vida afora e se adaptando aos novos mundos explorados é que se abre a porta para a evolução. Will, embebido por sabedoria de vida, após retirar-se e lançar-se em busca do novo, aprende o caminho de encontro consigo e a humildade lhe é despertada, fala: "Eu não tenho o que ensinar para ele. Cada um é que deve seguir o seu caminho...". 


Todos nós temos a capacidade de nos tornarmos pessoas melhores e aprendermos diante de cada erro. Como pais, mães, família, amigos, temos a responsabilidade por nossas ações. Tudo que fazemos reverbera e repercute em algum lugar. Que cada ação nossa tenha um objetivo nobre e que nobre sejam nossos valores morais, com base nas virtudes. Talvez nunca sejamos perfeitos, mas, nos lançar no caminho crescente é melhor do que viver estagnado e sem saber o que mais podemos desenvolver!

Se a gente conseguir mudar na gente, seremos capazes de sair dessa base humana pequena que estamos e podemos dar aos nossos filhos a crença de que eles podem fazer melhor e, daí, melhorar cada dia deles e cada um melhorando seu cada dia, quem sabe o mundo se torne um lugar mais aprazível e melhor! 


Super indico esses filmes. Tenho rascunhos aqui de lições que tiro cada vez que assisto e re-assisto os filmes com Peu. Um dia publico mais. Quase todos nos lembram a importância do lidar com as diferenças e o respeito como base, o amor como propulsor e mantenedor. Além de nos permitirmos momentos de lazer e descontração, aproveitamos da companhia dos nossos pequenos em momentos de chamego únicos, de aprendizado com as lições e oportunidade de crescimento pessoal e coletivo! 

O desabrochar com nossos filhos nos ensina mais do que todas as lições na Vida! 

Saudações maternais,

Pat Lins.

domingo, 16 de setembro de 2012

"DIBS EM BUSCA DE SI MESMO"


Ainda estou emocionada! Por isso, decidi sentar e escrever!

Dentro de mim mexe-se algo, como uma lagarta andante. Meu coração dá-me umas alfinetadas boas, daquelas que sentimos depois de uma boa choradeira, do tipo "lava alma". Chorei em uma parte do livro, apenas. Não sinto mais essa vontade. Apesar da sensação de quando choramos muito, diante de forte emoção positiva.

Uma conhecida, vizinha e mãe de colega de Peu que me sugeriu, do nada, uma leitura bacana que, talvez, eu gostasse. Sim. Gostei! Aliás, amei!

O livro, após pesquisar nas maiores livrarias, está esgotado pelo fornecedor. Divulguei nas redes sociais como conseguir e um colega me sugeriu comprar pela internet, livros usados. Visitei um site - Estante Virtual - pois, já havia visto uma colega pesquisando por lá. Encontrei! Comprei! Recebi dia 13 de setembro, à noite. Dia 14 à noite li das 21h até as 23:30h, conduzida pela história real e envolvente. Me vi na metade de livro. Parei. Respirei. Fechei. Fui dormir. Abri mão de tudo, no sábado a tarde, para concluir a leitura. Tive, apenas, 3 horas, o que me fora suficiente para adiantar. Hoje, por volta das 01:10h, deleitei-me com o seu final! Meu livro é velhinho e, por isso, me trouxe um sabor especial. Gosto de sentir a vivência. A vida dos livros. A leitura, para mim, é um ato sagrado. Os bons escritores, para mim, são aqueles que escrevem seguindo um dom, uma habilidade natural, agregada ao desenvolvimento efetivo de técnicas de escrita para a transmissão de uma mensagem HONESTA. Não sei de quem foi este livro antes, mas, me veio cheio de força!

Assim conheci "Dibs" e assim, conheci o meu "EU Dibs", meu "EU mãe de Dibs", meu "EU avó de Dibs", meu "EU professora de Dibs"... me vi como suas empregadas, como Jake. Me vi em cada ser humano dessa história simples, como a vida é, através de sessões de "ludoterapia" de uma criança bombardeada desde a gestação, seu nascimento, seu primeiro suspiro de vida, seus primeiro passos... e sua força essencial, única e autêntica em busca de si que permitiu, diante de ajuda profissional e com afeto, seu reencontro consigo.

Vou começar do final, de onde senti a mensagem para nós, mães reais, mães na prática diária da arte de ser mãe, pessoa, imperfeita e, ainda assim, capazes de sermos mais e melhores a cada dia. Eis a mensagem que gostaria de partilhar:

"Uma criança, quando possibilitada a oportunidade, pode vivenciar a alegria de uma comunicação honesta e sem hipocrisias. Uma mãe, quando respeitada e aceita com dignidade, sabendo que não será criticada ou censurada, pode expressar-se com autenticidade sincera.". 
(Virgínia M. Axline)
Imaginemos um mundo novo e melhor. Onde as pessoas se respeitem e cobrem e exijam menos das outras porque estarão mais voltados para si e ocupados com seus reais deveres enquanto seres humanos. Esse é o meu sonho de mundo ideal. Onde RESPEITO seria base para toda e qualquer relação, em qualquer ordem, escala, gênero e etc.

Dibs é um menino. Uma criança. Um menino diferente, mas igual aos outros meninos. Era dotado de inteligência elevada. Foi subjugado e limitado a busca de conceitos, de modelos, de padrões... Seu lado afetivo-emocional havia sido forte e gravemente abalado. Portas foram fechadas em sua vida. Portas e paredes foram erguidas em suas relações familiares. Não por ele, mas, culminou nele e, em vez de consequência, era tratado como origem dos problemas daquela família. Na escola, ninguém sabia "diagnosticá-lo", muito menos acessá-lo. Não se sabia o que ele sabia. Muito menos, quem ele era, além do nome e sobrenome matriculados naquela instituição. Senti - sensação ao ler o livro... mesma explicação para os "sentir" que se seguem -  a vontade de Dibs, bem como sua confiança na psicóloga - uma pessoa nova em sua vida; vida esta que ele temia a aproximação e o contato com qualquer outro ser humano... Senti a angústia de sua mãe, ao descobrir-se co-responsável pelo fechar de tantas portas na vida daquele ser em crescimento, jogando neles suas frustrações pessoais e profissionais como "culpado máximo e cruel". Senti a angústia dela em resgatar esse encontro que não se permitiu com o filho em seu nascimento. Senti a sua vontade de fazer valer cada dia presente como um novo caminhar nesse novo caminho que se abria, sem portas ou janelas, mas na liberdade da vida e da nossa capacidade de se refazer, desde que haja vontade! Senti o que são barreiras que nos colocamos e a importância de não reclamarmos do ambiente em que vivemos, mas, sim de sabermos em nós lidar conosco e todo o resto se encaminhará, pela força resultante dessa busca de si e desse encontro constante. Senti o quão mais importante que tudo é o AMOR. Não essas partes de amor que nos debatemos em tentativas infundadas e teóricas de conceituar esse sentimento tão nobre e inexplicável, mas, "sentível". "Dibs em busca de si mesmo" nos ensina a amar. Nos reconhecermos como únicos e autênticos, porém, com algo a ser trabalhado e melhorado, sempre.

Não vou reproduzir minhas anotações aqui... reservo-me ao direito de permitir que essas boas lições me envolvam como o abraço que me dei ao ler esses relatos. Tenho o dever de não reproduzir em respeito a quem vai ler. Acabaria forçando um(a) amigo(a) leitor(a) a ir em busca dessas mensagens, em vez de irem em busca de si. 

O livro traz um universo psicológico desmistificante. O cuidado com que a psicóloga trata o "caso" nos remete ao seu objetivo de pesquisar para ajudar um encontro de respostas às suas perguntas e uma abertura de caminho para a vida de cada paciente, fortalecendo-os em si, para que não haja o apego ou a dependência de sua ajuda por toda a vida. 

Transcrevo, aqui, apenas um trecho que me tocou como peculiar - aliás, o livro inteiro. Existem alguns sites que disponibilizam em PDF, para quem tiver interesse em começar a leitura. E o trecho - que é longo... são quase três parágrafos - diz:

"...Nada se podia afirmar ou negar.

