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segunda-feira, 2 de abril de 2012

AUTISMO: EXISTE VIDA LÁ FORA!

Dia 2 de abril é o dia Mundial de Conscientização do Autismo e, como todo o ano, o "Mães na Prática" gosta de lembrar dessa data, onde os pais, amigos e pessoas que querem manisfestar seu apoio, vestem-se de azul. Azul, como é o planeta Terra. Azul, como deve ser a cor de quem precisa de nosso carinho, de nosso cuidado e da proteção diária. Azul, como o céu e sua mensagem de infinito. 

Quando alguém ouve falar em autismo, lembra-se do filme "Ray Man" ou, descrevemos como "crianças que vivem num mundo próprio". Quando uma grande amiga descobriu que sua filha é autista, foi um choque para todos. Como lidar? Como cuidar? Como é o mundo dela? 

Para mim, o mundo de Louise, uma encantadora menina de 11 anos é muito colorido, como o da Hello Kitty. Para a mãe - que enfrenta a barra sem o apoio do pai da menina, mas, com o apoio integral da família dela e do noivo - o mundo é puxado. Mas, como veremos nos depoimentos a seguir, entrar no "mundo de Louise" é viajar para esse mundo colorido. Enfrentar as dificuldades sociais é muito mais difícil. Não entendo porquê somos tão cruéis... Nossa sociedade é muito carregada de tanta coisa ruim e, não entendo, como tanta gente, com tanta lição de vida para passar acaba sendo limitada por uma barreira que essa sociedade impõe, em vez de, simplesmente, aprender.

Neste post, quem fala são elas. Duas mães de gerações diferentes, mas, unidas pela mesma batalha. Uma - Joanice -, já consegue ver, na prática, que "existe vida lá fora", ou, aqui fora, para os autistas. Esta, conseguiu não apenas superar seus próprios desafios, como conseguiu dar ao filho força, base e despertar a coragem para ele viver o mundo cruel "aqui fora", hoje, homem, adulto, jornalista e trabalhador - Gustavo Medeiros. A outra, fala de sua experiência com sua filha de 11 anos, que já nasceu nos dando lição de vida, bravura e vontade de viver. Mostrando que garra e força sugre dos momentos de fragilidade. Portanto, abaixo, neste post, duas mães na prática que nos darão lições preciosíssimas, como mães e como pessoas. No post seguinte, o Gustavo Medeiros nos brinda com sua ótica de dentro para fora sobre a relação do portador da síndrome de Asperger - o autista - com "seu" mundo e "o mundo aqui fora" e nos diz que a vida existe.
Vista-se de azul, de corpo e alma, porque azul é o céu, azul é o mundo e colorida é a vida!

Uma observação importante do "Mães na Prática": aqui, não temos preferência religiosa. Respeitamos as escolhas de cada um e permitimos suas livres colocações acerca de suas crenças, desde que não manifeste hostilidade e/ou agrida de alguma maneira outras pessoas. Portanto, peço, portanto, que toda leitura seja feita respeitosamente.

Sem mais delongas, afinal, elas vão nos dar essa honra, agora:

"Bom, hoje posso lhe afirmar que ser mãe de um jovem com ´sindrome de asperger', é viver com borboletas no estomago, sempre a espera de novidades, sejam boas ou não tão boas.Porem eu sempre tive um orgulho imenso de te-lo como meu filho, nunca achei que ser autista era motivo de vergonha , ou trabalho. A cada aprendizado, que com esfoço e persistência ele conseguia superar, eu mais e mais o amava. Hoje olho para tras e percebo o quanto fomos guerreiros, enfrentamos todas as adversidades com garra e determinação, muito AMOR e PACIÊNCIA, essa é a chave para tudo. Estamos ainda nesta grande batalha, cad adia enfrentamos novas e velhas dificuldades, mais o melhor é que não estamos só!Acredito num Deus que sabe de todas as nossas necessidades, e nos fortalece nesta caminhada. Nunca escondi de ninguem o fato de que ele era diferente de nós neurotipicos, e fui atras de ajuda, o que mais me preocupava era sua independencia, que ele soubesse se virar sem a minha proteção, os meus cuiddados, e precisava de muitaaaa paciência , disciplina, disciplina..., ve-lo não como um coitadinho, ou algo parecido, mas sim como um ser que tinha potencial para vencer. Claro que existe varios niveis de comprometimento dentro do espectro autista, e o seu é bem leve, ele não é um autista classico, o seu intelecto é muito bom, e consegui entrar de alguma forma em seu mundo e junto com ele emergir. Claro que sem ajuda seria impossivel, a minha crença ajudou muitoooo, somos espiritas, e cremos que nossa vida é um eterno aprendizado, e que passamos por muitos processos , estamos interligados com o plano fisico e o espiritual, e nada é por acaso. Neste momento entendo que estamos contruindo um novo futuro, espero que tudo que vivemos e experenciamos nos sirva lá prá frente, que ele comprenda o porque veio assim e eu que tenha feito o que presisava ser feito: Uma pessoa do bem, digno, feliz." - Joanice Costa de Oliveira – mãe do Gustavo Medeiros


"Vivenciar o Autismo é como atravessar uma tempestade sem proteção alguma. É vivenciar uma desordem em tudo que se acredita. É mudar seu rumo, reorganizar seus valores e por fim evoluir em busca de seus significados. É crescer sem querer e nunca mais querer voltar a ser! É colocar seu amor á prova todo dia e provar que ele é invencível!

Vivenciar o Autismo é amar incondicionalmente!

Minha filha Louise, fez 11 anos. Cabelos escuros lisos, pele branca, riso fácil. Docinho poderia ser seu apelido. Basta olhá-la! Louise respira doçura!

Nossa! Ela é linda, misteriosa, esperta, mas inocente!

Convivo diariamente com esta menina estranha, diferente! Ela fala pouco. Mas basta conhecê-la para entende-la! Eu a entendo tão bem, que pensar que não fala tudo direito, até parece estranho!

No ano passado, finalmente aprendeu a usar chinelo de dedos. Desde que aprendeu a caminhar eu tentava fazer com que usasse, mas ela deixava cair do pé logo no primeiro passo que dava. E nem ligava pra isso! Agora, adoro vê-la caminhar pela casa e ouvir o barulho dos chinelinhos! Como uma coisa tão banal pode tornar-se de repente tão maravilhosa? É por isso que confio em Deus! Ele faz as coisas pequenas tornarem-se grandes. E mostra como podemos ser felizes com pequenos mais importantes acontecimentos!

Mas ainda espero um final feliz pra história da minha menina autista!

02 de abril Dia mundial do Autismo, vista-se de AZUL!!! " -
Niedja Bandeira - mãe da Louise - dois dos meus grandes amores nessa vida e que me fizeram entender que toda mãe, na prática, tem seus inúmeros desafios e, seja qual for o desafio, AMOR é, não só a palavra-chave, mas, o sentimento que salva, cura e, acima de tudo, dá sentido à vida! E, por mais esse motivo, hoje, eu visto azul no corpo e na alma!

Saudações maternais,

Pat Lins. 

EXISTE (SIM) VIDA ALÉM DO AUTISMO - POR GUSTAVO MEDEIROS

Quando repensei o blog, muitos temas importantes surgiram em minha mente e este era um em especial. Não caberia em palavras minhas, explicar se "existe vida lá fora", considerando a referência de "mundo próprio" que temos dos autistas. Foi quando tive a honra e o prazer de conhecer a história real e diária do Gustavo Medeiros. E essa lição é de vida, de superação reforça a minha idéia central de vida de que todos somos iguais, por sermos humanos e cada um carregar o seu próprio desafio, entretanto, a maneira como o Gustavo retrata sua vida, nos mostra o quanto ainda temos muito que entender sobre essa questão. E o quanto muitos de nós nem sabe que lidar com as diferenças é lidar, apenas, com o fato de cada um ter suas características próprias e merecem respeito, acima de qualquer coisa.

