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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

ESCOLA - UM MUNDO DE APRENDIZADO PARA PAIS, FILHOS E PROFISSIONAIS


HOJE, eu tive o prazer de vivenciar uma coisa que sempre desejei!

A diretora da escola do meu filho - não posso falar o nome, apenas por questão de preservação e segurança mesmo, afinal, este blog é aberto... e não podemos ser tão ingênuas - me fez ver que ainda existe escola que preza pelo aluno, sem medo dos pais - hoje em dia, com um perfil altamente consumista e de cobradores radicais e egocentrados... Muitos de nós está assim, mesmo... num exagero de discurso da era do consumo que, pelo amor de Deus! - e com zelo pela qualidade da instituição.

Há dois anos, vivemos uma situação - que cheguei a postar aqui - onde vi que a professora estava com problemas na sala de aula - fui investigar, fazendo hidroginástica na academia ao lado -, e a hiperatividade dele catalisava, ou seja, aumentava o que já estava fora do lugar e entendi que ela estava nervosa por conta de muitos problemas de ordem pessoal. Com isso, meu filho, além das próprias demandas e falta de apoio da coordenação, represou e bloqueou ainda mais seus conhecimentos e piorou seu comportamento. Levei o que pensava e observava à Direção, não pedindo a cabeça da professora, mas pedindo que olhassem para e por ela, porque ela não estava sabendo administrar a docência com o fato de ser professora da filha... Enfim, eu penso assim: ninguém consegue apertar um botão de liga e desliga e se tornar um profissional perfeito e equilibrado emocionalmente a ponto de nunca ser afetado. Mas, em se tratando de trabalho com criança, o cuidado com esses profissionais devem ser mais efetivos. No caso, era só trocar a professora de turma, pelo bem dela e da turma - detalhe: vários pais, inclusive os pais de filhos "padrão", se queixaram, mas nenhum levou à Direção, pois diziam que a equipe de coordenação era tão fraca que não valia a pena, afinal, eles reforçavam em casa e a criança aprendia do mesmo jeito. Passado para mim, mas, na instituição, se mantêm esse formato de trabalho, outras crianças perderam a oportunidade de se revelar. Tiro isso por meu filho, que entrou na escola numa crescente no comportamento e regrediu drastica e irresponsavelmente.

Pois, HOJE, tive uma surpresa belíssima, ao entrar na reunião e ver uma postura da Diretora segura, firma, competente e consciente do seu papel enquanto empresa e enquanto  educadora. Isso é colocar em prática os discursos teóricos que tantos outros profissionais e escolas renomadas pregam mas não praticam. Identificou um problema com a professora, por não estar respondendo ao padrão da instituição e não se adaptar aos ajustes propostos pela coordenação. A Diretora falou, clara e calmamente, que demitiu a professora e estava apenas participando aos pais que estava tudo sobre controle. Os pais a agradeceram - claro que, em se tratando de pais e mães, isso é algo preocupante, porque existe um padrão atual de exigência consumista que beira a insensibilidade e um quê de egocentrismo que, misericórdia! Os pais pensam que escola é um produto que vende ali no mercado e que seu filho é o rei e centro do Universo, onde ninguém pode chegar perto para não contaminar... - porque perceberam o impacto das atitudes da professora numa queda de rendimento dos filhos. Interessante que a postura da Diretora Pedagógica - sou muito fã dela - foi: "Eu assumo!" e está assumindo, mesmo se recuperando de um problema de saúde - ela quebrou o pé e ainda está de moleta - e acumulou a coordenação de toda a escola, com a sala de aula! Isso é ou não é motivo para agradecer a essas profissionais por me fazerem reacender a fé de que existem pessoas profissionais competentes e comprometidas?! Isso casa com o que sempre acreditei: é preciso identificar a questão no aluno e "furar o cerco" que eles criam no ambiente escolar. Não falo de milagres ou algo similar, falo de que quando se quer, se faz, porque tem VALORES organizacionais e humanos, acima de tudo, firmes e sólidos! Isso tem refletido diretamente, ainda que em pouco tempo, no comportamento de meu filho. Ele está fazendo as atividades com mais segurança, com mais vontade. Ele, agora, foi acolhido e isso tem dado o espaço para ele crescer e florescer - sem ter que virar santo ou estátua e sem elas deixarem de nos acionar. Isso é PARCERIA. Isso é reflexo de pessoas equilibradas, competentes, qualificadas e conscientes do papel que desempenham, sabendo-se e colocando-se em cada lado para avaliar a melhor decisão!

Parabéns Tiana e Mariana! Vocês são exemplo que levo no coração! Exemplo de caráter, personalidade, competência, vocação e segurança!

Não existe perfeição - nem eu sou, nem meu filho é, nem ninguém é - mas, esforço, gente, é fundamental! Responsabilidade! Elas foram extremamente responsáveis. Não se omitiram e nem foram influenciadas pelos pais cobradores - e, olha, é de enlouquecer... eu bem vejo e escuto as exigências estapafúrdias.

Esse é o papel da escola enquanto escola, enquanto instituição de ensino. A demissão foi o último recurso e não foi leviano, ou caminho mais curto para a empresa... foi consequência de um processo onde cada um deve saber qual o seu papel e cumpri-lo. 

Isso bate com uma tese que pretendo desenvolver - e vou conseguir - sobre a qualidade dos profissionais "super qualificados" que entram no mercado de trabalho, sem alma, sem sangue nas veias. Não basta ser profissional, tem que entender que se trata de uma pessoa que trabalha! Não basta ter mestrado, doutorado ou cursos e cursos. É preciso ter, antes de tudo VOCAÇÃO. E a vocação faz com que você se canse, sim, mas tem em si motivação para refazer, para transformar!

Nós, mães e pais, precisamos ter mais CONSCIÊNCIA, também, do nosso papel e da nossa VOCAÇÃO. Não basta colocar filho no mundo, tem que se abrir para o aprendizado. Temos que entender que não é só colocar no mundo que nos tornamos mães e pais, nos construimos diariamente! Nem cobrar, nem relaxar. 

Lá, com essa equipe, vejo na prática o que também preso e vivencio: caminho do meio! 

É isso que o Mundo precisa, de um mundo de pessoas conscientes do seu papel e das consequências dos seus atos. Só assim podemos ter base sólida para construir um mundo novo, renovado!

Saudações maternais,

Pat Lins.

domingo, 4 de novembro de 2012

SOU MÃE LEOA, MAS NÃO LEOA CEGA...


Cada mãe tem seu traço pessoal... não é a maternidade uma varinha mágica que, nasce o bebê e "pluft" a mãe se torna um ser perfeito e capaz de apenas acertar.

Bom, eu sou bem o tipo mãe LEOA, mas, agrego outros bichos, também que vieram no pacote "Pat Lins" de configuração pessoal, como: águia - capaz de ver lá a frente; coruja - visão holística, capaz de ver, compreender e se virar para vários lados... e podem me chamara de lagartixa, quando grudo nele; de jacaré, quando fico apenas olhando e observando, para bem saber a hora de agir; de centopeia, onde dou conta de ir e fazer várias coisas ao mesmo tempo, como se tivesse cem pernas; borboleta, capaz de fazer um belo espetáculo de show, beleza e surpresas; sou macaca, capaz de esquecer da vida e entrar em seu mundo de fantasia e ilusão. 

Vou errar. Vou acertar. Mas, sempre admito para mim que sou capaz de ponderar e refletir. Aprendizado é isso: não saber; passar a saber; algo fazer. 


O grande problema é quando o filho é um desafio maior do que a capacidade de muitos adultos lidarem com ele. Não cobro, nem exijo que ajam com perfeição, apenas com vontade e empenho. Fico decepcionada - como já deixei claro, sou imperfeita, graças a Deus e decepção é sentimento de quem esperava algo sendo feito - por algo ter sido combinado e não foi posto em prática pela outra parte... mesmo assim, andou. Apenas uma parte falhou e isso é recuperável! Conseguimos: eu, marido, filho, família, amigos, Suely Lobo - uma loba de verdade misturada com uma "tubaroa" ágil e voraz... sorte dele ter uma psi "do bicho!" -, toda a equipe da Equoterapia (ABAE), e até os contra! Muito está sendo feito além das sugestões da escola e muito estamos alcançando - e muito não é TUDO. O que impede alguns de enxergarem esse fato é uma coisa simples - mas, difícil de lidar no ser humano mais rude e limitado - chamada: visão obtusa. Se esperar e fazer apenas de um jeito é dar murro em ponta de faca. Existem situações especiais e que exigem mais esforço - não necessariamente desprendimento de energia, apenas um pouco de boa vontade e permitir que algo seja feito por outros já ajuda - e um tiquinho de nada de flexibilidade. Bom, só que para ter flexibilidade é preciso ter uma dose de boa vontade... ou seja, o que falta e faltou BOA VONTADE. Só que para ser flexível requer segurança, domínio de si e auto controle. Requer, também, uma pequena capacidade de autogestão, onde se avaliar e ver se fez algo ou se pode fazer mais ajuda.

Não vou brigar. Não vou querer mudar o mundo mental de ninguém, mas, vou exigir justiça! Fico passada como as profissionais de uma escola tão bem preparada criam estigmas do nada, pela incrível capacidade de elucubração  em vez de ampliarem. Não entra em minha cabeça a limitação de ver o "ponto ao centro da folha em branco" e fincar o facão no pé de "jequitibáverapenasoquefalta" e passar a vida/ano letivo preso ao que se permitem ver. A resistência e não aceitação da opinião dos pais e dos dados de "cá de fora" de nada serve porque, para eles, pais e mães são cegos e filhos manipuladores vorazes a ponto de os pais serem todos bitolados em "meu filhinho é um santo". Compreendo que muitos pais e mães colaboram com essa causa ao ocuparem o tempo de contato com exigências mil e improdutivas, assim, quando surgem pais dispostos de verdade eles colocaram a barreira protetora anti-pais/mães e pronto, adeus parceria escola/pais. Detalhe: isso sim já é um velho estereótipo, quase um arquétipo. Só falta ser aceita como verdade universal irreversível. Isso me preocupa. Para mim, profissionais da área de educação devem ter vocação, tem que sair do âmago - e do útero - para surtir efeito com a habilitação e qualificação técnica profissional. Em vez disso, haja gente que não sabe-se e/ou conhece-se a ponto de ter bom senso e ver onde se adequa. Isso, sim, é um grande obstáculo.