Sem os lampejos da evidência inequívoca, defrontava-me com o mistério daquele ser, numa atitude de respeito e humildade. Sabia que as trevas da ignorância proporcionam um espaço crescente para julgamentos incoerentes e acusações tendenciosas, expressas ao sabor das emoções. Nessa atmosfera, qualquer conclusão definitiva traz em seu bojo a ambiguidade. É daí que os benefícios da dúvida podem obrigar-nos a refletir melhor sobre os objetivos e limites da avaliação humana.

O estreitamento ou a ampliação do horizonte interior do ser humano não pode ser medido pode outra pessoa. O processo do desabrochamento pessoal só se torna compreensível à luz da experiência própria de procurar-se e encontrar-se, onde, então, de diferentes maneiras é sentida a posição axial da autoconsciência. A partir dessa base, espontaneamente, aceita-se que cada personalidade tenha o seu mundo muito particular de significações, gerado na integridade de sua estória, mesmo não dispondo de elementos para explicar as razões de ser de cada um.

(...)

Desconhecemos as regras prontas, elaboradas para dissolver bloqueios mentais. Cremos que muitas de nossas impressões são frágeis. Compreendemos o valor da objetividade, da calma do estudo ordenando. Sabemos que a pesquisa é uma fascinante combinação de intuição, especulação, subjetividade, imaginação, esperanças e sonhos mesclados com dados coletados objetivamente e submetidos à realidade da ciência matemática. Um elemento isolado não basta. O conhecimento da complexa causalidade ajuda-nos a construir a longa estrada que nos conduz á verdade."

(Trecho de "Dibs em busca de si", de Virginia M. Axiline)

E tanta coisa se desenrola... 

O ideal é ler. Qualquer comentário que faça aqui não terá muito sentido. A leitura desse livro, por si só, nos leva a questionar os nossos sentidos, a vontade de crescer como ser humano e recuperar a simplicidade e capacidade de ler e refazer a vida como uma criança. Nós, mães, não somos culpadas, mas, nossa responsabilidade é nos encontrarmos em nossos papéis. Esse é o nosso maior desafio. 

Houve um momento do livro onde aparece a ansiedade dos pais em provar que o filho não é um "retardado mental", como eles colocam e a criança, gênio, por sinal, fecha-se e não permite que ninguém o vanglorie apenas pela sua inteligência intelectual, ele queria apenas, ser criança e crescer no processo natural de amadurecimento. E vem esse levantar de questão sobre essa ansiedade de nós, pais, em nivelarmos nossos filhos pelo seu grau de conhecimento apreendido. É difícil saber o quanto sabemos, o quanto uma criança é capaz de saber. É preciso que saibamos lidar com nossa ansiedade. Isso me fez recordar um episódio que vivencie quando Peu era pequeno - dois meses, apenas - e minha sogra estava perto de voltar para a Holanda, país onde morava, e, colocou Peu para engatinhar. Quando via a cena onde ela estava comovida e ele engatinhando em cima do colchão, segurei o calor que me subia pelas costas e fui, calmamente, carregar meu filho. Com os olhos marejados pela emoção, vi que o grau de ansiedade dela extrapolava o limite que o respeito a idade do bebê requeria naturalmente. Perguntei o porquê daquela atitude e ela me respondeu, inocentemente: "Quando eu voltar ao Brasil ele já estará engatinhando... Queria ver antes e ter a sensação de relembrar ver uma criança começar a engatinhar...". Também me recordo que eu, ansiosa, queria Pedro lendo e escrevendo antes da hora, seguindo o meu exemplo de criança precoce - o qual eu nunca soube lidar... Me via sem saber como lidar com o comportamento diferente de Peu e procurei "doentificá-lo" para justificar sua maneira de agir... Nisso ele me lembra Dibs, buscando liberdade, mexendo  com todos que têm o prazer de conhecê-lo - inclusive aqueles que nem se dão conta do prazer que é conhecer Pedro Henrique. Me vi enaltecendo essa mega - inteligência dele como marco. Pedro com 2 anos estava quase lendo sozinho, juntando sílabas... Hoje, com 5 anos, estamos em trabalho de quebrar a resistência dele em ler e escrever... Logo ele que com 2 anos conhecia todas as letras do alfabeto, e ordenava certinho... Que cobrou da avó, nessa idade, onde estavam "K, W e Y" no livro de alfabeto que ela bordara para ele - um livro lindo, só vendo! Ele que com menos de 2 anos, cantava "o sapo não lava o pé"  com cada vogal, sem gaguejar... Sabia todas as cores, números de 1 a 15 e algumas palavras em inglês. Onde ele represou tudo isso? Logo ele que chamou a atenção preconceituosa de um casal mineiro, no restaurante, por quase ler a placa na loja ao lado, enquanto almoçávamos, no que eles, na cara dura, se aproximaram e perguntaram: "Ele é baiano?" e, diante de nossa afirmação: "Sim." eles exclamam: "Inteligentíssimo!" - sem comentários... Provavelmente, ele se sentiu muito enaltecido por sua capacidade e, de alguma maneira, quis lembrar que ele era uma criança. Me recordo que cobrávamos dele uma atitude mais madura, haja visto que era dotado de uma inteligência acima da média... Tudo bloqueado. Desde o ano passado, Pedro demonstra resistência no aprendizado escolar. Quando para, em poucos segundos, responde tudo, como quem quer ter tempo de crédito para, apenas, brincar. Diante disso, reconheci minha angústia ansiosa e me freei - não com facilidade efêmera e superficial, mas com consciência de uma mãe que se colocou no lugar do filho de acordo com as necessidades de sua idade e vi que eu estava exigindo demais dele. Era como se falássemos de igual para igual... de criança inteligente para criança inteligente... Resgatei a minha criança que não gostava de ser vista apenas pela inteligência... haviam outros como eu e porque todo mundo só via a mim? Refiz meu caminho. - hoje, colaboro com o resgate dele e, olha, é só dar oportunidade e tentar acessar seu mundo que conseguimos resultados rápidos. Isso é tudo? Não. Trabalhamos o seu emocional abalado e seu comportamental com ajuda profissional. Não agi totalmente como a mãe de Dibs, mas, em parte, sim... Mãe ansiosa e frustrada, com medo do que representava uma criança em minha vida. Não o rejeitei, até porque, na gravidez estava muito feliz. Até mesmo com a DPP eu não o rejeitei - inclusive, essa questão de mães que rejeitam o filho após o parto tem outro nome... Se não me engando é psicose puerpural... - mas, não foi fácil lidar com tudo de vez... Quantos de nós não cede aos apelos da ansiedade? E quantos somos capazes de reconhecer?  Meu filho precisa de mim e eu dele. Nós precisamos, cada um de si próprio. Cresço e me liberto à medida que me reconheço. Ele cresce e se liberta à medida que se conhece!

"Dibs" me fez refletir muita coisa. Ele queria ser como o vento que nunca parava e estava em todos os lugares! Dibs só queria ser quem ele era! Ele constrói um "mundo de pessoas amigas", ao final de sua terapia, onde ele mesmo determina o seu término. Ele, que só falava com objetos inanimados, aprende a falar com outros humanos, com muito respeito e integridade. Ele aprende a importância de uma amizade sincera. Nesse mundo, ele fala, que todas as pessoas são amigas. Ao final do livro, já com 15 anos, ele dá provas de quanto isso faz parte de seu ser! Muito lindo! Muito emocionante! Muito edificante! Muito tocante! Muito profundo! Mas, não é doloroso. Ao menos, eu não senti dor, nem sofrimento. Senti uma vontade de viver ainda maior! Senti um calor gostoso! Senti que tenho muito a aprender e muito a ensinar. Que o meu filho precisa ser respeitado como é. E ele é uma luz na vida de muita gente. Como toda luz, também incomoda... nem todos conseguem manter-se de olhos abertos diante dele. Ele mexe, mesmo. Mexe muito. 

Se nós bem soubéssemos, não necessitamos de reconhecimento e sim de mérito. Devemos reconhecer nosso EU e assumirmos nosso dever diante da Vida. Deveríamos viver mais. Criticar menos. Julgar nada, nem ninguém. Condenar apenas a não tentativa!