Não vou, não devo e nem tenho como me alongar aqui. Eis o texto/depoimento do Gustavo Medeiros, homem, adulto, jornalista e portador da síndrome de Asperger:


EXISTE (SIM) VIDA ALÉM DO AUTISMO
Por Gustavo Medeiros - Jornalista DRT BA 3890

Quando me propuseram a fazer um texto para comemorar o dia de conscientização do autismo, me senti desafiado a escrever sobre mim e provar que existe (sim) vida além do espectro autistico. Como portador da Síndrome de Asperger, me sinto não somente diferente dos outros que se dizem neurotipicos, mas capaz de realizar coisas que nem uma pessoa dita “normal” poderia fazer ou poderia não fazer.

Através das minhas superações, alcancei vitórias e hei de alcançar outras. Superei as expectativas daqueles que não davam muito por mim e surpreendi as falsas perspectivas de que não conseguiria ser o que hoje sou: Um ser (quase) realizado. Enfrentei, com muita dificuldade, as brincadeirinhas de mau gosto dos coleguinhas da escola regular e no “mundão” por aí afora. Nunca fui entendido pelo mundo, a não ser por meus pais, pois não é obrigação da sociedade aceitar, engolir um garoto autista como um problema a ser resolvido na base da pancada.

O que importa, no momento, é olhar para trás e entender que superei tudo na base da insistência, pois sempre acreditei nos meus sonhos. Sim!!! Para quem ainda não acredita (ou compreende), um autista como eu também tem sonhos e tenta alimentá-los a cada dia. Possui ideal de vida e luta por ele. È um cidadão comum, que vota e cumpre seus direitos. É assim que me sinto, no entanto o que me diferencia dos “iguais” (se é que igual existe) é a forma de sentir o mundo, de amar as pessoas e expressar os sentimentos.

Ainda tenho uma certa dificuldade em entender metáforas, malicias e sutilezas que norteiam os caminhos do NTs na sociedade. Me sinto frustrado, às vezes, mas entendo que não deve ser assim. Por incrível que pareça, essa nossa dificuldade tem lá o seu lado positivo: o da ética e o da honra, pois não sabemos mentir nem disfarçar as mentiras.

Somos explícitos na arte do sentir; expomos, a nossa maneira, o peso das decepções, e dos desamores. Aliás, autistas também amam e sofrem por amor e por não saber corresponder a esse sentimento. Talvez pelo fato de nos faltar a empatia, de tentar (ao menos) estar no lugar do outro, sentimos essa frustração. Sendo assim, ainda me falta o entendimento de que o outro precisa receber o feedback, o retorno da troca dos afetos em um relacionamento amoroso.

Mas, além da penumbra de todas as angustias, existem as alegrias de cada superação; o sucesso que está em cada vitória conquistada no dia a dia. É a certeza de que a nossa capacidade de “estar no mundo” vai além dos quartos escuros, dos movimentos estereotipados e repetitivos, dos grunhidos e barulhinhos incompreensíveis que fazemos durante a infância. Porém, isso não mostra nada, a não ser o fato de sermos especiais dentro das nossas particularidades. Somos diferentes, somos aparentemente normais. Sou a prova viva que existe sim vida além do autismo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

LIDANDO COM A PERDA E COM A PERDA PARA PEDRO


Lidar com a perda de um filho - ainda que seja um embriãozinho de 9 semanas - é doído, mas, saber que se tratou de um processo natural e que não podemos lutar contra a natureza e sim aceitar, afinal, os rumos naturais são sábios e inquestionáveis.

Mas, existe o que fica - onde vão parar as expectativas? Como lidar com o sonho desfeito? E toda alegria que estava sentindo, mesmo cansada de tanto enjoar? ... - e é preciso saber lidar. Encarei tudo de frente, afinal, não era imaginação, é o que é. Mas, para Pedrinho foi um baque maior. Não temos noção do qunato uma criança de 4 anos é capaz de sentir uma perda - mesmo de um irmão(ã) que nem havia nascido. Pedro chora e ficou muito triste. Chegou a dizer que não ia mais beijar minha barriga, porque não tinha nada mais "lá dentro". Fora que ainda continuava com um pouco de enjôo e ele chateado - ele chorava quando me via vomitar, queria ajudar e ficava preocupado. É uma característica dele, é cuidadoso e preocupado com os outros. - me dizia: "mas, como se não tem mais irmãozinho aí?".

O que mais me chamou a atenção e me fez redobrar os cuidados com ele foi: "pai, vou jogar uma corda para o céu, para bisa Eurides - minha avó que tem 11 anos de falecida e Peu, tem 4 anos de idade...-  segurar e me puxar para lá, para eu ver meu irmãozinho". Precicamos explicar para ele que ele não pode fazer isso, senão cai e morre, mas, não vai ver o irmãozinho, porque onde o irmãozinho dele está, só vai neném que estava na barriga da mamãe e "Papai do céu" lembrou que não era a hora de nascer e levou para guardar com Ele, num lugar separado... Ufa! Foi o que o fez parar de repetir que "queria ir para o céu". Toda noite ele chora, quietinho, em seu quarto. Depois, chama a gente e pede abraço. Fica abraçadinho conosco - eu e o pai - e diz: "meu coração tá pedindo para eu chorar, mãe, eu quero parar e não consigo...". O abraçamos firme, com carinho e muito amor  e dizemos: "então chore, filho, alivie seu coraçãozinho, para ele ficar vazio da dorzinha. Bote para fora e saiba que estamos aqui com você e seu irmãozinho está bem."

Bom, ao menos ele está vendo que os pais sentem a perda do irmãozinho, como ele fala, mas, estão tendo força para seguir. E estamos num movimento sincero, não estamos fingindo para ajudá-lo, estamos conscientes, mesmo. Só esse movimento sincero pode fazer base para Pedro. Fingir que se está bem não surte efeito real. Ele sabe que pode contar e confiar na gente e, cada vez que ele pede um abraço e recebe, ele sente que estamos ali, abertos. 

Não digo que é fácil, porque, de fato, não é, mas, o que precisa ser feito, deve ser feito e estamos fazendo: nos esforçando a cada dia, sem nos fazermos de vítmas ou culpando algo ou alguém. Como comecei falando, o que acontece naturalmente não deve ser algo ruim, e sim, algo que precisava acontecer. Oque nos cabe? Mesmo sem entender o verdadeiro motivo, aceitar - não há outra opção, mesmo - e seguir em frente. Sentir a dor e deixar passar, não eternizá-la. Existe o momento onde me isolo um pouco, choro minha dor e repito: "Deus sabe o que faz". Faço uma oração e alivio o peso que a dor traz. Esse é o meu caminho e minha maneira de caminhar. E o caminho do amor é, com certeza, o melhor: reunimos forças para seguir e temos um ao outro, não como posse, mas, como verdadeiros companheiros.

Saudações maternais,

Pat Lins.

sábado, 21 de maio de 2011

E AGORA, O QUE PASSOU É PASSADO - PERDI O BEBÊ

Enquanto uma situação não termina, um ciclo não é fechado, ainda é presente - ainda que passando, como tudo na vida. Mas, quando encerra, passa-se. É passado. 


Preciso desabafar sobre esse passado recentíssimo de perder meu segundo filho, quando seu coração parou de bater, ainda em meu ventre, por volta de 9 semanas de gestação. 

Levei duas semanas para ter certeza e confirmar o óbito fetal. Assim, tomei minha decisão - explico isso em DECISÕES EM MOMENTOS DIFÍCEIS, no "Mães na Prática" - e fui ao hospital, fazer a tal "curetagem".