O problema passa a existir quando esse obstáculo se encontra de frente com um Pedro Henrique... se não houver essa caracteristicazinha pessoal acoplada, integrada, natural, oriunda do DNA do profissional, empaca e vira um embate desgastante. Problema 2: quando o desgaste impera a razão evapora... os transtornos se acumulam e não se dá vazão, se carrega nas tintas a ponto de nada que Pedro, neste caso em específico faça, está a contento e não há abertura mental para receber dados atuais... a imagem recortada é que fica colada na íris e não se vê a paisagem mudando... fora que joga a tal da "culpa" em qualquer um, desde que sua não aceitação se volte, então, bingo!, vamos descontar na criança e nos pais da criança, que é mais fácil, afinal, mães leoas são tidas como descontroladas. Não vendo-se já em descontrole. Mãe leoa é problema quando é cega, quando não é, se prepare, ela sabe agir e cuidado, entra a mutação mãe jacaré e mãe coruja... ah, e outras mães, também, que seriam deselegantes em serem citadas... Mas, como existem mães leoas inteligentes e capazes de desenvolver uma linha de raciocínio focada no BOM desenvolvimento do filho - assim: eu sei e vejo quem meu filho é, inclusive o pedaço dele descrito pela escola, mas, vejo mais... fora que vejo o que ele tem em potencial e as surpresas. Pois sim, o problema 3 começa a aparecer: as reuniões ficam mais tensas, do tipo "por que usam tantas máscaras, essa equipe pedagógica?". 

Você devem perguntar: e por que deixou terminar o ano? Por conta dele. Elas não enxergam que ele gosta de lá e, tirá-lo seria um recomeço desgastante para ele, uma nova adaptação em uma nova escola... E ele tem um apoio tanto da nossa parte quanto da psi dele de como lidar com isso. Concluímos que seria melhor persistir e tentar, do tipo "dar uma chande de ver acontecer". Não aconteceu. Não dentro das limitações e exigências deles, mas, acontece um monte de outras coisas e de outro jeito. Muito tempo foi perdido por manterem a visão no "o que falta" em vez de se permitirem ver "o que tem" e, daí, desenvolver um algo mais mais direcionado. Isso incomoda. Problema 4: falha de clareza na comunicação, falta de transparência no que é comunicado - se já é um desafio e tanto lidar com a falta de clareza, imagina com a falta de transparência...? e, a própria, falha de comunicação efetiva. Problema/Solução Geral: reunião amanhã, com essa equipe e em busca de manter o foco na "solução", que é o meu objetivo geral e específico. Bom, a mãe leoa tem que trocar idéias com a mãe coruja para que o ego humano e o orgulho ferido de ser humano que não suporta ver injustiça com qualquer um, imagina quando esse qualquer um não é qualquer um é o seu filho! Minha intensão, hoje, já é apenas me focar em "o quê fazer por Pedro Henrique" e levar os dados concretos dos reflexos de sua melhora e seu desenvolvimento, além da sua relação com o aprendizado do seu jeito. 


Bom, ser mãe leoa não é o problema... os "problemas" são os seres problemáticos que deveríam se voltar a si e admitirem, bem como suas falhas - sem medo de culpa ou de ter essa falha como um fracasso... não deveríam agir assim... deveríam, sim, reunir forças e se abrirem mesmo, com gás, para fazer o melhor a cada dia! - de que não cumpriram com a parte que lhes cabia. Elas se fecharam no estigma em vez de se abrirem para as reais possibilidades e, como sempre falo, olhar mais para "o que tem" e, a partir daí, sim, ver "o que falta" e como agir. Essa troca era o que chamávamos de parceria, onde a parte mais interessada somos nós - os pais - e nós, sim, fizemos e cumprimos com cada COMBINADO e elas? A parceria, este ano, não foi firmada e muitas "culpas" jorraram e muitos medos emergiram e muito mal entendido tomou espaço e uma bola de neve começou a rolar e o freio daremos nós, amanhã, com todo amor que tenho por meu filho mas, com toda capacidade pessoal de separar "o que é" do "que não é", ao contrário do que elas vêm fazendo e recusando-se a aceitar a melhora no comportamento - penso que esperavam um milagre, que passasse de um menino agitado de uma hora para outra para um menino estático... e o gradativo perde importância, diante da imponência perigosa da bola de neve gigante. Viu, como falo, estigmatizar é um perigo... ainda mais uma mãe. Ainda mais uma mãe na prática como eu, que de perfeita tenho nada, mas de aprendiz da vida e discípula do tempo, tenho muito. É, querer jogar para os pais em vez de assumir que não houve a troca e sim lacunas abertas. Mas, como fizemos mais e além do que COMBINAMOS - como se fala, nós corremos por fora - afinal, para nós a escola é apenas uma parte da rotina do meu filho e não o todo. Uma parte de suma importância mas a sua importância é a que lhe cabe e não excede a nossa. Não se trata de guerra ou medição de forças, se trata de ver claramente que a escola está fechada e fechada num canto complicado e perigoso... como profissional - penso que esquecem que mães leoas também são mães formigas e trabalham, têm suas expertises e suas vivências - isso tudo além do pessoal - e são capazes de observar e levantar hipóteses também... ainda mais uma mãe leoa como eu que tenho experiência em educação, em Comunicação e aprendendo psicologia organizacional... e, ainda assim, reconheço minhas limitações e vejo quais são "eu me sabotando para não ir além" e sei bem quais são: fora do meu perfil, mesmo. Portanto, assim, meu empenho é na melhora de Peu. O problema 5 está aí: elas esqueceram de Peu... elas só se lembram da imagem criada e não atualizada... Outros agregados são o medo em reconhecer que fez pouco caso e preferem carregar e manter a postura de "culpa dos pais" e da "mãe leoa" e com isso, terem suas imagens titulares abaladas.


Gente, é um perigo lidar com profissionais com títulos e mais títulos e pouca capacidade, sem vocação e sem BOA VONTADE. Como me disse uma amiga, "uma coordenação boa é aquela que suja a calça de tinta e se abaixa para ver e ouvir a criança e, dali mesmo, deixa claro quem é quem e os patamares 'hierárquicos' estabelecidos no olhar" - quem me ensinou isso foi você, Natali Costa e você, Thais Ceo - com afeto sincero, apesar de se estabelecer a distância profissional, sem distanciamento. 

Nosso objetivo principal é nosso filho e seu progresso. Não estou preocupada em provar que ele está melhorando aqui e ali para ninguém, não se trata de uma sessão judicial, de um tribunal. O único crime é o do descaso, da falta de proximidade com a franqueza e do "chega junto" que tivemos ano passado, com Aninha e Dora a frente de maneira espetacular. Este ano, está difícil... apenas lá dentro, porque de fora, medidas estão sendo tomadas e parados nós não ficamos. Se fosse uma mãe leoa cega estava de braços cruzados criando um estigma diferente para meu filho em vez de vê-lo, aceitá-lo e agir. Francamente, essa novela, agora, está no final. Para mim foi um aprendizado ímpar, principalmente na questão de como me dirigir e emitir o que penso, em vez de agir como agia, de peito aberto e às claras, agora, estabeleço em mim um foco e um tempo. Não estou interessada em fazer parte desse jogo de empurra, porque eu, leoa ocupada, tenho mais o que fazer com a minha vida e tenho minha mente tranquila e cabeça erguida, fora que tenho toda a razão... não fui eu quem comeu mosca e nada fez... aliás, eu comi, porque ao escolher "persistir", elas deram um tom que, hoje, sinto que foi mais uma insistência, mesmo, no erro evidente... mas, escolhi manter e levar até o fim. 

A semana começa com muito agito e fortes emoções! Começa com reunião em prol de uma melhora e eu luto por essa melhora, sim. Luto porque eu sei que todo mundo é mais do que aparenta e que devemos ter olhos abertos e corações livres para que a mente possa agir com maior precisão. E sorte que tenho esse perfil leoa, senão, ele estaria com sérios problemas e ninguém saberia. Quem primeiro percebeu que meu filho precisava aprender a lidar com seu temperamento e suas emoções fui eu, apenas não tinha condições para custear uma psicoterapia. Ano passado, diante de um caso agravado com a perda do meu bebê - que ele chamava de "meu irmãozinho" - ele ficou mais agressivo e isso sim, fez com que mesmo sem condições, esta fosse feita. Sempre tem um momento para começar. Fui eu quem foi pedir indicação à escola de algum psi parceiro da escola e foram eles que me indicaram a pessoa/profissional certa, chamada Suely Lobo. 

Portanto, mães na prática amigas, essa semana promete fortes emoções! Leoa sabe rugir e defender bem o seu espaço... eu sei me comportar muito bem em reuniões, bem como sou mediadora nata, além de adorar resolver problemas, mas, os delas estão apenas começando quando se depararem consigo... o meu está em fase de solução porque, agora, encontramos mais um ponto, um novo caminho... estamos desenrolando o fio de ariadne - com um pouco de tentativa-e-erro, também, já que seguimos em frente. Na vida só temos o empirismo, até mesmo para se começar uma ciência. E, olha, maternidade deveria ser uma ciência... a ciência das ciências. É uma universidade intermultipluridisciplinar. 

Pois é! Pois é! Pois é... O diferente incomoda... ele está sempre mexendo. Existem diferentes que só incomodam, esse, coitados, não vêem sentido na vida e passam a incomodar o outro por não ter sentimento de vida própria... Vou parar por aqui, senão, o veneno destila e já era... Mas, não esperem por "chumbo grosso", sou inteligente e capaz demais para me permitir perder o foco e limitar minha visão. Vou exercitar o que me proponho, porque é isso que está sendo posto em prova: um processo de crescimento em prol da melhoria!


Eu sou MÃE! Uma mãe entre muitas MÃES NA PRÁTICA. Cego é quele que não vê. E profissional cego e obtuso são os que não conseguem ver por conta da cegueira da má vontade e da arrogância de se colocar acima do que se é e dos outros. Se leoa fosse cega, não era rainha da selva!

E, outra coisa, plageando Quintana: "...Elas passarão... Eu passarinho!". 

Saudações maternais,

Pat Lins.



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

SER MÃE É APRENDER... A CONSTRUIR CAMINHOS COM OS FILHOS!


Pois é, viver a cada dia é aprender. Reconhecer em si que é humano, é aprender. Dar tempo ao tempo é aprender. Ser mãe e saber qual dose certa do "quê" e "como" fazer é aprender. Para tudo isso, paciência e tempo. Para paciência e tempo: estar aberto.

Nada disse é fácil. Requer de verdade em nossos objetivos e foco.

Nesses últimos tempos estava chateada - ainda estou... não me furto ao direito de admitir minhas emoções para mim, muito menos, de permití-las serem guiadas por uma dose pesada de razão - e, segurei a onda. Tive vontade de "descer do salto". Minha sensação era de impotência diante da situação onde via meu filho sendo vítima de tamanho "descaso", na escola. Ainda não digeri muito bem o rumo que as coisas seguiram. Mesmo entendendo que o que importa é o daqui para frente, onde, finalmente, se fez o movimento de colocar as suposições em prática - única maneira de saber se era um caminho ou não... - e, assim, possibilitou a mensuração de um resultado positivo - poderia ser negativo, o que motivariam novas tentativas. Isso ainda não me desceu. Trata-se de um processo de auto conversação e um diálogo permanente de mim para comigo mesma de consciência.