Reconhecer-se dói, muito! Revelar-se e desvelar-se, dói e muito. Mas, viver cego deve doer muito mais, porque a vida passa e, depois que tempo cronológico segue e Tempo de Vida finda... todo tempo que passamos se foi. Nada mais é, apenas o que É de Verdade. Verdade, dói? Não deveria! Ele revela, indica o caminho que devemos tomar. Mas, se revelar-se dói, a verdade vai doer, também? Será? Sugiro que tentemos!

Dibs fala de amizade sincera! De honestidade. De resgates de valores humanos. Fala de amor de uma maneira diferente. Fala de esperança, ainda que não se tenha indícios de que algo possa melhorar, como não saber o que fazer, para começar... Fala da importância de VIVER A VIDA!



Saudações maternais,

Pat Lins - uma mãe, uma mulher, uma pessoa em busca de si!








quinta-feira, 13 de setembro de 2012

SER MÃE É APRENDER... A CONSTRUIR CAMINHOS COM OS FILHOS!


Pois é, viver a cada dia é aprender. Reconhecer em si que é humano, é aprender. Dar tempo ao tempo é aprender. Ser mãe e saber qual dose certa do "quê" e "como" fazer é aprender. Para tudo isso, paciência e tempo. Para paciência e tempo: estar aberto.

Nada disse é fácil. Requer de verdade em nossos objetivos e foco.

Nesses últimos tempos estava chateada - ainda estou... não me furto ao direito de admitir minhas emoções para mim, muito menos, de permití-las serem guiadas por uma dose pesada de razão - e, segurei a onda. Tive vontade de "descer do salto". Minha sensação era de impotência diante da situação onde via meu filho sendo vítima de tamanho "descaso", na escola. Ainda não digeri muito bem o rumo que as coisas seguiram. Mesmo entendendo que o que importa é o daqui para frente, onde, finalmente, se fez o movimento de colocar as suposições em prática - única maneira de saber se era um caminho ou não... - e, assim, possibilitou a mensuração de um resultado positivo - poderia ser negativo, o que motivariam novas tentativas. Isso ainda não me desceu. Trata-se de um processo de auto conversação e um diálogo permanente de mim para comigo mesma de consciência.

Uma pessoa me sugeriu: "agradece a Deus por estar andando e rumo para frente!". Refleti, ponderei e vi que estava sendo hipócrita - humanamente hipócrita... vou amenizar para mim... pura defesa... - e deixei a raiva quase dominar. Voltei para mim e me perguntei: "qual o meu objetivo?" e me respondi: "o bom desenvolvimento de Peu". Por isso que é tão bom exercitar as coisas na prática, na hora em que acontece, vivendo, sentindo, pensando e admitindo para si suas limitações, enxergando que também é uma pessoa que tem muito a aprender - não estou dizendo "não agir". Falo em prudência, cautela e paciência, que nada mais é do que estar aberto para resolver o problema e não criar outro. É na prática, é se vendo que temos a capacidade de nos ajudar. Não foi fácil "segurar a onda". Respirei fundo, oxigenando o cérebro, trocando idéias com amigos, família e pessoas experientes que conhecem a mim, a Peu e alguns que conhecem a escola. Não queria ver o lado negativo e fechar minha visão como parte da equipe da escola estava fazendo. Também, não queria deixar a raiva e o orgulho me contaminarem. Bradei. Fiquei rouca de indignação - poderia ter o outro lado fazendo o que estivesse fazendo, eu estava ponderando e, determinei um prazo de tolerância para minha tomada de decisão, que seria tirar da escola caso nada fosse tentado. Como mãe e como pessoa, uma experiência altamente edificante. E com o estímulo de ter um saldo positivo e crescendo, que é ver, na prática, que está dando certo! Pedro voltou a render. Não do mesmo jeito que o grupo, mas, do jeito dele. Isso, para mim, é o construtivismo. Me fez aprender muito sobre a importância de uma gestão eficiente, eficaz e efetiva! E deu, acima de tudo, para entender que montar um equipe requer muito mais do que analisar curriculum. Perfil é algo de suma relevância para as funções. Olha, se as empresas bem soubessem, implantariam em suas organizações a Gestão por Competência. Não é demitir, é avaliar o que tem e redesenhar o quadro e relocar os colaboradores. Deixa esse papo organizacional para lá. Ele apenas ilustra que uma escola também é uma empresa e que tudo está interligado e interfere em tudo, bem como diz a teoria do caos - o efeito borboleta.

Bom, o saldo positivo está em minha postura, também. Compreender que errar é humano - bandeira que sempre levanto e estava agindo contrariamente - e que o reconhecimento desse erro só é efetivo quando se há redenção, ou, correção da falha com o que deve ser feito! O fato d´eu ainda estar doída me tendencia a dar uma alfinetadas... Já identifiquei isso em mim e vou me questionando, diluindo essas emoções pequenas e que não ajudam em nada. Mãe aprende o tempo inteiro e com tudo. Humildade em aceitar e seguir não é ofensa, nem "humilhação", é foco no resultado. O "se" não tivesse dado certo eu fecho com um verbo no futuro do pretérito: "teria trocado de escola". Reconhecer o que importa é que importa. Isso ainda não está fechadinho e redondinho em mim, ainda estou em processo de internalização e assimilação. Um passo de cada vez. Sou humana.

Outro saldo positivo é que Peu está tendo uma outra relação com a coordenadora pedagógica e com a psi da escola. Ele sempre se referia a ambas com certa raiva e sem carinho. Diferente de como se referia a professora e a ajudante, que sempre falou com carinho e deixava claro o quanto gostava delas. Hoje, antes de ir para a escola, ele pediu para levar uns "balões" - bola de soprar, bexiga ou bola de festa - para algumas pessoas. Fez uma listinha e incluiu, pela primeira vez, o nome delas. Aquilo me chamou a atenção. Nesta semana, ele tem falado mais delas com "carinho". Ou seja, algo mudou mesmo lá. Isso, para mim, é uma lição de vida. Carinho não é algo que se imponha de uma hora para outra, mas, quando há um movimento sincero, ele desperta de uma hora para outra. Eu acredito nisso. Eu perguntei: "você gosta delas?" Antes, ele desconversava. Hoje, ele sorriu e afirmou: "Gosto. Agora elas são minhas amigas, também!". Ele se refere às pessoas que ele gosta como "amigas". Raramente ele trata um adulto como superior a ele... Ele chama de tia e avó apenas as pessoas da família. E chama as pessoas em geral de "senhor", "senhora", "senhorita", "senhorito" ou, pelo nome direto. Isso sempre me soou intrigante, porque eu falo: "vai falar com a tia, Peu" ou "dá um beijo na tia"... 

Enfim, vi que preciso acreditar de verdade na melhora do ser humano. Que todo mundo merece uma chance de se reajustar. Se alguém afirmar: "Ah, eu não tenho essa capacidade, não. Que nada! Eu já teria retirado...". Eu sugiro que repense. Raiva obstrui nossa visão. Manter-se calmo não é deixar de ver e de pensar em alternativas, mas, é manter o foco. Isso não impede que as outras emoções assumam seu posto. Afinal, somos ou não humanos? Não é fácil para meu lado afetado pela raiva, vaidade e orgulho aceitar essa minha maneira de ser e agir. Eles sentem prazer em dificultar. Mas, quando temos um objetivo, é bom lembrar a si: "o que eu quero mesmo?", "qual o meu REAL objetivo?". 

Peu está num ambiente que ele gosta, na escola que sonhávamos em colocá-lo. Muita coisa deu errado este ano. Ano passado foi difícil, mas, juntas, agimos, pensamos, fizemos e alguns bons furtos foram colhidos. Pesar na balança é ter que lidar com todas essas informações e comigo: "como eu me sinto diante dessas pessoas?" em contrapartida: "o que devo fazer para deixar em mim acesso livre para as virtudes e para a oportunidade de crescimento?". Amanhã posso chegar aqui e desabafar outras dores de mãe. Depois, desabafo o que concluí. Tudo se trata de um processo. Não existe a dose certa, na hora certa. Existe um caminho a ser construído.

Ser mãe é descobrir que desafios nos testam e devemos nos permitir solucionar de maneira holística - vendo o todo e todas as partes envolvidas, bem como suas interligações. 