Estou horrorizada com o atendimento da emergência do Jorge Valente. O detalhe: Fui atendida por volta de 9:30 de ontem – dia 19 -  me deram a medicação para dilatar o colo do útero às 10:10 a.m. Nesse meio tempo, um rapaz da recepção chamou minha prima  e disse que o hospital estava cheio e eu precisava ser transferida. Segundos depois, a enfermeira entrou em meu leito e perguntou porquê eu havia pedido transferência. Informei que não pedi, apenas autorizei diante da orientação da recepção deles de que não haveria disponibilidade de continuar o procedimento lá, pois o hospital estava muito cheio. Isso já era perto das 11h. Ela não voltou mais lá. Sequer dava orientação. Ao ser perguntada se eu precisava trocar de roupa, apenas me disse: "pergunte na recepção". Próximo a meio dia, já estava sentindo as contrações. Elas me disseram que não poderiam fazer nada, porque "eu" havia pedido para ser transferida e não cabia mais a elas darem atendimento. Uma única se prontificou e me disse que não poderiam dar mais medicamento, inclusive, porque o colo do útero precisava contrair, mas, que não era para eu começar a sentir dor, já que o procedimento da curetagem entra um sedativo logo após 3 horas da inrodução do citoteque - que no hospital tem outro nome. Eu já estava beirando as tres horas e sentia fortes dores, como um trabalho de parto, sem bebê para sair, haja vista que carregava um embrião sem vida. Nada de ambulância. Por volta das 14:30, as dores e contrações eram violentas e perdi o controle, com tanta dor e comecei a gritar - um vexame - e foi quando a ambulância imediatamente apareceu. Nenhuma enfermeira ou auxiliar veio junto, nem para abrir a porta para a maca sair. Foi preciso pedir ajuda a uma acompanhante de outro paciente, junto com minha acompanhante, para abrir a bendita porta. Na ambulância, eu perguntei ao maqueiro porque não me levaram para o centro cirúrgico e ele me disse: "mas, como, se a senhora pediu transferência para não fazer com a gente?" Gritando de dor e de raiva, disse que foi a "porcaria" da recepção que nos orientou a optar pela transferência por falta de vaga no Jorge Valente. Ele então, passou a ser mais solidário. Ficamos sabendo que a ambulância estava a minha disposição desde às 11h e que a demora foi a burocracia. Imagine, mais de 4 horas de burocracia, sabendo que foi começado o procedimento para uma curetagem... Já não me bastava a dor de saber que havia perdido um filho(a), ainda precisei passar por tudo isso? 

Chegando ao Hospital Sagrada Família – tem uma unidade dentro do Hospital Salvador, na Federação e faz jus ao nome -, aí sim, fui bem atendida. A enfermeira e a médica me perguntaram o porquê d´eu ter demorado tanto, sabendo do tempo para os procedimentos... Eu já não suportava mais ser cobrada por algo que fui vítma e disse que eu estava esperando lá, deitada no leito, sentindo as dores e sem ter acesso a qualquer informação. Elas me perguntaram o horário da introdução do tal citoteque e falei 10:10h. Me levaram na mesma hora para o centro cirúrgico, antes mesmo de finalizar o processo burocrático, porque já eram quase 15h e elas compreendiam que a dor que sentia era desumana. Numa dor de parto, o próprio bebê ajuda para sair e, num aborto? 

Oxe, em compensação, já no centro obstétrico, me sedaram e, adeus dor. De repente, eu nem sabia mais onde estava... só me via entrando pelas tirinhas do teto. Voava. Ria... kkkkkkkkkkkkkkk Olha, fiquei “doidona”. Sem noção de tempo, espaço ou qualquer coisa, ia voltando, aos poucos. Escutava as risadas e não identificava minha voz. Me peguei respondendo perguntas básica como meu nome, idade e, até tipo sanguíneo. O que me perguntavam eu respondia, certinho. Mas, sempre dando risadas sem noção. Me recordo de uma cosia ou outra. Tipo: “Dra, a senhora está aqui, comigo? Como a senhora entrou aqui?”  - estava em meio a imagens psicodélicas e acreditava que ela havia entrado naquele mundo, que nem eu sabia onde era... E, quando conseguia abrir os olhos, via as toucas da equipe e via bem de perto o anestesista se acabando de rir. Eles me diziam que eu era hilária e que os fiz dar muitas risadas com minhas histórias... Sabe Deus o que saiu de minha boca. Parecia que tinha um buraco na testa que, o que eu pensasse, saía – kkkkkkkk. Eu falei assim: “noossssaaa! Agora entendo o que um drogado passa...” E me perguntaram: “e você usa drogas?” Eu disse: “eu? Kkkkkkkk eu não. Acho que já nasci drogada”. E tome-lhe risada. Só depois soube que fiquei uns 40 minutos delirando. Eles me disseram que se desse tempo desceriam para me contar as coisas que falei. Imagine? Teve um momento que me escutei dizer: “minha perna? Esta esticada? Eu não estava naquela posição horrorosa? – as pernas ficam elevadas e amarram meus pés no alto. E agora? Eu quero espirrar...” Me responderam: “pode espirrar”. E aí, foi onda: “E como é que eu espirro? Kkkkkkkkk Não sei espirrar”. Mas, foi uma galhofada. A médica me disse que eu estava muito tensa e depois de tanta dor – cheguei a desmaiar na ambulância, segundo minha prima – a sedação tem um efeito mais forte e delirante. Ela me disse que meu útero era muito difícil para curetar e perguntou a razão de minha cesariana - com relação ao meu prinmeiro filho, cuja gravidez foi normal. Aquela história, que não é história, é fato: só é aquilo que veio para ser, senão, não é. Afinal, o que tem que ser, será. O que não, não.  Expliquei que foi o colo do útero mesmo, pois levou quase 48 h com Peu encaixado e eu não sentia nada, e o colo do útero não afinava. Ela disse que deveria ter sido isso... provavelmente, nunca consiga ter um parto normal com o útero bem fechado daquele jeito. Ela me disse que pelo que viu, não sabe como suportei tanta dor.

O importante é que deu tudo certo. Sinto umas cólicas incômodas, mas, nada grave.E, agora, agradecer a Deus; pedir que meu embriãozinho chegue aos céus e que, na hora dele vir, estou aqui.

Não foi fácil, prazeroso ou legal passar por tanta coisa, para variar, em tão pouco tempo. Descobri que estava grávida. Fiquei feliz da vida. Todo mundo curtindo. Planos - natural, né? Enjôos fortíssimos. Desanimo, sem gás para nada, apenas para dizer: "vai passar e, já, já, p bebê estará aqui fora..." E, de repente, num exame de rotina, não se detecta batimentos cardíacos. Tudo mudou de cenário. A mesma coisa passou a ser outra coisa, oposta, triste e desgastante. Encarei os fatos. Estou bem. Mas, precisei passar por umas coisinhas chatas para, mais uma vez, testar quem sou eu.

Por outro lado, venho recebendo muito carinho. Preciso agradecer a médica do Hospital Sagrada Família, não me lembro o nome, mas, me recordo do rosto, da voz e da postura firme, profissional e humana. Agradecer a toda equipe, que esteve lá e me ajudou, muito, no dia 19 de maio de 2011 - dia em que virei mais uma página de minha vida. Agradeço a meu querido médico, Dr. Giordano Matos, que é excepcional, bem como suas atendentes. Agradecer a minha mãe, meu pai, minha família todaaaaa, meu marido, meus amigos. Nessas horas, o que deve importar é saber tirar proveito do que acontece de bom. Não é fácil, mas, se esforçando, dá. Isso não me impede de ver a crise no sistema de saúde, educação, segurança e etc do nosso país. Mas, isso fica para outro post. A ambição desmedida está destruindo a vida e, quem destrói nem se dá conta. Se cada atitude fosse isolada e só atingisse a quem pratica, mas, antes, outras pessoas inocentes, "pagam o pato". 