Uma pessoa me sugeriu: "agradece a Deus por estar andando e rumo para frente!". Refleti, ponderei e vi que estava sendo hipócrita - humanamente hipócrita... vou amenizar para mim... pura defesa... - e deixei a raiva quase dominar. Voltei para mim e me perguntei: "qual o meu objetivo?" e me respondi: "o bom desenvolvimento de Peu". Por isso que é tão bom exercitar as coisas na prática, na hora em que acontece, vivendo, sentindo, pensando e admitindo para si suas limitações, enxergando que também é uma pessoa que tem muito a aprender - não estou dizendo "não agir". Falo em prudência, cautela e paciência, que nada mais é do que estar aberto para resolver o problema e não criar outro. É na prática, é se vendo que temos a capacidade de nos ajudar. Não foi fácil "segurar a onda". Respirei fundo, oxigenando o cérebro, trocando idéias com amigos, família e pessoas experientes que conhecem a mim, a Peu e alguns que conhecem a escola. Não queria ver o lado negativo e fechar minha visão como parte da equipe da escola estava fazendo. Também, não queria deixar a raiva e o orgulho me contaminarem. Bradei. Fiquei rouca de indignação - poderia ter o outro lado fazendo o que estivesse fazendo, eu estava ponderando e, determinei um prazo de tolerância para minha tomada de decisão, que seria tirar da escola caso nada fosse tentado. Como mãe e como pessoa, uma experiência altamente edificante. E com o estímulo de ter um saldo positivo e crescendo, que é ver, na prática, que está dando certo! Pedro voltou a render. Não do mesmo jeito que o grupo, mas, do jeito dele. Isso, para mim, é o construtivismo. Me fez aprender muito sobre a importância de uma gestão eficiente, eficaz e efetiva! E deu, acima de tudo, para entender que montar um equipe requer muito mais do que analisar curriculum. Perfil é algo de suma relevância para as funções. Olha, se as empresas bem soubessem, implantariam em suas organizações a Gestão por Competência. Não é demitir, é avaliar o que tem e redesenhar o quadro e relocar os colaboradores. Deixa esse papo organizacional para lá. Ele apenas ilustra que uma escola também é uma empresa e que tudo está interligado e interfere em tudo, bem como diz a teoria do caos - o efeito borboleta.

Bom, o saldo positivo está em minha postura, também. Compreender que errar é humano - bandeira que sempre levanto e estava agindo contrariamente - e que o reconhecimento desse erro só é efetivo quando se há redenção, ou, correção da falha com o que deve ser feito! O fato d´eu ainda estar doída me tendencia a dar uma alfinetadas... Já identifiquei isso em mim e vou me questionando, diluindo essas emoções pequenas e que não ajudam em nada. Mãe aprende o tempo inteiro e com tudo. Humildade em aceitar e seguir não é ofensa, nem "humilhação", é foco no resultado. O "se" não tivesse dado certo eu fecho com um verbo no futuro do pretérito: "teria trocado de escola". Reconhecer o que importa é que importa. Isso ainda não está fechadinho e redondinho em mim, ainda estou em processo de internalização e assimilação. Um passo de cada vez. Sou humana.

Outro saldo positivo é que Peu está tendo uma outra relação com a coordenadora pedagógica e com a psi da escola. Ele sempre se referia a ambas com certa raiva e sem carinho. Diferente de como se referia a professora e a ajudante, que sempre falou com carinho e deixava claro o quanto gostava delas. Hoje, antes de ir para a escola, ele pediu para levar uns "balões" - bola de soprar, bexiga ou bola de festa - para algumas pessoas. Fez uma listinha e incluiu, pela primeira vez, o nome delas. Aquilo me chamou a atenção. Nesta semana, ele tem falado mais delas com "carinho". Ou seja, algo mudou mesmo lá. Isso, para mim, é uma lição de vida. Carinho não é algo que se imponha de uma hora para outra, mas, quando há um movimento sincero, ele desperta de uma hora para outra. Eu acredito nisso. Eu perguntei: "você gosta delas?" Antes, ele desconversava. Hoje, ele sorriu e afirmou: "Gosto. Agora elas são minhas amigas, também!". Ele se refere às pessoas que ele gosta como "amigas". Raramente ele trata um adulto como superior a ele... Ele chama de tia e avó apenas as pessoas da família. E chama as pessoas em geral de "senhor", "senhora", "senhorita", "senhorito" ou, pelo nome direto. Isso sempre me soou intrigante, porque eu falo: "vai falar com a tia, Peu" ou "dá um beijo na tia"... 

Enfim, vi que preciso acreditar de verdade na melhora do ser humano. Que todo mundo merece uma chance de se reajustar. Se alguém afirmar: "Ah, eu não tenho essa capacidade, não. Que nada! Eu já teria retirado...". Eu sugiro que repense. Raiva obstrui nossa visão. Manter-se calmo não é deixar de ver e de pensar em alternativas, mas, é manter o foco. Isso não impede que as outras emoções assumam seu posto. Afinal, somos ou não humanos? Não é fácil para meu lado afetado pela raiva, vaidade e orgulho aceitar essa minha maneira de ser e agir. Eles sentem prazer em dificultar. Mas, quando temos um objetivo, é bom lembrar a si: "o que eu quero mesmo?", "qual o meu REAL objetivo?". 

Peu está num ambiente que ele gosta, na escola que sonhávamos em colocá-lo. Muita coisa deu errado este ano. Ano passado foi difícil, mas, juntas, agimos, pensamos, fizemos e alguns bons furtos foram colhidos. Pesar na balança é ter que lidar com todas essas informações e comigo: "como eu me sinto diante dessas pessoas?" em contrapartida: "o que devo fazer para deixar em mim acesso livre para as virtudes e para a oportunidade de crescimento?". Amanhã posso chegar aqui e desabafar outras dores de mãe. Depois, desabafo o que concluí. Tudo se trata de um processo. Não existe a dose certa, na hora certa. Existe um caminho a ser construído.

Ser mãe é descobrir que desafios nos testam e devemos nos permitir solucionar de maneira holística - vendo o todo e todas as partes envolvidas, bem como suas interligações. 

Meu coração se apazigua, a cada dia. Isso é implantar, na prática, os conceitos de eficiência, eficácia e efetividade. 

Isso é aprender que em toda crise, algo bom pode emergir se estivermos abertos! Tudo está dando certo. Caso desande, vamos lá, o que podemos fazer?

Mãe tem que crescer e ser mais do que uma simples parte passional. Ser mãe é na prática! Ser mãe é se lançar de peito aberto! Ser mãe é aprender a ser grata. Um dia isso entrará em mim... Obrigada a cada dia por cada nova lição!!!

Saudações maternais,

Pat Lins.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

MÃE NA DOSE CERTA (?)


Eu gostaria de saber se existe mãe "na dose certa".

Nem sempre acertaremos, mas, tentar é um rumo. Reconhecer o que deu certo e manter. O que não deu: refazer, reavaliar, recomeçar!

Ser mãe é ser administradora holística - gosto de lembrar que holístico significa totalidade. Considerar o todo levando em consideração as partes e suas inter-relações - e desenvolver essa capacidade na medida exata é o maior desafio. 

Somos estigmatizadas como "leoas", "corujas", "feras", "cegas", "super protetoras"... e nós mesmas alimentamos esses estigmas. Como? Sendo "leoas", "corujas", "feras", "cegas", "super protetoras"... Podemos lidar com isso de maneira melhor. Podemos observar quando "ver demais" cega nosso bom senso ou quando "ver pouco" nos faz querer ver o que não existe de fato. Entender que conhecemos bem nossos filhos quer dizer que "até aqui, tudo que ele me mostrou eu sei como ele é". Mas, ele pode e é mais do que mostra e do que somos capazes de ver. Tanto "mais" para mais, como "mais", para menos...

Eu sempre me "gabei" por "saber" quem meu filho é: uma criança capaz de tudo! Mesmo assim, me peguei exclamando: "não acredito!". 

Existe um momento onde interagimos com o que interage com nossos pequenos. Chega uma hora que a interação sincera é diminuída pelo estigma. Não me veem; nem veem meu filho... veem a imagem de "mãe" como ser problemático e insatisfeito, que só pensa em seu lado e do "filho" como criança problema, da mãe que não o vê como é. 

Lidar com os estigmas é que se torna problema. Somos humanos e, mesmo nas relações profissionais, são as emoções humanas que estão presente. A razão tenta colocar uma ordem. Nesses momentos, o que "é" fica relegado ao que pensam "que vem sendo" e, se quem estiver no comando perder o rumo... tudo desanda. E a criança sofre as consequências. 

Ser presente demais na escola remete a desconfiança, quando, na verdade, era a mãe parceira dizendo: "conte comigo, estou aqui, mesmo!". Em meu caso, soou como a maioria das mães que só está lá para "criar caso". Bom, toda mãe que está presente é chata. Toda mãe ausente é negligente. Qual a dose certa? Me limitei a entrar e sair, sem emitir mais comentários. Eu, Patricia, não sei ser pela metade, sou inteira onde estiver. Sou eu como sou. Raramente "estou", geralmente, "sou". Minha cegueira é a preocupação em ver o progresso do meu filho e no que posso ajudar. Nunca quis ser invasiva, mas, devo ter sido... Enfim, me questiono: existe "mãe na dose certa"?

Se existe, quem determinou os critérios e parâmetros? Como medir? Quem mede? 

Mãe na dose certa é o que cada uma consegue ser. Quando percebi que estava sendo invasiva, como atitude de redenção, dei espaço. E a verdade emerge do tempo e espaço respeitados. Emergiu! Onde estava o erro ficou evidente. A solução, na hora certa, em tempo, surgiu. Tive que lidar com minha dose de orgulho em querer escutar um feedback positivo. Na escola, toda vez que Peu "errava", me ligavam. Reuniões para dar feedback negativo eram marcadas. Para mim, fazem parte e tinham uma intenção reguladora. Mas, não entendo porque o ser humano só gosta de reforçar os aspectos negativos. Por que quando se consegue alcançar um resultado positivo, esse retorno não é dado com a mesma presteza? Não merece atenção? Não tem importância? Me recordo de um colega que afirmou que suas lembranças da escola são dos dias em que sempre chamavam a atenção dele para as notas baixas e nunca recebeu elogios pelas altas... Talvez elogiar as altas e dizer: "o que podemos fazer para melhorar as outras?" estimulasse uma mudança positiva no quadro. Mas, não. Segundo ele, as notas boas eram tidas como "isso não importa. O que importa são as que você não atingiu a média". Aí, uma mãe vai e questiona essa atitude - não digo gritar, derrubar o mundo... mas, conversar - e sai como "chata", onde "só mãe mesmo... elas não entendem que atrapalham mais os filhos do que pensam". 