Meu coração se apazigua, a cada dia. Isso é implantar, na prática, os conceitos de eficiência, eficácia e efetividade. 

Isso é aprender que em toda crise, algo bom pode emergir se estivermos abertos! Tudo está dando certo. Caso desande, vamos lá, o que podemos fazer?

Mãe tem que crescer e ser mais do que uma simples parte passional. Ser mãe é na prática! Ser mãe é se lançar de peito aberto! Ser mãe é aprender a ser grata. Um dia isso entrará em mim... Obrigada a cada dia por cada nova lição!!!

Saudações maternais,

Pat Lins.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

MÃE NA DOSE CERTA (?)


Eu gostaria de saber se existe mãe "na dose certa".

Nem sempre acertaremos, mas, tentar é um rumo. Reconhecer o que deu certo e manter. O que não deu: refazer, reavaliar, recomeçar!

Ser mãe é ser administradora holística - gosto de lembrar que holístico significa totalidade. Considerar o todo levando em consideração as partes e suas inter-relações - e desenvolver essa capacidade na medida exata é o maior desafio. 

Somos estigmatizadas como "leoas", "corujas", "feras", "cegas", "super protetoras"... e nós mesmas alimentamos esses estigmas. Como? Sendo "leoas", "corujas", "feras", "cegas", "super protetoras"... Podemos lidar com isso de maneira melhor. Podemos observar quando "ver demais" cega nosso bom senso ou quando "ver pouco" nos faz querer ver o que não existe de fato. Entender que conhecemos bem nossos filhos quer dizer que "até aqui, tudo que ele me mostrou eu sei como ele é". Mas, ele pode e é mais do que mostra e do que somos capazes de ver. Tanto "mais" para mais, como "mais", para menos...

Eu sempre me "gabei" por "saber" quem meu filho é: uma criança capaz de tudo! Mesmo assim, me peguei exclamando: "não acredito!". 

Existe um momento onde interagimos com o que interage com nossos pequenos. Chega uma hora que a interação sincera é diminuída pelo estigma. Não me veem; nem veem meu filho... veem a imagem de "mãe" como ser problemático e insatisfeito, que só pensa em seu lado e do "filho" como criança problema, da mãe que não o vê como é. 

Lidar com os estigmas é que se torna problema. Somos humanos e, mesmo nas relações profissionais, são as emoções humanas que estão presente. A razão tenta colocar uma ordem. Nesses momentos, o que "é" fica relegado ao que pensam "que vem sendo" e, se quem estiver no comando perder o rumo... tudo desanda. E a criança sofre as consequências. 

Ser presente demais na escola remete a desconfiança, quando, na verdade, era a mãe parceira dizendo: "conte comigo, estou aqui, mesmo!". Em meu caso, soou como a maioria das mães que só está lá para "criar caso". Bom, toda mãe que está presente é chata. Toda mãe ausente é negligente. Qual a dose certa? Me limitei a entrar e sair, sem emitir mais comentários. Eu, Patricia, não sei ser pela metade, sou inteira onde estiver. Sou eu como sou. Raramente "estou", geralmente, "sou". Minha cegueira é a preocupação em ver o progresso do meu filho e no que posso ajudar. Nunca quis ser invasiva, mas, devo ter sido... Enfim, me questiono: existe "mãe na dose certa"?

Se existe, quem determinou os critérios e parâmetros? Como medir? Quem mede? 

Mãe na dose certa é o que cada uma consegue ser. Quando percebi que estava sendo invasiva, como atitude de redenção, dei espaço. E a verdade emerge do tempo e espaço respeitados. Emergiu! Onde estava o erro ficou evidente. A solução, na hora certa, em tempo, surgiu. Tive que lidar com minha dose de orgulho em querer escutar um feedback positivo. Na escola, toda vez que Peu "errava", me ligavam. Reuniões para dar feedback negativo eram marcadas. Para mim, fazem parte e tinham uma intenção reguladora. Mas, não entendo porque o ser humano só gosta de reforçar os aspectos negativos. Por que quando se consegue alcançar um resultado positivo, esse retorno não é dado com a mesma presteza? Não merece atenção? Não tem importância? Me recordo de um colega que afirmou que suas lembranças da escola são dos dias em que sempre chamavam a atenção dele para as notas baixas e nunca recebeu elogios pelas altas... Talvez elogiar as altas e dizer: "o que podemos fazer para melhorar as outras?" estimulasse uma mudança positiva no quadro. Mas, não. Segundo ele, as notas boas eram tidas como "isso não importa. O que importa são as que você não atingiu a média". Aí, uma mãe vai e questiona essa atitude - não digo gritar, derrubar o mundo... mas, conversar - e sai como "chata", onde "só mãe mesmo... elas não entendem que atrapalham mais os filhos do que pensam". 

Não sabia que teria esse tipo de pensamento um dia. Precisou a escola de Peu - aliás, parte da equipe da escola de Peu, porque justiça seja feita, há uma outra parte que entrou para dar a diretriz e somar, restabelecendo uma parceria quebrada por essa parte da equipe, que além de não somar, conseguiu diminuir o que já havia avançado - pisar na bola para eu poder ver mais dele. Eu que "conhecia" meu filho, e, por saber que ele era muito "teimoso, desobediente e etc", sempre recebia as queixas como "legítimas", afinal era como o via, também. Hoje, vejo que a mesma mãe que ajuda, também atrapalha. Por ficar bitolada na imagem estigmatizada, não via o descaso se instalando. Apenas uma sensação... Mas, um alarme soou em mim: "tem algo errado ali". Não queria levantar culpados, queria ver como acertar lá, do mesmo jeito que estamos acertando em outros ambientes. Não era o mesmo objetivo. 

Enfim, tenho aprendido muito a ponderar. Dói ver que nosso filho foi subjugado e estava desprotegido. Isso explicava certas atitudes dele em não querer estar naquele lugar com algumas daquelas pessoas. Deu tempo de ver a tempo e de agir remediando. Voltou a andar e de uma maneira nova. Um novo Pedro surge. Um novo e ainda mais lindo Pedro cresce! Vi que nosso elo precisa estar cada vez mais unido no sentimento maior e mais lindo, o único capaz de remediar e dar seguimento em qualquer situação: o amor! Estamos mais unidos. Sei que ele é capaz de aprontar. Sei que ele é capaz de não aprontar. Sei que ele é capaz e muito capaz. Sei que mãe não tem que se doer, tem que agir com bom senso. Uma coisa eu sei: a gente é passional demais. Mas, por um lado, isso é bom. Por outro, excede na dose. Não exijo de ninguém a responsabilidade que é minha. Sei o grau de dificuldade e desafio que é educar uma criança mega inteligente e mega questionador e testador de limites, como meu filho. Mesmo assim, estou encontrando um caminho de refletir e deixar a dor do orgulho ferido se diluir e aproveitar o que andou para frente. Fico atenta. Não sei ser na dose certa. Nem sei que dose é essa. Faço assim: vou trocando idéias, que acalmam meu coração e clareiam a mente e me guiam para as soluções. Decisões à vista! Mais um tempinho e o ano termina. Ano que chega... Penso em manter, afinal houve tanto empenho para corrigir. O orgulho só atrapalha. Se o saldo é positivo, é daqui para a frente. O que passou, deve ficar lá atrás, como lição - para ambas as parte! Eu penso assim. Estou quase sentindo assim. Já, já, agirei assim. O resto, eu não sei. Mas, da minha parte, farei o que for possível, como sempre: sempre presente, na dose Pat Lins, mãe de Pedro, de ser!

Pedro, sua mãe está aqui, ao seu lado, sempre! Estigmatizada ou não. 