Estou bem, de verdade. Agora, é deixar passar a raiva do Hospital Jorge Valente e de toda loucura que impera lá. Deus me livre!

Mais uma vez, eu vi que  A DOR SÓ DÓI ENQUANTO ESTÁ DOENDO, DEPOIS... PASSA! Ela precisa passar! Tudo passa! O tempo, passa. Só a vida segue. E nós podemos DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO!!! Sempre começando por nós mesmos!

Beijos,

Pat Lins.


quarta-feira, 9 de março de 2011

FILMES - influenciam, mas, não são determinantes - PARTE II

Pois é, a saga do filme continua, mas, melhorou. A estratégia da negociação foi surpreendente: ele não só concordou, como entendeu e, o melhor: aceitou. Melhor que isso, só dois disso! E, sendo assim, ele voltou a pedir os filmes que antes gostava tanto, como "A Era do Gelo", "Toy Story 1, 2 e 3", "Shrek", 'Lucas, um invasor no formigueiro" e etc - se eu for listar a dvdoteca dele, não termino hoje. 

Com relação ao comportamento, normalizou. Ou seja, diminuiu o excesso do que já é excessivo. Graças a Deus, porque eu já estava esgotada e, confesso, sabe Deus de onde tirei forças, porque, minha gente, careca era só o começo dos meus problemas. 

Visitando, como de costume, os blogs amigos - tenho uma lista aqui ao lado - li um texto emocionante da Sueli, - BLOG DO DESABAFO DE MÃE - e me vi ali. Só quem tem um filho de personalidade forte e dono de si pode imaginar o que passo. Por mais que eu escute e saiba que ele não é um menino ruim, afinal, não é malvado, "só" agitado, isso não diminui em nada meu desgaste. Todo dia eu vivo tensa e pressionada. Estou sempre alerta e tenho que ser flexível e legal; e ainda rigorosa e firme; carinhosa e amorosa; mãelimite no limite. Só por um tempo, queria refresco - risos. Sabe o que é pior - ou melhor ? Eu não resisto aquele safadinho lindo. Ele é elétrico, me mata de cansaço, mas, se não fossem as críticas que dou ouvido e reverberam em minha mente, talvez, quem sabe, eu me cansasse menos. Também, quem manda ser humana e dar ouvidos ao que não deveria ser escutado, já que se sabe que quem fala apenas extravasa sua própria dor, infelicidade, fraqueza e pequenez através da tentativa de diminuir o outro para se sentir maior?! E isso me incomoda muito: mania de me ocupar com a língua dos outros. Acho que sou assim por conta de minha mama querida. Ela é do tipo de pessoa que prefere se machucar a ter que dizer a verdade a alguém. Eu vivo uma contradição: quero falar - e, quando não dá para segurar, eu falo - e me sinto péssima por magoar alguém, ainda que esse alguém tenha me magoado. Aquela história da pessoa sacana que sacaneia, provoca e ainda sai como vítma, porque soube fazer seu lobby. Meu lobby é queimado, porque eu explodo mais do que me contenho e quem provoca fala baixo, com voz mansa e incubado. Odeio falsidade. Pois sim, o que isso tem a ver com Peu? Essas pessoas e lidar com isso me desgasta tanto, nesse embate que minha resistência diminui. E eu? Preciso estar sempre em alta, para conseguir lidar com Peuzinho. 

É muito cansativo ter um filho ultra elétrico, que parece saber o que quer e só descansa quando consegue - leve o tempo que levar, ele consegue alguém que ceda... principalmente quando não está em minha frente - e tentar lidar com algo que já é desgastante por si só e ainda ter que lidar com gente desocupada e sem "setocômetro". Gente que, se estivesse em meu lugar, o que faria? Sim, porque essas pessoas são cheias de dicas, receitas, fórmulas de sucesso, "jeito", "ciência", técnica - diga-se de passagem, teoria da técnica -, de experiência - nos casos que me refiro, malsucedidas experiências, mas, como os filhos cresceram e não matam, nem roubam, acham que fizeram um bom trabalho... ainda que sejam pessoas problemáticas e difíceis, imaturas, infantis, egoístas... isso me incomoda mesmo e de verdade. Cuidar de Peu não é facil, mas, se ele é assim, eu tenho que encarar os fatos e lidar com isso. Quando consigo manter uma distância saudável - como me refiro a me afastar daquilo que me compadece, para o meu próprio bem e que não é tão bem visto pelos outros, mas, paciência para eles - eu mantenho minha taxa de resistência equilibrada e minha rotina cansativa é puxada, mas, "vivível" - risos. Infelizmente, algumas vezes essa distância saudável é quebrada e levo dias para me recuperar, até estabilizar. Bom é que cada vez que faço o esforço, assim que passa a fase crítica do estresse instalado, me sinto infinitamente melhor e mais forte e, detalhe, mais convicta de que estou certa em manter minha distancinha, viu? Sorte a minha que ainda posso e consigo fazer isso com, pelo menos, 90% dessas pessoas inconvenientes, mas, que fazem parte do ciclo social e familiar. 

Essa questão do filme, mesmo, nem todo mundo acredita e acha que é proque ele é assim mesmo. Será? Não sei, acho que sou observadora demais, minha veia crítica e exploradora da alma humana me faz ser assim, de natureza. Isso faz com que eu me abra para as possibilidades, em vez de fechá-las e visualizar tudo de um panorama mais holístico - não como as pessoas dizem que fazem, sem fazer... eu sinto a dor de quem se esforça para colocar em prática o movimento de mudança, de observação, de planejamento e de desenvolvimento de estratégias e ações. Sou, praticamente, um plano de marketing - risos. Ou, uma monografia - risos. Nem por isso, obtenho sempre êxito... O empirismo me guia e entre tentativas e erros, vou chegando lá. Como sempre me falo: quem vai saber o que é certo ou errado no que tange a educação de um filho? O que deu certo para A - quando deu certo mesmo, ou seja, a criança cresceu e se tornou um adulto equilibrado, sensato, sereno... o que não quer dizer que seja apenas mérito dos pais, mas, do ambiente, da característica pessoal, do empenho individual, das oportunidades bem aproveitadas... Complexos é o que somos - não quer dizer que vá dar certo para B, C... Z. Cada um é um. Tem uma pessoa que vive pregando essa premissa e, na hora do "vamo ver" é a primeira a já estar comparando e, cá entre nós, sem critério algum... Comparar é necessário, para que tenhamos parâmetro, mas, o que é - ou quem é - o parâmetro para comparação, mesmo? Só Jesus, mesmo. Ou Gandhy, Madre Tereza... Pessoas que abriram mão de si, por já serem tão evoluídos que não tinham mais o que crescer, apenas orientar e facilitar crescimentos.

Ai, quero vomitar minha irritação, para que essas reverberações me deixem em paz. Eu já vivo uma vida desgastante - não, eu graças a Deus não passo fome, nem sede... mas, a educação de Peu requer um ritmo em mim que não é o meu e exige um estado mental sempre alerta que, de vez em quando, pede descanso e não encontra. Tudo seria menos pesado se as pessoas se tocassem e, se querem ajudar, ajudem. Porque, muito ajuda quem não atrapalha, já dizia minha avó. Ajudar colocando mais pedra para a pessoa carregar a sadismo, né ajuda não, viu?