Não sabia que teria esse tipo de pensamento um dia. Precisou a escola de Peu - aliás, parte da equipe da escola de Peu, porque justiça seja feita, há uma outra parte que entrou para dar a diretriz e somar, restabelecendo uma parceria quebrada por essa parte da equipe, que além de não somar, conseguiu diminuir o que já havia avançado - pisar na bola para eu poder ver mais dele. Eu que "conhecia" meu filho, e, por saber que ele era muito "teimoso, desobediente e etc", sempre recebia as queixas como "legítimas", afinal era como o via, também. Hoje, vejo que a mesma mãe que ajuda, também atrapalha. Por ficar bitolada na imagem estigmatizada, não via o descaso se instalando. Apenas uma sensação... Mas, um alarme soou em mim: "tem algo errado ali". Não queria levantar culpados, queria ver como acertar lá, do mesmo jeito que estamos acertando em outros ambientes. Não era o mesmo objetivo. 

Enfim, tenho aprendido muito a ponderar. Dói ver que nosso filho foi subjugado e estava desprotegido. Isso explicava certas atitudes dele em não querer estar naquele lugar com algumas daquelas pessoas. Deu tempo de ver a tempo e de agir remediando. Voltou a andar e de uma maneira nova. Um novo Pedro surge. Um novo e ainda mais lindo Pedro cresce! Vi que nosso elo precisa estar cada vez mais unido no sentimento maior e mais lindo, o único capaz de remediar e dar seguimento em qualquer situação: o amor! Estamos mais unidos. Sei que ele é capaz de aprontar. Sei que ele é capaz de não aprontar. Sei que ele é capaz e muito capaz. Sei que mãe não tem que se doer, tem que agir com bom senso. Uma coisa eu sei: a gente é passional demais. Mas, por um lado, isso é bom. Por outro, excede na dose. Não exijo de ninguém a responsabilidade que é minha. Sei o grau de dificuldade e desafio que é educar uma criança mega inteligente e mega questionador e testador de limites, como meu filho. Mesmo assim, estou encontrando um caminho de refletir e deixar a dor do orgulho ferido se diluir e aproveitar o que andou para frente. Fico atenta. Não sei ser na dose certa. Nem sei que dose é essa. Faço assim: vou trocando idéias, que acalmam meu coração e clareiam a mente e me guiam para as soluções. Decisões à vista! Mais um tempinho e o ano termina. Ano que chega... Penso em manter, afinal houve tanto empenho para corrigir. O orgulho só atrapalha. Se o saldo é positivo, é daqui para a frente. O que passou, deve ficar lá atrás, como lição - para ambas as parte! Eu penso assim. Estou quase sentindo assim. Já, já, agirei assim. O resto, eu não sei. Mas, da minha parte, farei o que for possível, como sempre: sempre presente, na dose Pat Lins, mãe de Pedro, de ser!

Pedro, sua mãe está aqui, ao seu lado, sempre! Estigmatizada ou não. 

Mãe na dose certa deve ser assim... tentativa e erro. Acertando. Errando querendo acertar. Consertando quando vê que errou. Seguindo. Meu erro, desta vez, foi não ter sido mais enfática antes. Mas, a hora certa chegou. É o que importa, no final das contas! Eles estão consertando, também. Cada um com seu quinhão de responsabilidade. E a consciência de quem fica? Não sei... não tenho feedback... Não sei porque as pessoas têm tanto medo de feedback positivo. Só reforçam o negativo! Desisti de marcar uma reunião, na escola, por medo da reação dos egos envolvidos e de ser tachada de "chata", por não ser grata ao que já está em andamento. E haja exercício de compreensão. Eu estou aprendendo. O resto? Sei não. Cada um sabe o seu caminho. É, a escola dos nossos filhos nos ensinam grandes lições, também, nem que seja por caminhos tortuosos como este vinha sendo! Enfim, a prova de que todo mundo tem um bom potencial a ser desenvolvido e merece é oportunidade e boa vontade de se tentar algo novo e diferente. Quem carrega a arrogância de se achar no topo faz isso, leva alguém para o buraco para justificar sua necessidade de provar que seu erro estava certo. Graças a Deus, uma alma iluminada salvou meu filho desse ambiente. E a essa mulher serei eternamente grata!

Mãe na dose certa deve ser isso, no final, avaliar a agradecer pelo saldo positivo, sem fazer barraco... na classe! Em meu caso, depois de bradar e me debater de raiva, agir com ponderação e maturidade. É, com balanço eu encontro a minha dose certa!

Maternidade é empirismo, não ciência exata! A gente aprende à medida que faz!!!

Saudações maternais,

Pat Lins.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

QUEM MEU FILHO É (?)

PARA CONSTRUIRMOS UM MUNDO MELHOR, SEJAMOS PESSOAS MELHORES! Pat Lins

Ser mãe é descobrir que, mesmo que a gente acredite conhecer 100% nossa cria, eles nos surpreendem nos faz lembrar: "eu não conheço a mim mesma 100%, vou ter a presunção de acreditar que sei exatamente quem meu filho é?". 

Pois é, o bom exercício é esse, o desafio diário de se redescobrir e de enxergar que nossos pequenos também se redescobrem.

Estou florescendo com Pedrinho e isso me tem sido muito gratificante. Ainda não sei lidar com as pessoas que não sabem lidar com isso, mas, uma coisa de cada vez. 

Pedro tem me mostrado que se eu mantiver o que acredito em coerência, ele sente e agradece pelo apoio. E seu eu investir em acreditar no potencial dele, ele pode ir muito mais e se tornar cada dia mais uma pessoa melhor. 

Para tanto, pondero meus julgamentos e tento ser justa: vejo o que acontece, reflito, observo de novo, avalio, levanto uns diagnosticozinhos, troco uma idéias com pessoas de confiança - leia-se, pessoas ponderadas, que se trabalham, se cuidam como ser humano, se reconhecem falhas e nunca deixam de tentar acertar... - e vou elaborando meus pequenos planos de ações. E, quando mensuro e vejo saldo positivo, constato nosso sucesso! Nossas falhas, não são meros fracassos, são algo novo, de novo, para serem observados e dão início a um novo processo novo de tentativa e erro. 

E assim vamos crescendo, juntos e de mãos dadas! Criança não tem a experiência de vida que temos - em tese... -, mesmo assim, trazem em si uma combinação única de "quem" e "como" são que, aliado ao "que" e "como" somos e agimos, podem se tornar melhor ou pior... Eles, também, nos dizem: "Veja como eu sou. Não julgue. Haja! Me veja, me aceite e me ajude a ser uma pessoa melhor, através de quem e como funciono.". Não adianta querer forçar que ele seja como eu quero que ele seja... Isso é falta de respeito a si e ao outro e não é uma boa base de sustentação moral.

Com todos os problemas que passamos na escola dele, este ano, pude exercer minha experiência profissional, todo expertise que tenho, para observar e identificar que havia um problema real e investigar a melhor solução. Contei e conto com a ajuda profissional e humana de Suely Lôbo, uma psicóloga competente: vocacionada, com conhecimento, habilidade e atitude - isso faz uma grande diferença...-, da minha família, do meu marido, de alguns amigos mais do que especiais - e experientes - e conseguimos, todos, juntos, perceber onde estava "furado", escoando parte do nosso trabalho com Pedrinho... Eis que percebemos que a falha estava: na dupla coordenação pedagógica e psicóloga da escola. Como por milagre, quando a Diretora voltou da licença maternidade, as coisas começaram a andar... Já relatei aqui que Peu não é TDAH, nem DDA... mesmo, assim, ele é diferente. Ele é muito ansioso e requer um pulso firme, muito firme, porém, coerente. É como se ele estivesse aqui para "por em xeque" nossas investidas e nos fazer refletir na prática se nossas ações são coerentes com algum sentido real e mais nobre. Não é tão fácil lidar com o grau de inteligência dele, muito menos, com sua capacidade de pensar rápido e linkar tudo, sempre com um argumento fechado e fechando, muito bem elaborado. Mas, é simples: amor, firmeza e coerência, mantendo-se assim. Ele mede quem cansa primeiro: você ou ele. Quem cansar, perde. Só que nesse jogo dele, sendo ele uma criança, se um adulto perde, a criança também perde... E foi o que aconteceu na escola. Nessa "medida de forças", essa dupla perdeu e cansou e ele, foi vítima dessa perda. Como assim? A psicóloga dele sugeriu, bem como a professora do grupo mais avançado, que se fizessem atividades diferenciadas para ele, dando mais desafios. Era uma certeza? Não. Seria uma tentativa. Melhor do que não fazer nada... e nem fazer qualquer coisa, elas tiveram uma base de referência para pensarem assim: Pedro, como ele é e o que ele demanda. Pois, elas - a dupla nada dinâmica de coordenadora pedagógica e psicóloga da escola - focaram tanto no mau comportamento em sala de aula que nunca pararam para ver quem ele é e o que demandava. Pior, não levaram em consideração às sugestões. Sem pulso e com uma linha de pensamentos restritivas e comprometedoras, elas atrapalharam todo o processo. Faz duas semanas que Pedro tem melhorado em sala de aula, desde que puseram em prática as atividades diferenciadas. Para mim era meio óbvio, mas, quando eu falava, era vista como "mãe protetora"... de que deveriam trabalhar a base subjetiva de Peu, o individual e levá-lo ao grupo aos poucos. A não ser que seja formação e produção em massa, o ponto inicial é o indivíduo, bem firmado, naturalmente, ele vai perceber o coletivo. 

Como mágica, ao colocarem em prática, tudo melhorou! Precisou passar 1 semestre e meio para verem isso? Coisa que batemos desde o início do ano? Sabe um índice que levo muito em consideração? Os colegas de Peu. Eu chegava lá e todo dia eles corriam: "Tia, Peu fez isso...", "Tia, Peu fez aquilo...". Há um tempão que eles não dizem nada, apenas correm e me abraçam, dizendo: "chegou a mãe de Peu". Ontem, um coleguinha que formava a dupla do terror na sala, me disse: "Tia, seu filho está se comportando tão bem...". Parece que ele não estava satisfeito... 

Me pergunto? Custou muito acreditar na parceria que estabeleci com a escola - e, sendo justa, ano passado funcionou. Este ano teve o agravante da Diretora estar em licença maternidade e a dupla que ela contratou não deu conta de lidar com as diferenças... - e pensei em tirá-lo no início deste semestre. Me dei um prazo, vi que a Diretora estava disposta, vi o empenho da pró dele e a da turma 6 e vi que ele estava em boas mãos, agora. Confiei. Relutante e revoltada, mas, confiei em quem confiava. Continuo a não confiar na dupla nada dinâmica... e isso pesa em meus processo de manter ou não no ano que vem... Hoje, Pedro rende e desenvolve muito do seu potencial. 