Mãe na dose certa deve ser assim... tentativa e erro. Acertando. Errando querendo acertar. Consertando quando vê que errou. Seguindo. Meu erro, desta vez, foi não ter sido mais enfática antes. Mas, a hora certa chegou. É o que importa, no final das contas! Eles estão consertando, também. Cada um com seu quinhão de responsabilidade. E a consciência de quem fica? Não sei... não tenho feedback... Não sei porque as pessoas têm tanto medo de feedback positivo. Só reforçam o negativo! Desisti de marcar uma reunião, na escola, por medo da reação dos egos envolvidos e de ser tachada de "chata", por não ser grata ao que já está em andamento. E haja exercício de compreensão. Eu estou aprendendo. O resto? Sei não. Cada um sabe o seu caminho. É, a escola dos nossos filhos nos ensinam grandes lições, também, nem que seja por caminhos tortuosos como este vinha sendo! Enfim, a prova de que todo mundo tem um bom potencial a ser desenvolvido e merece é oportunidade e boa vontade de se tentar algo novo e diferente. Quem carrega a arrogância de se achar no topo faz isso, leva alguém para o buraco para justificar sua necessidade de provar que seu erro estava certo. Graças a Deus, uma alma iluminada salvou meu filho desse ambiente. E a essa mulher serei eternamente grata!

Mãe na dose certa deve ser isso, no final, avaliar a agradecer pelo saldo positivo, sem fazer barraco... na classe! Em meu caso, depois de bradar e me debater de raiva, agir com ponderação e maturidade. É, com balanço eu encontro a minha dose certa!

Maternidade é empirismo, não ciência exata! A gente aprende à medida que faz!!!

Saudações maternais,

Pat Lins.

sábado, 8 de setembro de 2012

O PODER DA VISÃO


Esta semana, mesmo em meio a tanta turbulência e pouco tempo cronológico, tive acesso a levantar de questões que me deram um gás e um impulso para que eu renovasse minhas forças.

Como mãe, somos tachadas de "chatas", por brigarmos por nossos filhos. E é aí que entra meu questionamento: "somos sempre chatas?". O grande desafio é dosar onde somos cegas, por estarmos muito envolvidas, e onde estamos vendo além, por estarmos muito envolvidas. 

Já deu para perceber que estou engasgada, não é? Pois é! Mesmo assim, tenho consciência de que isso não me faz bem e que não ajuda em nada no meu objetivo. Estou conversando comigo e com pessoas "qualificadas" para conseguir diluir essa situação e conseguir manter o foco onde devo: objetivo. E é isso que deixo claro agora: meu objetivo é ajudar meu filho a se desenvolver como pessoa. Para isso, estabeleço metas e as cumpro, as avalio e mensuro, ao final. O que atingiu o resultado esperado, me dá forças para continuar. O que não atingimos, ainda, revemos nossos conceitos e refazemos a maneira de fazer. Mudo de estratégia de tempo em tempo, tentando, sempre, para descobrir como melhor ajudá-lo, vendo-o como e quem é e fortalecendo sua base moral e de valores - eu acredito nisso! Pois bem, firmei boas parcerias - parece papo de negócio, não é verdade? - e muitos frutos estão brotando, agora. Não é fácil semear, regar e colher sozinha. Nada na vida se faz sozinho, apenas as decisões, as escolhas. Mas, o definir e o seguir pode ser fruto de trocas, de aprendizado. Vou conseguir me focar no objetivo com a emoção necessária: a fé! A fé de que tudo merece uma oportunidade para ser diferente. Pode até não ser, mas, se não tentar, como saber? Se não souber o que se quer alcançar, como saber como ir e onde chegar? Vou seguindo...

Pois bem, uma das mensagens de reflexão mais bonitas que tive foi esse "O Poder da Visão". No outro blog, o AQUI E AGORA, apresento outros que conheci esta semana e que me enriqueceu tanto os pensamentos.

Faz mais ou menos quinze dias que só recebo feedback positivo de Peu, com relação ao seu comportamento e seu desenvolvimento pedagógico. Milagre? Não. Teoria colocada em prática para se tentar algo novo e diferente. Se há uma suspeita e se havia sugestões para tentar comprovar ou refazer as hipótese, em prol do desenvolvimento de um pequeno ser em formação, não entra em minha cabeça a postura dos profissionais de educação envolvidos no "caso". Para mim, se trata de profissionais de educação, pessoas que foram lá, entraram numa faculdade, concluíram, fizeram suas titulações para cima e esqueceram de se perguntar: "essa é minha vocação?" ou "esse é o meu sonho?" ou "qual o meu sonho?". Enfim, a escola deu a chance, a oportunidade para essas profissionais porque percebeu algum potencial. Mas, eu, de fora e doída, questiono até onde esse potencial é real ou não... Puro julgamento meu, que pode ser desencadeado por diversos fatores e, com isso, estar "contaminado". Como elas assim fizeram com meu filho. 

Um resumo da situação inicial:

Meu filho sempre foi muito ativo. Como tudo que entra na "moda" das novas nomeclaturas de patologias, cai  na boca do povo e tendencia os diagnósticos, eu, assim como muitos outros leigos, achamos que ele poderia ser um TDAH - hiperatividade. A pediatra dele, da época, me dizia: "a hiperatividade não é só a agitação motora. Existem crianças hiperativas que não têm essas aceleração. É uma aceleração mental que faz com que a criança não tenha foco e passem mil informações ao mesmo tempo em sua cabecinha...Eles tê dificuldade em interagir com a realidade... Não é o caso de Peu. Ele interage e interage bem...". Fiz o tal do eletro e a neuro me disse que ele não era TDAH, que, possivelmente, tivesse inteligência acima da média associada a alguma outra característica, como ansiedade. Sugeriu que fizesse avaliação psicológica e psicoterapia, para ajudar. Ele tinha 3 anos, nessa época e estava entrando na escola. Como não tínhamos condição de pagar a psicoterapia, adiamos.

Quando ele estava com 4 anos, eu engravidei e perdi o bebê. Ele ficou mais agitado e desencadeou uma agressividade na escola - e que era uma nova escola. O que nos chamou a atenção, foi que ele sempre teve o mesmo comportamento em todos os lugares. Nessa época, na escola ele mudou o padrão de comportamento. Ficou agressivo e não aceitava os limites. Tudo bem que aqui fora ele também não aceita limite com facilidade, mas, ele tem e acaba, por consequência, se encaixando e sendo envolvido por eles. Pois bem, pedi a escola uma indicação e me deram. Estamos com ela até hoje. Primeiro pelo trabalho brilhante que desenvolve. Segundo, pelo compromisso que tem e o cuidado de observar e estudar com olhos abertos, sem fechar ou desconsiderar nada. 

Pedro começa a dar sinais de melhora. Mesmo assim, é muita demanda. Uma coisa que todos concordam - todos, leia-se: amigos psicólogos que tenho, pedagogos e pessoas entendidas do assunto ser humano, além das professoras anteriores e da psicóloga dele - em uma coisa: ele tem uma inteligência acima da média. Isso, por si só, é um desafio gigantesco. Muitas mães se sentem envaidecidas, eu me sinto mais responsável pelo bom aproveitamento dessa inteligência. Ele tem um perfil de liderança, natural. O que aumenta o meu desafio e empenho. Me cuido, para cuidar dele. Isso não me torna perfeita, mas, uma mãe em constante busca e transformação, na prática. Este ano, com 5, ele continua na mesma escola, só que no prédio maior. O que melhorou um pouco, no ano passado, começa a desandar... Apenas, dentro da sala de aula. Eu, exclamo sempre - seja em reunião, seja em contato com a pró ou equipe de coordenação: "Isso é estranho! Ele tem melhorado tanto... Precisamos investigar o que passa na cabeça dele para agir assim dentro da sala...". Nem percebia que estava sendo "a chata". Meu objetivo foi mal explicitado: eu, naquela época, não duvidava do trabalho da equipe... eu tinha a referência da equipe anterior e estava com ela muito forte, portanto, para mim, o processo estava tendo continuidade. Na última reunião, no final do semestre passado, a coordenadora nos disse: "olha, eu não sei quem é Pedro. Outro dia que eu fui ver que ele sabia as vogais... Talvez, vamos observar durante o segundo semestre, ele tenha que repetir o grupo 5...". Eu, lógico, questionei: "Tem algo que possa fazer em casa para reforçar? Algo que ajude a desenvolver, tipo uma professora em casa, algo assim. Porque se mandarem pintar um ovo de rosa eu pinto, se vir que deu resultado positivo, compro uma dúzia. O que for preciso fazer para ajudar, contem comigo, porque sou a parte mais interessada nessa parceria em prol do desenvolvimento do meu filho...". A coordenadora apenas deu um meio sorriso, e diz: "Não, mãe, não precisa fazer nada. Apenas estabeleça mais limites para ele". Eu coloco: "se eu apertar mais, é capaz de romper...". 