Meu filho é agitado, sim, mas a "culpa" não é minha. Ele é como é. Não é por falta de diálogo, nem de limite - ou tentativa de dar alguns. A educação de Peu é a longo prazo. Já percebi isso. Essa natureza geniosa dele insiste e testa meus limites, mas, eu quase sempre estou lá, segura e firme. Caio, por diversos motivos, porque, apesar de ser mãe - e todo mundo exige perfeição  sem o ser - eu sou gente e vivo outras coisas além da maternidade. Caio, por diversos fatores pessoais e íntimos. Caio como qualquer pessoa. Mas, o que mais me derruba, com relação a lidar com Peu são essas intromissões descabidas, desorientadas e sem sentido, que invadem como uma chuva ácida - não comparao com acidentes naturais, porque acidentes naturais são reações da natureza gritando socorro. A mãe natureza pede socorro para que nós, filhos, vivamos melhor e nós, filhos, somos extremamente desobedientes e impetuosos, como Peu é comigo... - e terminam por alterarem o rumo de meus afazeres, do meu ritmo... Tanta cobrança. Todo mundo devia fazer terapia. Tantas ações infantis, de adultos que não se desenvolveram e cresceram em idade, mas, não em identificar sua identidade... Tanta gente que briga por tão pouco. Tanta gente que se diminui em vez de crescer. Tanta gente que cria situações sem necessidades. Tanto malentendidos, por falta de uma coisa simples, chamada "comunicação" - falar, ouvir e entender. As pessoas têm má vontade em compreender. Em aceitar. Em respeitar. 

Difícil! Mas, vou indo, porque, como disse a própria Sueli, mãe nunca desiste. E, acabo sendo mãe de mim, porque não desisto de mim, nunca! Nem quando penso que assim o fiz.

Vou terminar aqui, senão, uma coisa puxa a outra e este post era só para dizer que educar um filho é zelar por tudo que o envolve, sabendo que não temos controle total do que eles captam, mas, temos co controle total de fazê-los entender que por mais legal que uma mãe seja, ela precisa ser respeitada e reconhecida como tal. Só para dizer que eu luto todos os dias para que meu filho cresça um homem virtuoso, de bem, mesmo que hoje ele brade com os limites, que teste os meus limites, amanhã, seja ele o que for, eu fiz o que pude, com a melhor intenção. Só para dizer a mim mesma que eu preciso recarregar e triplicar minhas forças. Só para me dizer que educar um filho é identificar os sinais - quando problemas - e se abrir para as soluções, porque não existe um única solução, mas, sim, uma que dê jeito.

Depois, talvez, volte a extravasar de novo. Afinal, na prática, somos isso: gente querendo ser melhor, mesmo sem se dar conta e sem se dar conta dos caminhos que seguimos para tal. E, no filme de nossas vidas, tudo deve ser dirigido por nós mesmos e com ajuda, sim, porque ninguém vive sozinho, mas, ajuda é uma coisa, manipulação, controle e intromissão é outra...

Saudações maternais,

Pat Lins - uma mãe na prática diária de se construir e desconstruir; num desabafo de mãe e que só coisa de mãe pode entender. E, fica a pergunta: "what mommy needs?" Afinal, somos mãe e  muito mais, não é não?! E sempre em mãetamorfose. E haja inventando com a mamãe para alegrar a filharada. Principalmente os kids indoors da vida moderna, de crianças que não dormem e vivem acesas, como se não tivessem tempo a perder. Que um dia vão virar adolescentes - e, alguns saírão dessa fase... Afinal, todas vivemos um sonho de ser mãe e, no final, toda mãe é igual! A cada mãe, mãeblogeira, bipolar ou não, aqui, meus parabéns! Fui tecendo o fio de ariadne para agradecer com este último parágrafo, a maioria dos blogs que sigo, por conta desse meu pequeno, nessa pequenópolis. Para quem não entendeu, vide a lista de blogs que sigo, porque este blog é para mães de ninas e ninos do meu coração. Minha homenagem a cada uma de vocês! Beijos!

terça-feira, 6 de julho de 2010

FALANDO UM POUCO SOBRE DPP - DEPRESSÃO PÓS PARTO

O depoimento abaixo escrevi para fazer parte da série "O Primeiro Ano de Maternidade Não é Um Carrossel" - ENQUANTO ESPERAMOS, um blog maravilhoso que a blogosfera me permitiu conhecer. Através do blog aliado ao universo materno, tenho conhecido pessoas lindas e fantásticas, sempre com algo de bom e edificante a acrescentar.

Foi com dor e prazer que escrevi o texto, para tentar levar a outras mães de primeira viagem a mensagem de que é difícil, sim, mas, a gente supera. Se a maternidade em si já é algo complexo, agravada por uma DPP é um buraco aparentemente sem fundo... Sei que muita gente não me compreendeu/compreende, mas, hoje, me esfoço para compreender que as pessoas são o que são e como podem ser, já sendo... afinal, se pudéssemos fazer/ser melhores, já o seríamos... podemos, sim, nos tornarmos melhores e, aí, seremos.

Enfim, vale a pena dar uma conferida no blog ENQUANTO ESPERAMOS e saciar-se um pouco com a sensibilidade e consciência da Carol - íntima, já - risos. E divulgar seu blog, que fala do quanto podemos aprender ENQUANTO ESPERAMOS.

Postei o depoimento aqui, porque devia isso ao "Mães na Prática", falar um pouco mais da minha prática em ser mãe e me aprender a cada dia, bem como do que foi para mim ter vivido a DPP. O depoimento é um resumo mínimo e com mais beleza do que a realidade foi...

Segue, agora, meu depoimento:

primeiro mês de Peu

Era uma vez um primeiro ano e, depois, apesar de tudo e muito mais, ainda somos felizes sempre!!!



Ao descobrir-se grávida, imediatamente, a mulher se apresenta a uma nova mulher, uma nova realidade, um novo ser. Realidade esta que nos é apresentada como o auge, plenitude e máxima realização de e para toda mulher. Isso lá tem suas verdades... como tal, apresentam vários ângulos, nuances e outras verdades coexistentes. Uma delas é que para curtir o amor pela cria, o ambiente não se transforma em algo tão fácil, bonitinho e sempre perfeito. Associado ao ajuste de vida do rebento, vem nosso desajuste e reajuste... Costumo descrever esse “primeiro” “encontro” entre nós, as mães com o(s) filho (s) como uma colisão entre mundos, onde, por melhor, mágico e mais bonito que seja, geram alguns abalos.

Se para toda mãe esse momento sublime já vem acompanhado de dificuldade e só a força do amor indescritível pode explicar como “sobreviver” a tantas ambigüidades, imagine para as mães, que, como eu, deparam-se com um fator surpresa, nada gratificante, que é a DPP – Depressão Pós Parto. Céu e “inferno” se encontram e nessa berlinda, o caos impera e o desespero se manifesta em escalas macro e microamibientais. Nesse momento, apesar de toda alegria que se sente e quer explodir, uma tristeza amarga, crônica e, aparentemente, infinita se instala e domina o ambiente. Ver seu filho chorar de fome, porque está de cocô ou com a fralda molhada de xixi são tormentos insuportáveis, mesmo sabendo-se ser natural. Enquanto razão grita que “é assim mesmo, a criança está se ajustando ao mundo aqui fora. Vai passar”, o buraco escuro e íngreme onde estamos caindo sem parar dispara o alarme de incêndio e desespero, abrindo fogo cerrado e a guerra começa. Isso, só considerando o “meu” mundo interno. Tudo vira dor, culpa, amargura, escuridão, queda... infinita ausência de expectativa e destruição de tudo que havia, de tudo que há e de tudo que haveria... Todo instante se torna eterno instante de vazio. Um buraco se abre, se abre e se abre... Me questionava: “em meio a tanto amor que recebo, tanto amor que tenho para dar e que explode em meu coração, porque a dor é tão maior e mais forte?” E isso me gerava culpa e culpa. Precisei parar de amamentar e a culpa aumentava. Cada fase daquele primeiro ano foi marcada por lutas, quedas e subidas. Só quando aceitei “A” verdade de que estava “doente” – seja lá qual fosse a origem – comecei a entrar no processo de voltar a enxergar. Com muito pouca lucidez, cuidava do meu filho diretamente. O amava e me sentia tão pequena perto dele. Cada fase em que ele “crescia”, eu crescia junto, debaixo de lágrimas e dor intensa em cada esforço. Permitir que aquela luzinha da inocência, chamada Pedro Henrique, me iluminasse com toda sua perseverança – todo bebê vem com imensa força e capacidade de superação... são desbravadores natos e guerreiros naturais – foi uma escalada sobre as feridas abertas em minh´alma, que sangrava e gritava a cada vontade de me erguer. Não podia perder o foco de recuperar e reconstruir toda ruína que era EU, transferindo para aquele pequeno ser essa carga e responsabilidade.