Eu desenvolvo milhares de coisas para manter minha coerência - e uma delas é não dar mais abertura, nem ouvidos a quem não sabe do processo e não tem a capacidade para ajudar, atrapalhando, por demandar atenção para suas carências mal trabalhadas... - e fortalecer a base de confiança entre eu e  meu filho. Sempre de maneira honesta e muito clara. Sempre com muito amor. E, amor, gente, é negar e frear, sim. é estabelecer bons limites, sim. É dizer "não", sabendo o que está fazendo e deixar quem quer falar que fale, eu apenas faço o que posso e mais um pouquinho, porque se eu perceber que posso ir um pouco mais, eu vou, nem que seja me arrastando, porque as forças vitais são comprometidas, sim. Cansa, sim. Mas, revigora-se e segue! Dentre tudo que eu e Peu fazemos, em todos os campos ele melhorou e se firma como uma pessoa melhor, mais consciente de suas ações. Isso é lindo de ver! Eu educo um ser humano, partindo de uma mãe que é humana e quer ser uma pessoa melhor. E se eu via que algo estava errado na escola, não deixei barato. Me desdobrei e superamos muito mais. E está dando certo. Contei com as pessoas certas e uma atmosfera mais favorável surgiu. Não basta ser inteligente, tem que desenvolver essa inteligência. E Pedro estava sendo relegado pela dupla que não sabia o que fazer com ele, não pedia ajuda e desconsiderava tudo que era proposto como solução. Acreditar que estou fazendo e seguindo no caminho certo me manteve firme e coerente e estava disposta tirá-lo da escola. Já havia visto duas para colocar e nunca escondi isso. Estava tão evidente e seguro isso em mim, que não ia brigar com a escola, nem com essa dupla, eu tentei e confiei, elas não deram conta, mostraram que não fazem parte da corrente forte que a escola havia firmado desde o ano passado. Elas destoam. E a mudança para melhor que hoje se instalou não  foi por mérito ou empenho delas, veio de cima. Aquela história, se puder falar direto com Deus, não exite! O empenho delas foi o demérito e a prova de que não têm a competência - leia-se competência como a soma de conhecimento+habilidade+atitude, elas podem ser bem qualificadas e possuírem o conhecimento teórico, mas, na prática a teoria tem peso, variação, outras variáveis, risco, o desconhecido que nunca havia sido identificado e uma gama de coisas que a titulação acadêmica não nos dá - para lidar com as diferenças. Quando se trata de uma doença, de uma criança com limitações patológicas, no sentido de alguma restrição mesmo, tem-se o sentimento de "pena" e o entender que não depende da criança, pois, vê-se que ela traz uma demanda limitada. Mas, quando se trata de um desafio comportamental, raramente alguém entende que o saber lidar passa por saber lidar consigo, antes de tudo. Lidar com as diferenças no remete o tempo inteiro a nós mesmos e a nossas falhas. Ninguém gosta de ser lembrado que é humano e que tem limites, não entendo o porquê...

Pois bem, meu filho é quem ele é, diferente e, só olhando e vendo essa diferença, que ele requer muito mais de verdade nas ações, muito mais de questionamento, é que alguém pode estabelecer um bom contato com ele. Pedro tem algo de muito bom que é mexer com o que há de mais escondido no outro. Aquilo que não queremos ver, ele nos mostra. Ele vai no ponto, certinho. Isso é ser diferente. Esse é Pedro. E Pedro é uma criança que requer adultos firmes ao seu redor. Elas, lógico, merecem uma chance e devem se dar essa chance, porque apenas elas podem se ajudar. 

Saudações maternais,

Pat Lins.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

SER DIFERENTE NÃO É DOENÇA

Hoje em dia, vejo que ser diferente pode ser um problema, ou, uma solução... depende de como agimos.

Pedro tem me ensinado muito a ser uma pessoa melhor. O desafio diário de lidar com ele pode cansar, muitas e muitas vezes, mas, vê-lo crescer e mudar me lembra que é para isso que estamos aqui, para nos tornarmos pessoas melhores, não igual a todo mundo, nem um diferente do tipo "perigoso", mas, diferente do tipo "autêntico", "feliz". Lógico que tenho que lidar com um comportamento desafiador full time. Não tem refresco. Mas, entendi uma coisa: não adianta falar qualquer coisa, tem que fazer sentido. 

Pedro me ensinou a vê-lo como é e entender que diferença não é doença. Engraçado que, como já falei outras vezes, me voltava muito para buscar um enquadramento patológico para ele, para, "achando" eu, saber lidar com ele. Para mim, essa agitação dele era doença e precisava de remédio. Existem problemas patológicos, sim, não estou aqui dizendo que essas doenças não existem e sei que identificá-las o quanto antes, melhor a eficácia do tratamento. O meu "não saber lidar com Peu" é que procurava um remédio para "normatizá-lo". 

O coloquei numa escola com metodologia diferenciada, o que entendi é que nada adianta uma boa proposta se na estrutura real pode se perder quando algumas partes da equipe não tiverem o perfil vocacional. Pode-se ter a melhor qualificação, se faltar alma, nem adianta, cai na mesmice das escolas "tradicionais". É como sempre cito a frase da Morgana Gazel: "fazer diferente exige muito mais que contradizer". O diferente requer vontade, dedicação e disposição - e isso só parte quando o profissional lembra que é pessoa, antes de tudo e mais nada, e essa pessoa sabe que tem essas características dentro dela. Todos nós temos, só que muitos nem sabemos... - além de uma visão holística - visão do todo. Ah, o mais importante: não dá para ficar no discurso e no "obrigada, pela parceria". Onde está a parceria? Não tem o que me agradecer por ser presente, aberta e participativa, eu sou assim e minha relação com meu filho é assim. Eu sei que escola alguma faz milagre e nenhuma tem a obrigação de saber lidar com o "diferente", mas, desde que não use em suas visões e missões, em sua cultura organizacional - sim, uma escola é uma organização e sim, é necessário capital para investir, sustentar e manter o diferente, porque é mais caro, não se produz em série... mas, a vocação não depende dessa verba, ela é nata - a afirmação do tipo: "aqui, temos uma proposta voltada para as características individuais" e agir pelas características grupais. Não estou aqui me isentando da minha responsabilidade de mãe, muito menos, delegando para a escola a educação do meu filho, mas, esperava na educação acadêmica mais parceira como tivemos no ano anterior, com Aninha a frente e sua competência magistral. Este ano, a equipe me parece estar desfalcada no quesito vocação e se a direção não estiver no comando, o barco fica a deriva... No último semestre, Pedro se mostrou estagnado no aprendizado, por conta do seu comportamento em sala, de não participar no mesmo ritmo que o grupo - e quando falo em problemas comportamentais dele, falo de atitudes agressivas e de só querer fazer  que quer. Cheguei a acreditar que ele fosse TDAH ou algo similar. Mas, a psi dele já entendeu o modus operandi dele, assim como eu já o havia visto, a diferença é que ela usa termos técnicos e tem um entendimento científico da situação. Ainda assim, ele se aproxima de hipóteses bem prováveis de distúrbio de ansiedade. Não se trata de um diagnóstico fechado, mas, de uma característica muito visível nele. Assim, adaptamos - eu, o pai e parte da família, bem como com o apoio da psi dele e da pró - um modus vivendi onde entramos no mundo dele e buscamos compreender como acessá-lo, desenvolvendo estratégias que não entrem em choque, mas, apazigúem, sem deixar de ser firme, para ele entender quem está no "comando", afinal, por mais que ele seja um indivíduo, ele é uma criança. Para nossa grata descoberta, o caminho é árduo, por ser cansativo, simples, é... porém, nada fácil: amor, firmeza, coerência e franqueza. Trata-se de uma educação a longo prazo. Só que, quem disse que para quem busca resultado imediato e um indicador de "ele já melhorou muito" serve? Há quem queira mágica e resultado imediato. Foi aí que vi que a proposta inicial da escola de "não produzir indivíduos em série" cai no sistema "normótico"... Ainda acredito na escola, mas, em parte da equipe, não. Dá para ver a diferença e onde está o "problema".

Para Pedro, deve fazer sentido. Para ele parar, deve-se haver um entendimento. Para ele entender é fácil, firmeza, franqueza e coerência. Fora que ele tem o "time" - tempo - dele. Isso deve ou não ser respeitado numa escola que afirma lidar com as características diferentes e individuais? "Ah, mas, ele não produz junto com o grupo...". E, aí, queimar etapas? Eu penso que deveriam trabalhar, antes, essa questão individual e trazê-lo para a compreensão do social. Estamos pagando uma estagiária para fazer intervenções psicológicas nele, na sala. Ela é bastante comprometida, só que, quem está acima dela parece não dar o apoio necessário. Eu não sei... eu sinto que há algo muito falho aí. Não quero milagre e bem sei como cansa lidar com os questionamentos e a maneira de agir de Peu, ele tem uma inteligência acima da média e uma curiosidade elevadíssima, fora que uma agitação desgastantes para quem o acompanha. Isso nunca me fez cruzar os braços e dizer: "ele é assim, deixa aí". Pelo contrário, precisei ver que ele é assim para, justamente, lidar com ele. Tudo bem, é óbvio que com ele somos eu e ele, um para um. Na escola, a professora tem mais 24. Ainda assim, vejo que ela dá conta, só precisa de apoio. Com a estagiária, esse apoio in loco se faz presente, para "conter" o comportamento dele. Não é só isso... a parceria quebra quando sobe a hierarquia... E todo empenho desce ralo abaixo.

Morgana Gazel traz outra frase - em seu livro "Enseada do Segredo", pela Paco Editorial - que me faz entender onde a parte da equipe da escola ainda não consegue acessar o "Fabuloso Mundo de Peu", e a frase diz: Ignorar não é não saber; há um saber além do conhecimento obtido através da razão”. 

Pois é, o meu desafio agora é saber o que fazer com relação à escola... insistir, persistir ou desistir? Confio na professora, confio na diretora, confio na professora do grupo mais avançado, mas, não confio na dupla: coordenadora pedagógica e psicóloga da escola... O método construtivista, posta em prática, para mim, requer mais do que qualificação acadêmica e técnica, requer preparo de vida... Há um problema aí e a solução, para mim, não era desistir, e sim, persistir. Ano passado a gente firmou - era outra equipe - e deu certo. Com todo trabalho - que já era esperado - e funcionou em algumas coisas. Este ano, desde que começou, só vi piorar e Pedro melhora aqui fora... pensei: "se ele já melhorou seu comportamento aqui fora, na escola é questão de tempo". Não sei que tempo vem a ser esse, sei que o cronológico passou e muita gente ali comeu mosca por não saber como agir com o diferente que é o propósito da escola... o público dessa escola é esse público diferente, sem ser portador de deficiência - no sentido patológico. Eles alegam que não trabalham a inclusão por não trabalharem a exclusão. Há um limite para criança portadoras de deficiência... até aí, tudo bem, é a filosofia da escola e é algo que deve ser respeitado, afinal, requer uma estrutura mais bem preparada e que vai requerer mais investimento... E quanto ao diferente?