Fui me abrir com a psicóloga dele: "Não sei, mas eu tenho a impressão de que tem algo errado na condução do processo com Peu, este ano... Durante todo o semestre, Peu não rendeu nada na sala e o comportamento dele lá, só piorou. Tem algo lá que preciso detectar... A coordenadora me disse que talvez ele tenha que repetir a grupo... O que me chama a atenção não é o fato dele ter que repetir, mas, o argumento de que ele não sabe nada... E que ela não sabia que ele sabia as letras... Concordo que o comportamento dele lá está complicando, mas, até essa agressividade, não sei, me soa como algo reativo... Como faço para entender melhor essa situação? Meu lado mãe coruja pode estar tentando tendenciar minha visão e me fazendo ver coisas demais, mas, eu sempre me esforcei para ver Peu como é e só assim comecei a saber lidar com ele... Eu preciso fazer algo para ajudar meu filho. Se ele tiver que repetir, ao menos, poderia ajudá-lo e não repetir seja lá o que for... senão, vai  ser esse mesmo estresse de novo...". Ela ouviu calada. Até que, por fim, me disse que havia tido uma reunião, antes da minha, com ela, e a professora do grupo anterior entrou com um dado que contradizia a opinião da coordenadora e, que ela mesma, a psi dele, já havia sugerido atividades diferenciadas para tentar atraí-lo pelo que ele tem mais afinidade e ir desenvolvendo. E ficou espantada em não ter sido ouvida e, muito menos, levada em consideração. Pois bem... nada feito. Semestre perdido. Em casa, via o progresso dele na escrita. Ele não queria parar para escrever e fazer as atividades, no início, depois, dentro da nossa rotina, ele não só fazia como fazia com mais segurança a cada dia. Os colegas pararam de reclamar dele. Esse indicadores informais me chamaram mais atenção e reforçaram minha intuição - que, considerei estar contaminada pela cegueira de mãe, mesmo, o que pode acontecer - e comecei a ver mais. 

Enquanto observava, também agia. Nova investida estratégica: EQUOTERAPIA. Um trabalho muito bonito e, não só pela beleza de ver, mas, de ver os resultados e a equipe multidisciplinar que toca o projeto. Um trabalho sério e bem estruturado. Fui em busca de informações, apesar de escutar: "ah, ali é para criança com doenças sérias: autistas, síndrome de down, paralisia cerebral...". Eu fui procurar informação na fonte: O QUE É A EQUOTERAPIA? "...a utilização do cavalo em abordagem interdisciplinar nas áreas da saúde, educação e equitação para estimular o desenvolvimento biopsicossocial da pessoa com deficiência... As técnicas da equoterapia promovem benefícios físicos, psicológicos e educacionais aos praticantes, além de propiciarem novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima.". Ou seja, trabalha o comportamento, também. Mais um auxílio! Conversei com a psi dele, para alinhar as idéias e pedi um relatório. Feito. Começamos. Não sei como repercutiu em meio à equipe de coordenação da escola, mas, algo já estava em ebulição por lá. A Diretora é uma pessoa e profissional de VISÃO. Foi preciso incomodá-la, durante sua licença maternidade, para informar sobre as posturas de suas funcionárias e o que poderia ser feito, porque uma criança estava sendo subjugada. Abro parêntese aqui: se a professora do grupo mais avançado conseguiu identificar esse potencial, porque em vez de escutá-la, a desmereceram, afirmando que ela não tem "qualificação" para fazer esse tipo de avaliação? E quem tem, o que fez? O que era para ser um caso de estudo de "como e o quê podemos fazer mais para resolver" virou um campo de batalha de egos feridos: o meu de cá e o da equipe de lá. A parceria, mantida unicamente por mim e a psi dele, ficou, também, desqualificada pela equipe. Sabe Deus o que passou na cabeça delas...  Mas, bastou que ela voltasse e assumisse o leme, o barco voltou a andar. Ela foi observar por ela mesma. Como solução imediata, no começo do segundo semestre, contratamos uma estagiária de psicologia para fazer as intervenções em sala de aula, sem chamar a atenção de que estava ali por ele. A escola contratou uma segunda professora, duas na mesma sala. O cenário começava a mudar. Emperrava no mesmo lugar... Pois bem, fechando o parêntese, volto a EQUO. Pedro, após 1 mês e meio de atividade, melhorou ainda mais. Mudou 100%? Claro que não. É um trabalho de base e verdadeiro... essa de "mudo o seu comportamento em três dias" é algo superficial... O trabalho com Peu é a longo prazo. Isso eu tive que aprender, mesmo, na prática. Não adianta pressa. A ansiedade só me atrapalhava. Tudo andando. As queixas na escola - exceto dos alunos - sem parar. Pirei! "O que posso fazer? Ele melhorou muito mais em todos os lugares... agora, temos que ver o que ele entende aqui dentro...". Mais palavras bem colocadas: "Mãe, você tem que entender que...". Bom, eu tenho que entender que sou uma mãe. Um mãe humana. Uma mãe humana e com defeitos, como todo mundo. Uma mãe que pode cegar, as vezes, mas, que abre os olhos quando bem advertida... Uma mãe que também vê por si só. Então, eu entendi: "falha humana das profissionais de educação". Basta seguir o raciocínio lógico. O que elas fizeram durante o primeiro semestre, que, nunca me deram um feedback novo? Como os próprios colegas viam a melhora de Peu e elas não? Mãe pode ser um bicho chato e quando vira uma leoa, então... Mas, nunca me dei o luxo de perder a razão. Tento entender. Tento compreender e aceitar que elas, nada mais, nada menos, "comeram mosca", por conta de quê? Sei lá... já ia entrar com julgamento de valor. Mas, com certeza, por falta de VISÃO e de OBJETIVO. O meu era um, e o delas? Além de repetirem o mesmo discurso desde o início das aulas até as férias de junho, demonstravam cada vez menos paciência com ele... Meu marido presenciou uma cena da coordenadora sacudindo Peu e segurando-o firme no canto da sala e ele gritando como um bicho acoado no canto: "ah. ah. ah". É fácil esse ambiente de educação? 24 alunos na sala... Mas, quem entra nessa deve ter uma vocação bem definida. Tem que correr na veia. É como ser médico, policial... Tem que ser, não adianta cursar a melhor faculdade, aprender as técnicas mais modernas se não tiver sangue nas veias. É vocação, mesmo. Nasce para ser. Não dá para ser mediano em se tratando de educação, saúde e segurança.

Mais uma vez, numa dessas conversas na chegada e na saída da escola, exponho que ele melhorou muito na Equo. A mãe de um colega, que além de tudo é vizinha aqui, me disse que o que chamou a atenção dela foi que o filho sempre chegava em casa relatando as artes de Peu. Fazia um bom tempo que ele não relatava mais nada. Diante dessa observação, ela perguntou ao filho porquê ele nunca mais havia falado de Peu, no que ele diz: "minha mãe, ele é outra criança!". Vou buscá-lo na sala e sua dupla de terror - nunca deixei de ver que ele tocava o terror na sala... a diferença é que buscava soluções para resolver esse comportamento, não alimentá-lo... - me diz: "tia, seu filho está diferente. Ele nem apronta mais...". Falou Caio em tom de desolação, como quem diz: "agora estou sozinho...". Isso não deve ser levado em conta? Tá, tem a parte pedagógica. Em casa, faz as atividades com muita facilidade e rapidez. Cenário mudando consideravelmente, ainda mais. Só não vê quem é cego e incapaz de, mesmo cego, ao menos, escutar, sentir, tocar. Ah, uma observação: no ano passado, detectamos que a brecha de Peu poderia ser a falta de pulso firme do pai... Este, hoje, faz terapia e tem se esforçado muito e se empenhado bastante. Pedro sentiu mais limite nas ações do pai. Ou seja, não medimos esforços, mesmo e com consciência, com um fim específico; com um propósito.