O primeiro ano é o mais difícil, porque nele cada dia equivale a meses ou anos. Cada dia uma mudança, um aprendizado intensivo, uma nova fase para a criança e para nós, mães. Vivemos a linha limítrofe entre dor e superação a todo instante e cada vitória vem regada a satisfação de ver nossa sementinha germinar e crescer. Passamos a sentir cólicas que não doem em nosso corpo; a engatinhar com eles; a sentar; a andar; a encarar o novo a cada novo segundo. A minha primeira grande batalha foi superar as dificuldades naturais com as “impostas”, pelo acaso, destino, hormônios, genéticas, distúrbios... naquele primeiro ano. Hoje, digo que aquele foi o primeiro ano do resto de nossas vidas. A DPP não interferiu e machucou apenas a mim, mas, a todos os envolvidos, principalmente, ao filho recém-chegado ao mundo. Se uma mãe se emociona com o primeiro: “mama”, eu me emocionei ainda mais, porque “acreditava” que ele não me reconheceria como “mãe”, porque eu não era a imagem perfeita da Santa Mãe que a tudo suporta, supera e compreende. Eu era a imagem de um ser humano destruído e me colocava como “desqualificada”. Olhar para mim, naquele primeiro ano – até meados do segundo... como interrompi o tratamento, durou mais do que se “esperava”. Uma depressão mal curada é pior do que uma recaída – era o mesmo que ver uma cidade destruída por um tornado. Para meu filho, noites e dias eram apenas instantes entre acordar e dormir no claro e no escuro... Para mim, era a perpetuação da dor interminável – me permitam a redundância.

As oscilações de humor doíam como facas apunhalando meu coração e minha mente disparava uma condenação perpétua por cada momento mal vivido... Mas, algo aconteceu naquele ano, que me tocou tanto e me ajudava muito, a alegria pura de Pedrinho. Parecia que ele não se deixava atingir pela angústia e reagia com a mais pura demonstração de leveza: seu sorriso e olhar brilhante. Então, vi que eu não era só lado ruim, eu ainda carregava em mim minha essência, a “Patricia” que sempre fui e que queria emergir nova e renovada. Essa “Patricia” precisou reaprender a engatinhar, andar, falar e, acima de tudo, SORRIR. Não foi a melhor aula que tive em minha vida, ao menos, não através da didática imposta pela dor, mas, com certeza, aquele primeiro ano foi a maior lição de toda a minha vida.

Se alguma mãe ou pessoa envolvida num processo similar estiver lendo este depoimento – não muito específico, porque ainda carrego muita dor... algumas feridas/seqüelas foram abertas e hoje, após 3 anos e 9 meses do parto, estão sendo devida e conscientemente bem tratadas – por favor, redobre a força do amor e compreensão – nada é exato e linear – e se esforce para “calar” a boca do orgulho, do julgamento, da razão sem razão... lembre-se de deixar passar, aceitar-se doente e, por isso, terapia – com profissional competente e humano - é um bom caminho, e, acima de tudo, repita para si: A DOR SÓ DÓI ENQUANTO ESTÁ DOENDO... DEPOIS, PASSA! E deixa a dor passar. Talvez nunca vá saber, exatamente, o ponto, a origem da DPP, mas, mesmo em busca constante para essa resposta, me entrego ao esforço diário de viver cada instante e aprender mais sobre mim, em busca de me libertar e redefinir como ser humano, resgatando os bons valores e levando-se a sério e como possíveis de viver, sim. Tudo passa! E o que a gente não deixa ir, vai passando e levando mais do que deveria.

Saudações maternais,



Pat Lins.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

SER MÃE É PADECER NO PARAÍSO

Olha, de todas as máximas que tentam descrever o que é SER MÃE, esta é a que consegue resumir sem suprimir: SER MÃE É PADECER NO PARAÍSO.

Se, hoje, lutamos por uma m(p)aternidade consciente, comecemos sabendo que ser mãe não pinta o mundo de rosa ou azul, como o quarto do bebê. Toda beleza consiste em compreender que vamos viver uma realidade diferente, apesar de tão disseminada e comum: a realidade do nosso mundo pessoa, mulher, profissional, esposa... coexistindo com o mundo supremo MÃE e com o(s) mundo(s) do(s) filho(s). Poucas mães da geração anterior se permitem informar que a maternidade é tão difícil e desafiadora como qualquer outra novidade. Que como tudo que é novo, assusta e traz suas condições. Diferente de qualquer outra escolha - sim, os filhos do "descuido" e do "acaso" também são escolhas... quem não usa preservativo ou algum método contraceptivo já está fazendo uma escolha - que façamos na vida, a maternidade não tem volta... não é permitido arrependimento - e, bem verdade, nem cabe se arrepender - e assumir parte responsabilidade da evolução de um novo ser é praticamente nossa obrigação. Entretanto, todos os pontos maravilhosos e mágicos vêm juntos no pacote, onde aprender a amar, antes mesmo de conhecer, nos guia sempre.

Após o nascimento da mãe, o acoplamento dos mundos gera abalos fortíssimos, mas, é nesse momento que aprendemos que di(poli)cotomia passa a ser nosso primeiro nome e essa condição irá nos reger por toda a vida. A gente entende o que quer dizer "viver o aqui e agora" a todo momento. A gente começa a ser capaz de ver uma linha tênue, porém real e significativa, de que existe uma enorme diferença entre ser e parecer; entre teoria e prática. E vê que real e imaginário são sinônimos, porque o mundo passa a ser regido pelo universo lúdico - e, muitas vezes, depois que eles crescem, a gente esquece de entrar numa nova realidade, que nos coloca em nosso próprio lugar... que é quando estaremos ao lado deles para sempre, mas, eles precisam seguir, assim como nós seguimos.

 A gente se cansa, sim. Se aborrece, sim. Perde o controle, sim. Mas, quando a gente deixa isso tudo passar, a maior parte do tempo é iluminada pela presença de uma semente germinando a cada dia, bem diante dos nossos olhos e, por mais que esteja fora de nós, temos a capacidade de sentir o bater dos seus corações, como se fosse em nossos peitos. Podemos sentir escorrer as lágrimas que ainda nem desceram, como se saíssem dos nossos olhos. Podemos rir com suas gargalhadas, sentindo o vibrar de sua alegria. Um filho é o maior tesouro que podemos ter, mesmo não sendo propriedade nossa...