Não penso que exista uma escola que vá trabalhar o milagre, vou em busca de uma onde os profissionais saibam o seu papel e saibam que o seu papel está além do papel de um diploma, seja lá de qual titulação for. O papel real cansa, desgasta e a pessoa precisa refletir: para o bom funcionamento do meu profissional, tenho que ser uma pessoa preparada! Hoje em dia é muito fácil entrar num Mestrado e sair apenas com o título. E a vivência? E a experiência? E o pessoal?

Pois é, Peu, mexeu fundo em gente grande e com títulos maiores ainda... Gosto muito da escola, da professora, até do porteiro. Todos são comprometidos e competentes. Essa dupla nada dinâmica de coordenação pedagógica e psicóloga me deram a resposta que procurava: onde está o problema? É uma hipótese muito mais próxima do bem provável...

A escolha da escola ideal é saber ver o limite de ação dela, sem deixar de reconhecer todo o mérito que ela tem, sim. Entender que existem coisas que se baseiam em valores que não combinam com o da instituição é que confunde e fica a pergunta: o que faz lá? Se estão ali, estão ali. O que vejo é uma relação desgastada e ego ferido... como não sou perita no assunto, muito menos psicóloga, só suponho... Como pessoa, antes de tudo e como mãe, nesse meio tempo, preciso dosar razão e emoção para tomar minha mais sensata decisão. Nem pisquei quando pensei em matriculá-lo lá, mas, penso em tirá-lo... isso é bom. Consciência e abertura de visão fazem parte, afinal, não se trata de querer que me agrade ou supere minhas expectativas. Eu sei bem quem e como age o meu pequeno, portanto, não sou o tipo de mãe que acha que o filho é um santo... mas, sei que o meu também não é o demônio. E nem penso que só existam esses dois lados. Eu vejo o meu filho como um ser humano. E lido com essa realidade. Por isso, não esperava milagre da escola, nem obrigação em se comprometer... Deixei clara a minha postura e se eles estavam dispostos a dar continuidade, no que me garantiram que "sim!". Entretanto, se há uma política organizacional, onde está a prática dela? Onde está a coerência com as belas palavras? Na prática, a teoria é outra? Creio que essas novas profissionais - porque elas fazem parte do quadro há pouco tempo... creio que menos de 4 anos - não se deixaram atravessar pela missão, visão e valores da instituição... 

Em toda parceria existe a parte mais interessada - neste caso, eu - e esta parte precisa estar aberta e ligada, administrando tudo. Decidir faz parte. Mas, ser injusta, nunca!

Saudações maternais,

Pat Lins.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

QUAL A ESCOLA IDEAL? (parte 5 de 5) - SUPERINTERESSANTE

A escola ideal:
Criar um vencedor a qualquer custo ou um cidadão ético? Qual é o melhor sistema de ensino para seus filhos?
por Roberto Guimarães

Uma revolução silenciosa está em curso nas salas de aula do Brasil. Não se trata de uma retomada do movimento estudantil, para celebrar a chegada da geração 68 ao poder. Se a luta do “companheiro” José Dirceu era contra a ditadura militar, a nova batalha é pela transformação da escola. Uma revolução ainda mais complexa, pois traz implicações culturais profundas e duradouras. Espelho e reflexo do mundo, a escola sabe que precisa se adaptar à nova realidade da sociedade da informação, na qual o conteúdo está ao alcance de um clique de mouse e a dificuldade de concentração dos jovens é crescente. Um mundo de incertezas, com profissões cada vez mais voláteis, no qual o fantasma do desemprego é responsável por noites insones e crises de depressão. Hoje, o simples acúmulo de conhecimentos não é garantia de sucesso profissional. É preciso saber lidar com a informação, para construir uma visão crítica da realidade e desenvolver habilidade para a reciclagem permanente.

Educar para o mercado ou educar para a vida? Afinal, qual o papel da escola no século 21?

Em sintonia com os novos tempos, o governo Fernando Henrique Cardoso editou a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em dezembro de 1996. O documento, talvez a mais importante realização da gestão do então ministro Paulo Renato Souza (leia artigo na página 14), confere maior autonomia às escolas. Sob o conceito que a educação escolar deve se vincular “ao mundo do trabalho e à prática social”, a LDB traz modificações profundas. A principal delas é a própria definição de conteúdo. “Antes, o conteúdo era o programa. Com a nova LDB, os conteúdos têm face tripla: competências, habilidades e atitudes”, afirma Sônia Bittencourt, 53 anos, diretora pedagógica do Colégio Porto Seguro, uma das escolas mais tradicionais de São Paulo, que completa 125 anos no próximo dia 20 de setembro. “É competente quem sabe aprender. A escola deve ensinar o aluno a buscar a informação.

A habilidade está relacionada ao fazer, que significa utilizar os conceitos e as competências adquiridas. E a atitude é apren- der a ser, a conviver”, diz Sônia. Saber, fazer e ser: eis a tríade que deve nortear a formação do aluno na escola contemporânea.

Se o discurso está afiado, sua prática é complexa. “A escola está saindo de um conceito de educação a caminho de outro modelo. Mas nem adianta querer voltar atrás, pois esse movimento não tem retorno”, afirma Mirza Laranja, 39 anos, diretora pedagógica do Colégio Augusto Laranja. O novo gera perda de controle e, como todo processo de mudança, causa insegurança. “Na verdade, a luta é muito mais pela transformação de valores dos pais que dos alunos”, diz Alejandro Gabriel Miguelez, 28 anos, professor de português do Colégio Santa Cruz. De fato, a aula expositiva com giz e quadro-negro, na qual o professor é o todo-poderoso que detém o conhecimento, está com seus dias contados. E é natural que os pais tenham dificuldade em compreender a nova realidade do ensino, afinal a escola deles era muito diferente, não só na dinâmica de aula – marcada pela passividade em relação aos conteúdos –, como na própria relação de poder e afeto com o “mestre”.

A democratização do acesso à informação promoveu o redimensionamento do poder na relação aluno-professor. Se antes o conteúdo era despejado de cima para baixo, num exemplo de hierarquia tipicamente vertical, o novo paradigma exige a troca de experiências, baseada numa relação mais horizontal. O “professor-sabe-tudo” faz parte do passado. Tomemos um exemplo prático. Digamos que o assunto da aula de história seja a Guerra de Canudos. Ao digitar essas palavras no Google, ferramenta de busca mais popular da internet, descobre-se que há quase 7 mil páginas sobre o tema!!! Como lidar com essa nova realidade? Como preparar os alunos para ter capacidade de discernimento, para avaliar criticamente esse inesgotável universo de informações, muitas vezes conflitantes? “O momento de passar a informação é de menor valia na sala de aula; o fundamental é ir além disso”, afirma Mirza, para quem a autoridade do professor decorre da qualidade da aula, e do seu relacionamento com os alunos.

O desafio da educação é complexo e depende, sobretudo, da capacidade do professor se (re)adaptar à nova realidade. Uma piadinha que circula entre pedagogos resume o antimodelo de educador: quando um professor se vangloria de ter 30 anos de experiência, normalmente ele quer dizer que tem um ano de experiência e 29 anos de repetição! Mas não sejamos tão severos com os "mestres". Assim como não é simples convencer os pais de que o mundo mudou e a escola deve acompanhar essa transformação, o mesmo se aplica aos professores. Há resistência à mudança. “É muito difícil ser professor hoje, pois os alunos estão sedentos, muito mais estimulados e criativos. Não é todo professor antigo que encara os novos desafios”, diz Mirza. “Temos de trabalhar a consciência do professor”, afirma Sônia. Atentas às demandas de seus alunos, as escolas particulares investem grande parte de seus lucros na (re)educação de professores.

Reciclagem permanente não é uma moda passageira, mas uma realidade que se aplica a todas profissões. Não poderia ser diferente com o professor. Uma frase do ministro Cristóvão Buarque, cuja gestão à frente da pasta da Educação tem como objetivo primordial a valorização do professor, é emblemática: “Diploma deveria vir com prazo de validade, como qualquer outro produto perecível”. No âmbito da escola, é preciso reeducar os educadores para que o aluno possa, como diz Paulo Freire, aprender a “ler o mundo”. E, com isso, “estabelecer um diálogo pró-ativo com a sociedade, pois o colégio não é um fim em si mesmo”, diz Paulo Henrique Camargo Rinaldi, 49 anos, diretor-geral do Colégio Rio Branco. Tudo muito bonito e edificante. Mas, afinal, qual é a cara dessa nova escola? O que ela tem de tão diferente do modelo antigo?

A nova LDB permite que as escolas definam parte de seu conteúdo programático. Com isso, há a possibilidade de criação de aulas diferenciadas. Esportes, música, teatro, culinária, marcenaria, filosofia... A lista de cursos oferecidos pelas escolas particulares de São Paulo é ampla e diversificada. Mas a verdadeira revolução são as aulas temáticas, que envolvem professores de várias disciplinas para estudar um determinado assunto. Tome-se como exemplo a recente invasão anglo-americana do Iraque. Na aula de história, o professor analisa a formação dos estados árabes; na de geografia, a importância do petróleo na geopolítica mundial; na de ciências, as alternativas energéticas que existem para substituir o combustível fóssil; na de economia, o impacto dos custos militares da invasão na economia mundial.

E assim por diante. Essa abordagem multidisciplinar permite ao aluno obter uma noção do todo e, com isso, refletir criticamente sobre a questão. A prática de aulas temáticas ou multidisciplinares já é uma realidade em colégios como Augusto Laranja. Em outros, como Santa Cruz, Carlitos e Escola da Vila, amplos temas são investigados em projetos, que muitas vezes duram um ano inteiro.

No Santa Cruz, por exemplo, há quatro projetos nos dois primeiros anos do ensino médio. Um deles é “Amazônia: da terra firme ao igapó”; os alunos visitam a Amazônia, estabelecendo um intercâmbio cultural com as populações ribeirinhas; para se preparar, tem dez aulas antes da viagem, para estudar vários aspectos relacionados ao tema; na volta, em virtude do conjunto de vivências e conhecimentos adquiridos, mais dez aulas encerram o projeto, que tem o objetivo de desenvolver a ética e a cidadania nos alunos do Santa Cruz, colégio cinqüentenário que valoriza a formação humanista. O projeto “Vida urbana no século 21”, da Escola da Vila, é um ótimo exemplo de atividade temática multidisciplinar. O projeto, que se desenvolve ao longo do segundo ano do ensino médio, reúne sete professores de diferentes disciplinas, que, em duas aulas semanais, propõem a discussão de um tema.