A surpresa - situação atual:

Por volta do dia 22 de agosto, uma quarta-feira, fui buscá-lo na escola. O que seria uma fase "crítica" - ele havia arrancado o primeiro dente de leite, teve que ir ao dentista, pois, quando o dente começou a amolecer , o outro já nascia atrás e estava bem avançado...; o pai estava viajando e passaria 10 dias fora; ele estava fazendo xixi a cada segundo... depois de exames feitos e descartada a infecção urinária, ficou a suspeita de ansiedade pela volta do pai... o que assim que o pai voltou, dias depois, normalizou... a escola colocou como "possível mania dele" e eu, apenas dizia: "lido com várias hipóteses... observo tudo e vou agindo" - ele até que reagiu e agiu melhor do que o esperado. Pois, grande foi a minha surpresa quando a professora, que estava conversando com a bendita coordenadora, vem a mim e afirma, extremamente feliz: "Olha, começamos, na segunda, com atividades diferenciadas para ele e ele vem surpreendendo! Está rendendo mais do que rendeu o semestre anterior todo!". Se ela estava feliz, imagina eu. Mas, não me contento com essa felicidade. Essa sugestão veio desde o início do ano. Graças a Deus, a Diretora voltou. Porque eu já estava entrando em contato com outras escolas. Pesquisei algumas montessorianas. Mas, em tempo, ele foi inserido e se deixou inserir no contexto. No ritmo dele, no tempo dele e sendo inserido começando pelo individual ao coletivo. Depois de quadro mudado, tudo parece muito fácil. Simples, já era, bastava terem feito antes. Mas, foi assim de graça? Elas tiveram essa VISÃO? Não. Foi preciso ajuda e muito apoio. Não bastava a professora do grupo 6 ver, a psicóloga ver - mãe, não conta... também, tem tanta mãe e pai chato lá, que brigam por cada futilidade que compromete a imagem do que vem a ser "visão de mãe" - foi preciso ter uma liderança capaz de validar e agir: a Diretora. Daí, me pergunto: com Pedro é porque ele é agitado e agressivo - até essa agressividade precisa ser melhor avaliada... é mais reativa... vamos deixar para mais para frente, porque essa é outra demanda, mais uma... - e com relação ao outro colega que era quieto e retraído demais? E o outro que toca o terror, e a mãe não sabe como agir?

Talvez, a minha prática da maternidade seja diferente. Assim como eu sou diferente. Pedro é diferente. Meu marido é diferente. Todo mundo é diferente. Talvez seja igual a outras mães, que defendem sua prole com toda força que só um útero pode dar - e não me refiro apenas ao útero como quem gerou nele... conheço mães de filhos adotivos que sentem muito mais terem gerado dentro delas a criança, pelo coração, do que mães que geraram e não sabem seguir uma direção... e nem a si são capazes de ver.

Eis o motivo desse vídeo no início, para aumentarmos o nosso poder de ver; de questionar; de investigar; de refletir; de ponderar; de avaliar; de objetivar; de conduzir; de agir! De mensurar; de recomeçar; de rever; de mudar as estratégias... de sempre seguir e ir. De quebrar com paradigmas que nos engessam e nos impede de crescer e ir além.

A criança não precisa ser donte para ser diferente. E ser doente diferencia em suas limitações que, mesmo assim, devem ser estimuladas da maneira certa. Foi na Equo que uma profissional de lá, que, além de psicopedagoga e trabalhar com inclusão, é mãe de uma criança especial, com síndrome de down e que, antes de sonhar ter filho, já exercia a vocação como educadora de inclusão com amor, empenho e dedicação e me disse: "não tem como ensinar uma pessoa a nadar numa pista de corrida". É difícil agir diferente, ainda mais quando temos pensamentos limitadores, estagnados. Mudemos o jeito de pensar. Pensemos melhor! Agiremos melhor!

Saudações maternais,

Pat Lins.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

CADA DIA, MELHOR!

Peu tem ficado cada dia melhor!

Pensa ainda mais rápido que antes; articula muito melhor seus pensamentos e sabe se fazer voz ativa, quando não entendem o que ele fala. Infelizmente, alguns adultos têm mentes fechadas demais para se permitirem entender o que ele manifesta e acabam detonando o botão da ansiedade dele. Ou seja, quando ele não é entendido, ele reage de qualquer maneira.

Venho observando isso há algum tempo e com a repetição desse comportamento diante de algumas pessoas e locais. Isso tem me ajudado a estabelecer uma linha baseada no que chamo de DS - distância saudável. Não é simplesmente deixar de conviver com essas pessoas, mas, estabelecer contato de tempo e em tempo, sentindo-se qual o momento exato. Ou seja, percebo se a pessoa está agitada, também. Se o ambiente está muito conturbado... Como cheguei a essa posição: observando. Se em todos os lugares ele melhora o comportamento visivelmente, exceto nesses ambientes e na presença de determinadas pessoas, tem algo ali nele que não sabe lidar e tem algo ali nessas pessoas que, também, não sabem lidar. Eu acabava criando uma expectativa de que esses adultos fossem capazes de compreender o que estava acontecendo e me frustrava ao ver que nem percebiam a si, nem a como agiam com Peu. Precisei rever eu as minhas expectativas. Precisei ter essa presença de espírito e consciência em mim de que não sei lidar com isso, principalmente, pelo fato de não depender de mim... Daí, estabeleci na vida do meu filho o que fazia na minha: DS. Talvez não seja justo, mas injusto também não é. É questão de tempo e prioridade. Estava a frente de outros projetos na vida da gente, inclusive e primeiramente, sobre como lidar com a escola, ponderando como agir e o que exigir. Uma coisa de cada vez. Mãe não é mágica.

Pois bem, a cada dia, percebo progressos em Peu que surpreendem a todos. Lógico, a agitação ainda existe, mas, diminui gradativamente. Isso faz sentido, se mudasse rápido demais seria algo superficial. 

Tudo que trabalho é a base de formação moral e de bons valores em Peu. Fortalecemos o humanismo nele. E faço isso em mim, também. O processo deve ser honesto e real, na prática.

A cada dia estamos melhorando, juntos e sempre! Agora, sem pressa. Entendemos que há tempo para tudo de que haja consciência e comprometimento. Com apoio, ajuda e parcerias bem firmadas. As mal firmadas, passam sozinhas. Sabe aquele dito de quando éramos criança: "a verdade Deus mostra!". Isso é real. Vivamos na verdade, fazendo o que é correto, digno, decente e honesto que a vida dá encaminhamento a tudo mais, tudo ao seu tempo.

Saudações maternais,

Pat Lins.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

QUEM MEU FILHO É (?)

PARA CONSTRUIRMOS UM MUNDO MELHOR, SEJAMOS PESSOAS MELHORES! Pat Lins

Ser mãe é descobrir que, mesmo que a gente acredite conhecer 100% nossa cria, eles nos surpreendem nos faz lembrar: "eu não conheço a mim mesma 100%, vou ter a presunção de acreditar que sei exatamente quem meu filho é?". 

Pois é, o bom exercício é esse, o desafio diário de se redescobrir e de enxergar que nossos pequenos também se redescobrem.

Estou florescendo com Pedrinho e isso me tem sido muito gratificante. Ainda não sei lidar com as pessoas que não sabem lidar com isso, mas, uma coisa de cada vez. 

Pedro tem me mostrado que se eu mantiver o que acredito em coerência, ele sente e agradece pelo apoio. E seu eu investir em acreditar no potencial dele, ele pode ir muito mais e se tornar cada dia mais uma pessoa melhor. 

Para tanto, pondero meus julgamentos e tento ser justa: vejo o que acontece, reflito, observo de novo, avalio, levanto uns diagnosticozinhos, troco uma idéias com pessoas de confiança - leia-se, pessoas ponderadas, que se trabalham, se cuidam como ser humano, se reconhecem falhas e nunca deixam de tentar acertar... - e vou elaborando meus pequenos planos de ações. E, quando mensuro e vejo saldo positivo, constato nosso sucesso! Nossas falhas, não são meros fracassos, são algo novo, de novo, para serem observados e dão início a um novo processo novo de tentativa e erro. 