E é por isso que ser mãe é padecer no paraíso, porque a gente ri de angústia e medo, chora de alegria e emoção, mas, também, a gente ri com muita alegria, chora de dor, teme e sente tudo ao mesmo tempo e só outra mãe, por mais diferente que seja, é capaz de saber do que estamos falando. A gente padece porque as dificuldades não deixam de existir e a realidade não vira uma mar calmo e tranquilo, com dias de sol ameno e noites fresquinhas todos os dias... Infelizmente, as portas precisam ser trancadas; nem todas as contas conseguem ser pagas; nem sempre sobra dinheiro para aquele passeio tão desejado; nem todos conseguem realizar o sonho da casa própria - e muitos vivem em condições periclitantes -; nem todo dia é sábado; os contratempos continuam; as cobranças não diminuem; as diferenças e divergências nas convivências diárias ainda precisam ser administradas; comida não pula do fogão pronta; a casa não aparece arrumada sozinha; as roupas só saem da máquina de quem tem; o ferro precisa de uma mão humana para estar por cima das roupas; os brinquedos espalhados precisam ser reorganizados; estabelecer limite e disciplina é papel chato, mas, cabe a mãe - e aos pais, também...; os intrometidos não deixam de existir; febres surgem quando estamos exaustas; dentes incomodam para nascer; dentes incomodam depois que nascem... a lista é interminável de fatores que colaboram e estimulam e dos que são verdadeiros obstáculos constantes e, muitos, quase intransponíveis. Mesmo assim, só sendo mãe para saber o prazer que dá superar cada um desses desafios. Cada mãe ao seu jeito. Cada mãe com sua história de vida. Mas, todas as mães com um órgão anexo ao coração que consegue ser mais importante e vital do que ele, que é a presença desse(s) pequeno(s) ser(er) em nossas vidas.


O paraíso é quando a gente deixa passar todas as intempéries e consegue curtir. Sentar no chão e jogar aquele joguinho chaaaatttoooo, mas, que para ver um olhinho brilhando e entretido com tanta devoção e felicidade por nos ter ali, a gente senta, joga e ainda se diverte.

 
Padecer no paraíso é isso: nascer e desfalecer todos os dias; dia após dia; todos os dias do ano; durante toda a vida! A gente passa a entender um pouco mais o que significa vida porque ela passa a ser mais intensa e cheia de emoções - de todos os tipos... risos - para sempre! 


A gente carrega tanta expectativa, que quando eles nascem, nossa, sonhamos com aquele que vai descobrir a cura para todos os males... Na verdade, muitas vezes, a gente espera que eles sejam quem não fomos... A gente não deixa de ser complexa, caracteristcazinha infame de nós, seres humanos, porque nos tornamos mães. Não é a criptônita que irá nos destruir, é a realidade - se a gente deixar, claro - e a verdade de sabermos que não somos super, mas, precisamos ser supers.

A gente aprende com eles mesmos, a melhor maneira de cuidar deles, de nos doarmos... mesmo que entre em conflito com nossa realidade. Levamos um tempo de ajuste. Algumas mães mais rápido, outras, com um pouco mais de tempo. Cada uma tem seu ritmo, sua história de vida, seus anseios, suas frustrações, complexos, virtudes, valores...; cada criança tem seu temperamento... Uma lição que poucas de nós apreende é a do respeito às diferenças... mas, isso, é questão de cada pessoa... a gente é obrigada a mudar, porque nossa vida muda por completo. A gente nasce outra vez. Recomeça e reaprende com a nova realidade. Crescemos com nossos babies. Mas, continuamos sendo quem já éramos. Quando a gente conseguir educar com equilíbrio e harmonia, aí sim, poderemos dizer que alcançamos a plenitude e a perfeição. Porque ser mãe é o caminho para o paraíso! Detalhe, o caminho a caminho e caminhando dia-a-dia.

Como tudo na vida, a gente vai viver vários lados... mas, sendo mãe, tem uma coisa indescritível que faz tudo parecer diferente. E quando a gente consegue fazer esse "parecer", ser, a gente alcança o verdadeiro nirvana, que, muitas vezes, podemos chamar de paraíso! E, é nesse momento que as cores explodem e tudo que estava cinza passa a mostrar seu lado encantador. O paraíso a gente constrói, como qualquer escolha que fazemos em sermos felizes, independente de qualquer coisa. O paraíso é a superação. Aliás, a pós superação! Afinal, o que é fácil nessa vida? E ser mãe, é sempre uma nova história para começar!

Saudações maternais,

Pat Lins.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

FELIZ POR SER "MÃE NA PRÁTICA"

O universo materno é muito mais do que colocar um filho no mundo: isso é parir - da maneira que se consiga - em alguns casos, o parto é através da barriga de outra mulher e se dá pelo coração.

Ser mãe é muito mais do que escolher a melhor escola para o filho: isso faz parte.

Ter um filho é adotar a idéia real e permanente de que outra vida está ligada a sua, pelo cordão da vida.

Educar é nunca deixar de ser quem se é, buscando, a cada dia, ser melhor e deixar algo de vivo, verdadeiro, consistente, real e edificante em nossa sementinha viva que germina na Terra, dia a dia, faça sol ou chuva em nossos corações e mentes de mães, pais e afins.

Ser exemplo é acabar sendo visto mesmo naquilo que nem sabemos que temos ou somos, afinal, filho lê, inclusive, as entrelinhas do que não falamos, através do que fazemos...

Estou muito feliz em ser mãe, mesmo e apesar de, toda angústia, medo e dificuldade de cada dia, cada nova situação, cada cansaço físico e mental... isso tudo faz parte. Como me disse uma grande amiga: "se em sua rotina tiver que matar um leão por dia, você tem que matar um leão por dia e continuar vivendo..." Pura verdade! Para a gente mudar alguma coisa, precisa, antes de tudo e mais nada, saber que está vivendo... a fantasia desvia o caminho rumo a consciência  e aliena... Aquilo que não nos incomoda - de verdade - não precisa mexer; mas, aquilo que incomoda, é alerta para mudar, melhorar, superar.

Talvez muita gente não compreenda o que quero dizer em "ser feliz apesar de"... todo mundo espera resposta pronta de que ser mãe é ser feliz porque se vive um mundo de sonhos, sem dificuldades... Eu sou feliz porque vivo um sonho real, apesar de toda dificuldade e me fortalecendo em toda facilidade que essa condição permita.

FELIZ POR SER MÃE, por ver em meu filho tanto de mim, tanto de tanta gente e TUDO NELE que é só dele - até quando digo que já não sei mais como fazer para ele deixar de ser desobediente... porque, sim, isso ele é! Costumo dizer que sua inteligência traz a insolência, porque ele só "obedece" aquilo que casa com "seu pensamento"... sim, PENSAMENTO, ele tem idéias próprias e isso é chocante... saber como lidar com elas é que tem sido meu desafio. 

Feliz por ser mãe, porque é impossível não ser, na busca de se fazer melhor a cada dia por mim, por ele e por cada pessoa ao nosso redor. De me dedicar ao presente diário de se construir um futuro melhor, no hoje. Porque de nada adianta um futuro sem um presente... Quando nos abrimos para o melhor, o mundo não muda e fica cor de rosa - nem eu queria tudo monocromático... ainda mais em rosa... - mas, nossa conduta diante da realidade é de que tudo é possível, muita coisa acontece... mesmo que não seja o que queremos. É saber viver o instante. E isso, só a metrnidade e toda dificuldade - que por tanto tempo alimentei - puderam me ensinar. Não, não creio que todo mundo precise passar por dificuldades para aprender uma boa lição e crescer. Penso que cada um tem seu caminho e suas escolhas de como trilhar. Eu tive/tenho a minha e faço minhas escolhas diariamente - mesmo quando ainda vem depois de uma explosão de reclamações... risos - um dia, elas serão mais acertadas... risos.

Feliz por ser mãe, porque só sendo MÃE NA PRÁTICA é que a gente sabe o que quer dizer sentir nosso coração bater dentro e fora de nosso peito.