Nos primeiros dois meses, há uma etapa de imersão, na qual os alunos lêem textos, assistem a vídeos, entrevistam profissionais e saem a campo para identificar problemas. “O objetivo é sensibilizar o aluno”, afirma Divino Marroquini, 43 anos, professor de química e coordenador do projeto. Devido ao interesse despertado pela pesquisa, subtemas são levantados e os alunos, em grupos menores, começam a elaborar as questões que devem ser discutidas, sob orientação de um professor. No fim de agosto, entregam uma monografia, que é apresentada não apenas aos colegas, mas também aos pais e profissionais convidados, num grande evento noturno. No último trimestre, cada grupo desenvolve um site, coroando um ano de intenso trabalho. “O principal objetivo do projeto é colocar os alunos em contato com a realidade, fazendo com que escolham algo para estudar e gerenciem o próprio tempo de estudos. Um segundo objetivo é aproximar com o mercado de trabalho”, diz Marroquini.

Ao abordar uma temática real, o aluno percebe que há vários conhecimentos necessários para dar conta de um determinado assunto. E isso gera um ganho motivacional muito grande. Como em todo processo de descoberta, nem tudo são flores. “O processo é intenso. No início há crises tremendas, com dificuldade na escolha, uma exigência às vezes muito grande com o próprio texto. Mas a realização é enorme e os pais concordam que é o trabalho mais importante desenvolvido pelo filho ao longo de sua vida escolar”, afirma o coordenador do projeto. Rodrigo Sampaio Primo, 17 anos, é aluno do terceiro ano do ensino médio. Em 2002, desenvolveu projeto ligado à área de educação. “A idéia era entrar em contato com um novo universo. Estudei o ensino dado a alunos especiais na escola pública. No começo, eu não sabia onde estava pisando. Mas foi superimportante, pois vivenciei uma situação prática, que me permitiu refletir sobre educação”, diz Primo.

“Não sei se vou fazer faculdade de sociologia ou pedagogia, mas, hoje, tenho mais claro que quero trabalhar com alguma coisa ligada à educação”, afirma. “Tenho amigos que estão na faculdade e comentam que seus colegas de outras escolas chegam à universidade despreparados; geralmente vêm de escolas que são fechadas para o vestibular; o cara passa e aí?”, diz Primo.

O aluno da Escola da Vila põe o dedo na ferida: de que adianta a escola formar alunos para passar no vestibular se a vida é muito mais complexa? A questão remete à velha, estreita e preconceituosa visão de que escolas “tradicionais” são disciplinadoras, fortes e preparam para o vestibular, enquanto escolas “liberais” são antros de rebeldia, fracas e não fornecem “base acadêmica” para um bom desempenho no vestibular. Daí, voltamos à questão inicial: a escola do século 21 deve educar para o mercado ou para a vida? “Educar para a vida significa preparar para enfrentar os desafios do novo milênio, o que inclui os desafios do mercado de trabalho; não existe mercado sem vida e vice-versa”, afirma Roberto Nasser, 53 anos, coordenador de orientação profissional do Colégio Bandeirantes. Rinaldi, do Rio Branco, parece concordar: “Mercado e vida são complementares”. Já Sônia, do Porto Seguro, é categórica: “A educação básica, até o ensino médio, tem de formar para a vida”.

Miguelez, do Santa Cruz, tem opinião similar: “Educamos para a vida; será mercado na medida em que o mercado se preocupar com a vida”. Mirza, do Colégio Augusto Laranja, fornece uma pista valiosa: “Educar para a vida e para o trabalho às vezes é a mesma coisa. Muitas vezes o indivíduo que tem sucesso profissional foi líder do grêmio, participou de uma série de atividades não-acadêmicas”. Faz sentido. Num mundo de incertezas, no qual mais de 50% das profissões nem sequer existiam 30 anos atrás, a escola deve se preocupar em formar cidadãos pensantes e atuantes, que tenham capacidade de fazer escolhas e arcar com as conseqüências de seus atos.

A discussão escola tradicional/ forte x escola liberal/fraca é inócua, pois parte de preconceitos arraigados, sobretudo nos pais. É óbvio que nem todas as escolas são iguais, afinal as pessoas também são diferentes. Como a escolha da escola dos filhos é uma decisão de extrema importância, é prudente deixar os preconceitos de lado e identificar, com honestidade, um colégio que vá de encontro à sua visão de mundo, que compartilhe os mesmos valores profundos que conferem sentido à vida. No mundo atual, a informação está disponível. É preciso aprender a lidar com ela. Vale lembrar que o próprio exame vestibular tende a se aprimorar, afastando-se da tradicional “decoreba” para se tornar uma prova mais compreensiva, a exemplo do que já ocorre com o Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio.

A educação escolar é um processo longo. Nas escolas particulares, o aluno passa, em média, 15 anos até completar o ensino médio. “Há coisas que não são agradáveis no meio do processo. A escola não pode ser chata, mas sim um desafio”, defende Mirza. “Aprender brincando é uma experiência muito rica. Alguns conteúdos são árduos, mas a fixação é mais natural”, afirma Isabel Moniz, coordenadora pedagógica do ensino fundamental I da Escola Carlitos. O desafio de modernizar a escola gera várias incertezas. Mas é inegável que estudar está cada vez mais divertido.

Tamanho é documento?

Qual o número ideal de alunos por sala de aula? Para tentar responder a essa pergunta, a revista Scientific American promoveu uma discussão entre quatro pesquisadores americanos de prestígio. Após avaliarem uma série de estudos que relacionam o número de alunos por sala com o desempenho acadêmico, todos admitem que ainda é cedo para tirar conclusões.

Para Ronald Ehrenberg, professor da Universidade de Cornell, classes menores têm levado a resultados mais significativos em escolas freqüentadas por “minorias”, como negros e hispânicos. A hipótese levantada é que, como essas crianças têm, na média, lares menos estruturados – maior número de pais separados, menor nível de renda, e escolaridade mais baixa –, uma sala de aula menor significa maior chance de integração social e, conseqüentemente, melhor desempenho acadêmico.

A conclusão mais relevante do estudo, contudo, é que a simples redução do número de alunos por sala não é condição suficiente para melhorar o nível de ensino. Tudo depende da forma como o professor se adapta à nova realidade. Se o mestre já está habituado a trabalhar com pequenos grupos, o efeito tende a ser positivo, uma vez que, devido ao menor número de alunos por turma, a dedicação a cada criança é potencialmente maior. Mas, se o professor é fiel ao método tradicional de ensino – baseado em aulas meramente expositivas –, o efeito tende a ser desprezível. Isso apenas confirma o aforismo do ministro da Educação, Cristovam Buarque, para quem, em educação, “o professor é 99% mais um”. Tudo depende dele.

Em seu artigo 25, a Lei de Diretrizes e Bases diz: “será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor”. Trocando em miúdos, a LDB deixa a critério da escola estabelecer o número de alunos por sala. Nos principais colégio particulares de São Paulo, o número de alunos por classe nada mais é que um indicativo da postura pedagógica de cada instituição. No ensino médio, escolas tradicionais, como Bandeirantes e Rio Branco, chegam a ter classes com mais de 40 alunos, enquanto as liberais, como Escola da Vila e a Carlitos, têm, no máximo, 25 por turma.

Mas, atenção, o número de alunos por sala é apenas um referencial, que não deve ser avaliado isoladamente. Afinal, turmas menores ou maiores não garantem a qualidade do ensino, muito menos balizam o desenvolvimento social e afetivo do seu filho. Tudo depende da interação família-escola, na qual a visão de mundo dos pais e as habilidades específicas de cada criança são os itens mais relevantes. Em tempo: nos Estados Unidos, as salas têm, em média, 24 alunos; e, na Califórnia, são apenas 20.

Na prática a, teoria é outra
Conheça as idéias centrais de alguns dos principais pensadores da educação

A complexidade do mundo contemporâneo exige o aperfeiçoamento permanente do método pedagógico adotado em sala de aula. Os educadores tendem a concordar que os princípios pedagógicos de pensadores da educação – como Jean Piaget e Lev Vygotsky – foram elaborados há várias décadas e não se aplicam totalmente aos alunos da sociedade da informação. Por isso, na prática, a maioria das escolas brasileiras adota um método pedagógico que se apropria de teorias dos principais filósofos da educação, sem seguir à risca a cartilha de nenhum deles. O resultado é que, nesse aspecto, o discurso das escolas é muito parecido, dificultando a tarefa dos pais de avaliar corretamente o estilo de educação oferecido pelas instituições de ensino. Ainda assim, conhecer os princípios pedagógicos que norteiam o ato de educar é parte importante no processo de escolher a escola do seu filho.

Conheça aqui as idéias centrais de quatro dos filósofos da educação que mais influenciam a pedagogia nacional: Jean Piaget, Lev Vygotsky, Maria Montessori e o brasileiríssimo Paulo Freire.

PIAGET
"O conhecimento é fruto da experiência"

O suíço Jean Piaget (1896-1980) é conhecido como o “pai” do construtivismo na educação. Ainda que seu trabalho tenha se centrado na elaboração de uma teoria do conhecimento, com a publicação de A Linguagem e o Pensamento na Criança (1923), Piaget passou a ter seu nome definitivamente associado à prática pedagógica. Para ele, a criança se desenvolve na relação com o meio, por meio da construção e permanente reconstrução de hipóteses para explicar o mundo que a cerca. O papel do professor é compreender e respeitar o nível de desenvolvimento de cada criança, em esforço permanente para não ir além de suas capacidades, nem deixá-la agir sozinha, mas oferecendo instrumentos para que ela possa construir o conhecimento. Para Piaget, o desenvolvimento cognitivo da criança é fruto da sua interação com o mundo físico e social. A construção da autonomia moral é um conceito-chave da teoria piagetiana.

SAIBA MAIS

O Nascimento da Inteligência na Criança Jean Piaget, LTC, 389 págs.
Piaget ou a Inteligência em Evolução Jacques Montangero e Danielle Maurice-Naville, Artmed, 246 págs.,
A Difusão das Idéias de Piaget no Brasil Mário Sérgio Vasconcelos, Ed. Casa do Psicólogo, 285 págs.