E assim vamos crescendo, juntos e de mãos dadas! Criança não tem a experiência de vida que temos - em tese... -, mesmo assim, trazem em si uma combinação única de "quem" e "como" são que, aliado ao "que" e "como" somos e agimos, podem se tornar melhor ou pior... Eles, também, nos dizem: "Veja como eu sou. Não julgue. Haja! Me veja, me aceite e me ajude a ser uma pessoa melhor, através de quem e como funciono.". Não adianta querer forçar que ele seja como eu quero que ele seja... Isso é falta de respeito a si e ao outro e não é uma boa base de sustentação moral.

Com todos os problemas que passamos na escola dele, este ano, pude exercer minha experiência profissional, todo expertise que tenho, para observar e identificar que havia um problema real e investigar a melhor solução. Contei e conto com a ajuda profissional e humana de Suely Lôbo, uma psicóloga competente: vocacionada, com conhecimento, habilidade e atitude - isso faz uma grande diferença...-, da minha família, do meu marido, de alguns amigos mais do que especiais - e experientes - e conseguimos, todos, juntos, perceber onde estava "furado", escoando parte do nosso trabalho com Pedrinho... Eis que percebemos que a falha estava: na dupla coordenação pedagógica e psicóloga da escola. Como por milagre, quando a Diretora voltou da licença maternidade, as coisas começaram a andar... Já relatei aqui que Peu não é TDAH, nem DDA... mesmo, assim, ele é diferente. Ele é muito ansioso e requer um pulso firme, muito firme, porém, coerente. É como se ele estivesse aqui para "por em xeque" nossas investidas e nos fazer refletir na prática se nossas ações são coerentes com algum sentido real e mais nobre. Não é tão fácil lidar com o grau de inteligência dele, muito menos, com sua capacidade de pensar rápido e linkar tudo, sempre com um argumento fechado e fechando, muito bem elaborado. Mas, é simples: amor, firmeza e coerência, mantendo-se assim. Ele mede quem cansa primeiro: você ou ele. Quem cansar, perde. Só que nesse jogo dele, sendo ele uma criança, se um adulto perde, a criança também perde... E foi o que aconteceu na escola. Nessa "medida de forças", essa dupla perdeu e cansou e ele, foi vítima dessa perda. Como assim? A psicóloga dele sugeriu, bem como a professora do grupo mais avançado, que se fizessem atividades diferenciadas para ele, dando mais desafios. Era uma certeza? Não. Seria uma tentativa. Melhor do que não fazer nada... e nem fazer qualquer coisa, elas tiveram uma base de referência para pensarem assim: Pedro, como ele é e o que ele demanda. Pois, elas - a dupla nada dinâmica de coordenadora pedagógica e psicóloga da escola - focaram tanto no mau comportamento em sala de aula que nunca pararam para ver quem ele é e o que demandava. Pior, não levaram em consideração às sugestões. Sem pulso e com uma linha de pensamentos restritivas e comprometedoras, elas atrapalharam todo o processo. Faz duas semanas que Pedro tem melhorado em sala de aula, desde que puseram em prática as atividades diferenciadas. Para mim era meio óbvio, mas, quando eu falava, era vista como "mãe protetora"... de que deveriam trabalhar a base subjetiva de Peu, o individual e levá-lo ao grupo aos poucos. A não ser que seja formação e produção em massa, o ponto inicial é o indivíduo, bem firmado, naturalmente, ele vai perceber o coletivo. 

Como mágica, ao colocarem em prática, tudo melhorou! Precisou passar 1 semestre e meio para verem isso? Coisa que batemos desde o início do ano? Sabe um índice que levo muito em consideração? Os colegas de Peu. Eu chegava lá e todo dia eles corriam: "Tia, Peu fez isso...", "Tia, Peu fez aquilo...". Há um tempão que eles não dizem nada, apenas correm e me abraçam, dizendo: "chegou a mãe de Peu". Ontem, um coleguinha que formava a dupla do terror na sala, me disse: "Tia, seu filho está se comportando tão bem...". Parece que ele não estava satisfeito... 

Me pergunto? Custou muito acreditar na parceria que estabeleci com a escola - e, sendo justa, ano passado funcionou. Este ano teve o agravante da Diretora estar em licença maternidade e a dupla que ela contratou não deu conta de lidar com as diferenças... - e pensei em tirá-lo no início deste semestre. Me dei um prazo, vi que a Diretora estava disposta, vi o empenho da pró dele e a da turma 6 e vi que ele estava em boas mãos, agora. Confiei. Relutante e revoltada, mas, confiei em quem confiava. Continuo a não confiar na dupla nada dinâmica... e isso pesa em meus processo de manter ou não no ano que vem... Hoje, Pedro rende e desenvolve muito do seu potencial. 

Eu desenvolvo milhares de coisas para manter minha coerência - e uma delas é não dar mais abertura, nem ouvidos a quem não sabe do processo e não tem a capacidade para ajudar, atrapalhando, por demandar atenção para suas carências mal trabalhadas... - e fortalecer a base de confiança entre eu e  meu filho. Sempre de maneira honesta e muito clara. Sempre com muito amor. E, amor, gente, é negar e frear, sim. é estabelecer bons limites, sim. É dizer "não", sabendo o que está fazendo e deixar quem quer falar que fale, eu apenas faço o que posso e mais um pouquinho, porque se eu perceber que posso ir um pouco mais, eu vou, nem que seja me arrastando, porque as forças vitais são comprometidas, sim. Cansa, sim. Mas, revigora-se e segue! Dentre tudo que eu e Peu fazemos, em todos os campos ele melhorou e se firma como uma pessoa melhor, mais consciente de suas ações. Isso é lindo de ver! Eu educo um ser humano, partindo de uma mãe que é humana e quer ser uma pessoa melhor. E se eu via que algo estava errado na escola, não deixei barato. Me desdobrei e superamos muito mais. E está dando certo. Contei com as pessoas certas e uma atmosfera mais favorável surgiu. Não basta ser inteligente, tem que desenvolver essa inteligência. E Pedro estava sendo relegado pela dupla que não sabia o que fazer com ele, não pedia ajuda e desconsiderava tudo que era proposto como solução. Acreditar que estou fazendo e seguindo no caminho certo me manteve firme e coerente e estava disposta tirá-lo da escola. Já havia visto duas para colocar e nunca escondi isso. Estava tão evidente e seguro isso em mim, que não ia brigar com a escola, nem com essa dupla, eu tentei e confiei, elas não deram conta, mostraram que não fazem parte da corrente forte que a escola havia firmado desde o ano passado. Elas destoam. E a mudança para melhor que hoje se instalou não  foi por mérito ou empenho delas, veio de cima. Aquela história, se puder falar direto com Deus, não exite! O empenho delas foi o demérito e a prova de que não têm a competência - leia-se competência como a soma de conhecimento+habilidade+atitude, elas podem ser bem qualificadas e possuírem o conhecimento teórico, mas, na prática a teoria tem peso, variação, outras variáveis, risco, o desconhecido que nunca havia sido identificado e uma gama de coisas que a titulação acadêmica não nos dá - para lidar com as diferenças. Quando se trata de uma doença, de uma criança com limitações patológicas, no sentido de alguma restrição mesmo, tem-se o sentimento de "pena" e o entender que não depende da criança, pois, vê-se que ela traz uma demanda limitada. Mas, quando se trata de um desafio comportamental, raramente alguém entende que o saber lidar passa por saber lidar consigo, antes de tudo. Lidar com as diferenças no remete o tempo inteiro a nós mesmos e a nossas falhas. Ninguém gosta de ser lembrado que é humano e que tem limites, não entendo o porquê...

Pois bem, meu filho é quem ele é, diferente e, só olhando e vendo essa diferença, que ele requer muito mais de verdade nas ações, muito mais de questionamento, é que alguém pode estabelecer um bom contato com ele. Pedro tem algo de muito bom que é mexer com o que há de mais escondido no outro. Aquilo que não queremos ver, ele nos mostra. Ele vai no ponto, certinho. Isso é ser diferente. Esse é Pedro. E Pedro é uma criança que requer adultos firmes ao seu redor. Elas, lógico, merecem uma chance e devem se dar essa chance, porque apenas elas podem se ajudar. 

Saudações maternais,

Pat Lins.

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