MÃE NA PRÁTICA não é só parir, nem matricular meu filho na escola, tirar fralda, saber qual a melhor maneira de educar... MÃE NA PRÁTICA é tudo isso e muito mais, porque a cada dia a gente precisa ser tudo isso e muito mais. MÃE NA PRÁTICA é ser mãe na ordem prática de cada dia e nos entregarmos à busca incessante - que pode começar a qualquer instante... umas mães começam antes de se tornarem mães, outras ao longo da maternidade, afinal, torna-se um novo mundo... é um universo novo e renovável a cada dia -, outras nunca farão... isso, varia de mulher para mulher (não, não é merchan - risos) - de regarmos "nossa" - porque não deixa de ser... temos a responsabilidade e isso é irrefutável - plantinha, com gotas de amor incondicionais, para que dê bons frutos - essa é a meta, não é?!

MÃES NA PRÁTICA é o nosso cantinho para trocarmos idéias gerais, sobre tudo que envolva o universo materno, que é tão amplo e diverso.

Obrigada pelo carinho e pelas mensagens - em sua grande maioria por e-mail - pelo DIA DAS MÃES.

FELIZ POR SER "MÃE NA PRÁTICA" de meu filho e desse blog que amo escrever! Por receber o carinho e a troca de outras mães, mulheres, jovens...

"Saudações maternais",

Pat Lins.


domingo, 9 de maio de 2010

MÃE PARA MIM

Mãe, para mim, é aquele ser que sabe CHORAR DE ALEGRIA e SORRIR DIANTE DA TRISTEZA.

Mãe, para mim, é aquele ser que sabe MULTIPLICAR o que tem de melhor no coração e dividir suas angústias com o vento para ter mais força a cada dia.

Mãe é uma FONTE INESGOTÁVEL de FORÇA NA FRAGILIDADE e FRAGILIDADE NA FORÇA. Cada uma a sua maneira.

Somos, na verdade, dotadas de poderes extraordinários de SUPERAÇÃO, mesmo quando achamos que estamos fazendo "tão pouco"... e quase toda mãe acha que faz pouco...

Mãe, cada uma tem um valor a passar, mas, todas têm grande e verdadeiro VALOR, só em ser mãe e demonstrar seu AMOR.

Mãe aprende com seus filhos e os ensina, também... Portanto, cabe a uma mãe a característica da RENOVAÇÃO.

Mãe é cheia de SABEDORIA, principalmente quando descobre que ser mãe é continuar sendo humana e que sua perfeição está na sua imperfeição natural do ser; errar querendo acertar e acertar quando erra.

Por isso, e por tudo isso, e por muito mais, MÃE É PERFEITA, porque é capaz de fazer:


  • o/a filho/filha sorrir;

  • seu coração bater em outro corpo;

  • um olho brilhar com seus abraços;

  • uma lágrima secar com um sopro de carinho;

  • a dor passar, através de um abraço, um beijinho e uma frase estimulante - "passa, filho, já, já, passa. Mamãe tá aqui";

  • os problemas ficarem menores, ou, no mínimo "resolvíveis" - risos - porque carrega com seu/sua filho/filha, para diminuir o peso;

  • o melhor diante de uma catástrofe;
  • -se presente, mesmo distante;

  • sua dor congelar - sem deixar de sentí-la - para socorrer;
  • o exercício de física quântica do/da filho/filha, até aquela que mal sabe assinar seu próprio nome, quando eles estão atarefadíssimos e sempre "sem tempo" para nada...;
  • uma simples coruja se transformar numa leoa... e, ainda ser um canguru, colocando a prole na bolsa;
  • seu radar, ultra sensível e captador até daquilo que não é dito e mal foi pensado pelo filho, desligar, para respeitar sua privacidade - ops! algumas mães de fato fazem isso... - risos;

  • uma roupa 38 caber num manequim 48... ou seja, sabe fazer o IMPOSSÍVEL SER POSSÍVEL;


  • de tudo um pouco e um pouco de tudo... afinal, mãe GOSTA DE SABER... de tudo... - risos.


Mãe, para mim, já nasce sabendo que pode saber sempre mais. Porque, na prática, toda mãe é um ser multiplicado quando tem fora de si um pouco/muito de si, germinando em outro ou outros corpo(s).

Não dá para falar TUDO que uma mãe pode ser, afinal, na prática, MÃE É TUDO IGUAL E COMPLETAMENTE DIFERENTE!!!

FELIZ  DIA DAS MÃES, hoje e sempre, afinal, todo dia é dia das mães, dos filhos, dos pais... de todos e cada um de nós, comemorarmos mais um dia de vida!!!

MÃE É A MELHOR ALUNA DOS CÉUS! CUIDA DE CADA UMA DE NÓS, PAI, AFINAL, SOMOS SUAS MAIS COMPLETAS CRIAÇÕES - AS CAPAZES DE CRIAR E REPRODUZIR!!!

 






"SAUDAÇÕES MATERNAIS",
  
Pat Lins.

sábado, 17 de abril de 2010

"CONTROLANDO O ESFÍNCITER"




Ainda sobre o tema "QUAL A MELHOR HORA PARA TIRAR AS FRALDAS?" E "COMO FAZER PARA TIRAR AS FRALDAS?", segue abaixo o trecho de "Controlando o Esfínciter", do blog COISA DE MÃE (http://www.coisademae.blog.br/?p=38), escrito por uma mãe, Christianne Alcantara.

Divirta-se com a leitura e espero que ajude. Na prática, toda mãe passa por isso!

"CONTROLANDO O ESFÍNCITER"
por Christianne Alcantara



"Se vocês acham que ser mãe é só trocar fraldas, viver pra lá e pra cá dentro de casa, administrando menino, e fofocar com outras mães as últimas do xuxuzinho… Estão enganados (as)! Mãe também é cultura, saúde, sabedoria… Explico: Estamos na fase de tentar tirar a fralda de João Marcelo. Não é fácil para ninguém, diga-se de passagem. Bota cueca. O menino se esquece de pedir para ir ao banheiro, faz xixi ali mesmo, no meio da sala. Limpa. (...)
Fui pesquisar um pouco sobre a retirada das fraldas. Vasta literatura! Mas eu só queria uma dica, uma dicazinha de nada. E nada. Só aquelas coisas meio prontas: toda criança tem seu tempo; não pressione a criança, o resultado pode ser o inverso… Isso que todas nós sabemos. (...)

Foi quando descobri o “esfíncter”. Mãe descobre de um tudo. Esfíncter, para quem não sabe (olha aí, blog também ajuda a enriquecer o vocabulário), é um músculo que “controla o grau de amplitude de um determinado orifício”. Entre outros, o ser humano tem o esfíncter uretral e o anal. Agora eu já sabia o que João Marcelo tinha que controlar. Só faltava descobrir como… Discretamente, comecei a observar o tempo que ele levava entre um xixi e outro. Confesso que não deu pra avaliar a freqüência porque ele controla o esfíncter que é uma beleza. Também, quando libera, é de vez! Eu precisava de um sinal. Ele deu. Depois de um certo tempo sem fazer xixi, no meio da brincadeira, começava a segurar a pitoca. Filho, quer fazer xixi? Resposta óbvia: Não. Entendi, depois de algumas observações acuradas, que ele não queria parar a brincadeira e perder tempo fazendo xixi. Tinha todo o sentido. O negócio era continuar brincando. Então lembrei a brincadeira da estátua. A gente grita: Estátua! E fica todo mundo parado. João Marcelo é o único que pode correr, andar, pular e… até fazer xixi! A gente só volta ao normal quando ele faz xixi. Ele acha o máximo! Tem a sensação de que não perdeu nada, imagino. Nós, que ficamos esperando imóveis, torcemos para que ele acabe logo o serviço. Aí ele volta e nós saímos da posição de estátua. Nós agradecemos e o esfíncter uretral dele também… Agora só preciso descobrir a mágica para o outro esfíncter. Mas isso virá… Com o tempo, como diz a literatura, os (as) psicólogos (as), os pedagogos (as)…"

(Escrito por Chritianne Alcantara, em COISA DE MÃE - http://www.coisademae.blog.br/?p=38 )



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