VYGOTSKY
"O aprendizado é fruto da interação social"

As idéias do bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934) foram censuradas e só começaram a ser difundidas no Ocidente a partir dos anos 60. No Brasil, Vygotsky chegou ainda mais tarde, no início da década de 80, mas exerce crescente influência entre educadores no país. Sua “rebeldia” foi desprezar tanto o “inatismo” (a pessoa já nasce com inteligência predeterminada), quanto o “empirismo” (a pessoa é fruto apenas das experiências às quais é submetida), ao defender uma terceira via, “sociointeracionista”, na qual o aprendizado é indissociável do desenvolvimento do ser humano. Para ele, o indivíduo não nasce “pronto”, tampouco é simples cópia do ambiente externo. A trajetória da evolução intelectual é resultado de uma interação permanente de processos internos com as influências do mundo social. Quanto maior o aprendizado, maior o desenvolvimento. Mas isso não quer dizer que o saber “enciclopédico” deve ser valorizado.

Afinal, para Vygotsky, o real aprendizado se dá quando as informações fazem sentido para o indivíduo, que está necessariamente inserido num dado contexto social.

SAIBA MAIS
A Formação Social da Mente Lev Vygotsky, Martins Fontes, 191 págs.
Vygotsky em Foco: Pressupostos e Desdobramentos Harry Daniels, Papirus, 296 págs.
Vygotsky: uma Perspectiva Histórico-Cultural da Educação Teresa Rego, Vozes, 138 págs.

MONTESSORI
"É preciso seguir a criança"

A vida da italiana Maria Montessori (1870-1952) foi extraordinária. Entre outras proezas, tornou-se a primeira médica de seu país, em 1896. Seu método pedagógico, que ganhou fama mundial pela eficiência em alfabetizar crianças, chamou a atenção de Mussolini. Por não compactuar com o fascismo, Montessori abandonou a Itália. Durante a Segunda Guerra Mundial, esteve na Índia, a convite de Mahatma Gandhi, em trabalho de educação para a paz que lhe rendeu duas indicações ao Prêmio Nobel. Com o armistício, Montessori se estabeleceu na Holanda, onde criou a Associação Montessori Internacional (AMI). Sua pedagogia consiste em “observar e seguir a criança”, com base três princípios: atividade, individualidade e liberdade. Para Montessori, a criança aprende com facilidade quando o processo educacional é agradável. Diz a lenda que, certa vez, um adulto perguntou a um de seus alunos: “Então esta é a escola onde vocês fazem o que gostam?”, e a criança respondeu: “Não. Aqui nós gostamos do que fazemos”.

Montessori sonhava em formar pessoas autônomas, por meio da interação harmônica entre corpo, inteligência e vontade.

SAIBA MAIS
The Montessori Method (em inglês) Maria Montessori, Dover, 377 págs.
Educação Montessori: de um Homem Novo para um Mundo Novo Izaltina de Lourdes Machado, Pioneira, 92 págs.
Estudo do Sistema Montessori Vera Lagoa, Loyola, 188 págs.

FREIRE
"Educar é ensinar a ler o mundo"

O recifense Paulo Freire (1921-1997) é o maior pensador brasileiro da educação. O reconhecimento internacional teve início com a publicação de Pedagogia do Oprimido (1968), obra na qual defende o processo educativo como ato político. Segundo Freire, não há educação neutra; para libertar as classes oprimidas, é preciso promover uma efetiva troca entre professores e alunos. O educador combatia o que chamava de “educação bancária”, sistema por meio do qual o professor simplesmente despeja conhecimentos sobre o aluno, gerando alienação. Segundo Freire, “ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas não ”. Democracia no âmbito da escola é um conceito-chave na pedagogia de Paulo Freire. Alunos devem ter voz ativa no grupo, assim como professores e, sobretudo, a comunidade na qual a escola está inserida. Para Freire, antes de ensinar a ler e a escrever, a escola tem a missão de fornecer elementos para que a criança possa “ler o mundo”.

Preocupado com políticas públicas de ensino, Paulo Freire foi secretário de Educação do município de São Paulo, na gestão petista da prefeita Luiza Erundina; defendeu a implantação da escola-cidadã e, sobretudo, a valorização do professor, idéias hoje difundidas em todo o país.

SAIBA MAIS

Pedagogia do Oprimido Paulo Freire, Paz e Terra, 218 págs.
Pedagogia da Esperança: um Reencontro com a Pedagogia do Oprimido Paulo Freire, Paz e Terra, 245 págs.
Alfabetização: Leitura do Mundo, Leitura da Palavra Paulo Freire e Donaldo Macedo, Paz e Terra, 167 págs.


Idéias em debate

Como definir a escola ideal? Para iluminar o debate sobre educação em nosso país, ouvimos três das maiores autoridades brasileiras no assunto. Confira o que eles dizem

CRISTOVAM BUARQUE
“O professor é o centro do processo de educação”

MERCADO X VIDA
“O mercado faz parte da vida. Não se pode ignorar que o cidadão tem de entrar no mercado de trabalho. Então, devemos formar para a vida, levando em conta essa realidade.”

A ESCOLA IDEAL

“Do ponto de vista da cidade, a escola ideal é aquela na qual toda criança estuda numa escola que tem bons equipamentos – como computadores, bibliotecas e merenda satisfatória – e ótimos professores. Para isso, o professor deve estar motivado, bem formado e preparado. Num plano mais individual, ninguém sabe qual a escola ideal no mundo contemporâneo, pois o mundo está mudando muito.”

TECNOLOGIA

“É o professor que forma, não o computador. Através dos tempos, foi o quadro-negro que transmitiu o conhecimento. Devemos encarar o computador como um quadro-negro que se move.”

A IMPORTÂNCIA DO PROFESSOR

“O elemento central do processo de educação é o professor. No ensino básico, o professor brasileiro é um dos que menos ganha em todo o mundo, quando comparamos sua remuneração com os salários dos profissionais de outras áreas. Estamos investindo na formação do professor. Criamos o Exame Nacional dos Professores, um sistema de educação permanente para o professor, bolsas para aqueles que fazem o exame e um sistema de gratificação.”

CONTEÚDO

“Antes, o conhecimento era estoque. Hoje é fluxo, está em constante mutação.”

EDUCAÇÃO CONTINUADA

“O que se aprende hoje, amanhã pode não ter valor. Por isso, o diploma vale por um tempo. Se a pessoa não continua estudando, o diploma perde a validade. Eu estudei engenharia mecânica há 30 anos. Outro dia vi uma cadeira de rodas inovadora. Minha formação foi mais próxima de Isaac Newton que da tecnologia utilizada para desenvolver a cadeira de rodas.”

Cristovam Buarque é ministro da Educação, senador pelo Distrito Federal e professor da Universidade de Brasília (UnB). Foi reitor da UnB (1985-1989) e governador do Distrito Federal (1995-1998)

PAULO RENATO SOUZA
“É essencial que a escola ensine a aprender”

EDUCAÇÃO CONTINUADA

“Vivemos a era do conhecimento, que evolui numa velocidade sem precedentes. A tecnologia dá saltos cada vez mais freqüentes. É preciso acompanhar essas mudanças para estar inserido na sociedade. Trabalhar, consumir e participar da vida social exigem que a pessoa tenha acesso à educação permanente, ao longo da vida.”

O PAPEL DA ESCOLA

“Antes, a escola de educação básica podia pretender transmitir o conhecimento e até mesmo a ‘decoreba’ era um instrumento freqüentemente utilizado. Hoje, isso não é mais possível. Nessa etapa da vida, é essencial que a escola passe a ensinar as crianças e os jovens simplesmente a aprender. Desenvolver o raciocínio, o pensamento crítico, a capacidade de pensar, eis os grandes objetivos pedagógicos da escola na era do conhecimento. Ler e escrever muito são duas velhas práticas que mais do que nunca devem estar presentes na escola.”

O CONTEÚDO

“A interdisciplinaridade, a contextualização do conhecimento e o desenvolvimento de habilidades e competências substituíram os velhos conteúdos de disciplinas estanques.”

FAMÍLIA E ESCOLA

“A educação integral da criança e do jovem é uma tarefa da família e da escola. Nesse sentido, é essencial que a escola tenha muito clara sua missão no desenvolvimento dos princípios éticos e morais e do respeito pelo outro, assim como no desenvolvimento da responsabilidade social da pessoa. A disciplina é necessária, mas o arbítrio e o autoritarismo devem ser banidos do ambiente escolar.”

TECNOLOGIA

“É preciso que a escola passe a usar crescentemente o computador e o acesso à internet como instrumentos de acesso à informação e ao conhecimento. Isso é importante na escola privada, e mais ainda na escola pública.”

Paulo Renato Souza é consultor. Doutor em economia pela Unicamp, foi ministro da Educação no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), reitor da Unicamp e secretário de Educação do Estado de São Paulo (1983-1987)

GUIOMAR NAMO DE MELLO
“Hoje, conteúdo não é fim, mas sim meio”

MERCADO X VIDA

“É uma pretensão matricular uma criança na pré-escola com a idéia de ter controle sobre o que existirá em 15 anos. Vivemos num momento de incertezas muito grandes. As profissões mudam cada vez mais depressa. As escolas lidam com dificuldade com essa questão, pois a aspiração dos pais é garantir sucesso profissional aos filhos. Os professores dizem que os pais exigem um ensino que prepare para o vestibular. Mas olhar apenas para o vestibular é ver a educação de modo pouco generoso.”

O PAPEL DA ESCOLA

“Hoje, conteúdo não é fim, mas sim meio. A escola deve preparar para conviver num clima flexível; quanto mais básicas as capacidades, melhor. É fundamental desenvolver o domínio das linguagens da tecnologia, da arte, do corpo; trabalhar em conjunto; compartilhar conhecimento; gerenciar coletivamente a informação; aprender a solucionar problemas. Conhecimento é algo social; a informação pode ser adquirida solitariamente, mas o conhecimento com significado social só existe na relação com o outro. O objetivo da educação é formar pessoas virtuosas.”

TECNOLOGIA

“A tecnologia deve ser aplicada para levar à inteligência. E isso é uma habilidade cognitiva que pode ser desenvolvida com ou sem computador. O ‘humanware’ é programado para usar a informação de modo inteligente, com ou sem hardware.”

EDUCAÇÃO CONTINUADA

“A tendência, no mundo todo, é diminuir o número de anos da formação inicial, e estudar, reciclar, sempre.”

DISCIPLINA

“A disciplina é um eterno problema. Afinal, mesmo o pai mais liberal não diz só sim, nem o pai mais rígido diz apenas não; na verdade, os filhos existem para fazer você entrar em contradição.”

Guiomar Namo de Mello é diretora executiva da Fundação Victor Civita e membro do Conselho Nacional de Educação-Câmara de Educação Básica. Pedagoga com pós-doutorado pela London University, foi secretária de Educação de São Paulo (1982-1985)

Roberto Guimarães
SUPERINTERESSANTE

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